- há 3 semanas
Vitrine Literária
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NotíciasTranscrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição do Vitrine Literária com Francisco Grijó e eu continuo sendo Francisco Grijó.
00:27Nós estamos aqui na TV Vitória, pelo YouTube e pelo podcast do Fora Vitória.
00:34Hoje nós vamos bater um papo sobre autores de estreia, ou seja, aqueles indivíduos que tem um livro engavetado,
00:43ou um livro na cabeça, ou um livro em execução, mas não sabem o que fazer com ele.
00:50Terminam, não terminam, edito, não edito.
00:52Eu tenho aqui uma convidada, que é uma autora de estreia, que tem uma qualidade literária que me surpreendeu muito,
01:01não porque eu a subestimasse, mas porque geralmente os livros de estreia, eles trazem muita expectativa,
01:08mas quando se lê, ele não é tão grandioso quanto a gente imaginava que fosse.
01:14Eu me enganei com o livro A Noiva de Paris, de Marcela Neves, ou Marcela Guimarães Neves,
01:22que está aqui ao meu lado, mas com quem eu não vou conversar de imediato, não.
01:25Antes eu quero trazer para todos os que ouvem e para todos os que veem,
01:31uma questão muito importante que é ser um estrangeiro numa terra estranha.
01:37Quando eu falo ser um estrangeiro numa terra estranha, não significa ser necessariamente um indivíduo de um país em outro
01:46país.
01:47Pode ser também um indivíduo de um estado em outro estado, sofrendo todas as intempéries naturais,
01:55ou que, embora naturais, não são consideradas justas em relação ao indivíduo que vem de fora.
02:03Nós vamos discutir isso porque o livro sobre o qual nós vamos conversar hoje e a autora com a qual
02:10nós vamos conversar
02:11é uma autora que tem a experiência justamente nessa ideia de fazer literatura sobre uma experiência fora do país.
02:22A Marcela Guimarães Neves é advogada, a Marcela é mestra em Direito, a Marcela é uma escritora,
02:31a Marcela eu conheci há muito tempo, ela vem de uma família de intelectuais,
02:37a mãe e o pai são figuras proeminentes na leitura e na confecção literária,
02:44são figuras que têm um conhecimento muito grande de literatura,
02:47ela tem um irmão que escreve e ela também resolveu, depois de tanto tempo,
02:52ela resolveu publicar este livro que está aqui, A Noiva de Paris.
02:57Como nós estamos trabalhando um programa que fala basicamente sobre literatura contemporânea,
03:05nada mais justo que a gente conversar sobre um livro que acabou de ser lançado.
03:09A Noiva de Paris foi lançado há menos de um mês,
03:13um lançamento muito concorrido na biblioteca municipal,
03:17um lançamento que teve muita repercussão no mundo literário,
03:22porque é um livro de extrema qualidade.
03:25Eu li esse livro em um dia, num tapa só,
03:30porque eu queria muito conhecer o livro e eu queria muito trazer a Marcela ao programa.
03:35Então, nada mais justo que eu lesse o livro dela, do qual eu gostei bastante.
03:41Marcela, muito obrigado por sua presença,
03:45sei que você, neste momento, estaria trabalhando,
03:48então você fez uma deferência em participar aqui do Vitrino Literária.
03:52e eu começo, antes de você falar qualquer coisa,
03:57eu começo fazendo uma pergunta a você.
04:00Esse seu livro, A Noiva de Paris,
04:03quando se lê o título A Noiva de Paris,
04:05pode-se pensar que é uma noiva que está em Paris,
04:10mas pode-se pensar também que Paris é o noivo dessa noiva.
04:15Explica para a gente esse título.
04:17Primeiramente, eu gostaria de agradecer, quero agradecer imensamente o convite,
04:22para mim é uma honra estar aqui com o meu professor de literatura,
04:25porque sempre será...
04:27Ex-professor.
04:28Meu professor de literatura, imenso professor, grandioso,
04:32que realmente, assim, me fez descobrir tantas, tantas coisas,
04:38tantas maravilhas, as maravilhas da literatura também.
04:40E, sim, A Noiva de Paris, podemos dizer que é uma noiva,
04:46ela vai, há toda essa mística da noiva no livro também,
04:51mas ela tem esse relacionamento com a cidade,
04:58há um relacionamento com a cidade neste livro.
05:01Então, podemos dizer que ela também é a noiva desta cidade,
05:06de Paris, desta Paris, que está lá para recebê-la
05:10e há todo um conflito que acontece nessa cidade,
05:14que ela achou que fosse a idealização deste casamento também,
05:18desta união com a cidade que é tão sonhada para ela.
05:22Me diz uma coisa, a ideia de noivado é uma ideia de pré-casamento,
05:30que é um casamento que pode haver ou não haver.
05:33Esse casamento no livro A Noiva de Paris, me parece que ele se realiza.
05:37Ele se realiza, mas ele depois se desfaz.
05:40Não, não, gente, não estou dando spoiler, não, tá?
05:42Na verdade, estou até tentando fazer com que vocês entendam
05:47que é um livro complexo, tá?
05:50Na hora de ler, é preciso ter muita atenção a essa leitura.
05:53Mas a minha pergunta para você é essa.
05:55É um casamento que se desfaz ou é um casamento que se eterniza na memória,
06:01se eterniza no costume?
06:03Sim.
06:04A visão é, sobretudo, essa de uma eternização, vamos dizer,
06:10dessa eternidade, dessa união com essa cidade,
06:14mas também com toda essa idealização de vida
06:17que ela procura, ela deseja e que por conta de várias situações no livro
06:26se realiza, talvez, em muitos pontos, mas há muitos percalços também.
06:32Mas é esse desejo de união e acredito que ele permaneça eterno nessa visão da personagem também.
06:38Você morou em Paris durante muito tempo, né?
06:40Você estudou em Paris e há uma personagem no texto chamada Sofia
06:45que me parece ser... tem alguma coisa de autobiografia.
06:49Mas é interessante porque também aparece uma personagem chamada Marcela.
06:53Marcela que é estudante de direito e que vai estudar, né?
06:57Vai estudar em Paris.
06:59Ou seja, que é você, assumidamente você.
07:02Mas me diga, as suas experiências, eu sei que a gente escreve muito sobre o que a gente passa
07:08ou o que a gente gostaria de passar, mas o texto A Noiva de Paris com todos os percalços
07:16que a personagem central Sofia passa, tem muita coisa de autobiográfico?
07:22São impressões. Impressões do que pude constatar, do que pude sentir, perceber,
07:28naquela sociedade, na sociedade parisiense e da época em que estive lá.
07:34No caso, 2002 até 2007, quase 2007.
07:38Então foi uma... a minha impressão.
07:42Mas eu me coloco na história justamente porque não é a minha história, não é autobiográfico.
07:48É claro que essas sensações, todos esses elementos, esse, vamos dizer, esse passeio turístico um pouco
07:58pela Paris da época, que é a Paris de sempre, mas é...
08:05podia ter essa questão justamente, é autobiográfico, mas justamente por isso que eu me coloquei como personagem
08:11para dizer, não, não é a minha história, mas há muitas sensações que tive, há muitas impressões,
08:19porque acredito que o mundo seja aquele do olhar do observador.
08:24Nós observamos o mundo e criamos o mundo, criamos o nosso mundo, criamos o nosso cenário.
08:29Então foi um cenário, assim, também que criei, né, da minha Paris, da que eu percebi, da que pude construir
08:36nesse livro.
08:37E que muito veio dessa vivência, mas que não é totalmente a minha história lá.
08:42É interessante, eu percebi uma coisa, me causou muita estranheza, o fato de que você usa notas de pé de
08:51página
08:51para explicar ao leitor o que é a cidade de Paris.
08:56Então, em alguns momentos, eu lendo o livro falei, mas por que que Marcela faz isso?
09:01Por que que Marcela precisa explicar para o leitor como é a cidade?
09:06Como é que é a Sorbonne?
09:07Como é que é o quartier Latam?
09:09E assim por diante.
09:10Por que que ela faz isso?
09:11E eu acho que eu só estou entendendo nesse momento, que é uma Paris humanizada mesmo, né?
09:16É uma Paris noivo.
09:18E você precisa dar características a ele.
09:20É mais ou menos por aí?
09:21Sim, é isso.
09:22Eu quis colocar Paris como uma personagem, né?
09:25Um personagem da história.
09:27E acho que precisava descrever como se descreve, né, personagens.
09:33Então ele precisava estar ali com todos os seus elementos, às vezes históricos,
09:38às vezes colocava na questão estética.
09:41De um parque bonito, de uma coisa, colocava alguns adjetivos para descrever como se fosse realmente esse personagem.
09:47Então, porque é, é o noivo.
09:50O Hemingway dizia que Paris era uma festa.
09:52E Paris é uma festa ao olhar de Sofia?
09:56E ao seu olhar também?
09:57Ao olhar de Marcela e ao olhar de Sofia?
10:00Paris é uma festa?
10:01A questão de ser uma festa é muito dessa idealização.
10:05Pode ser um período de festa, talvez o de Hemingway, mas é aquela história de a gente gostar mais da
10:12ideia da coisa do que da coisa de fato.
10:14Quando estamos lá todos os dias pegando o metrô às 4, 5 horas da manhã, embaixo de neve, né?
10:20Sob a neve de Paris e tal.
10:22E você não vê aquele quadro tão glamuroso no dia a dia.
10:26E que meu dia a dia ali também trabalhei muito na França, né?
10:30Vários trabalhos lá também.
10:32Então, o dia a dia em qualquer cidade é o cotidiano normal.
10:36Embora haja todo esse cenário belíssimo, mas muitas vezes aí o personagem do Leão fala
10:44Isso eu já vi, nem quero saber, porque nós já estamos aqui numa estrutura de cotidiano, de dia a dia,
10:51de rotina.
10:53Então, não se fica, vamos dizer, surpreso com a Turra Eiffel, né?
10:58Com a Turra Eiffel todos os dias.
11:00A gente passa, olha e vai, e vai seguindo o caminho que é o caminho de todo mundo, de ganhar
11:06vida, de tentar buscar outros sonhos, né?
11:10Ou realizar realmente o sonho.
11:12Então, esse sonho de conhecer a cidade é realmente um sonho turístico, é um sonho da ideia da coisa, né?
11:18E quando nós estamos lá, nós podemos perceber que o sonho da vida, ele é muito íntimo, muito pessoal.
11:25E às vezes o cenário pouco importa.
11:28E eu achei interessante, e você vai dizer se eu estou certo ou errado, é que essa ideia de afrancesamento,
11:35ou seja, de o indivíduo que não é francês, tentar sentir-se como francês, isso não é bem visto pelos
11:43franceses.
11:44Porque há uma certa xenofobia.
11:46No seu livro você mostra isso.
11:48A xenofobia contra o africano, a xenofobia contra o marroquino, que também é africano, né?
11:53A xenofobia contra o brasileiro.
11:56Sim.
11:56Essa ideia de xenofobia traz uma ideia sensacional no livro, que é a marginalidade.
12:03Eu li esse livro percebendo a marginalidade das personagens.
12:07Fala um pouco pra nós sobre essa ideia de xenofobia e de como um marginal, ele se vira numa cidade
12:17mundialmente famosa,
12:20uma cidade que foi o berço da cultura até o século XIX.
12:24Então, como é que é isso?
12:26A ideia do francês e da cultura francesa é uma ideia de universalização.
12:36Vamos todos falar a língua francesa, que bela, que bonita.
12:43E essa ideia de declaração dos direitos do homem pra todos.
12:47E eu pude perceber que essa ideia também é uma idealização francesa de como deveria ser a sociedade, né?
12:58Mas não é, mas não é, porque lá, vamos dizer, há uma diferença de integração, que a gente fala, de
13:06assimilação, por exemplo, com a Inglaterra.
13:09A Inglaterra, ela fala, olha, todos podem se vestir como quiserem porque nunca serão ingleses.
13:16Se tentar ser inglês, né?
13:18Um indiano tentar ser inglês é uma paródia.
13:20Então, que coloque um turbante, não tem problema.
13:23Já o francês, não.
13:24Há essa ideia de, ah, todos podem ser franceses.
13:27É só gostar de crepe, né?
13:29Um vinho.
13:30E por que não gostar?
13:31É tão maravilhoso ser francês.
13:33Então, de fato, há essa ideia dessa neutralidade, desse desejo republicano, né?
13:38Da república francesa, de que todos, a partir do momento da vida, queiram realmente se tornar franceses.
13:47Mas é uma falácia, porque nós temos nossas origens, justamente.
13:53Temos a nossa estrutura, né?
13:55Como desde a infância, toda essa ancestralidade.
13:59E isso é muito difícil para quem, justamente, né?
14:02Vem da África, vem de outros países, porque nem todos querem comer crepe e tomar vinho.
14:08Queremos, assim, um chá de, né?
14:10De menta, argelino.
14:12Então, isso é muito difícil para o francês entender.
14:15Porque eles têm essa ideia de que o mundo francês seria muito melhor, mais elegante, mais refinado.
14:23E já para os ingleses, não.
14:24Falam, ah, mas se você quiser, você nunca será um inglês.
14:27Isso é uma paródia.
14:28Então, tem muito isso.
14:29Porque é um regime de assimilação.
14:30Tanto que a questão do véu islâmico, dos muçulmanos na França, é uma questão muito séria.
14:38Porque, mesmo, eles falam, né?
14:39Por exemplo, na questão da educação.
14:41A educação é de qualidade para todos na França.
14:43Sim, mas você não pode usar o véu.
14:45A menina não pode usar o véu islâmico.
14:49Ela tem que retirar na escola.
14:50Muitos pais lá não permitem.
14:52Então, a menina, ao invés de ter todo esse conhecimento, dessas luzes, né?
14:56Da educação francesa, o que ocorre?
14:58O pai retira da escola e coloca na escola corânica.
15:02Então, justamente bloqueia o acesso, que deveria ser público, por conta dessa pretensa neutralidade.
15:10Essa neutralidade, desse desejo, desse republicanismo sem olhar as identidades, as diferenças.
15:19Essa carga identitária de cada um, que todos nós possuímos, todos nós carregamos.
15:23E com orgulho, muitas vezes.
15:25E você coloca personagens marginais, né?
15:28Sim.
15:29Que tem a personagem Sofia, que é a personagem central, que é marginal, é brasileira, mas
15:34é também marginal no relacionamento.
15:36No relacionamento, sim.
15:37Ela sofre o abuso, o assédio.
15:40E o Youssef, que é uma personagem muçulmana, né?
15:44Sim.
15:46Como é que você trabalha essa questão da marginalidade?
15:49A marginalidade foi uma consequência de escrever sobre Paris?
15:53Sim.
15:54Ou a marginalidade foi o mote, a causa de você escrever o texto?
16:00Foi muita causa.
16:01Porque justamente eu vi esse contraponto dessa estrutura organizada, essa estrutura institucional
16:07pela universalização e esse véu que se colocava justamente nessas figuras, que eu via.
16:15Não, mas e esse argelino, esse marroquino?
16:19Não é aquela coisa, egalité, fraternité, mas para quem?
16:25Então, isso eu via muito.
16:27Sofri muita discriminação na universidade, por exemplo, onde eu estava, na faculdade,
16:33porque era brasileira.
16:35É aquela coisa velada, não tão explícita, mas mesmo assim uma piadinha todos os dias.
16:41A terra de papagaios, né?
16:44Então, assim, quis falar desses personagens, dessa questão marginal, porque justamente
16:54há todo esse glamour, toda essa ideia de uma república francesa, a imagem de somos
16:59todos citoyons, cidadãos franceses aqui.
17:03Mas não, há que se perceber identidades, diferenças, em qualquer lugar.
17:08Só coloquei um cenário parisiense, mas aqui no Brasil isso aplica perfeitamente.
17:13Então, por quê?
17:14É muito fácil descambar para uma ideia de universalização, de democracia racial,
17:23ah, todos somos iguais.
17:25Não, mas peraí, o que está acontecendo?
17:27É a ideia da coisa ou a coisa acontecendo?
17:30Porque o que eu quis mostrar é justamente o dia a dia dessa estrutura que se quer muito
17:38universalizante, universalizadora, por não sei como bem dizer, mas que na verdade
17:44mantém um véu, mantém um véu em relação a essas figuras.
17:49A Sofia, como estrangeira, o argelino, então, eles não são abraçados por essa Paris que
17:58se quer tão universal, tão mundial, tão centro do mundo.
18:03A gente sai um pouco do conteúdo e vai para a forma.
18:09Eu tive uma ótima, uma gratíssima surpresa quando eu percebi que você tem um domínio muito
18:16pleno pelo período longo.
18:20Eu vou explicar isso para quem está ouvindo a gente.
18:24É muito comum, principalmente em autores de estreia, autores estreantes, é muito comum
18:31o autor se limitar aos períodos curtos.
18:37Não há nenhum problema.
18:38Existem grandes autores na literatura universal que trabalham com períodos curtos.
18:43Não é problema.
18:43E existem autores que se aventuram numa dificuldade maior que é trabalhar com períodos longos,
18:50com mais conectivos, períodos muito virgulados, manter sujeitos diferentes nos períodos.
18:57Isso não é algo muito simples para quem escreve.
19:01E não é algo muito simples para quem observa também.
19:05A Marcela conseguiu um feito que é num livro de estreia...
19:11Eu estou chamando a atenção justamente por ser um livro de estreia.
19:15Porque é muito difícil a gente encontrar...
19:17Eu já li inúmeros livros de estreia.
19:20Inclusive, eu, em livro de estreia, também me mantive muito preso ao período curto.
19:27Depois é que eu fui desenvolver mais tarde o período mais longo.
19:30Quando você começa a ter um domínio maior sobre a narrativa, é natural que o período longo aflore.
19:37Marcela já começou fazendo o período longo.
19:42E, ao mesmo tempo que você tem o período longo, você tem uma narradora muito elegante.
19:47Quer dizer, um narrador...
19:49Eu não sei se é mulher ou homem, não interessa.
19:50Um narrador muito elegante que se mantém o tempo todo sem a coloquialidade.
19:57Quem é coloquial são...
19:58Os coloquiais são as personagens, mas o narrador não.
20:03Então, você fez um narrador muito elegante.
20:05Um narrador que me chamou a atenção por ser quase um narrador francês.
20:09Um narrador parisiense.
20:11Eu quero que você comente com a gente a sua intenção em criar um narrador elegante
20:18e, ao mesmo tempo, essa coisa do período longo.
20:22É...
20:23Então, a questão do narrador, por quê?
20:25Eu pensei justamente nessa figura, nesse Paris que está olhando, né?
20:31Nessa Paris que está olhando, nessa figura que é, sim, elegante, que é...
20:36Nesse ponto da linguagem glamourizada, por quê?
20:42Porque o francês ama a língua francesa.
20:45A língua é muito importante.
20:47Todos querem falar muito bem o francês.
20:49Não importa a estrutura social, o trabalho da pessoa.
20:54Todos gostam de dizer que falam muito bem francês.
20:57E eu quis trazer isso também para o narrador, para o português, vamos dizer, né?
21:02Para esse narrador que está narrando em português.
21:06Dessa...
21:06Dessa amor pela língua.
21:08Dessa ideia de, sim, uma língua elegante.
21:10Uma...
21:11Não, que, claro, eu adoro livros de todas as formas, com todas as linguagens e vejo esteticamente muito valor.
21:18Mas eu quis trazer esse amor da língua, esse amor pela língua, também para o nosso contexto.
21:25Ótimo.
21:26Muito bom, muito bom.
21:30Marcela, me diga uma coisa aqui.
21:33Quem quer adquirir A Noiva de Paris, lançado recentemente, como é que busca?
21:40Internet ou compra em alguma livraria?
21:43Onde está o livro A Noiva de Paris?
21:46Está na editora Pedregulho, pelo site da editora Pedregulho, www.editorpedregulho.com.br.
21:53Podemos adquirir o livro A Noiva de Paris.
21:56Só se compra pela Pedregulho?
21:59Olha, eu já estou fazendo a segunda edição, né? Porque acabou.
22:02Ótimo. Não se compra com você diretamente?
22:04Pode comprar comigo, agora o que vai chegar.
22:07E como é que faz?
22:08Pelo seu Instagram?
22:09Pode ser pelo Instagram, que é Marcela Geneve 7.
22:12Marcela Geneve 7.
22:13Um directzinho lá, a gente resolve.
22:16Ótimo, ótimo.
22:17Marcela?
22:18Posso falar só da questão do período longo?
22:20Claro. Ah, é? Você não respondeu.
22:21Exatamente.
22:22Eu pergunto e não me satisfaço com a resposta.
22:25Porque é questão só para marcar.
22:27Nessa questão da linguagem, lembrei-me de Proust, que usa justamente esse período longo.
22:35Então, claro, visando, pelo menos lembrando, mas nunca... Proust, né? Proust, né?
22:43É um ícone, né?
22:44É um ícone.
22:45Mas é aquela coisa, é uma lembrança para dizer, lembrei de um dos grandes da literatura francesa.
22:52O Proust, eu só li. Eu não li Jean-Centéio, mas eu li em Proust do Tempo Perdido e li
22:58assim, levei dez anos para ler todos os sete livros.
23:00Eu não li todos, mas li alguns.
23:02Eu li. O Proust era um grande criador de personagens, né?
23:07As personagens prussianas são maravilhosas, são personagens eternas.
23:13Mas você criou alguns personagens aqui que são muito interessantes, principalmente no que diz respeito à ideia de casamento.
23:19Porque a relação entre a personagem central e o marido, que é uma relação abusiva, é um tema muito atual.
23:33Quer dizer, sempre foi um tema recorrente.
23:36No dia a dia, no século a século, na semana a semana.
23:40Mas agora a gente está dando mais, está tendo um olhar mais atento a isso.
23:47E você aborda isso bem.
23:48Nós estamos acabando nossa entrevista, eu quero que você fale disso rapidamente.
23:52Sim, o tema do casamento, justamente essa questão do noivado, o casamento.
23:57Então, trouxe alguns elementos em relação, na verdade, para essa conversa.
24:02O que é o casamento?
24:04Essa imagem do casamento como estrutura obrigatória para algumas pessoas, como um elemento totalmente dispensável para outras.
24:11O que é o casamento? Principalmente uma questão da mulher.
24:16Porque esse elemento, esse casamento, ele perpassa muito o universo feminino.
24:21Perfeito.
24:21Vai se casar? Não vai se casar? Que dia que vai se casar? Vai se casar quando?
24:24Então, essa pergunta que vem, é uma pergunta recorrente.
24:27No universo feminino, para o feminino.
24:30E será que ela é tão necessária?
24:32Será que realmente temos de perguntar a uma mulher e vai se casar quando?
24:36Já se casou?
24:36Ah, pensa em se casar?
24:38Como? Pensa em ter filho?
24:39São perguntas que hoje em dia podem ser muito bem dispensadas e dispensadas.
24:44Ótimo, ótimo, ótimo.
24:45Marcela, muito obrigado.
24:47Obrigada, eu quero agradecer imensamente.
24:48Um papo, assim, muito esclarecedor para mim.
24:50Muito obrigado mesmo.
24:52Eu fico muito contente de saber que eu conheci você antes de você começar a escrever.
24:56Muito antes.
24:57Sou amigo do seu pai, amigo da sua mãe, seu irmão, a sua irmã.
25:01E isso me deixa muito contente de saber que eu tenho esse relacionamento com a família Neves.
25:06Com a família Guimarães Neves.
25:08Muito obrigado mais uma vez.
25:10Pessoal, aqui está o livro, ó.
25:12A Noiva de Paris, www.editorapedregulho.com.br.
25:18Um grande abraço a todos vocês.
25:20Mais uma vez, obrigado.
25:22Obrigada.
25:22Semana que vem, a gente tem uma nova edição do Vitrino Literária.
25:27Um grande abraço, pessoal.
25:30Você ouviu o Vitrino Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
25:36Tudo sobre literatura contemporânea.
25:39Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
25:46Um grande abraço.