00:00Eu lembro que eu voltei e eu tinha muito essa ideia de que eu queria amamentar o quanto desse.
00:05Então eu vou indo, eu vou indo, e eu tinha colocado na minha cabeça a meta, assim, imaginária de um ano.
00:10Eu queria chegar pelo menos até um ano.
00:12Então o que eu fiz?
00:13Peguei minha bolsinha, falei, hora de voltar.
00:15Peguei minha bolsinha, pus a minha bombinha e vim aí eu para o trabalho,
00:18carregando a minha bolsinha todo dia com a bombinha de tirar.
00:23E aí assim, né, o peito vai enchendo, o peito vai enchendo.
00:25Então às vezes eu estava no meio de uma reunião, o peito enchendo, o peito enchendo,
00:28e você não consegue pensar em mais nada, aquele peito estourando.
00:31E a pessoa falando, você fala, eu preciso tirar o leite, eu preciso tirar o leite, tá doendo, tá doendo.
00:36Terminava, corria para essa linha de amamentação, que também é um,
00:39deveria ser um investimento maior, toda empresa, né,
00:42que é ali que, onde as mulheres precisam voltar para o trabalho,
00:44deveriam ter esse espacinho, né, que faz muita diferença quando você é uma mãe que amamenta.
00:49E aí ia lá e ordenhava, ordenhava, botava na geladeira, no final do dia passava lá,
00:53era o meu ponto, passava lá, pegava os leitinhos que eu tinha conseguido tirar
00:55e voltava para casa e ia fazer no estoque, e eu consegui chegar até esse ano de amamentação.
00:59Que legal.
01:00Mas assim, eu lembro que aos poucos foi se tornando um desafio muito maior do que eu imaginava,
01:05porque assim, o meu tempo disponível para poder ir até a salinha,
01:09colocar a bombinha, esperar sair o leite necessário, ficou muito menor.
01:13Daqui meia hora eu tenho que voltar, porque eu tenho outra coisa para fazer,
01:15mas em meia hora eu tenho que tirar pelo menos 120 ml.
01:17Mas às vezes meia hora nem dá, né, porque é um tempo que demora mesmo, né, eu lembro disso.
01:21E ainda mais assim, um bebê com oito meses, o seu peito já regularizou, né, a produção.
01:25Então eu não tinha mais aquele peito jorrando, assim.
01:28Eu tinha uma produção bem ali, singela, assim.
01:31E a produção era o suficiente para o que eu levei, precisava.
01:33E aí eu lembro que eu ficava preocupada, então eu botava a bombinha e ficava,
01:36meu Deus, aí entrava em reunião às vezes da salinha de amamentação, sabe,
01:39tirando o leite, a bombinha que é o fim, fim, fim.
01:41E eu, não, é verdade, é verdade, eu acho, a gente fez isso.
01:43E a bombinha, fim, fim.
01:45E assim, eu lembro que era toda uma logística, sabe?
01:48O dia que eu esqueci, teve um dia que eu esqueci a bombinha, eu fiquei, meu Deus, como é que eu vou fazer?
01:52Chegou uma hora que eu tive que ir na pia, ordenhar com a mão, sentindo muita dor.
01:56Então não é tão simples quanto parece, né, quando você tem, assim, essa vontade de tentar prosseguir.
02:02Porque eu trabalho em dois lugares diferentes, né.
02:05E daí, um de manhã e outro de tarde, e daí eu também fiz isso, né, de ordenhar.
02:11E, mano, sempre esqueci alguma coisa.
02:15Ou era o saquinho, ou era o gelox.
02:17Chegou uma hora que eu tinha, assim, um kit completo em um trabalho, outro kit completo no outro trabalho,
02:23outro kit completo em casa.
02:25E o que eu tirava durante o dia não era suficiente.
02:28Então eu tinha que tirar de manhã e de tarde, pelo menos pra aliviar, né,
02:33mas pra tentar fazer essa quantidade, eu tinha que tirar de noite depois que ele dormia.
02:37Então era assim, eu já morrendo.
02:39E daí eu comecei a tirar, tipo, de pé na cozinha, pra não dormir.
02:45É uma terceira demanda, né.
02:46É, porque eu tava, assim, exausta, né.
02:48Então eu tirava de pé na cozinha, tipo, pra eu não dormir, eu ficava lá de pé,
02:53tirando e fazendo mais alguma coisa junto, geralmente esterilizando, né.
02:57E daí tem isso, né.
02:58Eu tinha renda para ter três kits diferentes pra ter esterilizador,
03:03porque tem gente esterilizando a panela, que é muito mais demorado, né.
03:06Eu tinha esterilizador de micro-ondas, então eu ainda tinha essas possibilidades, né,
03:11de comprar uma bomba a mais, comprar um kit a mais.
03:13E quem não tem nenhuma, né.
03:14E quem não tem.
03:15E eu também tive a possibilidade de levar o meu filho pro trabalho no consultório
03:20durante alguns meses e a minha mãe ficava com ele, né.
03:23Então, e lá, né, por ser um consultório que atende pediatria,
03:28tinha um espaço pra ele brincar, tinha brinquedo e tal.
03:30Então, também não é tão simples, assim, conheço muitas mulheres que levam o filho,
03:34mas é isso, também não é tão simples, não é em qualquer ambiente que você, de fato,
03:37consegue levar junto e essa criança ficar bem acolhida, atendida ali nas necessidades dela, né.
03:43Então, é um mega desafio e precisa envolver todo mundo, né.
03:47Então, é isso.
03:48Precisou envolver a empresa que eu trabalhava de manhã,
03:51o consultório que eu trabalhava de tarde, a minha família, né.
03:55Precisa de muita gente junto.
03:56Um ambiente pra você conseguir ordenhar, né.
03:57Porque se não tivesse essa linha de amamentação, como é que você faz?
04:00Exatamente.
04:00Pra sacar o peito no meio do alívio.
04:03É uma logística.
04:04A quem faça, a quem faça.
04:06E, assim, se for necessário, né, se é a única opção, a única opção é farinha.
04:11Não é o mais confortável, eu acho, né.
04:13Assim, nesse momento, pra gente, eu digo, pra gente como mulher,
04:16eu me sentiria mais confortável num lugar mais reservado.
04:18É, eu cheguei a fazer na minha mesa de, eu faço teleatendimento,
04:22daí eu cheguei a fazer na minha mesa de teleatendimento,
04:24que a lateral é de vidro, assim.
04:26E daí, eu lembro que foi um dia que tava muito corrido e tal,
04:31e daí, eu pensei comigo, assim, isso daqui é posicionamento político, entendeu?
04:38Se não é possível, se o meu deslocamento é tão grande até a sala de amamentação,
04:42que torna tão difícil esse processo, isso daqui é posicionamento político,
04:46vou tirar meu peito pra fora, como todo mundo vendo pela jornada de vidro.
04:49Tchau.
04:49Tchau.
04:50Tchau.
04:50Tchau.