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  • há 3 semanas
De forma leve e descontraída, o programa dá dicas e orientações de como sair do sufoco, manter as contas em dia e, quem sabe, até fazer um pé de meia.

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Transcrição
00:10E bora sair desse perrengue porque dinheiro na mão é solução.
00:15Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo a esse podcast que nasceu com o objetivo de tirar você do perrengue
00:23financeiro.
00:24A gente não quer nem que você entre, não é isso, Érico?
00:26Nem entre no perrengue financeiro, esse é o nosso grande objetivo aqui.
00:30E hoje nós vamos entrevistar a Juliana Berzin, que é psicóloga, mestre em psicologia, doutora em psicologia, consultora na área
00:43de gestão organizacional, transição de carreira.
00:46A lista é grande, se eu ficar aqui falando, vai gastar o nosso tempo, a gente vai entrevistar a doutora.
00:53Chama de você, de doutora?
00:55Você, por favor.
00:56Vou chamar de você então, então vamos, bora para as perguntas, para não gastar muito tempo aqui.
01:03Conta para a gente como que você chegou aqui no Espírito Santo, a gente já estava ali conversando, né?
01:09Isso, é verdade.
01:09Ela fez uma transição, então a gente quer saber o que te trouxe ao Espírito Santo, como que foi essa
01:15chegada por aqui.
01:17Bom, boa tarde primeiro, boa tarde pessoal.
01:20Eu vim para o Espírito Santo em busca de alguma coisa que a gente quer muito na nossa vida, que
01:25é qualidade de vida.
01:27Eu sou paulista, vivi toda a minha vida em São Paulo, lá tem muita coisa bacana para se fazer, mas
01:33quando eu escolhi que era a hora de viver com mais tranquilidade, eu vim para cá.
01:37Então, eu estou aqui há cinco anos, já me sinto capixaba de coração.
01:41Já virou capixaba.
01:42O sotaque, inclusive, já deu uma atenuada.
01:44Já.
01:44Você nem percebe.
01:46É.
01:46Às vezes eu consigo enganar.
01:48Legal.
01:49Tem que falar pocá e muqueca capixaba.
01:51É, massa.
01:53Tem que falar muito massa.
01:54O pocá é regra, senão a gente não aceita.
01:57A gente não absorve aqui no Estado.
01:59E tem que falar ei.
02:00Ei também.
02:01Isso aí.
02:02E é importante.
02:02Viu?
02:02Caramba, ela está entendida do capixaba.
02:05Está fiada.
02:06E fala para a gente qual a sua percepção sobre a importância da educação financeira para as pessoas.
02:13Olha, eu vejo que esse é um tema de fundamental importância, principalmente nos dias de hoje.
02:18Então, a gente vive uma realidade social, uma realidade de mundo de trabalho, que ela modificou-se muito nos últimos
02:26tempos.
02:27Então, a gente tem desafios e se a gente não cuidar da nossa parte financeira, tanto em relação ao hoje,
02:33quanto em relação ao amanhã,
02:35a gente não consegue ter algumas coisas que são fundamentais, como organização e planejamento.
02:41Tem uma frase que eu gosto muito, que é, se você não sabe para onde você vai, qualquer caminho basta.
02:47E hoje a gente tem que saber para onde que a gente está indo, né?
02:50Já que a coisa não está tão fácil assim, a gente precisa se planejar, se organizar.
02:54Então, eu vejo que o planejamento financeiro, ele faz parte da nossa vida, como um todo.
03:01Principalmente para quem está começando a vida profissional, por exemplo, que está começando a ganhar e precisa saber como é
03:08que faz para se organizar.
03:09Para aquelas pessoas que já estão no mercado financeiro, precisam potencializar seus ganhos e precisam alcançar aquilo que elas desejam.
03:17E principalmente para quem está pensando no futuro, né?
03:20Afinal de contas, a gente não sabe muito bem hoje como é que é o tema da aposentadoria, a gente
03:25tem aí diversos desafios, a gente tem um número maior de pessoas empreendendo.
03:31E, então, se a gente não se organizar e tiver um bom planejamento financeiro, a gente não consegue dar conta
03:36desse mundo aí, que é bastante desafiador.
03:39Perfeito, perfeito.
03:40Eu acredito que muito mais do que a idade, vale a pena a gente pensar na questão da maturidade.
03:56Então, quando a gente tem ali, lá para os 7, 8 anos, para quem tem filho, a gente sabe que
04:02as crianças começam a lidar com a realidade do monetário, do valor monetário.
04:06Então, é importante que eles consigam entender o valor das coisas, a responsabilidade.
04:12E aí, com o passar do tempo, já se tornando adolescente, aquilo que precisa fazer para se ter uma recompensa.
04:20Então, de acordo com a maturidade, tem determinados temas que precisam ser inseridos aí, de acordo com a vida, a
04:27realidade.
04:28E quando o indivíduo entra no mercado de trabalho e adquire dependência financeira, eu diria que é fundamental.
04:34Porque aí é o momento que ele precisa conseguir organizar aquilo que é a sua condição de vida com aquilo
04:41que ele ganha.
04:42Então, eu acredito que esse é um tema muito importante de ser trabalhado.
04:45Bacana. E você acha que gestão financeira e comportamento tem ligação com essa mudança de geração?
04:55Porque assim, a gente vem sofrendo uma mudança grande de gerações.
05:00E você acha que tem esse impacto, tem ligação?
05:03Com certeza.
05:06Quem viveu lá na década de 80, quem tem mais ou menos a minha idade aí, teve uma experiência de
05:14recursos para consumir e valores em relação ao consumo muito diferente do que a gente tem hoje.
05:20Então, quando a gente olha para as gerações, os baby boomers, que são as gerações mais antigas, que ainda estão
05:25no mercado de trabalho e que ainda têm uma percepção aí de consumo.
05:30São pessoas que são mais tradicionais, mais conservadoras, que pensam mais em poupar, que têm mais a visão do futuro.
05:39Então, antigamente se falava muito assim, ah, eu preciso poupar hoje, garantir que eu vou viver de uma forma mais
05:46econômica para garantir a minha aposentadoria, para eu me divertir lá no futuro.
05:50Com as gerações, isso vem mudando muito.
05:53Então, a geração X, que vem depois, que é a geração ao qual eu pertenço, já tem uma ideia mais
06:00focada no consumo relacionado à experiência de vida.
06:06Então, eu quero pertencer a uma determinada sociedade, eu quero demonstrar um determinado tipo de consumo,
06:13porque isso tem a ver ali com o meu padrão, com a forma como eu vivo.
06:18Já as outras gerações que vivem no mundo mais globalizado, com mais ênfase na questão da tecnologia, têm uma experiência
06:26de consumo diferente.
06:27Não existe essa questão de poupar para o futuro.
06:30A minha experiência de prazer tem que ser agora, então eu quero trabalhar numa coisa que seja bacana para mim
06:35agora, eu não vou esperar o futuro.
06:38A minha experiência de consumo é muito mais focada no que eu quero fazer agora.
06:42E quando a gente olha, por exemplo, a questão da internet e os aplicativos, a gente tem o Airbnb, a
06:50gente tem a possibilidade de andar de carro sem ter um carro,
06:57a gente tem a possibilidade de compartilhar roupa.
07:00A quantidade de itens que podem ser compartilhados, e para essa geração isso é um valor, muda completamente aquela ideia
07:07de que eu preciso ter para poder pertencer a uma determinada sociedade.
07:11Então isso vem mudando e o início da tecnologia massiva, os nascidos aí na era digital, eles têm muito mais
07:20essa capacidade de consumir de uma forma diferente que as gerações anteriores.
07:26Então isso é uma coisa que vai mudando com certeza.
07:28Bacana.
07:29As pesquisas estão indicando que mais de 70% das famílias brasileiras estão endividadas.
07:35Que fatores você acredita que atribuem a esse grau de endividamento tão alto, tão assustador?
07:41Isso é uma coisa bastante preocupante, né?
07:43Quando a gente olha as pesquisas.
07:46Quando a gente entende o nosso contexto atual, esses números, eles fazem muito sentido para os desafios econômicos que a
07:54gente vem vivenciando.
07:56Então não tem como, cada indivíduo vai vivenciar esse desafio econômico, vai tentar se organizar, ou vai diminuir o seu
08:03consumo, ou vai se endividar.
08:06Vai tentar ter uma resposta a esse novo contexto, que é um contexto aí que vem agravando, né?
08:11A questão do endividamento.
08:13Então eu atribuo muito isso ao nosso cenário econômico histórico, que hoje faz com que a gente tenha que se
08:20preocupar muito mais com isso.
08:22Porque isso se tornou um problema.
08:24A gente precisa cuidar dessa dimensão, a gente precisa cuidar do endividamento, porque ele se tornou um problema para a
08:31nossa sociedade.
08:32E tem uma outra coisa também.
08:33A Organização Mundial de Saúde tem trazido dados alarmantes em relação à saúde mental.
08:40Então os índices de depressão e ansiedade têm aumentado.
08:43E as pessoas que vivenciam essas problemáticas, elas têm mais dificuldade em controlar a sua vida financeira.
08:51Então é como se fosse uma coisa alimentando a outra, né?
08:54Então isso se torna um ciclo e esse momento social é o momento que a gente vive essas problemáticas,
08:59que vão intensificar e pode ser que mais ainda no futuro, essas questões relacionadas ao endividamento.
09:06Então a senhora acredita que a saúde emocional é uma ferramenta importante para que a pessoa consiga reduzir, controlar, equilibrar.
09:18Toda essa questão emocional, toda essa ligação do emocional com o dinheiro.
09:24Com certeza.
09:25Eu diria que a educação emocional, ela é uma estratégia importante para a gente lidar com todos os nossos problemas
09:32aí.
09:33A gente precisa conhecer, a gente precisa entender as consequências e pensar na saída que isso traz.
09:40Porque sim, a questão financeira, ela traz muita repercussão na nossa saúde emocional.
09:45Então uma coisa está relacionada com a outra, a gente não consegue separar.
09:49A saúde emocional, ela faz parte da nossa vida, das nossas emoções.
09:53E de fato, quando a gente tem um pouco mais de controle sobre as questões emocionais,
09:58a gente dá conta dessa parte financeira de uma forma mais assertiva.
10:03Então, na sua opinião, como profissional, o desequilíbrio financeiro, ele é um gatilho para o desequilíbrio emocional.
10:13E vice-versa.
10:14E exatamente essa pergunta que eu ia fazer.
10:16O vice-versa, o inverso também é verdadeiro?
10:20Sim, o inverso também é verdadeiro.
10:22Então, quando a gente entende que as pessoas que têm um nível rebaixado aí de avaliação, de análise em relação
10:30à sua situação financeira,
10:32elas estão assim, porque elas estão enfrentando uma dificuldade emocional,
10:37a gente entende que essas coisas andam juntas.
10:39Então, um pode ocasionar ou potencializar o outro.
10:43Da mesma forma, o contrário.
10:45Se eu tenho um problema sério de endividamento, eu começo a ficar muito ansioso,
10:49eu começo a ter um descontrole aí em relação à minha própria vida,
10:53isso também vai afetar a minha saúde emocional.
10:56Então, tem muitas situações em que a gente não sabe identificar o que é que começou primeiro,
11:01porque essas coisas, elas caminham juntas.
11:04Então, compras emocionais existem?
11:08Existem.
11:08Como que as pessoas conseguem identificar que elas estão num processo de compra emocional
11:14e como eliminar isso, reduzir isso?
11:19A compra emocional, ela existe sim, e ela está relacionada à emoção que você tem ao ato da compra.
11:30Não necessariamente ao que você comprou, mas essa emoção relacionada à compra.
11:35Então, tem muitas pessoas que associam isso a um estado de tristeza ou um estado de alegria.
11:42Ah, hoje eu posso, então eu vou comprar.
11:44Então, dissociam essa questão da compra com a sua vida como um todo, com a capacidade de analisar.
11:50Será que eu preciso mesmo isso?
11:52Para que eu estou fazendo essa compra?
11:54Então, existe a compra emocional, ela está presente sim, e ela tem relação aí também com o meio social em
12:01que a pessoa vive,
12:02se ela tem mais históricos de consumo, de hábitos de consumo.
12:07Então, ela está relacionada também ao ambiente que a pessoa está inserida.
12:12E a compra compulsiva?
12:14Como é que a gente consegue identificar esse comportamento?
12:17É possível identificar esse comportamento?
12:19Ou só um profissional consegue fazer isso?
12:22Sim. Muitas vezes as pessoas se perguntam, né, será que eu sou compulsivo nas minhas compras?
12:27Ou será que eu sou compulsivo aqui na minha forma de consumir?
12:31Então, é muito importante que você faça a seguinte análise para entender.
12:35O que acontece antes, durante e depois?
12:39O que faz com que você queira comprar?
12:43Que emoção você sente ao comprar?
12:46E o que acontece depois?
12:47Então, vem a culpa, vem o arrependimento, né?
12:52Quando você começa a analisar esses fatores, o antes, o durante e o depois,
12:57e percebe que tem alguma coisa aí que não está se encaixando muito bem,
13:01ou que não existe um controle sobre aquilo,
13:04é hora de entender que essa compra, ela pode estar se tornando uma compulsão.
13:09Compulsão significa algo que a gente não tem o controle.
13:13E aí existe uma informação, né, um nome para essa doença que se chama oniomania, né,
13:21que são compradores compulsivos.
13:25A pessoa consegue identificar isso?
13:27Ela precisa buscar um profissional para ajudar?
13:30Como que a gente, como é que a senhora explica isso, essa questão dessa doença?
13:34É realmente uma doença?
13:36É realmente uma doença, é considerado um problema de saúde mental.
13:41Então, quando o indivíduo perde a capacidade de controle sobre o seu consumo, sobre as compras,
13:47isso tem consequências sérias relacionadas aos aspectos psicológicos, sociais, financeiros e até legais.
13:55Por isso que é considerado uma doença, né, uma doença que precisa, então, de tratamento,
14:02que precisa, então, ser reconhecida, precisa ser acompanhada.
14:07E aí, no caso, os profissionais que vão atuar, o psicólogo, muitas vezes em conjunto com o psiquiatra,
14:14vão conseguir, junto com esse indivíduo, trabalhar a questão dos hábitos de consumo.
14:19Porque o hábito é uma questão que interfere muito na forma como o indivíduo vai consumir na mudança do comportamento.
14:26Então, quando a gente fala que há um problema ali de saúde mental, significa que o indivíduo não consegue controlar.
14:33Ele precisa de ajuda, ele precisa de apoio e é muito importante que isso deixe de ser visto como um
14:39tabu.
14:40As pessoas pensam assim, ai, saúde, meus problemas relacionados à saúde mental,
14:44isso é uma coisa, é um tabu, isso é uma coisa muito grave, ou isso acontece com as pessoas que
14:50estão loucas.
14:51Esse é um estereótipo que está muito distante, porque as questões relacionadas à nossa saúde mental estão no nosso dia
14:57a dia.
14:58Então, a ansiedade que a gente sente, muitas vezes, para comprar, ou essa própria compulsão por compras,
15:04são sintomas que estão presentes.
15:07E eles viram uma doença sim, quando a gente não consegue identificar, a gente não consegue cuidar e a gente
15:15não consegue controlar.
15:16Então, tem como prevenir e tem como tratar, isso é muito importante.
15:21Muito importante, muito importante.
15:23E quando uma necessidade vira desejo e pior, quando o desejo vira um problema?
15:31Isso também está naqueles temas que é difícil a gente colocar um limite, né?
15:36Quando acontece uma coisa, quando acontece outra.
15:39Muitas vezes a gente tem necessidades de consumo que tem a ver com o nosso padrão social,
15:46o pertencimento a um grupo, uma forma de expressar as nossas emoções, a nossa vida.
15:52Então, tudo isso está muito presente.
15:54Agora, quando aquela necessidade, ela se torna algo que não consegue ser satisfeita com o ato da compra,
16:02isso se torna um problema, né?
16:04Então, eu tenho uma necessidade que eu não consigo satisfazer.
16:08E aí que é o grande problema, quando a gente não consegue entender que a gente passou do limite aí,
16:14de uma necessidade de consumo, que ela é sadia, que ela é saudável,
16:18para algo que nos escraviza, para algo que faz com que a gente se sinta mal,
16:24ou a gente se sinta com mais necessidade de consumir,
16:27porque, de fato, a gente não conseguiu resolver aquela nossa necessidade.
16:31Então, o limite entre essas coisas aí é muito tênue e precisa ser observado,
16:36para que a gente não passe do limite entre aquilo que é uma necessidade para aquilo que é um problema.
16:42E a pandemia, ela mudou muitas coisas, né?
16:47Assim, no contexto geral, comportamento, consumo, medos, enfim, né?
16:55A pandemia veio para dar aquela chacoalhada, né?
16:58Além de todo o processo das questões de óbitos, enfim.
17:04Isso também influenciou na questão das compras compulsivas, né?
17:08É o fato das pessoas ficarem muito tempo em casa, não poder ter contato com outras pessoas,
17:13não poder ir pessoalmente.
17:14E aqui, ó, o celular é o shopping, né?
17:18É o shopping.
17:19Você clicou em alguma coisa, daqui a pouquinho começa aquele monte de mensagem
17:23direcionando você para um site, para uma compra.
17:26Aumentou?
17:27A senhora observou isso, assim, essa questão do aumento das compras compulsivas com a pandemia?
17:32O que que acontece?
17:34A gente ainda não conseguiu observar, a gente não tem pesquisas que fazem essa relação direta.
17:39O que que a gente sabe?
17:40Que as pessoas começaram a consumir muito mais pela internet.
17:44E que o estímulo ao consumo, ele está muito mais presente, né?
17:49Na medida em que a gente consome pelas redes sociais, a gente consome de várias formas.
17:54Mas por outro lado também, a gente teve aí uma desaceleração em determinados tipos de consumo.
18:01Então, a gente ainda não consegue ter uma análise profunda se, de fato, isso aumentou
18:08ou se modificou algo que já existia.
18:11Então, as pessoas já tinham essa questão do consumo e isso migrou, né?
18:15Para o ambiente online, como uma série de questões na nossa sociedade migrou para o ambiente online.
18:21Então, a gente não consegue muito ter esse discernimento, desse aumento.
18:25Mas a gente sabe que, de fato, a questão do consumo online hoje, ele é muito mais presente.
18:31E ele pode trazer, sim, essas questões relacionadas pelo excesso de exposição.
18:35Então, mesmo que você não queira ver alguma coisa, o tempo todo você tem ali um pop-up na hora
18:41que você entra no Instagram.
18:42E aí você tem uma promoção e você tem um estímulo ao consumo.
18:46Então, é muito difícil porque você é exposto ao estímulo de consumo com muito mais frequência.
18:52Mesmo que você esteja quietinho na sua casa, você está sendo estimulado a consumir o tempo todo.
18:57Então, é esse cuidado.
18:59Eu costumo dizer assim, que o celular, ele é a maquininha da ansiedade.
19:03Ele nos ajuda, ele nos conecta, nos deixa informado.
19:07Mas ele também traz uma série de questões que, se a gente não souber controlar,
19:11a gente vai ser controlado por ela mais uma vez.
19:15Maquininha da ansiedade, aprendi.
19:16Você viu?
19:17Acabou.
19:17Agora eu já gravei na minha cabeça, o celular é a maquininha da ansiedade e é, de fato, a maquininha
19:22da ansiedade.
19:23Exatamente.
19:24E tá, e de repente, então, um tema bacana para escrever um artigo científico, esse processo da pandemia.
19:29Eu acho que é um tema legal.
19:32Bom, falando em literatura, em artigo, nós temos vários livros com tema psicologia financeira, psicologia econômica.
19:39Eu tenho alguns livros, a Patrícia, então devora esse assunto de maneira compulsiva, ou não?
19:47Não, compulsiva não, mas eu amo esse tema.
19:49Com controle.
19:50Com controle.
19:51E aí a pergunta é, né, quando a psicologia começou a falar sobre isso?
19:55Sempre?
19:56Ou teve um momento em que a psicologia olhou e falou, não, peraí, precisamos falar sobre isso?
20:02Quando aconteceu isso?
20:03É interessante que esse tema do consumo, ele é um tema antigo do ponto de vista da filosofia, do entendimento
20:10em relação ao homem.
20:12Como que o homem consome, né?
20:13Então ele é uma curiosidade bastante antiga, mas a psicologia, ela se debruçou sobre o tema com mais intensidade, ali
20:20mais ou menos nos anos 70.
20:23Para se contrapor a uma teoria da economia tradicional que afirmava que o consumo era somente racional.
20:31E a psicologia econômica, através de várias pesquisas, ela vem para dizer o seguinte, opa, peraí, o consumo, não que
20:39ele seja irracional, ele é racional, mas existe componente emocional no consumo.
20:45Existe o componente subjetivo, relacional.
20:49Então a gente não pode atribuir ao consumo uma característica completamente irracional.
20:56Ele precisa ser analisado de uma forma mais ampla.
20:59Então, a psicologia econômica trouxe várias pesquisas sobre esse tema.
21:05Mas eu diria que na psicologia em si, nas faculdades, os psicólogos, eles conhecem ainda pouco sobre o tema.
21:12Porque ela tem ali uma interface com a economia.
21:15Então foi a economia que provocou muito, tá psicólogos, então vem aqui, vamos fazer uma dupla, vamos olhar essa questão
21:23e vamos desenvolver pesquisas.
21:25Porque isso é uma questão interdisciplinar.
21:27E vou dizer mais uma coisa, que quem mais se beneficia da psicologia econômica é o marketing.
21:33Ah, isso que eu ia falar.
21:34Porque a gente tem aí todas as estratégias de marketing, que não são poucas, baseadas justamente nesses estudos da psicologia
21:45econômica.
21:46Então, a gente pode entender que a prática do consumo, o hábito do consumo, ele é algo muito importante para
21:53a nossa sociedade.
21:54E ele é olhado com esse viés de estímulo do consumo.
21:56Então, muito cuidado com isso.
21:58De fato, a gente tem assim o uso da psicologia para o estímulo do consumo.
22:04Ana, e qual é a relação entre dinheiro e felicidade?
22:10Que fala, dizem que dinheiro não compra felicidade, né?
22:15Compra ou não compra?
22:17Compra, traz, manda buscar, tem um monte de coisa falando nesse sentido aí.
22:23Mas qual é a relação?
22:25Eu gosto muito desse tema porque isso é uma coisa que as pessoas trazem muito, né?
22:30Quando eu trabalho principalmente com transição de carreira, as pessoas trazem essa questão de que o dinheiro, ele é o
22:37veículo que pode trazer a felicidade.
22:39E uma ideia de felicidade que é uma felicidade universal e contínua, como se você chegasse no patamar da felicidade
22:47e ficasse ali para sempre e conseguisse alcançar a ton sonha da felicidade.
22:52Mas quando a gente vai olhar essa relação do dinheiro com a felicidade, o dinheiro ele proporciona, obviamente, níveis básicos
23:00ali de subsistência, de consumo, que vão propiciar para a gente outras necessidades, outros desejos.
23:07Então, se ele está ausente, a gente não consegue ter o mínimo, que são as necessidades básicas.
23:13Então, ele precisa garantir.
23:14E o dinheiro também, ele é uma forma de alcance de uma série de oportunidades, de conhecimento, de experiências, de
23:22prazer.
23:22Então, sim, o dinheiro é muito bacana.
23:25A questão é como ele se relaciona com a felicidade, né?
23:28Como eu falei, a felicidade não é uma experiência universal, ela é uma experiência subjetiva.
23:34Significa que ela depende da cultura que eu vivo, dos meus propósitos de vida, de como eu me relaciono.
23:42Então, a felicidade, ela depende de um caráter muito pessoal.
23:46Mas a gente pode dizer uma coisa, que a felicidade, ela é a nossa experiência de satisfação com a vida.
23:54Então, quando você parar para pensar, na maior parte da minha vida, no meu trabalho, na minha vida social, na
24:01minha vida religiosa, na minha vida econômica,
24:04eu sou feliz em todos esses aspectos, eu tenho uma família bacana.
24:08Quando a gente faz uma avaliação geral, eu consigo sentir satisfação?
24:12Então, a satisfação, ela está numa avaliação geral, ela está nas pequenas coisas e ela não nega a questão da
24:20dificuldade e da tristeza,
24:22porque isso está presente.
24:23A gente tem ondas, aí momentos de maior satisfação, de menos satisfação.
24:27Então, isso é uma coisa bastante presente.
24:29A gente precisa só tomar cuidado, muitas vezes, com as redes sociais que vendem uma felicidade,
24:35que ela é muito difícil de ser alcançada.
24:37Então, parece que você está sempre devendo aquela coisa de que o jardim do vizinho é mais verde que o
24:43seu.
24:43Então, você olha e fala, nossa, mas olha só, ele tem aquilo, ele viajou, ele fez, ele aconteceu,
24:48mas ninguém está vendo o perrengue que acontece por trás, né?
24:52Como que é o lado A e o lado B das coisas aí.
24:55Então, a gente precisa ter muita clareza de qual que é a nossa felicidade,
25:02não a felicidade que é vendida socialmente ou pela mídia.
25:05O que é a felicidade para mim?
25:07Às vezes, a gente liga no botão automático, pensando na manutenção ali,
25:12da subsistência de ganhar dinheiro para sobreviver, e a gente terceiriza a felicidade.
25:17Ah, o dia que eu tiver tal coisa, o dia que eu for tal coisa, eu vou ser feliz.
25:20Mas a felicidade é agora, a felicidade é a satisfação que você consegue ter no presente,
25:25com a sua vida, com as coisas que você faz, com o que você tem.
25:29Nossa, que incrível, né?
25:30Eu estou achando ótimo essa entrevista, mas infelizmente, infelizmente, a gente tem que fazer a última pergunta.
25:37Mas assim, por mim, a gente passaria a tarde toda aqui fazendo um monte de perguntas.
25:41Muito esclarecedor, né?
25:41Não se deixe enganar, resumo, né?
25:43Não se deixe enganar pela família da Doriana, né?
25:47Manteiga, lembra?
25:48Ah, verdade.
25:48Aquele negócio, aquela família perfeita, todo mundo lindo e sorrindo, não é bem assim que funciona.
25:54Não é assim mesmo.
25:55Então, a última pergunta é, para aquela pessoa que está nos ouvindo, nos assistindo,
26:00para aquela família que está junto ali, ouvindo o nosso podcast,
26:03ou vendo a gente pelo YouTube, pelo site do Folha Vitória,
26:06qual é a sua orientação para quem está, assim, no perrengue financeiro,
26:10está se olhando e vendo, eu preciso de ajuda, preciso fazer alguma coisa, qual a sua orientação?
26:16Primeiro, eu acho que entender que existe um problema.
26:19Reconhecer que existe um problema que pode ser cuidado, que pode ser tratado e pedir ajuda.
26:25Então, muitas vezes as pessoas ficam sozinhas ali, com sua ansiedade financeira,
26:29elas têm vergonha de falar sobre aquilo e elas acabam fazendo com que aquele ciclo aumente
26:35e que elas não consigam cuidar e tratar.
26:37Então, pedir ajuda para um psicólogo, pedir ajuda para um amigo,
26:42o que não pode só é ficar sozinho nessa situação, porque ela tende sempre a piorar e aumentar.
26:50A gente sempre pede, né, o nosso convidado, nosso entrevistado do dia,
26:54para trazer alguma indicação de livro, de série e vamos ver qual vai ser a indicação de hoje.
27:01Deixa eu pegar a minha colinha aqui.
27:03Tem um livro muito interessante, que é o único psicólogo que ganhou um prêmio Nobel,
27:07só que o prêmio Nobel é de economia, se chama Rápido Devagar.
27:12É um livro bem bacana para quem quer entender um pouco mais essa coisa de como existe a manipulação ali
27:17em relação ao nosso consumo e como o nosso cérebro toma decisões.
27:21Isso é bem bacana.
27:22Tem um outro livro, Como Se Preocupar Menos com Dinheiro e Dinheiro Feliz.
27:27Eu acho que são três dicas aí para conciliar a questão emocional, a saúde emocional com a saúde financeira.
27:33Muito bacana. E onde as pessoas te encontram? Quais são as suas redes sociais?
27:38Meu Instagram, julianaberzen.psicóloga. Pode me mandar mensagem, pode fazer contato, qualquer dúvida que tiver, fico à disposição.
27:48E nós queremos então agradecer, né?
27:50Muito, muito feliz por ter você aqui.
27:52Muito, muito feliz, foi maravilhosa, muito esclarecedora.
27:54Muito obrigada pela oportunidade. Agradece você ter vindo, disponibilizado o seu tempo, né?
27:59Exatamente.
27:59Hoje a gente sabe que tempo é algo escasso, precioso, valioso.
28:04Então, muito grata pela sua presença, sua disponibilidade aqui no nosso programa.
28:09Eu que agradeço.
28:10Obrigado. E agradecemos a você também que está nos assistindo, que está nos ouvindo.
28:14E lembrando sempre, onde você encontra o Perrengue?
28:16Você encontra o Perrengue na Rádio Jovem Pan, 90.5, às quartas-feiras, 16h30.
28:22Encontra também o Perrengue no Spotify da TV Vitória e também no site do YouTube do Folha Vitória.
28:30É perrengue para tudo quanto é lado.
28:31Não tem desculpa.
28:32Não tem.
28:33Tipo, ah, não sei onde é que tem o Perrengue, não consigo assistir o programa.
28:36Estamos em quase todas as plataformas e você pode acessar, deve acessar, escute lá, veja.
28:43E a gente espera, né, Patrícia, que te ajude muito, porque esse é o nosso objetivo, né?
28:46Exatamente.
28:47É ajudar você.
28:47Estamos aqui para isso.
28:49É, a sair do Perrengue ou nem entrar no Perrengue. É isso.
28:52Obrigado. Até a próxima.
28:53Até.

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