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O EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o Portal Uai e o jornal Estado de Minas, entrevista neste sábado (5) André Brant, maestro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, que falou sobre o trabalho da orquestra a produção da Ópera Xica da Silva, que estreia em setembro no Palácio das Artes, em Belo Horizonte
Imagens: TV Alterosa
Apresentação: Carolina Saraiva
Foto: Túlio Santos
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NotíciasTranscrição
00:13Olá, está no ar o programa Em Minas.
00:17O nosso convidado de hoje, André Branche, maestro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
00:23André, seja muito bem-vindo ao nosso programa Em Minas.
00:26Muito obrigado, eu fico muito feliz com esse convite.
00:28Espero que a gente possa ter um bate-papo interessante e que o público possa conhecer um pouquinho mais do
00:35trabalho da orquestra,
00:37um pouquinho mais da música de concerto, da ópera, enfim, espero que seja uma conversa legal.
00:42Esse é o objetivo, aproximar um pouco a pessoa que está lá do outro lado da sua história, da orquestra
00:48e da música, da ópera, da música erudita.
00:50Já começo te perguntando, André, você é mineiro, é de Belo Horizonte, fez regência na UFMG e foi fazer o
00:57mestrado na Alemanha, certo?
00:58Exatamente.
00:59Em que momento você percebeu que a regência seria de fato a profissão da sua vida?
01:05Isso também é uma pergunta que me fazem, eu não sei responder ao certo, mas eu toco um instrumento desde
01:14cedo, né?
01:15Eu comecei com violão, eu tinha 7, 8 anos de idade.
01:21Eu toquei muito violão popular, passei para o violão clássico, comecei a cantar também.
01:28Eu me lembro que já na adolescência eu comecei a cantar em corais e em certo momento, eu não sei
01:36dizer exatamente qual idade que eu tinha,
01:38mas eu comecei a me interessar pelo ofício ali do regente, né?
01:42O nosso coral tinha um regente, tinha um maestro e eu achava aquilo interessante.
01:48Eu me lembro até que naquele momento eu já tocava piano também, mas eu dizia, não, se eu for, eu
01:55sempre vou ter a música na minha vida, vamos dizer assim,
02:00mas se for para tocar um instrumento, talvez eu nem faria uma faculdade, falei, não, se eu for fazer uma
02:05faculdade, eu vou fazer a faculdade de regência.
02:08E então, foi mais ou menos nessa época, na minha adolescência, devia ter 13, 14 anos, mas eu acho que
02:16foi um processo que demorou
02:17até realmente me interessar pela regência em si. A música sempre esteve presente, mas a regência foi me conquistando ali
02:24aos poucos.
02:24Mas desde muito jovem e desde sempre, né?
02:27Sim, sim.
02:27Agora, deixa eu te perguntar, o que um jovem músico, por exemplo, ou um jovem músico mineiro, encontraria em Belo
02:34Horizonte,
02:35dentro da formação musical, com a experiência que você tem de ter passado pela Europa, por exemplo, que não tem
02:40em nenhum outro lugar?
02:41Você saberia me dizer?
02:43Olha, eu acho que, primeiramente, a música brasileira, a música brasileira é muito rica.
02:51E a música brasileira, porque quando a gente estuda a música erudita, ela tem muito ali da escola, daquela disciplina,
03:00etc., que é muito importante.
03:01Mas a música brasileira, ela é a questão do improviso, a questão da brasilidade mesmo.
03:12Eu estive, por exemplo, na Alemanha, no mês passado, fazendo um concerto no qual eu tive a oportunidade de reger
03:20música brasileira.
03:21É interessante porque eles são muito excelentes músicos, muito bons músicos, mas aquele swing, sabe?
03:30Aquele swing brasileiro, aquele gingado que muitas vezes é necessário, a gente não consegue ensinar.
03:36Não tem como ensinar isso, você aprende vivendo, né?
03:38Então, eu acho que, basicamente, é isso, né?
03:41Que a gente, a vivência da música ali no dia a dia...
03:44É o zirigdum do brasileiro, vou chamar assim, popularmente falando.
03:49E Minas Gerais também tem isso? É diferente de outros lugares?
03:53Eu acho que o Brasil inteiro é assim, né?
03:55Minas Gerais, a gente tem a música mineira, mas que é um pouco diferente da música baiana, é claro.
04:02Mas essa questão desse zirigdum, né?
04:06Ele é característico, cada lugar tem as suas peculiaridades, mas eu acho que a música brasileira, em geral, ela tem
04:13isso, né?
04:14Ela tem essa coisa que não é ensinada, você não consegue ensinar em livros.
04:19Você tem que sentir, você tem que estar ali presente para você ir aprendendo ela, vivendo.
04:25Agora, vamos falar sobre a profissão em si, regente, maestro.
04:29Para quem não tem o costume de frequentar uma sala para ouvir concertos ou óperas,
04:35ou até mesmo para quem já foi alguma vez e já assistiu e fica de longe pensando assim,
04:40Nossa, que legal, aquele moço ali em cima de um palco, balançando os braços.
04:45O que é o trabalho do maestro em si? Como é que funciona? O que se faz? Explica para as
04:50pessoas.
04:50Eu vou tentar resumir rapidamente como surgiu a profissão do maestro.
04:54Porque há 300, 400 anos, as orquestras, os grupos musicais eram muito pequenos
04:59e pouco a pouco os compositores foram escrevendo, compondo obras que aumentaram,
05:07que foram aumentando as orquestras. Na época nem chamava de orquestra, né?
05:10Foram aumentando os grupos musicais.
05:13Naquela época o próprio compositor ficava ali à frente, ensaiando.
05:17Então, à medida que a orquestra foi crescendo, surgiu a necessidade de uma pessoa ali na frente
05:22para fazer com que eles toquem, primeiramente, juntos.
05:24São muitos músicos que precisam tocar ali na mesma pulsação, no mesmo ritmo, etc.
05:30Então, a função do maestro, primeiramente, era fazer com que eles tocassem juntos.
05:35Mas foi se desenvolvendo também, ao longo do tempo, a técnica gestual do regente,
05:45no qual ele, dependendo da forma, dependendo do gesto que ele utilizava ali na frente,
05:52ele podia indicar maneiras de tocar.
05:55Então, se você fazer um gesto mais amplo, significa que você quer um som mais forte.
06:00Se você faz um gesto menor, significa um som mais suave.
06:04Então, com isso, você consegue não só controlar a pulsação da orquestra,
06:09ou seja, que os músicos toquem juntos, mas também a forma como você quer que eles toquem.
06:15E é claro que durante os ensaios também, sempre antes das apresentações, tem alguns ensaios.
06:19Então, é um maestro que estuda a música previamente, ele interpreta a música
06:25e diz como ele quer que soe.
06:27Como se fosse um técnico de som, que ele pode falar assim,
06:30olha, aqui eu quero os violinos um pouquinho mais forte.
06:33Então, ele pode, ou nos ensaios para a orquestra, pedir, solicitar os violinos que toquem mais forte, por exemplo,
06:40ou com um gesto, ele pode também induzir eles a tocar mais forte
06:43e com isso, controlando o som da orquestra.
06:47Os ensaios servem para essa combinação, correto?
06:50Exatamente.
06:51Mas cada movimento seu vai controlar toda uma orquestra, um conjunto de instrumentos.
06:57Como é que eles sabem qual é o movimento para cada conjunto,
07:01ou é tudo dentro de uma obra só?
07:03Faz um sinal para a gente, para a gente ver o que é obrando, o que é forte, o que
07:08é fraco.
07:08Então, basicamente, a gente, a técnica da regência, né, ela é...
07:13A gente não vai aprender não, viu, maestro?
07:15Mas é só de curiosidade mesmo.
07:16A gente tem, eu gosto de dizer o seguinte, a gente tem duas mãos.
07:20Com a mão direita, é a mão responsável pela marcação do tempo.
07:23Então, normalmente, as músicas, elas podem ser divididas em três, quatro tempos.
07:28Então, a gente tem, né, um, dois, três, quatro.
07:31Um, dois, três, quatro.
07:33É quase uma oração.
07:34É, exatamente.
07:35E com isso, os músicos se orientam aonde que eles estão.
07:38Eles têm a partitura, então eles sabem se você está no tempo um, está no tempo dois, né?
07:41Então, eles se orientam aonde que eles estão.
07:43Com a mão direita.
07:44Com a mão direita, isso.
07:44E com a mão esquerda, você pode indicar uma entrada,
07:49porque às vezes, numa obra orquestral, nem sempre todos os músicos tocam ao mesmo tempo.
07:54Então, pode ter um músico que está ali esperando a sua entrada.
07:56Então, você pode, com essa mão, indicar a entrada para ele, que, é...
08:02Claro, ele vai, ele está contando ali os compassos, né?
08:05Ele vai entrar no momento certo, mas quando você o auxilia, dá mais tranquilidade.
08:10E volto a dizer, com...
08:12Se você faz um gesto convidando ele, dependendo da forma como o gesto ele é apresentado para o músico,
08:18ele vai tocar de uma forma diferente também.
08:21Então, cada mão, uma é o tempo, a outra é a entrada do musicista.
08:25Nós estamos com imagens agora na tela, Maestro.
08:27Fala para a gente que apresentação foi essa, hein?
08:30Essa foi uma apresentação que foi realizada no ano passado.
08:35Foi um concerto, no início do ano, chamado Ritmos Latinos,
08:38em que a gente pegou obras de compositores brasileiros,
08:42compositores da América do Sul, da América do Norte, né?
08:46E foi um concerto muito interessante, com obras que tinham essa característica de uma rítmica muito presente.
08:57Aqui, exatamente, é uma peça de Leonard Bernstein, se não me engano, é um compositor americano.
09:06Belíssimo, né?
09:06Agora, qualquer musicista, musicista, músico, né?
09:11É, exato.
09:11Qualquer músico, ele tem capacidade de fazer parte, de ser regido por um maestro?
09:16Sim, sim.
09:17Mesmo coros amadores, por exemplo, sem saber, sem compreender nada da técnica,
09:25eles entendem.
09:26Porque a gente, é o que eu falo, a principal função do maestro é induzir,
09:30induzir os músicos a tocarem, né?
09:32Então, você não precisa conhecer exatamente a técnica de regência,
09:39você não precisa saber o que o maestro tem que fazer, fazer esse gesto,
09:43aqui é o 2, o 3, o 4, conforme eu expliquei,
09:46para entender como que funciona, entende?
09:49Então, é...
09:51Qualquer músico pode ser regido.
09:53Qualquer músico, músico amador, músico que está começando agora num coral, né?
09:57Ele vai entender, de certa forma, o que o maestro quer dizer com os gestos.
10:02Nós vamos para um rápido intervalo, em Minas de hoje está recebendo André Branche,
10:06que é maestro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
10:09Depois do intervalo, a gente fala, é claro, do próximo espetáculo,
10:13vou chamar assim, é maestro, que já vai estar em cartaz.
10:16Um spoiler, Chica da Silva, nós voltamos já já, não saia daí.
10:35Estamos de volta com o programa em Minas,
10:38que hoje recebe André Branche, maestro, regente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
10:45E as imagens que vocês acompanham agora na tela,
10:48é mais uma das belíssimas apresentações desse maestro.
10:51Maestro, já explica para a gente?
10:53E aí, essa apresentação aí, foi qual?
10:56Conta para a gente detalhe, por favor.
11:00Essa me parece que é exatamente a mesma apresentação.
11:04É uma outra obra do mesmo conceito Ritmos Latinos,
11:07que foi realizada no início do ano passado.
11:10E aqui parece que é um tambo, que nós estamos fazendo com a orquestra e com o coro.
11:16Ah, e vamos falar um pouquinho também sobre outras apresentações, maestro?
11:20Você teve também uma ópera voltada para músicas de cinema?
11:24Exatamente. A gente tem uma série na Orquestra Sinfônica.
11:27A Orquestra Sinfônica, ela é uma orquestra bem versátil.
11:31A gente apresenta concertos tradicionais, de música erudita,
11:34com grandes sinfonias, concertos para piano, etc.
11:37Mas a gente também tem a série Sinfônica Pop,
11:40que é uma série que a gente convida artistas da música popular,
11:45brasileira, e que a gente não faz em concertos, shows, né?
11:50Vamos dizer assim, que tem esse apelo mais popular.
11:54E a gente tem uma série que é muito adorada pelo público,
11:59que é a música de cinema.
12:02Anualmente a gente faz um ou dois concertos,
12:04e nós acabamos de realizar três concertos,
12:07sendo que um deles foi no Parque Municipal,
12:09que também é um local onde a gente apresenta com frequência,
12:12e dois no Grande Teatro.
12:14E foi concertos com música de John Williams,
12:17que é um grande compositor de trilha sonora.
12:19Ele escreveu músicas para Star Wars, por exemplo,
12:23Harry Potter, que nós apresentamos nesse concerto,
12:26Alice Schindler, Jurassic Park, dentre outros.
12:29São filmes muito conhecidos pelo público,
12:33e filmes cuja trilha sonora também tem uma importância na narrativa desses filmes,
12:41que são muito conhecidas.
12:42Então, o público gostou bastante.
12:45E qual que é a dificuldade ou desafio hoje em dia
12:49de uma orquestra ou do próprio maestro
12:53de promover essa aproximação da população com a ópera, com a música erudita?
12:58Existe uma dificuldade ainda para poder aproximar o estilo musical da população?
13:04Olha, eu acho que a principal dificuldade é um preconceito que ainda existe,
13:11que a música clássica é uma música de elite,
13:15uma música que você precisa conhecer, enfim, isso não é verdade.
13:20A gente, nós fazemos lá na Orquestra Sinfônica vários concertos,
13:26nós temos também eventos voltados para escolas,
13:30escolas da rede municipal, rede particular, enfim, instituições.
13:34E todos que, independente do que a gente apresenta,
13:39mesmo se a gente vai apresentar uma sinfonia que aparentemente
13:43parece que é um pouco distante,
13:45uma sinfonia do compositor europeu, Beethoven, Mahler,
13:49mas quando as pessoas vão, elas gostam, né?
13:52Então, eu acho que muitas vezes é o próprio preconceito
13:56de achar que a pessoa não está pronta para aquilo, sabe?
13:59É porque a música, ela realmente é encantadora para qualquer pessoa.
14:03O senhor acha que isso esbarra, por exemplo,
14:06no pouco contato, no pouco ouvir da população da ópera, por exemplo,
14:11que se fosse um pouquinho mais difundido,
14:13se tivesse mais presente, talvez as pessoas tivessem essa identificação?
14:15Porque é uma música forte, né?
14:18Que eu costumo dizer que ela vem no coração,
14:20a gente sente cada uma das batidas, né?
14:22Então, é encantadora, realmente.
14:24É, claro.
14:25Isso deve estar presente na educação das pessoas,
14:30nas escolas.
14:32Então, assim, os pais, as escolas têm que incentivar
14:36as crianças, os jovens a frequentar,
14:38não só concertos, né?
14:39Enfim, qualquer atividade cultural.
14:42Porque, e a gente também tem, nós temos a nossa,
14:45aqui nós temos um outro concerto no parque.
14:47Ia perguntar exatamente isso, nós estamos assistindo agora,
14:50o senhor regendo, maestro, ao ar livre,
14:53esse foi o do parque municipal?
14:54Não, esse não foi no parque municipal,
14:56esse foi no parque Lagoa do Nado, salvo engano,
15:00que é um parque lá na Pampulha, né?
15:01A gente, no ano de 2024, salvo engano,
15:05nós saímos um pouco do parque municipal,
15:07ocupamos outros parques da cidade justamente por isso,
15:11porque nem sempre a pessoa que mora
15:14numa região mais distante do centro
15:15tem a condição de vir para cá, né?
15:18Pegar uma condução, etc.,
15:21para assistir o concerto numa quarta noite,
15:23uma quinta noite.
15:24Então, a gente também,
15:25é função dessa série de concertos no parque,
15:29levar a música para outros lugares.
15:32Que não esteja só na região central.
15:34Exatamente.
15:34Abranger ali outras regiões da capital.
15:37E pelo Estado também, né?
15:38Sim, também, a gente apresenta.
15:40Nós já fizemos, nós fizemos uma ópera, por exemplo,
15:44há alguns anos em Ouro Preto,
15:47nós fizemos também em Congonhas,
15:49sempre que possível,
15:50afinal de contas, a orquestra sinfônica é de Minas Gerais, né?
15:53Então, é uma orquestra do Estado.
15:55Então, a gente, sempre que possível,
15:57tem que levar a música para fora de BH também.
16:01Maestro, vamos falar da ópera agora,
16:03Chica da Silva, neste setembro que está aí.
16:07Conta para a gente como é que é,
16:08como é que foi preparar Chica da Silva,
16:11o que o público vai encontrar,
16:12que ópera é essa, hein?
16:14Bom, é uma ópera inédita, né?
16:16É uma ópera que nós encomendamos.
16:18Então, assim, o que é muito comum a gente,
16:22os teatros produzirem óperas,
16:24títulos já consagrados, né?
16:26Mas a gente encomendou uma ópera
16:27de um compositor daqui do Brasil,
16:29chamado Guilherme Bernstein.
16:31E a ópera, ela fala sobre a história da Chica da Silva, né?
16:35Que é uma pessoa, uma ex-escravizada, né?
16:40Ela tem, ela, filha, ela, a mãe de Chica da Silva,
16:43ela veio da África para cá, foi escravizada.
16:47A Chica também.
16:48E ela conheceu o João Fernandes,
16:50que se apaixonou por ela, né?
16:52Isso é uma das histórias que a gente, né?
16:54Conhece.
16:55Conhece.
16:56E ofereceu a ela a carta de euforria.
16:58Então, ela foi, ela viveu grande parte da vida livre
17:01e morou em Diamantina.
17:03Então, a história que nós vamos contar
17:05é a história da Chica da Silva,
17:06que a gente acha que a história,
17:09a Chica da Silva, a Chica da Silva correta,
17:11ou pelo menos que a gente, como a gente vê,
17:14que a Chica é heroína, né?
17:16A Chica, que uma mulher forte,
17:20uma mulher com seus, com seus medos,
17:24com seus receios, também pelo fato de ser
17:27filha de escrava, fato de ser parda.
17:31Mas que buscou a liberdade.
17:33Exatamente, né?
17:34E que tinha, a história conta também
17:36um pouco sobre algumas filhas da Chica.
17:39Então, ela conta sobre os cuidados
17:41que ela tem com a sua família em si,
17:44a importância que ela teve na comunidade também,
17:46na época em que ela viveu.
17:48E Chica da Silva vai ser orquestra sinfônica,
17:51vai ter dramaturgia também?
17:53Não, a Chica da Silva, então, é um...
17:56A produção, ela faz parte da produção,
17:58a orquestra sinfônica, o coral lírico,
18:01a companhia de dança do Palácio das Artes,
18:03também estão os três corpos artísticos,
18:06vários solistas convidados, né?
18:07Que são, no total, mais de 20, inclusive.
18:12Então, né?
18:12A gente tem toda a encenação, né?
18:13Eu gosto de vincar que a ópera é uma das...
18:17Eu sou suspeito para falar porque eu adoro ópera,
18:20mas é uma das formas de arte mais completas
18:23porque ela aborda música, teatro, dança.
18:27Nós temos toda a parte de cenotecnia,
18:30os cenários, iluminação.
18:32Então, ópera, teatro, cantado, né?
18:34Com o acompanhamento de uma orquestra.
18:36Então, é um espetáculo completo
18:38que fala sobre a matemática nossa, mineira.
18:42Então, eu tenho certeza que todo mundo que for
18:45vai gostar e vai se identificar.
18:47E o senhor rege todo esse conjunto?
18:49Dos solistas, a orquestra, o balé?
18:54Ou tem um ensaio que combina todos esses elementos,
18:58mas o maestro está ali?
19:00É, nas apresentações, que a gente chama de récita,
19:03nós temos o maestro que fica no fosso, né?
19:07É um embaixo ali, a orquestra fica embaixo do palco,
19:10e em cima fica toda a cena.
19:12Então, o maestro, nas apresentações,
19:14tem a importância de conduzir todo o espetáculo,
19:17fazer com que orquestra, cantores, dançarinos, etc.,
19:21estejam todos juntos, né?
19:23Mas, nos ensaios, a gente tem um momento
19:26que o balé está ensaiando separadamente
19:29com o seu coreógrafo, sua coreógrafa, no caso.
19:33Tem um momento que o coro também está ensaiando separadamente.
19:36Exatamente. Agora me conta, quem quiser saber mais
19:39sobre a ópera Chica da Silva, como é que faz?
19:42Olha, pode acessar tanto o site do Palácio das Artes,
19:46o Instagram também do Palácio das Artes,
19:48que tem todas as informações acerca de compra de ingresso, enfim.
19:52Está imperdível?
19:53Eu tenho certeza que sim.
19:55O senhor é suspeito, mas eu também tenho certeza
19:56que vai estar imperdível.
19:57André, muito obrigada por estar com a gente aqui no programa em Minas,
20:00foi um prazer recebê-lo.
20:01Obrigado, o prazer foi meu.
20:03Pessoal, o Em Minas de hoje recebeu André Brant,
20:05maestro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais,
20:08lembrando a íntegra da nossa conversa.
20:10Você acompanha no jornal Estado de Minas na próxima segunda-feira.
20:15O Em Minas de hoje fica por aqui.
20:18Eu te convido para um bloco exclusivo com a gente no YouTube,
20:20eu estava esquecendo disso, nosso bate-papo segue um pouquinho mais.
20:23Te convido a vir com a gente no YouTube do Portal Uai.
20:25Obrigada pela companhia e até o próximo programa.
20:28Tchau!
20:43Tchau!
21:20Estamos de volta com o programa em Minas,
21:22agora com esse bloco exclusivo para você que nos acompanha aqui no YouTube do Portal Uai.
21:26Nosso convidado de hoje, a gente conversa aqui, continua aqui a conversa com o André Brant,
21:31maestro regente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
21:35A gente encerrou o bloco anterior falando um pouquinho do espetáculo, né,
21:38da ópera Chica da Silva, em cartaz no Palácio das Artes.
21:43Todo o figurino foi feito pelo próprio corpo do Palácio da Fundação, Clóvis Salgado, é isso?
21:50Conta pra gente um pouquinho de curiosidade sobre a ópera, sobre a Chica da Silva.
21:55Isso, na verdade, ele ainda está sendo produzido, assim, já está, faz final de produção e tudo é feito pela
22:05Fundação Clóvis Salgado, né,
22:08que é a fundação mantenedora ali do Palácio das Artes, dos Corpos Artísticos.
22:13A gente tem um centro técnico de produção aqui, onde são construídos todos os cenários,
22:21são feitos os figurinos e onde também se encontram os cenários dos figurinos das produções passadas.
22:29Realmente é um trabalho muito grande, um trabalho que começa vários meses antes.
22:34Os ensaios com os cantores, com a orquestra, propriamente dito, começa um mês antes da estreia,
22:44mas a fase de pré-produção, que é justamente produção de cenário, confecção de figurino,
22:52e ainda tem a fase antes disso, no qual os diretores conversam, né, porque a gente tem a Juliana Santos,
23:00que é a diretora cênica, diretor e quem faz a concepção cênica, e ela conversa com o cenógrafo, com o
23:07figurinista,
23:09e informa pra eles qual é a concepção cênica, ou seja, quando que a ópera vai se passar,
23:13porque ela pode se passar em vários momentos históricos diferentes, né,
23:20e com isso, a partir da ideia que a diretora cênica tem, esses profissionais vão construindo, né,
23:27cada um na sua respectiva área, vão construindo todo o material necessário pra que a ópera seja realizada no teatro.
23:38Quantas pessoas ficam envolvidas dentre bastidores, ou de fato ali no palco, numa ópera como Chica da Silva?
23:49Olha, é muita gente, né, porque se a gente pensar, orquestra são mais de 70 pessoas, coro também, balé,
23:59então, eu diria em torno de 250, 300 pessoas que estão ali presentes, né,
24:06é muita gente atrás das coxias, trabalhando, movimentando o cenário, enfim, é realmente muita gente,
24:16e é muito interessante ver toda a movimentação que o público não assiste, né,
24:20o público vê o que que tá acontecendo no palco, mas ali atrás...
24:23Vê pronto, mas por trás tem todo um movimento, um corre praquilo acontecer na frente das cortinas.
24:28É um espetáculo grandioso que realmente tem a participação de muita gente, é muita gente envolvida.
24:33Agora, voltando um pouquinho aqui, por curiosidade, o senhor já esteve à frente de ópera com trilha de filmes, né,
24:40como a gente viu, também, enfim, várias segmentadas, assim, pra talvez, não só porque seja belíssimo,
24:50mas pra tentar aproximar ali o público da ópera.
24:54Inclusive, já fez também uma apresentação de ópera com músicas, com compositores mineiros, tô enganada?
25:00É, a gente faz, a gente faz, nós já fizemos, por exemplo, apresentações com...
25:08Tem um conceito que nós fizemos nesse ano, foi ano passado, eu me lembro, com música de Marcos Viana também,
25:16que foi um sucesso, né, foram algumas cantatas que ele escreveu.
25:20Marcos Viana é um grande compositor também de trilha sonora, né, um compositor mineiro,
25:26que se...
25:27De músicas para novelas e programas, inclusive daqui da Alterosa também.
25:31Exatamente, mas ele também tem obras que não são, que são essas cantatas que ele escreveu,
25:37foge um pouco, né, dessa linha de trilha sonora, então, que ele chamou de cantatas sinfônicas,
25:44que nós apresentamos, nós fizemos o primeiro concerto com músicas dele há uns três anos,
25:49mas nesse concerto não estavam prontas todas as cantatas, então, nesse dia último,
25:55que foi no final do ano passado, na verdade, apresentamos a obra completa, que também foi um sucesso.
26:00Então, como eu disse, a orquestra sinfônica e o coral lírico, enfim, a companhia de dança,
26:05são grupos bem versáteis, que não focam apenas na música erudita de fato, né,
26:12mas também na música popular, música de cinema, palé também, né,
26:17então a gente consegue com isso atingir um público cada vez maior.
26:22Agora, para a gente encerrar, a minha pergunta final é a seguinte,
26:26que música o senhor escolheria para reger, né, óbvio, como maestro,
26:32que mostrasse o que de fato é Minas Gerais, se você tivesse que apresentar o nosso estado para o mundo?
26:39Olha, é...
26:41Que represente Minas Gerais para o senhor.
26:44Bom, é difícil dizer, mas eu diria, aproveitando agora que nós estamos fazendo essa ópera, né,
26:57eu diria que, claro, também aproveitando para fazer um convite,
27:04mas que essa ópera Chica da Silva, ela vai ser, o público vai realmente se identificar bastante,
27:10porque, como eu falei, é uma temática muito próxima a gente, né,
27:16os teatros, eles têm o costume de apresentar grandes títulos, né,
27:22títulos de compositores italianos...
27:24Mousa, de Mousa, exato, né, que são músicas excepcionais, que eu adoro,
27:29nós fizemos esse ano, por exemplo, uma ópera de Mousa, chamada As Bodas de Fígado,
27:32que foi um sucesso.
27:35Tava uma ópera de mais de três horas de duração, que nós vendemos todas as entradas,
27:40e o público, nós ficamos até assim, sabendo, perguntando se o público iria ficar até o final,
27:46afinal de contas são três horas, mais o intervalo, mas o público não arredou o pé.
27:51Mas agora, essa ópera Chica da Silva, que é uma ópera um pouquinho mais curta,
27:55ela, justamente pela temática ser uma temática nossa, eu acho que, nesse momento,
28:00eu diria que a Chica da Silva é uma ópera que vai falar muito sobre a nossa história,
28:06e vale muito a pena...
28:07A nossa história, a nossa cultura...
28:09Exato, vale muito a pena ir conferir.
28:12Eu tenho certeza que o público vai gostar.
28:15Muito bom, então fica aí o convite para vocês assistirem a ópera Chica da Silva,
28:20no Palácio das Artes, com regência aqui de André Brante, maestro, regente e residente,
28:27vamos dizer assim, para quem conhece, para quem está aí em casa, da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
28:31Muito obrigada mais uma vez pela entrevista, por estar aqui com a gente no programa em Minas, André.
28:35Muito obrigado, o papo foi ótimo, agradeço pelo prazer.
28:38Eu é que agradeço.
28:39Você que nos acompanhou até aqui, aproveito para te lembrar que a íntegra da nossa conversa,
28:43você acompanha no Jornal Estado de Minas na próxima segunda-feira.
28:46Obrigada pela companhia pessoal e até o próximo programa.
28:49Tchau!
28:57Tchau!
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