- há 3 semanas
A delegada da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, Claudia Dematté comenta casos de violência contra mulher no Espírito Santo
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NotíciasTranscrição
00:00E ela sentiu na pele tudo isso, né? Ela passou por isso, né?
00:04E essa romantização da violência, a gente acha fofo.
00:09Ai, que fofo, ele tá cuidando de mim. Ai, que fofo, ele tá preocupado.
00:12Exatamente, Juliana. Eu quero mandar um beijo pra Demilene,
00:15que eu tive o prazer de conhecer e trocar esse carinho com ela,
00:21essa ideia com ela.
00:23E ela é uma vitoriosa que superou um relacionamento abusivo
00:28e hoje está aí, bem, e sendo exemplo pra outras mulheres.
00:32Como ela muito bem ressaltou, nós temos hoje em dia, muitas vezes,
00:38relacionamentos abusivos sendo romantizados,
00:41sendo que são relacionamentos abusivos.
00:44Essa questão do ciúme, do controle, dessa possessividade,
00:49isso não é demonstração de amor.
00:53Isso são sinais de um relacionamento abusivo e não saudável.
00:58Nós temos que deixar claro pra todos, Juliana,
01:01que quem ama não xinga, quem ama não humilha,
01:07quem ama não ameaça, quem ama não subjulga,
01:10quem ama não agride, quem ama não mata.
01:13Quem ama tem respeito, tem carinho, tem reciprocidade,
01:19tem cumplicidade, tem empatia, tem companheirismo, tem amor.
01:24Violência jamais será demonstração de amor.
01:28Jamais será prova de um amor.
01:30Ao contrário, isso é crime.
01:31E deixando muito claro, como pegando a fala toda dela,
01:35que a violência não é só física.
01:38E a Lei Maré da Penha, ela veio muito bem explicitar isso,
01:42porque a violência física, ela é fácil de ser percebida,
01:45ela deixa marcas.
01:46É fácil de você perceber.
01:49A violência, ela pode ser moral, por meio de xingamentos,
01:53humilhações, ela pode ser psicológica, por meio de uma ameaça,
01:57ela pode ser física, por meio da lesão corporal,
02:00ela pode ser patrimonial, ela pode ser sexual.
02:03Um marido, um companheiro, um namorado,
02:06que mediante violência ou grave ameaça,
02:07obriga a sua companheira, namorada, esposa,
02:11a praticar uma conjunção carnal ou qualquer ato libidinoso,
02:14vai sim estar cometendo um crime de estupro.
02:16Então, essas violências todas,
02:19elas são amparadas pela Lei Maré da Penha.
02:23A mulher, ela deve denunciar exatamente
02:26para que nós evitemos que crimes mais graves ocorram.
02:29Geralmente, não começa com a lesão corporal.
02:32Geralmente, começa com a violência moral,
02:35vai evoluindo para a violência psicológica,
02:37depois para a violência física.
02:39E, por vezes, infelizmente, nós temos mulheres
02:42tendo as suas vidas ceifadas,
02:44simplesmente por serem mulheres.
02:47Fruto dessa sociedade machista,
02:49onde o homem acha que a mulher é posse,
02:51é propriedade dele.
02:53Onde um homem que, vendo sua mulher,
02:56por fim, num relacionamento,
02:58vendo sua esposa, sua companheira, sua namorada,
03:01fala aquela clássica frase,
03:02se não for minha, não vai ser de mais ninguém.
03:05Como se a mulher fosse um objeto dele,
03:08fosse posse dele, fosse propriedade dele.
03:10Isso é um absurdo.
03:12Nós precisamos, por isso que eu falo da importância
03:14de programas como o seu,
03:16estarmos dialogando sobre isso.
03:19Isso tem que ser dialogado com as crianças,
03:21com as adolescentes, com os adolescentes,
03:24para que nós formemos novas gerações
03:26que entendam que isso não pode acontecer,
03:29que entendam o que é um relacionamento tóxico,
03:33um relacionamento abusivo.
03:34Então, nós precisamos dialogar sobre isso.
03:36Esse tipo de violência tem que ser combatida com todo rigor.
03:41E é preciso que a gente combata, né?
03:44E olha, vamos aqui a alguns dados.
03:46Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado,
03:4912 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio
03:52até junho deste ano, no Espírito Santo.
03:54A Cris Lemos, direto da nossa redação,
03:56vai atualizar esses números para a gente.
03:58Boa tarde, Cris.
04:00Boa tarde, Juliana.
04:01Boa tarde para todos.
04:02Outro dado que também chama a atenção, Juliana,
04:05é que de janeiro a maio,
04:07mais de 6 mil mulheres registraram boletim de ocorrência.
04:12Já segundo o Tribunal de Justiça,
04:15só neste ano foram expedidos quase 4 mil medidas protetivas de urgência.
04:21E no Brasil todo, até abril,
04:24quando o isolamento social imposto pela pandemia
04:26já durava mais de um mês,
04:28a quantidade de denúncias de violência contra a mulher
04:32recebida no canal 180
04:34cresceu quase 40% em relação ao mesmo mês do ano passado.
04:40Esses dados são do Ministério da Mulher,
04:43da Família e dos Direitos Humanos.
04:45E ainda, Ju, tem os dados registrados
04:48pelo Relógio da Violência contra a Mulher.
04:51Segundo essa ferramenta,
04:53mais de 24 mil mulheres já foram agredidas
04:57verbal ou fisicamente só hoje.
05:00Sabe o que isso significa?
05:02A cada dois segundos,
05:04uma mulher é vítima de violência em todo o Brasil, Juliana.
05:08Muito triste esse número.
05:10É absurdo, né, Cris?
05:11Obrigada pelas suas informações.
05:13Essa é a nossa entrevista especial de estúdio.
05:16Estou recebendo a titular da divisão especializada
05:19de atendimento à mulher,
05:20delegada Cláudia Dematê,
05:22pela internet a gente conseguiu restabelecer
05:25também o contato com a Demilene Prats,
05:27que foi vítima da violência.
05:29Demilene, está aí?
05:30Está na escuta?
05:32Sim, ok, online.
05:34Então tá, que bom que está aí.
05:35Vamos bater aqui um papo.
05:36Doutora Cláudia, você falou que a Demilene
05:38tinha tocado num ponto importante também
05:39da fala dela,
05:40que acho que é bom a gente destacar, né?
05:42Sim, ela falou coisas importantíssimas
05:45e dentre elas a questão da medida protetiva,
05:49que ela teve uma medida protetiva,
05:51ela foi à delegacia, solicitou,
05:53teve essa medida protetiva deferida.
05:56E o que acontece,
05:58que eu acho que é muito importante ressaltarmos,
06:00hoje o descumprimento de medida protetiva é crime.
06:05Então, um autor de uma violência doméstica,
06:07que mesmo depois de ser cientificado
06:10daquela medida protetiva,
06:12que foi a ordem judicial lá,
06:14igual o Demilene explicou,
06:15que a pessoa não pode se aproximar dela,
06:18manter contato telefônico,
06:21por e-mail, por qualquer meio de comunicação,
06:24não pode falar, às vezes, com pessoas da família,
06:26conforme for determinado na medida protetiva,
06:29frequentar determinados locais.
06:31Se a pessoa, mesmo com esta ordem judicial posta,
06:34insistir em descumprir esta medida protetiva,
06:38isto é crime.
06:39Este autor, inclusive, hoje,
06:41com a alteração legislativa que teve,
06:43ele pode ser preso em flagrante,
06:45e o crime de descumprimento de medida protetiva
06:48é inafiançável na esfera policial.
06:51Então, é muito importante
06:53que se uma mulher vítima de violência
06:56teve uma medida protetiva deferida em seu favor,
06:59e o autor dessa violência,
07:01mesmo cientificado dessa medida protetiva,
07:04se ele insistir em descumprir,
07:07esta mulher deve comunicar
07:09para que ou ele seja preso em flagrante,
07:12ligando por 190,
07:13a polícia militar se dirigindo até o local,
07:14ou que isso seja comunicado ao juiz,
07:17para que o juiz possa decretar,
07:19inclusive, a prisão preventiva dele.
07:21Como eu te disse,
07:22o ano passado,
07:23só nas nossas Operações Marias,
07:26389 homens autores de violência
07:28foram presos preventivamente
07:30em nossas Operações Marias.
07:31E grande parte deles,
07:34pelo crime de descumprimento de medida protetiva.
07:37Então, isto é crime,
07:38e tem que ser cientificada a autoridade
07:41para que possa ser decretada
07:42a prisão preventiva desse autor.
07:44Demilene,
07:45você contou para a gente
07:46que teve a medida protetiva,
07:48contra seu ex-companheiro.
07:50Ele chegou a descumprir,
07:51você teve que acionar a polícia,
07:53como é que foi?
07:54Lembra aí para a gente.
07:56No início, Juliana,
07:58que antes de fazer a medida protetiva,
08:01incomodava,
08:02ficava falando de mim para as pessoas,
08:06e ficava tentando se colocar
08:07em uma situação de vítima,
08:09enquanto a vítima, na verdade,
08:10somos nós,
08:10as mulheres.
08:12E depois que eu fiz a medida protetiva,
08:14que eu fui à delegacia,
08:14não,
08:15simplesmente parou,
08:16acabou.
08:17Porque eu acredito que
08:19as pessoas falam assim,
08:20mas nada vai me proteger dele,
08:22nada vai fazer com que ele
08:24me deixe em paz.
08:25Mas se eu não fizer a medida protetiva,
08:27para tentar me proteger,
08:28o que vai ser de mim?
08:30Quando, ano passado,
08:31ano retrasado,
08:32se não me engano,
08:32que eu estive aí,
08:33eu não me lembro bem,
08:34que eu estive aí no seu programa,
08:35eu falei a respeito de que
08:38quantas mulheres já morreram
08:39com um pedaço de papel na mão?
08:40É isso que as mulheres falam,
08:42fulano morreu com um pedaço de papel na mão,
08:43com a medida protetiva na mão.
08:44E daí?
08:45O que adiantou para ela?
08:46Mas é a minha chance,
08:48é a minha chance,
08:49a medida protetiva,
08:50a denúncia,
08:50é a chance que eu tenho.
08:52Então é nela que eu me agarrei,
08:53então é nela que todas as mulheres
08:54têm que se agarrar.
08:55É isso aí, Demilene,
08:56muito obrigada por você participar
08:59mais uma vez aqui com a gente,
09:00agradeço pelo seu relato, viu?
09:02Um beijo,
09:03uma ótima tarde.
09:05Paulo, doutor.
09:08Pois é,
09:08ela levantou aí o questionamento,
09:11eu vou ler aqui um comentário
09:12da Maria do Socorro,
09:14porque a gente vê muitas mulheres
09:15falando isso,
09:16doutora Cláudia.
09:17Maria do Socorro Arruda
09:18disse o seguinte,
09:18hoje o Boa Tarde,
09:19bem, na minha opinião,
09:20tinha que prender antes de matar a mulher,
09:22porque não adianta manter afastamento,
09:24eles não respeitam.
09:26Olha,
09:27hoje em dia,
09:28você vê que o número de medidas
09:29protetivas deferidas,
09:31até vocês deram um dado
09:32do Tribunal de Justiça,
09:34ela é altíssima.
09:35E Maria do Socorro
09:36pode ter certeza
09:37que,
09:38por vezes,
09:39diversas mulheres
09:40foram salvas,
09:42tiveram sua vida salva,
09:44preservada,
09:44exatamente por causa
09:46da medida protetiva.
09:47A medida protetiva
09:48é um mecanismo legal,
09:49assim como aconteceu
09:50com a da Milani,
09:51que ela narrou
09:52que, no caso dela,
09:53cessou a violência,
09:54por vezes cessa.
09:55Nós sabemos, sim,
09:56que, infelizmente,
09:57tem casos
09:58que já foram retratados
09:59no Brasil
09:59de mulheres
10:00que morreram
10:01mesmo tendo
10:01uma medida protetiva.
10:03E, infelizmente,
10:04isso é triste
10:05por isso da necessidade
10:06do trabalho,
10:06da prevenção,
10:07para nós trabalharmos
10:09com esses homens,
10:10para que eles entendam
10:11que a mulher
10:12não é posse da propriedade,
10:13que ele não tem o direito
10:14de ceifar a vida da mulher.
10:16Mas a medida protetiva
10:17é um mecanismo
10:18de proteção
10:19criado pela lei
10:20Maria da Penha
10:21extremamente importante.
10:23Lógico,
10:23não adianta só ele.
10:24é um conjunto
10:26de ações
10:27e de,
10:28seja de repressão
10:30e de prevenção,
10:31que nós vamos conseguir
10:32enfrentar essa violência.
10:34E, como eu repito
10:35o que eu disse no início,
10:36nós precisamos
10:37de toda a sociedade
10:38nessa luta.
10:40Essa luta
10:40não é só das mulheres,
10:41é da sociedade.
10:42E essa importância
10:43do trabalho
10:44com a prevenção
10:45para desconstruir
10:46esses valores machistas
10:47é extremamente importante.
10:49Porque,
10:49enquanto nós tivermos
10:50na sociedade
10:51homens machistas
10:52que acham que mulher
10:54é posse
10:54e propriedade,
10:56nós vamos ter
10:56esses atos absurdos
10:57de violência.
10:58Nós precisamos
10:59trabalhar nessa desconstrução.
11:00Não para, né?
11:01Não vai parar.
11:01Não pode.
11:02Vamos falar um pouquinho
11:02sobre o atendimento,
11:04doutora Cláudia,
11:04que eu tenho depoimento aqui
11:05da Rosângela Fernandes.
11:07Ela está dizendo o seguinte,
11:08eu só confio em Deus mesmo,
11:10pois quando eu precisei,
11:11fui na delegacia
11:12e fui humilhada,
11:14estava toda roxa,
11:15estava muito machucada
11:16e mesmo assim
11:17não era prova
11:18para eles
11:19que fossem,
11:20para que eles fossem
11:21atrás do meu ex-marido.
11:23Sofri muito.
11:23Tive que ouvir
11:24uma pessoa me falar
11:25que se eu tinha algo
11:27a mais no meu corpo
11:28ou se eu tinha feito
11:29alguma coisa
11:30para ele fazer
11:31o que fez comigo.
11:33Aqui ela não diz
11:33quando
11:34que isso aconteceu,
11:36mas um relato
11:37de um pedido de ajuda.
11:39Um relato triste
11:39e absurdo, né, Juliana?
11:41De não ter um atendimento
11:42adequado.
11:42Porque isso não pode
11:43acontecer jamais.
11:45Casos desses
11:46de mau atendimento
11:47que aconteçam
11:48ou que possam ter
11:49acontecido no passado,
11:50ela não relatou quando,
11:52isso tem que ser denunciado,
11:54buscar a corrigidoria
11:55da polícia civil,
11:56da polícia militar,
11:57das polícias
11:58ou do órgão
11:59que a atendeu,
12:00que a gente não sabe
12:00onde foi,
12:01para denunciar,
12:03porque não pode.
12:04Uma mulher vítima
12:05de violência doméstica
12:06e familiar,
12:07ela deve buscar
12:08a delegacia,
12:09ter o seu atendimento,
12:10ser acolhida,
12:12um tratamento humanizado,
12:14seja pela delegacia,
12:15seja por toda a rede.
12:16Como eu disse,
12:17existem várias portas
12:18por rompimento dessa violência.
12:20Então,
12:20pode ser por meio
12:21de um atendimento psicológico,
12:23pode ser por meio
12:23da prefeitura,
12:24pode ser a polícia militar.
12:26Todo mundo
12:27tem que estar apto
12:28a fazer um atendimento
12:30de qualidade.
12:32Esta vítima
12:32tem que ser acolhida
12:33e os casos
12:34devem ser investigados
12:35com todo rigor.
12:36Doutora Cláudia,
12:37a gente vem aqui
12:38acompanhando,
12:39sempre eu não falo
12:39Espírito Santo,
12:40acompanhando o trabalho
12:41que é desenvolvido
12:42e eu percebi
12:42que houve uma mudança.
12:44Realmente,
12:45no atendimento
12:46que é oferecido
12:47a essas mulheres,
12:48a gente tem percebido,
12:49houve uma reformulação
12:51nas delegacias
12:52e até uma orientação
12:55também para os profissionais
12:56que é claro,
12:56as pessoas,
12:57a gente vai aprendendo
12:58com os erros, né?
12:59Eu acho que a vida
12:59é assim,
13:00a gente tem que
13:00sempre tirar uma lição
13:02e aprender.
13:03Esse relato
13:04que a gente viu aqui
13:05de uma pessoa
13:05que buscou ajuda
13:06já vi de outras pessoas,
13:08E com certeza a senhora
13:09enquanto delegada
13:10e hoje rechefiando
13:11aí essa área
13:12também já deve ter escutado
13:14reclamações.
13:15Houve uma reformulação
13:16de todas as delegacias,
13:18o contato também
13:19às pessoas que estão ali,
13:21olha,
13:21na primeira,
13:22no primeiro atendimento.
13:24Elas têm um treinamento
13:26adequado
13:26para saber receber
13:28essa mulher
13:28que está chegando?
13:29Sim, Juliana,
13:30em 2018
13:31a Polícia Civil
13:32do Estado do Espírito Santo
13:33exatamente preocupada
13:35com esse enfrentamento
13:37qualificado
13:38e diferenciado
13:39à violência doméstica
13:40e familiar
13:41contra a mulher
13:41fez uma reestruturação
13:44na polícia
13:44e uma das modificações
13:46que foi feita
13:47foi exatamente
13:48a criação
13:48da Divisão Especializada
13:50de Atendimento à Mulher
13:51e eu tive a honra
13:53de ser localizada
13:56como a delegada-chefe
13:58da Divisão Especializada
13:59de Atendimento à Mulher.
14:00Então, hoje,
14:01todas as delegacias
14:02especializadas,
14:03elas estão
14:04junto com a Divisão
14:06e exatamente
14:07se buscou
14:08essa reformulação,
14:10essa padronização
14:13de um atendimento
14:15diferenciado
14:16com ações
14:17próprias da Divisão,
14:19tanto é que
14:20a população,
14:21com certeza,
14:21que acompanha
14:22o nosso trabalho
14:23sabe do nosso esforço.
14:25Nós temos uma equipe,
14:26Juliana,
14:26muito dedicada
14:27de delegadas,
14:29de escrivães,
14:30assistentes sociais,
14:31psicólogas,
14:33investigadores e agentes
14:34que trabalham
14:35conosco
14:35dia a dia.
14:37Nós trabalhamos
14:38com muito afinco
14:39e dedicação
14:39tanto na repressão
14:41quanto na prevenção.
14:43Diariamente,
14:44realizamos prisões
14:45em flagrantes,
14:46investigações.
14:47Estamos constantemente,
14:48desde que a Divisão
14:49foi criada,
14:50realizando operações
14:51próprias
14:52para cumprimento
14:53de mandado
14:54de prisão
14:54e a pressão
14:56em desfavor
14:56desses homens
14:57autores de violência.
14:58As Operações Marias
14:59são uma constância
15:01e nós não vamos parar.
15:03Enquanto alguma mulher
15:04for vítima de violência
15:05doméstica
15:06no nosso Estado,
15:06a nossa divisão
15:07vai continuar atuando
15:09com muito rigor.
15:11Estamos trabalhando
15:12também na capacitação
15:13dos nossos policiais
15:15por meio de cursos
15:16específicos
15:17exatamente
15:17para essa qualificação
15:18do atendimento
15:19às mulheres
15:21vítimas de violência
15:22doméstica e familiar.
15:23Porque é preciso
15:24uma rede
15:25e uma rede de apoio, né?
15:26Com certeza, Juliana.
15:28A Lei Maré da Penha
15:29é muito clara nisso.
15:30O atendimento
15:31à mulher vítima
15:31de violência doméstica
15:32e familiar,
15:33ele tem que se dar
15:35em rede.
15:35Então,
15:36é muito importante
15:37nós termos
15:38uma rede fortalecida.
15:39Eu parabenizo
15:40essas mulheres
15:41por esse projeto
15:42porque este apoio,
15:44uma apoiar a outra,
15:46contar os casos,
15:47relatar,
15:48isso faz parte
15:49desse rompimento
15:51desse ciclo de violência.
15:52Além disso,
15:53campanhas como essa
15:54do Sinal Vermelho
15:56que a doutora Hermínia,
15:57a juíza coordenadora
15:58das varas de violência
15:59doméstica,
15:59colocou.
16:00É uma campanha
16:01muito importante.
16:02Como eu disse para você,
16:03agora na pandemia
16:04foram abertos
16:05novos canais,
16:07novas possibilidades,
16:08novas campanhas
16:09para que essa mulher
16:10que possa estar passando
16:11essa violência
16:14nesse período
16:15tão difícil
16:15de pandemia
16:16possa conseguir
16:17fazer sua denúncia,
16:18possa fazer com que
16:20essas denúncias
16:20cheguem até as autoridades.
16:22Porque,
16:23como a doutora Hermínia
16:23ressaltou,
16:25nós estamos percebendo
16:26uma subnotificação.
16:28E não é uma diminuição,
16:29infelizmente,
16:30não é uma diminuição
16:31dos casos de violência,
16:32mas sim,
16:33possivelmente,
16:34ocorrendo uma subnotificação.
16:36Então,
16:37todas essas campanhas
16:38que vieram,
16:39cartilhas,
16:40nós temos várias cartilhas
16:42que foram feitas
16:43exatamente nesse período
16:45para ajudar
16:45a orientação.
16:46a UFIS
16:47fez recentemente
16:48uma cartilha.
16:49Isso é muito importante.
16:51Tudo que vier
16:51para somar
16:52a esta rede
16:54para o cumprimento
16:55do ciclo da violência
16:56é muito importante.
16:58E olha,
16:58deixa eu chamar
17:00mais uma entrevistada
17:01aqui para participar
17:02com a nossa conversa.
17:03A Joana Nogueira,
17:04há quatro anos,
17:05ela teve a casa incendiada
17:07pelo ex-marido,
17:08mas deu a volta por cima
17:09e criou um grupo
17:10de apoio
17:11para outras mulheres
17:12que também foram vítimas
17:13da violência doméstica.
17:15Joana,
17:16obrigada
17:16por receber a gente
17:17aí da sua casa.
17:18Boa tarde.
17:19Conta um pouquinho
17:20da sua história
17:21e como você virou
17:22esse jogo.
17:25Boa tarde, Juliana.
17:27É um prazer
17:27falar com você,
17:29te admiro muito.
17:31Poder falar
17:32com a poderosa
17:33delegada,
17:33Cláudia,
17:34não tive a oportunidade
17:35de estar com ela ainda,
17:37acompanho o trabalho dela,
17:38maravilhoso.
17:39Então,
17:40a gente,
17:41na época
17:42que eu sofri violência,
17:43eu tive vários
17:44boletinhos
17:45para estar aqui,
17:47depois ele me deixou
17:48em paz,
17:48porque ele fugiu
17:49para São Paulo,
17:50o Ministério Público
17:51denunciou ele.
17:53Eu tive, assim,
17:53bastante decepção
17:54com alguma coisa,
17:55que até então,
17:56como eu não tinha
17:57sofrido violência,
17:58eu não tinha muito interesse
17:59pelo assunto.
18:00Aí,
18:00quando você sofre,
18:02você começa a se preocupar,
18:03quando bate na sua casa
18:04alguma coisa,
18:05você começa a ter
18:05uma preocupação.
18:07E eu tive uma preocupação
18:08muito grande na época,
18:09assim,
18:09que eu não tinha conhecimento
18:10nenhum sobre essa área,
18:11que quando eu cheguei
18:12na delegacia,
18:13fiz o boletinho de ocorrência,
18:15com muita dificuldade,
18:16porque era uma dor enorme,
18:22muito dor,
18:23eu tenho meu filho,
18:24morava eu e ele também,
18:26meu filho,
18:26então, assim,
18:27a preocupação era muito grande,
18:28começou, assim,
18:29um drama,
18:30porque ele,
18:30a pessoa era totalmente
18:31desequilibrada,
18:33né?
18:33Então,
18:34eu tive muito medo
18:35e não tive apoio
18:36de ninguém,
18:36porque os próprios que viram,
18:38que falaram para mim,
18:38que tinham visto ele
18:39incendiar a minha casa
18:40e tudo,
18:41na hora de delegacia,
18:42pressão de depoimento,
18:43não quis ir,
18:44falou,
18:44ah, mas isso aí,
18:45delegacia,
18:46saiu fora.
18:47Então,
18:47eu me sentia,
18:48assim,
18:49totalmente só,
18:50muito sozinha mesmo
18:51e com muito medo.
18:53E quando eu descobri,
18:54eu tive o direito
18:55do botão do pânico,
18:57quando não chegou
18:58para vir para a minha casa,
19:00eu não sabia
19:01que o botão do pânico
19:02era igual o telefone,
19:04tem área,
19:04não pega em qualquer área,
19:06onde eu moro,
19:06eu não pegava.
19:07Então,
19:08assim,
19:09aí eu deparei
19:09com essa situação
19:10e outra situação
19:12que é a medida protetiva
19:14tem validade,
19:15eu não sabia também.
19:17Quando eu voltei
19:18na delegacia,
19:19um ano e pouco
19:20depois
19:22que ele me causou
19:23esse problema,
19:24ele ficava ligando,
19:24ligando,
19:25eu tinha trocado
19:25no telefone
19:26e eu sou liderança
19:27comunitária também,
19:29então eu tinha
19:29muito problema com ele
19:30e eu fiquei sabendo
19:32que a minha medida
19:33tinha sido cancelada
19:35e eu não sabia disso,
19:36que tinha validade,
19:37como é que isso funciona
19:38e eu fiquei assim,
19:41quando eu voltei
19:42na delegacia
19:42pela segunda vez,
19:43que ele veio
19:44na minha casa,
19:45entrou dentro da minha casa
19:46sem ser convidado
19:48com o meu filho,
19:49eu fui de madrugada
19:51já para a delegacia
19:52da eleição da Maria,
19:54chamei a polícia,
19:55a polícia veio
19:56na minha casa e tal,
19:58levou eu para a delegacia,
19:59chegou lá,
20:00depois não virou processo
20:02porque o juiz
20:02não entendeu
20:02que foi a agressão.
20:03para mim foi
20:04que eu tive
20:04que mudar,
20:06colocar a grade
20:07na minha casa,
20:08colocar dois portões
20:09na minha casa,
20:10um na entrada
20:10lá na rua,
20:11outro bem próximo
20:12da entrada
20:13da minha casa,
20:14então assim,
20:15eu me sentia presa,
20:17com muito medo,
20:18sem apoio nenhum,
20:20que todo mundo
20:21ficou omisso,
20:23as pessoas são omissas,
20:24falam assim,
20:25ah, tem que ajudar,
20:26mas não é.
20:26aí foi quando eu comecei
20:28a me preocupar
20:29com outras pessoas,
20:30com outras mulheres também,
20:32que poderia estar passando
20:33o mesmo que eu,
20:34entendeu?
20:35E comecei a pensar
20:36no que poderia ser feito
20:38para ajudar outras mulheres.
20:39Aí foi criado o grupo
20:41das Poderosas de Vitória,
20:43foi na madrugada
20:44que eu tive a ideia
20:45de criar esse grupo,
20:48e aí o grupo,
20:49a gente faz reuniões
20:50em comunidade diferenciada,
20:51todo mês,
20:53lá se coloca,
20:54cada uma pode falar um pouco,
20:56a gente chama pessoas
20:57da comunidade, né?
20:59E começamos a fazer
21:00esse trabalho
21:01de um apoiar o outro,
21:02não somente
21:03no apoio emocional,
21:05como também financeiro,
21:07que muitos não têm
21:08condições nenhuma, né?
21:10Aí a gente junta
21:11todo mundo,
21:11cada um dá um pouquinho,
21:12a gente acaba fazendo
21:13a diferença na vida
21:14daquela mulher.
21:15Mas assim,
21:17a delegacia da mulher
21:19na época,
21:19tinha a doutora Hermina lá,
21:21que era uma pessoa
21:22muito bacana,
21:22competente,
21:23mas assim,
21:24eu senti muita falta
21:25de mais informação
21:26para a mulher.
21:28É por isso que a gente
21:29faz questão
21:30de sempre abordar
21:32esses temas aqui,
21:33passar a informação.
21:34Joana,
21:34muito obrigada
21:35por você falar
21:36um pouquinho com a gente,
21:37conversar aqui hoje,
21:38ó,
21:38um beijo para você,
21:40uma ótima tarde,
21:41viu?
21:42Um beijo para você,
21:44doutora Cláudia,
21:45eu e o grupo
21:45das Poderosas de Vitória
21:47vão visitar você,
21:48tá?
21:48Que prazer!
21:50Joana,
21:51sua Poderosa,
21:52parabéns,
21:52parabéns pela sua iniciativa,
21:55por essas mulheres
21:56terem se reunido,
21:57pela sua coragem.
21:58A Joana colocou
21:59coisas muito importantes,
22:01que ela,
22:01na hora que ela precisou
22:03que as pessoas
22:04testemunhassem,
22:05os vizinhos testemunhassem,
22:06todo mundo se omitiu.
22:08E é aquilo
22:09que nós conversamos,
22:10as pessoas
22:11precisam ter empatia
22:13e entender
22:14que esse combate
22:15à violência doméstica
22:16e familiar
22:16é uma causa
22:17de todas.
22:18Parabéns,
22:18Joana,
22:19pela sua vitória
22:20e por ter rompido
22:21esse ciclo de violência.
22:23É uma luta
22:23de todos nós.
22:24Doutora Cláudia,
22:25muito obrigada,
22:25viu,
22:25por ter vindo aqui hoje.
22:27O espaço está sempre aberto.
22:29Eu que agradeço,
22:30em nome da divisão especializada,
22:32e nós sempre deixamos
22:33o recado
22:34para a mulher
22:35que é vítima
22:35de violência doméstica
22:36e familiar,
22:37que viva um relacionamento
22:39abusivo,
22:40não aceite isso,
22:41denuncia,
22:42rompe esse ciclo
22:43de violência,
22:44a mulher
22:45precisa de respeito,
22:46viver numa sociedade
22:47com a igualdade
22:48de fato
22:49e sem violência.
22:50Violência
22:51não é prova
22:52de amor,
22:52jamais.
22:53Denuncie
22:54e não viva
22:55um relacionamento
22:55abusivo.
22:56É isso aí.
22:57Uma boa tarde,
22:58viu,
22:58doutora Cláudia?
22:58Obrigada.