00:00Seja bem-vindo, Marcelo, ao Fala Espírito Santo.
00:02A gente viu ali um resumo, né, mais ou menos, da questão da trombose e tudo mais,
00:06e do susto que a Anitta deu ao revelar.
00:08É comum ter pessoas jovens, 27, 20 anos, apresentar essa trombose?
00:14Sim, Vitor, é comum. Não é uma doença exclusivamente de idosos, já sabemos, né?
00:19Claro que acomete mais idosos, mas os jovens podem ser acometidos também.
00:23Agora, como é que aparece, doutor, essa questão do trombose?
00:25Eu sei que são vários fatores que podem causar, né?
00:28Quais são os mais comuns, sim?
00:30Certo, tem vários fatores de risco.
00:32Os mais comuns, o principal, na verdade, é a imobilidade, é o sedentarismo, né?
00:37No caso da Anitta, especificamente, nos pacientes jovens, pode estar associado a quadros de trombofilia,
00:43quando o paciente já tem histórico familiar de trombose, né?
00:46O sedentarismo também, alguns jovens trabalham muito hoje em dia, têm uma vida muito estressante.
00:52Ao consumo de fumo, o tabagismo, também um importante fator de risco.
00:56É, porque na questão de sedentarias, a gente sabe que, por exemplo, na questão da Anitta, ela trabalha, faz show,
01:01dança muito.
01:02Não seria, por isso que eu vou, acho que por conta do susto das pessoas, né?
01:06Não seria muito comum ali você ver uma pessoa bastante ativa ter esse tipo de doença.
01:10Exatamente.
01:11Não é comum, mas ela ocorre.
01:12No caso dela específico, já que ela até divulgou que ainda não descobriram a causa exatamente,
01:18tem que pesquisar, no caso dela, se ela tem histórico familiar, entendeu?
01:22E pesquisar os fatores trombofílicos, né?
01:25Há uma série de exames que a gente consegue fazer no sangue e, às vezes, identifica algum fator que ela
01:29pode ter, algum fator genético.
01:31A trombose, a gente pode dizer que o sangue, ele é líquido, né?
01:34Ele fica, num sentido, uma gelatina, meio grosso, cremoso.
01:38Como é que a gente pode dizer, especificar exatamente a trombose?
01:41Isso mesmo. Eu costumo dizer que é como se a água que chega ao nosso chuveiro congelasse dentro do cano,
01:48entendeu?
01:49O nosso sangue é fluido, claro, ele corre nas veias e, em algum momento, por vários fatores, já estamos conversando
01:54aqui,
01:55ele pode começar a virar uma forma gelatinosa e endurecer, entupindo aquele setor, né?
02:01A principal complicação é quando esse trombo, ele se desprende desse local e vai parar, por exemplo, no pulmão,
02:07gerando a embolia pulmonar, que pode ocasionar morte súbita até.
02:11Porque, então, por isso que acontece, né? O sangue, ele fica coagulado, né?
02:15E causa aí o inchaço e muitas dores. A pessoa sente... é dor?
02:19O que a pessoa sente que ela pode achar assim, ó, eu posso estar com trombose?
02:23Certo. Os sintomas mais comuns é dor e inchaço na perna.
02:30Pode vir associado a uma vermelhidão, isso é o mais comum de ocorrer.
02:34Mas, nem todos os casos são totalmente sintomatológicos.
02:37Às vezes, pode ter uma dor leve, o paciente nem percebe, a gente vem diagnosticado depois de um tempo,
02:43que aquele paciente já teve uma trombose, entendeu?
02:45Mas, principalmente, vai sentir dor e inchaço na perna.
02:48Mas a gente percebe logo por cima, se a gente percebe a veia mais inchada,
02:51ou é a questão da perna mesmo, ou inchada?
02:54Certo. Dependendo da veia que é acometida, ela pode ficar vermelha.
02:57A gente consegue palpar, às vezes, um caroço na perna, né?
03:00Se for a perna, se for no membro superior, o braço, se for uma veia mais superficial.
03:05Se for o sistema venoso profundo, vai ficar mais evidente o inchaço do membro,
03:11seja superior ou inferior.
03:12Eu tenho uma amiga que ela teve problema desde criança no problema no ovário.
03:15Então, desde muito cedo, ela teve que tomar anticoncepcional para fazer esse tratamento.
03:20O anticoncepcional contribui com essa questão da trombose?
03:23Sim. Anticoncepcional e o tratamento de reposição hormonal são fatores de risco para ter trombose.
03:29Principalmente quando a paciente já tem algum fator trombofílico.
03:33Por isso que, hoje em dia, antes das pacientes começarem,
03:36elas têm passado com cirurgião vascular ou angiologista,
03:39a gente faz uma pesquisa para a trombofilia na família,
03:42tem uma conversa com a paciente,
03:43para ver se essa paciente tem algum fator de risco que pode gerar quase trombose.
03:47Ou seja, então, a pessoa que está sentindo uma dor, um desconforto,
03:50normalmente é na perna, no membro inferior, não é, doutor?
03:51Sim, mais de 90% dos casos.
03:53O que ela tem que fazer?
03:54Bom, se ela tiver um desconforto com inchaço súbito,
03:57imediatamente procurar uma ajuda médica.
04:00Não precisa ser nessa etapa especificamente um vascular,
04:03porque às vezes não vai conseguir uma consulta tão rápida.
04:05Precisa ir para um pronto-socorro, passar no colega médico e ser avaliado.
04:08E se esse colega médico suspeitar de trombose,
04:11provavelmente essa pessoa vai ser submetida a um ultrassom dopler,
04:15vai ser diagnosticado e aí o vascular pode ser acionado.
04:18Se ela tiver condições de procurar diretamente o especialista, melhor ainda.
04:22Ela pode ser confundida com uma outra doença ou uma outra coisa?
04:26Sim, sim.
04:27Há situações de estiramento muscular,
04:30que é algumas roturas de fibras musculares,
04:32principalmente nas pernas, que geram dor súbita,
04:35que pode gerar inchaço,
04:36que confunde com situações de trombose.
04:39Mas só um especialista na área vai poder, no caso,
04:41conversar com a paciente e diferenciar através do exame clínico
04:44o que é o que, né?
04:45Agora você falou que a pessoa sente dor, né?
04:48Mas ela consegue caminhar, consegue andar normalmente
04:50ou fica um pouco impossibilitado?
04:53Consegue, mas aí vai depender do acometimento,
04:55de qual veia foi acometida, se é o sistema superficial, se é o profundo.
04:59Há casos que a perna fica tão inchada e tão dolorosa
05:02que a pessoa não consegue botar o pé no chão, às vezes.
05:05E a gente, na verdade, nem recomenda.
05:06Quando o quadro está bem agudo,
05:08o ideal é não movimentar muito a perna,
05:11procurar uma ajuda médica para a gente conseguir identificar o problema
05:14e iniciar o tratamento.
05:15Qual tratamento, doutor?
05:17Além do remédio, lógico que tem que tomar,
05:18mas assim, repouso.
05:19Porque a Anitta falou ali, por exemplo,
05:20que no outro dia já ia estar dançando.
05:22Eu acho que tem que fazer um repouso.
05:24Exatamente.
05:25O tratamento inicial para as fases agudas
05:27é iniciar as medicações de imediato
05:30e, a princípio, repouso.
05:32Usar meias elásticas
05:34e acompanhando como que vai ficar a clínica da perna.
05:38Se vai melhorar o inchaço e tal.
05:39Eu não recomendaria voltar a dançar imediatamente.
05:43Tem que dar um tempo,
05:44sentir que a perna dela se foi na perna mesmo,
05:46pelo jeito foi,
05:47sentir que teve uma melhora,
05:48melhorou o inchaço, está sem dor
05:49e, tomando o remédio,
05:51a gente começa a liberar para fazer as atividades.
05:54Agora, doutor, tem muita gente que fala também
05:55quando você fica muito tempo numa posição só.
05:58Hoje em dia, muita gente está trabalhando em home office,
06:00trabalhando em casa e em escritório,
06:01a gente sabe que muita gente fica sentada o tempo inteiro.
06:04Esse também é um fator que precisa ser tomado cuidado,
06:07precisa ser observado com mais cautela?
06:09Com certeza, Vitor.
06:11Na época de isolamento,
06:12a gente está muito parado em casa,
06:14ficando muito sedentário.
06:15Algumas pessoas, várias, trabalhando em home office.
06:17E a imobilidade, o sedentarismo,
06:19é o principal fator de risco.
06:21Então, a gente tem que tirar um tempo para se movimentar
06:24ou mesmo quando estiver fazendo sua atividade,
06:26seu trabalho de home office,
06:28mexer as pernas,
06:29fazer movimentos de aceleração com os pés.
06:32Isso estimula a circulação,
06:33a contração muscular estimula a circulação,
06:36diminuindo a chance de ter trombose.
06:38É claro que tem alguns casos,
06:39já vi até casos de pessoas que viajam, né?
06:41E ficam aí muito tempo sentado.
06:43Não é que todo mundo que vai ficar numa posição só,
06:45vai ter trombose, né?
06:46Você precisa sempre estar em movimento exatamente
06:48para se tiver algum fator de risco, né?
06:50Algum fator que determine isso,
06:51você possa evitar, não é isso?
06:53Isso.
06:53Pessoas que já têm alguma predisposição,
06:55pessoas idosas,
06:57que já têm quase trombofilia,
06:59fazem terapia de reposição hormonal,
07:01vão se submeter, por exemplo, a uma viagem muito longa,
07:05então, associou mais um fator de risco, né?
07:07Aí você vai potencializando a chance
07:09de você ser cometido por um quadro de trombose.
07:11E no caso desse, por exemplo, de viagem,
07:13ou até mesmo quando você está trabalhando em casa,
07:14ou no escritório que a pessoa precisa ficar muito tempo sentada,
07:17tem que ter uns minutinhos, assim,
07:18para você poder levantar e realmente dar uma relaxada?
07:21Sem dúvida.
07:22Isso é importante para a circulação,
07:24é importante para a saúde,
07:25e principalmente saúde mental também, né?
07:27Para dar uma parada ali no trabalho,
07:31movimentar as pernas
07:32e diminuir o risco de ter trombose.
07:34E às vezes até mudar os hábitos, né, doutor?
07:36É uma melhor alimentação.
07:38Igual a gente vê ali na matéria,
07:39em vez de subir de elevador,
07:39às vezes sobe de escada para movimentar o corpo.
07:42Exatamente.
07:42Exatamente, se exercitar mais.
07:43Sempre bom, né?
07:44Isso aí.
07:44Doutor, eu queria agradecer a sua presença aqui no Fala Espírito Santo,
07:48debatendo alguns assuntos,
07:49e até mesmo os assuntos que as pessoas precisam saber
07:51e têm algumas dúvidas.
07:52Obrigado pela sua participação.
07:53Valeu, Vitor.
07:53Fico à disposição.
07:54Vitor.
07:54Vitor.