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  • há 14 minutos
Gilmar passou 2 anos tentando provar na justiça que ele não tinha envolvimento com o tráfico de drogas.

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Transcrição
00:00Presta bem atenção para tudo que você está fazendo aí, presta atenção em mim, olha só.
00:04A gente vai contar uma história que certamente daria um filme.
00:08Imagine você aí de casa ser preso por engano e viver dias horríveis dentro da cela.
00:14Triste, né?
00:15Foi o que aconteceu com um confeiteiro de Cariaci, que ele passou dois anos tentando provar na justiça
00:21que ele não tinha nenhum envolvimento com tráfico de drogas.
00:25O nome dele está aqui, ó, gente, ele está aqui com a gente, Gilmar Ribeiro Paim,
00:30que passou os piores dias da sua vida dentro de um presídio, né?
00:35Isso, Gilmar, boa tarde.
00:36E ele está aqui junto com a família acompanhando para essa entrevista aqui no Fala Espírito Santo.
00:41Boa tarde, obrigada, viu?
00:42Boa tarde, você e a todos que estão acompanhando o programa.
00:45Fala para a gente, como é que foi que tudo aconteceu?
00:47Explica para o pessoal de casa.
00:49Começou você perdendo os documentos, foi isso?
00:52Foi, começou em 2002, que eu pedi meus documentos, entendeu?
00:56Aí lá em São Mateus, onde eu morava.
00:59Aí eu resisti o boletim de ocorrência na época.
01:02Só que naquela época não tinha computador, era tudo na máquina.
01:06Essa ocorrência batia tudo em máquina.
01:08Só que algumas coisas salvou, outras não.
01:12Aí foi nessa época que acharam meu documento.
01:15Acho que o traficante usou meu nome.
01:17Usou seu nome, o nome do seu pai, o nome da sua mãe?
01:20Minha mãe.
01:20Estava ali tudo de bandeja para ele, né?
01:22Tudo de bandeja.
01:23E aí, como que foi, né?
01:26Por que o traficante se passou por você?
01:29Ele foi preso, não é isso, num táxi?
01:31Na verdade, na época ele foi preso.
01:33Foi ele, mas dois compasso dele.
01:36Só que depois ele conseguiu fugir.
01:39Ele fugiu...
01:40Ele fugiu da delegacia?
01:41Isso.
01:42Aí, como ele deu meu nome, eu fiquei sempre procurado, sem saber de nada.
01:47Foi aí que, em setembro, agora, em 2019, chegou o mandato de prisão lá em casa para mim.
01:53Não, para tudo, gente.
01:55Como é que você está lá na sua casa?
01:56Você estava onde?
01:57Você estava voltando do banco?
01:58Eu estava no banco.
01:59Você estava no banco?
01:59Aí, minha esposa ligou para mim, que tinha três homens querendo falar comigo em casa.
02:05Aí, ela colocou com ele, eu para falar com eles.
02:07Eu perguntei a eles o que se tratava, né?
02:09Falou que era do INSS.
02:11Tinha umas folhas lá para me assinar.
02:13Só que, no momento, quando eu cheguei, foi uma surpresa.
02:17E aí, conta para a gente, a esposa do senhor Gilmar está aqui participando com a gente,
02:22a Maria, não é isso?
02:23Maria, como é que foi quando chegaram lá na sua casa, com o mandado de prisão para
02:28o seu esposo, por tráfico de drogas?
02:30Como é que foi receber essa notícia?
02:32Horrível, né?
02:33Quando ele chegou, ele chegou falando, procurando por ele, falando que era do INSS.
02:40que o INSS com a empresa tinha que sempre comparecer na casa do funcionário para ver
02:46como é que está o dia a dia.
02:48Até no entanto, até antes dele chegar, eu estava ciente que se tratava do INSS.
02:53Quando ele chegou, foi que ele falou que queria fazer umas perguntinhas para ele, algumas
02:59coisas, e foi aí que ele veio falar, que era da justiça, que tinha mandado de prisão
03:04para ele.
03:05Tráfico de drogas, o que passou na sua cabeça, Maria?
03:09Chegou até suspeitado o seu marido mesmo ou não?
03:11Já conhece muito bem a índole dele?
03:13Não, em momento nenhum.
03:16Porque eu vivo com ele já há 17 anos, conheço muito bem o marido que tenho, e isso aí
03:24para a gente foi um choque, né?
03:25Porque você está em casa, você leva uma vida inteira com uma pessoa do seu lado, conhecendo
03:32ele, a família dele todinha, e de repente chega um mandado de prisão dizendo que ele é
03:37traficante.
03:39E aí foram sete dias trancado dentro de uma cela.
03:44Como é que isso foi viver lá dentro?
03:46Foi horrível.
03:47Fala para a gente as sensações, o que acontecia ali dentro.
03:51Foi, para mim foi a pior parte da minha vida, o pior sete dias da minha vida foi aquele
03:55momento, cheguei lá no presídio já de manhã, entendeu?
04:00Da delegacia de Cobilândia eu fui para a DHPP, fiz corpo de delito, aí chegou lá, pegou
04:06a gente, colocou no carro, superlotado, levou para o presídio de Viana.
04:12Aí no outro dia fomos fazer ficha, ficha criminal e tudo, raspou a cabeça.
04:18Aí levou para a cela no meio de vinte e um detentos.
04:21Vinte e um detentos?
04:23A cela era capacidade para doze, tinha vinte e um.
04:26Ou seja, superlotação e você ali enfrentando como se fosse um criminoso.
04:29Isso, como se fosse um criminoso.
04:32Aí ali no meio daqueles presos ali, entendeu, embolado.
04:36A única coisa que eu peguei, me deram para uma bermuda, uma camisa, um lençol, uma toalha
04:40só.
04:40Dormiu no chão?
04:41Dormia no chão, a cama de pedra lá, entendeu, que não tinha colchão.
04:44Colchão é só para aqueles, que chega primeiro lá é doze, né, os doze tem colchão, agora
04:49o restante ninguém tem.
04:51Porrava, dormia embolado em cima do outro ali a noite toda.
04:55Só para a gente abrir um parênteses aqui na nossa entrevista, ó, aqui está o irmão
04:59do Gilmar, que é o Vilmar, a esposa Maria, né, o Gilmar que foi preso injustamente e
05:07está todo mundo aqui sem máscara, gente, porque pertence ao mesmo núcleo familiar,
05:12né.
05:12E aí, aproveitando agora para falar um pouquinho com o irmão, o Vilmar, como é que foi perante
05:17a vizinhança?
05:18De repente o Gilmar foi preso, como é que foi enfrentar isso?
05:23Boa tarde, eu moro em São Mateus, aí tipo assim, aí foi uma surpresa para a gente,
05:28né, porque nós nunca tínhamos convivido com uma injustiça dessa.
05:32Então os amigos da gente perguntaram lá o que tinha acontecido, a gente falamos, e
05:36tipo assim, foi uma luta doida, porque nós tínhamos acabado de perder nossa mãe.
05:41Então foi muito difícil.
05:43Tipo assim, eu agradeço a Deus para as pessoas que oraram pela gente, para vocês que estão
05:47dando oportunidade para nós.
05:50e tipo assim, um pai de família foi preso injustamente e que o responsável seja punido,
05:56né.
05:57E outras pessoas que estão passando no mesmo momento que ele passou, que não desexiste
06:02não, bate na porta, porque a justiça dá até falha, mas de Deus não falha.
06:06Uma hora ela vem.
06:07E olha só, gente, o processo do Gilmar, segundo o advogado que cuidou do caso dele,
06:12tinha muitos erros, e erros graves que poderiam levar à condenação do Gilmar, mesmo ele sendo
06:19inocente.
06:20Então a gente conversa agora pela internet com a advogada que faz parte, né, uma sociedade,
06:26a Kelly Cristina Andrade.
06:28Boa tarde, Kelly.
06:29Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
06:32Foram erros graves, né, Kelly?
06:35Boa tarde, sim, erros gravíssimos.
06:39O que que você identificou desde o início, né, onde começou o erro?
06:44Na identificação civil do responsável pelo crime, né, que foi o Ronaldo.
06:50Em 2002, assim que ele foi preso, ele foi submetido a exame de papiloscopia, que é aquele
06:56que colhe as digitais, para verificar se ele realmente era quem ele estava falando que
07:01era.
07:01Bom, o acusado, né, que era quem foi responsável pelo tráfico de drogas lá, que foi autuado
07:07em flagrante, ele se apresentou como sendo Gilmar, e não apresentou nenhum documento, só
07:13informou que o nome dele completo era Gilmar, como Gilmar, que está sendo ouvido aí nessa
07:18tarde.
07:18E, com isso, ele se identificou, né, de forma errônea.
07:24A polícia levou ele ao exame de papiloscopia, pegou os digitais dele, mas não pegou o resultado
07:32do exame.
07:33Então, foram 17 anos que a ação ficou tramitando sem identificar precisamente quem era acusado.
07:39E isso é um absurdo, né?
07:41Em 2019, o Gilmar veio a ser preso sem que nem soubesse que existia uma ação penal contra
07:47ele, sem ter feito nada de errado.
07:50E aí, então, foi feito o mesmo exame com o Gilmar, de papiloscopia, colhidas as digitais,
07:56e verificou-se que eram diversas daquelas que foram colhidas pelo responsável pelo crime
08:00em 2002.
08:02Agora, não foi feito nem o exame?
08:04E aqui, não tem também nenhuma foto, nenhum registro e imagem, gente?
08:10Não.
08:11O criminoso, ele somente disse que o nome dele era Gilmar, passou o nome completo, passou
08:16uma data de nascimento diversa do Gilmar, e, com isso, ele foi levado à delegacia de
08:21lá e fugiu, como foi relatado muito bem pelo senhor Gilmar.
08:25E, depois que ele fugiu, a polícia não se preocupou, e nem o judiciário, em pegar
08:30o resultado do exame de papiloscopia, né?
08:34Então, nunca houve uma identificação precisa de quem era aquele homem.
08:40E, de repente, o Gilmar foi surpreendido, como ele relatou, com um mandato de prisão,
08:44sem que tivesse feito nada, que aí veio estruturar toda a sua vida, sua rotina, atingiu não só
08:51ele, mas toda a família, todo o núcleo familiar.
08:53E vocês conseguiram o relaxamento da prisão, né?
08:57Depois de sete dias, ele relatando aqui pra gente de tudo que ele viveu, né?
09:02Sim, exatamente.
09:03Foram sete dias, né?
09:05A atuação da área criminal do nosso escritório conseguiu o alvará de soltura pra ele, mas
09:11comprovando que a pessoa que praticou o crime não era o Gilmar.
09:15Fizemos o trabalho que deveria ter sido feito pelo judiciário e pela polícia desde 2002.
09:20Certo.
09:20E aí, Gilmar, como é que foi, então, vocês conseguiram, né, esse relaxamento na prisão?
09:28Como é que foi viver de 2019 até agora?
09:32Pra mim, foi a mesma coisa.
09:34A partir do momento que eu saí de lá, eu já saí, continuei sendo um bandido pra eles,
09:39que eu tava respondendo, mas de verdade.
09:41Todo mês tinha que ir no foro assinar, todo mês não podia sair.
09:45Não podia viajar?
09:47Não podia ir pra lugar nenhum.
09:48Inclusive, a gente tinha uma viagem marcada pra casa da mãe dela, lá no Ceará, minha sogra.
09:53Cancelou tudo, parou tudo.
09:55E pra onde você ia?
09:56Pra onde você andava?
09:58Você tinha que andar com o documento com o alvará?
09:59Tinha que andar com o alvará.
10:01Dentro da Bíblia, ia pra igreja o alvará dentro da Bíblia, ia no supermercado dentro da Bíblia.
10:06A minha família ficou tão traumatizada, quando eu saía de casa, eles perguntavam logo,
10:11tá levando o alvará?
10:12Tô levando.
10:14Isso envolveu não só o Gilmar, como toda a família, né, Maria?
10:17Verdade.
10:18Toda a família sofreu junto, né, porque a partir do momento que atinge um, afeta todos, né,
10:25porque é um convívio ali dentro de casa, aí de repente desmorona de um lado, aí como
10:32que você fica, não tem, não existe chão.
10:35Você tenta se reerguer da melhor forma pra poder sustentar a outra metade que fica, né,
10:42pra não cair tudo de uma vez, sempre alguém no meio.
10:46E vocês têm filhos, não é isso?
10:48A gente fica imaginando o sofrimento dos filhos, né, como é que foi pros filhos receber
10:53a notícia, o pai tá preso, agora sai, mas vai responder por um crime que não cometeu?
10:59Quando eles chegaram lá atrás dele, que falaram que era o INSS, elas já ficaram cismadas.
11:07Aí quando ele falou que era oficial de justiça que ia levar eles presos...
11:11Qual foi a reação?
11:12Acabou o mundo.
11:14Uma agarrou no pescoço dele pra não levar, a outra pegou nas pernas.
11:20Qual era a idade delas na época?
11:21Na época, deixa eu ver, era 16, né?
11:26Adolescentes.
11:27Adolescente, criança ainda.
11:28Aí a, tipo assim, a menor, ela, da porta até na saída da rua, ela foi arrastada,
11:35porque ela agarrou nas pernas do pai dela pra não levar.
11:38Aí quando eu tirava uma do pescoço dele pra soltar, a outra, como não tinha como eu
11:44segurar tudo ao mesmo tempo, a outra segurava pelas pernas.
11:47Eu precisei gritar na rua pedindo socorro pra alguém me ajudar a segurar elas.
11:52Gente, imagina o trauma que fica pras crianças, né, que tão aí entrando na adolescência,
11:57os amiguinhos da escola, o que que não falavam do pai, né?
12:01E hoje vocês vivem esses traumas, as consequências de um erro.
12:06Como que tá a sua vida hoje, Gilmar?
12:09Tá, agora tá bem que eu já recebi a notícia, fui absorvido, mas eu tinha certeza, né?
12:16Eu era inocente.
12:17Só que o que passou, nunca mais vou esquecer.
12:21E aí, como é que você tá hoje em relação à sua saúde, que eu sei que você tá enfrentando
12:28problemas graves de saúde, né?
12:30Depois que, a partir do momento que eu fui preso, aí surgiu o problema de hipertensão,
12:35pressão alta.
12:36Hoje eu vivo a base de remédio, pressão alta.
12:38Antes você não tinha nenhum problema de saúde?
12:39Não tinha nada, nada, problema nenhum.
12:42Depois que eu fui preso, que eu saí, começou a surgir os problemas.
12:45E olha, gente, infelizmente, o caso aqui do Seu Gilmar não é isolado não, tá?
12:50O lanterneiro capixaba, Robson da Silva, ficou quase 10 horas preso por um crime que não
12:56cometeu.
12:57O caso foi em 2018 e só em janeiro do ano passado que a justiça reconheceu que o homem
13:04é inocente e foi preso injustamente.
13:08O Robson, gente, estava conversando com amigos quando uma viatura da guarda municipal parou
13:13e abordou o grupo.
13:14Os guardas pediram para ver a documentação dos homens.
13:18Quando verificaram a identidade do Robson, viram que constavam no nome dele um mandado
13:24de prisão em aberto.
13:25Ele foi algemado e tratado como um criminoso.
13:28A prisão ocorreu por volta das 7h30 da manhã e ele só foi liberado quase às 5h da tarde,
13:34quase 10 horas depois.
13:36A família teve que se desdobrar para conseguir provar que ele era inocente.
13:40Agora, se você acha que isso só acontece aqui, que isso só acontece no Brasil,
13:44está enganado.
13:46Olha só, um homem que havia sido condenado à prisão perpétua, você não ouviu errado,
13:52ele foi solto após cumprir quase 38 anos de pena injustamente.
13:59Esse caso aconteceu nos Estados Unidos.
14:01Malcom foi preso em 1979 após ser acusado de estupro.
14:08Exames de DNA realizados recentemente revelaram que Malcom não foi o responsável pelo crime.
14:15Na época, ele tinha apenas 21 anos.
14:17Agora, um outro caso que também aconteceu nos Estados Unidos e chocou o mundo, chamou
14:22atenção, foi um homem condenado à prisão perpétua por um assassinato cometido em 1987.
14:29Foi colocado em liberdade depois de passar 30 anos preso.
14:34Ele tinha 16 anos quando tudo aconteceu.
14:36A condenação à prisão perpétua só aconteceu porque o seu irmão mais velho testemunhou
14:43contra ele durante o primeiro julgamento.
14:45No final de tudo, sabe quem era o culpado?
14:50O próprio irmão, gente.
14:52Isso é inacreditável.
14:53Ele matou e ainda culpou o irmão mais novo.
14:56Só da gente imaginar o que o Gilmar passou de ficar sete dias trancado numa cela, dormindo
15:03no chão, sendo tratado como criminoso, imagina 30 anos.
15:07É difícil.
15:08É uma vida, né, seu Gilmar?
15:09Eu fiquei sete dias, pra mim foi uma eternidade, imagina, sete.
15:15E tempo é algo que não volta atrás.
15:19Nunca.
15:19Nesses sete dias, por exemplo, o que você deixou de viver com sua família?
15:24Muito.
15:25Muitos momentos com a família eu deixei de viver.
15:27E não foram só sete dias, né?
15:29De 2019 até agora que em 2021, você vivendo sem liberdade.
15:35Carregava aquele crime nas costas, sem dever nada.
15:39Deixa eu voltar a falar com a advogada, né?
15:43Porque a gente vê esses casos de 30 anos.
15:47É uma vida que se passa.
15:49De que forma que a pessoa pode tentar recorrer a isso?
15:54Esse tempo nunca mais vai ser recuperado, né?
15:57Os traumas, as marcas de uma prisão indevida, de uma acusação injusta, esse tempo que ele
16:04perdeu ali na prisão, ele nunca mais vai recuperar.
16:07Mas existe uma reparação moral que deve ser requerida, que é o caso do Gilmar também, né?
16:13Vamos mover uma ação contra o Estado do Espírito Santo, tendo em vista o erro judiciário
16:17no caso do Gilmar.
16:18E assim, todas as vítimas desse tipo de situação, desse tipo de erro judiciário,
16:22devem recorrer também à justiça, buscando um mínimo de compensação pelos danos morais
16:28sofridos.
16:29Certo.
16:30E qual é o risco também, aproveitando a nossa entrevista aqui, da pessoa quando perde
16:35os documentos, né?
16:37E às vezes não registra, deixa isso de lado.
16:41Quais são os riscos, né?
16:42Porque mesmo o Gilmar registrando, aconteceu o que aconteceu?
16:51A gente está com a advogada ainda aí?
16:53Ou travou?
16:54Acredito que tenha travado a nossa conexão.
16:56Vamos continuar aqui no estúdio?
16:58E então, os dias que você viveu, como que foi a sobrevivência da sua família, já
17:04que você estava ali preso, né?
17:06Você também tem... você estava tentando dar uma entrada no INSS, por problemas de saúde,
17:12não conseguia trabalhar.
17:15Como é que foi sobreviver nesse período?
17:19Sobreviver através de pico, né?
17:21Fala no microfone aqui pra gente.
17:22Porque eu fazia um bico, ela também fazia uma faxina, fazia um pão, vendia, agora
17:27vende pão na feira.
17:28A nossa vida é assim.
17:30Certo.
17:31E você não estava conseguindo...
17:32Não.
17:33Nem tocar o assunto do INSS, né?
17:36Consegui uma época, um bom tempo, mas depois foi cortou e foi negado.
17:41Nesse período.
17:43E você, Maria?
17:44Você ficou com a responsabilidade da casa?
17:47De sustentar a família enquanto ele estava ausente?
17:51Isso.
17:51Só que no período que ele ficou ausente, a gente não teve como se virar.
17:58A gente se manteve no que tinha em casa.
18:01Porque a gente estava vendendo pão na rua, como eu mesmo falei pro rapaz lá do INSS,
18:10é daqui que a gente vive.
18:12É vendendo pão na rua pra mostrar pras crianças e pras filhas que quando não dá jeito de um
18:18lado, existe solução do outro pra nunca a gente roubar, nem matar, nem fazer outras
18:24coisas que não deve.
18:25E ele viu, ele olhou lá a situação e, tipo, vendeu a semana, vendeu.
18:35Então, a gente vai se virar no que tem aqui dentro de casa.
18:38Apesar de que quando acontece uma coisa dessa, você não come, você não tem como, como que
18:44você vai se alimentar sabendo que aonde ele estava.
18:47A única coisa que acontecia era beber água, a única coisa que a minha alimentação era
18:52água.
18:53Fazia comida pras crianças e dizia, come.
18:55E você, eu tô de barriga cheia.
18:57Porque a minha alimentação era água.
18:59Então, eu me mantendo pelo menos na água, eu me sustentava.
19:02Ele ficou com a gente o tempo todo.
19:05Ele veio pra cá, de São Mateus pra cá, veio ele, a irmã dele e a tia dele.
19:10E ele viu a situação, não tinha como você se manter em pé.
19:14Tipo, durante o dia, você viu o dia passar porque você conversava com as pessoas e ele
19:19lhe perguntava o que aconteceu, qual a situação.
19:22À noite, você passa em claro, você vê movimento de tudo, você não consegue dormir porque
19:27como que você vai encostar a cabeça no travesseiro sabendo onde ele tá?
19:31Aí passa na sua cabeça mil e uma coisas.
19:34Será que ele tá dormindo?
19:35Será que ele conseguiu?
19:37Então, não tem como, entendeu?
19:38A gente se virou no que dava.
19:40Aquele período que ele tava preso, foi como a gente se manteve ali.
19:43A gente vê que isso realmente envolve toda a família, traz traumas psicológicos.
19:49Deixa a gente voltar a falar com a advogada, a Kelly, que agora a gente conseguiu restabelecer
19:53o sinal com ela.
19:54Kelly, fala pra gente sobre a importância, né?
19:57A pessoa perder os documentos, ela registrar um boletim de ocorrência.
20:01Ainda assim, o Gilmar registrou e olha o que aconteceu com ele, né?
20:05Sim, esse caso do Gilmar, a pessoa apenas informou o nome dele completo, né?
20:12Esse tem casos como homônimos, que foi o caso que a senhora relatou em relação à
20:17guarda municipal, né?
20:18Que prendeu por algumas horas de forma indevida também uma pessoa.
20:23Mas no caso do Gilmar não teve documentos apresentados, não tiveram documentos apresentados.
20:28Mas é claro que sempre que houver perda, extravio, furto, roubo de documentos pessoais,
20:35é essencial que se registre o boletim de ocorrência.
20:39E hoje o BO tá muito mais acessível, tá na palma de nossas mãos.
20:43É possível fazer um BO online, um boletim de ocorrência online, no site da Polícia Civil
20:48do Estado do Espírito Santo, né?
20:50Em alguns minutos o seu BO já está disponível pra você.
20:54em último caso, em algumas horas, mas é bem rápido, não tem que deslocar até
20:59a delegacia, não tem que esperar na fila, não tem que falar com a termador, né?
21:03Com o servidor.
21:05É tudo possível por meio do celular, do computador.
21:09Então, é importantíssimo realizar o registro do boletim de ocorrência.
21:13Além desses casos que envolvem questões criminais, tem também as questões cíveis, né?
21:17Inúmeros clientes nos procuram por fraude, em cartão de crédito, em telefonia, contas
21:23que são feitas em seus nomes, porque eles perderam documentos e não fizeram BOs, não
21:28tem prova disso.
21:30Então, é essencial que se faça o registro do boletim de ocorrência.
21:33Tá certo, Kelly.
21:34Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo, tá?
21:38Inclusive, tendo novidade sobre o caso, atualiza a gente também.
21:41Muito obrigada.
21:42Uma ótima tarde.
21:42Obrigada, boa tarde.
21:44Dilma, a gente tá aqui, você tá comovendo os nossos telespectadores.
21:49Tem aqui a Nelly Charili tá falando que o coração dela tá partido com essa história.
21:54O Gilberto Marcelino falando uma covardia tudo que você enfrentou, né?
21:59O que que você gostaria nesse momento?
22:02Como é que vai ser agora o recomeço da sua vida?
22:05Acho que tirar, apagar o passado não tem como, né?
22:09Apagar é difícil.
22:11Vamos tentar viver da melhor maneira possível, entendeu?
22:14Batalhando como assim, a gente sempre batalhou, trabalhando, honestamente.
22:19E vamos ver o que dá daqui pra frente, né?
22:22Tentar a justiça, né?
22:24Que a justiça seja feita, né?
22:26Que seja feita e os culpados sejam punidos, entendeu?
22:28Tá certo.
22:29Gente, muito obrigada pela participação de vocês aqui no Fala Espírito Santo, tá bom?
22:34E como eu disse pra advogada, mande notícias pra gente, as novidades, que tudo se encaminhe bem.
22:39Muito obrigada, viu?
22:40Obrigado.

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