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  • há 4 semanas
O relato de mulheres que vivenciam uma maternidade não idealizada, mas cheia de afeto e pequenos milagres

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Transcrição
00:00O maior desafio, eu considero que no início de tudo, é quando a gente tem que abrir mão da maternidade
00:07idealizada.
00:09É difícil, é puxada, é cansativa.
00:12Tem muito preconceito, então as pessoas acham que agora é modinha.
00:16Tudo é autismo, mas ele não tem cara de autista.
00:20O maior desafio é a gente ter que não só educar uma criança, preparar ela para o mundo,
00:25mas também ter que tentar preparar esse mundo para receber essa criança.
00:30Daiane, Camila, Sabrina.
00:32Elas são mães de crianças no espectro autista e no dia a dia tem muitos desafios para garantir o pleno
00:39desenvolvimento dos filhos.
00:40Porque quando a gente recebeu o diagnóstico, a gente via tanta coisa triste e aí a gente ficou muito desesperado.
00:49E parecia que a nossa vida tinha acabado ali.
00:51Não é legal de se lidar, mas existe uma evolução que a gente tem que acreditar e correr atrás.
00:59A gente sabe que nós não somos convidados para todas as festinhas.
01:04A gente sabe que tem lugares que a gente não cabe.
01:07Toda mãe atípica passa por isso com grande sofrimento.
01:12Falta muita informação.
01:14Principalmente porque nenhum autista é igual ao outro.
01:17Ele fala, ele anda, ele brinca, ele entende.
01:20Então as pessoas questionam se ele realmente é autista por ser funcional.
01:24É muito comum uma mãe atípica vivenciar alguma situação com uma criança no ambiente social e as pessoas não compreenderem,
01:32acharem que é uma pirraça.
01:34E aquele olhar sempre de, nossa, por que essa criança está fazendo isso? Por que essa mãe não está agindo?
01:40Essa é uma das dificuldades.
01:45Entre tantas adversidades, diferentes terapias, muito amor e dedicação, elas também descobrem alegrias na maternidade atípica.
01:55Eu costumo comentar com o meu marido que o autismo faz a gente ver pequenas coisas como grandes vitórias.
02:03Então uma coisa que é um simples mamãe, nossa, a minha alegria foi imensa no dia.
02:09Uma questão de saber pintar dentro da linha, escrever o nome.
02:16Isso são muitas horas de terapia e é um esforço muito grande por trás.
02:22E quando a gente tem um filho atípico, a gente começa a ver a vida de uma maneira incrivelmente milagrosa.
02:28O aprendizado de uma palavra nova, ou quando essa criança aprende a manusear o garfo sozinha.
02:34Às vezes uma mãe não vai se dar conta de quanto isso é importante, mas uma mãe atípica, ela vibra
02:40quando ela vê o filho conquistando.
02:43Coisas simples do cotidiano.
02:54Cada descoberta e cada fase do desenvolvimento são carregadas de emoção.
02:59Eu precisava do Heitor. Eu precisava dele mais do que ele precisava de mim.
03:04Eu recebi o diagnóstico do Heitor no Dia das Mulheres.
03:06E exatamente um mês depois a minha mãe faleceu.
03:10Então, se eu não tivesse toda essa ocupação com o Heitor durante esse período de luto, eu não teria conseguido
03:18passar.
03:21Não consigo, gente.
03:24Quando eu vejo ele em uma apresentação, eu choro.
03:27Quando eu vejo ele falando coisas diferentes, eu choro.
03:30Cada vez que eu vou no neuro, por exemplo, e o neuro falou,
03:35Daiane, olha, ele já alcançou 95%, a gente agora pode começar a diminuir as terapias.
03:41Foi três anos muito intensos para a gente.
03:45E é isso em nós que realmente tudo isso realmente teve muito resultado.
03:50Então, assim, ver que nenhum esforço foi em vão.
03:52Isso realmente me emociona.
03:54Eu perdi minha mãe e minha avó em um período de dez dias.
03:57E ele ensina, gente, a minha família é muito unida, mas não é uma família de toque, de demonstrações de
04:07afeto.
04:07E ele quebrou tudo isso.
04:09Ele é a primeira pessoa diagnosticada também no nosso ciclo.
04:14Então, toda a minha família preencheu o Heitor.
04:16E aqui mora toda a minha família nesse quintal.
04:19E a minha avó morava aqui.
04:21Então, ele preencheu essa lacuna da minha avó para todo mundo da família.
04:31Pensar no futuro do filho também traz um misto de emoções para as mães atípicas.
04:36Essa é a palavra mais difícil.
04:39É pensar no futuro.
04:43Quando a gente vê, assim, talvez a gente não tenha forças, né?
04:51Todos os pais se preocupam com os filhos, o que eles vão ser, que profissão eles vão exercer, com quem
04:59eles vão se casar.
05:00E a gente se preocupa em como que ele vai existir, assim, quem vai estar doado, né?
05:08Quem que vai amparar?
05:09Quem que vai auxiliar na comunicação?
05:13A maternidade é um aprendizado diário, seja ela de qualquer natureza.
05:18Mas para as mães atípicas, há outras exigências no cotidiano que merecem a atenção de todos.
05:25Refletir sobre a maternidade atípica.
05:27A gente olhar para essas mulheres e para essas mães com o cuidado que elas precisam, com o suporte que
05:33elas precisam.
05:34É essa esperança que eu quero passar para quem está recebendo agora.
05:38Não o desespero que a gente teve no início, né?
05:41A dedicação com uma criança, não digo só de uma criança autista, de qualquer dificuldade que a criança tenha.
05:50A dedicação é só mãe.
05:53É só mãe.
05:54Eu acho que é raríssima uma outra pessoa que não seja mãe se dedicar dessa forma.
06:01O que pode ser feito, o que tem de novo, né?
06:04O que a gente pode tirar dúvida para essa pessoa realmente buscar coisas boas, né?
06:12E se fortalecer e ir atrás de uma esperança.
06:32O que deve ser feito, tudo, né?
06:35O que vai ser feito, né?
06:37O que a gente pode tirar uns 35 minutos no tão século.
06:37O que vai acontecer, de novo, né?
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