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  • há 14 horas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

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Transcrição
00:10Oi, Vanessa!
00:12Oi, Edu! Prazer estar aqui!
00:15Que bom, que bom!
00:17Estava aqui na sua lista estrelada, que incrível essa lista de convidados!
00:21Hoje nós estamos subindo uns oito degraus por causa da sua presença, né, minha amiga?
00:25Ah, imagina! Prazer!
00:29Porque a minha amiga se ama, você sabe já, né?
00:32Eu amo o seu pessoal todo!
00:34Antes da gente falar, eu gostaria de falar o seguinte, você...
00:38Eu vim pra Vitória trabalhar e fui trabalhado numa rádio chamada Rádio Espírito Santo.
00:45A Rádio Espírito Santo era coordenada por uma fundação cultural,
00:49que era o órgão mais alto da cultura do Espírito Santo.
00:54Uma das pessoas que administrava a questão burocrática, que não era fácil, da fundação cultural,
01:01era a querida sua sogra, a Tânia.
01:05Eu ia falar isso, ela te mandou um beijo.
01:07Eu tava falando com ela agora.
01:08Ela falou, Edu, trabalhei com ele, tava com ele.
01:11Na fundação...
01:13Não só trabalhamos juntos, ela sempre foi isso.
01:17Se você sabe que eu não tô exagerando, uma pessoa do abraço, sabe?
01:21Aquele tipo de pessoa que te acolhe e que tem sempre uma palavra positiva.
01:26Cara, ela é demais.
01:28Então, uma das pessoas que me fez ficar apaixonado pelo Espírito Santo,
01:33uma dessas pessoas foi a Tânia.
01:36Você não é capiçada?
01:37Você é da onde?
01:38Não.
01:39Nasci no Rio por descuido.
01:41Tá.
01:42Aí vim pra cá e desde sempre tô aqui.
01:45Mas aí, tem uma outra facção da sua família...
01:49Adorei ação.
01:51É, tem uma outra facção da sua família que é especial.
01:54Que você infelizmente não conheceu.
01:56Que é o avô do seu marido.
02:01Sim.
02:02Certo?
02:02É o Américo.
02:02Ó, não existe pessoa...
02:07Eu acho que deve ter umas três pessoas com a classe de Américo Boas, entendeu?
02:13Assim, uma figura do mais alto nível, uma pessoa espetacular.
02:18Aprendi muito, observando e conversando um pouco o que a gente conviveu.
02:23É, eu não vi isso.
02:25Maravilhoso.
02:25Então, sim.
02:26Eu fiz uma do hotel, que é a mãe da Tânia, que eu herdei todos os livros dela, Edu.
02:32A Tânia me deu esse presente, a Tânia me deu tantos vinyls, tantos livros.
02:38E Dona Vilma, eu comecei...
02:39Gente, ela gostava das mesmas coisas que eu, eu não conheci ela.
02:43Mas eu sinto que eles estão protegendo a gente, sabe?
02:45De alguma forma tão...
02:46Não, eu não tenho dúvida.
02:47Não tenho dúvida.
02:48Eu fico muito feliz de você...
02:49Você está no Espírito Santo, vai passar um tempo aqui no Espírito Santo.
02:53Fala um pouco da sua...
02:54Da decisão de vir pra cá.
02:57É, então, a gente estava em quarentena desde 7 de março.
03:01As crianças estão estudando, a gente manteve lá esse tempo todo.
03:05E agora começou a se criar em São Paulo.
03:07Eles vão entrar em férias.
03:08E a gente sempre vem pra cá.
03:11Em julho, nas férias, e a gente vem pra cá no final do ano.
03:15E aí a gente ficou pensando como é que a gente ia fazer se a gente ia ficar em São
03:18Paulo.
03:18Tá muito frio, então a chance de pegar gripe é muito mais forte.
03:22O clima é outro.
03:24E aí a gente falou, cara, por que a gente não fica lá perto?
03:26A gente junta as quarentenas com a minha cunhada.
03:29Porque são os primos que eles amam de paixão, que é o Felipe e o Arthur.
03:33Então, são da mesma idade.
03:35O que foi um alívio pra gente.
03:37Porque agora a gente juntou as quarentenas, os primos estão juntos.
03:40A criançada ficou mais calma, tá brincando todo dia.
03:43Então, foi por essa intenção de ficar num lugar gostoso, com um clima gostoso, perto da praia, né?
03:49Mais quente e ficar com a família também.
03:52Desjuntar mesmo.
03:53A solidão tava ali já batendo com a gente.
03:56Os seus filhos têm a idade muito próxima dos filhos da Duda.
04:01É escadinha.
04:02O Felipe, o meu mais velho, que é o José, de oito.
04:06O Arthur, de sete.
04:07E o João, que é meu mais novo.
04:08Vai fazer seis anos, sexta-feira.
04:11Então, tudo isso.
04:12O de oito e o de seis.
04:16Eles estão fazendo aulas pela internet, online?
04:21Online.
04:21A escola manda todos os dias pra um aplicativo as atividades.
04:25Faz aquelas lives, né?
04:27Onde eles têm aulas marcadas com a turma.
04:30Então, a gente tem que manter uma disciplina, né?
04:33Nesse meio tempo.
04:34Aí, acaba as aulas dele dia 19, que é no dia do aniversário do João.
04:38Aí, dia 19, eles ficam de férias.
04:41Então, aí a gente vai ter que achar coisa pra fazer, né?
04:43A atividade.
04:45É, eu tenho uma filha de 12 anos.
04:47Eu tenho uma menina de 12 anos.
04:49Ela se falou com o Felipe, não foi?
04:50Isso.
04:51É, são amigos.
04:52Bota o fogo em uma caixa d'água.
04:55Mas, eu fico com pena dessa molecada.
04:58Porque eu passo e vejo minha filha estudando.
05:00Como é chato.
05:02Vamos falar baixinho pra eles não ouvirem.
05:04Eu me ponho no lugar.
05:05É muito chato ficar na frente do computador.
05:08Com fonezinho.
05:10São léticos muito bem.
05:13É diferente.
05:13Não é a mesma coisa, né?
05:15O presencial.
05:16Porque a gente sabe que a escola, lógico, é o aprendizado.
05:19Mas, é muito a socialização.
05:22É a interação que eles têm com os amiguinhos.
05:24É dessa descoberta.
05:25Que é muito importante.
05:26Então, eles estão...
05:27Tá tacapenga.
05:28Porque eles têm o aprendizado.
05:30Que tá muito bom.
05:32Não vou reclamar.
05:32Porque eles estão tendo conteúdo bacana.
05:35Mas, a socialização, não, né?
05:37É.
05:37Mas, sabe o que a gente descobriu uma forma?
05:39Pelo menos os mais velhos.
05:41O João não, tadinho.
05:42O João realmente tá sem amiguinho pra conviver.
05:45Mas, o José descobriu uma forma que eles estão jogando um videogame online com os amiguinhos.
05:50Eles jogam uns joguinhos lá.
05:51Aqueles videogames.
05:53Aí, eles entram online.
05:55E você...
05:56Eles se falam e se ouvem.
05:58É uma forma de matar uma saudade, né?
06:00É uma geração muito doida.
06:02Eu fico...
06:03Agora, eu vou falar um pouco de você.
06:05Você, quase na idade...
06:07Eu vou dar um beijo pra todo mundo que tá aqui.
06:09Eu nem falei oi.
06:10Boa noite pra vocês.
06:12Pessoal que tá aqui.
06:13Tanto do Espírito Santo, como do Brasil inteiro.
06:16Beijo pra vocês, meus amores.
06:17Aqui, ó.
06:18Todo mundo.
06:18Gente que eu já conheço.
06:19Gente que eu não conheço.
06:21Beijo pra vocês.
06:24Mais ou menos na idade do seu filho mais velho.
06:28Você sai de Goiânia, onde você nasceu, e vai pra um grande centro, que é São Paulo,
06:34levado pelos pais.
06:35Sim.
06:35Que seu pai, naquele momento, não era um cara famoso ainda.
06:39Era um cara no comecinho da carreira.
06:41Quer dizer, tinha muito trampo pela frente.
06:43Muito risco.
06:44Foi um momento de alto risco pra vocês.
06:47Mas também foi muito...
06:48Deve ter sido muito chocante.
06:49Conflitante.
06:50Lógico que nós estamos guardando as devidas proporções com relação ao que vem acontecendo
06:53hoje com seus filhos.
06:55Seus filhos estão caindo numa condição financeira diferente e nos braços de familiares.
07:00É uma outra situação.
07:02Estou falando daquele momento que você foi carregada, com nove anos de idade,
07:09pra um centro maluco que é São Paulo, com o pai disposto a qualquer coisa pelo sucesso,
07:15vou trabalhar, e a família ficando em segundo plano.
07:20Fala pra mim um pouquinho da sua chegada em São Paulo, daquela menina de nove anos de idade.
07:25Então, eu lembro do primeiro dia que eu cheguei em São Paulo.
07:28Porque a gente chegou na Vila Mariana, que é um bairro perto do centro ali.
07:32Eu lembro até hoje, quando a gente chegou naquele prédio branco.
07:36A gente...
07:36Meu pai teve um padrinho que foi muito importante pra vinda dele pra Goiânia.
07:41Como ele tava começando já uma carreira solo e ele já tinha um nome como compositor,
07:48porque ele já tinha músicas gravadas por Leandro Leonardo, por outros artistas,
07:53ele chegou já com esse respaldo como compositor.
07:56Então, ele já era amigo da Fátima Leão e do Felipe, do Felipe Falcão.
08:01O Fátima e do Felipe são padrinhos.
08:03Eles eram casados na época, padrinhos da minha irmã.
08:07Então, ele já tinha esse contato.
08:08Não veio tão, assim, só...
08:11Não veio no risco total.
08:14Ele tinha uma certa base de amigos que estavam aqui incentivando ele a vir.
08:18A Fátima, inclusive, incentivou pra que eles pudessem compor juntos.
08:21E fizeram um grande sucesso juntos.
08:23Mas a gente morou nesse primeiro apartamento.
08:25E o Lima, que era um advogado, ele que investiu, assim, na carreira do meu pai no começo.
08:30Ajudou bastante.
08:32Eu lembro que a gente chegou no apartamento, só tinha dois colchões no chão, assim, e uma geladeira.
08:36E o Lima encheu a geladeira pra gente.
08:39E era isso que a gente tinha.
08:40Uma mesinha, dois colchões no chão e esse lugar.
08:45E eu tava animadíssima de ir daquela selva de pedra.
08:49Eu lembro que eu tava assim, é muito grande essa cidade e tal.
08:52E eu adorei.
08:53E a gente foi morar logo em seguida.
08:55A gente ficou seis meses nesse apartamento, na Vila Mariana.
08:58A gente foi morar na Vila Prudente.
09:01Eu falo que eu sou zélio.
09:02Lá em São Paulo é a turma da zélio.
09:04E eu tenho muito orgulho.
09:06Porque a gente vivia num prédio que era bem popular, mas muito animado.
09:10Eram 30 andares, 4 apartamentos por andar.
09:13E ali minha infância foi muito rica.
09:15Apesar das dificuldades, meu pai viajava muito.
09:19Eu lembro disso, que eu sentia falta.
09:21Quando meu pai chegava era festa, né?
09:23Porque ele ficava semana tentando fazer turminha no Pará.
09:26Porque a carreira dele deu muito certo.
09:28O solo lá no Pará.
09:30E aí ele ficou lá um tempo.
09:31Eu viajava bastante.
09:32Minha mãe, guerreira, cuidando das duas filhas.
09:36E ela vendia...
09:37Era sacoleira.
09:38A gente ia na 25 de março, que é o reduto das compras populares em São Paulo.
09:44Ela fazia sacolas, as vendas e ia de porta em porta vender roupa infantil e roupa.
09:50E eu era ajudante dela.
09:52Eu e minha irmã, a gente fazia...
09:53Experimentava, fazia desfile para as clientes.
09:57Então era muito divertido, né?
10:00Era muito gostoso.
10:01Então foi um momento...
10:01Por mais que tivesse dificuldade, meus pais protegeram a gente disso.
10:06Eu não sentia falta.
10:08O que você não tem, você não sente falta também.
10:10Então eu era feliz.
10:12Eu tinha comida na mesa, uma vida simples.
10:15Graças a Deus, eu já tinha passado.
10:16E meu pai foi crescendo cada vez mais como compositor.
10:19Foi fazendo com a Fátima grandes sucessos.
10:21E aí surgiu a história do meu tio.
10:23E aí foi muito rápido.
10:24Com nove anos...
10:26Nossa, eu tinha nove anos quando o amor chegou e a nossa vida se transformou.
10:30E foi bem cinderela, assim, né?
10:33Foi bem tipo...
10:33Tá, mas aí você se vê...
10:36Aí vamos tentar entender a sua cabeça.
10:40Porque a gente às vezes vê o livro pela capa
10:42e não vê que esse livro é feito, formado de vários capítulos.
10:46Então a capa hoje de Vanessa é muito bonita, colorida, capa dura, chique.
10:53Mas dentro do livro tem capítulos duros, difíceis, né?
10:58Que a gente vai...
10:59Isso é a vida da gente.
11:00Não é nenhum problema.
11:03Mas aí você fica ali no meio dos sertanejos, tá?
11:10Teoricamente, recebendo uma influência brutal, direta e única de um tipo de música.
11:15Ao mesmo tempo, você é uma moça querendo se descobrir na vida.
11:19Pra que lado eu vou?
11:20Isso é um equilíbrio extremamente normal.
11:23Aí você se dedica um pouco à dança, ao sapateado.
11:26Você fica um pouco...
11:28Teatro.
11:30Teatro.
11:31Aí fazem um grupo chamado Defenders.
11:35Depois virou Neon.
11:37Neon!
11:37Que é com os meninos do KLB.
11:40O KLB foi.
11:42A gente fez uma banda cover infantil.
11:45Tocava o quê?
11:47A gente tocava tudo.
11:49A gente tocava o que era sucesso.
11:50A gente tocava...
11:52A gente...
11:53O Franco, o Escornavaca, que Deus o tenha.
11:55Que foi um grande homem.
11:57Foi uma pessoa muito importante na vida da minha família.
12:00Que abraçou a ideia do meu pai.
12:02Graças a ele, assim, muita coisa aconteceu.
12:05E ele e os filhos dele, que eram os meninos, eram pititicos.
12:09E o Bruno tocava baixo.
12:10O Leandro, bateria.
12:12E o Kiko, era na guitarra.
12:13Eles tocavam muito bem.
12:15Eles tocavam tudo.
12:15Eles eram pivete.
12:17Descobriam que eu era afinada.
12:19Aí, pronto.
12:21Aí, eu entrei na banda.
12:23A minha irmã era vocalista.
12:25E a Raquel, que é filha do César Augusto, produtor, fazia o coral também.
12:31Então, a gente, na verdade, fazia muito mais por diversão.
12:34Era todo final de semana tocando.
12:36Os pais babando, filmando tudo.
12:38A gente...
12:39Eu fiz um show com o Cachê, com eles.
12:42Que foi num clube.
12:43Nesses clubes de férias, resort.
12:46A gente fez.
12:47Mas era Xuxa, Leandro Leonardo, Zé Tica Magno Luciano, Jean Giovanni.
12:52O que era sucesso na época.
12:54Na época, César Augusto, Wagner.
12:55Tinha de tudo.
12:57Paquitas, era tudo.
12:59A gente fazia um bolo roxo.
13:02Mas nessa hora, Vanessa, já pintava...
13:05Você tinha que idade?
13:06Eu tinha 11 anos, por aí.
13:1010.
13:1110, 11 anos.
13:12Nesse momento de 10, 11 anos, na sua cabeça, já era assim, eu vou ser artista.
13:20Já.
13:22Eu já tinha essa ideia desde...
13:24Eu não sei quando surgiu, mas eu lembro que o primeiro sonho que eu tive foi esse.
13:29Foi cantar.
13:31Eu tinha muito presente essa coisa da composição do meu pai.
13:35Meu pai ficava a madrugada inteira compondo.
13:38Eu não dormia.
13:39Até hoje eu não durmo cedo.
13:41Então eu fingia que dormia.
13:42A casa inteira dormia.
13:43E eu me escondia atrás do sofá.
13:45Pra ouvir ele compor.
13:46E eu achava aquilo a coisa mais linda, assim, do mundo.
13:49Poder fazer música, sabe?
13:50Escrever.
13:51E muito nova, eu fico tendo ídolos.
13:54Eu fui uma pessoa que...
13:55Uma criança que consumia a música.
13:56Eu consumia essa coisa do ídolo, né?
13:58Então, além do meu pai como referência, eu era muito enlouquecida pela Madonna.
14:03Quando eu tinha 11 anos...
14:06Na época que eu tinha 11 anos, as rádios tocavam muito mais músicas internacionais do que nacionais.
14:14Então, as grandes rádios famosas eram música internacional, música em inglês.
14:19Mesmo que a gente não entendesse nada do que ela estava falando, era muito forte.
14:23Então, eu fui numa geração que foi muito pega pelo Michael, pela Madonna, né?
14:28Por...
14:28Eu ainda tive uma referência de ABBA, não sei de onde.
14:31De ABBA, de Carpenters, de Queen.
14:35De música pop, em geral.
14:37E aquilo foi criando muita força dentro da minha mente, assim.
14:41Eu gostava de sertanejo, mas quando eu descobri a música pop, parecia que era o meu lugar.
14:45Porque eu gosto de dançar.
14:47E aí, eu lembro que no carro, quando a gente saía pra viagens, assim...
14:50A gente viajava pra Goiânia.
14:52E era sempre oito horas de carro.
14:53Eu sempre ficava emburrada, porque a Camila, minha mãe, meu pai, ficavam no sertanejo.
14:58E eu falava assim...
14:59E a minha vez!
15:00E o meu pop, e o meu rock!
15:02E eu era sempre que brigava pra tocar alguma coisa diferente.
15:05Então, já via que ali eu tinha já essa...
15:09Primeiro, essa diferença, assim, que eu tinha muito...
15:11Gostava muito do sertanejo.
15:13Mas eu tinha uma...
15:15Uma identificação com a música pop muito grande.
15:18E com o rock também, muito grande.
15:20Mas era desde neném, eu não lembro de ter pensado em fazer outra coisa.
15:24Hoje eu penso.
15:25Hoje eu falo...
15:26Ah, a gente vai ter feito uma faculdade de psicologia.
15:28E agora...
15:29E adorar...
15:30Sim, sim.
15:31Ia ser legal fazer alguma coisa diferente, me formar e tal.
15:34Mas quando você é criança, adolescente...
15:37Tá, mas você me deu uma luz aí nessa conversa, que é Madonna.
15:41Aí a Madonna te pega...
15:43Porque você, além de curtir, você tinha também o apelo visual daquela mulher bonita,
15:49que...
15:49Presença com postura...
15:51Forte.
15:51Com diácio.
15:52Forte.
15:53Isso deve mexer com a cabeça de uma menina de 12, 13 anos, assustadoramente.
15:58Aí você...
15:58Você se dedica um pouco mais ao corpo do que a garganta, assim.
16:03Ao dançar do que ao cantar.
16:06Você se envolve com o musical Cats durante o tempo.
16:10E você se envolve com o corpo de balé do seu pai e do seu tio.
16:16Você se dedica um pouco mais ao dançar do que ao cantar, antes de sair cantando, não é?
16:22Sim.
16:23Na verdade, eu tinha um grande sonho.
16:26Pra quem não sabe, eu sou apaixonada por musicais.
16:29Quando eu descobri os musicais, meu primeiro musical foi a Fantástico, a Fabrica de Chocolate.
16:35Então, Mágico de Oz.
16:37Então, quando eu tive acesso ao mundo dos musicais, né?
16:41Ginger Rogers, Fred Astaire.
16:43Eu comecei a ver aquilo lá.
16:44Eu via coisa antiga.
16:45Eu gostava de coisa mais antiga.
16:48Eu tenho uma cabeça mais...
16:49Eu acho que eu tenho uma cabeça capricórnio, mais velha, assim.
16:52Porque eu gosto de coisas mais antigas.
16:54Mas não da minha época, mas fora.
16:57E eu queria muito fazer musical.
16:59Edu, mas muito.
17:00Eu tinha um sonho.
17:01Que eu não ia gravar um CD.
17:02Não era meu sonho.
17:02Meu sonho era ir pra Nova York, estudar na Juilliard ou no Actors Studio.
17:09E fazer musical na Broadway.
17:11Eu tinha colocado isso como um método da minha vida.
17:12Então, o que eu fui fazer?
17:14Não, e outra coisa.
17:15Você não pensa ser pequeno, não, né?
17:17Não, eu...
17:18Você...
17:19Adoro a mente.
17:20Não, imagina.
17:22Juilliard, Actors Studio.
17:23Eu queria...
17:24Tipo...
17:24E aí, o que eu me dediquei?
17:26Me dediquei a aprender inglês.
17:27Me dediquei ao piano.
17:29Então, eu comecei fazendo aula de piano com 11 anos.
17:33Não fiz aula de canto nunca, assim.
17:35Nunca na vida fiz.
17:36Foi uma coisa que eu não fiz.
17:37Fui pro teatro e pra dança.
17:41Porque o canto era uma coisa que eu fazia todo dia em casa, no banheiro, praticamente.
17:45Então, o canto era uma coisa que eu queria fazer.
17:47Meu pai não fez aula de canto.
17:49Então, eu tinha um pouco desse preconceito.
17:50Ah, quem canta, canta.
17:51Quem não canta, não canta, né?
17:53Besteira.
17:54Porque você pode sempre aprender técnicas.
17:55Hoje a gente sabe.
17:57Mas, naquela época, eu precisava ficar boa naquilo que eu não era boa.
18:00Que era atuação e dança.
18:02Eu era muito desengonçada.
18:03Eu era tímida.
18:04Morria de vergonha.
18:06Então, falar em público, eu ficava muito nervosa.
18:09Então, eu falei.
18:09Como é que eu vou ser atriz de musical e fazer isso?
18:12Só que, assim.
18:13A vida foi me levando pra outros caminhos.
18:16Eu ainda tenho um sonho que eu vou fazer um musical um dia.
18:18Já tive convites incríveis.
18:21Mas, eu nunca consegui parar a carreira e me dedicar ao musical.
18:27Assim, de verdade.
18:28Parar.
18:29Saio tudo.
18:30Então, foi assim que o caminho foi me levando.
18:32Eu fui pra outros lados, né?
18:35Gerais, assim.
18:35Por isso que a dedicação foi primeiro pra outro lado.
18:37Porque eu sentia que eu precisava aprender aquilo ali pra ser uma atriz completa.
18:41Pra ser uma artista completa.
18:43Porque essa era a minha referência.
18:45Dançar, cantar, atuar.
18:47Né?
18:47Não era só cantar, volar e voz.
18:50Essa era a minha busca mesmo.
18:52Você venceu isso.
18:54Você venceu a timidez.
18:55Você deixou de ser uma menina desenguçada.
18:58Você cresceu uma mulher bonita.
19:00Você se envolveu.
19:02Você se encontrou.
19:04Legal.
19:05Aí, quando você se encontrou com a questão física.
19:10Que é um ponto importante pra você se sentir segura pra cantar.
19:14Você começa a querer se encontrar com a cantora.
19:18Aí, você tem...
19:19Pra que lado eu vou?
19:20Ai, meu Deus.
19:21Vou pro pop?
19:22Vou pro sertanejo?
19:23Você teve um momento na sua vida que você ficou um tanto quanto...
19:27É...
19:28Escuro pra você.
19:29É.
19:30Como é que foi essa decisão sua de escolher um caminho?
19:36Na verdade...
19:37O meu caminho foi acontecendo totalmente sem planos.
19:40Assim, não teve nada planejado.
19:42Eu tava fazendo o colegial nos Estados Unidos.
19:45Teve um sequestro na minha família.
19:47Minha família foi toda morar.
19:48Pelo menos eu e meus irmãos, a gente foi...
19:50Sequestro do meu tio Wellington.
19:51A gente foi pra morar em Miami.
19:54Mais precisamente lá pra cima.
19:56Pra fora do Eteio.
19:56Pra cima lá.
19:57Em Plantation.
19:58E esse meu colégio foi escolhido porque ele tinha aula de teatro musical.
20:02Eu entrei no colégio que tinha uma parte de artes muito forte.
20:05Tanto que eu cantei no Carnegie Hall.
20:08Porque eu entrei...
20:10Eu entrei pro coral do colégio.
20:13Fiz um teste.
20:14Porque lá tinha um coral bem forte.
20:16Lá eles tinham já uma tradição desse coral.
20:20Porque era um coral que ganhava campeonatos pelo mundo inteiro.
20:24Pelo Estados Unidos inteiro.
20:25E aí eu falei...
20:27Cara, se eu não entrar nesse coral...
20:28Porque eu entrei no colégio por causa do coral.
20:29E aí eu entrei.
20:31Fui soprano dois.
20:33A gente fez número um musical na Epcot.
20:36Sempre na Disney.
20:37De convidados pela Disney pra cantar no Natal da Disney.
20:41A gente, junto com as vozes da...
20:43Junto com o estado de Ohio.
20:44Foi escolhida a escola que representava a Flórida.
20:47Nesse concerto no Carnegie Hall.
20:50Legal isso.
20:51Ali que o canto...
20:54Que a aula de época.
20:54Porque a gente tem que aprender a ler partitura.
20:58E cantar lendo partitura.
21:00Então eu comecei a entender essas...
21:01Soprano, one, alto, barítono.
21:05Aí eu falei...
21:05Peraí.
21:06Que legal.
21:07Aí a música foi tomando conta mais do que outras coisas.
21:11E aí eu gravei uma demo.
21:13Brincando mesmo.
21:15De presente de aniversário.
21:16Eu pedi pro meu pai pra entrar no estúdio.
21:18Pra gravar algumas músicas que eu gostava.
21:20E aí papai e mamãe, orgulhosos, começam a mostrar essa demo pra todo mundo.
21:27Gravadora.
21:27Alguém que ele mandou da gravadora gostou.
21:29Os amigos deles de gravadora.
21:31Falou, cara, sua filha tem potencial.
21:33Essa coisa tinha.
21:34Na época, em alta Sandy Jr., Whitney Spears, Christina Aguilera.
21:39Tanto no internacional como no Brasil.
21:41No Brasil só tinha Sandy Jr. ainda.
21:43Nem tinha chegado o KLB na época.
21:45E aí ele...
21:46Meu pai falou, cara, ó.
21:48Tem uma proposta aí.
21:49Tem três gravadoras que estão querendo conversar com a gente.
21:52Que era a BMG.
21:54Na época.
21:55Que depois acabou emergindo com a Sony.
21:58A Sony.
21:59Agora eu não lembro a outra.
22:01Mas eu lembro que eu não queria estar na mesma gravadora que meu pai.
22:03Que era a Sony.
22:04Isso é estranho.
22:05Isso eu achei estranho.
22:06Quando você se lança pela BMG e não se lança pela Sony.
22:11A Sony pra você era muito mais fácil.
22:14Por que você arrumou a encrenca, menina?
22:16Porque eu não queria proteção.
22:20Eu queria, assim.
22:21Se a gravadora quiser me mandar embora.
22:23Não vai ficar com medo de me mandar por causa do meu pai.
22:26Então, meu medo era esse.
22:27Assim.
22:27Como meu pai tinha poder.
22:29E era um dos maiores artistas da Sony.
22:31Óbvio que eu ia ser protegida.
22:33Óbvio que talvez eles fariam as coisas.
22:35Eu não sabia se era real o interesse deles.
22:38Então, o que eu tive que fazer é interessante.
22:41E na época da BMG era o Jorge Davidson.
22:43Que era o diretor artístico.
22:45Que foi um pai pra mim.
22:47Assim.
22:48Dentro da minha carreira.
22:49O Jorge foi muito importante.
22:51Ele apoiou.
22:52Ele deixava...
22:53Ter liberdade ali dentro.
22:55Apesar de ser um produto já com foco muito grande.
22:58Pra ir pra adolescente e tal.
23:00Pra competir com certas pessoas.
23:02Dentro da gravadora.
23:03Ele me deixava muito à vontade.
23:05Muito livre.
23:06E a gente teve a felicidade de escolher.
23:10Dois produtores que eu levei pra minha vida inteira.
23:13Que conseguiram trazer.
23:15Tanto o meu mundo sertanejo.
23:17Que é puxado pelo Country.
23:19De Nashville.
23:20Que é uma coisa que eu gostava.
23:21Que eu gosto muito.
23:22Com a música latina pop.
23:24Então, a gente trouxe o César Lemos.
23:26Que é um capixaba.
23:28César.
23:28De cachoeiro.
23:30César.
23:30César não.
23:31César não.
23:32Um bicho grande aqui.
23:34O César Lemos.
23:35Que eu só descobri que era capixaba depois.
23:38De um tempão.
23:39Porque ele morava em Miami.
23:41E o Jason.
23:43Que é um cara de Nashville.
23:45Que junto com o César.
23:47Oi?
23:49O nome dele é Fábio.
23:51Fábio?
23:53Jason.
23:54O nome dele é Fábio.
23:56Ah, é?
23:57Eu acho que sim.
23:59Eu acho que sim.
24:01Então, tô sabendo agora.
24:03Não, depois eu vou estudar.
24:04Agora eu tô na memória aqui.
24:06Vamos lá.
24:07Que é um americano maravilhoso.
24:09Eu falo que ele é mais brasileiro que a gente.
24:10Ele é muito gente boa.
24:12E ele...
24:12Os dois conseguiram achar essa sonoridade.
24:15Que é o meu trabalho.
24:16É, é verdade.
24:18Aí você lança o primeiro disco.
24:21Você lança o primeiro disco com a base toda vindo de Nashville, os músicos.
24:26Com a mixagem Miami.
24:28Se juntam.
24:29Isso era uma coisa que o César fazia muito.
24:31Inclusive, utilizando essa sonoridade de Nashville, que é bem característica.
24:38Que não é um sertanejo.
24:41É um country folk.
24:43Que dava um charmezinho.
24:45E você se encontra.
24:46Legal.
24:46Você se encontra.
24:47Acertou.
24:48Lançou.
24:49Se achou.
24:50Mas aí, num certo momento, você começa a deixar de ser teen e vira um mulherão.
24:57Aí vira uma mulher de presença.
24:59Não.
25:00Aí se apresenta com dançarinos.
25:03Porque, no meu olhar, tem um negócio meio inverso do americano e do brasileiro com relação
25:09à área que você atua.
25:10Primeiro é o seguinte.
25:11Vamos lá.
25:11Vê se eu estou falando besteira.
25:12O americano, ele tem poucas cantoras de voz de violão.
25:19Meio country.
25:21E muitas cantoras divas.
25:25Vamos dizer assim.
25:26Grandes shows.
25:27No Brasil, não sei se é uma questão monetária.
25:30O inverso é total.
25:32Você tem muito mais cantora de voz de violão, cantando e menos grandes shows.
25:39Grandes espetáculos.
25:39Você entra com grandes espetáculos.
25:42Você entra nessa história com grandes apresentações.
25:47Isso deu para você uma conotação de diva.
25:51Ela também te afasta daquelas pessoas, daquela geração que competiu com você há pouco tempo.
25:58Te dá um diferencial.
26:01E te dá um público novo.
26:03Completamente novo.
26:04Que os outros não tinham.
26:06É por aí?
26:08Sim, exatamente.
26:09Que está com você até hoje.
26:11Que está com você até hoje.
26:12Que você fizer, eles beijam os seus pés.
26:15Não, eles são muito críticos.
26:17É um público que é muito carinhoso.
26:20Mas é o público mais crítico.
26:22Porque é um público que consome.
26:25Então, assim.
26:25Não é um público que consome.
26:27Quando eu falo consome, quer dizer que...
26:29Quando eles gostam de encarte.
26:32É um público que lê o encarte inteiro.
26:34Sabe quem produziu.
26:35Sabe quem fez a edição de moda.
26:37Quem fez a foto.
26:39Eles falam do design.
26:40Então, é um público que fala.
26:41A iluminação está errada.
26:43Entendeu?
26:44É um público muito crítico.
26:45Por quê?
26:46Porque eles estão acostumados a consumir pessoas que fazem esse tipo de trabalho.
26:52Então, eles comparam mesmo.
26:54Não tem como.
26:54Então, é um público que tem que manter um nível de produção que é pancada.
27:01Senão, eles falam.
27:02Está pobre.
27:03Está feio.
27:04Está ruim.
27:06Então, a gente tem que manter sempre um nível muito forte.
27:08Mas é um público que sempre abraçou os meus momentos diferentes.
27:15Porque quando eu tenho essas duas pegadas muito fortes dentro de mim.
27:19Que vem bem comparativo de Zezé de Camargo e Madonna.
27:23Que são duas referências que são antagonistas.
27:26Tipo assim.
27:28Água e vinho.
27:29E eu tento trabalhar essas duas coisas dentro da minha carreira em tempos diferentes.
27:33Às vezes eu misturo.
27:34Às vezes eu separo.
27:35E você vê até num CD um lado A, um lado B diferente.
27:40Às vezes você vê um projeto de X.
27:42Tanto que agora eu lancei um projeto que se chama Fragmentes.
27:44Com uma sonoridade com o César.
27:46Em julho, eu lanço outro projeto com outra sonoridade.
27:49Que é o meu lado mais diva pop.
27:52E eu transito bem nisso.
27:54Porque eu consigo me enxergar fazendo as duas coisas com identidade absoluta.
27:59Porque sou eu.
28:01Então, o público LGBT que me acompanha, ele consegue respeitar e ver tudo isso.
28:06Ele consegue abraçar essas duas coisas.
28:10Dois pontos que eu acho que você coloca com muita clareza.
28:13Primeiro que é...
28:14Se não for verdadeiro, a coisa morre.
28:18Se você não tiver esse lado Madonna verdadeiro e o lado Zezé de Camargo e Luciano verdadeiro,
28:25uma hora os dois afundam.
28:28E isso não acontece.
28:29Porque para algumas pessoas parece que pode vir a aparecer que o fato de você ir aqui e ali...
28:36Porque no Brasil, assim, você faz uma coisa, você faz uma coisa.
28:40Você não pode fazer isso.
28:42Por exemplo, depois da manhã eu vou conversar com o Chai Suede.
28:46Chai Suede é um puta do músico.
28:50Um ator maravilhoso.
28:51Quer dizer que ele não pode ser um grande músico e não pode ser um excepcional ator?
28:55Não.
28:55No Brasil não pode.
28:56Ou você é isso ou aquilo.
28:58Não, pelo amor de Deus.
29:02Mas nós temos a síndrome do cachorro Vila Lata.
29:08Nós somos pequenos.
29:09A gente pensa pequeno.
29:10O brasileiro pensa pequeno no modo geral.
29:12Tem que ampliar esse tipo de coisa.
29:13Tem que ampliar.
29:13Para algumas pessoas, para alguns críticos.
29:16Ah, ela está insegura.
29:18Uma hora ela lança isso.
29:19Uma hora ela lança aquilo.
29:21Você sentiu esse tipo de abordagem do...
29:27Insegura, Edu.
29:28Todos nós somos.
29:29Eu sou insegura para carápolis.
29:31Eu tenho sempre insegurança.
29:33Eu sempre falo.
29:33Será que essa música é boa?
29:35Será que essa música vai ser legal?
29:37Será que eu vou conseguir?
29:38Eu tenho insegurança.
29:39Quando eu piso no palco.
29:40Será que eu vou cair?
29:40Será que eu vou errar?
29:41Será que eu vou fazer errado?
29:43O tempo inteiro.
29:44E a gente tem que vencer as inseguranças.
29:47E hoje eu estou tão tranquila com isso.
29:49Eu acho que é natural.
29:50Tem gente que tem cabeça assim mesmo.
29:52As pessoas precisam ter um norte.
29:54Ah, a Vanessa é rosa.
29:58A Vanessa é rosa.
30:00Aí eu vou lá e fico de amarelo.
30:01Não, Vanessa.
30:02Você é aqui.
30:03Está tudo bem.
30:04Tem gente que é limitada.
30:06Agora, não é porque o outro é limitado que eu vou ser.
30:09Então, eu fico muito feliz em poder ser feliz no meu trabalho.
30:13Fazer o que eu gosto.
30:15E como é que eu vou negar o que eu sou?
30:17Eu não posso.
30:19Eu simplesmente sou.
30:20Então, é óbvio que talvez por eu ser diferente disso tudo,
30:24eu vou acar com a consequência.
30:26Talvez abrir caminhos para que outros venham e possam fazer mais,
30:30possam ser multifacetados e ter vários estilos diferentes.
30:34Eu adoraria falar que eu sou uma coisa e eu sou isso.
30:37Eu sei muito bem isso.
30:38Não, porque eu me sinto bem sendo tudo isso.
30:42Então, ao mesmo tempo que eu gosto de Nirvana, eu choro e eu me acabo.
30:45Tem anos que eu ouço a Sarah Brightman chorando.
30:49Entendeu?
30:49Então, eu tenho essa abertura e isso na vida me fez ser uma pessoa muito aberta.
30:56Para tudo.
30:57Não só para a música, mas para entender diferenças, para entender pensamentos diferentes.
31:03Então, eu sou aquela pessoa que sempre harmoniza, sabe?
31:05Põe as partes falando.
31:06Por isso que eu falo que eu devo ser psicóloga.
31:09Porque eu sou uma pessoa que sempre tenta colocar todo mundo em comunicação, sabe?
31:12Porque a gente não precisa dividir, a gente não precisa ser uma coisa só.
31:15A gente não precisa gostar de uma coisa só.
31:17Se definir com o estilo.
31:19A gente quer pertencer demais.
31:21A gente já pertence.
31:23E a gente vai criando grupinhos.
31:26Porque parece que a gente está solto no mundo.
31:28A gente nunca está solto no mundo.
31:30A gente já pertence à raça humana.
31:32Então, já para mim, a minha cabeça vai muito além disso.
31:35E eu sou assim no trabalho.
31:36E eu tive que tomar a coragem de ser quem eu sou.
31:41De assumir que eu sou essa metamorfose ambulante.
31:46Não, perfeito.
31:48Gostou.
31:50Quem não entendeu e quiser criticar a vida inteira, vai criticar.
31:54Eu acho que isso fica mais fácil para você com você mesma.
31:57É porque você casou com um cara legal.
32:00Você tem dois filhos.
32:02Isso tudo muda a vida da gente.
32:04Porque você tem um bom parceiro.
32:06Quando você tem crias dentro de casa, a sua relação com o seu trabalho.
32:10Se você fosse gerente de um banco, presidente de uma empresa, o fato de você ter casado e de você
32:16ter dois filhos, já mudaria a sua relação com os funcionários desse banco e os empregados dessa empresa.
32:22Isso não muda para a música, para a arte.
32:24A maturidade te traz encontrar novos caminhos, novos rumos.
32:29Aí eu sinto falta de alguma coisa na sua carreira.
32:32Eu sinto falta, olhando o seu todo.
32:34Eu sinto falta de um acústico seu.
32:38Nossa, a gente estava agora aqui falando disso.
32:42Aí o Cláudio, meu cara, falou...
32:44O Matos tem uma música que o Matos pediu para cantar agora, que a gente estava aqui cantando, que chama
32:48Eu Estarei Aqui.
32:49Aí a gente estava aqui e ele falou, cara, por que você não faz um acústico dessa música no violão?
32:53E os fãs têm falado muito isso.
32:56Pode.
32:56Trazer realmente um acústico.
32:58Na live que eu fiz, nessa live de quarentena que eu fiz, deu para sentir um pouquinho esse clima.
33:03Eu gostei.
33:04Algumas músicas eu consegui trazer essa linguagem para o acústico.
33:08Porque, obviamente, a gente não tinha uma formação de banda gigante.
33:10Estava só com a bateria e com a guitarra.
33:13Utilizamos o Pro Tools para algumas coisas lá que a gente tinha.
33:16E algumas coisas não tinha Pro Tools.
33:17E ficou só no violão.
33:20Então foi muito divertido poder ver.
33:21Porque eu gosto de cantar também com essa coisa bem quieta, sem dança, só voz.
33:29Então tem um lado que eu amo, que é quando eu dou o foco só para a voz, para a
33:34interpretação,
33:35para a respiração, para a técnica, para o sentimento.
33:38Aí você fecha os olhos.
33:40Amo.
33:41Eu acho que eu tenho que dosar isso bem.
33:43Tem show que não dá para fazer isso.
33:44Porque aí eu jogo para bandão, dança, luz, pá, pá, pá.
33:49Figurino, maquiagem, cabelo.
33:51Eu adoro.
33:53Então acho que dá para fazer as duas coisas.
33:55Dá para ir.
33:57Acho que chegou o momento de você usar essa maturidade que você tem hoje,
34:02que é a presença de palco, a maturidade humana,
34:04com aqueles elementos que lá atrás você ouvia.
34:08Que não deixa de ser o folk, os violões, o bacholão, as cordas.
34:14Eu acho que daria um fuda do material.
34:17Lindo.
34:18Fazer um tchelo.
34:19Ah, na música romântica.
34:21Eu ainda vou colocar um tchelo.
34:24Semana que vem eu estou falando com o Jacques Morenenbaum,
34:27que é um dos maiores mestres do violoncelo no mundo.
34:30É Jacques Morenenbaum que tocou com Sting, com Tom Jobim.
34:36É um cara para você chamar.
34:38Mas ele não mora aqui, né?
34:40Ele não mora aqui.
34:41Mora, mora em São Paulo.
34:42Mora aqui.
34:43É um cara...
34:44Você precisa conhecer esse cara.
34:46Jacques Morenenbaum.
34:47Tocou 10, 12 anos com Tom Jobim.
34:50Depois ele passa o contato dele, o contato dele.
34:55Não, no dia 11 de setembro, dia das torres,
34:58ele estava gravando com Sting, o DVD do Sting.
35:01Se você vê o DVD do Sting,
35:03o primeiro cara que aparece é Jacques Morenenbaum com cello,
35:05com violão.
35:06É uma torrada.
35:07Depois eu te passo esse detalhe aqui, que é legal.
35:10Agora, você e César, juntos,
35:16trouxeram ótimos resultados.
35:17É uma cinturinha legal.
35:19César me confidenciou,
35:21e eu vou botar o nome dele na roda aqui,
35:23que você tem...
35:24Eu liguei para ele hoje.
35:26César, eu não sou bobo nem nada.
35:28César, eu vou conversar com a Vanessa.
35:31Me dá um bisu.
35:33Aí ele me disse um negócio que eu achei sensacional.
35:36Que você é uma pessoa que é compositora nata.
35:41Olha, ela grava as coisas, a harmonia.
35:44Ela grava as harmonias.
35:45Então, ela chega sabendo o que ela quer.
35:47Ela, olha, a música é assim...
35:50Aí começa a cantarolar para a pessoa.
35:53Parece que você grava isso, porque tem horas gravadas.
35:57Conta para a minha história, que eu achei muito interessante isso.
36:00É uma honra ouvir isso dele.
36:02Eu sempre tive muito receio, Edu, de compor.
36:05Mais do que de cantar.
36:07Eu tinha muito receio, porque eu tenho em casa um mestre.
36:12Então, tudo que eu escrevia, parecia muito...
36:15Eu ficava...
36:16Ai, meu Deus.
36:17Como é que eu tenho coragem de escrever?
36:20Quando eu ouço esse negócio que meu pai escreve...
36:24Tipo, vai ser comparação o tempo inteiro.
36:26Tipo, eu não vou chegar nunca no nível.
36:28Eu ficava me colocando nesse lugar.
36:31E sempre ficava com receio.
36:33Então, eu compunha assim, muito, pouquinho.
36:35Quando ele me chamava.
36:36Vamos fazer a versão dessa música.
36:38Então, eu comecei como versionista.
36:40Porque aí, versão, eu consigo fazer mais tranquilo.
36:43Porque aí, é uma responsabilidade.
36:45Já estava o assunto.
36:46Eu só tenho que colocar a ordem nas coisas.
36:50E aí, o César, quando a gente estava num...
36:52Sei lá, anos atrás.
36:55A gente estava querendo fazer alguma coisa diferente.
36:58E ele foi a primeira pessoa que, assim, sentou comigo.
37:01E trabalhou comigo.
37:02A composição.
37:04Falei, vamos fazer música.
37:05E aí, comecei a descobrir que eu tinha...
37:08E eu sou mais melodista.
37:10Talvez pelo receio de escrever.
37:12Que o meu pai escreve.
37:13Pra mim, foi mais natural virar melodista.
37:16Então, por isso que eu falo melodia.
37:17Porque eu chego com melodias o tempo inteiro.
37:19Você põe o violão e começa a inventar uma melodia.
37:21É um atirar em paludar todo dia, sabe?
37:23Assim, tipo, vai indo.
37:25E aí, eu falei, carápolis.
37:27Que gostoso.
37:29Que pena que eu segurei tanto tempo.
37:32De abrir esse canal de criatividade.
37:34Que existe dentro de mim.
37:36E que eu tinha tanto receio.
37:38Então, nesse projeto novo, por exemplo.
37:40Todas as músicas são composições minhas, praticamente.
37:43E tem um outro gosto.
37:45É um outro gostinho.
37:46Então, eu estou agora com...
37:49Desculpa, desculpa te interromper.
37:50E ele disse pra mim que não é coisa fraca.
37:54É forte.
37:54Que é bonito.
37:56Que é bacana.
37:57Que ele fica surpreso.
38:00E que você tem que colocar mais pra fora.
38:02Bota isso pra fora, menina.
38:03Isso é ótimo.
38:04Eu preciso colocar mais.
38:06A dificuldade que eu tenho, realmente, de fazer...
38:09É porque eu sempre gosto de fazer com parceiros.
38:13Por quê?
38:14Porque eu gosto muito...
38:15Eu toco piano.
38:16E eu faço as minhas melodias mais no piano.
38:19Só que piano, você não carrega pra tudo quanto é lugar.
38:23Tecladinho.
38:24Eu não consigo levar nenhum instrumento.
38:26Então, eu adoro compor com gente que toca violão.
38:29Então, quando eu tenho meus parceiros.
38:30Que é o César.
38:31O Mr. Jam.
38:33Quando eu sinto com a Lia Soares.
38:35Que é uma grande parceira minha hoje.
38:37Quando eu sinto com eles.
38:38Eles estão lá no violão.
38:40Eles fazem fá.
38:42Aí eu já vou.
38:43Então, assim funciona muito pra mim.
38:46Então, eu preciso dessa junção.
38:48Eu fico mais segura.
38:50Eu gosto mais.
38:51E com cada parceiro que eu faço.
38:53Sai uma música completamente diferente.
38:55Você vê como eu sou...
38:56Tipo, eu já consegui fazer rock.
38:58Rock, rock.
39:00Progressivo com a Lia.
39:01Coisa que eu nem entendi.
39:02Lia, isso aqui é pra beat.
39:04Não é pra mim.
39:06Isso aqui é pra Lua Santana.
39:08Isso aqui a gente faz muitas vezes.
39:09Que nem é pra gente.
39:11Então, tem sido muito gostoso.
39:13Fazer isso.
39:14Fiquei orgulhosa de ouvir que o César falou isso.
39:18Mas você não pode fazer e mostrar.
39:20Na hora da quarentena.
39:20Não vai dar pra compor com ninguém.
39:22Eu tô aqui presa sem compor.
39:26Mas você não pode fazer e mostrar pra essas pessoas.
39:29Porque, de repente.
39:30É um caminho de compositor.
39:32É muito legal.
39:33É, eu faço isso às vezes.
39:34Eu mando uma melodiazinha, um pedaço de alguma ideia.
39:37Pra alguém desenvolver a outra quando eu tô emperrada.
39:40Às vezes eu tenho umas letras já.
39:42Umas ideias prontas.
39:43E vai indo.
39:45Você falou uma coisa que eu tava até precisando mesmo.
39:48Outro dia eu tava com falta.
39:49Eu falava assim.
39:50Gente, que saudade.
39:52Que saudade de sentar aqui com meus amigos e compor.
39:56Se tem uma coisa que eu tô sentindo falta.
39:57Eu troco qualquer festa.
39:58Qualquer show.
39:59Qualquer balada.
40:00A minha diversão.
40:01Como é que você se diverte.
40:03É quando eu chamo meus amigos, meus parceiros pra compor.
40:07E a gente fica madrugada inteira.
40:09É pra mim a melhor festa que tem, assim.
40:11Não tem preço.
40:12Mas você não grave.
40:13Pode ser que você nunca grave a música.
40:14Mas fazer música.
40:16É como se estivesse saindo coisas de você, sabe?
40:20Tem músicas que, às vezes, nunca vão ser hit.
40:23Mas que é tão...
40:25É quase um desabafo.
40:28Algo que você sabe jogar pra fora.
40:30Então eu gosto muito.
40:32É, imagino.
40:32Eu acho que eu gosto, talvez, até mais do que cantar.
40:37Nosso tempo tá...
40:38Já estamos entrando na reta final da nossa conversa.
40:40Eu queria falar um pouco de família.
40:42Queria que você falasse...
40:44Porque você tem um marido que é muito bem-sucedido no que ele se propôs a fazer na vida.
40:49E vem de uma família comercialmente muito forte.
40:55Eles sabem fazer essa brincadeira do comércio.
40:57Eles não são bobos.
40:58Os boais, no Espírito Santo, tem uma conotação de qualidade.
41:06É uma história muito bacana.
41:08Uma história de formação de empregos.
41:12Sabe?
41:12Uma série de coisas.
41:14Aí você tem dois filhos.
41:16Que naquela...
41:17Numa idade que se você olhar pra você...
41:20É lógico que o mundo muda.
41:22E o conforto que eles têm hoje...
41:25Provavelmente eles vão se decidir.
41:27O que vão fazer na vida.
41:29É muito mais na frente do que você decidiu, do que eu decidi.
41:33Porque o meu sapato apertava.
41:35O seu sapato apertava.
41:36E você tinha que sambar.
41:38Eles estão de sandália.
41:40Nós tivemos sapato com o número anterior, né?
41:44O meu sapato era mais apertado porque era o sapato do meu irmão.
41:48A mesma coisa pra você é mais apertado.
41:50Então eles estão em conforto.
41:51Legal.
41:52O meu era furado.
41:52Mas dá pra ver.
41:53É.
41:54Dá pra ver.
41:55Eu tinha um sapato na escola que eu morria de vergonha.
41:56Minha mãe colava com cola quente.
41:58Aí o sapato aparecia com o flap dela.
42:02Que ele abria assim a boca e ficava...
42:05Jacaré.
42:07Morria de vergonha.
42:08Mas era o que tinha.
42:09Não tinha jeito.
42:11Vamos pra frente.
42:12Você já percebe nos meninos alguma possibilidade artística?
42:18Ou alguma tendência comercial, industrial, empresarial?
42:22Você já percebe?
42:23Um é mais líder.
42:24O outro é mais sentido.
42:26Um é mais durão.
42:27O outro é mais amoroso.
42:30Não.
42:31Eles já têm as personalidades próprias.
42:33Eles estão criando, lógico.
42:35Porque eles estão num momento que eu acho que até os sete anos, a criança é muito esponjinha.
42:39Então ela é muito repetição, né?
42:41Ela repete.
42:42Ela repete o que ela vê num vídeo, na família.
42:45Então eu já percebo ali que, por exemplo, o José, que fez oito anos, ele já começou a criar as
42:54ideias dele.
42:55As coisas dele.
42:56Que não são mais repetição.
42:58Ele já tá se tornando um ser crítico.
43:02Que é muito importante.
43:03Que é o que eu mais trabalho com meus filhos.
43:05É a habilidade de ser crítico com a vida.
43:10É de olhar, de se questionar, de não ser gado, sabe?
43:14De não ir atrás dos outros.
43:17Então a coisa que eu mais faço com meus filhos é isso.
43:19Deixo super solto.
43:20Aí o José, como um bom menino da idade dele, disse que vai ser gamer.
43:25Que vai criar gamer.
43:27Isso que vai.
43:27Eu falei, meu filho, se dá dinheiro mesmo, vai embora.
43:29Tá dando dinheiro.
43:30Que vai criar jogos.
43:32E ele passa, sabe, todo dia criando jogos.
43:35Ele escreve os joguinhos.
43:36Desenha muito bem.
43:38Afinadíssimo.
43:39Mas já falou outro dia pro avô dele, pro Seu Américo.
43:42Ele falou assim, ó, avô, fica tranquilo.
43:43Que eu não vou ser dupla, tá?
43:46Eu falei, como assim?
43:47Que preconceito é isso com cantores?
43:51Quis dizer pro avô, tipo assim, ó, vou seguir a linha empresário, não vou cantar e tal.
43:56Já o João, outro dia, queria fazer live.
43:59Seis aninhos.
44:00Mamãe, eu quero fazer uma live igual a sua.
44:02Quando que eu posso cantar?
44:03Só que ele é desafinado, tadinho.
44:06O João é muito desafinado.
44:08Ele é desengonçado, mas é nossa estrelinha.
44:11Ele é muito social.
44:13Fala com todo mundo.
44:14Ele é o palhacinho da família.
44:16Ele brinca.
44:17Ele tira uma risada de qualquer pessoa.
44:20Ele consegue.
44:21Ele tem a saúde de animar.
44:22E o José é mais sério.
44:24Vai ser mais empresário.
44:26Então, eu não sei, assim.
44:27Tá muito na mão deles.
44:28O que eu quero que eles façam é exatamente isso.
44:30Que eles tenham capacidade de pensar por eles mesmos.
44:34Sabe?
44:35De perguntar.
44:38Não é porque a mamãe tá falando que é o certo.
44:40Se questiona também.
44:42Mamãe não sabe tudo.
44:43Papai não sabe tudo.
44:44A gente não tá certo o tempo inteiro.
44:47Então, essa época que eles estão, né?
44:49Essa geração que segue o youtuber.
44:51Eles já veem os youtubers e todo dia.
44:54Aí, outro dia, ele veio e copiou uma opinião que eu sabia que não era dele.
44:58Ele falou assim, esse filme aí foi um...
45:02Como que eles falam hoje, gente?
45:04Flop.
45:05Flop.
45:05Esse filme foi um flop.
45:07Eu falei, qual filme, filho?
45:09Ah, tal.
45:10Aí, é, porque não...
45:11Falei, mas peraí.
45:13Você viu o filme?
45:14Ele, não, mas...
45:15Quem falou que é um flop?
45:17É.
45:18Eu vi no...
45:19Aí, eu falei, vamos lá.
45:21Vou te mostrar várias coisas que são flops.
45:23E que fizeram uma diferença na vida da mamãe.
45:27Sabe aquele filme e tal?
45:28Aí, eu mostrei pra ele um exemplo bem...
45:29O que você acha daquele filme?
45:31Nossa, mãe, aquele filme...
45:33Pois é, esse filme foi péssimo.
45:35Não ganhou dinheiro.
45:36Foi flop.
45:38Mas ele foi flop pra você?
45:39Ele, não, mãe.
45:41Então, não acredita.
45:43Porque outra pessoa falou.
45:46Entendeu?
45:46Não existe flop.
45:48Não existe.
45:49Existe quantidade.
45:50Ah, um filme teve mais gente.
45:51Outro filme teve menos gente.
45:53Mas é você que decide o que pra você dá certo e pra você não dá certo.
45:56Aí, ele começou a se olhar, a se questionar.
45:59Falei, não fica indo na onda desses meninos aí.
46:01É que eles estão...
46:01Então, eu trabalho isso porque eu não posso proibir.
46:04Eu não vou ter como impedir, meu filho, de viver a geração dele.
46:08Eles vão ser influenciados por youtuber.
46:12A não ser que eu esconda eles numa cabaninha e falam.
46:14Eu trancar.
46:15Não tem internet.
46:16Não tem nada.
46:16Eu não vou conseguir.
46:18Então, se eu desenvolver um bom senso crítico e conseguir ajudá-los nisso,
46:23eu fico mais tranquila que eles vão estar nesse mundo de uma forma construtiva e sabendo criar.
46:31Eu quero que eles sejam autores da vida deles, autores que possam co-criar nesse mundo, contribuir,
46:38serem pessoas pensantes, seres que atuam e que não sejam gado.
46:42Mas eu quero isso.
46:44Quero te desejar o maior sucesso no mundo, no Espírito Santo, que você passe dias maravilhosos aqui,
46:50que essa pandemia acabe logo, que essa coletânea termine e que você fique apaixonado ao ponto de ficar próximo do
46:57lado voais da família, né?
46:59Esqueça um pouquinho os camargos e caia mais pro lado dos voais.
47:03E aí venha passar um período com a gente aqui, viver um pouquinho nessa cidade maravilhosa, que é linda e
47:09espetacular.
47:10Edu, eu vou dizer um negócio. Eu tenho duas cidades que são...
47:14É Goiânia, né? Eu tenho carinho demais na minha cidade.
47:16Eu nasci com São Paulo, que me recebeu e me criou.
47:20E agora, Espírito Santo, que eu...
47:23Meus filhos têm sangue capixaba.
47:26E é um lugar que, sinceramente, eu nunca recebi tanto carinho no lugar.
47:30É, a cidade... As pessoas são maravilhosas.
47:32As pessoas que são humildes, não da minha família, dos amigos, não.
47:36Né? Mas é de todos aqui.
47:38A gente chegou, tinha um monte de presentes pra gente.
47:41Flores, coisas das empresas, de lojas.
47:43E, gente, que coisa mais linda.
47:46É um lugar muito especial, Espírito Santo.
47:49É, bem-vinda.
47:50O Brasil precisa conhecer mais. O Brasil precisa conhecer mais esse lugar.
47:54Porque, gente, é um lugar lindo.
47:57Hoje, você é a entrevista de número 85 que eu tô fazendo.
48:02Hoje.
48:02Ó, 85ª entrevista.
48:0485 dias eu tô trancado dentro de casa fazendo isso.
48:07Que tal!
48:08E, por incrível que pareça,
48:10você é a primeira que eu estou fazendo no Espírito Santo.
48:13Olha que loucura, né?
48:14É a primeira que eu estou fazendo.
48:16A pessoa do outro lado está no Espírito Santo, né?
48:19Então, pra mim, foi uma honra.
48:21Inclusive, César também estará com a gente.
48:25César Lemos, o seu produtor, vai vir com a gente.
48:27Eu quero ver também.
48:28Eu não sei.
48:28Eu te aviso.
48:29Eu te aviso.
48:30Mando um WhatsApp pra você.
48:32Muita saúde pra você.
48:33Um beijo na família.
48:35Saiba que eu os amo demais.
48:38E eu não tô...
48:39Eu sou admirador dessa família que você se aprechegou.
48:44São pessoas maravilhosas.
48:46E que eu devo muito, profissionalmente.
48:49Agradecimentos enormes a eles todos.
48:51E a você, o maior sucesso no mundo.
48:53Se você puder abrir o seu baú e encaixar mais sucesso.
48:56Tá, minha amiga?
48:58Edu, obrigada.
48:59Um beijo pra você, pra sua filhota.
49:02Um beijo pra todos vocês.
49:03Espírito Santo, muito, muito, muito obrigada.
49:05Quem tava aqui com a gente.
49:06Que eu não pude nem...
49:07A gente falou tanto.
49:08Falei tanto que eu sou uma maritaca e não paro de falar.
49:10Que eu nem mandei beijo pra vocês aqui.
49:12Que acompanhou a gente.
49:14Um grande beijo pra vocês.
49:16E só pra lembrar que, ó...
49:17Acho que...
49:18Daqui a pouco eu vou lançar o Fragmento Sport 3, gente.
49:20Tá lá no YouTube, tá?
49:23Um beijão.
49:24Beijo, Edu.
49:25Fica com Deus.
49:25Obrigada.
49:26Tchau.
49:27Muita paz.
49:27Tchau.

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