00:00Depois que eu tive minhas filhas de parto normal, depois que eu botei minhas filhas no mundo de forma natural
00:05dentro da minha casa,
00:07que eu fiz isso, eu fiz, ninguém fez, eu fiz, eu sou outra pessoa.
00:12Poder parir em casa, acho que toda mulher deveria passar por isso, ter essa oportunidade, né?
00:19Nunca esperei conhecê-lo dessa forma, mas eu vou te falar que se eu tivesse que ter ele novamente,
00:24eu gostaria que tivesse sido dessa forma, da forma que foi, foi a maneira como que Deus quis mesmo, assim.
00:34Meu nome é Flamela Alver, eu tenho 29 anos e sou costureira.
00:40Meu nome é Flamela e eu tenho 5 anos.
00:47Eu tive um sonho realizado, porque assim, era o meu sonho, eu já tinha estudado muito sobre parto domiciliar,
00:55só que eu não tinha dinheiro, é tipo 10 mil reais para você pagar uma equipe completa, né?
01:01Porque você tem que ter um médico de plantão, uma parteira, a doula.
01:05Então assim, era um sonho que estava muito distante e caiu assim no meu colo.
01:11Foi uma bênção, assim, poder ter essa experiência em casa, ver o meu corpo trabalhando perfeitamente
01:23para colocar a minha filha no meu colo, nos meus braços.
01:32Meu nome é Larissa Lorenzucci, tenho 38 anos.
01:35Esse aqui é o Antônio Lorenzucci, que tem um ano e sete meses.
01:42A gente teve todo um acompanhamento aqui, né, até a chegada do Antônio.
01:47E aí eu saí de casa, eu estava com 6 centímetros de dilatação, né?
01:52Estava com acompanhamento com uma enfermeira obstetra.
01:56Então a gente sai muito tranquilo, porque de acordo com o que ela vinha me avaliando,
02:00eu estava dilatando a cada 1 centímetro, a cada 1 hora.
02:041 centímetro a cada 1 hora, então, até uma parte, a gente teria 4 centímetros aí para dilatar, né?
02:10Então a gente foi tranquilo, mas sabia que estava próximo, né?
02:14Então, entramos no carro, meu marido dirigindo, a enfermeira obstetra atrás comigo, no banco de trás.
02:23E aí eu fui, claro, sentindo todas as dores do parto, né?
02:26Já estava num momento já mais próximo, mas achando que chegaríamos até o hospital.
02:33Quando a gente chega em Vitória, como eu moro em Vila Velha, né, a gente já estava em Vitória,
02:37eu comecei a sentir, a gente chama de puxo.
02:40E falei, olha, estou sentindo o puxo, vai nascer dentro do carro.
02:44Todo momento eu fui tentando, né, me concentrar na respiração,
02:48mas aí a gente fez uma parada no carro, paramos o carro, ela me avaliou.
02:53Então ela falou assim, eu acho que talvez dê tempo, você consegue continuar?
02:56Eu falei, vamos.
02:59E aí nesse processo, logo que a gente já sai do carro, assim, com o carro,
03:04passam nem uns dois minutos, a bolsa estourou, rompeu dentro do carro.
03:09E aí depois da bolsa, logo em seguida, ele já nasceu.
03:14E aí ela colocou as luvas e me acalmou e falou, pode ficar tranquila,
03:19ele vai nascer e eu estou aqui para pegar ele.
03:22Foi tudo muito...
03:23Foi uma grande aventura.
03:33Meu nome é Aline de Almeida e Silva, eu tenho 42 anos, eu sou doula.
03:40E a história que eu vou te contar hoje é a história dos meus partos domiciliares,
03:45porque eu tive dois partos em casa.
03:53Eu já iniciei a gestação querendo parto normal, só que foi uma via sacra para eu conseguir um profissional
04:00que me assistisse num parto normal aqui em Vitória, é isso, em 2013, há nove anos.
04:07Então eu comecei a procurar e encontrei uma profissional que me assistisse.
04:12E eu acho que as coisas, quando elas têm que acontecer, o universo conspira para acontecer mesmo.
04:19Porque quando eu já estava com sete meses de gestação, o hospital que a médica atendia descredenciou o meu plano
04:26de saúde.
04:27Ou seja, eu não poderia ir para esse hospital.
04:30Eu teria que pagar, além da disponibilidade médica, eu teria que pagar também o valor da internação.
04:36Isso para mim era impensável, porque eu já tinha um plano de saúde que cobria.
04:42No final da gestação, eu entrei em contato com essa enfermeira obstétrica,
04:45e ela sentou na minha frente, pediu meus exames, e ela olhou para mim e falou
04:49Por que você não quer um domiciliar?
04:52Aí eu falei, mas pode parto domiciliar?
04:55Pode, você pode muito bem ter um parto domiciliar.
04:58São muitas emoções na hora do nascimento.
05:01Então eu realmente não lembro muito do que estava acontecendo.
05:06Porque tinham muitas pessoas, né, envolvidas.
05:10Eu só lembro assim, de querer a minha filha comigo.
05:13E querer ela bem, sabe?
05:15Queria que ela nascesse, queria ver o rosto dela.
05:18O carro balançava muito, porque põe no carro em movimento.
05:21Eu falo assim, que parida no carro ainda é fácil.
05:23Em movimento ainda você tem um plus a mais, né?
05:27Mas a minha fala muito era, eu quero ver ele, deixa eu ver meu filho, deixa eu ver meu filho.
05:31Eu repetia isso várias vezes.
05:33Até conseguir pegá-la, a gente tinha uma toalha dentro do carro e enrolá-la,
05:37para eu conseguir ter esse primeiro contato com ele ali.
05:40Para um primeiro filho, foram quatro horas de trabalho de parto.
05:44Evoluiu muito rápido.
05:46E a hora que ela falou, agora é hora de ir para o hospital, eu falei, eu não vou.
05:49Aí ela topou.
05:51Ela falou, então tá bom.
05:52É um momento único, que não se repete, né?
05:56A gente, a cada parto, é uma experiência diferente.
06:00Então, foi muito bom, assim, ter essa experiência num lugar tão acolhedor, poder parir em casa.
06:09Eu acho que toda mulher deveria passar por isso, ter essa oportunidade, né?
06:13Filhos são bênçãos, né?
06:15O Antônio veio com um significado muito forte para a nossa família.
06:20Ele herda aí o nome do avô, que é falecido.
06:25Depois que eu tive minhas filhas de parto normal,
06:28depois que eu botei minhas filhas no mundo,
06:30de forma natural, dentro da minha casa,
06:32que eu fiz isso, eu fiz, ninguém fez.
06:36Eu fiz.
06:37Eu sou outra pessoa.
06:38É o meu corpo, as minhas regras, os meus sentimentos,
06:43que muitas vezes, os médicos não respeitam isso.
06:47Parto, ninguém faz com você.
06:49Nem a doula, nem o médico, nem a enfermeira, ninguém.
06:52É você, eles te assistem.
06:56O Antônio, ele...
06:59ele leva, carrega o nome do avô dele, né?
07:01Depois de 20 anos, no mês que o avô dele faleceu,
07:05o avô dele faleceu dentro do carro.
07:09E aí ele nasce dentro do carro.
07:11Então, assim, pra gente foi uma vida que se foi dentro de um carro,
07:15e o Antônio nasce dentro do carro.
07:18Então, meu esposo, na época, me falou assim,
07:22quando viu o Antônio nascendo dentro do carro,
07:25ele só pensava nisso.
07:29Que foi uma vida que se foi e uma vida que Deus não usava também.
07:33Com esse significado tão forte.
07:35Então, eu falo, ele tinha que ter nascido dentro do carro.
07:37E aí
07:38E aí
07:40E aí
07:41E aí
07:41Legenda Adriana Zanotto
Comentários