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  • há 4 semanas
Após sobreviver a uma rara ruptura uterina e acompanhar o filho recém-nascido lutar pela vida, Camila Gava Folli transformou a própria dor em acolhimento

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Transcrição
00:00Meu nome é Camila, eu sou mãe da Amalia e do Cai.
00:04A Amalia tem 8 anos e é uma criança típica.
00:08E eu sou mãe do Cai, de 3 anos, que vai fazer 4 anos agora,
00:12que é uma criança típica.
00:14E tudo começou no trabalho de parto.
00:17Eu tive um pré-natal normal, sem nenhuma intercorrência.
00:22E quando eu estava no trabalho de parto, já no expulsivo,
00:26o meu útero rasgou.
00:28Eu tive ruptura uterina e fui levada para uma cirurgia de emergência,
00:33onde a mãe e o filho correm muito risco de vida e o Cai nasceu morto.
00:39Ele foi entubado e ele voltou com 3 minutos.
00:42Só que a partir daí começou a nossa luta.
00:45Ele teve epóxia neonatal, passou 40 dias na UTI.
00:51E esses 40 dias foram 40 dias que ele foi tentar sobreviver,
00:56que ele tentava sobreviver.
01:01Nesses 40 dias, eu ficava pensando assim,
01:06por que isso aconteceu comigo?
01:08Até então estava tudo certo, né?
01:10Uma mãe que passa por isso, ela sempre se questiona,
01:13por que isso comigo?
01:14E aí, nesses 40 dias, eu tive duas possibilidades.
01:20Uma, desistir, desistir de lutar.
01:23E aí eu sei que hoje eu sei que eu perderia o meu filho, perderia a minha família.
01:30Ou seguir e lutar pelo meu filho, e lutar pela reabilitação e recuperação do meu filho.
01:36E eu optei pela segunda opção.
01:41Desde a época da UTI, desde a primeira internação,
01:44porque o Cai passou por 3 internações,
01:47eu sempre falava assim, tem algum propósito, tem algum porquê.
01:52E durante esses 3, 4 anos, nós vivemos muita coisa com o Cai.
01:56E eu passei e vi muita coisa,
02:00porque quando você vive esse mundo,
02:03você acaba olhando para o outro lado,
02:06olhando para as outras crianças,
02:08e vivendo com mães, às vezes, com o mesmo problema,
02:12e que passou por coisas muito parecidas.
02:14E a gente vê o sofrimento do outro,
02:16e se aproxima.
02:18Veio a ideia no nosso coração,
02:21a vontade no nosso coração,
02:23de criar o Instituto, o Instituto Caimbe,
02:25que hoje já ajuda muitas crianças,
02:29e o objetivo do Instituto é trabalhar com crianças
02:34com alguma deficiência, de 0 a 18 anos,
02:37e junto com as crianças, com as famílias.
02:43Hoje o Instituto, ele trabalha em várias áreas,
02:48ele atua em várias áreas.
02:50Então, ele faz a intermediação com clínicas de fisioterapia,
02:54ele leva acesso a essas crianças,
02:58que às vezes não teriam condição de ter acesso a um nutricionista,
03:02às vezes nem nutricionistas do Estado,
03:05às vezes nutricionistas de São Paulo,
03:07de grandes centros,
03:08que desenvolvem grandes pesquisas,
03:11sejam nas áreas variadas.
03:12Então, nutricionistas, médicos,
03:16neurospediatras,
03:17Então, a gente cria essa ponte com esses profissionais,
03:20e todos são voluntários.
03:22Eles doam o seu tempo em prol das crianças.
03:26Além disso, a gente tem uma consultoria jurídica.
03:29Então, nós temos um advogado no Instituto,
03:32que tem um escritório,
03:33que trabalha com o direito da saúde.
03:35E esse advogado trabalha com essas famílias em prol,
03:39de conseguir uma assistência,
03:41de trabalhar em cima dos direitos
03:43que essas crianças têm das famílias também.
03:46Só que tudo isso é muito custoso.
03:48Então, no Instituto,
03:49essas famílias não têm nenhum valor a pagar.
03:51A gente fala que a gente está devolvendo
03:54para o mundo o que a gente recebe.
04:06É muito difícil deixar uma mensagem para as mães,
04:10porque eu também sou mãe de uma criança com deficiência.
04:16Primeiro, que a vida não acabou.
04:19Que é um ponto, igual eu falei,
04:21de partida.
04:24Que o seu filho está ali
04:26e ele só precisa de amor,
04:28de carinho.
04:29E que as coisas vão se organizando com o tempo.
04:33Naquele turbilhão,
04:34a gente acha que a gente não vai conseguir.
04:36Que a gente não vai conseguir caminhar,
04:38mas a gente consegue.
04:39Porque quando a gente vê aquele sorriso,
04:43aquela mexidinha de mão,
04:44que às vezes falavam que não ia mexer,
04:46que não ia sorrir.
04:47Até mesmo só a respiração.
04:50A gente consegue caminhar
04:51e a gente cria uma força.
04:53Nós que somos mães de crianças atípicas,
04:56tão grande,
04:57a gente vira um leão.
04:59Porque a gente sabe que o nosso filho depende da gente.
05:01E a gente está ali por amor.
05:04Quando a gente faz tudo com amor,
05:06só tem de dar certo.
05:08Na hora certa,
05:09da forma certa.
05:10Então é isso.
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