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  • há 4 semanas
Telma, Virginia, Elaine e Laís têm em comum o desejo de serem mães por caminhos que não passam por gestação

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Transcrição
00:01Em uma casa antes silenciosa, agora encontra-se a alegria de uma criança.
00:07Numa família que antes buscava sentido, hoje se revela completa com tantas conquistas,
00:12mesmo diante das dificuldades.
00:15Em um peito que antes havia desejo, agora bate o coração de uma mãe
00:19que entrou na fila da adoção para esperar seus filhos.
00:23Esta é a história de quatro mulheres que, em situações distintas, decidiram adotar.
00:29Em comum, a vontade de ser mãe e dar uma família a crianças que não tinham um lar, nem laços
00:35afetivos.
00:37Mariana, de 11 anos, chegou para Thelma e João Carlos quando estava com quase nove,
00:43uma faixa etária em que muitas crianças no abrigo não conseguem mais uma família.
00:48A adoção é algo que está aqui dentro do coração.
00:52E nós conhecemos Mariana.
00:56E a cada dia uma experiência nova, a cada dia uma história nova,
01:04tanto para nós como pai e mãe, e também para ela.
01:09E algo assim que a gente está muito feliz.
01:11Dia 8 de maio, exatamente o dia das mães.
01:15A menina, ainda um pouco tímida, é apaixonada por bicicleta.
01:29Faz várias atividades que ajudam no seu desenvolvimento,
01:33porém é com afeto que se percebe que vai longe.
01:36Há vários fatos, várias situações que ela viveu, que ela passou.
01:43E há várias situações também que hoje ela conhece, que anteriormente ela não conhecia.
01:51Então assim, é tudo um caminhar com muita paciência, com muito amor.
01:57A cada progresso dela é motivo da gente festejar.
02:02Então assim, são dificuldades que ela está superando.
02:06E que você vai caminhando com essas dificuldades, com esse progresso.
02:11E você fica feliz de saber que está tendo resultado.
02:15O período de espera pode ser maior que uma gestação normal de nove meses.
02:20Mas para a administradora Virgínia Silva, o primeiro filho chegou pouco depois de sua habilitação.
02:28Quem chegou primeiro foi o Gabriel, né?
02:31E assim, é importante falar que foi com, depois de dois meses na fila,
02:36era um bebê, né?
02:37De 50 dias, mas por ser negro e ter uma doença,
02:42não tinha outro casal que aceitava essa criança em Guarapari.
02:46Então, com dois meses, o Gabriel se transformou no meu filho, no meu presente.
02:50Porque ele chegou no dia do meu aniversário.
02:56O telefone toca e aí a atente social falou,
03:00tem uma criança para vocês conhecerem.
03:04E aí eu falei, não, não vou conhecer, vou buscar.
03:07É meu filho, né?
03:08E quando eu cheguei na casa de acolhimento,
03:12a moça, ah, vou trazer o bebê para você conhecer.
03:15Eu falei, eu quero ver meu filho, né?
03:16Então, assim, a partir do momento que eu me propus a ser mãe,
03:20era do jeito que chegasse, né?
03:22Porque a mãe que gera não escolhe as características.
03:28O quadro de saúde de Gabriel era simples e logo foi superado.
03:33Já Rafaela, que se mostrava sem problemas na época da adoção,
03:37apresentou ao longo do tempo algumas dificuldades
03:40e hoje está na iminência de fechar diagnóstico para autismo.
03:44Para a Virgínia, algo absolutamente natural,
03:48que inclusive pode acontecer com filhos biológicos.
03:52Então, as coisas vão surgindo do mesmo jeito que surge para um filho
03:56que é gerado na barriga.
03:57Ela é autista moderada.
03:59A gente percebeu, na idade escolar, que ela tinha dificuldade de aprendizagem,
04:04que ela tinha algumas dificuldades motoras
04:07e a gente foi fazendo acompanhamento com fono, psicólogo, psiquiatra.
04:12Filho é filho e filho é para sempre, né?
04:15É um desafio a cada dia e a gente tem que amar e resolver, né?
04:21E cuidar.
04:22Eu acho que não tem diferença o filho da barriga ou o filho do coração.
04:28Os desafios vão surgindo e a gente, como pais,
04:31vão resolvendo, vão ameno, vão colocando isso para frente.
04:34Esse também é o sentimento da confeiteira Eliane Vieira,
04:38que com o marido Cláudio decidiu pela adoção do Isaac.
04:41O desejo de ser mãe superaria qualquer barreira.
04:45É uma emoção muito, né?
04:49É uma ligação, né?
04:51Você recebe a ligação de que o possível filho seu está em sua espera.
04:58Então, você...
04:58Foi uma emoção, assim, eu estava trabalhando.
05:02E, assim, a gente nem pensa muita coisa.
05:06A gente só quer receber.
05:08Então, a gente saiu correndo, que a gente tinha que ir lá conhecê-lo.
05:11Tem aquela parte da gente, né, ver a criança.
05:14Mas não tem como a gente dizer assim, ah, não vai ser esse.
05:17A gente já esperava o nosso filho e o que estivesse ali.
05:21Ele já estava pronto ali.
05:23Ele já estava com sete meses, né?
05:25Já se passaram sete anos desde que Eliane recebeu o filho pela primeira vez nos braços.
05:31Mas a emoção da estreia na maternidade permanece.
05:37Menina, era o encontro mesmo de filho.
05:43É como se eu tivesse deixado ele numa creche e eu tinha ido lá pegar.
05:46Porque ele estava sorrindo, né?
05:49Ele, tipo assim, estou indo para casa.
05:53Então, ele estava ali todo limpinho, tomado banho com a bolsinha.
05:57É como se eu tivesse só ido pegar.
05:58Estava trabalhando e fui pegar meu filho.
06:00Então, não teve, sabe, nenhum, assim, nossa.
06:04Não, é meu filho.
06:05Viemos para casa com, né, qualquer outra criança mesmo, gerada, né, biologicamente.
06:14Para os que ainda estão em dúvida sobre adoção,
06:17essas mães que encontraram a realização da maternidade nos abrigos,
06:20contam que não tem arrependimentos.
06:23Filho, é muito bom.
06:24Se a gente pudesse, a casa estava cheia.
06:27É muito bom.
06:27É uma realização para mim, como mulher, como mãe.
06:31Entendeu?
06:32Muito, muito bom.
06:33Mas eu queria ali alguém para colocar o laço,
06:36para pentear o cabelo, entendeu?
06:39Para cuidar.
06:40É a alegria da casa.
06:42Nunca mais, né, está aí.
06:44A casa nunca mais é a mesma.
06:45Aquela história que nunca mais a casa está arrumada.
06:48Mas também ficaria vazia se eles não estivessem.
06:51Uma criança, ela alegra mesmo, né, e não tem diferença.
06:55Eu falo que quando a gente decide ser pai,
06:59a decisão está ali.
07:00Você quer ser pai, quer ser mãe.
07:02E se você não pode da forma biológica,
07:07a forma que é gerada no coração é a mesma.
07:12Você já decidiu ser pai.
07:14Você é abençoado de ser pai,
07:16e ao mesmo tempo você está ajudando uma criança
07:18quando a gente adota uma criança, né?
07:23Nesta fila, há também mulheres com filhos biológicos.
07:27Com o diagnóstico de ovário policístico,
07:29a dona de casa, Laís Cristina,
07:31recebeu a informação que não poderia gerar um bebê naturalmente
07:35e lhe indicaram a fertilização.
07:37Mas ela e o marido, João Américo Procópio,
07:40não aceitaram e decidiram pela adoção.
07:42Eu falei com ele que a gente vai estar na fila de adoção.
07:47Porque fazer o processo para a gente estar na fila de adoção.
07:52O que importava para você?
07:54Para ser mãe.
07:55Já habilitados para adotar uma criança,
07:58Laís engravidou.
07:59Foi que o processo de habilitação demorou quase uns nove meses.
08:04Quase uma gestação mesmo.
08:06Aí quando nós fomos habilitados em janeiro de 2020,
08:11aí pouca semana depois que ela foi habilitada,
08:14ela sentiu um mal-estar na vida.
08:16Aí eu descobri que eu estava grávida.
08:20Logo depois de assinar o papel,
08:22eu descobri que eu estava grávida.
08:25Foi sem explicação.
08:33Assinei, entrei na fila de adoção e estou grávida.
08:38Final de 2021, enjoo e mal-estar deram a pista
08:42e o teste confirmou.
08:44Grávida de novo.
08:47Em Bela, dia 31 de dezembro do ano passado,
08:51ela estava falando que estava sentindo,
08:53tonta, enjoada, que a menstruação dela estava atrasada.
08:57Aí resolvi eu ir à farmácia, no dia 31.
09:01Era para o lado de 10h30 da manhã.
09:04Ao cheguei no caixa, a mulher,
09:05ué, teste de gravidez.
09:06Ela falou assim, boa sorte.
09:08Eu falei assim, mas se ela sabe qual é a minha sorte,
09:10que eu quero que esteja, ela o quê?
09:11Eu falei, que bi positivo.
09:13Ela, nossa.
09:14Aí veio, aí eu entreguei o teste para ela, né?
09:18Aí, aí quando ele chegou o teste,
09:21eu falei, tô grávida de novo naquele tempo.
09:26Aí foi aquela felicidade, tipo, feliz.
09:30Aí quando eu descobri que era outra menina,
09:33a Helena, eu fiquei feliz.
09:35Aos seis meses da segunda gestação,
09:38Laís, ao lado de Procópio,
09:40segue firme também à espera do terceiro filho,
09:43desta vez, por adoção.
09:45Nós recebemos uma condenação,
09:47que ela não tinha em meios naturais,
09:51ela não teria como engravidar.
09:53E Deus veio e provou que tinha como,
09:56que vieram duas,
09:57e tá vendo, se Deus quiser, o terceiro.
09:59Uma habilitação.
10:00Pra mim, foi o primeiro passo de tudo,
10:04foi, né, que eu sentei com ele e conversei.
10:07Vamos estar na fila da adoção.
10:30Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
10:31E aí
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