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Um documento da Polícia Federal do início de dezembro de 2025 mostra como o ministro Dias Toffoli, contrariando recomendação da própria PF, avocou para si as investigações do Banco Master pouco depois de a defesa de Daniel Vorcaro pedir a remessa do caso ao STF.

A Polícia Federal também aponta Toffoli como possível proprietário de fato do fundo Arlin, que recebeu R$ 35 milhões do banqueiro. Wilson Lima, Ricardo Kertman e Rodolfo Borges destrincham a teia de influência de Vorcaro dentro do Supremo.

Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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#Toffoli #BancoMaster #DanielVorcaro #STF #AndréMendonça #CasoMaster

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Notícias
Transcrição
00:00A opinião pública já não os tem mais como ministros honestos.
00:04O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça,
00:07determinou a retirada do sigilo das investigações do caso Master
00:11após pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
00:15O pedido de Fachin ocorre às vésperas do julgamento
00:19do pedido de providências que mira o ministro Alexandre de Moraes.
00:23Os detalhes que vieram à tona até o momento
00:26mostram não somente uma atuação coordenada,
00:30de Daniel Vorcaro, para tentar influenciar em decisões do Banco Central,
00:34como também a atuação direta de integrantes da Suprema Corte
00:38e que, em determinado grau, teriam ajudado o banqueiro.
00:43O ministro Dias Toffoli, por exemplo,
00:46decidiu levar as investigações relacionadas ao Banco Master,
00:51mesmo contrariando um parecer da Polícia Federal,
00:54recomendando que as investigações fossem mantidas na primeira instância.
01:00Após a primeira fase da Operação Compliance Zero,
01:04a defesa de Daniel Vorcaro solicitou ao STF a remessa dos autos ao tribunal
01:10após a Polícia Federal encontrar uma minuta de contrato
01:14entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro,
01:17e o deputado federal, João Carlos Bacelar.
01:20Toffoli acatou a recomendação da defesa e ignorou a Polícia Federal,
01:26como está aí no destaque.
01:29Em outro achado da polícia, o órgão sustenta que Dias Toffoli
01:34poderia ser o proprietário, de fato, do Arlin,
01:39fundo de investimento que recebeu R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro.
01:46A informação é da revista Piauí.
01:48O fundo Arli, só para lembrar, era sócio do resort Tayayá,
01:54que pertencia a Toffoli e sua família em Ribeirão Claro, no Paraná.
01:59Segundo a Polícia Federal, foram identificados diversos elementos de informação
02:05que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Dias Toffoli
02:11possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário, de fato, do FIP,
02:19Fundo de Investimento Privado, Arlin, bem como de seus ativos.
02:25Que situação, Wilson Lima.
02:28Boa tarde, boa tarde a você também, Ricardo Kertzmann e Rodolfo Borges.
02:33Olha, são tantas informações, são tantas informações relevantes para a gente destrinchar
02:39que não sei nem por onde começar.
02:42Wilson, por onde você quer começar a tirar esse fio deste novelo pavoroso de revelações?
02:50É, pelo começo, Inácio.
02:52Boa tarde para você, Inácio.
02:53Boa tarde para o Rodolfo, para você também, meu amigo Ricardo.
02:57Boa tarde para você, meu amigo e minha amiga de um antagonista.
03:03Sextou uma...
03:04Gente, vamos dividir um pouco a bancada, só tentar quebrar um pouco esse clima,
03:07porque eu vou te falar uma coisa, Inácio.
03:10Essa semana de quatro dias parece que teve 16, sabe?
03:14Porque, olha, o semaninha dura, meu amigo.
03:17Vou te falar, viu?
03:19Olha, nós jornalistas trabalhamos 15 horas por dia.
03:22Vamos lá.
03:23Eu acho que esse caso específico, brincadeiras à parte,
03:26eu acho que no momento que a gente aborda, começa o programa com isso, Inácio,
03:31a gente tem uma dimensão do quanto uma ala do Supremo Tribunal Federal
03:41tinha medo das revelações do Daniel Vorcaro.
03:44Por que eu falo isso?
03:47Vamos lá.
03:48Esse documento que nós apresentamos há pouco é um documento do dia 2 de dezembro de 2025.
03:54depois da primeira fase da operação compliance zero,
03:59e ele é, na minha visão, um batom na cueca no Supremo Tribunal Federal,
04:05porque deixa muito claro que o Supremo atuou,
04:09que uma ala do Supremo, melhor dizendo, fez de tudo
04:11para manter o processo de baixo na alçada deles, dessa ala específica.
04:18Está aí esse documento específico que a PF,
04:21ela fala o seguinte, que esse documento,
04:24só para a gente relembrar como você falou, Inácio,
04:27o caso foi parar no Supremo, o caso do Banco Master foi parar no Supremo
04:32porque a PF achou um contrato de gaveta,
04:35um contrato que não estava assinado,
04:38um negócio que não se concretizou entre o Vorcaro e o Marcelão, deputado federal.
04:44A partir daí, a defesa do Vorcaro vai ao Supremo e fala,
04:48opa, é caso para o Supremo.
04:51E aí o Toffoli puxa para ele todo esse processo.
04:56Puxa para ele todo esse processo.
04:59É bom lembrar que o Toffoli viajou naquele jatinho
05:04junto com os advogados da turma do Vorcaro.
05:08Augusto Botelho, para ser mais preciso, dando nome aos bois.
05:14E aí, detalhe, depois que a PF fala, opa, não, isso aqui é um processo de primeira instância,
05:22o que que faz, inclusive, a Procuradoria Geral da República?
05:26pede ao Dias Toffoli o sigilo máximo do caso Daniel Vorcaro.
05:35Ou seja, percebam aí que há um movimento de uma ala,
05:40é por isso que eu falo de ala, não falo só de um ministro em específico.
05:44Há um movimento de uma ala para tentar esconder ao máximo as revelações do caso Master.
05:49O problema foi que, com o transcorrer das investigações,
05:53essa tentativa de controle não deu certo.
05:56Se perdeu o controle de todo o processo investigatório.
06:00Aí você fala, Wilson,
06:02ah, mas com as investigações ficassem na primeira instância,
06:10isso, as revelações mostram que tem político envolvido com o caso Master.
06:13Sim, tem político envolvido com o caso Master,
06:17mas percebam que, num primeiro momento, eles fizeram de tudo para esconder,
06:22de tudo para esconder.
06:24Só que aí o caso foi parar na mão do André Mendonça.
06:28E nessa briga do Supremo, entre Alexandre de Moraes e André Mendonça,
06:34qual foi o resultado?
06:36O resultado é que agora todo mundo sabe desses pormenores dessas transações do Daniel Vorcaro.
06:44O Daniel Vorcaro, ele montou uma teia, e vamos explorar isso ao longo do programa,
06:49ele montou uma teia de colaboradores que atingiu todos os níveis da República,
06:56primeiro, segundo e terceiros escalões.
06:59Esse é o nível, esse foi o nível da teia de influência montada pelo Daniel Vorcaro.
07:06E, brincadeiras à parte, Inácio,
07:08esse documento, ele mostra o início disso tudo.
07:12Ele mostra que, se o caso tivesse mantido o seu curso natural de primeira instância,
07:21ele poderia ter tido um outro destino,
07:24ele poderia ter tido um outro desfecho.
07:26Mas aí, o roteirista de Brasil, que é maravilhoso, que ele adora um plot twist,
07:33o que ele faz?
07:34Ele mostra.
07:35E aí, eu chego na seguinte conclusão, Inácio, para entregar para os colegas.
07:40Foi a própria defesa do Vorcaro que ingressou no Supremo.
07:44Essa defesa do Vorcaro, o Toffoli se utilizou de uma pedalada regimental,
07:49que foi isso que aconteceu, foi uma pedalada regimental para levar o caso para o Supremo.
07:54Agora, eles que se aguentem, meus amigos, porque agora virou um bang-bang e vejam como é que são as
08:00coisas.
08:01Uma decisão que parecia simples, agora teve um efeito devastador.
08:08Ricardo Kertzmann.
08:10Boa tarde, Inácio, boa tarde, Wilson, boa tarde, Rodolfo, boa tarde, amigos antagonistas.
08:15Um ótimo final de semana para todo mundo, desde já.
08:18E desde já também, deixa eu aproveitar aqui antes de fazer o comentário.
08:21Hoje é o Ano Novo Judaico.
08:24E no Ano Novo Judaico, os judeus costumam desejar Xanatová, o Metuká, um ano doce e bom.
08:31Então, num momento tão conturbado, mas um momento tão conturbado, outra vez do Brasil,
08:37um ano doce e bom para todo mundo, a despeito de toda essa lambança.
08:41Bom, foi muito legal o Wilson ter feito esse fio, ter puxado o início dessa história toda,
08:49porque eu confesso que eu, Ricardo, no meio desse tiroteio todo, já nem me lembrava, Wilson,
08:54de como que o Dias Toffoli, como que isso foi parar no gabinete dele.
08:59E fez bem lembrar você, porque foi aquela mera suposição de um contato de compra e venda
09:07de uma terra, de uma propriedade, de um deputado federal que não se concretizou,
09:12que foi o gancho para o Dias Toffoli trazer isso tudo para o STF, mais especificamente para ele.
09:20E justamente, a gente teve acesso depois, foi publicizado isso depois,
09:25daquela viagem de jatim do Toffoli para a final da Libertadores,
09:30em que ficou muito claro que já havia ali uma relação completamente promíscua,
09:36uma relação indevida.
09:38E quando vem à tona, finalmente, o contrato de compra e venda,
09:43a venda de participação de parte do Tayhaya,
09:46do qual o Dias Toffoli era sócio-oculto na empresa.
09:51Quando isso vem à tona, após o Toffoli ter feito todas aquelas manobras regimentais,
09:58no mínimo incomuns, mandar as provas todas para o seu próprio gabinete lacradas,
10:05depois escolher quem seriam os peritos que teriam acesso a essas provas,
10:10decretar o sigilo absoluto, o termo foi esse, você lembrou aqui também, Wilson,
10:14sigilo absoluto, no mais alto grau, tudo aquilo foi fechando,
10:19como aquele joguinho de quebra-cabeças em que uma peça vai se encontrando com a outra,
10:25e no final você consegue ter o quadro total, você consegue visualizar o que era para ser montado,
10:31qual era o retrato daquilo tudo.
10:33Quando aquilo aconteceu, e todos nós ficamos sabendo,
10:37sabendo, o clamor era, o Dias Toffoli não pode continuar à frente desse processo.
10:43A meu ver, opinião de Ricardo, o Dias Toffoli não poderia nem sequer continuar como ministro
10:48do Supremo Tribunal Federal, porque se não havia nenhuma ilegalidade naquilo tudo,
10:56havia uma clara demonstração de que o ministro sabedor, que era parte interessada do processo,
11:03trouxe o processo para si, iria manobrar esse processo ao seu bel prazer, como estava fazendo,
11:10e só foi impedido de continuar a partir da imprensa, da descoberta da imprensa,
11:15que trouxe à tona tudo isso.
11:17Aí veio aquela reunião secreta, que já foi uma vergonha de ser secreta,
11:21dentre todos os ministros, que culminou com o afastamento do Toffoli na relatoria.
11:27Só que, após esse afastamento, vem uma carta do Supremo Tribunal Federal,
11:33assinada pelo próprio presidente Edson Fachin, passando um pano danado,
11:38tecendo lousas ao Dias Toffoli, quando o correto seria fazer uma bela de uma reprimenda pública.
11:43A partir dali, o filme todos nós conhecemos.
11:46E agora vem o antagonista, nós, mais uma vez, trazemos uma análise que ninguém,
11:53eu não vi isso em lugar nenhum, trazemos uma análise de que, olha,
11:58o Toffoli trouxe essa história toda para si, a despeito da recomendação da Polícia Federal.
12:05É quase que fechar, lacrar o caixão.
12:08É quase que dizer o seguinte, pronto, o que mais os senhores ministros do Supremo Tribunal Federal,
12:15o que mais os operadores de direito, o que mais a sociedade civil brasileira,
12:21o que mais a imprensa precisaria ter demonstrado para poder ficar claro
12:27que não é só o ministro Alexandre de Moraes por conta do contrato com a esposa,
12:32da esposa dele com o Banco Master, por conta das 50 mensagens trocadas com o Daniel Vorcaro,
12:38não é só o ministro Alexandre de Moraes, que não tem condições morais de continuar,
12:43não só à frente do processo do Master, mas continuar à frente da toga de ministro.
12:50Por que aquela história, gente? A mulher de César não basta ser honesta,
12:55ela precisa parecer honesta. E, diante disso tudo, eu sinto muito dizer de forma tão clara
13:01para as vossas senhorias togadas, a opinião pública já não os tem mais como ministros honestos.
13:08Ricardo, deixa eu só... Rodolfo, antes de entregar, só para a gente fazer uma linha,
13:13porque é importantíssimo a gente ressaltar isso aqui.
13:17Se fosse um juiz de primeira instância,
13:20eu estou falando juiz de primeira instância,
13:23em que ele estivesse envolvido nessa teia de acontecimentos,
13:28nessa sucessão de fatos,
13:31juiz da primeira instância,
13:32avoca para si um processo,
13:35envolvendo um banqueiro,
13:38esse juiz de primeira instância
13:39teve, em determinado grau,
13:43relações comerciais com esse banqueiro,
13:45e esse juiz de primeira instância
13:47ignorou um relatório
13:51do órgão policial
13:53para que outro juiz
13:55investigasse esse mesmo caso.
13:58Eu tenho certeza absoluta
14:00que esse juiz de primeira instância,
14:02ele seria alvo do Conselho Nacional de Justiça.
14:05Ele seria alvo de um PAD,
14:07de uma representação,
14:08porque até está muito, como você falou, Ricardo,
14:10olhando para o quebra-cabeça,
14:12está tudo muito claro,
14:13está claro como água.
14:16Mas, enfim,
14:17estamos falando de Supremo,
14:18Supremo,
14:19a régua,
14:20algumas mudanças nessa régua
14:22de comportamento dos magistrados.
14:27O quebra-cabeça é o quebra-cabeça é o quebra-cabeça.
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