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Especialistas avaliam abordagem sobre o meio ambiente em planos de governo dos presidenciáveis
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00:00O meio ambiente tem pedido cada vez mais atenção conforme os eventos climáticos extremos ocorrem com mais frequência,
00:06principalmente no Brasil. Queimadas que duram por dias, enchentes e cidades com muita fumaça.
00:11Afinal, o que é necessário para melhorarmos nossa relação com o meio ambiente?
00:15O Terra analisou de que forma a temática tem sido discutida nos planos de governo dos candidatos à presidência da
00:21República.
00:22Entre os assuntos mais citados estão o combate às queimadas, ao desmatamento, a bioeconomia, a transição energética,
00:29o uso de inteligência artificial e a demarcação de terras indígenas.
00:33Felipe Stork, mestre em gestão ambiental pela Universidade de Yale, avaliou as propostas sugeridas pelos presidenciáveis,
00:40destacando algumas lacunas que faltam ser consideradas para o futuro.
00:43Eu faço parte do comitê de jovens cientistas do Painel Científico para a Amazônia.
00:49E esse painel científico, liderado pelo Carlos Nobre, ele apresentou um relatório de avaliação síntese da ciência
00:58sobre a Amazônia em 2025, na COP, e ali se apresentou a importância da Amazônia,
01:04através dos rios voadores, por exemplo, para viabilizar a irrigação da importante agricultura brasileira.
01:12Nesse relatório também apresentou-se a importância da Amazônia para evitar crises de saúde com novas doenças ganhando um astro
01:27maior.
01:28Nesse relatório se apresentou a importância da conectividade da Amazônia para uma diversidade de aspectos da vida
01:38que impactam a economia, impactam de forma prática a inflação, a dinâmica de viver das pessoas,
01:47não só na Amazônia, mas também no Sudeste, fora do Brasil, então vai muito além das fronteiras.
01:54Então eu acho que esse contexto é importante porque a gente dá um passo atrás e entende que uma política
02:01climática
02:02ela é muito além do setor de meio ambiente, ela realmente engloba toda a economia.
02:09E aí, pensando nos principais, nos candidatos que estão mais à frente nas pesquisas,
02:16os quatro, cinco principais candidatos, eu faria uma provocação.
02:20Eu acho que a agenda climática, ela aparece nos programas, mas são feitas escolhas
02:31pelas equipes que escreveram esses planos de usar outras terminologias.
02:36Então em um lugar aparece a agricultura resiliente, no outro se fala em mercado de carbono,
02:42no outro se fala na competitividade do Brasil.
02:45Aí para pegar o exemplo do mercado de carbono, por exemplo, os mercados de carbono, eles não são uma coisa
02:51assim
02:54que surge do nada. O mercado de carbono tem que ser um instrumento da política climática de um país.
03:03Então há uma escolha, acredito, das equipes que escreveram os planos, de falar somente do mercado de carbono,
03:11mas a gente que trabalha com esse tema sabe que o mercado é um dos vários instrumentos que viabilizam a
03:17política climática sistemática.
03:19E aí nesse sentido, dos planos, o que traz o melhor alinhamento é o candidato que seria a continuidade do
03:28governo atual,
03:29porque ele explicita, ele faz menção à contribuição nacionalmente determinada,
03:35que coloca no quantitativo o que quer dizer o fim do desmatamento até 2030,
03:42que é uma meta muito importante do Brasil alcançar para a gente não correr risco de segurança hídrica,
03:49para não ter um aumento ainda maior das enchentes no sul, das secas da Amazônia,
03:56dos outros eventos climáticos extremos que são associados à mudança do clima
04:02e ao desmatamento de certa forma.
04:05Então é a proposição mais sistemática, de fato eu diria que uma política climática robusta está ali apontada,
04:14mas os outros candidatos apresentam alguns pontos que poderiam ser entendidos como elementos de uma política climática,
04:23mas que ficam com muitas lacunas, não fica claro o que a pessoa quer dizer,
04:28o que os colegas que escreveram querem dizer com agricultura resiliente,
04:32mas quais vão ser os critérios, de fato, desse arranjo.
04:37E a outra palavra que também não fica clara é o desmatamento.
04:43Desmatamento no Brasil a gente sabe que pode significar muitas coisas.
04:47A gente está falando de um desmatamento ilegal,
04:51que a gente às vezes chama de supressão de vegetação nativa,
04:55que seria uma autorização para remover a floresta,
04:58que é legal, está dentro da lei, mas que também tem impactos ecológicos importantes
05:04e que deveria ser desincentivada.
05:08Então os outros demais candidatos eu vejo que tem lacunas maiores,
05:14mas uma provocação para a gente problematizar um pouco mais,
05:19o candidato da continuidade também tem aspectos que a gente pode debater,
05:25como, por exemplo, a transição energética, ela de fato ser justa,
05:30ela pode estar mais explícita com esse viés de ser uma transição energética justa.
05:35Existe um debate sobre a abertura de uma nova fronteira de exploração do petróleo.
05:41Há quem concorde que essa nova fronteira é necessária
05:48por uma segurança energética que o Brasil precisa ter.
05:55Mas na área mais ambiental, a gente traz com muita preocupação
06:00a emissão de cada tonelada de gás carbônico.
06:04Então o Brasil tem muitas outras capacidades, potencialidades e vantagens comparativas
06:10que a gente tem reforçado.
06:12Então a capacidade de produção eólica, solar, melhor estruturação dessas iniciativas.
06:19A gente tem exemplos bons de redução de impostos para a energia solar ser fortalecida.
06:26O Brasil tem uma outra vantagem que é uma estrutura elétrica nacional,
06:33um sistema integrado que é raro para um país dessas dimensões.
06:41Então convido mais uma vez todos a dar um passo atrás
06:45e olhar para outras formas de geração de energia.
06:49Então é um ponto que eu tenho de muita preocupação.
06:52A escolha do petróleo, infelizmente, eu vejo que foi um dos temas que
06:57quando não aparece dá-se a entender petróleo e gás em todos.
07:01Os quatro, cinco que estão à frente.
07:03Mais uma preocupação que eu tenho é no candidato do PL,
07:11se propõe uma, estava até com o documento aberto, lendo de novo,
07:15se propõe uma expansão de petróleo que fosse incluir uma tecnologia
07:19que não é muito convencional, ela em inglês é chamada fracking.
07:23É uma tecnologia que aqui nos Estados Unidos, onde eu estou hoje,
07:27ela trouxe muitos problemas ambientais,
07:30porque basicamente você impulsiona bastante água para um lugar
07:35onde vai se ter um pouco daquele material que vai ser consumido.
07:40E há riscos de vazamento dessa água,
07:43é uma quantidade de água usada muito grande.
07:47Se tem relatos aqui de comunidades que vivem em região onde se é feito
07:52o fracking que tem efeitos na qualidade da água significativos.
08:00E essa proposta de uso dessa tecnologia que tem muitas preocupações socioambientais
08:06está posta no plano do candidato do PL.
08:14Uma outra proposta ainda sobre a energia, que acho que a gente tem que,
08:17para a transição ser justa, uma coisa que eu concordo é que ela precisa ser eficiente,
08:25ela precisa ser custo eficiente.
08:27E um debate que a gente tem muito importante ainda no Brasil é a energia nuclear.
08:33A gente tem uma usina inteira a ser finalizada e o custo de mantenimento dela inoperante
08:40e o custo de finalização dela, na verdade, são muito próximos.
08:45Existem estudos que dizem ali que está por volta de 20, 22 bilhões, mais ou menos,
08:54ou uma coisa ou outra, porque não é só deixar aquele elefante branco lá,
08:58você tem vários cuidados a ter também com essa obra.
09:02E o Brasil, enfim, também tem uma capacidade de geração de energia nuclear importante
09:08que outros países, nossos colegas aqui da região da América Latina, não têm.
09:14Então, e essa proposta, ela é mencionada pelo candidato da missão
09:21e também pela própria prática do atual governo.
09:26A gente, eu acredito que pode ser um, não sei se um tema prioritário,
09:29mas um tema que volte a ser debatido caso ocorra essa eleição, essa reeleição.
09:37Então, tudo isso para dizer que o que eu acho é que na parte de energia,
09:42para que ela seja uma transição justa, a gente tem que dar uma olhada para outras modalidades
09:51e pensar em instrumentos econômicos que viabilizem que essas modalidades se tornem mais acessíveis.
09:57E a gente tem que olhar com muita preocupação para a abertura da nova frente,
10:02porque os exemplos, vários mostram que essas novas frentes, elas tendem a, na verdade,
10:10não traduzir necessariamente em desenvolvimento econômico para a população que está na região,
10:17de forma ampla, então temos que ter alguns cuidados aí, acho, e principalmente porque o contexto que a gente vive
10:26hoje
10:27é um contexto em que 18% da Amazônia já foi desmatada e a região, na margem equatorial,
10:35ela não pode viabilizar uma nova frente de desmatamento.
10:39O Brasil não pode sofrer, a agricultura do Brasil não pode sofrer,
10:45as pessoas que podem ficar expostas a mais eventos climáticos extremos não podem sofrer com isso.
10:51Então, a gente tem que achar um balanço, meio termo, que consiga viabilizar o desenvolvimento de um,
10:58já que devemos tê-lo, o desenvolvimento de uma nova frente de uma forma muito cuidadosa.
11:03O mundo, através da Convenção de Biodiversidade, tem uma meta de chegar em 30% dos territórios terrestres,
11:1330% oceanos, até 2030, com algum reconhecimento de proteção ou conservação.
11:20Por que que os 30% são importantes?
11:22Teve muito debate antes de chegar nessa porcentagem?
11:25É uma porcentagem mínima para que a gente consiga ter a interconectividade ecológica, social,
11:36desses biomas que são tão críticos, minimamente garantida.
11:40Então, é um mínimo.
11:43Então, quando a gente fala em demarcação de terras indígenas,
11:46ou também de criação de novas unidades de conservação,
11:49isso é muito importante, já de destacar que se tem um cenário global,
11:55em que isso é globalmente reconhecido,
11:59a ciência globalmente traz muita evidência de que a demarcação de terras indígenas
12:05é uma forma eficiente de viabilizar a política climática,
12:09porque as taxas de desmatamento desses territórios são baixíssimas.
12:16Então, realmente, é uma forma de viabilizar uma política climática robusta,
12:27comprovadamente, tanto na ciência e também nos ambientes de política pública,
12:32que diversos países reconhecem, através da Convenção de Biodiversidade,
12:36como algo necessário.
12:39O que eu vejo que diferem os candidatos é que, assim,
12:46uma coisa que eu acho que os candidatos todos concordam é que
12:49é necessário combater a ilegalidade, combater a invasão,
12:56combater o garimpo, que alguns chamam de garimpo ilegal,
12:59que é um erro linguístico, na verdade,
13:04e propõe o candidato do PL ter atividades de autonomia
13:12que possam decidir sobre as suas atividades produtivas nas terras.
13:16Para mim, e aí a gente vê o outro lado, o candidato do PT, o Lula,
13:24propõe um compromisso, deixa explícito demarcar terras indígenas
13:30e garantir a proteção dos territórios que já são demarcados.
13:34Então, o que eu vejo nesse gradiente?
13:37É que existe uma lacuna de confirmação do que vai ser feito,
13:46porque hoje o Ministério dos Povos Indígenas, com a FUNAI,
13:51já trabalharam e tem mais de uma centena de processos
13:53que poderiam avançar.
13:57Então, qual desses candidatos, que tem visões diferentes escritas
14:03em seus planos, vai ter a força e a vontade política
14:09para avançar com esses processos?
14:12Apenas um deles deixa explícito esse compromisso.
14:16E quando a gente fala na narrativa, por exemplo,
14:19de dar autonomia para decidir sobre as atividades produtivas,
14:23na verdade, para mim, isso é uma forma mais sutil
14:28de pensar, por exemplo, no que tem se debatido muito no Supremo
14:33e foi tentado várias vezes no Congresso,
14:35que é flexibilizar as regras de empreendimentos
14:39dentro de terras indígenas e, eventualmente,
14:41ter possibilidade de projetos de empreendimento de mineração,
14:46que é uma preocupação para o setor ambiental,
14:49porque mineração nesses espaços tem muitos riscos na saúde das populações
14:56que ali estão.
14:59Então, riscos de contaminação de água que vão muito além dos territórios
15:04onde essas populações vivem também, enfim, vários outros riscos.
15:08Então, de fato, a demarcação de terras indígenas é um exemplo prático
15:15de como os candidatos diferem nas suas visões do que é de possibilidade,
15:22mas o que o movimento dos povos indígenas demanda é a demarcação.
15:28Tanto é que na Top 30, uma das mensagens importantes que esse movimento apresentou
15:32é a resposta somos nós.
15:34Então, a gente precisa que os candidatos ouçam o que é a demanda
15:38do movimento social e trabalhem em cima dessa demanda,
15:42ao invés de representar outros grupos de interesse
15:45que trazem outras perspectivas, como, por exemplo,
15:48a de dar autonomia para decidir sobre as suas atividades produtivas,
15:53que, na verdade, é bebendo de outras fontes,
15:55com outros interesses que não são das populações
15:59e das organizações que representam esses territórios.
16:03E aí eu acho que eu só queria deixar o gancho que
16:07quando a gente fala de povos tradicionais,
16:09a gente tem os povos indígenas que representam aí uma parcela importante
16:14da proteção da Amazônia e de outros territórios.
16:17Mas também se tem unidade de conservação que tem populações tradicionais
16:21e a gente tem um outro aspecto que é a titulação de territórios quilombolas,
16:27que também, no caso do candidato do PT, o Lula,
16:34traz uma proposição de acelerar a titulação desses territórios
16:38e fica mais ambígua ainda a questão da autonomia produtiva
16:42que é apresentada no candidato do PL, o Flávio.
16:48E volta a esse discurso de garantir...
16:53Acho que é o PSD, o Caiado, ele fala em garantir segurança,
17:00e pensa em soluções baseadas no território,
17:03saúde, educação, desenvolvimento econômico,
17:08mas são coisas muito genéricas, e que quando você trabalha nesses temas
17:13você sabe que a demanda para fazer cada uma delas é muito grande
17:18e precisa de orçamento.
17:19Eu diria que a gente está vivendo...
17:23Nos últimos anos a gente já viveu isso,
17:26a transição da política climática como uma agenda transversal,
17:30que não é só da área do meio ambiente.
17:33Se a gente pegar o plano de prevenção e combate ao desmatamento,
17:37os PPC, o PPC da Amazônia e depois os PPC desde os demais biomas,
17:42a gente já vê o papel importante de toda a esplanada.
17:45São vários ministérios, a coordenação é com a Casa Civil, né?
17:49E realmente o Brasil vai entregar em 2026
17:53talvez a menor taxa histórica de desmatamento.
17:58Então é um instrumento que quando está sendo implementado
18:00funciona muito bem.
18:03E precisa trazer não só o Ministério do Meio Ambiente,
18:07não só a agenda ambiental, mas de fato toda a esplanada.
18:11Em outras áreas a gente também precisa ver isso.
18:15E a gente precisa pensar, e aí eu deixo a provocação,
18:19todos os candidatos precisam apresentar a agenda ambiental
18:24como uma agenda econômica.
18:25Então a gente teve excelentes experiências nos últimos anos
18:29com a implementação do EcoInvest,
18:31que é um programa que aumentou o volume de recursos
18:34para financiamento de áreas estratégicas
18:37para desenvolvimento sustentável na Amazônia e fora da Amazônia,
18:42para desenvolver o setor privado que trabalha com essas áreas,
18:46para desenvolver o setor da bioeconomia,
18:49para desenvolver o setor do turismo verde,
18:51enfim, uma série de iniciativas.
18:55A gente teve a reativação do Fundo Clima,
18:57que é um outro instrumento estratégico
19:00para viabilizar e dar escala para a política climática.
19:05E a gente precisa caminhar ainda mais nesse sentido,
19:07de utilizar e olhar a agenda ambiental e a agenda econômica juntos,
19:14superando aquela dicotomia que ou era desenvolvimento
19:17ou era conservação.
19:19A gente agora está em uma fase que é desenvolvimento, sim,
19:23mas ele não pode acontecer de qualquer forma.
19:25E já existem exemplos práticos que podem ser fortalecidos,
19:30precisam de mais orçamento público,
19:33precisam de entendimento de toda a esplanada,
19:36que eles são prioridades.
19:39porque é isso que vai causar uma mudança sistêmica,
19:43que o Brasil já lidera de certa forma e que já é visto como uma liderança.
19:49Aqui em Nova Iorque é impressionante como que representantes,
19:55pessoas, colegas da academia,
19:58colegas da sociedade civil olham para o Brasil para ter como inspiração
20:02e um espelho do que fazer nas suas próprias agendas,
20:05nas suas instituições, de volta nos seus países.
20:09Então a gente precisa continuar isso,
20:12se você continuar colocando o Brasil como um líder da agenda que é ambiental e climática,
20:17não como uma agenda isolada,
20:20mas como uma agenda transversal,
20:22que usa muito instrumentos econômicos,
20:24mecanismos financeiros para viabilizar essa política transversal.
20:28Foi uma que eu achei instigante,
20:31que pelo que eu entendi,
20:32os dois principais candidatos concordam,
20:35que é reconhecer o tema de pagamento por serviços ambientais,
20:41ou seja, e aí focado em produtores rurais privados.
20:46Os dois falam em reconhecer, ou pagar, ou fortalecer,
20:52instrumentos que paguem para quem tem vegetação nativa,
20:56florestas em suas propriedades.
20:58E isso é muito bom,
21:00porque é um consenso necessário
21:04que haja esse reconhecimento.
21:07E aí a dúvida que fica é,
21:09mas como a gente chega lá?
21:11Porque a gente já está num arranjo fiscal que já é apertado,
21:14a gente já tem muitas demandas,
21:17a gente tem pouca liberdade orçamentária.
21:20Então eu deixo a provocação que é,
21:22já que existe esse consenso da necessidade de reconhecer
21:26esses serviços ambientais e pagar por eles,
21:30porque senão a gente não olha para vários subsídios danosos
21:36que a natureza recebe na agricultura convencional
21:39e tenta redimensionar parte desses recursos
21:43para realmente fazer com que as pessoas que conservam a floresta
21:47tenham melhores incentivos para fazer.
21:49O professor doutor Romel Ramos,
21:51da Universidade Federal do Pará,
21:52explica que atualmente já existem sistemas de monitoramento por imagem
21:56que usam o auxílio de AI de drones,
21:58mas que é preciso mais investimentos e capacitação
22:01para que essa estratégia se torne efetiva.
22:03O uso de dados geospaciais
22:05já é uma coisa utilizada há algumas décadas.
22:08O que é que melhorou nas últimas décadas
22:12em termos de evolução,
22:13nos últimos anos principalmente,
22:15é a resolução de imagem.
22:16Então, por exemplo,
22:17a gente tem muito acesso a imagens de satélites
22:21disponíveis gratuitamente.
22:23Obviamente que dadas limitações,
22:25por exemplo, você não tem imagem o tempo todo,
22:27de acesso público,
22:29a resolução não está tão boa,
22:31você tem um problema grande que é a cobertura de nuvens.
22:34Então assim,
22:35ah, eu quero mapear uma área.
22:36Boa, tem uma nuvem em cima,
22:37você vai ter que esperar uma próxima imagem
22:39naquele momento para poder ver se não tiver nuvem.
22:41Você pega uma região, por exemplo,
22:42uma região amazônica como a nossa,
22:44que tem um volume muito grande,
22:46uma umidade muito elevada,
22:47e você tem a formação de nuvens
22:48de uma quantidade absurda.
22:50Então isso gera dificuldade, obviamente.
22:52Bem,
22:53dado que isso já é uma coisa que já existe,
22:54o que é que tem que se observar em termos de melhoria?
22:57Bom,
22:57qualquer tipo de modificação que você observa
22:59através dessas imagens,
23:00ela está associada a algum tipo de padrão.
23:02Esse padrão obtido pela imagem aí,
23:04depende do que você está usando,
23:05obviamente,
23:06mas você pode usar uma imagem comum
23:07de geospacial,
23:08você pode usar uma imagem espectral.
23:11Então,
23:12essa mudança de cor,
23:15de tom,
23:16de textura,
23:17ela vai te caracterizar aquela região.
23:19O que a gente vê hoje, né?
23:20Obviamente que esses parâmetros associados
23:22a desmatamento,
23:24foco de calor, etc.,
23:25são padrões já reconhecidos,
23:27e aí o que é muito importante, né?
23:28Ele não é reconhecido,
23:29não é a IAC que reconhece.
23:30Aí ela está reconhecendo um padrão
23:32que foi passado para ela.
23:33E aí,
23:34mais do que nunca,
23:35é importante você ter
23:36os especialistas
23:37para olhar e dizer,
23:38não,
23:38isso aqui é uma queimada,
23:40é um foco.
23:41Não,
23:41isso aqui é uma churrasqueira.
23:43Parece brincadeira, né?
23:44Mas tu imagina,
23:45depende do que você está fazendo,
23:46vai ser um foco de calor.
23:48Se eu tenho um satélite
23:49que está capturando uma imagem,
23:50que está sensível a isso,
23:51não ser um foco de incêndio,
23:52não,
23:52às vezes é uma churrasqueira.
23:54Estão queimando um cavão,
23:56vão no chão,
23:56estão assando uma...
23:58Isso deve,
23:59inclusive,
24:00o próprio corpo de bombeiros
24:01daqui do estado,
24:03eles usam essas informações
24:04para poder identificar,
24:05para mandar as equipes e tal.
24:06Bom,
24:07e aí qual é o grande problema, né?
24:09Considerando,
24:10e eu acho que é um problema
24:11da maior parte dos estados, né?
24:13Tu estás capturando essas imagens
24:15para tu fazerem monitoramento.
24:16Todos os candidatos,
24:17eles falam do uso isso
24:20como meio para fiscalização.
24:23Isso é importante.
24:25Mas, tá,
24:25quem fiscaliza?
24:27Porque a questão toda
24:27para mim é essa, tá?
24:29Identifiquei um foco de calor,
24:30cara,
24:30muito legal.
24:31Quem chega lá?
24:33Então,
24:34muito além da IA
24:35e do recurso
24:37que você possa usar,
24:38baseado na experiência
24:38dos profissionais da área,
24:40desse double check, né?
24:41A IA faz a detecção
24:42e você tem um grupo
24:43que vai em loco
24:44verificar se aquilo aconteceu.
24:45Ou você pode fazer assim também,
24:47Adriele,
24:48você pode dizer assim,
24:49olha,
24:49eu vou usar um satélite
24:50com uma resolução de 100 metros
24:51e eu estou pegando
24:52tal informação.
24:53Olha,
24:53eu fiz uma pré-seleção.
24:55Pô,
24:56será que isso aqui
24:56é realmente um foco de incêndio?
24:57Ele pode pegar,
24:58tem muito satélite hoje,
25:00inclusive comercial,
25:01que ele vende imagem
25:02e aí, assim,
25:03resolução a menos de um metro, né?
25:05Então,
25:05resolução a menos de um metro
25:06é uma resolução
25:07melhor do que eu enxergando agora
25:09porque eu estou sem óculos.
25:10É melhor do que eu enxergando.
25:12Então,
25:12imagina você poder dizer,
25:13realmente era uma churrasqueira, né?
25:14Ou realmente é um foco de calor.
25:16Então, assim,
25:17o uso da IAR,
25:18ele é plenamente factível
25:20e já é utilizado hoje.
25:22Grandes projetos já fazem.
25:23Inclusive,
25:26acho que é o INPE.
25:27O INPE tem um sistema chamado DETER.
25:30Isso é chamado de DETER,
25:31mas para mim é DETER aquilo ali.
25:32É o DETER.
25:33Ele faz detecção.
25:34Justamente,
25:35ele pega essas informações
25:36e isso é um envio diário, tá?
25:38E ele envia para o IBAMA
25:39essas informações diárias
25:41a respeito dessas,
25:43na área,
25:43obviamente,
25:44que ele está mapeando,
25:46para verificar se ocorre a detecção
25:47ali de algum tipo de anomalia
25:49naquele ambiente.
25:51Então,
25:51ele já funciona isso.
25:52É o sistema que é o...
25:54Eu esqueci a sigla dele agora,
25:56mas assim,
25:56o nome dele é DETER, tá?
25:58Então, assim,
25:59ele te dá vários alertas.
26:00Ele te dá alerta de desmadamento,
26:02de degradação,
26:03e aí,
26:04em vários níveis, tá?
26:05Então,
26:05tem níveis e subníveis
26:07desse sistema DETER
26:07que ele é do INPE.
26:09O INPE já faz isso.
26:10Essas coisas não são novidades,
26:12realmente,
26:12o uso.
26:13Ah, mas
26:14se eu quisesse uma resolução melhor,
26:17eu usaria drone.
26:17Pô, legal,
26:18excelente.
26:19Limitações da tecnologia, né?
26:21Tempo de voo,
26:23necessidade de um local
26:24para usar o drone,
26:26para recarregar.
26:27Então, assim,
26:27quando a gente usa drone,
26:28e a gente tem os trabalhos
26:29muito de...
26:30na área de ambiental,
26:32o pessoal usa
26:33para as coisas muito pontuais.
26:35Por exemplo,
26:35eu quero fazer um inventário florestal.
26:37Eu mapear a área
26:38para o georreferenciamento
26:39e uma equipe vai logo
26:40fazer a contagem das árvores
26:41que podem ser retiradas,
26:42que não podem ser retiradas.
26:43Eles levam um drone
26:44para poder mapear mais rapidamente
26:45a região e identificar
26:46aquela biomassa
26:47que eles têm ali
26:48para poder fazer uma estimativa.
26:49Basicamente isso.
26:50É possível?
26:51É.
26:52Só que a gente tem
26:52essas limitações do drone
26:53em função de tempo de voo,
26:55ou seja,
26:55tu não pode pegar
26:56e tentar aplicar
26:56numa Amazônia da vida
26:57que não vai dar certo.
26:58Deixa no cerrado.
27:00Não vai dar certo.
27:02É limita-se tecnológico.
27:03Por isso que é muito importante
27:04o dado geoespacial.
27:06E aí, nesse contexto,
27:07é que a gente começa a observar
27:08que aqueles órgãos
27:09de fiscalização,
27:11principalmente o IBAMA,
27:12o CNBio,
27:13que eles têm a possibilidade
27:15e conhecem os padrões
27:16que lhes interessam,
27:17esses caras são muito importantes
27:19para eu dizer assim,
27:19olha,
27:20meu requisito é esse.
27:21O meu padrão
27:21é um padrão de foco de calor
27:24nesse tom.
27:25Isso aqui significa para mim
27:26isso aqui
27:26em uma conversa,
27:28em uma troca de informações
27:30entre quem está desenvolvendo
27:32a solução em ar
27:33e o órgão de fiscalização.
27:35E eles conseguem identificar
27:36e padronizar isso realmente.
27:37Olha, isso aqui
27:38já vai ajudar bastante
27:38porque a gente sempre fala,
27:40o uso da informação geospacial
27:42é muito importante
27:43pelo seguinte princípio.
27:44Eu não tenho nada
27:45e eu já vou ter alguma coisa,
27:47eu vou ter uma redução
27:49das possibilidades.
27:50Me ajuda
27:50porque eu tenho limitação
27:51de pessoas para fiscalização.
27:53É simplesmente isso.
27:54O que é interessante é assim,
27:55que eu acho que é importante
27:57falar da tecnologia,
27:58do uso da tecnologia.
27:59Mas é importante também entender
28:01que se você não fortalece
28:02os órgãos de fiscalização,
28:04de nada adianta.
28:04Eu sei que tem um problema,
28:06mas eu não tenho como fiscalizar.
28:07Então não adianta.
28:08Se você tem um IBAMA
28:09que ele não tem lancha
28:10para ele acessar rápido
28:11daqueles pontos de degradação,
28:12se você não tem carro,
28:13se você não tem helicóptero,
28:15o que adiantou?
28:15De nada.
28:16Saber que há o problema
28:17e não poder atuar
28:18na mitigação dele
28:21é um outro problema, né?
28:22É um novo problema.
28:23E aí um ponto
28:24que é muito importante
28:25nesse contexto de fiscalização,
28:27e aí a conversa
28:28de limitações computacionais
28:29para processar esses tipos de dados
28:30é a análise de série temporal.
28:32Porque ela analisa
28:33uma série temporal,
28:34inclusive,
28:34para ter alguns satélites do IMP,
28:36que eles padronizam
28:37determinado tamanho,
28:38de tamanho de polígono,
28:39para poder permitir
28:40a análise de série temporal.
28:42Cara,
28:42onde é que processa isso?
28:45A gente tem uma limitação computacional
28:47para pegar essa imagem
28:48e processar.
28:49Então,
28:49se eu não me engano,
28:51eu acho que o PRODES,
28:53eles geram uma imagem,
28:55eles fazem quase em tempo real.
28:59o envio de informação.
29:01Mas assim,
29:02que é um sistema
29:03que já existe,
29:05que o PRODES aqui faz a,
29:06como é que chama,
29:06é a avaliação de,
29:07a taxa anual de desmatamento.
29:09Ele consegue verificar isso daí.
29:11Inclusive,
29:11essa informação do PRODES,
29:12que isso que é legal, né?
29:14O PRODES gera informação
29:15e outros sistemas
29:15consomem essa informação
29:16para poder fazer outras análises.
29:18Por exemplo,
29:18o cara faz assim,
29:19o PRODES diz assim,
29:20uma determinada área
29:21foi desmatada.
29:22Aí,
29:22a Embrapa tem um sistema
29:23chamado TerraClass.
29:24o TerraClass pega essa informação
29:26para dizer saber o seguinte,
29:28ei,
29:28nessa área foi desmatada.
29:29Ok,
29:30o que foi feito lá?
29:31Foi pasto?
29:33Foi plantação?
29:34Então, assim,
29:35tu percebe que a imagem
29:35era sempre usada.
29:36Mas tudo isso requer processamento.
29:38E aí,
29:38a gente entra no outro ponto.
29:39Muito legal.
29:40Vamos usar tecnologia geospacial?
29:43Vamos.
29:44Capturar imagem?
29:44Muito legal.
29:45Vamos usar IA?
29:46Vamos.
29:46E a gente vai rodar onde?
29:47A gente vai rodar onde?
29:48Era bom o pessoal também
29:48começar a discutir também
29:49onde que a gente vai processar
29:51esses dados.
29:51Porque assim,
29:52a gente vai ter muito.
29:53Dado primário
29:54e muito dado
29:55gerado a partir
29:55desse dado primário.
29:57Então, assim,
29:57são várias vertentes
29:58que elas merecem
30:00ser atacadas.
30:01Mas, de fato,
30:02esse uso
30:03não é novidade.
30:05E eu acho que,
30:05inclusive,
30:06vai ter uma crescente
30:06em relação a isso.
30:07Porque com a disponibilização
30:08de mais imagens,
30:09esses dados geospaciais
30:10principalmente,
30:12novos padrões
30:12vão começar a ser
30:13identificados, né?
30:14Então, tipo assim,
30:14eu vou verificar,
30:15por exemplo,
30:15o pessoal usa isso
30:16muito para
30:17cadastro rural.
30:19Então,
30:19para fazer o CAR.
30:20As empresas
30:21já usam isso.
30:22E aí é legal,
30:23e Adélio,
30:23porque é o seguinte,
30:24o pessoal sempre pensa assim,
30:25olha,
30:27da universidade,
30:28as universidades
30:28geram a tecnologia,
30:29muitas vezes sim,
30:30os estudos de pesquisa
30:31é a tecnologia
30:31que vai para o mercado.
30:33Só que, às vezes,
30:34a gente tem que olhar
30:34para o mercado e dizer assim,
30:35ei, mercado,
30:36vem cá,
30:36veja bem,
30:37eu tenho que manter
30:37essa infraestrutura,
30:38eu não tenho recurso
30:39suficiente para manter,
30:40mas eu preciso
30:40de algumas demandas
30:41que vocês já desenvolveram.
30:42É isso que eu acho
30:43que faz o grande diferencial
30:44em parcerias público-privadas.
30:47Porque, às vezes,
30:47tem empresas que já fazem
30:48monitoramento,
30:49já fazem, por exemplo,
30:50o cadastro rural,
30:51já fazem todo esse inventário,
30:53tem a tecnologia,
30:54tem os especialistas,
30:56e às vezes a gente
30:57não junta as coisas,
30:59né?
30:59E aí a gente acaba
31:00se limitando
31:01por causa
31:01dessa falta
31:02de aderência
31:04na interação
31:05público-privada, né?
31:06Obviamente que,
31:07em termos de instituição
31:08de pesquisa,
31:09vou dizer,
31:09dá mais aqui
31:09para as universidades,
31:10é muito complexo isso,
31:12é muito complexo
31:13esse tipo de relação
31:14para se estabelecer
31:16legalmente.
31:16Às vezes,
31:17a gente tem a lei,
31:18a gente tem as regras,
31:19mas não tem o entendimento
31:20dentro das nossas instituições
31:21para compreender
31:22como seria importante
31:23esse tipo de interação.
31:24Inclusive,
31:25para a sociedade, né?
31:26Porque, às vezes,
31:26você tem uma empresa
31:27que faz o inventário
31:29e que ela tem um drone lá
31:30que tem uma câmera LiDAR lá,
31:32que é altíssimo nível.
31:34E eu poderia usar
31:35isso numa pesquisa
31:36para poder gerar
31:37algum resultado
31:37para o Ibama,
31:38por exemplo.
31:39Seria legal ter esse acesso.
31:40Para que eu vou comprar
31:41mais uma câmera dessa?
31:43É mais dinheiro gasto nisso.
31:45Para que eu tenho que ter
31:46uma câmera dessa
31:47em cada instituto?
31:48Sabe o que não faz
31:49muito sentido?
31:51Aí, eu acho que
31:51um papel importante
31:52nesse processo todo
31:53são essas chamadas
31:54para as nossas principais
31:55o arroz de fomento hoje
31:56que nem é o CNPq.
31:57É muito legal
31:58um CNPq da vida
31:59que nem ele faz hoje.
32:00O CNPq atua assim.
32:01Ele vê aquelas áreas
32:03de interesse, tá?
32:05O presidente avalia
32:06junto com o conselho.
32:08Olha, isso aqui é uma área
32:08de interesse.
32:09Eles lançam editais específicos
32:10naquelas áreas.
32:11E aí, isso é muito legal.
32:12Inclusive, agora,
32:13eles estão lançando
32:13um edital que é muito bacana,
32:15que é Recursos Humanos
32:16nas empresas, né?
32:17Então, você interagir
32:18com a interação público-privada
32:19via CNPq.
32:20Então, você percebe,
32:21já há uma iniciativa,
32:23inclusive do nosso maior
32:25fomentador de pesquisa
32:26no Brasil,
32:27que é o CNPq,
32:28para que esse tipo
32:29de ação ocorra.
32:30E aí, obviamente,
32:30você pode se reverter
32:31tanto para tecnologias
32:32geospaciais,
32:33como o uso de IA,
32:34ou mesmo concepção
32:35da infraestrutura necessária
32:36para processar os dados.
32:37Então, assim,
32:38é um negócio muito complexo.
32:40O problema todo
32:40é a cadeia.
32:41Ok, eu faço a detecção.
32:42qual é a tomada de ação?
32:44A tomada é fiscalização imediata.
32:45Quem faz?
32:46Olha,
32:46a faculdade de incêndio,
32:47é o bombeiro.
32:48Não,
32:48é que é desmatamento.
32:49Olha,
32:50é IBAMA.
32:50Na verdade,
32:51é desmatamento
32:51de uma área de preservação
32:52ambiental,
32:53ICMBio.
32:54Entende?
32:54Olha,
32:55é uma área indígena,
32:56FUNAI.
32:57Então, assim,
32:57é essa cadeia de ações
32:59que devem ser tomadas
33:01após a detecção do problema.
33:02Como eu te disse,
33:03a IA,
33:04ela é excelente para isso,
33:05dedicação de padrões e imagens.
33:07Então,
33:07para ter essa ideia,
33:08eu vou tirar do geospacial
33:09e vou voltar para o drone para ti.
33:10Então,
33:11a gente tem trabalho
33:12que a gente faz monitoramento
33:13de plástico na água.
33:14A gente leva uma GoPro,
33:16bota na cabeça,
33:17entra na água
33:18e aí a gente vai fazer
33:19nossa coleta normal.
33:20Eu fico filmando, né?
33:21O que aparece de garrafa,
33:22ele está contando para mim.
33:24Era uma coisa
33:24que eu poderia fazer,
33:26eu poderia, assim,
33:27eu tentaria fazer
33:28olhando, né?
33:29Obviamente que eu ia,
33:30muita coisa se perder
33:31na minha vista,
33:31que não ia passar.
33:32Mas como eu estou filmando aqui,
33:34eu vou e capturo.
33:35É um exemplo
33:35que eu posso dar
33:36um dispositivo móvel,
33:37então,
33:37uma câmera,
33:38para poder fazer isso,
33:39mas eu poderia usar um drone.
33:40Mas o drone,
33:41volto a te dizer,
33:42eu tenho algumas limitações.
33:43A questão é,
33:44isso vale o investimento
33:45para isso?
33:46Difícil,
33:46porque você deixar um drone
33:47rodando tanto tempo,
33:49assim,
33:51só que pegar o melhor exemplo
33:52de uso de drone,
33:53é o pessoal do agro.
33:54É os caras que usam
33:55mais drone
33:56de forma aplicada
33:58a um problema
33:59é o pessoal do agro,
34:00cara.
34:00Então,
34:01eles têm aqueles drones gigantes
34:02que carregam a gente,
34:03né?
34:03Se você segurar assim nele,
34:04você sobe junto com ele.
34:05Então, assim,
34:06eles têm ideia
34:07do que é isso,
34:08e aí,
34:08você faz todo um trajeto
34:10do drone,
34:10contando o combustível
34:12que você vai gastar,
34:13o tempo que você vai gastar,
34:14não é uma coisa trivial.
34:15Imagina você monitorar
34:16desmatamento
34:17na floresta amazônica,
34:19é, assim,
34:20é surreal,
34:21assim,
34:23pontual após uma seleção
34:24o dado geoespacial,
34:25beleza,
34:26mas, assim,
34:27muito difícil,
34:28muito difícil.
34:29Além do que, né?
34:30Pensar na floresta amazônica,
34:31é uma das dificuldades
34:32do próprio dado geoespacial.
34:34Tem copas muito grandes, né?
34:36Adianta de ir por cima?
34:37Não vai ter a visão, né?
34:39Tu acaba não tendo a visão.
34:40E aí,
34:41o drone,
34:41como ele está mais embaixo,
34:42a visão dele é muito pequena.
34:43Quando você tem um dado geoespacial,
34:45o polígono é bem maior
34:46de você fazer a leitura,
34:47você fazer a identificação.
34:48Mas precisa dessa cadeia.
34:50Acho que tu fala
34:51exatamente isso.
34:53Tem que ter a cadeia
34:54para fiscalizar.
34:55Ah, é para fiscalização.
34:56Muito bem.
34:57Vou comprar um drone
34:57para fiscalização.
34:58Bateria, 20 minutos.
34:59Pô,
35:00tu não vai em 20 minutos.
35:02Tu vai ter que ser muito safo
35:03para poder chegar e fazer
35:05monitorar em 20 minutos
35:06e com isso,
35:07realmente fazer algum tipo
35:08de prevenção
35:09ou coibir algum tipo
35:11de ilegalidade
35:12ali numa área dessa.
35:14O de drones,
35:14como eu te falo,
35:15o drone,
35:16qualquer recurso visual
35:17que você possa ter
35:18para capturar
35:19e desfixar o problema,
35:20ele é útil
35:21dadas as suas
35:21devidas limitações.
35:23Mas eu acho assim,
35:24que as propostas,
35:25todo mundo fez propostas
35:26de coisas que já existem
35:28ou de coisas
35:28que são factíveis
35:29de se executar.
35:31A questão toda é assim,
35:32e aí a capacitação
35:33dessas pessoas,
35:34porque a gente está
35:34passando por ciclos
35:35que a gente começa
35:35a inserirar
35:36na nossa vida
35:37com um volume
35:39muito maior
35:39do que é dado
35:40anteriormente.
35:41Então a gente tem que ter
35:42formação de especialistas
35:43nessas áreas aí,
35:44sabe?
35:44Para poder usar
35:45de uma forma,
35:46digamos,
35:46uma forma ética
35:47esses recursos aí
35:48de inteligência artificial.
35:50Então eu acho assim,
35:50talvez o que falte
35:51um pouquinho
35:52para ser interessante
35:53ouvir os presidenciáveis
35:54eram um pouco
35:55essas propostas
35:56em termos de
35:58direcionar
35:59esse uso ético
36:00da IA
36:00para atacar
36:01esses problemas
36:03gerando formação
36:04de recursos humanos,
36:05porque isso aí
36:06vai ser um problema
36:06daqui a pouco.
36:07A gente vai ter um problema,
36:08porque uma coisa
36:09é você usar a IA,
36:11uma coisa é você entender
36:12o que você está usando.
36:12É muito fácil ir
36:13no chat de PT
36:14lá e escrever
36:15e ele vai,
36:15olha,
36:15como é que você faz isso?
36:16Mas sabe como é que ele fez?
36:18Tem uma coisa
36:18que é muito legal,
36:19por exemplo,
36:20a gente faz parte
36:20de um grupo
36:21aqui de pesquisa
36:21que aí tem um professor
36:23que se chama Renato
36:24francês.
36:24O Renato,
36:24ele participou
36:26dessas decisões
36:27no Brasil
36:27em termos de regularização
36:30de IA.
36:31Aqui no Pará
36:32ele faz isso.
36:33Uma coisa que a gente
36:34conversa muito é assim,
36:35envenenamento de IA.
36:36Então tu imagina,
36:36Adrele,
36:38tu já chegando,
36:39leiga,
36:39vou só usar.
36:40Pá,
36:40usei o chat,
36:41o chat te dá uma resposta,
36:42obviamente,
36:43só que se ele
36:44começa a se carregar,
36:45ser alimentado
36:46por bases de dados
36:47que não são,
36:50digamos,
36:52confiáveis
36:52e começam
36:53a deturpar
36:54um assunto,
36:55você tem um estudo
36:56que mostra
36:56que precisaria
36:56ser de 250 documentos
36:58sendo suficientes
36:59para enviar
36:59a resposta dele,
37:01mesmo estando errado
37:02para a gente
37:03no nosso mundo real.
37:04Mas você envenenou.
37:05Então percebe
37:06que tem que ter
37:07a percepção
37:07do que você está colocando.
37:08Você não tem que resolver
37:09o problema por resolver.
37:10O problema
37:11seria resolvido
37:12com sucesso,
37:13não,
37:13vou fazer de qualquer jeito,
37:14porque de qualquer jeito
37:15todo mundo está lotado,
37:17a gente faz de qualquer jeito.
37:18Então é muito importante
37:19pensar nesse uso ético
37:20da IA.
37:21Então assim,
37:22é legal,
37:23você propôs o uso,
37:24isso aí tem milhares
37:25de aplicações,
37:26gente,
37:26é infinito.
37:28Hoje a gente começa
37:29a ver a empresa artificial
37:30em termos de aplicações,
37:31mas assim,
37:32eu acho que faltou muito
37:32essa discussão
37:33dos presidenciáveis
37:34quanto a esse uso ético
37:36da IA,
37:37como você vai tentar
37:38regulamentar o uso dela,
37:40sabe?
37:40Eu acho que isso tem que estar
37:41muito claro.
37:41Mas olha,
37:42inclusive isso hoje,
37:44o CNP que ele coloca
37:45para a gente
37:45em algumas chamadas
37:47nos editais,
37:48para dizer assim,
37:48olha,
37:48explique aí também
37:49como é que você usou o IA.
37:50Porque às vezes a gente
37:51pega para usar,
37:52para dizer assim,
37:53poxa,
37:53esse texto não ficou tão claro,
37:54vou tentar melhorar.
37:55a IA te ajuda a melhorar.
37:57Percebe?
37:58Ela não está criando a ideia.
38:00Você é que concebeu a ideia.
38:02É que você,
38:02na hora de passar,
38:03você diz assim,
38:03nossa,
38:04realmente não está,
38:04ela reescreveu,
38:06você escreveu,
38:07eu utilizei a empresa artificial
38:08para reescrever essa parte
38:10de texto,
38:10para você simplificar,
38:12para poder resumir.
38:14É para dar agilidade.
38:15É para dar agilidade.
38:16Você não vai botar IA,
38:17não,
38:18eu usei IA para fazer
38:19o desenho experimental
38:19do meu projeto,
38:20saca?
38:20Aí não tem condição,
38:21né?
38:21Aí não tem condição.
38:23E aí,
38:24é um problema ético isso.
38:25É um problema ético.
38:27Então, assim,
38:27mais do que nunca,
38:28eu acho que é preciso
38:29que sejam tomadas medidas
38:32para incentivar o uso ético
38:33desses recursos
38:34e regulamentar realmente o uso.
38:36Porque eu acho que, assim,
38:37é um caminho sem volta já, né?
38:38É um caminho sem volta.
38:39Vamos pegar o exemplo
38:40dos dados geospatórios
38:41que a gente está discutindo agora aqui.
38:43Então,
38:43eu estou fazendo uma análise espacial
38:44da floresta amazônica
38:46e eu estou monitorando tudinho ali.
38:47Eu consigo identificar
38:48por informação geospatórios
38:50possíveis áreas de exploração mineral,
38:52presença de minérios valiosos.
38:54Interessante.
38:55Eu vou armazenar isso onde?
38:56No exterior?
39:00É difícil, né?
39:01Porque aí você está discutindo o quê?
39:03Soberania de dados.
39:04Então,
39:04não tem duas coisas só aí.
39:05Eu tenho meio ambiente,
39:07obviamente,
39:08que a gente precisa preservar.
39:09Eu tenho data centers
39:11que necessitam de um recurso absurdo
39:13para poder funcionar,
39:15mas necessário,
39:16porque eu preciso ter soberania de dados.
39:19eu não posso pegar esse meu dado
39:20e jogar no servidor exterior,
39:22porque aí acabou,
39:24tu está entendendo?
39:26A conversa é muito mais profunda
39:29do que isso.
39:29Aí, assim,
39:30tem que ter o data center?
39:31Sim, tem.
39:32Aí, o que eu penso, né?
39:34A gente tem que tentar fazer
39:35da melhor forma possível,
39:37hoje,
39:37dada as nossas condições,
39:39para que a gente gere o menor impacto,
39:41não só para o meio ambiente,
39:42digo assim,
39:43natureza,
39:44mas como as pessoas
39:45em torno dessas regiões,
39:47tá?
39:47E fazendo um uso,
39:49digamos,
39:50não seria a palavra moderado,
39:52um uso
39:55adequado,
39:55um uso
39:58prudente
39:59desse recurso.
40:00Então, por exemplo,
40:01nossa,
40:01tem um grande data center aqui
40:04para IA e tal.
40:05É, vou rodar qualquer coisa.
40:06Não, gente.
40:07Pensa assim,
40:09é uma coisa
40:10que quanto mais você gera processamento,
40:12mais gera aquecimento,
40:13mais gera consumo de água
40:14para o resfriamento,
40:15mais gera ruído.
40:17A gente vai desenvolver tecnologia
40:18e isso é questão de tempo também.
40:20Daqui a um tempo,
40:21a gente vai conseguir melhorar
40:22esse processo
40:23de reduzir o aquecimento.
40:26Eles estão,
40:27tem várias discussões
40:28a respeito de isso.
40:28A gente conhece
40:29esses data centers
40:30há um bom tempo já.
40:31Tem alguns no Brasil menores
40:32que eram problema o aquecimento,
40:34aí mudou,
40:34a tecnologia de resfriamento muda.
40:36Antigamente,
40:36a gente resfriava
40:37com ar-condicionado.
40:37Não é até o ar-condicionado.
40:38Tem equipamento
40:39que faz resfriamento
40:40a líquido,
40:41hoje em dia.
40:42Você vai por trás
40:42ter uma tubulação passando
40:44para poder fazer resfriamento.
40:45Então,
40:45essas tecnologias tendem.
40:48Eu não sei mensurar para ti
40:50o custo que é
40:51a gente gerar
40:52nossas informações
40:53e guardar em outros países.
40:55Porque assim,
40:56muito me preocupa hoje
40:57essa questão de soberania de dados.
40:58A gente viu vários casos
40:59na última década
41:00de vazamento de dados
41:01importantes, etc.
41:02Aí quer dizer,
41:03quem tem informação,
41:04né,
41:05Adélio,
41:05quem tem informação
41:06tem um recurso
41:08assim,
41:09inestimável, né?
41:10É um negócio inestimável.
41:10imagina você poder selecionar
41:12uma...
41:12Vou comprar uma região
41:13na Amazônia,
41:14vou comprar 10 mil hectares.
41:15Eu compro 10 mil hectares
41:17numa área onde tem terra
41:18de ar-jaras
41:18porque eu tive acesso
41:19a um dado geoespacial
41:20que me indicou...
41:23É um negócio que é complexo
41:26mesmo de discutir.
41:27Mas assim,
41:28não pensa só no meio ambiente
41:30e na IA.
41:31Pensa na soberania de dados,
41:32na importância de ter
41:34que guardar esses dados
41:35aqui no nosso país
41:39com segurança.
41:40Porque aí começa aquela coisa,
41:41tá bom,
41:42aí eu vou colocar isso
41:43tudo certinho.
41:44Aí, como é que eu estou
41:45estabelecendo a segurança?
41:46Quais são os mecanismos
41:46de segurança?
41:47Não,
41:48esses mecanismos de segurança
41:49são todos remotos
41:50e são do exterior.
41:52É vulnerabilidade também.
41:53Então, assim,
41:54tem que ter toda uma discussão
41:54de segurança de dados
41:55com foco nessa nossa
41:58soberania de dados
41:59porque isso é muito importante.
42:00O advogado Igor Fernandes,
42:02especialista em direito ambiental,
42:04também traz uma visão
42:05sobre o licenciamento ambiental
42:07e o pagamento
42:08por serviços ambientais
42:09e créditos de carbono.
42:11São necessárias,
42:12mas são insuficientes
42:15se analisadas isoladamente
42:18ou trabalhadas isoladamente.
42:20PSA, créditos de carbono,
42:23bioeconomia,
42:25são ferramentas
42:26que recompensam
42:28quem preserva
42:29em vez de só punir
42:31quem desmata.
42:33E isso é muito bom.
42:35Mas elas não substituem
42:38a fiscalização.
42:39Uma fiscalização séria
42:41e compromissada,
42:42ela é complementada
42:45por essas ferramentas
42:46mercadológicas.
42:47e para que esses instrumentos
42:49funcionem minimamente adequada,
42:52de forma adequada,
42:54é preciso que seja
42:57remunerada quem preserva.
42:59E em relação a esse aspecto,
43:01os planos de governo
43:02têm proposições interessantes,
43:04especialmente os de centro-direita.
43:08é preciso também garantir
43:10que o crédito comercializado
43:14é real.
43:15Isso se faz
43:16com monitoramento
43:18e rastreabilidade.
43:20E é preciso
43:23responsabilizar
43:24quem desmata ilegalmente.
43:27e aqui
43:29não apenas
43:30a ponta,
43:31mas sim
43:32a cadeia produtiva
43:34como um todo.
43:36Sem isso,
43:38o risco
43:39é duplo.
43:41Porque o Brasil
43:42continua
43:43comercializando
43:45crédito
43:46ambiental
43:47sem
43:49ou com baixa
43:51credibilidade.
43:53e
43:54o desmatamento
43:55continua
43:56nos níveis
43:57atuais
43:58ou até
43:59em crescente.
44:01Então,
44:02ferramentas de mercado
44:03como essas,
44:04elas são essenciais,
44:06mas isoladamente
44:08não são a solução.
44:09A reportagem completa
44:10sobre como o meio ambiente
44:12está sendo tratado
44:13nas eleições deste ano,
44:14você confere
44:15no site do Terra.
44:16Há.