- há 7 horas
O videocast da coluna conversa com Rafael Furlanetti, sócio e diretor Institucional da XP. Ele é capixaba, de São Gabriel da Palha
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:05Olá pessoal, começando mais um Papo de Valor,
00:08pelo objetivo sempre de dar uma clareada no horizonte,
00:11ainda mais há pouco tempo antes das eleições,
00:14é importante dar uma clareada no horizonte.
00:16E aqui ao meu lado, uma das figuras que mais falou no Papo de Valor até hoje,
00:21Rafael Furlanetti.
00:23Não, mas eu falei quantas vezes aqui,
00:25quando eu estreei a coluna da Gazeta,
00:28depois da Notarifácio.
00:31Notarifácio é...
00:32A gente fez um online, e agora o terceiro.
00:36Furlanetti, que é capixaba de São Gabriel da Palha.
00:38Mas sou bem-vindo, né?
00:39Não, lógico, se não fosse...
00:40Obrigado, pessoal, não quero enjoar vocês.
00:46Bom, Furlanetti, que é capixaba de São Gabriel da Palha.
00:49Terra boa.
00:50Terra boa, terra do Café Conilon.
00:54Ele vem a ser sócio fundador da XP.
00:57Não chega a ser fundador, eu entrei em 2010.
00:59Ah, você não está fundador, não?
01:00A empresa foi fundada em 2001.
01:02Já começamos o videocast passando notícia errada.
01:04Mas está tudo certo, está tudo certo.
01:05Aqui a gente não gera fake news.
01:07Isso é importante, vamos corrigir na hora.
01:10E hoje está como diretor institucional,
01:13presidente da ANCOR,
01:15colunista da Gazeta.
01:16Você é o meu principal cargo aqui no Estado de Peru,
01:18você é colunista da Gazeta, quinzenalmente.
01:20E vascaíno.
01:22Vascaíno.
01:23Isso aí a gente tem a mesma dor, né, Mário?
01:25Não, é um problema sério.
01:27Mas vamos resolver, o Vascaão vai.
01:28Vamos tentar resolver essa situação.
01:30Fula, bom, a gente tem uma série de questões aqui
01:35a tratar no papo de valor, né?
01:38Bom, eu vou começar aqui perguntando para você sobre...
01:43Bom, primeiro que é um prazer ter você aqui, né?
01:46Mas vamos começar falando sobre eleições, né?
01:48A gente está, no começo de outubro,
01:51nós vamos às urnas, faltando aí cinquenta dias.
01:56E o que a gente repara é que a polarização volta a se repetir,
02:02que o debate ideológico aflora
02:05e que os problemas de fato do país não estão colocados à mesa.
02:10você é uma das figuras que mais roda por esse país.
02:15Qual é a sua sensação?
02:16Às vésperas da...
02:18A gente já está na campanha e às vésperas de mais uma eleição presidencial.
02:22Tem um dado, Ábida.
02:23Apesar da população ser super polarizada,
02:27isso de fato ter gerado também uma...
02:31ida das pessoas para maior interesse político.
02:35Então, assim, a polarização, qual foi o grande benefício dela?
02:38Trazer as pessoas para o debate político.
02:41Qual que é o grande efeito ruim da polarização?
02:45É que as pessoas votam muito mais com base na rejeição
02:49do que com base naquilo que elas querem.
02:52Então, eu vou votar em fulano de tal,
02:54porque se esse cara ganhar, ele tira aquele cara que eu não gosto.
02:58Então, vira uma votação de rejeição e não de propostas.
03:02Você não vota naquele cara que você acha que é o melhor para o país.
03:05Você vota naquele cara que tem maior probabilidade,
03:09nas suas contas, de tirar quem você não quer lá.
03:12Então, isso é o que a estatística mostra
03:14e acaba empobrecendo, sim, o debate.
03:16Um debate importante que a gente tem que ter sobre o Brasil.
03:19Agora, olha que interessante.
03:21A gente faz muita pesquisa lá na XP qualitativa e quantitativa.
03:27Essa eleição vai ser uma eleição decidida pelo voto feminino.
03:32O voto feminino vai ter uma importância muito grande nessa eleição.
03:35E aí você vai olhar no detalhe o que esse voto feminino quer.
03:38Ele é um voto muito pragmático.
03:40Ele não é um voto polarizado.
03:41Ele é o voto daquele, assim, qual político vai resolver os meus problemas.
03:46Os problemas da vida real.
03:48Quais os problemas da vida real?
03:49Olha, eu quero estar no ponto de um ônibus com o meu celular,
03:53mas eu não quero ser roubada.
03:55Pô, legal.
03:56Só que, bandido bom, bandido morto, não sei se eu quero isso.
04:00Eu quero segurança.
04:02Mas não quero bandido bom, bandido morto.
04:04Então, assim, é um voto muito pragmático.
04:07Está aprofundando também.
04:08No sentido do seguinte.
04:09Quem é que vai cuidar dos filhos com espectro autista?
04:13Que é um problema.
04:15Quem é que vai cuidar disso?
04:17Qual vão ser os colégios preparados para poder cuidar do espectro autista?
04:23É um problema que elas têm que resolver.
04:26E quem é que vai entregar essa solução?
04:28Qual é o problema do dinheiro durar no final do mês e eu conseguir fazer a minha compra?
04:32Então, são problemas da vida como ela é, de fato.
04:35E isso, em tese, deveria trazer os candidatos para poder abordar mais esses problemas da vida real.
04:41Porque você percebe uma quase cristalização do voto, só que o que vai decidir esse voto do meio, ele quer
04:51resolver problemas reais.
04:53E por isso que esse debate deveria vir com propostas concretas, para poder atrair esse voto que vai decidir a
05:01eleição.
05:02E você acredita que a análise que eu fiz aqui na primeira pergunta leva muito em consideração o pré-campanha.
05:13A campanha, de fato, começou agora, no domingo.
05:17Você enxerga a possibilidade do aprofundamento dessas questões que você colocou aqui?
05:23E assim, a possibilidade, a gente tem muito...
05:26É o Lula, atual presidente, Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro.
05:30E você tem lá o Caiado, o Zema, o Renan Santos e outros ali.
05:34Você enxerga a possibilidade de um aprofundamento do debate e da entrada de algum desses nessa disputa eleitoral mais lá
05:42em cima?
05:44Tem outro erro que a gente comete, que é achar que as pessoas olham a eleição como a gente olha.
05:50As pessoas não estão olhando quem vai votar agora.
05:53Infelizmente, a gente está aí há 50 dias da eleição, correto?
05:56Porém.
05:57Só que você pega um dado da pesquisa do Datafolha.
06:00Na última eleição, acho que é menos de 50 ou 70% das pessoas lembram em quem votou para deputado
06:06estadual e federal.
06:08Então, assim, a gente é muito polarizado e politizado, mas quando a gente olhar deputados, senadores, até governadores, as pessoas
06:18não lembram em quem votou.
06:19Então, esse debate, que ele parece que ele está muito presente nas nossas vidas, ele não está ainda na vida
06:28de todo cidadão brasileiro.
06:30Por isso que, quando você olha, por exemplo, pesquisa para senador, que é uma pesquisa que existe, ela pouco diz
06:36sobre a realidade hoje.
06:38O voto é definido lá em cima.
06:40Hoje, o que você tem é muito mais um recall de nomes do que, de fato, uma intenção de voto.
06:45A pessoa vai ver quem votar uma semana, duas da eleição.
06:48Boa parte do voto é decidido na semana.
06:51Então, é muito mais para frente.
06:53Então, eu acredito que, entrando a campanha de televisão, que é outro ponto que ainda a televisão tem um efeito
07:00muito grande, principalmente para furar as bolhas das redes sociais,
07:03a gente vai ter mais elementos para poder analisar lá na primeira semana de setembro, onde entram as campanhas em
07:12televisão.
07:12Eu acredito que, se houver uma racionalização, for para o mundo mais real e tratar os problemas das pessoas, pode
07:23ser sim que a gente capture uma parte desses votos para candidatos que ainda não estão capturando.
07:30Agora, a tendência maior é que a gente caminhe nessa polarização mais algum tempo.
07:35Eu, por conta dessa quase cristalização que está acontecendo em ambos os votos.
07:43Você falou, na sua resposta anterior, de segurança pública, educação, saúde.
07:53E eu vou entrar agora no tema economia.
07:56A gente está vendo, assim, o Brasil vem crescendo nos últimos anos, abaixo do potencial.
08:05Acho que dentro do mercado todo mundo faz esse diagnóstico, mas vem crescendo.
08:12Só que quando a gente olha para a taxa de juros, quando a gente olha para o fiscal, com déficits
08:16em sequência, a gente vê que tem problemas.
08:20Qual é a análise que você faz hoje da economia e qual é o desafio do próximo presidente da república,
08:26seja ele quem for?
08:28Por que a taxa de juros é alta?
08:31O que é a taxa de juros?
08:33A taxa de juros determina o termômetro que você tem que ter juros para as pessoas poderem emprestar dinheiro para
08:42o governo.
08:44Então, o juro está nesse nível porque, nesse nível, o governo consegue tomar dinheiro no mercado.
08:49Então, o governo compete com os empresários pelo mesmo dinheiro.
08:54E se ele está nesse nível de taxa de juros, é porque ele precisa rolar a dívida, contrair mais dívida.
09:03Então, o fiscal que a gente fala, o que é isso?
09:07Eu sei que você está me escutando, você conhece, provavelmente, um empresário da sua cidade que está endividado, ou alguma
09:13pessoa que está endividada.
09:14Essa pessoa, quando está endividada, o credor, quem vai emprestar dinheiro para ela, é muito mais criterioso.
09:22É aquele exemplo clássico da cidade interior.
09:24Você quer ir meu amigo de São Gabriel da Paz, de Colatina, de Cachoeiro da Pimirim.
09:30Tem sempre, nas cidades interiores, aquele cara que troca um cheque, uma duplicata, não tem?
09:35Normal.
09:35Ele vai olhando lá se o empresário está mais enrolado, se está conseguindo pagar a dívida, se não está.
09:40Se esse cara começar a se enrolar demais, ele vai puxar o crédito, ele vai pedir mais garantias.
09:46E isso acontece com países também.
09:48Um país em que ele aumenta a dívida pública, que é o caso do Brasil, a dívida pública vem aumentando
09:53ao longo do tempo.
09:55O mercado vai cobrar dele um juro mais alto.
09:58Agora, soma-se a isso, um problema de juros no mundo.
10:03Os juros no mundo todo estão mais altos.
10:06Por quê?
10:08A gente vai lembrar que na pandemia houve uma grande expansão de moeda.
10:11Os mundos imprimiram muita moeda para poder passar pela pandemia.
10:15Isso gerou uma inflação e essa inflação não está caindo.
10:18É como se tivesse aquele amigo seu que parou de beber, começou a ir para a igreja, começou a trabalhar
10:24certinho,
10:25veio a pandemia e ele começou a tomar um uísquezinho.
10:27Ele teve uma recaída e ele não parou de beber.
10:29Ele está bebendo um pouquinho todo dia e está difícil ele voltar a parar de beber.
10:35Está difícil ele parar de gastar dinheiro.
10:37Está difícil ele parar de crescer o gasto público.
10:40Isso não é um problema só do Brasil, é um problema dos Estados Unidos também.
10:43Nos Estados Unidos, ele cresce a dívida pública todo ano.
10:47O déficit fiscal do americano é quase 7% do PIB.
10:49É como se você estivesse rodando uma guerra dentro dos Estados Unidos a cada ano.
10:54Então, isso gera um debate.
10:55Qual é o valor do dólar?
10:57Se ele está emitindo moedas do jeito que está?
10:59Por que o preço do ouro está onde está?
11:02Porque o americano está emitindo muita moeda.
11:05E o chinês falou o quê?
11:07Ele está emitindo moedas dessa maneira.
11:10E na hora que ele brigou com os russos, ele foi lá e sequestrou 300 bilhões de dólares do russo?
11:14Espera aí.
11:16Deixa eu colocar o meu dinheiro aqui em ouro para me proteger.
11:19Porque para a China é bom também.
11:20A China é a maior produtora de ouro do mundo.
11:23E é a maior consumidora de ouro também, de reservas.
11:26Então, para ela puxar o preço do ouro é bom.
11:27Ele produz.
11:29Então, é essa migração que está acontecendo no mundo para ativos reais.
11:32Então, assim, o juro só vai cair no Brasil
11:35quando a gente fizer uma maior disciplina fiscal.
11:39Aí você vai falar assim,
11:39pô, furra, é difícil para caramba.
11:41Não.
11:42É, a pergunta que a gente fazia é justamente essa.
11:44O que é possível fazer?
11:45Você lembra em 2016 qual era o juro no Brasil?
11:49Chegou a 15, né?
11:5014,5, 15.
11:52O que aconteceu em 2016?
11:54Teto de gasto.
11:55Teto de gasto.
11:56O que foi teto de gasto?
11:57O parlamento brasileiro, junto com o governo, Michel Temer,
12:02falou o seguinte,
12:03bora combinar aqui que a gente só vai gastar o que crescer a inflação?
12:06Vamos criar o tal do teto de gasto?
12:08O teto de gasto fez com que o mercado começasse a precificar uma queda da trajetória da dívida.
12:14Então ele já viu que a dívida pública ia diminuir,
12:17portanto, a dívida pública vai diminuir o risco de emprestar dinheiro para esse país.
12:20Vai ser menor, o juro tem que ser menor.
12:22Mais confiança.
12:23O juro saiu de 14,5 para 4,5.
12:26E teve no meio do caminho a greve de caminhoneiros.
12:294,5.
12:30Então assim, qual que foi o ajuste feito?
12:32Bora só gastar a inflação?
12:34O orçamento público brasileiro tem muitos pontos de destravamento.
12:40Ele é muito grande, tem muita ineficiência.
12:42Na sua casa deve ter ineficiência.
12:44Aqui deve ter ineficiência.
12:46No orçamento público brasileiro, quando é de ineficiência que não deve ter?
12:50Só que tem que ter uma proposta, uma coragem para poder fazer esse tipo de ajuste.
12:55Agora, o que aconteceu com...
12:56É importante a gente...
12:57Porque isso tem pouco tempo.
12:58O teto de gasto tem 10, 11 anos.
13:00O que aconteceu nesse período para não ter dado certo e a gente ter esse repique do juros?
13:06Você já falou do Covid, mas...
13:09O que aconteceu com o nosso fiscal nesse período?
13:12Olha, teve uma época...
13:14Com gasto do governo.
13:15Fala de fiscal, gasto do governo.
13:16Teve uma época de pandemia onde houve, não só no Brasil, no mundo todo,
13:22um aumento do gasto público para poder combater a pandemia.
13:26A gente saiu da pandemia com gasto público elevado.
13:29E isso continuou.
13:33Teve a tal da PEC da transição, que numa troca de governo adicionou quase 200 bilhões de reais de gasto
13:40público.
13:41E de lá para cá a gente ainda não conseguiu fazer uma...
13:45O que é a tal da convergência?
13:47Existe a dívida pública?
13:49O que o mercado olha?
13:50Se ela está crescendo ou diminuindo.
13:52Então, essa curva, a dívida pública tem aumentado ao longo dos tempos.
13:57Então, isso é a projeção do próprio governo.
14:00Se ela continuar nesse nível, ela vai bater quase 100%.
14:04Não existe nenhum país emergente com dívida pública próxima de 100% do PIB.
14:08Por que o Brasil não quebra?
14:10Porque a gente tem uma reserva em dólar muito grande.
14:13O Banco Central tem 250, 350 bilhões de dólares de reserva.
14:17E a gente tem, ábido, uma dívida pública interna.
14:21Então, a gente deve muito para a gente mesmo.
14:24Então, isso faz com que...
14:25Não existe mais a tal dívida externa.
14:26Não existe a dívida externa, o choque cambial.
14:29O Brasil é um país que é exportador de commodities.
14:32Então, ele recebe muito dólar.
14:34Então, ele vende soja, milho, algodão, petróleo, minério de ferro.
14:38Então, assim, a gente, ao longo desse tempo, foi criando esse colchão de liquidez.
14:43Qual é o mal de você não fazer um ajuste fiscal?
14:46Como, historicamente, essa dívida se conserta?
14:49Com a inflação.
14:50Aí, todo mundo fica mais pobre.
14:52E o que mais precisa é o que mais fica prejudicado nessa equação.
14:57Por isso que cuidar das contas públicas é cuidar das pessoas.
15:00Agora, Fulandete, uma coisa interessante,
15:03que a gente fica muito nesse debate ideológico direita e esquerda,
15:06mas, no nosso caso, nos últimos anos,
15:08tanto direita como esquerda furaram, na época da direita, o teto de gastos
15:13e o governo atual do presidente Lula fura o tempo todo o tal do arcabouço fiscal.
15:18Então, essa questão fiscal é um problema que foge um pouco essa briga ideológica que a gente vê.
15:25Em todas as eleições, teve expansão de gasto pré-eleitoral.
15:30O problema hábito não é você fazer uma expansão de gasto pontual.
15:35O problema é quando essa expansão de gasto passa a ser estrutural.
15:40Então, você não consegue combater ao longo do tempo.
15:43É uma despesa que você cria permanente.
15:45E o Brasil tem um grande problema da indexação.
15:48Por exemplo, cada vez que você sobe um real o salário mínimo,
15:52você sobe todos os programas sociais juntos.
15:55Vou te dar um exemplo.
15:56A minha mãe é servidora pública, aposentada.
15:58Então, ela está na inativa.
16:00Você sabia que tem um bônus de produtividade para o setor público?
16:03Então, se o cara produzir mais, ele vai ganhar um pouco mais.
16:06Mas, ora, esse bônus de produtividade,
16:09ele se estende aos servidores na inativa também.
16:13Produtividade para quem está aposentado.
16:14Faz sentido.
16:15Então, a gente tem que ter coragem de colocar o dedo em algumas feridas
16:20e fazer esses ajustes.
16:22Porque, senão, todo mundo vai pagar isso
16:24num preço de uma inflação maior, um juro maior.
16:27Bom, juro.
16:28Isso, claro, tem.
16:29A gente fala de juro.
16:31Parece que é um troço muito distante, lá da Faria Lima.
16:34Mas, isso afeta o dia a dia.
16:36A gente está vendo, por exemplo,
16:40recuperação judicial agora da Casas Bahia.
16:42Temos o caso da Americanas.
16:44E você tem outros tantos casos.
16:47O que está acontecendo com o mercado real,
16:51com as empresas, com essa quantidade,
16:54com essa taxa tão elevada de juros?
16:55É um surto de recuperação judicial?
16:57O que está havendo?
16:58O empresário é sempre otimista.
17:00O ano que vem vai ser melhor.
17:01O ano que vem eu resolvo a dívida.
17:02O ano que vem eu vou faturar mais.
17:05Minha margem vai ser melhor.
17:06Então, ele é muito otimista.
17:07E ele vai esticando a corda até onde dá.
17:10Ele é corajoso.
17:12O juro não está caindo há muito tempo.
17:15As margens estão comprimidas por uma série de fatores.
17:18Mão de obra está mais caro.
17:20O custo do produto está mais caro.
17:21O custo do aluguel está mais caro.
17:23E o custo do financiamento, do tal do funding,
17:25que a gente chama de você pegar o dinheiro,
17:27está super alto.
17:28Então, a vida está difícil.
17:29Principalmente para o varejista brasileiro.
17:31E eu diria, Hábido,
17:32que antigamente, na época do seu pai e do meu pai,
17:36era vergonhoso você pedir uma recuperação judicial.
17:38As pessoas ficavam com muita vergonha de pedir.
17:40Até porque elas ficavam com vergonha e medo,
17:43porque depois os bancos iam a retaliá-las.
17:46Então, era um país de quatro, cinco bancos.
17:49Então, se eu peço RJ,
17:51eu nunca mais vou ter dinheiro ou acesso a dinheiro.
17:54E hoje a RJ passou a ser uma estratégia quase que jurídica
17:58de algumas empresas.
17:59Tem aquela RJ que a pessoa precisa pedir,
18:03que faz sentido ela pedir.
18:05Mas tem também as RJs fraudulentas,
18:07que essas devem ser muito combatidas pela justiça.
18:11Porque senão a gente acaba criando o que a gente chama no mercado
18:13de um efeito moral.
18:15Se ninguém paga a dívida,
18:16o juro vai ficar exorbitantemente caro.
18:20E os bancos vão dar muito menos crédito.
18:23Então, acredito que houve uma popularização no instrumento de RJ.
18:27E talvez houve ali hábito um pouco de...
18:30Como a gente tem um mercado mais pulverizado,
18:33que eu vou ter acesso a crédito de outras maneiras,
18:38além dos bancos.
18:39Então, por isso, ok, eu pedi uma RJ.
18:42Eu, sinceramente, acredito que esse instrumento...
18:46É o último recurso que a empresa deve usar.
18:48De fato, antes disso, ela pode passar por uma série de negociações
18:52e tentar sair do buraco financeiro dela
18:55de uma forma mais organizada,
18:58sem pedir recuperação judicial.
19:00Agora, tem muito...
19:02Eu acho que vale a pena a gente entrar no tema do varejo.
19:05Tem muito comerciante
19:08que certamente vai nos assistir.
19:10O que está acontecendo com o varejo?
19:12Porque a gente vê grandes...
19:13Umas, inclusive, já acabaram.
19:15Outras, como a Casas Bahia,
19:17entrando em recuperação judicial.
19:18O que está especificamente acontecendo com o varejo?
19:21É só a questão do juro?
19:22Ou tem algo mais acontecendo?
19:24É a disrupção tecnológica, e-commerce?
19:28Como é que você enxerga a situação do varejo?
19:31Tradicional, é claro.
19:33O varejo.
19:34Vamos pegar uma rede de eletrodomésticos.
19:36Ela vende um produto caro,
19:38que depende de crédito.
19:40Ela tem que manter esse produto no estoque.
19:42Então, ela precisa de um capital de giro para isso.
19:44Esse custo do dinheiro está caro.
19:46Então, assim, o que ela vende está caro.
19:48O capital de giro está caro.
19:50O aluguel está caro.
19:51A mão de obra está escassa.
19:54O crédito para o consumidor
19:56que vai comprar a geladeira está caro.
19:59Então, ela está sendo amassada em todos os pontos.
20:03Desde a época da compra,
20:04à época da venda.
20:07Então, naturalmente,
20:08ela está tendo uma margem muito comprimida.
20:10Ah, as pessoas agora comparam o preço no e-commerce.
20:14Então, você tem um efeito de comparação
20:17que antes você não tinha.
20:18Você tem um outro problema.
20:19Então, está muito mais difícil a vida.
20:22As empresas não têm que se reinventar.
20:24Criar altos canais,
20:25colocar altos tipos de produto,
20:26com margens maiores.
20:27Talvez um grau de comparação
20:30não tão grande quanto uma linha branca.
20:32Então, é uma época de reinvenção do varejo.
20:35Dá para se reinventar.
20:36A gente está em uma época
20:38onde a inteligência artificial
20:39vai ajudar a gente a reinventar processos,
20:43aumentar a eficiência.
20:44Tem três estágios de uso de inteligência artificial no mundo.
20:48O primeiro é quando você começa a pegar o seu celular,
20:50usar ali o Chef GPT, Gemini, Cloud.
20:55O segundo é quando você utiliza isso
20:57para melhorar processos da sua empresa
20:59e reduzir custos.
21:01E o terceiro é quando a inteligência artificial
21:02vai ajudar a tua empresa a fazer mais dinheiro,
21:06criar novas linhas de receita.
21:07Então, eu diria que o mundo,
21:09ele está ficando mais difícil,
21:11mas ele também está te dando mais instrumentos
21:13para que você consiga, de alguma forma,
21:15ter mais eficiência
21:16e conseguir focar no teu cliente
21:19e naquilo que está no teu controle.
21:20Porque você não controla a taxa de juros,
21:23você não controla a inadimplência,
21:24você não controla a mão de obra.
21:25Isso é coisa que você, como empresário,
21:28não consegue ter controle,
21:29mas você controla a tua operação,
21:31o atendimento na ponta,
21:33eficiência da logística.
21:35A proximidade ali com o consumidor.
21:36É, porque outra coisa,
21:37a gente está na época,
21:38a vida de um varejo cada vez mais concierge.
21:41O que é isso?
21:42As pessoas estão querendo ter mais tempo livre.
21:47E, inclusive, a inteligência artificial
21:50fez com que a gente melhorasse alguns processos
21:53e tivesse mais tempo livre.
21:56Hoje você não quer ficar procurando uma passagem aérea
21:59igual você procurava antigamente,
22:01ou um roteiro de viagem igual você fazia antigamente,
22:04ou digitar um texto igual você digitava antigamente.
22:07Hoje, com o AI, você consegue fazer esse processo
22:10de forma muito mais rápida e ter mais tempo.
22:13Inclusive, tem algumas teses de investimento lá fora,
22:15dos grandes fundos investindo em companhias
22:19que vão se aproveitar desse maior tempo livre do cidadão.
22:22Então, se as pessoas vão ter mais tempo livre,
22:25o que elas vão fazer?
22:26Vão passar mais tempo na internet.
22:28Então, vou comprar ação da Meta.
22:30Vão ver mais filme.
22:31Vou comprar ação da Netflix, da Prime, do Amazon.
22:35Essas teses de como eu vou conseguir ganhar dinheiro
22:39com mais tempo livre das pessoas.
22:41Então, eu diria que é um mundo que vai dar muita oportunidade
22:46de a gente reinventar as coisas e estar próximo do cliente.
22:49Porque nessa época de AI,
22:51como é que você gera confiança do seu cliente?
22:54Como é que você entrega as coisas mais mastigadas para ele?
22:57Lembra no interior?
22:59Tem sempre aquela loja multimarcas
23:01que tem uma vendedora que é a dona da loja
23:03e ela conhece tudo o que você gosta.
23:06E, às vezes, ela entrega na tua casa uma malinha de roupas
23:08que você possivelmente vai comprar.
23:11O que ela está fazendo?
23:12Ela te conhece tanto que ela sabe que você vai gostar daquilo.
23:14Então, ela até facilitou o teu tempo de ir à loja.
23:16Ela mandou para você um produto consignado
23:19que você vai provar e vai ver se você vai gostar ou não.
23:21Tem a confiança.
23:22Esse é o varejo concierge.
23:23O mundo casaria vai ser um mundo de concierge,
23:26onde você entrega as coisas mais mastigadas
23:28para o cliente.
23:29Isso vai gerar mais confiança.
23:31E você vai vender produto.
23:32E, talvez, nesse tipo de serviço,
23:35não vai ser 100% comparável preço, preço, preço.
23:38Não vai ser uma briga só por preço.
23:39Vai ser uma briga também por atendimento.
23:41Tem um valor agregado aí.
23:42Tem um valor agregado.
23:43Interessante.
23:43Dica importante para os comerciantes.
23:46Tem um tema, nos últimos dias,
23:48aqui no Espírito Santo, muito forte,
23:50que é a crise da Apex Partners,
23:52que é a plataforma de investimento.
23:56Tinha 18 bilhões sob gestão,
23:59mais de 7 mil clientes.
24:02Enfim, você deve estar acompanhando.
24:04Você, bom, é presidente da ANCOR,
24:06representa as corretoras no Brasil.
24:09Você está acompanhando essa crise?
24:11Como é que você vê toda essa situação
24:14em que se enfiou a Apex?
24:16Abdo, quando a gente cuida do dinheiro das pessoas,
24:19a gente cuida do sonho das pessoas.
24:20A gente tem que ter muita responsabilidade.
24:23Eu, enquanto presidente da ANCOR,
24:25eu defendo que tudo tem que ser investigado,
24:28apurado e, se houver crime, punido.
24:30O sistema financeiro brasileiro é um sistema muito sólido.
24:34Hoje a gente está falando de quase 15 trilhões de reais
24:36que irrigam inúmeras empresas.
24:40O Brasil se beneficiou muito da desconcentração bancária,
24:43das plataformas de investimento,
24:46de novos bancos surgindo.
24:48As empresas hoje conseguem ter acesso a crédito,
24:50emitir dívidas mais longas,
24:53fazerem abertura de capital.
24:55E todo o país forte,
24:57ele passa por um sistema de capitais muito forte.
25:00Então, é muito importante a gente ter em mente
25:03que o Brasil tem um sistema financeiro muito sólido
25:07e tem instituições competentes para fiscalizar e punir.
25:11Então, acredito muito na fiscalização com rigor,
25:15no acompanhamento e ouvendo crime na punição.
25:18Porque a gente está aqui cuidando do futuro das pessoas.
25:22Tem que ter muita responsabilidade.
25:24E tem uma ponta importante também,
25:25além da questão da confiança que você colocou,
25:27o investidor não tinha acesso aos investimentos que ele tem hoje
25:31antes de tudo isso que você colocou para a gente.
25:35Antigamente, a oferta de produtos financeiros era muito limitada para o cliente final.
25:39Era como se você entrasse no supermercado
25:41e tivesse apenas um, dois produtos ofertados para você.
25:45Se quiser.
25:46Se você quiser.
25:47Se você não quiser, vai embora, porque eu tenho um monopólio.
25:50Hoje não.
25:51Hoje você tem uma competição, você tem uma oferta de bons produtos.
25:54Você tem uma profundidade do mercado maior.
25:57Então, isso é muito bom para o investidor.
25:59E é muito bom também para as empresas que abriram um leque de acesso a crédito no Brasil.
26:06Qualquer país onde você tem uma classe média forte,
26:09um país que cresce muito, ele tem um mercado de capitais pujante.
26:12É o pulmão de qualquer economia forte.
26:17Planete, estamos caminhando aqui para o final da nossa conversa.
26:21Eu preciso falar com você sobre cenário mundial.
26:25Temos um cenário mundial que as tarifas vão, vêm.
26:29Temos um cenário mundial que a guerra do Irã fica mais quente,
26:33daqui a pouco ela fica mais fria,
26:34que o preço do petróleo sai de 65 dólares, vai a 120,
26:37daqui a pouco ele volta para 80, daqui a pouco ele vai a 100.
26:40Então, assim, isso tudo de fevereiro para cá.
26:43Tarifa não, tarifa um pouquinho antes.
26:45Bom, China se posicionando e como é que fica a União Europeia.
26:50Enfim, é um cenário cada vez mais nebuloso.
26:53Eu lembro de uma entrevista que eu fiz com você,
26:55que você falou que o Brasil tem tudo para se aproveitar muito bem
26:58desse cenário internacional um tanto quanto nebuloso,
27:02porque o Brasil é o famoso good guy.
27:04Ele se dá bem com todo mundo.
27:07Bom, a gente está vendo agora um entreveirozinho com os Estados Unidos,
27:10a questão de embaixada, essa coisa toda, embaixador.
27:13Você mantém a mesma opinião?
27:15Quais são os desafios e oportunidades que o Brasil tem
27:19diante desse cenário internacional um tanto quanto conturbado?
27:21O mundo de inteligência artificial vai mudar muito a força entre países, de verdade.
27:28Você pega, por exemplo, a NVIDIA, que é uma empresa americana que faz o microchip.
27:32Só a NVIDIA sozinha.
27:34Só a NVIDIA sozinha.
27:35Ela vale 5% de todas as empresas listadas juntas no mundo, uma empresa.
27:42Então, a geração de valor que está acontecendo hoje nos Estados Unidos é surreal.
27:47Surreal.
27:48Isso vai mudar muito a força entre países.
27:51Por exemplo, a gente está na fase agora dos robôs humanoides.
27:56O que é isso?
27:57Parece papo de maluco.
27:58Mas hoje um robô, ele consegue te pegar e te entregar esse copo de água.
28:02A gente está na época que a gente chama de soft touch dos humanoides.
28:06Ele vai poder fazer uma homenete para você.
28:08Se você for pensar mais longe, esse robô vai poder costurar uma camisa.
28:14Talvez aquela camisa que os Estados Unidos compram, que é feita no Vietnã, vai ser feita nos Estados Unidos por
28:19robô.
28:20Olha que maluquice.
28:21Os Estados Unidos, ele proibiu a importação de robôs humanoides da China.
28:29Porque a China, nos humanoides, está um pouco à frente dos Estados Unidos.
28:33Por que ele falou, eu não quero ter o robô chinês aqui?
28:36Porque se o cara lá na China começa a programar o robô chinês aqui, interfere na segurança americana.
28:41Então, a gente está nessa época que as forças estão se mudando.
28:45Mas o que a gente tem que a inteligência artificial não vai substituir e que só a gente tem?
28:53Minério de ferro.
28:55Agro.
28:57Comida.
28:58Água.
28:59Energia renovável.
29:0180% da matriz energética brasileira, mais do que isso, 85%, é de energia renovável.
29:07Inteligência artificial consome muita energia.
29:10A gente tem energia renovável que pode abastecer uma série de data centers.
29:14Então, o Brasil tem uma oportunidade muito grande nesse novo mundo que a gente não sabe de verdade para onde
29:21vai.
29:22Ele começou essa mudança.
29:24Só que a revolução industrial, lembra que a gente estudava no colégio, demorou 100 anos para mudar o mundo.
29:30A revolução da inteligência artificial vai mudar o mundo muito mais rápido.
29:35Vai haver ganhadores e perdedores.
29:37Mas eu acredito de verdade que o Brasil vai ser um grande ganhador dessa história pelos potenciais que tem.
29:43É só a gente aproveitar direitinho.
29:44Só para não perder, o Brasil sempre, você falou do agro, do minério, o Brasil sempre foi, a indústria brasileira
29:53sempre foi muito criticada, porque o Brasil sempre foi um vendedor de commodities.
30:01Minério, o Brasil, aço, o Brasil nunca conseguiu fugir.
30:05O petróleo bruto agora, o que mais vende é petróleo bruto.
30:09Você acha que é possível?
30:11Você acha que isso muda?
30:12A importância desse debate muda com a entrada da inteligência artificial?
30:18Como é que você enxerga isso?
30:20Para a gente conseguir agregar mais valor à nossa economia, ao que a gente faz?
30:27A gente tem coisas que só a gente tem.
30:31E é natural que a gente, ao longo do tempo, vá agregando mais valor a essas cadeias.
30:36Normal.
30:37Isso é um caminho sem volta que a gente vai acontecer aqui no país.
30:40Isso aí eu vejo com muita tranquilidade.
30:42Então, o momento agora que a gente tem que fazer é pegar tudo que a gente tem de bom e
30:47não perder essa chance de nos alavancar nisso.
30:50Por exemplo, inteligência artificial, ótimo.
30:54Qual que é a batéria-prima da inteligência artificial?
30:58Água e energia, né?
31:00Dados.
31:01O Brasil é riquíssimo em dados.
31:03O Brasil hoje é o segundo maior país do mundo na utilização do chat GPT.
31:09Porque o brasileiro, ele é o que a gente chama de early adopter.
31:13Ele vai usar a tecnologia primeiro.
31:17E ele testa muito.
31:19Você sabia que o Brasil...
31:21Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil, fala muito isso.
31:23E se a gente conseguir usar isso ao nosso favor, vai ser muito bom para o nosso país.
31:27Por exemplo, eu tenho um dado que o Brasil, se eu não me engano, é o país no mundo que
31:35mais manda mensagem de áudio no WhatsApp.
31:38Olha o que acontece de dado que tem aí.
31:40Acho que só perde para a China.
31:41Para a Índia, perdão.
31:44Porque a China usa o WeChat.
31:46Então, assim, a gente é um país riquíssimo de dados.
31:48Por exemplo, o fato de a gente ter o SUS, o Sistema de Saúde Único, você começa a ter o
31:52prontuário médico de cada cidadão.
31:55Você consegue entender ali o padrão de doenças, epidemias.
31:59Você começa a ser especialista em outra mineração, né?
32:01Na mineração de dados.
32:02De dados, exatamente.
32:03A gente tem muito dado.
32:04A gente tem muito dado.
32:05Tem muita energia.
32:07Tem tudo para dar certo.
32:09É o good guy, né?
32:10Saber usar essa potência aí.
32:12Total.
32:13Bom, para terminar, o seguinte.
32:14A gente tem uma eleição daqui a pouco, aquele negócio que sempre não tem jeito, a discussão.
32:20O domingo em família às vezes pode acabar por causa disso.
32:23O sujeito é preocupado com a taxa de juros.
32:26Para onde que esse país vai?
32:28Eu queria que você terminasse a nossa conversa aqui dando uma dica para o empresário, para o empreendedor, de como
32:39caminhar, né?
32:41A gente está passando por esse momento, mas 2027 está aí.
32:48E como enfrentar esse momento e o que o empresário tem que fazer para que a coisa saia do jeito
32:56que ele quer?
32:56O brasileiro não tem a vida fácil.
32:59Eu tenho certeza que você que montou a tua empresa, talvez no momento que você montou a tua empresa, não
33:03estava o melhor momento macroeconômico do Brasil.
33:07E é isso aí.
33:08O empresário brasileiro é resiliente, é temoso, é corajoso.
33:13O que eu queria falar para você?
33:15Faça as coisas que estão no teu controle agora.
33:18Controlar custo, controlar eficiência, utilizar a inteligência artificial para poder melhorar a eficiência da sua companhia,
33:25melhorar a proximidade com o seu cliente, seja obcecado nos processos que você tem controle.
33:32Todo setor tem oportunidade.
33:35Tudo que é feito dá para melhorar.
33:38O WhatsApp não foi a primeira forma de você se comunicar com o celular.
33:43O cartão de crédito, que era algo super comodotizado, mudou.
33:48Tudo dá para você melhorar.
33:50Tudo dá para você fazer diferente.
33:51Você tem que ser obcecado por processo.
33:55Agora você também é um cidadão.
33:57Durante muito tempo, o empresário brasileiro achou que a vida dele era pagar imposto, estava tudo bem.
34:03Eu estava fazendo a minha parte, gerando imposto, gerando emprego, vivendo minha vida.
34:09Isso se mostrou errado.
34:11O cidadão, o empresário, ele deve participar no dia a dia, nas discussões políticas do seu município,
34:18do seu estado, do seu país.
34:21Porque se a gente não se envolve, a gente acaba deixando espaço para quem quer se envolver
34:26e talvez não tenha os mesmos objetivos que a gente tenha.
34:30Isso é muito ruim.
34:31A gente viu o que aconteceu nesse país nos últimos anos,
34:35o fato do empresário não se envolver nessas discussões.
34:39Então, se envolva, opine, trabalhe, se manifeste, seja muito correto no que você faça,
34:47mas promova bons debates, pergunte para as pessoas os planos que elas têm
34:52e, mais que isso, acompanhe todos os mandatos, deputados, senadores, governadores, presidentes.
35:00É muito importante a gente ter uma população que acompanhe, cobre e monitore.
35:06Então, o que eu peço para os meus conterrâneos é que vocês façam aquilo que esteja no seu controle
35:12e cumpram o seu papel de cidadão.
35:14Não desistam do país.
35:17A gente é brasileiro, a gente ama isso aqui.
35:19E a gente tem que cuidar muito bem do país, da nossa cidade, do nosso estado,
35:24de tudo que a gente faz, porque, afinal das contas,
35:27a gente vai deixar isso aqui para os nossos filhos, netos,
35:29e, portanto, a gente tem que cuidar disso aqui muito direitinho.
35:33Tá certo, Rafael Furlanete, capixaba, sócio, diretor da XP, presidente da ANCOR,
35:40colunista de A Gazeta, muito obrigado por mais essa participação aqui no Papo de Valor.
35:43Obrigado. Valeu, meu amigo.
35:45Furlanete, um grande abraço.
35:47E a você, muito obrigado e até o próximo episódio de Papo de Valor.
35:57E a você, muito obrigado.
Comentários