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  • há 2 meses
A falta de conservação da estrutura da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) é visível em trechos de todos os municípios cortados pela linha férrea

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Transcrição
00:00Mais que estimular o desenvolvimento econômico das cidades do Espírito Santo,
00:04a Ferrovia Centro-Atlântica, a FCA, carrega por seus trilhos a história daqueles que ajudaram a sustentá-la ao longo
00:11do tempo,
00:12seja nos serviços de manutenção, seja na organização das equipes e da própria atividade de transporte.
00:18Eu comecei no Cabo da Picareta, comecei lá embaixo.
00:25E fui trabalhando de dia, estudando à noite, até que eu consegui, com o curso e a Supervisor.
00:36Lembranças muito boas do tempo de...
00:40Eu consegui ver no nosso setor aqui, que era a SR3, abrangia Campos à Vitória.
00:47Tinha 3.600 funcionários, aproximadamente.
00:52Aí nós hoje estamos a zero, não temos mais ferroviários.
00:58Os ferroviários estão extinguindo.
01:00Então a lembrança vem na mente da gente o tempo todo.
01:04De muita fartura, muitos serviços, a gente vendo aquelas famílias emergindo, crescendo.
01:13Então essa lembrança não sai da nossa mente.
01:15Não importa se o trabalho era braçal ou de liderança,
01:19a memória dos ex-ferroviários é alimentada por nostalgia
01:23de um período de prosperidade do Estado que ajudaram a construir.
01:27E manutenção da via.
01:29Manutenção da via.
01:30Era capinar, o saco, o saco de trilho.
01:34Tudo nós fazíamos.
01:36O senhor gostava desse trabalho?
01:38É, adorava.
01:39Eu sinto falta disso aí até hoje.
01:42Eu sou mecânico, a gente atendia o trecho de Campos até Vitória.
01:48Entendeu?
01:49Então por todo esse trecho aqui onde rodava trem,
01:52sempre que precisava de serviço mecânico,
01:55era acionada a equipe de Cachoeiro e tinha uma equipe também em Campos.
02:00Então a gente sempre rodava.
02:01De Campos a Cachoeiro, tinha uma equipe de mecânico e eletricista para atender.
02:05Alguns ainda aguardam a expectativa de ver a ferrovia novamente em operação,
02:09mesmo que não seja possível recuperar toda a potência de anos passados.
02:13Nem sou eu aí, tem muito particular sem a defrauda da época que o trem passava aí.
02:18Isso aqui tinha três vezes no dia.
02:23Tinha um espreto, tinha misto, tinha um cacique.
02:2911h20, 11h30, passava aqui, foi para Cachoeiro.
02:345h25 ele saia de lá para correr.
02:37Isso aí está tudo do trem para nela.
02:40Pela época era bom demais.
02:47É um tempo que nunca volta.
02:50Eu penso que pode funcionar se houver uma manutenção na rede férrea.
02:56No estado que está hoje, pelo meu conhecimento de 29 anos, 4 meses e 14 dias na ferrovia,
03:05Eu digo que não tem condições hoje de implantar um trem de turismo, porque nós vamos estar lidando com vidas.
03:14Ferroviários ou não, muitos apostam no apelo turístico das cidades capixabas para revitalizar o sistema ferroviário.
03:21Com certeza é o caminho, o que não poderia é abandonar, né?
03:25Deixar abandonado, acabar tudo, uma história, um investimento muito grande que foi feito, que hoje está abandonado, né?
03:31Está sumindo as coisas, entendeu?
03:34Isso é chato, mas manter, poderia manter, né?
03:37É o ideal, né?
03:41Trabalhei aqui na estação há 12 anos, com função minha de vigia.
03:47E no momento eu estou exercendo uma função extra, a pedido do secretário,
03:52de estar aqui acolhendo os turistas e dando um apoio aqui ao nosso centro cultural, a estação familiar de Matilde.
03:59E a gente vê que é um trabalho muito importante de ser feito pela informação,
04:06porque os turistas eles vêm, eles procuram informações que gostam de saber sobre a história do lugar.
04:12E isso é muito importante, além de estar divulgando o trabalho que existe no nosso estado,
04:18esse turismo que existe dentro do nosso estado,
04:22está divulgando também um pouco da história, um pouco da cultura.
04:25E isso valoriza muito o nosso município e o nosso estado.
04:30Eu acho que deveria ser mais aproveitada essa história aqui do nosso município.
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