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Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.
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NotíciasTranscrição
00:00Música
00:11É mamão!
00:15Beleza!
00:17Opa!
00:18Aqui um chazinho, um chazinho aqui.
00:21Depois eu vou puxar.
00:23Beleza!
00:24Falou, Edu!
00:25Prazer, meu velho!
00:27Prazer!
00:27Tô tão honrado com a sua presença aqui.
00:29Pô, meu amigo!
00:30Prazer é meu, cara!
00:31Pô, é um honrado!
00:34Você marca o ritmo de um dos grupos mais importantes da história da música instrumental.
00:41Vamos colocar na prateleira do instrumental, que a gente sabe que não é só instrumental.
00:46Certo, certo!
00:46Mas vocês caracterizaram um jazz brasileiro, trouxeram uma magia da música brasileira pra dentro do jazz,
00:55em momentos tão atípicos da história da música brasileira fora do Brasil.
01:02Cara, é uma história tão bonita que eu queria começar falando com o Ivan Miguel Conte Maranhão.
01:09Olha que nome de Lorde, né?
01:11Ivan Miguel Conte Maranhão.
01:12Como é que foi a música dentro de casa, Mamão?
01:17Como é que foi essa sonoridade batendo em você pela primeira vez?
01:25Carioca?
01:29Olha, a princípio, valeu.
01:32É um prazer estar aqui com você, com o rapaziada.
01:35O negócio é o seguinte, a minha primeira...
01:38A minha primeira...
01:42Como o americano fala, é exciting.
01:44Quando eu fiquei excitado, gostei de um som, foi quando meu pai...
01:48Eu tinha uns oito, nove anos.
01:50Meu pai contratou o Jackson do Pandeiro.
01:52Olha que loucura.
01:53Para fazer uma apresentação.
01:55Foi.
01:56Meu pai era amigo de Pixinguinha, do Alrosa.
02:02Naquela época, ele conhecia Almirante.
02:05É uma coisa de louco.
02:07Aí ele contratou, numa festa junina,
02:10o que conhecia o Jackson do Pandeiro.
02:15Então, aquilo me deixou completamente fascinado,
02:17porque o Jackson é totalmente moderno.
02:22Ele estava avançado nas coisas que ele fazia.
02:25Então, a gente tocando aquela onda dele...
02:28Aquele Pandeiro dele...
02:30Eu falei, rapaz, isso é muito bom.
02:32A música é muito boa.
02:33Eu acho que foi dali que começou a luz.
02:37Essa frente a frente com o Jackson do Pandeiro,
02:40mostrando para você rir, você tinha que idade?
02:44Nove anos, mais ou menos.
02:45Oito, nove anos.
02:48Mais ou menos isso.
02:49Incrível.
02:50E a bateria já foi seu primeiro instrumento?
02:53Não, não.
02:54Meu primeiro instrumento foi o violão.
02:56Até hoje eu toco o violão.
02:58Quer dizer, eu faço a minha música.
02:59Não é egoísmo.
03:00Eu faço as composições.
03:02Às vezes eu faço na bateria,
03:04às vezes eu boto uma harmoniazinha aqui no violão.
03:06Mas foi o violão.
03:07Toquei um ano e meio com um trio na Tijuca.
03:13Violão, guitarra.
03:15Nasceu na Tijuca?
03:17Nasci no Estácio.
03:19Nasci no Estácio e fui para a Tijuca, bem novo, nessa idade, nove anos.
03:23Quando deu cinco anos de idade, fui para lá, de lá conheci.
03:27Mas desde o Estácio, eu já gostava da música,
03:31já gostava da rapaziada que ficava ali perto do Morro São Carlos,
03:35fazendo um som, aquele bem tradicional samba, samba de morro.
03:39Aquele tempo dava para ir.
03:41Dava para ir com segurança e alegria.
03:45Hoje dá para ir.
03:46Não sabe se vai voltar.
03:48Aí é outro problema.
03:49Exatamente.
03:51Agora, Mamão, a ida para a bateria foi de que maneira?
03:55De que forma você chega até o banco da bateria?
03:59Foi uma tarde onde eu fui na casa de um amigo, o Beto.
04:06Faz tempo que eu não vejo ele.
04:09E o Flavinho.
04:11A gente se conhecia pela rua, tocava um violão, ia para a esquina,
04:15a gente ficava fazendo uma brincadeira.
04:17Aí, quando eu fui na casa dele, no apartamento,
04:21ele tinha uma bateria e começou a tocar.
04:23O irmão tocava abaixo e não me lembro quem estava tocando piano.
04:29Eles gostavam muito, a família gostava muito.
04:32E aquilo, eu olhei para ele tocando bateria e falei assim,
04:34poxa, que legal, que instrumento bacana.
04:37Aí, eu cheguei em casa.
04:38No dia seguinte, eu já tinha que tocar em algum lugar.
04:41Eu queria fazer alguma coisa.
04:43Até tem um amigo meu chamado Aécio.
04:46Ele tem um grupo de forró, chão, né?
04:53Amigo de muito tempo.
04:55A gente estudava junto na Mabe.
04:58A Mabe era na Riachuelo, virou um hotel agora.
05:01E a Mabe chamava mensalidades adiantadas, bons exames.
05:05Não era isso.
05:06Aí, a gente começou a montar.
05:08Ele ia lá em casa.
05:10Ele me pegou no frago, eu tocando no pneu.
05:13O velho tinha, ele tinha os ferrovelhos lá, deixou um pneu lá em casa.
05:18Eu comecei a estudar no pneu.
05:19Eu nem sabia que aquilo era...
05:21Eu sabia que dava um kick, né?
05:23E daí, eu digo, poxa, é muito legal, eu vou estudar.
05:26Então, eu comecei a ver, a ver e ouvir que o meu pai tinha muitos discos.
05:33E Bing Crosby, e daí, por diante, Duke Ellington, ele botava.
05:38Aquilo me deixou...
05:41Fiquei muito empolgado em ouvir.
05:43Aí, comecei a estudar, mas só ali.
05:47Não dava canja, não fazia nada, só tocava ali.
05:50Até que, um dia, eu fui trabalhar numa fotocópia.
05:55Hoje é Xerox, né?
05:58Eu juntava um dinheirinho, pegava um ônibus, ia para...
06:05Isso mais tarde um pouco, né?
06:0712 para 14 anos, mais ou menos.
06:10Não sei ao certo, mas foi por aí.
06:13Eu pegava um ônibus e ia para São Paulo para ver...
06:15E na TV Acesso, para ver Dois na Bossa.
06:19Para ver, quando eu via o Dom 1 tocar, ele apareceu tocando.
06:23Eu falei, que barato é ele, o Edson, a Elis, a Sérgio Mendes, enfim.
06:30A Mata, né?
06:31Aquilo me empolgava.
06:33Eu falei, que espetacular.
06:34Eu digo, eu vou ter que começar a tocar.
06:36Vou juntar um dinheirinho para comprar uma batera.
06:39Tadinho do meu pai, com todo o respeito dele.
06:41Ele foi como o meu grande.
06:42Mas ele não queria.
06:43Meu pai não queria que eu fosse músico.
06:46porque ele vivia naquela época.
06:48É engraçado.
06:50É engraçado, porque você acabou de dizer que seu pai tinha uma relação
06:53com nomes importantíssimos da música.
06:56Exatamente.
06:59Talvez soubesse o quanto essa turma sofreu, né, cumpadi?
07:03Exatamente.
07:04Exatamente.
07:05Esse tópico é esse.
07:07Ele via que esse cara não vai durar muito, vai ficar nesse bar aí, vai tomar todas.
07:12Daqui a pouco ele vai chegar, não vai.
07:14O que ele viu na Noel foi...
07:17Bom, enfim.
07:18Até abrindo um parênteses, depois que o meu pai se foi, eu consegui um caderno dele
07:23com várias poesias e música.
07:26Ele fazia música com o Roberto Roberto.
07:30Incrível.
07:31Depois é que eu fui descobrir.
07:32Mas não queria.
07:33Aí eu juntei um dinheirinho e comprei uma bateriazinha sem vergonha.
07:37Deixei na casa.
07:38Aí comecei a tocar.
07:41E daí vai.
07:42Aí comecei a me empolgar.
07:44Aí comecei a tocar.
07:47Fui para o Beco das Garrafas.
07:50Seus primeiros passos profissionais, vamos falar sobre esse.
07:54Porque eu acho que o Beco das Garrafas tem uma importância muito grande na história
07:59da música brasileira.
07:59Muitas pessoas da Bossa Nova estiveram aqui conversando comigo ao longo dessa...
08:05Você é entrevista número 253.
08:08Você tem ideia?
08:09Maravilha.
08:10E aí a gente até conversou aqui algumas vezes sobre a ausência no Brasil de algumas
08:15casas que tenham Bossa Nova e que seja até para turista.
08:20Como a gente vai em Nova Iorque, vai numa casa de jazz que toca jazz para turista.
08:27E no Brasil não tem isso, né, cara?
08:30É verdade.
08:31Você começa ali no...
08:33Você começa no centro do furacão, no olho do furacão, que é o Beco das Garrafas.
08:39Exatamente.
08:40E comecei ali.
08:42Dar uma canjinha...
08:43Comecei como espectador.
08:46Conheci vários músicos, né?
08:47Eloir, bateria, fantástico, né?
08:51Era o Jarman.
08:52Eloir, Tião.
08:54E daí vi o próprio Edson.
08:57Todo mundo.
08:59Bottles, Little Club, né?
09:00Cachotinho.
09:01Eu toquei naquela ruada toda.
09:03Você começa nessa área aí em que ano?
09:08Eu comecei isso em 60...
09:11Os anos 60.
09:13A final de 60?
09:15Não, começo de 60.
09:18Começo de 60.
09:19Que aí eu fui tocar...
09:20Todo mundo foi tocar na boate Drink, que era do Araquém e do Calbi.
09:27Todo mundo.
09:28Aí eu fui...
09:29Esse Aécio, amigo meu, que tem uma banda de forró, ele que me levou.
09:37Sempre colado comigo.
09:38Meu amigo de muitos anos.
09:41E ele me levou.
09:42Vou te levar lá, porque eles estão precisando de um batera.
09:44Aí eu fui a trêmulo.
09:46Sentei lá, mas...
09:49Aí toquei.
09:50Tinha o Paulinho, tocava piano.
09:52O Paulinho com deficiência visual.
09:55Gente muito boa.
09:56Nunca mais ouviu falar dele.
09:59Tocava e toquei com os caras.
10:00Lá comecei a tocar.
10:01Fazer aquelas canjas da noite.
10:04Ganhar um trocado.
10:05E dali começou lá.
10:06Aí é que eu fui para o Beco.
10:08No Beco eu comecei a dar umas canjas e comecei a tocar lá também.
10:11Aí aluguei um apartamento em Copacabana e fiquei lá vários.
10:16Até chegar.
10:19Dentro de breve a gente vai chegar lá no Canecão.
10:23Eu queria que você falasse de um grupo que talvez tenha sido o primeiro momento seu de maior visibilidade.
10:31Que respeito vocês foram ganhando.
10:33Você foi ganhando respeito e consideração ao longo dos anos 60.
10:37Mas nos anos 70 teve um grupo chamado Seleções.
10:42Que eu acho que é ali que você começa a...
10:46Opa, esse papel é diferente.
10:48Deixa eu prestar atenção nele.
10:50Como é que foi isso?
10:51É legal.
10:52Esse grupo foi legal porque foi na casa do...
10:55A casa da Elis, né?
10:57No caso, o Mecepujol, Ipanema, era da Elis.
11:02E gerenciado pelo Miele e o Bosco ali na época.
11:05Seria o Calafrio, né?
11:08Exatamente.
11:09Aí o Miele chamou a gente, eu, o Zé e o Alexandre, para a gente tocar lá.
11:18Acompanhar alguns cantores, alguns...
11:21E ao mesmo tempo fazer a noitada.
11:24Aí trouxemos também a Fabiola.
11:26Cantora, ela cantou junto com a gente e formamos o quarteto.
11:30Ficamos também um bom tempo lá.
11:33Ali também foi um bom começo para a gente se enturmar, né?
11:36E dali que a gente saiu para começar a fazer algumas gravações.
11:39Mas nesse íntere, todo final de semana, o Zé convidava a gente para ir na casa dele,
11:49que é a Lava Laranjeira, para a gente tocar.
11:51Então, sexta, sábado e domingo, a gente ia embora para tocar.
11:55Ficávamos lá tocando toda semana, até surgir o primeiro trabalho.
12:03Mas aí você passa um tempo importante no estúdio, vocês passam um tempo.
12:09Aí já, quando você vai para o estúdio, já vai o embrião do Azimuth ou não?
12:15Como é que era esse momento?
12:17Logo naquele período ali da boate do Bosco e do Miele e da Iris Regina,
12:24vocês embarcam e se transformam em músicos de estúdio.
12:30Já era o tripé do Azimuth?
12:34Já era o tripé.
12:36A gente gravava junto e também praticamente separado, um meio para o outro lugar.
12:41Porque nessa época que a gente começou a gravar junto, eu fui contratado pela Odeon.
12:47Fiquei dois anos na Odeon.
12:50Emae, né?
12:51Tornou-se Emae.
12:52Então, eu trabalhava.
12:53O Juquinha Batera, muito meu amigo também, e eu era o segundo Batera.
12:57Eu ficava lá e comecei a aprender muita coisa lá.
12:59E de vez em quando a gente se juntava.
13:04Nesse meeting que a gente tinha, nós começamos a sair e tocar com algumas pessoas.
13:11E as pessoas começaram a gostar do lance.
13:13Porque a gente já tinha uma química, vamos dizer assim.
13:19Já tinha uma química de tocar toda sexta, sábado, e já estar tocando junto.
13:25Então, a gente começou a ir para algumas gravadoras.
13:28Aí foi para a Poligrana, CBS, tudo.
13:30Aí eu já saí.
13:31Saí da Odeon e segui com eles.
13:34Mas aí já foi pertinho.
13:37Aí foi o momento que vocês foram quase que a banda base da Fonogram.
13:44Que depois virou Poligrana, Polidó.
13:46Exatamente.
13:48Nesse momento, nesse momento, vocês gravam.
13:53Você está em discos importantíssimos da história da música brasileira.
13:59Independente dos estilos.
14:00Você está em disco de Raul Seixas.
14:04Exato.
14:04Você está em disco do Odair José.
14:07Você está, eu anotei aqui, Vitaly, Elis Regina.
14:10Quer dizer, você...
14:11Cara, para para pensar a história da página que vocês estavam escrevendo da música brasileira
14:17como instrumentistas naquele momento em que o trio Calafrio se junta e começa a fazer
14:26base para esses caras todos, discos antológicos.
14:29Verdade.
14:30Tem razão.
14:31Muito prazerosamente e, ao mesmo tempo, profissionalmente.
14:36Porque você faz com o maior carinho.
14:38Você começa a fazer com o maior carinho sem pensar o que vai acontecer.
14:43O Raul, por exemplo, quando eu gravei com ele, ele era produtor.
14:46Eu entrei lá para gravar, eu estava gravando o Roberto.
14:50Quando eu entrei com a banda de Youngster, que foi a banda de rock, que era The Angels,
14:56virou Youngster, eu entrei para eles.
14:58Nós gravamos o Roberto na CBS.
14:59Lá eu conheci o Raul.
15:03Ele era produtor, já Raulzito e já produzia.
15:06E daí saiu o convite dele para fazer os discos dele.
15:10Foi sensacional.
15:11O Paulo César, o Rick, fantástico, a rapaziada.
15:18E o Miguel Cidra, uruguai, que fazia os arranjos.
15:21Espetacular.
15:22Foi muito bacana.
15:23E continuando com o Zé e o Alexandre nas gravações da Poligrã, que foram muitas.
15:30Ficamos bastante tempo lá gravando.
15:32Gravávamos em todas as gravadoras.
15:34Era incrível.
15:35Agora, em 72, vocês conhecem Marcos Vale.
15:40Eu acho que esse é um nome que começa a mudar a vida de vocês de forma natural.
15:47Marcos Vale com o irmão, dois nomes que sempre foram muito classudos nos arranjos, nas composições.
15:56E eu acho que quando vocês três se encontram com os irmãos Vale, eu tenho a sensação que a carreira
16:05de vocês começa a ganhar um outro rumo.
16:07Estou errado?
16:09Sim, eu acredito sim.
16:12Acredito que sim.
16:13Porque o Marcos, a gente já tinha te conhecido.
16:16Eu já conhecia ele quando trabalhei na Odeon.
16:20Quando ele foi gravar primeiro, os primeiros trabalhos dele, não me lembro muito bem agora, mas a gente já se
16:26conheceu lá na Odeon, onde eu trabalhava.
16:29Depois ele convidou a gente, que já sabia que a gente estava juntinho e tinha aquela química entre nós.
16:35Ele nos convidou para fazer a trilha sonora, o documentário do Fabuloso Fittipal.
16:45E nesse disco, os arranjos do Bertram, muito bonito, muito bacana, e nesse disco tinha uma música chamada Azimuth.
16:54Aí que começa a mudar o nome de vocês, não é?
16:57Exatamente.
16:58É interessante como foi o nome.
17:01Porque quando nós acabamos de gravar, tem sempre isso dentro do estúdio, você deve saber, claro.
17:07Você grava um tipo de uma música qualquer.
17:12De repente, tanto o engenheiro de som, o pessoal do auxílio, o pessoal da equipe, está todo mundo lá, aquela
17:20música fica na cabeça.
17:21No dia seguinte que nós voltamos para gravar, quando a gente chegou na porta do estúdio, os caras falaram,
17:27Fala Azimuth!
17:28Quer dizer, a música ficou na cabeça deles e eles associaram com a gente.
17:33Eu falei, essa é uma ideia boa, Zé, vamos pedir para o Marco dar esse nome para a gente.
17:39Por que não?
17:39Aí o Marco falou, pô, claro, fica para você, não é o prazer.
17:43Então, ele é o padrinho do nome.
17:45Pô, ótimo.
17:46E antes o trio tinha o nome Projeto Terceiro, não era uma coisa assim?
17:51É, o Projeto Terceiro.
17:53Isso, foi o Projeto Terceiro, já foi um disco de solo do Bertram.
17:59Que a gente fez também, lógico, ele fez aproveitando muita coisa.
18:04Aproveitou algumas coisas, o final do Young Samuel Grupo, algumas bases que estavam gravadas,
18:09ele gravou em algumas, ele fez algumas faixas e emendou.
18:15Aí deu o nome de Projeto Terceiro.
18:18Praticamente pode ter sido o primeiro disco solo do Zé, né?
18:22Aí aparece a Zimuth, o trio recebe esse título, pega esse nome de uma música do Marcos e do Paulo
18:32Sérgio Valle.
18:33Você colocou muito bem que essa ideia veio até de uma forma natural por parte da equipe técnica,
18:40que começou a música, marcou tanto.
18:42Isso é genial.
18:44Agora também é genial você perceber, né, mamão, que...
18:48Porra, os caras estão me chamando de mamão, por exemplo.
18:51Apelido.
18:51Meu apelido é Edu.
18:53Aí, meu...
18:54Quem me chama de Eduardo é minha mulher me dando esporro.
18:57Então, quer dizer...
18:58É isso mesmo.
18:59Aí, a gente tem que abraçar esses nomes e trazer pra gente, cara.
19:03E vocês souberam, tiveram sensibilidade de pegar essa sacada e trazer esse nome,
19:08que é o nome universal.
19:10Vocês não estavam nem pensando em carreira internacional?
19:13Não, não, não.
19:15A gente estava curtindo.
19:16A grande onda nossa era tocar.
19:19Ou jogava, eu gostava de jogar futebol, fui goleiro, aí saía, o pessoal não gostava muito.
19:24Mas vamos, olha aqui, sexta-feira, oito horas lá, vamos embora.
19:28Vamos, aí ia pra casa do Zé e ficava tocando.
19:30Aquilo que eu falei pra você.
19:31O negócio era tocar.
19:33Tinha o prazer de fazer, né, a música.
19:36Então, a gente se sentia bem.
19:38Havia essa condição, né?
19:39Aquilo que a gente falou associando nos lugares que não existem hoje em dia, né?
19:44Você dá uma canja.
19:46A falta que faz, né?
19:48Você está no músico, amigo.
19:50Vamos tocar juntos, vamos embora.
19:52É difícil agora, né?
19:54E quantos gênios encostaram suas respectivas barrigas nos palcos que vocês se apresentaram
20:08e pediram, até desconhecidos ou pouco amigos, ou amigo do amigo, e falaram assim, posso tocar
20:15um pouquinho com vocês?
20:15Quando o cara puxa um pistão, quando o cara puxa uma guitarra, você fala assim, pô, esse
20:20ponto é bom, cara.
20:21Vem cá, quem é você?
20:22Da onde você veio?
20:24Isso dá uma amplitude pra música, cara.
20:27Muito importante.
20:28Que não tem mais isso, né?
20:29Ou eu estou ficando chato?
20:31Não, não, não.
20:32Eu falo sempre isso.
20:33Eu falo sempre isso aqui em casa com a minha esposa.
20:36Eu digo, dá uma saudade terrível de se encontrar as pessoas e tocar, ver a nova geração.
20:44Ou o mesmo pessoal, jamais cascudo, tocar junto.
20:48É muito bom, muito legal.
20:52Nesse momento em que vocês se encontram nesse filme Fabuloso Fittipaldi, que é um filme
20:58do Roberto Farid, do Hector Babenco, que tinha a trilha dos Irmãos Vale, aí vocês
21:05começam, eu fiz uma lista aqui de algumas pessoas que vocês gravaram ou acompanharam
21:12por aí.
21:13Clara Nunes, Hildon, Belchior, João Nogueira, Tim Maia, a banda velhina do Erlon Chaves e
21:19muito mais.
21:20Aí, em 74, pinta uma novela com o tema de vocês pela cidade, a música da novela O Espigão.
21:31Então, isso também, na época, já era algo diferente, porque...
21:35Sim.
21:36Porra, que grupo é esse?
21:38Que não...
21:39Tava fora da caixinha, né?
21:41É verdade.
21:44Ainda mais como instrumental, né?
21:47Exatamente.
21:48Por esse motivo que é totalmente fora da caixa, né?
21:51É, caixa, exatamente.
21:53Incrível.
21:54Muito bom.
21:56Tem uma passagem que eu gostaria que você explicasse um pouquinho.
22:00Em 1975, vocês gravaram no Estúdio Havaí um disco e saíram oferecendo pra Deus e todo
22:08mundo e ninguém comprou o disco.
22:10Ninguém queria saber daquele disco.
22:12Até que uma gravadora que estava em começo de trabalho, uma tal de Som Livre, foi lá e
22:20apostou.
22:21Já que eu não tenho nada, já que eu não tenho tu, vai tu mesmo.
22:24Então, jogou vocês pra dentro.
22:26Só que eles tinham uma ligação com a Rede Globo.
22:30E aí, na linha do horizonte, aparece como tema de Cuca Legal e aí as coisas começam
22:37a mudar pro Azimuth radicalmente.
22:39Exatamente.
22:40Exatamente.
22:41Exatamente.
22:44Interessante, Edu, que em cada intervalo de uma gravação com um artista que a gente
22:51fazia, sobrava duas horas, mais ou menos, o pessoal, vamos almoçar, a gente comia um
22:55sanduícinho rápido.
22:57Aí falava com o produtor e os negros, escuta, vem cá, tem uma sobrinha aí da fita, não
23:02dá pra gente fazer uma musiquinha, não só pra gravar, só pra gente, depois você faz
23:06um cassete, joga.
23:07Dá.
23:08Nessa que a gente fez, a gente fez um disco, que foi esse Azimuth.
23:14A gente foi fazendo aos poucos, foi, juntou, aí eu digo, agora vamos dar uma mixada nele,
23:20marceliza ele, deixa ele aí quietinho.
23:23É daí que começou.
23:24Ação livre e pegou, exatamente.
23:27Em 75, trilha sonora do Pecado Capital, com Amelô da Cuica.
23:33Voo sobre o horizonte na trilha de locomotivas.
23:36Em 77, lançou um segundo disco, dessa vez já pela Warner, que é Águia Não Come
23:43Mosca, que o título é espetacular.
23:48Aí tem um ponto que muda a tua vida, e a vida de vocês em 77, vocês são chamados
23:54para o imbatível, sensacional, maravilhoso Festival de Montreux na Suíça.
24:03Exato.
24:03E aí a carreira começa a ter um outro patamar.
24:07Fala um pouquinho sobre esse momento, que eu acho que é importante.
24:11É muito importante.
24:13Foi, foi, eu me lembro que o Claude Nobbs, o diretor, já está, ele, fantástico, ele veio
24:23aqui para pegar alguns artistas para levar, ele queria levar alguém.
24:30E foi na gravadora, não preciso citar, ele apresentou, olha, tem esse, tem esse.
24:35Eu disse, não, eu quero um trio que tem aí, que está tocando aí.
24:38Esse trio é a que chama-se Azimuth, eu quero eles.
24:42Sim, então você vai lá, não sei o que, para ele, foi direto, acabou ouvindo, não,
24:46eu queria que vocês fossem.
24:47Aí, não, nós fomos.
24:49Foi o primeiro grupo brasileiro a fazer, né, a apresentação.
24:53Nós tocamos depois da banda do Maynard Ferguson.
24:58Você imagina, aquela banda imensa com mais de 60, pau comendo, três horas da manhã,
25:04sei lá que horas, eram duas horas, eu tenho esse vídeo, eu tenho que até retornar para
25:07ver qual era o horário.
25:08Só que nós fomos com o trio e mais o Carlinho da Mocidade, Independente Padre Miguel, repique.
25:17Então, aquilo foi algo diferente, um cara tocando repique, é um trio, né?
25:22A gente tocou o Preço do Samba, aquelas coisas que a gente fazia,
25:27ele atacou assim.
25:29Aí o pessoal olhou e falou, o que será isso aí?
25:31Nada demais, era apenas o diferente, né?
25:34Aí o Claude gostou tanto, falou assim, vem cá, vocês podem ficar aqui por uma semana?
25:39Eu falei, podemos.
25:40Então, vamos lá, vocês vão ficar aqui que eu vou contratar vocês para vocês ficarem, para tocar.
25:45Aí foi bom.
25:46Veio o Happy Man, veio tocar junto.
25:49Espetacular, foi um momento maravilhoso.
25:51Eu acho que isso aí foi a grande alavanca mesmo, explodiu dessa parte, né?
25:56Foi essa parte e também, não quero me antecipar a você, a Flora e o Ayrton.
26:02Vamos chegar lá.
26:03Eu acho que a Flora e o Ayrton aconteceu de forma natural após esse período em Montreux.
26:11Aí vocês vão com a Flora e com o Ayrton para os Estados Unidos e fazem costa a costa, não
26:18é?
26:18Fomos ali tocar.
26:20Vocês não foram ali tocar, vocês fizeram costa a costa, rapaz.
26:24Isso é uma gente grande.
26:26É.
26:27Foi com a gente também, foi o Nivaldo Ornelas.
26:30Grande Nivaldo.
26:31Ele foi com a gente e um guitarrista de lá.
26:34Jorge Supos.
26:35Incrível ele.
26:35Também gente muito boa.
26:36Então, um palco meu, costa a costa, se tocando sem parar.
26:41Aí você tem um grande amigo.
26:42Eles são, todos dois.
26:44Eles podem dizer que eles também são nossos padrinhos.
26:47Aí você me levou na fábrica da Slingler.
26:50Eu trouxe uma bateria fantástica, onde o Robertinho Batalha dizia que era o hospital.
26:55Ele falou, conto isso aí.
26:56O hospital era branca, aquela bateria imensa.
27:01Aí você conhecia todo mundo.
27:02Quer dizer, fizemos uma amizade incrível.
27:04Ficou muito bom.
27:05Essas duas fases foram fantásticas.
27:09Montré e com a Flora.
27:11Foi uma abertura incrível.
27:14Eu imagino a sensação daqueles meninos que estavam há pouco tempo tocando ali com uma certa dificuldade,
27:24com o disco embaixo do braço, catando o final de fita para fazer um disco.
27:29E pedindo, praticamente entregando um disco na mão do Maçom Livre,
27:34que o dinheiro ali era merreca.
27:36E aí, de repente, a música começa a acontecer.
27:38Te leva a Montré.
27:40De Montré te levam costa a costa com Ayrton Moreira e Flora Puri pelos Estados Unidos.
27:44Mas, em 79, mais ou menos, vocês gravam um disco que tomou conta da Europa, chegou ao décimo nome lugar
27:57na parada europeia inglesa e abriu portas para vocês no outro lado do mundo que é o Velho Continente.
28:06Como é que foi esse disco?
28:08Como é que foi esse momento?
28:10Olha, foi maravilhoso.
28:14Nós fizemos um trabalho como oferta da Malice.
28:22Além de ser a gravadora de Malice David, Contrain e vários artistas, enfim, era uma beleza.
28:33Poxa, estou em uma gravadora fabulosa.
28:35Vamos fazer um trabalho, vamos fazer um disco para eles.
28:39E faltou uma faixa naquele tempo.
28:43Hoje em dia, acho que não tem mais isso.
28:46Faltava um tempo determinado para que se pudesse emplacar o disco.
28:52Fechar o disco.
28:53É, fechar o disco.
28:54O que a gente vai fazer?
28:55Eu digo, não sei, vamos começar a tocar.
28:56Começamos a fazer, cada um deu uma ideia.
28:59Fizemos essa música chamada Jazz Carnival.
29:02Fizemos uma espécie de brincadeira.
29:04Essa música foi a que estourou.
29:07Nada para meditar, nada.
29:09Não pensamos em fazer.
29:11Que maravilhoso isso.
29:12Eu não sabia que essa música aqui vendeu...
29:14Essa música vendeu quase 300 mil cópias na Inglaterra.
29:18É.
29:19E ela foi feita para fechar o disco, cara?
29:23Foi.
29:23Ela foi a última música do disco.
29:2610 minutos.
29:27Faltava 10 minutos.
29:28Vamos tocar.
29:29Vamos embora.
29:30Aí tocamos.
29:31Fizemos uma brincadeira, fizemos um playback.
29:33Ficou, está tudo bem.
29:34Gravado pelo Tuninho Barbosa.
29:37Eu gostaria de falar isso, Tuninho Barbosa.
29:39Quando nós fizemos a mixagem lá com o técnico de som, de lá da Maliston, ele virou-se assim
29:49e falou para a gente, como em português, eu gostaria de me chamar Tuninho Barbosa.
30:01Ele ganhou o Grammy no Amadeus.
30:05Você vê.
30:07Como é que eu, Tuninho, eu não ouvi do Fantasma.
30:10Gravado na Sonoviso, no estúdio que era do Spadre.
30:15Na Praça 11.
30:16Incrível.
30:17Incrível.
30:18Oito canais.
30:19Aí arrebentou.
30:21Teve jeito.
30:21Mas ele é um grande técnico também.
30:26Danny Coperson.
30:29Aí ele falava, eu gostaria de me chamar Tuninho.
30:32Eu falava isso, Tuninho.
30:33Tuninho ficava todo bobo.
30:34Enfim, foi muito bacana essa trajetória, essa entrada na Maliston.
30:38Foi sensacional.
30:40Quer dizer, todo...
30:41Cá para nós, todo mundo ganha o dinheiro.
30:43Mesmo a gente.
30:44Mas todo mundo ganha o dinheiro.
30:45A gente ganha o...
30:45Aqui ele toma.
30:47Toma a sua parte do bolo aqui, mas a galera ganha.
30:51É muito grande.
30:53É aquele velho mercado que a gente conhece bem.
30:56Toma uma parte e receba a esperança que o próximo será melhor.
31:01Mas não esquece de gravar o próximo disco, não.
31:03Não, não deixa gravar.
31:05Mas não, deu bem.
31:07A gente gravou, recebia legal e gastava tudo.
31:12Era aquela farra de rapaziada, não queria saber.
31:15Alugava carro, ficava à vontade.
31:19Agora foram 79, vocês começam a dominar o mundo internacionalmente falando.
31:27Essa maré entre altos e baixos durou 10 anos.
31:31No final dos anos 80, o Zé Roberto se coloca fora do grupo.
31:37E aí vocês têm umas modificações.
31:40Mas só que no começo dos anos 90, lá para 94, vocês são surpreendidos.
31:50Todo mundo é surpreendido.
31:52Porque uma série de DJs e produtores ingleses começam umas coisas que eu já conversei com o Marco Valle aqui.
32:00Eu fui numa...
32:02Não era uma rave.
32:03Rave é coisa moderna.
32:05Eu fui numa festa de uma gravadora em Londres, que até era o lançamento de um disco, de um certo
32:13artista,
32:14que até uma coisa muito legal, a entrada era um ovo.
32:18Aí os caras me deram o ovo e eu fiquei com aquele ovo numa prateleira no hotel, uns dois, três
32:24dias.
32:25E o cara falou, você não pode entrar sem o ovo.
32:27Aí eu entreguei o ovo na portaria, que era uma igreja, uma catedral, e tinha uns DJs malucos.
32:37Primeiro que o cara passou o ovo numa luz azul e apareceu um carimbo, que eu nem sabia que tinha
32:44por um carimbo no ovo.
32:45Deve ser para outro não levar o ovo sem o carimbo.
32:47Aí quebraram o ovo e eu entrei na festa e a terceira ou quarta música desse lugar lotado foi Marcos
32:56Valle em português.
32:58Eu fiquei de quatro.
33:00E aí isso aconteceu com o Azimuth também, que caiu na graça de Joyce, você, vocês, Marcos Valle e outros
33:09nomes.
33:10Caíram nas graças dos ingleses, malucos, porra loucas, e a música de vocês ganha um novo público.
33:21Agora, eu quero saber o seguinte, me diga a verdade, com gentileza.
33:26Ali na frente, depois desse movimento, o grupo se junta novamente e volta a gravar na Europa.
33:33E volta a gravar.
33:34Foi uma obrigatoriedade, os contratos são o seguinte, se não forem os três juntos, eu não quero.
33:41Foi mais ou menos isso?
33:44Não, eu acho que aconteceu normalmente.
33:49Não, porque o Zé, o Zé devia ser afastado.
33:51Ele falou, vou fazer meu trabalho solo.
33:55Deu na cabeça dele, ele falou, tudo bem.
33:57Eu falei assim, não, eu não vou deixar morrer.
33:59Eu não posso deixar morrer, falando com o Alex, eu não posso deixar morrer o grupo.
34:05O nome, poxa, a gente lutou até agora, de repente vai.
34:09Aí convidamos, o Jotinha tocou com a gente, o Jota Moraes, espetacular.
34:15O Marinho Borfa também tocou com a gente.
34:18Aí teve uma época que o Alex também falou, não, eu não vou tocar, não vou mais.
34:25Aí eu digo, o que eu vou fazer?
34:27Eu não posso deixar morrer.
34:29Não posso deixar o grupo.
34:32Além de gostar, interiormente, gostando do grupo, gostar de tocar da forma que a gente toca.
34:37Eu digo, não pode deixar morrer.
34:39Vamos voltar.
34:41Aí teve um problema e o Zé Roberto voltou.
34:45Aí voltamos, conversamos.
34:47Fizemos um contrato entre si, tipo assim, se não se afastar, não sei o que, não sei o que lá.
34:52A gente vai ter uma brigação, coisa.
34:54Vamos voltar junto.
34:55O grupo é legal.
34:57Adriano Gifone tocou com a gente também.
34:59Mas aí já é um músico espetacular.
35:02Mas aí a característica mudou.
35:06São músicos fantásticos.
35:07Mas aí eu digo, não, agora realmente.
35:09Aí houve um problema de família com o Alex e tudo.
35:16que aí o Zé retornou, fizemos, voltamos e fomos tocar.
35:22Fizemos um festival lá em Londres.
35:25Foi até na casa do Prince.
35:28Uma casa noturna do Prince.
35:33Imperium.
35:34Eu não me lembro o nome.
35:35O Alex lembra, eu não lembro.
35:38A casa lotada para a gente tocar o Jazz Carnival, que estava um sucesso.
35:42Nós fomos pela Maliston mesmo.
35:46Então, quando nós chegamos lá, encontramos com um cara que disse assim,
35:49podemos conversar lá na esquina?
35:52Olha, pudemos.
35:54Aí nós fomos num bar de esquina lá, que é o Papagaio e o Rato.
35:57O nome do bar.
36:00Nunca mais me esqueço.
36:01Nós começamos a sentar, olha, eu sou a pequena gravadora, eu não tenho o que, não sei o que lá.
36:05Babá, eu gostaria de gravar uma coisa com vocês.
36:08Um dia vamos fazer.
36:09Eu digo, é, vamos embora.
36:11Daí começou, que foi a Far Out, o Joey Davis.
36:14Começou a onda com ele.
36:16Porque a gente já estava desligando da Maliston.
36:20Já estava se afastando.
36:21Porque a Maliston também já estava...
36:24Eles ganharam muita grana com todo mundo, lógico.
36:26Esse aí é um processo que acontece com todo mundo.
36:29E a gente, novo, aquela coisa, vamos lá.
36:32Estamos tocando, estamos agradando, mas nunca pensamos no negócio em si.
36:38Vamos ganhar.
36:38Agora que dá para começar a buscar um pouquinho.
36:43Mas tudo bem.
36:44E nós saímos para a luta com esse rapaz, o Joey Davis.
36:49Vamos fazer um trabalho aqui, vamos.
36:51Daí é que surgiu um novo trabalho, um novo disco.
36:56E começaram umas mixes.
36:58Não vou entrar na onda, vou deixar você, que você sabe mais do que eu.
37:02Não, não, mas eu queria que você falasse um pouco justamente isso.
37:05Porque aí vocês ganham uma revigorada impressionante.
37:13Um dia, talvez você faça uma live com o Alexandre.
37:17Ele vai falar.
37:18Quando nós chegamos lá fora dessa apresentação,
37:25uma das apresentações que a gente fez,
37:28um rapaz chegou para a gente e falou assim,
37:30Olha, eu nunca vi isso na minha vida, vocês são seus próprios DJs.
37:37Não demos a importância para isso.
37:41Não saquei, ninguém sacou.
37:43Vocês são seus próprios DJs.
37:45O que ele quis dizer com isso?
37:46Aí veio uma misturada, um disco gravado pelo Rony Sighs,
37:53que hoje em dia fez uma mix da banda, fez uma música.
38:01Quando a gente ouviu aquilo, o Zé até falou,
38:04eu não estou entendendo nada.
38:05Ele falou, eu também não.
38:06Mas era uma mix da música.
38:08Tira daqui, coloca dali, né?
38:10Fala aquela coisa, sem perder a personagem.
38:12A música não perde aquela coisa.
38:13Eu queria que você, desculpe, interromper duas coisas.
38:18Primeiro, para dizer que está entre nós aqui,
38:20é Roberto Menescal.
38:22Entrou aqui e eu acho que a gente merece uma referência especial ao mestre.
38:29Esse é fabuloso.
38:30Trabalhei muito com ele.
38:32Patrão.
38:33Foi patrão de nosso.
38:36Patrão de minha esposa também.
38:37Amigo.
38:38Músico excelente.
38:40Meu camarada.
38:41Foi em vários projetos que eu fiz.
38:43Com todo respeito, um beijo.
38:47Ah, eu esqueci.
38:48Eu não posso aproveitar antes da gente continuar.
38:50Dizer que eu recebi dois recados para mandar um abraço para você
38:53antes de começar a nossa live.
38:55Maravilha.
38:55Que é o Pleiton Ramil.
38:58Uh!
38:59E a Wanderleia.
39:02Oh, meu Deus do céu.
39:03Falei dela ontem.
39:05Falei dela ontem.
39:06A Wanderleia, show.
39:08A Wanderleia também é outra que mora no coração.
39:12Tocamos muito, fizemos muita coisa.
39:14Agora, Mamão, você é o homem do ritmo, você é o homem da bateria, você é o homem
39:22da levada do azimuth.
39:24Eu queria saber o que passou na sua cabeça, o que você sentiu, o que você observou nos
39:31primeiros momentos em que vocês ouviram essas mixes dos ingleses, essas novas versões, que
39:39joga lá, bota uma batida eletrônica, bota um efeito.
39:43Quer dizer, eles interferiam nas músicas, eles interferem nas músicas, mas não destroem o conceito.
39:50Exatamente.
39:51E eu queria saber o que vocês sentiam, o que vocês conversaram entre vocês quando
39:57vocês ouviram isso pela primeira vez.
39:59Foi uma novidade onde a gente uniu aquele papo daquele rapaz na porta do clube, dizendo, você
40:10se é seu próprio PDG.
40:11Eu falei, peraí, PDG já há um tempo que a gente tinha.
40:16E eu já fazia esse trabalho, Edu.
40:20Eu já fazia isso já há muito tempo.
40:22Eu gostava de fazer essas coisas.
40:24Eu me lembro que o Zé Roberto fez uma viagem sozinho, não sei onde ele foi, e quando ele
40:30voltou, ele me trouxe uma caixinha eletrônica pequenininha, uma bateriazinha eletrônica,
40:38usada até pelo Kraftwerk, aquele tuxtapumpumpu, aquela onda.
40:45Aí ele me deu de presente, eu falei, que coisa interessante.
40:47Eu já brincava com aquilo em casa, já gostava de fazer essas coisas.
40:51Mas quando eu ouvi aquela primeira gravação, eu falei assim, o que é isso?
40:55O Zé ficou meio invocado, falou para o Zé, cadê?
40:59Onde foi?
40:59O que eles fizeram?
41:00Eu falei, vixe, isso aí é uma nova onda.
41:03Isso vai arrebentar, não vai ter jeito.
41:05Isso aí é uma nova jogada dos caras.
41:07Os caras pegam a tua música e jogam.
41:10Que gostavam da onda do Oberheim e Solina dele, a coisa e a batida.
41:17Que a gente já tinha essa química, vamos repetir, de fazer as coisas e ao mesmo tempo tirar um sarro.
41:26E ao mesmo tempo sair.
41:27Porque a gente gostava de tocar e eu gostava muito de sair fora um pouco da onda e voltar.
41:35Mas sempre perdeu a elegância, não perdia.
41:39Quer dizer, do compasso.
41:42Então, aí ficamos um pouco grilados, mas depois começamos com o tempo a entender.
41:48Porque aí veio a primeira, depois veio a segunda, mix daqui, mix da dele.
41:52Eu falei, o que será isso?
41:54Até briguei uma vez com o Joe Davis.
41:56Você disse, não toca nada?
41:59Eu falei para ele assim, você não toca nada?
42:00Fui até ingrato com o cara.
42:02Falei para ele, você pega um disco, bota.
42:05Aí eu pensei assim no hotel, cheguei, espera aí.
42:07Os caras, além de tudo, eles estão jogando o barco de muita gente de novo para o mar.
42:14E está empurrando de novo.
42:16Aquilo que você ouviu, eu quando cheguei na Estônia, que eu entrei na casa que nós fomos tocar,
42:25estava tocando a de Lincoln.
42:28Eu falei, cara, que barata.
42:30Mas remixado, remixado.
42:33É, é de Lincoln.
42:34Não, normal, é de Lincoln original.
42:38Caraca.
42:38E você, que barato.
42:41Na Estônia, na Estônia.
42:44Na Estônia.
42:45Olha, que coisa de louco.
42:46Eu falei, meu Deus do céu, que barato, que legal.
42:49Então, tudo isso, as informações, foi a mesma coisa quando eu cheguei na São Petersburgo
42:59e o cara abriu-se assim, olha aqui, eu tenho o seu CD gravado aqui no Brasil, eu tenho
43:04o seu disco solo gravado aqui no Brasil.
43:06Eu falei, porra, como é que você tem isso, cara?
43:08Eu falei, eu me informo.
43:10Calei minha boca, não falei nada.
43:13Tá bem.
43:13Um disco gravado na CID.
43:16Não sei se saiu com os amigos.
43:18Ficou muito bacana, gostei muito.
43:20Eu me informo.
43:21Então, acabou.
43:22O cara gosta.
43:23Enfim, aí começou esse processo muito bacana, que agora a gente entende.
43:28O Zé, no princípio, tadinho, ele não conseguia.
43:32Ele queria saber.
43:33Cadê essa harmonia que estava aqui?
43:35Saiu daqui e voltou para lá?
43:37Não, mas é isso aí, Zé.
43:38É uma mexida.
43:39Essa é uma mix.
43:42Não me conformo.
43:43Mas depois ele foi conformo.
43:47E foi de extrema importância para a música brasileira na Europa.
43:53Esses caras são...
43:54A gente devia ter um documentário, alguma coisa, que mostrasse esses caras.
44:01Devem ter sido uns cinco, seis, uma meia dúzia de caboclos que transformaram e recuperaram
44:07algumas canções brasileiras.
44:09Exatamente.
44:11Isso aí é muito legal.
44:12Tem caras incríveis.
44:13Tem uns caras incríveis.
44:14Por exemplo, meu amigo DJ, o Nuts.
44:18Eu tenho muitos amigos aqui da MEP.
44:20Vários DJs.
44:22Inclusive faço trabalho com eles.
44:25De tocar, botar uma música e saber que sou eu que estou tocando.
44:30Ou é o Paulinho Braga, ou é o outro batera, ou é o outro bastista.
44:34É você que toca aqui.
44:35Eu digo, como é que você sabe disso?
44:36Não tinha ficha técnica, né?
44:38Eles já sabem pela audição.
44:40Já ouvem falar com esse cara aí.
44:42Eu acho que é o Mamão.
44:43Eu acho que é o que eu já vi.
44:46Mamão, Mamão, olha só.
44:47Esse ponto que você acaba de falar é algo que a gente tem que valorizar em vocês, músicos.
44:54Que é o fato de vocês serem reconhecidos por pessoas ao longo da história de vocês como
45:02instrumentistas e o DNA, o DNA, a digital de vocês, em algumas, é muito característico.
45:10O cara, é muito comum você falar, esse baixo é fulano.
45:14Essa bateria é Beltrano.
45:16É.
45:16Pô, isso é sensacional.
45:18São poucos que, como você, que tem esse tipo de DNA, compadre.
45:24Legal.
45:24Parabéns.
45:25Muito bom.
45:25Muito obrigado.
45:262012, 2012, a gente perde Bertrami e aí a coisa dá uma mexida na cabeça de vocês.
45:35Foi.
45:36É porque a gente até, lógico, foi um momento muito difícil, mas eu me lembro, eu gostaria
45:44até de falar disso, me lembro quando ele estava já no hospital, que ele pegou a minha
45:50mão e do Alexandre e falou, boa sorte.
45:56Então, esse toque, nós entendemos bem, boa sorte.
46:00Como você vai embora, vai, continua.
46:03Eu falei, tudo bem, vamos embora.
46:05Quer dizer, continuamos, demos uma...
46:08Caiu...
46:09O Zé Roberto era um gênio.
46:15O teclado dele, a mão dele, o jeito dele, o touch.
46:19É a veludar, é tudo, era um gênio, não tem jeito.
46:23Que aí veio o...
46:24Não quero cortar o teu conseguimento, que entrou o Kiko.
46:27O Kiko também é outro maravilhoso músico.
46:30Mas o Zé, ele...
46:33Muito tempo junto, né?
46:35Era um genial nas coisas que fazia.
46:38Mas deixou o legal.
46:40Todos que entraram nos momentos certos e saíram por questões diversas do Azimuth, são músicos
46:48excepcionais.
46:49Mas a gente não pode esquecer que esse trio que inicia e que populariza e que consegue
46:59ultrapassar fronteiras que, naquele momento, eram raríssimas na música instrumental.
47:04No mundo, não é no Brasil, no mundo, tem um porquê.
47:09A harmonia, a simbiose entre vocês três era especial.
47:14Então, a gente também está recebendo um outro aqui.
47:18Tem o Beto Saroult nos acompanhando aqui também, que é outro músico que merece o nosso
47:23respeito, que está entre nós aqui nesse momento.
47:25Esse é queridão.
47:27Esse aí mora no coração.
47:30Agora, como é que você...
47:32Se você encontrasse um moleque hoje, de 15 anos, curioso, ávido por informações,
47:41e perguntasse para você, seu mamão, qual é o tipo de música que você faz?
47:50Como é que você explicaria hoje para esse menino de 15 anos?
47:55Você chamaria de samba doido, como já chamou ali no passado?
47:59Esse samba doido foi alguém que falou esse samba doido.
48:02É pela saída que a gente dá.
48:09Eu acho que é uma união de tudo.
48:13É um know-how que eu tomei.
48:19Está aí presente Menesca, produtor.
48:22Quantas gravações eu fiz com Menesca.
48:24Quantas ideias que ele me deu, que passou.
48:27Então, tudo isso foram aulas.
48:30Ele, Paul Moriart, Erlon Chaves.
48:36Enfim, os artistas mesmo que eu trabalhei, Gal, Rita.
48:42Então, tudo isso é gostar de tocar.
48:45Eu sempre falo, quando as pessoas me perguntam o que eu devo tocar, o que eu acho.
48:52A minha opinião, você tem que tocar rock, tem que tocar jazz e samba, que é a tua raiz.
49:00Não deixa dessas três se unindo.
49:04Eu acho que é uma fusão perfeita para você poder tocar com quem você quiser.
49:10Quer dizer, antigamente tinha uma onda.
49:12Não, não chama o mamão não, porque o negócio dele é rock.
49:14Não tinha nada disso, não.
49:15Ele tocava samba também.
49:16Isso não existia.
49:17Mas, na época, atrás já existia uma onda.
49:20É, quando você começou, é outra coisa.
49:24Agora, ao longo do processo, os caras vão vendo que estão errados.
49:29Porque outra coisa que é perceptível na sua história de vida é a ausência de preconceito.
49:35Claro.
49:36Não, não pode ter.
49:38Não tem, não.
49:39Só tem algumas que...
49:43Algum tipo de música que existe que realmente não dá para fazer mais.
49:47Se eu tiver que fazer, eu vou fazer.
49:49Isso não tem problema, não.
49:51Mas um cara que tocou com Elis Regina e com o Daí José, com o Raul Seixas, Jorge Bem, Clara
50:00Nunes e...
50:02Pô, meu irmão, não pode ter esse tipo de...
50:05Não, não, não.
50:06De jeito nenhum.
50:07De jeito nenhum.
50:08Outro nome importante que alguém mencionou aqui, agora há pouco, o próprio Jorge Bem, que ainda é um cara que
50:16vem com elementos diferenciados na nossa música, né?
50:21Totalmente.
50:22Pô, uma maravilha.
50:24Fiz festival de Montré também com ele quando foi.
50:28Olhei com os arranjos do Lincoln Olivetti, grande Lincoln também.
50:35Foi muito bom.
50:36Eu sou um felizardo.
50:37Eu tenho que falar que eu sou um felizardo porque eu tive experiências com muitos profissionais da pesada que me
50:44chamaram.
50:45Tive um envolvimento com eles.
50:48Isso aí foi algo sensacional.
50:53Mamão, você é um dos melhores no que você se propôs a fazer na história da música brasileira.
51:00Muito obrigado.
51:01E a gente não pode deixar essas coisas passarem como algo normal.
51:06Não é normal, cara.
51:08Conhecemos grandes bateristas, conhecemos grandes músicos, grandes cantores, grandes compositores.
51:15A história do Brasil é rica nisso, né?
51:17A gente tem que tirar o chapéu.
51:18A música brasileira é foda.
51:19A música brasileira é espetacular.
51:21É verdade.
51:22Mas muitos astros gostariam de ser a metade do que o outro é.
51:30Entendeu?
51:31Então eu conheço muitos bateristas geniais que gostariam de ser a metade do mamão.
51:37Poxa vida.
51:38Você sabe disso.
51:40Poxa, eu fico muito feliz.
51:43Fico muito feliz em saber disso.
51:45É uma experiência que a gente vai tendo na vida, né?
51:49Aquilo que eu falei para você, a gente vai aprendendo cada vez mais.
51:52Eu me lembro uma vez que eu estava no estúdio.
51:56Eu não me lembro qual era o estúdio.
51:59Eu sei que eu estava tocando, até com o Darnébio, meu cumpadre saudoso Darnébio, meu ídolo, grande Darnébio.
52:07E chegou um baterista, reizinho não.
52:12Oh, meu Deus do céu.
52:14Barão.
52:15Barão bateria.
52:16Ele não era baterista.
52:17Ele era caixista.
52:20Ele chegou para mim e falou assim, garoto, vem cá, fica zangado comigo.
52:23Eu falei, não, o que é que é?
52:25Pega essa baqueta aí, pega um bocadinho, um cala mais assim para o meio, você vai ter um equilíbrio melhor.
52:29Eu falei, pô, legal, bicho.
52:30Valeu, obrigado.
52:32O papo não era esse, mas eu falei para ele, pô, legal.
52:34Darnébio podia dizer, deixa para lá.
52:36E eu ficar chateado, falei, pô, ele está querendo...
52:40Nada.
52:41Foi uma dica que ajudou muito.
52:43E era um caixista bacana.
52:46E ajuda você a formatar, a formar a sua personalidade, que ali na frente tem certeza que você deve ter
52:53dito para outros.
52:55Não entendo.
52:56Ter passado outras dicas, da forma que você recebe, você repassa.
53:01É verdade.
53:03Mas você falou uma grande coisa.
53:04Nós temos uma nata de músicos e bateras muito grande.
53:08Meus amigos também, queridos amigos.
53:11Tem o Tandeta, Paulo Embraga, Pascoal.
53:14E aí vai bala.
53:16Faz tempo que eu não vejo bala.
53:17Ele já teve.
53:18Teve com a gente aqui semana passada.
53:20Faz tempo que eu não vejo.
53:22Saudade dele também.
53:24Grande batera.
53:26Essa galera toda.
53:27E esses músicos fantásticos, seus instrumentos anormais.
53:33Outro que está entre a gente aqui que merece o registro é César Sampaio, o cantor.
53:38Esse aí é, queridaço mesmo.
53:41Esse aí é.
53:42Toquei com ele.
53:43Toquei com ele.
53:44Gravei com ele.
53:46Grande, César.
53:48Olha, meu amigo, estou me chegando ao final.
53:50Eu só quero avisar aos companheiros que amanhã tem mais uma entrevista.
53:53Amanhã é a entrevista de número 254.
53:57Amanhã é com o Guinga, o grande homem do violão.
54:01A elegância do samba, o Guinga, vem amanhã conversar com a gente.
54:05E te agradecer, Mamão.
54:07Meu amigo é o Tijuca, Guinga.
54:09Tijuca é terra boa.
54:11Mamão, obrigado, cara.
54:13Muito obrigado por esse momento agradabilíssimo que foi ouvir você contando essas histórias
54:18para a gente.
54:19Eu que te agradeço, Edu.
54:21Muito obrigado.
54:22Obrigado pela sua sapiência nesse ramo.
54:27Conhece tudo.
54:27Conhece melhor.
54:28Eu fico muito feliz.
54:29As pessoas reconhecem.
54:30E parabéns para você pelo seu trabalho, cara.
54:33Muito obrigado.
54:34E todas as ordens, agora que quiser.
54:36Saúde, cuide-se e cuide dos seus.
54:40Muito obrigado.
54:41Você também, querido.
54:59Obrigado.
55:00Obrigado.
55:01Obrigado.
55:02Obrigado.
55:02Obrigado.
55:03Então, eu vou te оставiar o seu trabalho.
55:53Legenda Adriana Zanotto
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