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Advogada criminalista, que atua em casos de violência contra mulher, explica quais são os direitos das vítimas nessa situação e como evitar esse crime
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00:00Estou recebendo a advogada criminalista Maria Luíza dos Santos Ambolini, que atua principalmente na defesa das mulheres e são muitas
00:09mulheres vítimas de violência, né doutora?
00:11São muitas mulheres, são diversas situações, mas a gente pode perceber um padrão entre todos esses casos.
00:20Começa com violências verbais, mais sutis, formas de controle, até isso escalar e transformar numa agressão física e algumas infelizmente
00:32culminam no feminicídio.
00:35Infelizmente, olha, a gente está com bastante participação aqui pela transmissão, deixa eu ler uns comentários.
00:39A Genilda Silva, acho melhor a mulher pensar bem antes de levar o companheiro para morar com ela, principalmente se
00:46tiver filhos.
00:46Todos os agressores têm um perfil que não é só se for bom filho, quem não é um bom filho
00:55também não será um bom marido.
00:58Cláudia Gonçalves, penso também que muitas mulheres têm que apanham uma vez, separam e depois voltam, com certeza vão apanhar
01:06de novo.
01:06E o que a Cláudia falou tem uma verdade, né? Essa violência acaba se repetindo, né doutora?
01:12Sim, se repete. Por isso que é importante esse fortalecimento. A Priscila falou sobre o grupo de apoio que as
01:18mulheres criaram e isso é fundamental para a mulher conseguir sair do ciclo da violência.
01:23Porque normalmente o que acontece é que o agressor agride, a mulher denuncia ou briga, né? Tenta se separar, aí
01:33ele tenta se redimir, o relacionamento fica bom, ele vira um doce novamente, ela perdoa e depois ele volta a
01:40agredir mais uma vez.
01:42Então, sair desse ciclo é muito difícil para a mulher e todo o apoio possível para que ela consiga sair
01:48dessa situação é valoroso, muito importante.
01:50Pois é, olha, a Helena Machado, meu casamento durou 20 anos, 20 anos de traição e violência.
01:57Até meus filhos entravam nas confusões.
02:00Depois que perdi os dois primeiros filhos, tive coragem de colocá-lo para fora.
02:04Mas ele já estava com o atual, sofri muito, mas hoje eu dou graças a Deus, acabou hoje o meu
02:11sofrimento é só pela perda dos meus dois filhos.
02:14Que bom, viu, Helena, que tudo deu certo, né? Foram muitos anos, imagino, 20 anos desse sofrimento.
02:19É muita dor.
02:20E as mulheres, né? Às vezes a gente, olhando de fora, é mais fácil de julgar, né?
02:25Mas quando você está vivendo a situação, é bem diferente, né?
02:29Com certeza.
02:30Até porque existem várias dependências, né?
02:32Além da dependência sentimental, muitas vezes, econômica.
02:35A mulher não sabe, né? O que fazer para poder se sustentar.
02:40Muitas vezes a gente percebe que a violência entre as mulheres periféricas, ela acaba se perpetuando por um tempo maior.
02:48Então, é realmente, a sensação depois que a mulher consegue se livrar disso é de libertação.
02:54É maravilhoso.
02:55E olha, está participando aqui também da nossa conversa pela internet, a Priscila Oliveira, que por três anos sofreu agressões
03:01verbais, agressões físicas do marido, que hoje ela está separada, né?
03:06Priscila, falei, contei aqui a história de uma telespectadora, a Helena, que viveu 20 anos, uma traição e violência também.
03:15E aí eu falei que quem está de fora tem uma visão que é muito mais fácil, né?
03:18E aí acaba sendo mais simples.
03:20Agora, quando você está vivendo essa situação de violência, no seu caso foram três anos, é difícil se livrar?
03:29É difícil.
03:32É difícil porque você não casou para separar.
03:36Você casou para...
03:38E o casamento, ele tem um...
03:43Não é um morar junto, não é um ajuntado.
03:46O casamento, ele tem um peso maior.
03:49Então, você casou, oficializou, oficializou na igreja, né?
03:55Oficializou direitinho, então você não casa para separar.
03:57Você casa para ficar casado, né?
04:01Para ter uma família.
04:02Então, é difícil.
04:03É difícil porque aos olhos de quem está de fora também,
04:07hoje em dia, é um pensamento machista, né?
04:12As pessoas têm um pensamento muito atrasado das coisas.
04:17Então, eles acham que a restituição é possível.
04:21Enfim, então, para quem está de fora, acha que é fácil, mas não é fácil.
04:26É difícil.
04:28E aí, nessa hora, a ajuda é muito importante, né, Priscila?
04:34A mental, quando nós se unimos às mulheres e ouvimos no encontro relatos umas nas outras,
04:44a gente criou uma força, assim, que a gente não sabia.
04:47Toda mulher, a gente costuma falar que toda mulher tem o seu superpoder,
04:52só que tem umas que ainda não descobriram.
04:54No meu caso, estou descobrindo agora, começando a descobrir.
04:58Pois é, a sua separação também, definitiva, né, que é o que você espera, né,
05:04estar aí trabalhando para isso, é recente, né?
05:08É recente.
05:10Tem quantos meses já?
05:15Tem uns cinco meses.
05:19E aí, você estava falando que ele continua ainda rondando,
05:22tentando estabelecer um contato, querendo reatar esse relacionamento.
05:28Sim.
05:31Continua.
05:32E vem aquele papo de que a gente que é culpada, né, e tudo,
05:38aí a gente não quer aceitar falar porque está com outro.
05:41Não tem nada disso.
05:43A gente simplesmente só quer viver a nossa vida sem pensar na possibilidade
05:49de um feminicídio futuramente também.
05:53Pois é.
05:54E olha, os feminicídios acontecem.
05:55Vou dar um número aqui agora.
05:57Doze mulheres foram mortas vítimas de feminicídio até junho deste ano aqui no Estado.
06:03Um outro dado que também chama a nossa atenção, coloca aí para mim, por favor,
06:08é que de janeiro a maio deste ano, mais de seis mil mulheres registraram boletim de ocorrência.
06:15Já segundo o Tribunal de Justiça, só neste ano foram expedidas quase quatro mil medidas protetivas de urgência.
06:25E no Brasil todo, até abril, quando o isolamento social imposto pela pandemia já durava em mais de um mês,
06:31a quantidade de denúncias de violência contra a mulher recebidas no canal 180 cresceu quase 40% em relação ao
06:38mesmo mês do ano passado.
06:40Esses dados são do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
06:45Bem, ainda tem os dados registrados pelo Relógio da Violência contra a Mulher, viu?
06:49Segundo essa ferramenta, mais de 24 mil mulheres já foram agredidas verbal ou fisicamente.
06:55E ó, só hoje, apenas hoje, 24 mil mulheres agredidas, seja física ou verbalmente.
07:04Ou seja, são muitas as pessoas, né, doutora, que estão aí vivendo esse momento.
07:08Enquanto a gente está aqui conversando, tem uma mulher sendo agredida em alguma parte do país, né?
07:13É, por isso é sempre bom ficar atento a todas essas informações,
07:18porque durante o isolamento social, as mulheres se encontram numa situação de vulnerabilidade muito maior,
07:26porque elas estão em casa com seus agressores,
07:29muitas vezes com dificuldade de denunciar, apesar dos esforços da Polícia Civil, né,
07:35em disponibilizar o canal pela internet para registrar o boletim de ocorrência,
07:38nem são todas as mulheres que têm acesso à internet e nem sabem como fazer.
07:43Então, durante esse período de pandemia, é mais importante ainda ficar atentas aos sinais e buscar ajuda.
07:50É fundamental que a mulher busque ajuda, seja quem quer que seja.
07:54Alguém pode ser a salvação dessa mulher numa situação de dificuldade, numa situação de violência.
08:02Pois é, e olha, gente, por conta desse período de pandemia,
08:06a Polícia Civil do Espírito Santo lançou uma ferramenta online para registro de ocorrência de violência doméstica.
08:13Eu vou voltar a conversar com a Roberta Salgueiro.
08:17Robertinha, que canal é esse? Conta aí pra gente, hein?
08:20Juliana, o endereço virtual é esse que está aqui agora aparecendo na tela para todo o Espírito Santo, viu, gente?
08:26Por meio desse endereço virtual, a vítima pode fazer a denúncia sem sair de casa e de forma totalmente silenciosa,
08:34sem chamar a atenção do agressor.
08:36A vítima, Ju, também pode ligar para o número 190, que todo mundo já conhece, né?
08:42190.
08:43Tem também, Juliana, aquela campanha do X vermelho na palma da mão, sabe?
08:47Funciona assim, a mulher desenha um X na cor vermelha, né, na palma da mão.
08:51Vai até uma farmácia, tá, gente?
08:53Tem que ser uma farmácia.
08:54E mostra a mão ao atendente que vai acionar a polícia.
08:58Então, ó, faz um X em vermelho na palma da mão, tá bom?
09:01E mostra a mão para o atendente da farmácia.
09:03As ferramentas estão aí, viu, Juliana?
09:04Agora é importante também ter a iniciativa, a coragem da mulher.
09:09É importante denunciar, né, Juliana?
09:11A gente não pode se calar.
09:12Não pode, né, Roberta?
09:14E a gente vem sempre aqui reforçando que a violência começa com o xingamento,
09:18aqueles ciúmes em excesso que você acha bonitinho no começo, acha que é cuidado.
09:23E não é.
09:24Isso vai virando uma bola de neve.
09:26Quantas e quantas histórias nós já não contamos aqui, né?
09:29Com certeza, Juliana.
09:30Eu confesso para você que eu já tive um relacionamento meio violento, ó.
09:34Piquei a mula, viu?
09:35Saí fora, não sei saber disso para a minha vida.
09:38Porque se daquele jeito, se no início estava assim, você imagina depois a longo prazo.
09:42Só ia piorar.
09:43Sentiu que não dava certo.
09:44Mas você gostava dele, Roberta?
09:45Gostava, gostava muito.
09:47Foi muito difícil, viu, Juliana, na época.
09:49A gente se sente numa relação muito viciosa, sabe?
09:52Só que a gente precisa, primeiro de tudo, pensarmos, sabe?
09:56A mulher precisa pensar nela.
09:58E eu fiquei me imaginando assim, a longo prazo.
10:00Imagina eu constituindo família com uma pessoa dessa.
10:03Imagina depois segurando um bebê no colo, tendo essa pessoa como referência, como pai.
10:07Eu fui e falei, não, não quero isso para a minha vida.
10:09Então eu coloquei isso na minha cabeça, tomei minha decisão e hoje estou completamente feliz e realizada com a minha
10:15família, né?
10:16Tenho um marido que eu escolhi para ser o pai dos meus filhos e estou completamente realizada.
10:21Que bom, né, Roberta?
10:22Vida que segue.
10:23É vida que segue, a gente tem que ter força, né?
10:26Obrigada por você contar também, dividir aqui um pouquinho a história, porque isso acontece com muita, com muita gente, né?
10:31E quando acontece com a gente, a gente não sabe como vai reagir.
10:34Beijo, Robertinha.
10:36Obrigada, tá?
10:36Pelo seu depoimento também.
10:38Deixa eu voltar a conversar com a Priscila, que também está contando um pouquinho da história dela aqui para a
10:43gente.
10:43Uma relação, uma relação complicada, que agora ela conseguiu se livrar tem cinco meses já de separação.
10:50Ainda assim, o ex continua tentando restabelecer o contato, né, Priscila?
10:55Priscila, a Roberta contou agora aqui para a gente que ela também viveu situações assim.
11:00Você num namoro, quando você começou o relacionamento, você já tinha percebido algum sinal?
11:09Oi?
11:10Você tinha percebido no começo do seu relacionamento com o seu ex?
11:14Época de namoro mesmo, vocês se conhecendo.
11:17Você tinha sentido alguma coisa diferente nele?
11:20Algo que te chamava mais a atenção, mas que você ainda não tinha entendido o que que era?
11:25Então, é a questão que eu até falei no começo, a questão do cuidado.
11:31A gente achar que a pessoa vai te buscar no trabalho, porque é bonitinho, porque é um ciúme bobo.
11:43A gente achar que é cuidado, entendeu?
11:47É aquele tempo todo querendo ir onde você vai, querendo estar onde você está.
11:52É muita mensagem, ligação de vídeo, que acaba você achando bonito, que acaba você achando que é interessante.
11:59E, na verdade, isso é um sinal de que é um tipo tomando posse de você.
12:09É isso aí que acontece, acontece muito, né, doutora?
12:12Os casos que a senhora acompanha, você percebe essa característica se repetindo?
12:18O tempo todo, né, essa sensação de posse, o controle excessivo sobre a vida da pessoa, isso é bem nítido,
12:28né?
12:28Nos casos, as pessoas não têm noção de individualidade, é uma sensação de que a mulher pertence a ele, né?
12:36Ela não tem escolhas, daí começa a criticar as escolhas que ela faz e acaba cedendo.
12:42Os setores mais conservadores da sociedade acabam apoiando, né, falando essa questão da subserviência da mulher que precisa ter o
12:53marido.
12:53E aí, quando ela percebe, né, quando chega uma situação de escalada de violência, ela já está bem dentro, né,
13:01do relacionamento.
13:02Ó, a caça feitosa aqui, triste, mas é a realidade de milhares de mulheres, graças a Deus, não passo mais
13:08por isso.
13:08Separei e sempre tive muito cuidado com quem iria me relacionar novamente.
13:12Hoje eu tenho uma esposa que me trata como uma rainha.
13:15Que bom, Cássia, conseguiu se livrar dessa relação aí doentia.
13:20A Alice Martins fala o seguinte, olha, e quando você termina o relacionamento de seis meses,
13:25o cara fica atrás, vindo no seu prédio, ligando no telefone fixo, mesmo você já tendo bloqueado ele em todas
13:31as redes sociais.
13:32O que que se orienta para a Alice?
13:34Pode procurar delegacia especializada e obter uma medida protetiva de urgência, ainda que o relacionamento já tenha terminado, tá?
13:42Esse tipo de assédio, ele também se enquadra nos requisitos da violência contra a mulher.
13:49Tem que denunciar, né?
13:50Tem que denunciar.
13:51E olha, deixa eu voltar a conversar com a Priscila, agradecer a Priscila por estar aqui abrindo um pouquinho a
13:57sua história para a gente.
13:58Viu, Priscila?
13:59Que bom que você conseguiu se livrar disso.
14:02Está tocando sua vida, buscou ajuda, né, Priscila?
14:04O que é mais importante?
14:05E também está ajudando outras mulheres.
14:08Com certeza.
14:10Agora, como eu estava em uma situação difícil e consegui, assim, estou conseguindo superar,
14:18e agora a nossa intenção é ajudar outras mulheres que estão passando pela mesma situação que a gente.
14:23É isso aí.
14:25Muito obrigada, viu, Priscila?
14:26E parabéns pela sua iniciativa, pela sua coragem, tá?
14:30Um beijo para você, uma ótima semana.
14:33Beijão, tchau, obrigada.
14:34Obrigada.
14:35Está aí, né?
14:36A gente não pode se calar.
14:37Às vezes demora, né?
14:38Cada uma no seu tempo, mas está aqui sempre a importância da gente falar e falar de novo
14:44e voltar a falar sobre esse tema, porque ele continua acontecendo na nossa sociedade todos
14:50os dias, casos são registrados e muitos não são notificados, porque não são denunciados.
14:56Existem os canais, a mulher falamos aí agora há pouco, Roberta, tocando nos canais, você
15:01não precisa nem sair de casa, você pode, ó, quietinha, ele não vai nem fazer barulho,
15:04fazer a sua denúncia online, registrar, porque é importante denunciar, né, doutora?
15:09É primordial.
15:10A delegacia, uma vez que recebe esse boletim, vai passar para o delegado, né, responsável,
15:15a delegacia vai entrar em contato com a mulher para tentar apurar essa situação, verificar
15:19que tipo de risco que essa mulher está sofrendo, para tomar as providências legais, né, para
15:24protegê-la.
15:25A denúncia é fundamental e o que eu costumo dizer no atendimento às minhas clientes, né,
15:30às pessoas que procuram, é de não ter vergonha de denunciar, prossiga com a denúncia,
15:35mesmo que você tenha voltado e reatado o relacionamento, não tenha medo desse julgamento,
15:42porque essa decisão é tomada a cada dia, não pode deixar passar.
15:47Se voltou, se arrependeu, não tem problema, continua firme, denuncia que as coisas vão
15:52se resolver.
15:53É isso aí.
15:54Muito obrigada, viu, doutora?
15:55Uma ótima semana para você, obrigada pelas orientações.
15:58Obrigada.
15:58Obrigada a você.
15:58Boa tarde.
15:59Boa tarde.