00:03Oi pra você de casa, sejam bem-vindos a mais um videocast Tecnoagro especial da Feira Agro
00:09Natercop. Eu sou Douglas Mota e estou aqui em Santa Maria de Etibá para mais uma etapa desse
00:14evento que celebra a inovação e o agronegócio do Espírito Santo. Hoje a gente vai falar sobre
00:20uma atividade importante para a economia do nosso estado, mas que tem encontrado desafios
00:24devido à crise internacional de gripe aviária. Eu estou falando da exportação de ovos que nos
00:29primeiros cinco meses de 2025 foi responsável por mais de 3,6 bilhões de dólares em valor
00:36comercializado no Espírito Santo. Estou aqui com o coordenador de sanidade avícola do IDAF,
00:41Leandro Marinho, para a gente falar sobre esse cenário e como minimizar o risco de introdução
00:45e disseminação de doenças nas granjas capixabas. Leandro, seja muito bem-vindo, muito obrigado
00:51pela presença, papo super importante aqui hoje. Muito obrigado, Douglas, é um prazer estar aqui
00:55no videocast do Tecnoagro. Muito obrigado. A gente está no município de Santa Maria de Etibá,
01:00que é o maior produtor de ovos do Brasil. Inclusive, muito orgulho disso. E no Espírito Santo,
01:05em média, são produzidos quase cinco ovos, cinco por dia para cada morador do estado do
01:10Espírito Santo. E qual que é a importância, aí eu vou te perguntar, qual que é a importância
01:13dessa indústria, não só para a cidade, mas também para o estado do Espírito Santo,
01:16para o agrocapixabas? Então, para você ter uma noção do tamanho disso, dentro do valor
01:22pecuário, o valor bruto da pecuária, dentro desse percentual, a parte da avicultura empata
01:29com a parte da bovinocultura. E até passa um pouquinho, é muito grande. E se você imaginar
01:34também o ecossistema que gira em torno disso, se a gente andar aqui pela cidade vai ver lojas
01:38de ferramentas, vai ver um monte de representantes de maquinária, automatização e várias outras
01:45coisas que circulam, orbitam, em torno da indústria avícola. Então, assim, é importantíssimo
01:52para a cidade. A cidade respira a avicultura aqui. E para o estado, a mesma coisa, porque
01:56é muito grande. Se você pensar, Santa Maria sozinha leva o estado do Espírito Santo
02:02para terceiro, às vezes terceiro, às vezes quarto lugar em produção no Brasil.
02:06Então, é um volume enorme. É isso. E assim, a gente tem visto muito sobre gripe aviária
02:11nos jornais do mundo todo, não só no Brasil. Mas, primeiro, vou te perguntar,
02:15o que é essa doença e como que ela se dissemina, quais os riscos que ela oferece para a ave
02:20e para nós também, os seres humanos?
02:22A gripe aviária é uma doença viral, é uma doença transmitida por vírus. Ela passa
02:27de ave para ave, passa também para outros animais e pode até atingir o ser humano.
02:32A doença para aves é muito séria. Ela causa sintomas respiratórios, neurológicos,
02:39a ave fica cambaleante, descoordenada, leva a mortalidade súbita muito rápida.
02:45Então, ela pode matar um galpão inteiro de aves em três dias.
02:49É uma coisa muito séria e leva a prejuízos enormes.
02:53Junto com essa parte da mortalidade ali no produtor rural,
02:58ele também dá início a bloqueios comerciais para o Brasil inteiro.
03:02Então, assim, se uma pequena granja aqui em Santa Mara de Getibá tiver um caso confirmado
03:07de influência aviária, da gripe aviária, isso repercute na exportação de produtos do Brasil inteiro.
03:13E até não só ovos também, até a parte de carne de frango.
03:17Então, é até muito importante.
03:19Para o ser humano, é uma doença importante, porém, essa doença não está adaptada ainda
03:24ao ser humano como uma gripe comum.
03:26Então, ela não passa de humano para humano.
03:29Até hoje, desde 1996, quando surgiu essa doença, tiveram poucos casos humanos.
03:35Mas, de pessoas que lidam muito diretamente com a ave, com contato muito íntimo.
03:42Mais trabalhadores, coisas assim.
03:43Mas, é muito raro a pessoa pegar a doença.
03:46Só que, quando pega, é uma doença grave.
03:48Entendi.
03:48E, assim, você pode dar um panorama para a gente de como está esse cenário dessa doença,
03:53tanto no Brasil quanto aqui no Estado?
03:55É.
03:56A gente teve a entrada da doença.
03:58O primeiro caso confirmado foi aqui no Espírito Santo,
04:00uma coleta feita aqui no nosso litoral, em aves silvestres, foi no ano de 2023.
04:06Em 2023, nós tivemos diversos casos.
04:08Chegou, acho que, em torno de 35 ou 37 casos confirmados, com diversas mortes em cada caso desse.
04:15Mas, grande, imensa maioria em aves silvestres, de todo tipo.
04:20E tivemos um caso, nesse mesmo ano, em uma ave doméstica, que é uma coisa um pouco mais preocupante.
04:25Uma pequena propriedade com aves de quintal.
04:27Não tivemos nenhum caso em aves comerciais.
04:30No ano de 2024, nós tivemos um decréscimo dos casos.
04:33Então, no ano de 2023, 35 casos, mais ou menos.
04:38No ano de 2024, apenas 5 casos.
04:41E, em 2025, até hoje, até esse momento, apenas um caso confirmado.
04:45Então, a doença está num ciclo de baixa.
04:48Porém, ainda é preocupante, porque a gente imagina que o vírus está se espalhando de forma silenciosa na fauna brasileira.
04:55É o que imagina.
04:56Não posso afirmar categoricamente isso acontecendo.
04:58Mas, pelos casos que a gente tem visto no Brasil, interiorizando, casos do Mato Grosso, casos em Brasília, casos mais
05:07para o interior do Brasil,
05:08a gente imagina que o vírus está presente, que ele está aqui.
05:11Não é só o caso de a gente se preocupar da fase migratória das aves que estão vindo do hemisfério
05:15norte.
05:15É um caso, talvez, que a gente vai ter que conviver com esse novo normal.
05:19A presença da doença e a gente se protegendo com a biosseguridade o tempo todo.
05:24É isso que eu ia te perguntar agora.
05:25O que é biosseguridade e como ela pode ajudar a prevenir a entrada dessas doenças nas granjas e etc?
05:31A biosseguridade é um conjunto de procedimentos e estruturas que são obrigatórias nas granjas
05:37para que elas façam uma barreira entre a doença e as aves de produção daquele determinado produtor rural.
05:44Então, assim, são medidas, por exemplo, medidas de isolamento, telamento de galpões
05:49para que a ave silvestre não entre em contato com aves de dentro da produção, com as galinhas, por exemplo,
05:56da produção.
05:57Medidas de desinfecção de veículos para que veículos que entrarem em outros aviares
06:03ou passarem em outras regiões não tragam um possível vírus ali para dentro daquela produção.
06:08Medidas de restrição de acesso de pessoas, por exemplo.
06:12Granja não é um lugar que a gente recebe visitas à toa.
06:14É um lugar só das pessoas que estão ali trabalhando na granja.
06:18Tem um contato diário.
06:19Então, tem várias medidas desse tipo, até umas restrições de compra de ave.
06:24A gente só se compra a ave de granja registrada a nível federal.
06:28Só se envia a ave dali para descarte em frigorífico com inspeção oficial.
06:33Então, tem todo um arcabouço em torno da granja que foi dado pela IN56
06:38para que a granja se proteja da entrada de doenças.
06:41E com isso, não só a influência viária, mas até a gente tem relatos de responsáveis técnicos
06:46que depois da implantação da biosseguridade nas granjas,
06:49até outras doenças que davam mais trabalho reduziram na granja.
06:52Então, o nosso foco, nesse caso, é influência viária e doença de Newcastle,
06:57doenças principais que causam restrições comerciais e grande mortalidade.
07:01E com isso, até de rebarba, a gente diminui outras doenças da produção.
07:06Que bacana.
07:07A gente falou um pouco disso agora.
07:08Eu queria te perguntar, né?
07:09O que está sendo feito?
07:10O que ainda pode melhorar para combater o avanço da gripe viária nas grandes capixabas?
07:16Assim, quando eu pergunto o que está sendo feito, parece que a gente começou agora.
07:19Mas, desde 2007, a gente já vem se preparando para isso.
07:25Há 20 anos aí.
07:26É, assim, o programa...
07:28Vou começar do início.
07:30O IDAF, ele é um órgão executor da Política Nacional de Sanidade dos Animais, em geral.
07:37Mas aí tem os programas específicos.
07:39Eu trabalho na sanidade avícola.
07:41Então, eu sou o responsável por implantar aqui o Programa Nacional de Sanidade Avícola.
07:46Isso começou em 94, né?
07:49E com a medida que o mundo foi avançando, tanto a nossa importância na avicultura foi aumentando
07:55e os desafios sanitários foram aumentando no planeta, a gente foi se adaptando.
08:01Então, à medida que os anos foram passando, foram criando legislações específicas para
08:05influência aviária, para doença de Newcastle, para salmonelas.
08:09A gente foi evoluindo e modernizando a nossa legislação a chegar ao ponto que está hoje.
08:14Então, as medidas de prevenção para influência aviária são as mesmas de 2007.
08:20Só que a gente deu mais ênfase, trabalhando mais a fiscalização e exigindo mais dos produtores
08:25rurais.
08:26E no nosso estado aqui, levando muito a sério a parte de biosseguridade, especialmente os
08:31quesitos de isolamento da propriedade.
08:34Então, como eu falei, telamento de galpões, cercamento de núcleos, restrição de pessoas
08:39e veículos, desinfecção de veículos, tudo isso é uma coisa que a gente bate muito
08:44na tecla e a gente está assim.
08:46Todas as granjas agora estão registradas, porém, é um trabalho dinâmico.
08:52Não é estático.
08:53Registrou, está pronto.
08:54Não, não é assim.
08:55A gente está o tempo todo fiscalizando-se, continua.
08:59Assim, as estruturas vão deteriorando, pessoas deixam de fazer procedimentos obrigatórios.
09:04Então, a gente está sempre ali fazendo fiscalizações estratégicas, direcionadas, para que os produtores
09:10mantenham a biosseguridade e a gente siga nesse caminho tranquilo.
09:14Perfeito.
09:15Leandro, quero muito te agradecer pela sua presença, por esse papo muito importante e muito atual
09:20que a gente está vivendo.
09:21E espero que a gente continue dando mais segurança para as nossas granjas no Espírito Santo.
09:26Eu que agradeço a oportunidade.
09:27Muito obrigado.
09:28Muito obrigado também a você que nos acompanhou até aqui.
09:31Lembrando que a gente tem episódios, mais episódios recheados de informações sobre
09:34a Feira Agro na Tercop.
09:36E também conteúdos no nosso Instagram em arroba.agazeta.es e no site agazeta.com.br.agro.
09:43Até a próxima.
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