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Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.
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NotíciasTranscrição
00:12Léo, deixa eu te agradecer logo de cara, porque eu te enchi o saco para a gente estar aqui conversando,
00:18eu queria tanto conversar com você.
00:20Você foi foda, ganhou na insistência e eu falei mesmo, falei, porra mano, tu ganhou na insistência,
00:25então vamos lá, vamos lá, essa entrevista...
00:30Pela insistência e pela moral que você me deu, não é moral, é verdade, você me entrevista 252,
00:40há 252 dias eu estou conversando com pessoas assim do seu livro, eu estou muito feliz,
00:44porque a gente vai conhecendo um pouco as pessoas, os motivos, as formas e os caminhos.
00:50Mas antes de começar alguma coisa, eu tenho um recado para você, que eu recebi no WhatsApp de um amigo
00:55seu,
00:55que mandou um abraço, o tal de Evandro Mesquita, da Blitz, mandou um abraço para você.
00:59Pô, mestre Evandro, amigo, professor, mestre, gente fina, coração nobre, honrado, pessoa da mais alta cor, de Celestial.
01:09Água fita.
01:11E a gente vai falar muito do seu pai, que é inevitável, porque seu pai é um ícone da história
01:16da música.
01:18Eu tenho algumas passagens com seu pai, vou contar umazinha só.
01:25Tem passagem assim de programa ao vivo, dele entrar, deixa eu contar duas rapidamente.
01:32Eu tinha um programa chamado Pelos Becos da Cidade, na Rádio Cidade de Vitória,
01:36e tinha a última meia hora do programa, era a voz da cidade, que eu entrevistava alguém todas as quintas
01:42-feiras.
01:43Então, esse alguém entrava, pedia, durante meia hora, pedia quatro músicas do disco novo dele,
01:51pedia uma música internacional qualquer, uma música nacional qualquer,
01:54e nesse intervalo a gente ia falando sobre a vida do cara.
01:56Um dia X, o velho e bom Tim Maia falou que ia participar,
02:00e ninguém acreditou que o filho da puta fosse atender o telefone às dez e meia da noite.
02:06Mas, bicho, atender o telefone, uma puta entrevista, e tem passagens inesquecíveis dessa entrevista, assim...
02:16Porra, bicho, eu tenho o auge dela.
02:18Eu tenho a foto do meu pai e manda, ó, hoje o negócio é o seguinte, é uma entrevista póstuma.
02:23Vou mandar aqui uma real, não vou falar nada, já foi dito, mas é uma parada que precisa ser repetida.
02:28Tá aqui a minha foto na época...
02:29Pô, é demais.
02:31Aí ele falou assim...
02:33As paradas dele é muito engraçadas, né, mano?
02:35Não, tem uma...
02:36A Barra da Tijuca tava criando um clima de emancipação.
02:40E essa é de 1916.
02:42Não, ele tava criando um...
02:45Queria ser emancipado no Rio de Janeiro, aquela é uma sacada.
02:47Aí ele falou...
02:48A Barra da Tijuca vai ser emancipada no Rio de Janeiro,
02:51e eu vou ser prefeito dessa porra,
02:53e eu vou chamar você pra secretário da cultura,
02:57e nós vamos roubar muito.
02:58Nós dois vamos roubar pra cacete!
03:00Pô, rapaz, ele é...
03:03Pô, cara, é maluco, né?
03:05E a outra passagem que a rádio que eu tava fazendo, a direção,
03:09fez aniversário e a gente abraçou um evento que era um show que tinha o Timaya.
03:14Então o Timaya veio pro show, então era aniversário da rádio.
03:18Nós fomos no aeroporto buscar o Timaya.
03:21Aí eu arrumei, cara...
03:23Léo, eu arrumei uma limousine.
03:24Na verdade, não era bem uma limousine.
03:26Eu tava nesse show!
03:28A limousine era toda vermelha.
03:30Meu pai falou que aquilo ali era negócio do diabo.
03:33Que o negócio, porra, que eles queriam botar...
03:35Ih, meu irmão, já tem um caixão nessa porra.
03:37Essa bebida tá tudo batidado.
03:39Esses caras são tudo filha da puta, é da magia negra.
03:42Eu vou porra nenhuma.
03:44Aí tinha um golzinho, bola.
03:47Da concorrente.
03:48Entrou eu, meu pai, o empresário na porra.
03:52E meu pai ainda falando no telefone.
03:54Aí, esses caras estão todos de armação.
03:56Queriam me botar num papo adifunto aqui.
03:58E falando na rádio, mas metendo o pau em vocês.
04:02Mas o pior é isso.
04:05Eu tava lá, Braguer.
04:27E o pior de tudo foi o seguinte.
04:29Ele entrou, cara.
04:31Ele ficou puto que viu a limousine, achou que era coisa do demônio.
04:35Isso tudo é verdade.
04:35Aí, o pior é que ele entrou numa piruazinha da rádio.
04:41Só que a rádio que ele...
04:42Concorrente da gente, cara.
04:44E a gente virou...
04:45Eu tô dizendo que tava junto, brother.
04:47A gente virou chacota da concorrência.
04:49Esses caras ficam trazendo Timaya, mas o Timaya prefere andar no nosso carro.
04:53No carro da nossa rádio.
04:55Porra.
04:56Foi ótimo.
04:57Foi ótimo.
04:57Foi ótimo.
04:58Eu lamento por você, Braguer.
04:59Não, mas foi ótimo.
05:00Foi ótimo.
05:01Foi uma daquelas histórias que mereciam estar no filme, morou?
05:04É, bicho, muito bom.
05:05Essa eu tava, Braguer.
05:07Eu tava.
05:09Muito bom, cara.
05:10Meu irmão, vamos falar um pouquinho.
05:13Você nasce em Botafogo, é criado em Botafogo.
05:17Como é que foi tua infância?
05:19Não tô falando de música, não.
05:20Porque a música, naturalmente, a gente tem conversado com...
05:22A música tava implícita na sua vida.
05:25Mas como é que foi sua infância, do modo geral, assim?
05:27Moleque de rua, jogador de bola, bola de rua, de pipa.
05:31Uma vida tranquila ou uma certa pressão ali no processo?
05:36Não, não.
05:36Meu pai era tranquilão.
05:37A gente jogava bola junto.
05:38Aprendi a soltar pipa com meu pai, fazer cabresto.
05:42Aprendi a rodar piano.
05:43Era outro tipo de infância, né, cara?
05:45Pô, cresci com meu pai indo, levando eu e os meus primos.
05:48Tudo pra urca ali.
05:50Ali do lado onde tinha aquele cassino, onde ele começou, onde era jovem guarda.
05:55Ele gostava muito.
05:56Quando eu era criança, essa imagem era muito próxima da mente dele.
06:00Então, ele gostava muito de ir ali pra olhar.
06:02Ele ficava viajando muito ali.
06:03E do outro lado tinha um barzinho de um tiozão que ele conhecia.
06:06Aí tinha umas coxinhas de galinha.
06:08Enfim, era um negócio assim que ele curtia.
06:11Tá ali.
06:11Então, a gente sempre dava esse rolê e ele levava todo mundo.
06:14Então, eu sempre tive essa sorte.
06:16Meu pai era um cara muito próximo, né?
06:18Pô, eu sou o cara que com três anos aprendia a dirigir sozinho pra salvar meu pai, né,
06:21meu irmão?
06:22Então, eu era parceiro, parceiro, parceiro.
06:25Parceiro dele, assim, desde garoto, assim, das missões mais loucas.
06:30Enfim, eu fui criado pelo berço da malandragem da bandidagem do Rio de Janeiro musical, né,
06:34Brandi?
06:35Eu tinha que criar esse subproduto poluído aqui.
06:38Não dava pra ser outra coisa.
06:40Mas aí você cresce, cara, ouvindo a Vitória Regia, bicho.
06:43Eu fico imaginando um moleque que tenha já uma musicalidade, que tenha algum atrativo musical,
06:50e vendo aqueles caras, bicho, porque os caras que tocavam ali na Vitória Regia com teu pai
06:55eram monstros, cara.
06:57Pessoas da altíssima...
06:58Era monstro, né?
06:59Mas chegaram todo mundo começando, assim.
07:01Tipo, o Serginho e a irmã, a galera muito talentosa, mas começando.
07:04Meu pai foi, literalmente, o mestre de todo mundo.
07:07Botava todo mundo pra estudar.
07:09E é isso.
07:09E eu também, eu, por exemplo, eu era o cara que varria o chão.
07:12Eu era o cara que servia o cafezinho.
07:14Eu era o cara que apertava a bateria pra entender a afinação.
07:18Eu era o cara que trocava a corda.
07:20Eu era o cara que afinava.
07:22Eu era o cara que ia na padaria.
07:24Enfim, eu tava ali em troca.
07:26Eu podia aprender.
07:27Todo mundo tinha a paciência de me ensinar uma facada.
07:30Então, eu absorvi muita coisa de muita gente e do meu próprio pai.
07:33Eu aprendi a tocar violão com meu pai.
07:34A partir do meu pai, eu aprendi com ele, assim, sentado em casa e tal.
07:38Mas tive que varrer o chão da Vitória Regia, porque a primeira aula tinha que ser de humildade.
07:43Se eu não passasse na primeira aula, não teria aula na minha terceira.
07:48Pô, legal isso.
07:49Não, meu pai era muito sério.
07:51O negócio do meu pai era bravo.
07:52Meu pai era um cara super justo.
07:55Tipo, quer sair com uma gatinha, tem que lavar os cachorros, lavar o carro, barrer o quintal,
07:59fazer um trampo, ganhar o trampo.
08:01Pelo trampo, não ganhar no mole.
08:03Então, eu comecei cedo.
08:05Eu comecei...
08:06Minha primeira disputa de cachê foi por um hambúrguer.
08:09Eu cheguei para o meu pai e falei o seguinte, pai, os playboy ganham um dinheirinho para
08:13tomar banho, para estudar direitinho, para fazer as coisas maneiras, tá ligado, pai?
08:17Que maravilha.
08:19Aí, meu pai, que legal.
08:22Como é que é o nome disso, meu filho?
08:24Mesapa, pai.
08:25Aí ele, que legal.
08:29Ano quente, né, meu irmão?
08:30Que legal.
08:33Colégio caro, né?
08:36Futebol, judô, basquete.
08:39Futebol, que legal.
08:41Você quer começar pela cadeirada ou pela mechada?
08:47E aí, mano, porra, ele mandou, na época que eu era garoto, tinha na frente de casa,
08:52assim, aqueles trailers, saca, no Rio de Janeiro, na Orla.
08:56Não eram quiostes, eram trailers.
08:57E esses trailers tinham música ao vivo.
08:59Meu pai falou assim, hein, tu fica enchendo o saco, pega o violão, vai ali e traz um hambúrguer.
09:03Se tu trouxer um hambúrguer, eu te dou uma grana.
09:05Eu falei, é?
09:06Peguei o violão, saí correndo, fui lá do outro lado da rua.
09:08Cheguei pro cara, conheci o cara, óbvio, morava na frente dele.
09:11Falei assim, ó, meu irmão, o negócio é o seguinte.
09:12Meu pai falou que se eu tocasse uma parada aqui, tu me dava um hambúrguer.
09:16E aí, ele ia ser justo e maneiro comigo.
09:18Tu pode deixar eu cantar aqui pra ver se eu ganho um hambúrguer?
09:21Aí o cara falou, vai lá, meu, pô, canta aí que eu quero ver.
09:24Porra, obviamente, né, bicho?
09:25Eu cantava aquelas coisas todas.
09:26Eu cantava Jackson 5.
09:28Eu, pô, eu brincava de Tim Maia, eu conhecia as músicas do meu pai, eu tocava não sei o quê.
09:33Eu sabia um monte de músicas.
09:34E comecei, uma, duas, três, quatro, cinco, eu tenho umas dez músicas lá.
09:37Todo mundo adorou e já tinha ideia do canto, sabe?
09:41Do lance de...
09:45Já dava essas nós, só que na tessitura mais aguda, mas eu tinha toda essa impressão.
09:50E aí, meu irmão, voltei pra casa com dois hambúrgueres.
09:54Oba!
09:55Ali foi a maior lição da minha vida, porque eu olhei pra direita, tinha trailer até não acabar mais.
10:00Eu olhei pra esquerda, mais trailer até não acabar mais.
10:02Dali eu saquei que dava pra ganhar grana.
10:04Então eu era um cara que com 14 anos, eu já ganhava meu dinheiro.
10:07Ganhava, tipo, sei lá, vamos botar assim hoje, 200 pratas por dia.
10:10Só que eu tocava terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo.
10:14Então eu era um moleque de 14 anos que sempre tinha grana.
10:18Sempre comprava o próprio tênis, tinha aquela roupa bacana que eu gostava e não precisava mais pedir.
10:23Então eu, pô, eu comecei muito cedo, né?
10:26Eu paguei minha faculdade, eu comprei meu primeiro apartamento.
10:30Tudo com a música, tudo trabalhando e trabalhando...
10:32Deixa eu te fazer, Leozinho, deixa eu te fazer uma pergunta.
10:35Você, sete anos, teu pai, o síndico, te dá uma noção de violão e você praticamente aprende sozinho?
10:44Porque aí você começa a pegar a base.
10:46Eu passei uma vida no processo da escravidão.
10:50Eu era escravo da banda Vitória Régio, do seu Sebastião Rodrigues Maia.
10:53Eu varria, eu servia cafezinho, eu ia na padaria, eu resolvia todos os pormenores, tá ligado?
10:59E, em troca, podia ficar dentro do estúdio e, em troca, podia perguntar para o guitarrista
11:05como é que toca essa aqui, eu não entendi.
11:06Ah, que legal e tal.
11:09Podia perguntar, fazer umas dicas para o meu pai.
11:12Como é que faz isso aqui?
11:13Entendeu?
11:14Mas tinha que trampar antes.
11:16Então eu passei a carreira trampando e, pô, eu sabia que foi isso que me salvou?
11:22Porque quando o meu pai faleceu, por exemplo, eu fiquei quatro anos...
11:25Um grande amigo do meu pai, grande amigo de rocha mesmo, de verdade, assim.
11:31Pequei amigo do Tim, de verdade, depois de vivo e morto.
11:34Eu vou falar um nome que eu posso dizer entre tantos, mas eu quero falar esse.
11:37Lulu Santos.
11:38Lulu Santos me deixou, depois que meu pai faleceu, uns três, quatro anos, assim, no estúdio dele,
11:43eu trabalhava, eu varria a chama, eu lavava a copa, eu lustrava a coisa, eu entregava a CD,
11:47eu fazia o que me pediam.
11:49E, na madrugada, eu podia trocar.
11:51E tanto que, por exemplo, o nome Léo Maia, quem batizou-me como Léo Maia,
11:56foi Scarlett Mulder Xavier, na coluna Pessoas que ela escrevia na época.
12:01Ela falou que eu possuía talento suficiente para poder adquirir a importância desse sobrenome.
12:08E aí, meu irmão, eu aceitei que em qualquer um que fale qualquer coisa,
12:12eu boto na conta dela e do mestre Lulu.
12:17Só arrumando a cabeça das pessoas, a Scarlett Mulder foi casada com o Luiz Maurício,
12:24uma grande jornalista, uma figura com grande conhecimento de música.
12:30A defensora dos direitos humanos, da sexualidade, da homossexualidade,
12:34do direito da mulher exercer o direito de querer ou não interromper uma gravidez,
12:39e tantos outros direitos feministas, que ela é cabeça de chave, não é uma pessoa...
12:44Verdade.
12:45Cabeça de chave.
12:46Léo, agora, com que idade, com que idade você, se eu te pergunto assim,
12:51com que idade você sacou que dava para ganhar a vida com a música?
12:57Foi nesse momento do sanduíche que você sacou que tinha um monte de casas
13:01e um monte de barraquinhas que você podia tocar e ganhar uma grana?
13:05Esse foi o momento que você falou assim, dá para viver disso?
13:10Cara, 14 anos.
13:11Eu ganhava, tipo, com 14 anos já uma grana, já tinha meu salário.
13:15Eu, com 14 anos, eu já tinha um salário.
13:17Com 15, 16, meu salário melhorou.
13:20Com 17, 18, eu já tinha um outro salário.
13:22Porque aí, tipo assim, eu comecei a me envolver com bandas.
13:25Quando eu digo bandas, bandas de baile, bandas profissionais, assim,
13:29que giram dinheiro, saca?
13:30Que já tem...
13:32E é isso.
13:33E você fatura conforme você pode atrair, né?
13:36Eu comecei a sacar também ao novo, que é onde eu ia, as pessoas iam.
13:41Então, o que define o cachê do artista, principalmente quando está começando,
13:44é o couvert, né, Brader?
13:46Então, se você começa a atingir o máximo do couvert,
13:50você chega a um ponto que você fala assim,
13:51ó, meu couvert aumentou.
13:52E continua, meu couvert aumentou.
13:54Ó, não faço mais couvert, não, agora é da sua casa de show, Brader.
13:57Porque a galera vem aonde eu vou.
13:59E aí, é o caminho, né?
14:00Eu fiz o caminho do artista de verdade.
14:02Aquele que toca na noite, no barzinho,
14:04festa de 15 anos, debutante,
14:06canta em orquestra,
14:08canta em banda de baile,
14:09essas grandes bandas de baile do Brasil,
14:11que são a maior escola da música que existe
14:13para um cara que quer viver de música.
14:15Claro que a música acadêmica,
14:17a música erudita,
14:19a escola, a faculdade, é fundamental.
14:21Aconselho a todos os jovens
14:23não desrespeitarem isso.
14:25Mas, ouçam também que a prática
14:29e a vida do músico, da verdade,
14:32o cara que não só estuda o instrumento,
14:35mas dorme, almoça, lancha e janta com o instrumento,
14:38existe muita verdade,
14:39muito estudo profundo nisso.
14:41E uma coisa que vem da alma, né?
14:44Que é uma tradução diferente,
14:45mas que faz parte.
14:46Se somar o outro, fica impossível de deter.
14:50Parabéns.
14:511976, sai um disco chamado Tim Maia
14:54e tem uma música
14:55Márcio, Leonardo e Telmo.
14:58Uou!
14:59Para você e para o teu irmão.
15:02Já.
15:03A música é profética, né?
15:05É o Márcio e o Leonardo
15:07veio para ser uma para brincar.
15:10O Márcio e o Leonardo
15:11veio para ser uma para tocar.
15:14Seu piano, seu violão.
15:17Tell me what you say.
15:20Because I don't know.
15:22Essa é a realidade, né?
15:24Eu realmente vi para ser uma.
15:24Demais, né, cara?
15:25Para tocar piano e violão e toco mesmo.
15:28E toco de verdade.
15:28Sou um compositor.
15:30Sou um cara que vivo de música desde criança.
15:32Estou no meu décimo segundo álbum,
15:34só na mesma gravadora.
15:36Estou há 20 anos com o Liber Gadelha,
15:39um dos maiores produtores musicais desse país.
15:42Fundamental para a história do samba
15:44e da história da música brasileira.
15:46Ganhador de Grammys e Grammys e Grammys e Grammys.
15:49Só lembrando que o Liber foi casado com o Zizi Posse.
15:56O Zizi Posse, pai da Luísa Posse.
15:59E tem uma gravadora de altíssimo nível.
16:04Altíssimo trabalho.
16:05Eu gosto muito.
16:06Eu sou uma grande coisa até hoje.
16:07Sou um grande amigo dele.
16:08Enfim, amo aquele cara.
16:10Digo que ele é o meu pai musical.
16:12Agora, Léo, você e o síndico sempre tiveram...
16:17Você tem a cabeça muito bem resolvida com relação à criação,
16:22o seu pai, as pressões, os trampos, os cascudos
16:25e as encrencas que ele te colocou
16:27para que você crescesse e fosse o que você é.
16:30Se você hoje é um bom músico...
16:34Se você é um bom músico, você...
16:36Em nenhum momento, em nenhum momento,
16:39você teve nenhuma dificuldade de assinar Maia.
16:44O sobrenome, o nome de Maia,
16:46em algum instante nessa sua trajetória,
16:48pelo menos lá naquele começo,
16:50você te correu...
16:51Eu me chamava Léo M.
16:53Eu me chamava Léo M.
16:54Eu tinha medo.
16:55Eu falei, cara, vou botar só o M,
16:57deixa aqui para ver o que acontece.
16:58Aí, o Lulu Santos...
17:00Olha como é que fala Justiça Divina é Fogo.
17:02Lulu Santos e Scarlett Moon
17:04foram num show meu ali no Mistura Fina,
17:07no Rio de Janeiro,
17:08que era uma casa de jazz, soul...
17:10Ótimo, ótimo.
17:11Que só se lançava, principalmente naquela época,
17:14o cara que entrava lá para ser lançado lá
17:16era a mesma coisa que ganhar o selo da...
17:19Saca?
17:19Esses da mais alta corte, assim,
17:21esse é bom.
17:22Pode deixar.
17:24Durante 10 anos foi o melhor palco do Rio de Janeiro.
17:27para lançamento de grandes artistas,
17:30grandes e grandes e grandes e grandes nomes.
17:32Não é um, não.
17:32Eu falaria 100 dessa geração.
17:35Ó, e vai de Paralã.
17:36Mas todo mundo que interessa na música brasileira mesmo,
17:39de verdade, bateu cabeça ali.
17:41Foi fruto dali.
17:42É que nem aquele...
17:43O Cacique de Ramos.
17:44Quem é do samba de verdade
17:45e sabe que nasce ali no Cacique de Ramos
17:47é tipo...
17:48Tem o selo da divindade, assim.
17:50A galera...
17:52Os mestres falam,
17:53esse cara está com a gente.
17:54É um selo.
17:55Eu venho disso, assim, entendeu, cara?
17:56E aí a Scarlett Moon e o Lulu...
17:59Aí o Lulu falou para mim no final do show.
18:01Demais seu show.
18:02Adorei você.
18:03Mas no Brasil não tem essa tradição de Léo M,
18:08Kenny G.
18:09Aí ele ficou me dando os exemplos dos caras lá, sabe?
18:14Aqui não tem.
18:15Aí passou mais um tempo e tal.
18:18Eu continuei trabalhando.
18:19Quando veio um dia,
18:20Scarlett Moon foi lá e falou,
18:21não,
18:22Léo M,
18:23a partir de agora,
18:24se chama Léo Maia.
18:26Ele tem talento suficiente
18:27para assumir
18:28essa responsabilidade.
18:29E ponto final.
18:31Aí, cara...
18:31Ponto final.
18:32Eu ia discutir com a família do Santos, né, brother?
18:35O Lulu Santos, Scarlett Moon.
18:36Eu ganhei, assim,
18:37um presente da minha vida.
18:38E logo na sequência,
18:39gravei meu disco,
18:40concorri ao prêmio Sharp
18:41contra o Lulu Santos.
18:43Obviamente,
18:44eu não ganhei.
18:46Ele ganhou
18:46com justa causa
18:48e justa posição.
18:48Mas eu, pô,
18:50encontrei Scarlett Moon,
18:51ela...
18:52Léo,
18:54tem muita sorte
18:55para você, né,
18:57com esse batismo.
18:59Aí eu falei assim,
19:00me ajoelhei
19:01com todo o divino respeito,
19:03beijei a mão dela
19:04e disse,
19:06Mestra,
19:07muito obrigado
19:08por renascer-me
19:10novamente,
19:11mas para o mundo artístico.
19:12Sou quem sou,
19:13batizado por você.
19:14ninguém nunca ousará dizer
19:16que eu não mereço
19:17esta honraria.
19:19Muito obrigado.
19:20Foi assim que eu agradeci
19:21a última vez que eu a vi.
19:23Você acabou de dizer
19:25que tem quantos discos
19:26que você me disse agora?
19:27Pouco?
19:28Ah, entre tudo que eu fiz,
19:29acho que deve ter uns 12 aí,
19:31brother.
19:31Estou gravando...
19:3212 discos.
19:33O primeiro disco
19:36foi Cavalo de Jorge,
19:37um disco com 13 faixas.
19:40Você era autor de oito faixas.
19:42Isso foi em 2005.
19:45E acho que gravei uma
19:46de um amigo meu.
19:48Bom,
19:49o título
19:51Cavalo de Jorge
19:52me remete
19:54à luta,
19:56à guerra.
19:57Porque São Jorge
19:59com aquele cavalo
20:00atacando um dragão
20:01tem um simbolismo
20:03muito forte
20:04na minha cabeça.
20:05Era isso na sua cabeça também?
20:07Era uma vitória?
20:08Era matar um dragão
20:09por dia
20:10para sustentar
20:11esse sobrenome Maia?
20:12Meu, cara,
20:13eu era muito mais profundo.
20:15Eu já tinha superado
20:16esse lance
20:16de superar você,
20:18não sei o que lá.
20:19Eu estava lutando
20:20pela minha vida.
20:21Eu era casado na época.
20:23Eu estava com um filho
20:24para chegar aqui.
20:25Prometi na época
20:26que se chamaria Jorge.
20:29Então, enfim,
20:30na época eu encontrei
20:32o pessoal do Caceta e Planeta.
20:34Aí estava lá
20:34aquele que fazia o personagem
20:36que falhou a mente aqui
20:38do seu Crayson,
20:39está ligado?
20:40Estava numa casa
20:40na casa do Olivian,
20:42que é a Bura Bloch,
20:43todo mundo lá e tal.
20:44E eu lá com a galera assim.
20:46E aí ele chegou para mim
20:47e olhou assim e falou assim,
20:48aí, moleque,
20:49que todo mundo sabia
20:50do meu Sambarilob, né?
20:51E aí, moleque,
20:53estava fazendo o vestibular
20:54de sujeito homem, né?
20:56É, meu irmão,
20:57aí é onde a mãe chora,
20:59onde o filho chora
21:00e a mãe não vê.
21:01Aí, quero ver.
21:04E assim, moleque,
21:05eu sabia que a realidade é essa.
21:06Eu tinha que provar
21:07para as pessoas
21:08que envolvem
21:09o lance do mercado,
21:11do business,
21:11da música,
21:12que eu era merecedor
21:14de estar ali.
21:14Não por ser filho
21:15ou ter sido criado,
21:17seja lá como quiserem falar,
21:19mas eu queria fazer
21:20com merecer.
21:21Por isso é que eu entrei
21:22sempre pela porta de serviço.
21:24Entrei pela porta de serviço
21:25no dia para cantar
21:26no Mistura Fina,
21:27saí pela mesma porta
21:29com muita honraria,
21:30onde saíram
21:31todos os trabalhadores
21:32que lá trabalharam.
21:34Essa é a importância
21:35que eu vejo
21:36para mim à noite
21:37e para mim.
21:38Fui um trabalhador
21:38que eu entrei e saí
21:40vitorioso,
21:41porque foi um show grandioso,
21:42que deu certo,
21:43que me ajudou
21:43a fechar meu primeiro contrato.
21:46Enfim,
21:48estreitar uma amizade
21:49que sem a honraria
21:50de ser filho de quem sou
21:51não teria a mínima
21:52possibilidade de tê-la,
21:53de ser batizado
21:55por uma pessoa
21:55que é inquestionável.
21:58Enfim,
21:58é muita sorte,
22:00muito trabalho, né?
22:01Por exemplo,
22:01minha primeira entrada
22:03não foi nem com o meu pai
22:04assim,
22:05nem com o Lulu,
22:05nada,
22:06foi com o Roberto Menescal.
22:07Na época,
22:08eu era meio omitido
22:09dizer que eu queria
22:10entrar para a Bossa Nova,
22:11que eu queria ser
22:12João José,
22:13e não deu certo,
22:15porque os caras
22:16têm que mudar
22:16muita harmonia,
22:18o negócio é muito complicado.
22:21Parece simples,
22:22mas não é.
22:23Quem ouve assim
22:24acha que é simplão,
22:25é, vou fazer,
22:26quebra a cara
22:27porque é foda.
22:28Eu não acho por isso,
22:29não é nem pela dificuldade,
22:30porque meu pai me ensinou
22:31para ser cachorro grande,
22:33é isso,
22:33o estilo escolhe você,
22:34não é você que escolhe o estilo.
22:36Perfeito.
22:37E você,
22:38enfim,
22:39o público,
22:40as pessoas,
22:41enfim,
22:42é a verdade,
22:43é a verdade da rua,
22:44é a verdade do palco,
22:45não tem a menor possibilidade,
22:47não há conversa.
22:49Você falou agora,
22:50eu estava passando o olho
22:52na sua vida hoje
22:52e tem um ponto
22:54que eu queria que limpar com você.
22:56Tem um ponto no seu,
22:57encontrei em algum lugar,
22:59alguma coisa
23:00que você se dedicou
23:01um período
23:02à música erudita?
23:05Eu estudei música erudita.
23:07Fala um pouco sobre isso
23:08que é interessante,
23:09porque é
23:10a contramão
23:11de tudo que tinha
23:12ali dentro
23:14do estúdio
23:15do teu pai,
23:16do teu universo,
23:16você foi
23:17para um lado
23:19curioso.
23:21Mas é isso,
23:22a gente
23:22é uma alma
23:23pequena
23:24que precisa se encher.
23:26eu aprendi
23:27tudo
23:28do muito
23:29que meu pai
23:30me ensinou
23:30que eu conseguia
23:32e eu
23:33chegou uma hora
23:34que infelizmente
23:35Deus levou meu pai
23:36e acho que seria
23:37a hora que meu HD
23:38estaria mais preparado
23:39para aquelas lições
23:40que me faltaram.
23:42E aí,
23:43eu me senti
23:44na necessidade
23:45de buscar informações
23:46para não chegar cru,
23:48para não chegar necessitado,
23:50para não chegar dependente,
23:51porque meu pai
23:52sempre me falou
23:52que o cara que depende
23:53não se dá bem.
23:54então eu não posso
23:55chegar no estúdio
23:56dependente,
23:56então eu precisava
23:57me encher
23:57de música
23:59e de matemática
24:01musical
24:01para discutir
24:02com pessoas muito sérias.
24:03Porque eu aprendi
24:05isso com a minha mãe
24:05também,
24:06vou gritar isso mesmo.
24:07Minha mãe sempre me dizia
24:08ande com quem
24:09é muito melhor
24:10do que você,
24:11porque se você andar
24:11com quem é igual
24:12ou menor
24:13para se sentir bem,
24:14você vai se dar mal
24:15na vida.
24:16Pega os caras
24:16que te dão esporro,
24:17pega os caras
24:18que te dão verdade,
24:19então eu sempre
24:20busquei os caras assim,
24:21então eu comecei
24:22meu primeiro disco
24:22gravando com
24:23o Paulo Calasães,
24:25na época Chocolate,
24:28Jamil Jones.
24:29Mano,
24:30eu chamei
24:30o Green Team
24:32e falei
24:33com o presidente,
24:34aí é isso que eu quero,
24:35tu paga,
24:36maluco.
24:36Aí ele falou,
24:37poxa,
24:37pode fazer,
24:40vai,
24:40você quer fazer mesmo?
24:41Eu falei,
24:42quero,
24:42você tem moral mesmo,
24:43moleque?
24:44Falei,
24:44tem,
24:45tem pouco tempo.
24:46Falei,
24:47tem,
24:47então tá,
24:47vou te dar a chata
24:48do carro,
24:49agora se tu fizer merda
24:50tá fodido.
24:50Eu falei,
24:52não,
24:52beleza,
24:53Guilherme,
24:53por isso que eu amo o Líber,
24:55o Líber é aquele cara
24:55que ele pega um jovem
24:57e encoraja,
24:59e desafia,
25:00caramba,
25:00e desafia ao mesmo tempo,
25:02que são duas coisas
25:03que o jovem precisa,
25:04de encorajamento
25:05e desafio,
25:06principalmente
25:06pra uma pessoa
25:07que a minha personalidade,
25:08meu.
25:10Você ficou,
25:11nesse universo da música
25:12erudita,
25:12você ficou,
25:14quanto tempo ali
25:15você se dedicou
25:16a aprender
25:16esse caminho
25:18da música?
25:19Cara,
25:20eu estudei,
25:20acho que por uns
25:21dois anos,
25:21dois anos e pouco,
25:22assim,
25:24legal,
25:25pra desenvolver
25:26meu violão,
25:27a minha batida,
25:28depois eu desaprendi
25:29tudo, né,
25:30cara,
25:30eu aprendi
25:30com a diferença
25:31que,
25:32tipo assim,
25:33você tem que parar
25:33de ouvir um pouco
25:34pra achar
25:35o seu próprio som,
25:36e você tem que achar
25:37que ninguém toca nada,
25:38pra você achar
25:39que toca alguma coisa,
25:40então se vira.
25:42Então, cara,
25:42você tem que explicar
25:43um pouco
25:45daquilo que você
25:46mais ama
25:46pra você
25:48buscar o seu,
25:49né,
25:49brother?
25:49Eu fiz isso,
25:50assim,
25:51Cassiano,
25:51Cassiano,
25:52Cassiano,
25:53foi um grande responsável,
25:54uma vez eu ouvi
25:55um comentário dele,
25:56assim,
25:57tipo,
25:59a coisa mais difícil
26:01é você achar
26:01a sua própria voz.
26:04Tem pessoas
26:05que procuram
26:06uma vida inteira
26:06e não conseguem,
26:07e cantam muito bem,
26:10então isso
26:11martelou a minha mente
26:12durante muito tempo,
26:13assim,
26:14eu era muito,
26:15era não,
26:15sou muito fã
26:17do Ed Mota,
26:18então,
26:18ele era um pouco
26:20mais velho,
26:20mas é mais próximo
26:22a mim,
26:22a gente tem uma relação
26:23muito boa,
26:24ele é um mestre
26:25muito agradável,
26:26muito gentil comigo,
26:28enfim,
26:28então,
26:29eu gostava muito
26:30de pegar a...
26:35eu consigo fazer
26:37tranquilidade,
26:38mas eu tive que
26:39achar o meu caminho,
26:40entre meu pai e ele,
26:41porque eu achava
26:42o Léo Maia,
26:43entendeu?
26:44O cara que está
26:44me ouvindo
26:45não tem ideia,
26:46porque eu consigo
26:47cantar bem,
26:48meu pai,
26:49eu consigo
26:51reproduzir
26:52aquela brincadeira
26:53do Ed Legal,
26:53mas eu não sou
26:54nem o meu pai
26:55nem o Ed,
26:55eu sou o meu Maia,
26:56mas eu transito
26:57bem nas três
26:58estradas,
26:59entende?
27:00Isso também é legal,
27:02o mérito,
27:02é um dom,
27:03sei lá,
27:04eu encaro...
27:05Não,
27:06você disse agora
27:07pouco também
27:07que chegou
27:08a fazer faculdade,
27:10para que área
27:11você se meteu ali
27:12e o que você fez?
27:13Cara,
27:14eu fui estudar direito
27:15só para ajudar
27:15meu pai,
27:16meu pai estava
27:17cheio de processo,
27:18pô,
27:18triste pra caramba,
27:19tal,
27:20aí eu falei,
27:21vou estudar direito,
27:21vou ajudar o cara,
27:23vou pelo menos
27:23cabuetar todo mundo,
27:25falei,
27:25pai,
27:25eu vi um cabuete
27:26de advogado,
27:27que por advogado
27:28mesmo eu não acho
27:29que vai ser,
27:30mas cabuete eu vou,
27:31cara,
27:31eu só tirava anotando,
27:33eu estudei mesmo
27:33porque era um garoto
27:35de 18 anos,
27:3617 para 18 anos,
27:37que passou assim,
27:38décimo lugar no vestibular,
27:40porque queria ajudar
27:41o pai,
27:41mano,
27:42que estava vendo
27:42o maior ídolo,
27:43o maior parceiro dele,
27:45chorando,
27:46sofrendo,
27:46passando por amarguras
27:49muito fodas,
27:50assim,
27:50e um coração de criança
27:51não entendia a violência
27:53do mundo,
27:53entendeu?
27:54E eu era um jovem
27:55que estava disposto
27:56a defender meu pai
27:56numa porrada,
27:58morou?
27:59Então,
27:59eu fui com tudo,
28:00cara,
28:01foi um menino
28:02com a sua fé e verdade,
28:04seu coração puro,
28:05entreguei tudo ali
28:06para ajudar meu pai.
28:09Você disse agora há pouco
28:10também que estava preparando
28:11um produto novo,
28:12um disco novo,
28:13como é que está
28:13essa história aí?
28:14Conta para a gente.
28:15Estou preparando um disco novo,
28:17companhia nova,
28:19é um selo novo
28:20chamado 2T2,
28:22que está me proporcionando
28:23um disco muito bonito,
28:24mais uma vez,
28:25o melhor do que eu conheço
28:27aqui de São Paulo
28:28está gravando comigo.
28:30essa temporada
28:31do Covid,
28:32assim,
28:33eu entendo,
28:34né,
28:35a tristeza de todos
28:36e trabalhei pesado
28:37para isso,
28:38trabalhei muito,
28:39eu li vários livros,
28:41eu peguei
28:41minha coleção
28:42de songbooks,
28:44sabe,
28:44do Almexia de Arte
28:45de Poçanova,
28:47passei meses
28:48estudando e lendo,
28:49me preparando
28:50para compor,
28:51para escrever,
28:52porque você precisa
28:53se encher de palavras
28:54para buscar palavras.
28:57Então,
28:57fiz um disco muito bonito
28:58e tive um tempo
28:59que há muito tempo
29:00eu não tenho,
29:00de ficar parado,
29:02estava morando na praia,
29:03estava morando em Santos,
29:05então,
29:06estava em contato
29:07com a natureza,
29:08estava em contato
29:08comigo,
29:09estava...
29:09e me preparei para isso
29:11e fiz um disco muito bonito,
29:12muito bonito mesmo.
29:13e agora é isso,
29:14estamos preparando,
29:15estou nas últimas
29:16três canções,
29:17é um álbum de doce,
29:19não gravei essa parada
29:20de atria,
29:21mais uma vez,
29:22não vai na contrária,
29:23vamos,
29:23eu estou querendo
29:25apresentar uma ideia,
29:26não um fragmento de coisa
29:27para dizer que eu fiz algo
29:28para me dar bem,
29:29para ver se alguém gosta
29:30de alguma coisa que eu fiz,
29:31não,
29:31eu estava no momento
29:32e senti coisas
29:34e queria pôr essas coisas
29:35para fora
29:35e verdadeiramente
29:37as pus
29:37e verdadeiramente
29:38acreditaram nessa poesia,
29:40acreditaram nas canções
29:41e mais uma vez
29:43estamos aí
29:43com o problema
29:44que pode ser
29:47Feitiço da Lua.
29:50Feitiço da Lua?
29:51É.
29:53Eu acho que você
29:55talvez esteja segurando
29:56o celular,
29:57talvez você esteja
29:58abafando um pouquinho,
29:59dá uma olhada
30:00se a sua mão
30:00não está abafando
30:01o microfone.
30:02Estou abafando,
30:03estou abafando.
30:03Estou abafando.
30:04É,
30:04legal.
30:06O Feitiço da Lua,
30:07você diz,
30:08então,
30:08estão faltando
30:09na sua cabeça
30:09três faixas,
30:10elas já estão prontas?
30:11Não, não,
30:11já estão gravadas,
30:13já estão gravadas,
30:14eu já,
30:14das três,
30:15eu já coloquei
30:16voz em duas,
30:17mas eu não gostei
30:18de uma,
30:19já falei para o produtor
30:20lá que eu vou ter
30:20que refazer
30:22e, pô,
30:22e é o maior problema
30:23que os caras
30:24ficam reclamando
30:24que para fazer uma canção
30:25eu gravo cem,
30:27fez uns quinhentos takes.
30:29Aí eu falo,
30:30como é,
30:30o meu pai fazia assim,
30:31por que que eu não...
30:33Eu aprendi,
30:34eu aprendi assim,
30:35cara,
30:35eu vi o cara fazendo assim.
30:37Eu acho que é muita
30:38responsabilidade
30:38mandar uma canção para fora,
30:39eu tenho que dar
30:40o meu melhor
30:40e quando eu não acho
30:42que está,
30:42não está,
30:43tem que respeitar,
30:44tem que ir lá fazer
30:44de novo mesmo
30:45e achar a melhor
30:47colocação de voz,
30:48o melhor dia,
30:49é uma responsabilidade.
30:50E volto a dizer,
30:51eu estou acreditando
30:52100% nesse novo trabalho.
30:54O videoclipe novo
30:55sobre uma das canções,
30:57a gente está transformando
30:58numa campanha nacional
31:00com várias empresas,
31:02enfim, cara,
31:04está um negócio diferenciado,
31:05está um disco diferenciado,
31:06está um disco diferenciado.
31:08Eu acho que quando
31:10o cantor,
31:11o autor,
31:13começa a gostar do disco,
31:15é porque a coisa,
31:16vem coisa boa por aí.
31:18Não,
31:18eu estou realmente empolgado
31:20e não só por isso,
31:21a indústria está empolgada,
31:23porque você entende
31:25quando é bom
31:25quando o neguinho
31:26não reclama da ponta,
31:27está ligado?
31:28Então,
31:29eu estou pedindo
31:30para mixar
31:31no Rio de Janeiro
31:32com o Flávio Sena,
31:34ninguém reclamou de nada.
31:36Eu pedi para masterizar
31:37em Nova York,
31:38ninguém reclamou de nada.
31:39Então,
31:40está bom,
31:40brother,
31:41é de verdade,
31:42é um disco de verdade,
31:43é um disco de verdade,
31:44sim,
31:45é um disco verdadeiro.
31:47você agora há pouco
31:48falou que
31:48quando era moleque
31:49você cantava
31:50Tim Maia,
31:51você cantava
31:52Jackson 5 e tal.
31:53O que que
31:56você hoje,
31:58porque,
31:58por exemplo,
31:59eu já ouvi
32:00muitos discos
32:01na minha vida
32:01e hoje eu não tenho,
32:02eu particularmente,
32:04não chega nada novo
32:05para mim
32:05que me deixe de quatro.
32:07Eu falo,
32:07porra,
32:07isso é muito bom.
32:09eu não sei se meu ouvido
32:11ficou muito elitizado
32:12ou eu estou velho
32:14e não tenho uma paciência
32:16para ouvir coisas
32:17que parecem
32:18outras coisas
32:19que eu já ouvi
32:19ao longo da vida,
32:20então eu estou um pouco
32:21arredio até agora
32:22nos últimos cinco anos.
32:25Nada chegou para mim
32:26impactante.
32:27Eu sou muito fã
32:28da Soul Music,
32:29da Motown,
32:31da Negritude Americana,
32:33que influenciou
32:34o rock inglês,
32:35inclusive,
32:36Beatles,
32:36Rolling Stones,
32:37Led Zeppelin,
32:39Queen,
32:40todo mundo foi beber
32:40na fonte dos negros americanos
32:43lá de Detroit,
32:44da Motown.
32:45E aí,
32:46você tem encontrado
32:47nos últimos anos
32:48algo que te mexa
32:50ou você está
32:50nessa mesma vibe
32:52que eu?
32:54Não, cara,
32:55eu acho que,
32:55pô,
32:56tem muita coisa legal
32:57para caramba,
32:59mas que é isso,
33:00a gente tem que provar
33:02que a gente é tipo
33:03do Olimpo,
33:04tá ligado?
33:06Porra,
33:07ninguém tem que chegar
33:08e provar
33:08que é um deus,
33:09mas só que hoje
33:10tudo mudou.
33:11Hoje você pode ter
33:12a música mais linda do mundo,
33:13mas você tem que saber
33:14que existe um negócio
33:16e o negócio é assim.
33:18Então,
33:18e sei lá,
33:19e acho que
33:19com todo o indivíduo,
33:20respeito,
33:21por favor,
33:21hein?
33:23Acho que a galera
33:24da sua geração,
33:26porra,
33:26exige da gente
33:27uma porra
33:27que é foda,
33:28maluco.
33:29É vocês falarem
33:31para a gente
33:31que os caras
33:31que a gente
33:32correm deusa,
33:33a gente tem que chegar
33:34lá e quebrar
33:35os caras na porrada.
33:36Não dá,
33:37brother,
33:37é santo graal,
33:39não dá.
33:40Mas,
33:41porra,
33:41mas também não vê
33:41beleza,
33:42não vê esforço
33:43na gente,
33:43porra,
33:44querer chegar perto
33:44dos caras,
33:45é uma puta sacanagem,
33:47morô?
33:48É uma puta sacanagem,
33:49é um sabote.
33:50Por quê?
33:51Porque a gente
33:52está tentando girar
33:52coisa boa,
33:53a gente está tentando
33:54fazer coisas boas,
33:55enquanto ninguém
33:56está nem aí,
33:56ninguém só quer saber
33:57denlatado e faturar.
33:59Aí a pouca galera,
34:00por exemplo,
34:00quer ver um cara
34:01que fez um negócio
34:02do caralho,
34:03ninguém falou
34:03porra nenhuma,
34:05Pedro Mariano,
34:06gravou um disco
34:07com orquestra
34:08musical tonal,
34:09coisa mais linda.
34:13É,
34:14e um grande cantor,
34:17um grande cantor,
34:18Pedro Mariano,
34:20fez uma apresentação,
34:22se não me engano,
34:23no Teatro Bradesco
34:24em São Paulo,
34:25que foi
34:27com a orquestra toda,
34:28o cara canta muito.
34:29Ou então,
34:30cara,
34:30mas o cara
34:31canta muito,
34:33vamos esquecer tudo,
34:33vamos pensar
34:34no mercado logicamente,
34:36imagina um artista
34:37movimentar uma orquestra,
34:39ensaios,
34:40tudo o que você sabe
34:40que envolve,
34:41que não é um negócio
34:41de brincadeira não,
34:42meu povo,
34:43quem vive de arte,
34:44quem sabe,
34:44sabe que o envolvimento
34:45nesse nível
34:46é um negócio astronômico,
34:48consegue,
34:48grava um DVD,
34:50apresenta,
34:51faz tudo como
34:52manda o figurino,
34:53entendeu?
34:53Aí,
34:54pô,
34:54você não sabe,
34:55ninguém falou nada,
34:57entendeu?
34:57Pô,
34:58tem eu,
34:58tem Simoninha,
34:59tem um cara
35:00que merece ser ouvido
35:01chamado Márcio Local,
35:03gostaria que,
35:04em nome da sua honra,
35:05em nome da verdade,
35:06que você ouvisse ele
35:07no próximo programa,
35:08falasse para o teu público
35:09a verdade desse cara,
35:11se realmente ele não merece
35:12ser ouvido,
35:13mas também ninguém falou
35:14nem o nome do cara,
35:15ninguém nem sabe,
35:16é eu que eu
35:17e a galera
35:18que está aqui
35:19no fronte,
35:20militando música
35:21de verdade,
35:21faz,
35:22mas,
35:23pô cara,
35:23mas aí eu falo
35:24de volta a dizer,
35:26qual é o incentivo
35:27que a música negra
35:27no Brasil ganha?
35:29Por exemplo,
35:30vamos falar da música
35:31vigente no momento,
35:32quantas duplas de negão
35:33tem aí no momento
35:34para arrebentar?
35:37Ou o negão
35:38não canta
35:39outro tipo de música,
35:40não vou nem falar nada,
35:41o negão não canta
35:41outro tipo de música,
35:43não tem entre todos,
35:44músicos,
35:46negão,
35:48afrodescendentes,
35:48como eu,
35:49cantando esse tipo de música,
35:50não tem?
35:52Tem,
35:53só que não acontece.
35:54Então,
35:54então não,
35:55mas aí qual é a parada?
35:57Aí a gente tem que conversar
35:58com a comunidade negra,
35:59está na hora
35:59da gente perceber
36:00que os artistas negros
36:01também tem que ser
36:02prestigiados
36:02pelo próprio povo negro.
36:05A música negra
36:06se perdeu,
36:07mas não é culpa
36:08de quem,
36:10é culpa dos negros
36:11que fazem música negra.
36:16Eu não tenho
36:16que defender
36:17a música negra,
36:18mas eu quero ser ouvido
36:19pela comunidade negra.
36:22Até porque,
36:23até porque você,
36:25de repente,
36:25no seu texto,
36:27tem toda uma negritude sua
36:29que você gostaria
36:31que ouvissem,
36:32que prestasse atenção
36:33na informação no texto.
36:36Deixa eu ver aqui
36:37que vai voltar já já.
36:40Estamos de volta,
36:41estamos de volta.
36:41Aí tem toda
36:42uma informação sua
36:44no texto
36:44que você gostaria
36:45que fosse propagado, né?
36:47O cara,
36:48eu gostaria
36:49de pé de igualdade.
36:50Eu gostaria
36:51de discussões
36:52em pé de igualdade.
36:54Não com a relevância
36:55que, pô,
36:56eu tenho que disputar
36:57com alguém
36:57que não está,
36:58de repente,
36:58nem vivo aqui
36:59para falar sobre o assunto.
37:01E não é justo.
37:02Porque a música,
37:04ela não é uma disputa,
37:05ela é um afluente.
37:06Você consegue entrar
37:07naquele nível de rio,
37:08você consegue pegar
37:09aquele tipo de correnteza,
37:11você consegue
37:11surfar esse tipo de onda.
37:13Uau!
37:16Acho que nós estamos
37:17buscando muitos conceitos
37:18porquês,
37:19paraquês,
37:20de onde vem,
37:21quem faz,
37:22porquê,
37:22porque já fizeram.
37:24Pô,
37:24não dá para ver
37:24o esforço do moleque
37:25de amar alguém
37:26e querer produzir
37:27algo bonito,
37:28tão quanto.
37:29Legal,
37:29o cara tem uma influência
37:30boa demais.
37:32Tomara que esse moleque
37:33dê fruto,
37:34tomara que essa história
37:35cresça e evolua.
37:37Mas é isso,
37:38eu volto a dizer,
37:39a juventude precisa
37:40de incentivo,
37:41coragem e desafio.
37:42Não pode ter a porta
37:43pé na porta,
37:44no bloco,
37:45ou só abrir a porta
37:46por outros tipos
37:48de questionamentos
37:48e tipos de finalidades
37:50e propósitos.
37:51Então,
37:52eu acho que é isso,
37:52acho que falta
37:53o lance da igualdade,
37:54né?
37:55Temos que dar espaço
37:56em igualdade,
37:57jovens artistas
37:58têm que ter espaço
37:59para ir nos programas
38:00lá,
38:00cantar a música deles.
38:02É,
38:03temos que falar,
38:03não é só falar,
38:04temos que ter pessoas
38:06responsáveis,
38:07porque é isso,
38:08eu ouço muitas pessoas
38:09falarem isso,
38:09como você falou.
38:10Ah,
38:10não vejo nada,
38:11mas tens procurado?
38:14Tenho,
38:14tenho procurado,
38:15eu vou ser sincero
38:16que no meu caso
38:17eu tenho procurado.
38:18Aonde?
38:19Há quanto tempo
38:20o senhor não vai
38:21num show do gueto
38:22para ver os negão
38:23tocando,
38:24para ver quem são
38:24as bandas que estão
38:25tocando,
38:26que não estão nessa
38:27tal,
38:28porque,
38:28bicho,
38:29para entrar nessa tal
38:30mídia do conhecimento
38:31que,
38:31porra,
38:32a gente está conversando
38:32aqui,
38:33meu irmão.
38:34É difícil.
38:36Não,
38:36tem que matar uns
38:37oito,
38:37dez leão
38:37para chegar até aí,
38:38mas esse é que
38:39é o problema.
38:40Estamos perdendo
38:41muita coisa ali
38:41na fonte,
38:43porque não tem mais
38:44esse cara que vai
38:44lá na fonte
38:45e busca,
38:46eba,
38:46achei,
38:47achei,
38:48joga aqui,
38:49não temos mais
38:50o Mistura Fina,
38:52eu não posso dizer
38:53aqui em São Paulo
38:54um nome assim,
38:55porque,
38:55bicho,
38:56é isso,
38:56é farol,
38:57não temos mais
38:59o Nelson Mota
39:00lá fazendo os bailes
39:01dele,
39:02chamando,
39:02precisando de gente
39:03jovem,
39:04caçando,
39:05não temos,
39:06ninguém para dar
39:07uma força
39:08que fale
39:08com os mais velhos,
39:10esse aqui merece
39:13dar uma chance
39:14aqui,
39:14vamos,
39:16as pessoas que você
39:18sabe que tem
39:18as pessoas que se
39:19falar bem,
39:20o nível musical
39:20sobe,
39:21o nível do cachê
39:22sobe,
39:23as amizades
39:24sobem,
39:24as gravadoras
39:25ligam e falam
39:25com mais educação,
39:27mas,
39:27pô,
39:28eu sei que esses
39:29caras já fizeram
39:30muito,
39:30mas,
39:30pô,
39:30não pode negar
39:31a guerra agora,
39:33a gente não pode
39:34matar a música,
39:35não pode
39:35acreditar que,
39:36pô,
39:36que é isso mesmo
39:37e ninguém merece
39:38nada,
39:38ah,
39:39mas não chega lá,
39:40pô,
39:40brônio,
39:41lamento,
39:41mas olha para um lado
39:42para o outro
39:42e vê como é que está,
39:43brônio,
39:44então,
39:45dá uma força,
39:46pelo menos,
39:46para os mais esforçados,
39:48saca?
39:48Perfeito,
39:49eu entendo isso,
39:49olha,
39:51eu acho que está faltando
39:52um pouco disso,
39:53reconhecimento do esforço,
39:55você falou um pouco,
39:56sério,
39:57há muito tempo,
39:57e outra,
39:58mano,
39:58a gente não está trabalhando
39:59só de bobeira não,
40:00a gente faz lugar
40:01de 5 mil pessoas,
40:02lota,
40:02vai nos melhores
40:03diaratos do Brasil,
40:04lota,
40:05mas, pô,
40:05cara,
40:06parece que ninguém
40:06vê isso,
40:07isso não é reconhecido,
40:09e não estou falando
40:10só de mim não,
40:10é Luciana Mello,
40:11não lembro da Luciana Mello
40:13ter feito um show
40:13e ter dado ruim,
40:14porque eu sou do mesmo
40:15escritório,
40:16eu posso falar dos meus
40:16parceiros,
40:18Simoninha,
40:18Max,
40:19enfim,
40:19os artistas que andam
40:20com a gente,
40:21a gente lota tudo,
40:22tivemos um show de sucesso
40:23por dois anos e meio
40:24chamado
40:24Os Filhos dos Cara,
40:25que a gente estava
40:27defendendo a música
40:27brasileira,
40:29defendendo os nomes
40:30dos baluartes,
40:31mano,
40:31foi casa lotada
40:33por dois anos
40:33por tudo quanto é lugar,
40:35toda a mídia falando bem,
40:36mas é isso,
40:37cara,
40:37a gente precisa também
40:38ganhar esses prêmios
40:39maneiros,
40:40precisa que os caras
40:41que amam a música
40:42reconheçam o nosso esforço,
40:44sabe,
40:45a gente não quer mole não,
40:46mas, pô,
40:46os caras tem que parar
40:47e ouvir o disco da gente,
40:48ver o que a gente está fazendo,
40:49ir num show da gente
40:50pelo menos uma vez,
40:52uma vez.
40:54Perfeito,
40:55acho que você está certíssimo.
40:56Mas uma vez.
40:58Não,
40:58acho que falar mal,
40:59por exemplo,
41:00esse material que você
41:01está falando dos filhos
41:03dos caras,
41:04que era você,
41:06o Jairzinho,
41:07né,
41:07você,
41:08Jairzinho,
41:09o Simulinha,
41:11não era isso?
41:12Eram vocês três?
41:14Aí,
41:14de vez em quando,
41:15entrava,
41:16entrava,
41:17Luciano entrava,
41:18tal.
41:18Todo mundo aqui
41:18tem uma agenda pesada,
41:20a galera faz show
41:20pra caramba,
41:21antes dessa pandemia,
41:23a gente,
41:23pô,
41:24estava trabalhando pesado aqui,
41:25a gente trabalhou
41:26com muita força aqui,
41:27o ano inteiro,
41:28de chegar a final do ano,
41:30a gente está morto,
41:31morto,
41:31morto,
41:31morto.
41:32É trabalho mesmo
41:33de alegar o povo brasileiro
41:35com seriedade,
41:36com espetáculo de qualidade,
41:38ou com direção
41:39do João Marcelo Bosque.
41:41Não é um negócio
41:41de brincadeira,
41:42a gente não trabalha
41:43de brincadeira,
41:44não,
41:44o negócio é profissa aqui,
41:46é embaçado.
41:47Mas é isso,
41:48achei que um show desse
41:49merecia ganhar um prêmio,
41:51achei que,
41:52porra,
41:52um show desse
41:52merecia umas menções honrosas,
41:54você sabe com pessoas
41:56que,
41:56pô,
41:59que fazem isso,
42:00que essa é a função
42:01dessas pessoas,
42:03pelo menos ao meu ver,
42:04por isso que a gente
42:04respeita...
42:05Não,
42:05você está certíssimo.
42:06Eu entendo tanto
42:08a menção honrosa
42:09dessas pessoas,
42:10não é que a gente
42:11está aqui também,
42:11ah, não,
42:12porque eu quero que falem,
42:12não,
42:13porque é muito importante
42:14para a carreira da gente,
42:15brother,
42:16um cara,
42:16um baluarte
42:17do jornalismo,
42:19da cultura brasileira
42:19falar no nome da gente,
42:20é um negócio...
42:28Deixa eu ver aqui,
42:29temos aí um sinalzinho
42:31nas falhadas,
42:32mas já já a gente
42:33vai retomar essa conversa
42:34aqui com o Léo Maia,
42:37deixa eu ver se a gente
42:38retoma essa...
42:41Opa,
42:41voltou,
42:41voltou.
42:43Você estava falando
42:45sobre a importância
42:47do jornalismo
42:49jogar a luz
42:50sobre acontecimentos
42:52musicais
42:52que estão
42:54ao redor
42:55e que a gente sabe...
42:57Mas eu acho também
42:57que talvez os jornalistas
42:59também estejam...
43:01Como o mercado mudou,
43:03tanto o mercado
43:04de música mudou,
43:05como também o mercado
43:06de relação
43:06do jornalismo mudou,
43:08né?
43:08Eu sei, cara,
43:09mas é isso aí que está,
43:10essa distância,
43:13essa...
43:14É isso, brother,
43:16para a cultura voltar
43:16a ter o brilho que tinha,
43:17a gente precisa de amor,
43:18a gente precisa de pessoas
43:19que amam a cultura
43:20de verdade e que estejam
43:21dispostas a refazer o nome
43:23do...
43:24Como o Nelson Mota fez
43:25e tantos outros mestres,
43:27sabe?
43:28Cara,
43:28grandes escritores.
43:30Pô,
43:30a gente precisa,
43:31brother.
43:32É verdade.
43:33Eu faço o meu trampo,
43:34mas eu preciso que o cara
43:35douta ponta faça o dele.
43:36E assim,
43:37somos uma equipe,
43:39somos uma corrente,
43:40cada um com o seu método,
43:41cada um com o seu valor.
43:42Mas tem que haver
43:43essa comunicação.
43:44E digo mais,
43:45a gente tem que começar
43:46a perceber o que está
43:47rolando na cidade
43:48para mostrar essa molecada
43:49que está querendo chegar.
43:51Porque hoje em dia
43:52não temos mais
43:52casas pequenas,
43:54casas noturnas
43:55para gerar uma receita
43:56para essa molecada começar.
43:57Existe todo um outro problema
43:59de organismo
44:01e de mecanismo
44:03estrutural
44:03que a gente precisa
44:04começar a discutir.
44:05Eu já sou leomai,
44:06eu já estou com lugares grandes,
44:08mas eu não estou falando
44:09de mim o tempo todo aqui,
44:10eu estou falando do cara
44:11que está começando
44:11a bandia dele,
44:12o novo Paralama,
44:13o novo,
44:14o novo Legião
44:15ou o novo qualquer coisa
44:16que ele veja,
44:18que seja da visão.
44:19Mas é isso,
44:20eu acho uma tristeza
44:22a gente deixar
44:22uma nomenclatura
44:23como a Bossa Nova morrer,
44:25não tem nenhum novo artista
44:26da Bossa Nova
44:26e as pessoas que se dizem
44:28da cultura
44:28ficar tranquilo,
44:29está tranquilo.
44:30Não,
44:30isso aí não pode ser
44:31uma música extinta,
44:32isso é que nem o jazz,
44:33brother,
44:33isso é que nem o jazz
44:34com o americano.
44:35Todo ano tem um novo
44:37não sei quem,
44:38um novo não sei o que lá,
44:40um novo Cole Potter,
44:41um novo,
44:43Buddy Guy,
44:44um novo não sei o que,
44:45o John Mayer
44:46que é que nem fulano.
44:48Pô,
44:48a gente está perdendo
44:49a oportunidade
44:49porque isso é uma música
44:51consumida no mundo,
44:52mas só que é uma música
44:52consumida no mundo
44:53que parou no tempo.
44:54Por que a gente não pode
44:55recriar artistas?
44:56Por que o Brasil
44:57não quer valorizar isso,
44:58cara?
44:58A única música nossa
44:59conhecida no mundo.
45:01Então,
45:01eu não sei.
45:02É verdade.
45:02Eu não sei,
45:03então a gente precisa rever tudo
45:05para poder falar.
45:06Rapaz,
45:07você está certíssimo,
45:08Maia,
45:08você está certíssimo.
45:09Eu acho que essa discussão
45:10é só voltar para o nosso lado.
45:13Feitiço da Lua,
45:14seu disco novo,
45:15você já tem data
45:16para lançar?
45:17A gente já pode dizer aqui
45:19ou ainda estão
45:20nos estudos,
45:21mas é agora
45:23para o final do...
45:24Logo após a pandemia,
45:26agora janeiro, fevereiro,
45:27já tem alguma coisa?
45:29Cara,
45:29eu estou esperando a pandemia
45:30porque a gente acredita
45:32tanto no disco
45:32e tanto nas músicas
45:33que,
45:34pô,
45:34o meu medo,
45:34eu falei,
45:35galera,
45:35eu vou...
45:38Imagina uma música estourada
45:40e eu em casa,
45:40trancado,
45:41e o Brasil querendo
45:42que eu vá fazer show,
45:42cantar?
45:43Nem por nada,
45:44mas eu quero sair de casa.
45:45Pelo amor de Deus,
45:46eu quero cantar.
45:47Eu sou um passarinho
45:47preso na gaiola.
45:49Então,
45:49eu prefiro esperar
45:50o momento certo
45:52e a companhia também
45:53porque,
45:54como você sabe,
45:55o custo de um lançamento
45:56de um novo projeto,
45:57de um novo produto,
45:58é algo,
45:59não é algo
45:59que uma companhia
46:01possa suportar
46:02e perder a oportunidade
46:04que sugire.
46:04E nem eu posso ser
46:06inconsequente
46:06de querer
46:07andar mais rápido
46:09do que a própria
46:09humanidade precisa.
46:11Então,
46:11eu estou esperando
46:12o meu tempo,
46:13só que eu fiz
46:13o meu dever de casa.
46:15Assim que as coisas
46:15voltarem ao normal,
46:16estou pronto
46:17para mostrar
46:17o meu trabalho,
46:19estou pronto
46:19para mostrar
46:20que eu vim
46:20para alegar.
46:21É um disco alegre,
46:22é um disco de amor,
46:23mas é um disco
46:24de amor autoastral.
46:25É um disco
46:26com uns arranjos lindos,
46:28tudo feito
46:28com muita calma,
46:30cantado com muita calma.
46:31É isso,
46:31gastei mesmo.
46:33Fiquei cantando
46:34cada canção
46:34cem vezes
46:35e pronto.
46:38Parabéns,
46:39parabéns.
46:40Maia,
46:41obrigado por você ter...
46:42Primeiro,
46:43vou repetir
46:44o que eu falei
46:44no começo,
46:45pedir desculpa
46:45para você
46:46que eu insisti muito,
46:47mas eu precisava
46:47te ouvir,
46:48eu queria te ouvir.
46:49Você é importante
46:50para a gente,
46:51cara.
46:51Eu não sabia
46:52que o papo
46:53ia ser tão agradável
46:54assim.
46:55Eu não sabia
46:56que você era
46:57de uma geração
46:58que antecedia a minha
47:00e eu peço desculpa
47:01até a forma que falei,
47:02porque eu fui muito franco,
47:03que eu cheguei e falei,
47:04então vamos,
47:05você insistiu.
47:06Eu achei que eu estava
47:06falando com o cara
47:07da minha idade,
47:08entendeu?
47:09Não,
47:10tranquilo mesmo,
47:10tamo junto.
47:11E o devido perdão
47:13e o devido respeito,
47:14mas falei com coração
47:15e com carinho
47:16e com suavidade,
47:17sei que você recebeu
47:18lindamente,
47:19que você é essa pessoa linda.
47:20Enfim,
47:21agradeço pela consideração
47:23pelo meu trabalho,
47:24pela consideração
47:24à minha pessoa,
47:25o carinho ao meu pai,
47:27lembro da sua história,
47:28sei que você é um sofredor
47:29dos maias,
47:30você está na nossa história
47:32e a sua história é verdadeira.
47:34Muito bom,
47:35cara.
47:36Se fudeu mesmo.
47:38Mas é isso,
47:39porra.
47:39Quase perdi o emprego
47:41por causa do teu pai,
47:42quase bateu na trave.
47:43Não dá pra ficar puto
47:45com esse cara, mano.
47:46Não dá.
47:47E, ó,
47:48e na moral,
47:49em qualquer roda
47:50que você for,
47:51que você contasse a porra,
47:53tu é herói,
47:54Brandia.
47:55Não,
47:55e o pior é que naquela noite,
47:57você estava lá,
47:58naquela noite,
47:59no ginásio,
48:00lotado,
48:01lotado de gente.
48:03Eu fui lá na frente,
48:06falei o nome da rádio
48:07e com vocês,
48:08senhoras e senhores,
48:10Vitória Regia.
48:11Aí entrou a banda tocando,
48:12depois ele entrou,
48:13eu falo com você
48:14e me arrepio,
48:15compadre.
48:15Estou todo arrepiado.
48:17Foi foda aquela noite,
48:18cara.
48:19E o cara cantou pra cacete.
48:21Fala a verdade.
48:21No dia seguinte,
48:22a porra do dono da rádio
48:23já tinha perdoado ele.
48:25A porra do cara do patrocinador
48:27também já tinha perdoado ele.
48:29O cara,
48:29eu lembro,
48:31foi todo mundo pro camarim,
48:33encheram a cara com meu pai,
48:34deram risada pra caralho.
48:37Meu pai xingou eles pra caralho.
48:39Olha,
48:39vocês nunca mais
48:40derrotem no mapa de fruto
48:41porque vocês não podem
48:43querer a morte do Tim Maia.
48:44E os caras,
48:46Tim Maia,
48:47você não pode.
48:49E ele virou pra mim
48:50e falou assim,
48:50o Henrique,
48:52porque os caras saíram de lá,
48:54tomaram um pau do meu pai
48:56de felizes,
48:57brother.
48:58E ele falou,
48:59eu me lembro de uma frase
49:00que teu pai falou pra mim assim,
49:01o Henrique,
49:02eu não entro nesse carro,
49:04nem a caralho.
49:05Isso aí,
49:06isso aí é carro de funerária.
49:08Você quer me levar pro diabo,
49:10rapaz?
49:11Eu tava junto,
49:12eu tava catando as malas,
49:14mano,
49:14enquanto meu pai tava indo,
49:15brother.
49:16Foi ótimo,
49:17Eu olhei pro meu pai.
49:19Porra,
49:19eu tava ali.
49:20Foi ótimo.
49:20Porra,
49:21mano,
49:21isso aí foi hilário.
49:23Foi ótimo,
49:24foi ótimo.
49:24Eu tinha uma gatinha
49:25nessa limousine,
49:27brother.
49:27Ele zoou a limousine
49:29e fui eu,
49:30brother.
49:36Demais,
49:36foi demais.
49:37Obrigado pela essa aula
49:38de energia.
49:39Espero que Feitiço da Lua
49:41te dê
49:42todas as alegrias
49:43do mundo,
49:44que esse disco novo
49:45chegue pra te abraçar
49:46pós-pandemia
49:47e nos abraçar também
49:49que a gente precisa
49:49ouvir boa música.
49:51Eu tô em Vitória.
49:53Pô,
49:54Vitória,
49:55tem grandes amigos aí.
49:57Pô,
49:57como é que aquela banda
49:58de reggae aí,
49:59super maravilhosa,
50:00aí eu...
50:02Aqui tem...
50:03Tem...
50:05Tem várias, né?
50:07Aí...
50:08Pessoal de Vila Velha
50:09da Barra do Jucu.
50:10Vila Velha?
50:11Eu já cantei com os caras,
50:12participei dos discos
50:13dele aí e todo,
50:14pô,
50:14meu amigo,
50:15mano.
50:16Pô,
50:16mas você vai lembrar,
50:17vai lembrar.
50:18Tão bonito pra caramba
50:19daí.
50:21Legal mesmo.
50:22Nosso tempo
50:23tá em cima do laço.
50:24Um beijo pra você,
50:25um beijo pra família,
50:25a gente vai se falando.
50:27Beijo pra quem é de beijo,
50:27abraço pra quem é de abraço,
50:28sucesso aí, irmão,
50:29adorei.
50:30Fez uma...
50:31Obrigado, adorei.
50:32Um beijo, um beijo.
50:33Valeu.
51:00Tchau, tchau, tchau, tchau.
51:01Tchau, tchau, tchau.
51:06Tchau, tchau, tchau.
51:36Tchau, tchau, tchau.
52:06Tchau, tchau, tchau.
52:35Tchau, tchau, tchau.
52:36Tchau, tchau.
53:05Tchau, tchau, tchau.
53:06Tchau, tchau.
53:35Tchau, tchau, tchau.
53:36Tchau, tchau, tchau.
54:06Tchau, tchau, tchau.
54:36Tchau, tchau, tchau.
55:06Tchau, tchau, tchau.
55:35Tchau, tchau.
55:35Tchau, tchau.
55:52Tchau, tchau.
56:19Tchau, tchau.
56:45Tchau, tchau.
57:12Tchau, tchau.
58:05Tchau, tchau.
58:12Tchau.
58:42Tchau, tchau.