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  • há 1 semana
São 19 casos de violência doméstica registrados por dia na Grande Vitória. Muitas mulheres ainda sofrem sem denunciar os agressores.

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Transcrição
00:00Vão acontecendo coisas que a gente não quer ver. É uma briga aqui, um empurrão aqui, uma ameaça de uma
00:05forma assim, nem sempre é uma ameaça quer dizer que o cara vai fazer aquilo, mas uma ameaça não deixa
00:10de ser uma ameaça.
00:12Um tratamento psicológico ruim da pessoa te tratar mal, de te humilhar, entendeu? Isso também é uma agressão, só que
00:19normalmente as mulheres não levam isso a sério.
00:21O relato é de uma mulher que viveu um relacionamento abusivo por sete anos. Até mesmo na loja em que
00:27trabalha, em Eribirí, Vila Velha, os abusos aconteceram.
00:30A última agressão foi no dia 1º de fevereiro. A gota d'água para a vítima denunciar o agressor foi
00:37a falta de arrependimento dele.
00:39Eu conversando com ele ainda, tipo, já tinha acabado a agressão, meu pé estava machucado porque ele tinha chutado meus
00:44pés.
00:45E eu falando com ele, olhando assim a paisagem, falando assim, você se arrepende? Não, não me arrependo.
00:53A empresária contou que tomar a decisão de denunciar foi difícil, ainda mais por conta do filho do casal que
00:59tem apenas 4 anos, mas que foi a escolha certa.
01:03O agressor foi preso e continua no centro de detenção provisória de Vila Velha.
01:08Era ele que administrava a parte financeira da loja. Para manter o estabelecimento e sustentar a família, Rayane fez um
01:15apelo nas redes sociais da loja.
01:17Se as pessoas também não tivessem se comovido a me ajudar, a me dar uma preferência, eu não tive ajuda
01:23financeira, mas eu tive ajuda de mulheres que me deram a preferência para comprar.
01:27Porque sabemos que a gente tem várias opções, eu sou mãe, eu também compro para os meus filhos. Então, assim,
01:31eu tive essa ajuda.
01:32A vítima incentiva outras mulheres que sofrem violência doméstica a também procurar a polícia.
01:40O caso daquela pessoa não se encaixa com o seu. Em algum detalhe o seu é diferente, mas na verdade
01:45todos são iguais.
01:46Vai ser primeiro uma briguinha, depois vai ser uma ameaçazinha, depois vai ser um tapinha, depois vai ser um enforcamento,
01:53depois vai ser uma porrada.
01:54Até chegar o momento que já está um costume tão grande, que ele acha que você vai resistir e ele
02:00pode te enforcar e você pode não voltar mais.
02:03De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, nos dois primeiros meses do ano, foram registrados 1.165
02:10boletins de ocorrência de violência doméstica aqui na região metropolitana.
02:15Foram cerca de 19 ocorrências por dia.
02:18Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 5% no número de ocorrências registradas.
02:25Mesmo assim, essa redução é vista com preocupação pela delegada.
02:30Nós não tratamos essa diminuição do registro de boletim de ocorrência como uma diminuição da violência contra a mulher, muito
02:40pelo contrário.
02:41A gente entende que a violência contra a mulher é muito cultural, então a gente precisa trabalhar muito na educação,
02:50na formação de cidadãos melhores,
02:53para que a gente tenha realmente, sim, uma mudança de características do comportamento.
03:00A delegada explicou porque muitas mulheres não denunciam os agressores, às vezes dependem financeiramente ou emocionalmente dele,
03:08ou então nem compreendem que estão vivenciando um relacionamento abusivo.
03:13Tem muitas mulheres que não conseguem identificar que estão dentro de um relacionamento abusivo e por isso também não denunciam.
03:21Ou algumas também, e a gente faz o alerta, algumas mulheres até entendem que estão dentro de um relacionamento que
03:29não é harmonioso,
03:31mas não denunciam por diversas questões envolvendo o emocional, o financeiro, essa dependência, esse tipo de dependência.

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