Avançar para o leitorAvançar para o conteúdo principal
  • há 2 dias
Transcrição
00:00Este sou eu.
00:02E esta é a Susana.
00:04A nossa vida era perfeita e íamos ter a casa dos nossos sonhos.
00:07Até que um ladrão nos roubou o nosso dinheiro.
00:09Estou a falar do pai dela.
00:12O dia que tivemos que viver com a sua família.
00:14Com a mãe da minha namorada que me quer ver mortos.
00:16Com a tia solteirona que precisa de marido.
00:18Com o irmão que precisa de um cérebro.
00:20Com os filhos do irmão que adoravam ter outro pai.
00:22E com o avô que é o dono da casa e nos quer ver a todos pelas costas.
00:32Este chão os mata.
00:33Nunca um apelido ficou tão bem a uma família.
00:36Teresa.
00:38Eu preciso de ir para viver.
00:39Eu não consigo viver sem ti.
00:41O meu coração não bate sem ti, Teresa.
00:44Por favor.
00:46Se avisa esta mensagem aos 20 anteriores, liga-me.
00:48Está bem?
00:49Ah, outra coisa.
00:50Eu sei que deixaste aqui os miúdos só para me pôr à prova.
00:53E estou a fazer progressos.
00:55Sinto os miúdos cada vez mais próximos.
00:57Somos uma família.
00:58Há um amor a nascer, Teresa.
01:00E eu acho que eles começam a respeitar-me um bocadinho.
01:03Pai, sim, é um inútil como é hábito, mãe.
01:06Estás a falar com a tua mãe?
01:08Não, não, com a amiga.
01:09Ah, amiga.
01:10O que é que dizias, mãe?
01:11Ah, estás a falar com a tua mãe.
01:13Estás a me enganar.
01:14Sim, sim.
01:14Está a fazer aquela cara esquisita.
01:16Mas que cara esquisita?
01:18Raquel, vai cá ao telemóvel.
01:19Vem, deixa-me lá.
01:20Deixa-me lá com a tua mãe, Raquel.
01:21Raquel, mata.
01:23Abre esta porta imediatamente.
01:24Vou contar até três e tu vais abrir esta porta.
01:27Hum?
01:30Um, dois, três, quatro, cinco.
01:39Raquel, eu estou a ficar sem paciência.
01:42E sem minutos.
01:49Eu, algum problema?
01:52Eu sei que ninguém nesta família se apercebe,
01:55mas os meus filhos não me respeitam.
01:57A sério?
01:59Ninguém diria.
02:00Alô?
02:01Pronto para mais um dia de trabalho?
02:05O que é que foi?
02:07Nós precisávamos que nos levasses à escola.
02:09Ah, agora que já precisas, estás toda simpática, não é?
02:12E se eu não quiser?
02:13E se eu não quiser agora?
02:14Ah, para lá com isso.
02:15Parece pior do que eles.
02:17Eu levo todos.
02:18Entendem?
02:20O que é que foi?
02:22Para variar, não me deixaram comer nada ao pequeno almoço.
02:25Eu preciso comer qualquer coisa.
02:27Então vá, nós fazemos companhia, vá lá para o pequeno almoço.
02:30Obrigado.
02:39Vá, Paulo, despasta-te.
02:40Educação dos meus filhos não pode esperar.
02:41Vá.
02:42Escola, escola.
02:43Bora.
02:44Tua mãe.
02:45Sim, vamos para a escola agora.
02:46Estás a falar com a tua mãe?
02:47Dá cá, outra forma.
02:48Não.
02:49Não.
02:50Dá cá, dá cá, dá cá, dá cá, dá cá, dá cá.
02:55Confiscado.
02:55Oh, deite.
02:56Vamos para a escola.
03:00Veja-lhe, veja-lhe, veja-lhe, veja-lhe, veja-lhe.
03:05Não me respeitam?
03:06A culpa é da mãe.
03:07Está sempre a meter veneno, sempre a meter veneno.
03:09E eu sofro, Paulo.
03:11Sofro muito com isto.
03:12Mas eles agotam contigo.
03:14Porém, tu não lhes mostras que não és como ela diz que és?
03:17É, tens razão.
03:19E como é que eu faço isso?
03:21Puxas para o teu lado.
03:23Puxá-los para o meu lado.
03:24É isso.
03:24Eu só tenho de mostrar-lhes como eu sou verdadeiramente.
03:27E como é a mãe deles.
03:29Na minha versão.
03:30Basicamente, isto é um jogo para ver quem é que consegue falar pior um do outro.
03:33E esse jogo eu também sei fazer.
03:35Ah, se sei fazer esse jogo, ela vai passar-se.
03:37E eu acho que não percebeste muito bem o que eu te disse.
03:39Percebi, percebi.
03:40Perfeitamente.
03:41Obrigado pela dica.
03:41Agora vamos embora que eu já tenho aqui a ideia.
03:43Afonhar.
03:44Afonhar.
03:59Bem, o que é que eu posso começar por fazer cá na empresa?
04:04É isso.
04:05É esse Paulo que eu quero aqui na Armaza.
04:08Espírito empreendedor.
04:10É esse Paulo.
04:11Que ontem não esteve cá.
04:14Foi do choque inicial.
04:20Isto agora é meu.
04:21Ok?
04:22Claro.
04:24Bem, se calhar eu podia começar por verificar as contas.
04:27Contas?
04:30O livro de contabilidade, essa é a minha área.
04:33Posso começar por dar uma olhadela?
04:35Uma olhadela?
04:38Mas que olhadela?
04:40Para só organizar, verificar.
04:45Oh pai, só um bocadinho.
04:49Este tipo é perigoso.
04:50Ela já foi das finanças.
04:52Já sabes, isso é uma tatuagem.
04:53Nunca mais sai do corpo.
04:55Você tem cuidado.
04:55Mas ouve, agora é da família.
04:59Paulo, isso até é uma ótima ideia.
05:02Uma ótima ideia.
05:04Eu até te mostravam os livros.
05:06Se nós os tivéssemos.
05:08O quê?
05:10Não tens os livros de contabilidade?
05:11Claro que temos.
05:12O Armaz é uma empresa familiar, pequena, mas honesta.
05:17Queres ver os livros de contabilidade?
05:19Eu mostro os livros de contabilidade.
05:23Quero ver os livros de contabilidade.
05:26Tens aqui um livros de contabilidade?
05:35É só isto?
05:37Isto é o que está anotado.
05:39Os números estão aqui.
05:42Onde devem estar?
05:45Hoje em dia, da maneira como o mercado está, um empresário não pode estar perdido tempo a tomar notas.
05:51Não, tem de fazer, tem de correr atrás, tem de pensar.
05:53Onde devem estar?
05:54Não tem sobretudo, eu diz.
06:11Está um bocado desorganizado.
06:19O que é que são estas despesas tudo?
06:22Deixa cá ver.
06:27Ah, isso é do cartão da empresa.
06:30Mas defila-se só a laser.
06:36Tu achas que nós andamos a fazer tratamentos de beleza?
06:39Não sou só eu que tenho o cartão da empresa.
06:42O que mais é que tem?
06:43Toda a família, tudo, todos.
06:46Tu achas que eu sou parvo?
06:48O avô não tem.
07:09É impossível perceber estes números.
07:11Inclusive, eu sinto que a minha cabeça vai arrebentar.
07:14Olha, eu estou-me a tocar arrasco com este sudoku e não me mando a queixar, pois não.
07:18Qual é o problema, Paulo?
07:21O problema é que pelos vistos há três meses que não entra dinheiro nesta empresa.
07:24Não pode ser.
07:25Não estás a ver bem.
07:27Estou, estou.
07:30Débito, débito, débito, débito, débito, débito, débito, débito, débito, débito também.
07:35Coluna dos créditos.
07:38Nada.
07:39Não, não pode ser.
07:40Vê lá melhor.
07:42Eu vi bem.
07:43A sério.
07:44Veja.
07:49A verdade é que a empresa está num buraco.
07:56Num buraco?
07:58O que é que isso quer dizer?
07:59Num buraco.
08:00Num covo.
08:01Num edifício.
08:02Numa sepultura.
08:06Há três meses que nos retiraram a concessão de venda de sabonetes para hotéis e desde
08:10daí que não entra dinheiro nenhum.
08:13Então isso quer dizer que está arruinado?
08:17Está não.
08:18Estamos.
08:19Estamos.
08:20Tu, neste momento, és parte fundamental da empresa.
08:23Pelo menos vistas, entrem na melhor altura.
08:25Não, mas calma.
08:26Calma.
08:27Não vamos agora entrar em pânico, não é?
08:29Não podemos entrar em pânico.
08:31Até porque ninguém lá em casa sabe disto, não é?
08:33E não tens o que dizer?
08:34Não vamos agora fazer uma tempestade num copo d'água.
08:37Para quê?
08:37Eu já estive em situações muito piores do que esta e resolvi os problemas.
08:42E isto não pode ficar assim.
08:43Tem que resolver esta situação.
08:45Claro.
08:45E vai ser resolvida.
08:46A situação vai ser resolvida.
08:48Eu não sei é como.
08:51Só há uma solução.
08:53Há uma.
08:55Para com as despesas, todas, tenho que falar com a família e tirar-lhes o cartão da empresa
09:01rapidamente.
09:02Pronto.
09:03Tira-se o cartão da empresa?
09:05Mas eu trato disso, Paulo.
09:07Eu trato disso.
09:07Deixei-se com ele.
09:08Boa.
09:09Assumo resolvido.
09:09E se fôssemos trabalhar um bocadinho.
09:11Bora.
09:12Trabalhar.
09:32Olá.
09:33Bom dia.
09:34Bom dia.
09:35Porreiro.
09:35Ah, porreiro.
09:36Deixaram um coração para mim.
09:38Obrigado.
09:38Tens de ser mais rápido.
09:40Oh, Arturo.
09:43Estes dois casacos, qual é que me fica melhor?
09:45O que é que tu achas?
09:46Não sei.
09:46Eu acho que me ficam bem, os dois.
09:48É difícil.
09:49Muitos, não é?
09:50É.
09:50Se eu comprasse os dois.
09:52Pois.
09:52Compre os dois, mãe.
09:53Compra.
09:54Tu mereces.
09:54É por isso que eu e o pai estamos a construir o Império Hermasa.
10:00Podemos conversar?
10:02Agora.
10:09Mas como é que ainda não lhes disse para pararem de usar o cartão da empresa?
10:12Paulo, a família é sagrada.
10:15Eu não lhes posso negar as necessidades básicas.
10:18Básicas?
10:19Ela vai comprar dois casacos iguais.
10:20Arturo, eles vão espoliá-la até aos dentes.
10:22Eu gostava de recuperar o meu dinheiro de volta.
10:24Eu não quero ficar a viver aqui até o resto da minha vida.
10:26A minha ideia era ficar dois dias e eu já estou aqui há...
10:38Tu me senti mal com mim.
10:40Mas claro.
10:41Tu não comes nada, porque era o moço.
10:43Bom, eu não posso dizer as coisas assim de chofre.
10:48Temos que ir devagarinho.
10:50A torneira tem de ser fechada devagarinho.
10:52Percebes?
10:54Hoje, por exemplo, não é um dia bom para termos esse tipo de conversa.
10:58Então, mas se tem tantos problemas com isso, eu vou.
10:59Pô, eu conto.
11:00Não, calma.
11:01Pá, pá, tem calma.
11:03Há uma maneira de dizermos sem dizermos.
11:09Explico lá como é que é isso.
11:11Espera, espera.
11:12Mas como é que vamos riscar os cartões?
11:14Pegamos numa chave e riscamos a banda magnética.
11:17Isso eu sei, não é isso?
11:18Mas porquê que estás a perguntar?
11:19Tu queres me arranjar problemas ou queres ajudar?
11:22Eu fico com os cartões do Marco e da Mónica.
11:25Tu ficas com o da Glória e da Susana.
11:27A Susana tem um cartão.
11:30Desbaixa-te.
11:31Temos de ser rápido.
11:41O que é que eu faço aqui?
11:44É que eu não ia tratar do cartão da mulher.
12:06O que é que eu faço?
12:15Glória, eu cheguei acima onde é que meti os comprimentos para a memória.
12:20E isso é para que é que isto toma? O resultado é o mesmo.
12:33Este momento vai me traumatizar para o resto da minha vida.
12:40Amém.
12:42Amém.
12:43Amém.
12:45Amém.
12:47Amém.
12:48Amém.
12:51Amém.
12:59Amém.
13:12Música
13:39Música
13:45Música
13:45Desculpe, desculpe
13:47Música
13:48Música
13:51Música
13:51Artur, imaginas o que o Paulo fez?
13:54Apanhaste-o?
13:56Pô, isto foi ideia dele, não foi ideia minha?
13:59Tu o sabias e não o impediste?
14:01Pô, nós estamos a dever-lhe dinheiro
14:03Ah, pronto. Estou comigo. Estamos a dever de dinheiro.
14:06Ele em troca pode ver nua.
14:08Estás aqui, estás-me a prostituir.
14:09O quê?
14:11Mas o que é que tu estás a falar?
14:13Eu apanhei-o a espiar-me enquanto tomava bem.
14:17Tu achas que ele é tarado.
14:18O quê?
14:19Mas o que é que tu estavas a falar?
14:22Ah, eu vou falar com esse tarado.
14:29Arthur, Arthur.
14:30A sua mulher apanhou-me em flagrante.
14:32Eu também.
14:32Calma, calma.
14:33Calma, calma.
14:34Ela não sabe nada.
14:35Calma.
14:36Anda cá.
14:37Não fujas, Paulo.
14:38Anda cá.
14:38Foge.
14:39Foge.
14:40Foge.
14:41Anda cá, desgraçado seu tapenho.
14:44Foge.
14:45Desaparece.
14:46Corre.
14:46Corre.
14:47Corre.
14:49Anda cá.
15:00Ai, ai.
15:02Ai.
15:02Ai, meu Deus.
15:05Ai, meu Deus.
15:13Olá, filhotes.
15:14O que é que te aconteceu?
15:16Foi a vossa mãe que bateu-me.
15:18O quê?
15:19A mãe bateu-te?
15:20Não, não.
15:21Foi um acidente.
15:22Acidente.
15:23Ok, ok.
15:24Não, ela...
15:25Ela bateu-me.
15:26Pronto, já falei demais.
15:27A mãe bateu-te?
15:28Está doida.
15:29Olha, tu não falas assim da tua mãe.
15:31Hã?
15:32Não falas assim da tua mãe.
15:33Que ela é culpada porque no acabo desta família traiu-me, bateu-me.
15:37Sim.
15:38Ela traiu-te, mas tu traíste-a primeiro.
15:39Quer dizer, isso é a versão oficial.
15:42Porque eu...
15:43Eu fiquei com as culpas.
15:45Eu arquei com as culpas, filha.
15:46Para que não vissem a tua mãe como uma...
15:47Uma doida barrida.
15:50Mas nunca mais vou esquecer o dia em que cheguei a casa.
15:53E apanhei a vossa mãezinha na cama com o...
15:57Isto é uma história para vocês.
15:59Vocês não têm idade para isto.
16:01Dói.
16:02Dói, filho.
16:03Dói.
16:05Dói mais não poder abraçar-vos com os dois braços.
16:07Os meus filhos.
16:16Ai, vocês não imaginam o que me aconteceu hoje no cabeleireiro?
16:19Um desastre.
16:21Quando ia usar o cartão da empresa para pagar, não funcionou.
16:24A sério?
16:25É que a mim aconteceu-me o mesmo.
16:27Mas vocês têm cartão de empresa.
16:29Todas isso deve ser por causa da antena de telemóveis que instalaram agora aqui ao pé,
16:34que desmagnetiza os cartões.
16:36Só pode ser isso.
16:36Os vossos cartões também deixaram de funcionar?
16:38Sim.
16:39Mas porquê que eu não tenho um cartão desses?
16:42E porquê que o pai queria um?
16:43O pai nunca se lembra onde é que deixou a dentadura?
16:45Como é que se ia lembrar do código do cartão?
16:48Ah, essa é a paga que eu recebo por vos deixar de viver na minha casa?
16:52Oh, bom.
16:53Nós só vivemos aqui consigo para você não estar sozinho.
16:55Você é que nos vinha pagar por isso.
16:56Por favor, o que estamos a fazer?
16:57Bom, vocês dê-me os cartões que eu amanhã vou ao banco e trato disso.
17:03Não te preocupes que eu já estou a tratar do assunto.
17:07Não.
17:08Glória, Glória.
17:09É o banco?
17:09Glória, Glória, Glória, Glória, Glória.
17:12Eu confesso.
17:13Eu confesso.
17:15Os cartões não funcionam porque o Paulo os inutilizou.
17:21O quê?
17:22Bem feita.
17:24Ficam todos sem cartão.
17:25Ele disse-me que enquanto eu não lhe pagar o que lhe devo, os cartões ficam inutilizados.
17:32Passou-se.
17:32O grandecíssimo filho da mãe já está na altura de Alagã e já tromba esse gajo.
17:38Filho, pê lá o que é que vais fazer, hã?
17:40Vou fazer um coração misto e um galão.
17:44Mas o que é que se passa com aquele indido?
17:46Primeiro rouba a minha filha, depois enfia-se cá em casa.
17:49Depois vai-me espiar na casa de banho.
17:52Daqui a nada está a querer violar, só de falta é essa, não é?
17:55Eu também não estou de acordo com o que ele fez, hã?
17:58Mas tens de perceber, o Paulo só quer é sair daqui o mais depressa possível.
18:03É isso que ele quer, não é?
18:04Então não te preocupes, que eu ajudo.
18:15Desculpa, podia passar aí o pão.
18:16Ah, não há pão.
18:17Ah, sim, está aí.
18:18Ah, não há.
18:19Até para os pão.
18:27Bom, eu...
18:29Bom dia.
18:31Bom dia, rapaz.
18:36Bom dia.
18:43E então, o que é que aconteceu?
18:52Mas o que é que se passou?
18:53O que se passou é que esta família gosta de tomar bons pequenos almoços.
18:57E como não sabemos quando é que voltamos a fazê-lo...
19:00Mas não é para comer um coração que vão morrer sob muteridos.
19:02Tu até nem te importavas que nós morrêssemos à fome, pois não?
19:04Desde que tu consigas ter aquilo que queres.
19:06Eu sou pai de filhos.
19:07Como é que tu podes ser tão insensível?
19:10Bom dia.
19:13O que é que aconteceu?
19:17Nada.
19:18Estamos só no meu pequeno almoço.
19:20Nem todos, não é?
19:21Claro que nada.
19:22O que é que se passa é que este lapardanas deste contabilista Zeco deixou-nos sem cartões.
19:31O quê?
19:32Já por cima faz-te parvo.
19:34Eu só noto um par de galhetas agora mesmo, por respeito à minha irmã.
19:37Tirar da boca a comida das pessoas que o sustentam.
19:40Bom, eu tenho de sair porque tenho uma reunião de negócios muito importante.
19:45Não, não, não, não.
19:46Não tem reunião importante nem negócios.
19:48Não tem nada.
19:49Tem uma lata do caraças.
19:51Ouve lá.
19:52Ouve lá, meu rapaz.
19:53Eu até percebo, até percebo.
19:55Posso perceber que tu queiras rever o teu dinheiro.
19:58Agora, não à nossa custa.
19:59Venha, colega.
20:00O quê?
20:01Venha, colega.
20:02Estás a perceber?
20:03Não, não, nem pensar, nem pensar.
20:07Vocês estão falidos.
20:08Percebem?
20:09Essa é que é a verdade.
20:14Artur, né?
20:16O que história é esta?
20:19Não, não, não.
20:20É ele que está a exagerar.
20:24Não, não, não.
20:26Realmente, o que se passa é que há um desfazamento contabilístico na Armazem.
20:31Isso é uma questão virtual.
20:32Artur, quanto dinheiro é que nós temos no banco?
20:35Então, bom, mas como...
20:39Artur, quanto?
20:40103 euros e 60 cêntimos.
20:52Tu estás a brincar, não estás?
20:54Não, não.
20:55Esta é a realidade.
20:57Isto é o que acontece quando numa empresa durante três meses não entra dinheiro.
21:03Mas, ouve, eu só te peço que me dês uma semana, Glória.
21:05Mas eu não sei se vou aguentar isto.
21:07Eu só te peço uma semana.
21:09Glória, eu só te peço...
21:11Glória, eu só te peço uma semana.
21:20E se o estás a fazer esta família?
21:23Estás contente?
21:37Mas, o que é que estão a fazer?
21:39Estão a espiar?
21:41Eu também não acho isto nada, nada, nada bem.
21:43Nada.
21:44Mas é...
21:45É uma tradição familiar, Paulo.
21:47É, Paulo, cálice.
21:49Por vossa culpa já perdi uma frase.
21:52Deixa-me-o explicar.
21:55Glória, confias em mim?
21:57Eu toda a vida confiei em ti, Artur.
21:59Não vou dizer que aqui e ali não tenha mandado um detetive particular seguir-te.
22:03Mas sempre, com o problema.
22:04Agora, uma situação destas...
22:06É que eu nem sei o que é que é de pensar.
22:07Eu tenho de confessar uma coisa.
22:12Já não é a primeira vez que a nossa família passa por esta situação.
22:16Só que, das outras vezes, eu não disse nada.
22:18Eu sei.
22:19Sabes?
22:20Com certeza, eu não sou parva.
22:22Mas, sabe, guardei a família e calai-me.
22:24Ufa, a culpa não foi minha.
22:26Eu estive a esta distância de conseguir uma solução.
22:30Só que...
22:31Não...
22:31Pronto, não...
22:33Não consegui.
22:35O Paulo até nos tem estado a ajudar a...
22:38A recuperar o dinheiro.
22:39Paulo, Paulo, Paulo, Paulo.
22:40Eu já não posso ouvir falar nesse Paulo.
22:42Desde que esse indivíduo entrou nesta casa,
22:45as coisas vão mal ou pior.
22:57Então, a culpa é do Paulo.
23:00Olha, ainda bem que concordas.
23:02Ou tu estavas só a espiar.
23:04Eu acho incrível.
23:05Desde que o Paulo veio para cá,
23:06que já perdeu a casa, o emprego, as poupanças, tudo.
23:09E vocês, não sabem, é desprezá-lo.
23:11Sabem o que mais?
23:12Sabem?
23:13Tenho vergonha de pertencer a esta família.
23:17Artura, o coiso já a pôs contra nós.
23:26Descansa, pai.
23:27Felizmente, tens-me em mim.
23:30E eu, português, que estou sensibilizado com a situação financeira difícil da nossa família atualmente,
23:37tomei uma decisão.
23:38O jeep que ia comprar, estive a pensar melhor e...
23:41Já não quero.
23:44Já não quero.
23:45O estofo sem pele.
24:06Paulo, para com isso.
24:09Susana, deixa estar.
24:10Vou-me embora desta casa.
24:12Desta vez, ninguém me vai fazer mudar de ideias.
24:15Dá-me só aqui uma ajuda.
24:16Já está tudo torto isto.
24:18Dá-me ajuda.
24:18Paulo, não sejas parvo.
24:20Minha mãe não sabe o que diz.
24:22Claro que sabe.
24:23Eu tenho toda a razão.
24:24Eu não me encaixo nesta casa.
24:27Não digas isso, Paulo.
24:30Susana, eu não aguento mais.
24:32Eu desisto.
24:36Desistes muito depressa, não é?
24:38Então dá-me só uma razão para eu ter que aguentar isto tudo.
24:40Não.
24:44Ok.
24:46Tu és a razão.
24:49És a única razão.
24:51Mas...
24:52Mas nada, Paulo.
24:55Por incrível, parece estes últimos dias aqui,
24:58contigo, têm sido os dias mais felizes da minha vida.
25:01Pô, que tipo de vida é que tiveste antes?
25:05Uma vida sem ti.
25:20Isso é que vai uma animação, é?
25:22A grande da tarde aqui com o vosso superpai.
25:24Valeu ou não valeu a pena?
25:25Não foi má, mas seria melhor se não nos tratasses como criancinhas de três anos.
25:28Não foi má.
25:29Então fomos lanchar, fomos ao cinema, fomos às compras.
25:32E garanto-vos, da próxima vez pago eu.
25:34O melhor foi o filme, não foi?
25:35Ai, eu disse que era um filmaço, não é?
25:38A cena dos traixos.
25:42O que é que foi?
25:43Nada, nada, nada.
25:44Entrou-me uma coisa para o olho.
25:47Já vai.
25:57Já nem na casa de banho se consegues estar descansado.
26:00É, eu não tenho cartão, tu não tens privacidade, é assim, a vida é madrasta.
26:04O que é que estás a fazer?
26:06Pintei o olho de negro e disse-lhes que foi a mãe deles que me bateu.
26:08Assim passam a odiá-la e a gostar de mim.
26:12Quando eu disse para os puxares para ti, não me referi a essas idiotices que tu andas
26:16a fazer.
26:17É, mas na simplicidade é que está a eficácia.
26:19E lá é além disso, eles nunca vão desculpas.
26:22Por isso.
26:25Espero que este pequeno percalde-se não retire tudo o que já passámos em família.
26:30Lembram-se do filme dos traques?
26:32Mãe tinha razão.
26:34Tu és mesmo do pior eu.
26:35Não prestas.
26:39Também tinha razão.
26:40Não prestas.
26:41Estou farto de me comparem à vossa mãe.
26:54Onde é que vocês vão?
26:56Vamos estar com a nossa mãe.
26:57Fazem muito bem.
26:58Vão, vão.
26:59Já vai à tarde.
27:00Adeus.
27:01Boa viagem.
27:03Tu és doido.
27:05Descansa, olha, perda.
27:06Isto é bluff.
27:06Daqui a dois minutos vou bater à porta.
27:08Isto é psicologia infantil.
27:09És pai.
27:10És pai, não percebes?
27:28Ainda não lhes abriste a porta?
27:30A quem?
27:31Aos teus filhos.
27:33Meus filhos, esquece-me deles.
27:53A família mata volta na próxima sexta-feira com uma nova história logo após o Jornal da Noite.
27:59Já a seguir no capítulo 2 de Laços de Sangue, vamos ver quanto custa a liberdade.
28:04João pergunta à mãe se ela quer abdicar da Ioiô em troca do divórcio de Diana.
28:09Depois, às 11h30, temos um dos últimos episódios da novela Passione e à meia-noite e meia passa a série
28:16do Walking Dead, os mortos e vivos.
28:19Amanhã, a partir das 8h da noite, a Liga Europa joga-se em exclusivo aqui na SIC.
28:23Benfica, Paris Saint-Germain, em direto do Estádio da Luz, um grande jogo a não perder.
28:29Sábado à tarde, temos a estreia de agente dupla e na próxima segunda-feira, não perca, a partir das 10h
28:35da manhã, o recrase de Júlia Pinheiro com Querida Júlia.
29:04Sábado à tarde, temos a estreia de agente dupla e na próxima segunda-feira, não perca, a partir das 11h
29:06da manhã, o recrase de Júlia Pinheiro com Querida Júlia Pinheiro com Querida Júlia Pinheiro com Querida Júlia Pinheiro com
29:07Querida Júlia Pinheiro com Querida Júlia Pinheiro.