- há 5 semanas
Episódio 2 do Bem Envelhecer fala sobre as blue zones, áreas famosas por terem moradores com mais de 100 anos
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00:11Oi gente, eu sou a Nayara Arpini, esse é o segundo episódio do podcast Bem Envelhecer
00:17Médicênio e o nosso objetivo aqui, a nossa proposta é quebrar tabus, mostrar que você
00:22pode envelhecer bem e melhor.
00:25E assim como no primeiro episódio e nos próximos que virão, estou muito bem acompanhada.
00:30Doutor Thiago Maia, doutor Rony Mucamal, muito obrigada, sejam bem-vindos.
00:34Está tudo bem com vocês?
00:34Tudo bem?
00:35Tudo bem, é um prazer de novo estar aqui com você e um tema muito, muito emblemático e
00:41legal que a gente vai conversar hoje.
00:42É isso.
00:43Tudo ótimo, Nay, Rony, muito bom a gente estar falando mais outro episódio do Bem Envelhecer
00:47e um tema, mais um tema extremamente interessante.
00:49Então é um prazer e estamos juntos com a nossa audiência novamente.
00:53É isso, vamos fazer mistério não, vamos falar logo desse tema, que o tema desse episódio
00:57é muito interessante, que é Como Chegar aos 120 Anos e com Saúde.
01:04Pois é, e aí inclusive no segundo bloco desse podcast a gente vai ter um outro convidado
01:09muito especial, que é um exemplo aí de longevidade ativa e saudável, mas daqui a pouquinho
01:14a gente vai conhecer ele, vai falar dele.
01:16Primeiro, para esquentar aqui já o nosso bate-papo, já vou direcionar uma pergunta para
01:20você, doutor Rony.
01:21Com o maior prazer.
01:21É possível chegar aos 120 anos fisicamente falando?
01:26Então, isso é muito interessante, Nayara.
01:28Primeiro, por que 120 anos?
01:30Eu sou um adepto e acredito nos 120 anos porque vem da Bíblia.
01:34Se a gente olhar lá atrás da Bíblia, já falava que as pessoas viveriam em várias
01:39passagens.
01:40Moisés viveu 120 anos, então pegando esse gancho da Bíblia e vendo o envelhecimento acelerado
01:48e milhares de centenários, cada vez mais a gente está vendo a população centenária,
01:53a gente vai falar deles.
01:54Então, eu acredito que sim, é possível.
01:59A gente está caminhando para chegar aos 120 anos.
02:02Acredito que é uma possibilidade grande.
02:04E a gente tem um termo que está ficando muito popular ultimamente, que são as Blue
02:08Zones, né?
02:09E aí eu queria que você explicasse, as Zonas Azuis, que tem tudo a ver com essa questão
02:13da longevidade.
02:14Exatamente.
02:15As Zonas Azuis, na verdade, quem descobriu as Zonas Azuis e definiu foi um aventureiro,
02:23que ele se chama assim, né?
02:24Na verdade, é um jornalista chamado Dan Butner, americano.
02:28Quando ele começou a sua carreira fazendo prova de ciclismo, ele cruzava de um lado do
02:34continente ao outro, bateu vários recordes, né?
02:36E nessas viagens dele, como ele se define um aventureiro, ele se esbarrou um pouco com
02:42essas populações altamente longevas, né?
02:45Uma das principais que ele se esbarrou foi na Sardenha, na Itália, né?
02:50E longevas quanto, assim?
02:51Até que idade essas pessoas?
02:53Então, pela definição do Blue Zones, são os centenários.
02:57Seriam os lugares no mundo que tem a maior quantidade demográfica de pessoas de 100
03:04anos para cima, né?
03:05E com qualidade de vida, assim, com saúde saudáveis.
03:08Sim.
03:09Aí ele foi, depois de pegar esses dados, ele foi ver o que essas pessoas faziam e como
03:14elas estavam.
03:15E ele se surpreendeu.
03:16Ele viu que essas pessoas viviam muito.
03:19Existem alguns que a gente chama pontos em comum entre os Blue Zones e que determinam
03:25uma longevidade com funcionalidade, com atividade.
03:29São pessoas que chegam a 100 anos mantendo o seu grau máximo de atividade, pertencendo
03:36a comunidade, ativos, produtivos dentro da sua comunidade.
03:42Então, esse enigmático Blue Zones, né?
03:46Que agora está ficando mais famoso, né?
03:49É algo que a gente tem que olhar para poder aprender e entender quais são esses, eu vou
03:54dizer, os segredos, né?
03:55O segredo da vida longa, que não é um comprimido, é muito mais comportamentos, né?
04:04E a gente tem exemplo dessas zonas azuis, tanto fora do Brasil como aqui no Brasil, para
04:08a gente poder saber, assim, que áreas são essas e qual é o segredo?
04:12O que tem lá que pode causar isso?
04:14Então, Ana, isso é muito legal o que você está falando, né?
04:16Por definição, foram definidos, tem critérios científicos, cinco Blue Zones, né?
04:21Japão, a ilha de Okinawa, a ilha de Sardena, Itália, Icaria, na Grécia, Loma Linda, nos
04:29Estados Unidos, na Califórnia, uma comunidade de Adventistas do Sétimo Dia, que tem um grupo
04:36muito junto, né?
04:37Com o comportamento que fazem eles viverem muito.
04:40E Nicoia, né?
04:43Nicoia, na Costa Rica, assim, é a única Blue Zones num país subdesenvolvido, que também
04:48é algo interessante.
04:49No Brasil, a gente está tentando que uma cidade lá no sul, tem alguns pontos de algumas
04:56cidades, uma cidade lá no sul chamada Veranópolis, uma cidade com 24 mil habitantes no Rio Grande
05:02do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, ela está tendo essas características.
05:07Ainda não foi nomeada, né?
05:09Porque existe uma série de critérios, mas parece que eles, lá no sul, eles agregam
05:14esses comportamentos e vivem muito e com qualidade.
05:18Então, a gente tem uma Blue Zones nossa que está sendo estudada, né?
05:24Que legal.
05:24E uma coisa me chamou a atenção.
05:26Esse lugar da Califórnia, você falou que é uma comunidade religiosa, assim, né?
05:32De Adventistas.
05:33Adventistas do sétimo dia.
05:34E no primeiro episódio, a gente falou sobre espiritualidade.
05:38Isso.
05:39Como é que a gente pode relacionar isso, doutor Tiago?
05:41Vou jogar essa pra você agora.
05:43Mas então, ouvindo o Rony falar, a gente percebe que todas as comunidades possuem bons
05:49hábitos de uma forma contínua, né?
05:52Como a Rony disse, não é um comprimido.
05:53Você não vai tomar uma vez ou vai praticar uma vez e está efetivo, está valendo.
05:57Não.
05:58A gente precisa de ter uma circunstância repetitiva.
06:01De bons hábitos, sejam hábitos físicos, mentais, sociais.
06:05Eu vejo que nas Blue Zones nós temos características muito comuns entre elas, né, Rony?
06:10Que a população é uma população muito socializada, né?
06:14Ela executa hábitos rotineiros em comunidade e torna isso rituais, contínuo.
06:20Então, isso vai fazendo com que essas populações sejam as características que sejam, né?
06:24Como, por exemplo, a característica religiosa lá dessa dos Estados Unidos que você citou.
06:29Então, eu acho que um marco relevante é a gente conseguir ter essa perpetuidade das boas práticas.
06:35E aí, aproveitando o gancho, eu vi recentemente uma reportagem daquela competição do Iron Man, né?
06:41Que expõe a pessoa ao máximo.
06:44É um homem de 86 anos completando a prova.
06:48Então, óbvio, a gente está falando de um extremo.
06:50Mas, com certeza, ele não foi naquele dia correr.
06:53Não, mesmo.
06:54Ele pratica isso já há um bom tempo.
06:56É a rotina, né? Assim, é a constância.
06:59E ele não chegou exausto, Caído. Não, ele chegou bem.
07:01Então, você perceba que são os bons hábitos repetitivos que vão chegando e vão levando, né?
07:07Seja você ou a comunidade onde você está inserido,
07:10a uma vivência muito mais harmônica e chegar no bem-envelhecer bem, né?
07:14Aumentar a sua idade, chegar nos 120 anos vivendo bem.
07:18Que é o que nós discutimos no primeiro.
07:20Vamos discutir nesse segundo, eu acho, em todos os outros episódios.
07:23Sim.
07:23A gente conseguiria, então...
07:25Desculpa te interromper, doutor Rony, mas a gente conseguiria pontuar, então...
07:28Por exemplo, a gente já falou aí da espiritualidade.
07:32Maia falou um pouquinho dessa questão.
07:34Eu entendi como relações interpessoais.
07:36É você manter relacionamentos saudáveis.
07:39A gente conseguiria pontuar quais são essas características que fazem a população viver mais, viver bem?
07:45A gente tem muito estudo em cima dessas blusons, né?
07:48Mas só puxando um gancho da espiritualidade,
07:50essas comunidades todas se caracterizam por um senso forte de propósito, né?
07:55Que lá em Okinau, o pessoal chama de ikigawa,
07:58que é uma palavra que a gente aqui às vezes vê, né?
08:02Que é o senso de propósito, que é o que eu acordo de manhã.
08:07Eu sei exatamente por que eu acordo e aquilo me traz felicidade, né?
08:13Você falou dos Adventistas do Sétimo Dia, que tem também um centro de...
08:17Lá eles têm um trabalho voluntário muito forte, um trabalho comunitário.
08:22Eles se doam ao outro.
08:24Isso também é uma característica, um propósito, indo para o lado da espiritualidade.
08:28E os próprios...
08:30O pessoal da Costa Rica, que eles chamam de Plan de Vie,
08:34que seria assim, o plano de vida.
08:36Eles têm também exatamente esse senso de pertencimento e a sua importância no mundo.
08:41Então, esse ponto da espiritualidade, só reforçando, é muito forte.
08:47Existem outros pontos que são relacionados, né?
08:51Que é uma vida extremamente ativa de movimentos.
08:55Fisicamente.
08:56Fisicamente.
08:56Isso não é ficar uma hora na academia.
08:58O que eles têm?
09:00Por exemplo, as mulheres japonesas centenárias,
09:04elas vão lá no seu jardim e elas cultivam um monte de planta.
09:08E elas sentam e agacham, fazem agachamento e mexem ali.
09:13Aquele ato que elas fazem por horas, aquilo é um exercício.
09:17É manter um movimento, né?
09:19Então, veja, não é...
09:20Estou indo só à academia.
09:22Eles estão sempre ativos, né?
09:25Quando você vai, se vê as ilhas lá, tanto Sardenha quanto lá na Grécia e Caria,
09:32você vê que são relevos montanhosos.
09:36Então, o idoso, para ir a qualquer lugar, ele tem que subir montanhas.
09:42Então, naturalmente, ele está fazendo um exercício de força muscular.
09:47Então, veja, é o hábito natural de movimentar o corpo
09:52que faz essas pessoas fazerem um exercício.
09:55E assim vale para a alimentação, puxando um gancho forte também.
09:59Geralmente, os Blue Zones produzem seu próprio alimento.
10:03Então, são alimentos muito saudáveis.
10:06E, geralmente, como são comunidades que sobreviveram milhares de guerras,
10:13problemas, inclusive, de abastecimento,
10:18eles também sabem viver com muito e com pouco.
10:21Então, eles não comem exageradamente, eles comem o suficiente e alimentos de altíssima qualidade.
10:29Então, esse é um ponto.
10:30Todas, a gente vê também que comem baixa, pouca carne vermelha, né?
10:35Então, veja, o alimento fresco plantado ali, né?
10:40Cultural deles, aquilo é um ponto central.
10:44E, só para não me alongar, o ponto da conexão entre as pessoas.
10:49O pertencimento, tanto familiar quanto da comunidade, é muito forte em todas as Blue Zones.
10:56Todas elas têm esses laços muito bem estabelecidos de pertencimento.
11:01Então, eles não têm o senso de aposentadoria que nem a gente tem.
11:05É mesmo?
11:06Eles acham que... eles continuam trabalhando, óbvio.
11:09Diminui o ritmo, mas continuam produtivos trabalhando.
11:12É uma forma de manter o propósito, talvez, né?
11:14Porque a vida deles é o trabalho, é o trabalho comunitário, eles se sentem bem.
11:18E isso é o propósito, né?
11:19Eu gosto do que eu faço, eu mantenho minhas atividades o tempo que eu puder, né?
11:25E eu ensino ao outro, eu interajo com o outro.
11:29E se eu precisar, isso que também é legal, muitas dessas comunidades, elas cuidam um dos outros.
11:36Que é um problema hoje em dia que a gente vê nos países ocidentais, no Brasil, né?
11:42Nas cidades grandes, quando a gente precisa, às vezes, a gente não tem uma rede de apoio.
11:47Então, isso é muito interessante.
11:48Então, são alguns passos aí.
11:50A vida comunitária, o propósito, a alimentação, o movimento.
11:55Eu não vou falar nem exercício físico, vou falar o hábito natural de se movimentar, né?
11:59Tem outros também, mas seriam alguns pontos, né?
12:03Eu imagino que um outro pilar importante também seja a própria assistência médica.
12:09Como é que isso entra nesse assunto, assim?
12:12É engraçado isso, porque quando você vai, por exemplo, na ilha, né?
12:18Por exemplo, são lugares, às vezes, remotos, né?
12:20A ilha de Caria, né?
12:21Você praticamente não tem quase nenhum médico, né?
12:24Nossa.
12:25Então, isso quebra um paradigma também.
12:28Óbvio que a assistência médica, o cuidado, ele é fundamental, né?
12:32Mas ele é uma parte pequena.
12:34É muito mais importante a gente ter um hábito saudável e esses laços saudáveis.
12:38Para envelhecer bem.
12:40Para envelhecer.
12:40Do que eu falar assim, eu não vou ter nenhum hábito saudável,
12:44mas eu vou morar do lado do melhor hospital do Brasil, né?
12:50E vou ter acesso àquele hospital, né?
12:52Não é isso que te garante saúde, né?
12:56A assistência médica, ela vai ser fundamental quando você adoecer, né?
12:59Mas aqui a gente está falando de saúde, de gerar saúde e uma vida longa com qualidade.
13:07Então, esses locais têm assistência médica.
13:11Talvez o país subdesenvolvido, a Costa Rica, né?
13:16Eles talvez tenham um modelo de saúde que a gente possa dizer que possa ter intervenção
13:22nessa questão da longevidade, que é o quê?
13:25São agentes de saúde que vão na casa das pessoas, mas não para procurar doença,
13:31para fortalecer os hábitos saudáveis, né?
13:34Então, esse modelo costarriquenho talvez traga isso, né?
13:38Mas a assistência médica é um pilarzinho no universo grande aí dos Blue Zones.
13:45Ô, Daí, puxar muito pelo conceito do que a gente entende como bem-envelhecer.
13:49A gente conversou bastante no primeiro episódio sobre isso.
13:52A nossa cultura, infelizmente, leva a nos cuidar depois que nós estamos mal,
13:58depois que nós adoecemos.
13:59Não é muito da prevenção, né?
14:00É muito do cuidado pós.
14:02E se você percebe assim, se eu uso a saúde que eu tenho disponível para me prevenir,
14:07eu estou sendo muito mais inteligente e conveniente com esse ecossistema de boas práticas
14:12do que se eu esperar adoecer para me tratar.
14:14Então, ter assistência da saúde é extremamente importante,
14:17mas ter assistência para buscar a prevenção.
14:20A gente vai falar muito disso nesses episódios do Bem Envelhecer,
14:23porque isso vai te garantir, quando houver uma doença,
14:28você ter ou de uma forma mais branda,
14:29ou a resposta ao tratamento também ser muito mais efetiva.
14:33Então, é uma cultura disseminada que você pode estar dentro de uma dessas comunidades,
14:39mas você...
14:40Isso é raro, né?
14:41São cinco só hoje no mundo.
14:42Mas a maioria não vai dar.
14:44Mas não significa que não esteja,
14:45que você não possa montar a sua própria comunidade.
14:48Ter a sua redoma de amigos,
14:50os seus bons hábitos continuados que vão te permitir fazer isso.
14:54Aliado a uma boa assistência médica de saúde para te prevenir,
14:59eu entendo que é a melhor das somas, né?
15:01E vai totalmente ao encontro do que nós defendemos do propósito do Bem Envelhecer.
15:06Se cuida para você não ficar ruim,
15:08porque aí você vai ter os seus 120 anos bem.
15:11Acho que isso casa muito com as práticas que a gente chega nas blusones
15:14e que pode se reproduzir,
15:17sejam nas blusones ou nas outras ones que não sejam as blusas.
15:21E é engraçado como uma coisa se liga à outra,
15:23porque a gente fala dessas relações,
15:27formar comunidade, encontrar um grupo de amigos,
15:30se exercitar, comer bem.
15:31E uma coisa puxa a outra.
15:33Vamos supor, uma pessoa que às vezes está ouvindo a gente e fala
15:35poxa, mas eu não tenho um amigo para ir para a academia,
15:38ou para ir para uma academia popular,
15:39ou para ir fazer uma caminhada na praia.
15:40Mas se for fazer a caminhada,
15:42vai encontrar um amigo lá, talvez.
15:44Então, assim, isso vai acontecendo naturalmente.
15:48Eu acho que é muito assim, eu vejo isso através da minha mãe.
15:52Minha mãe começou a correr, fazer funcional na praia,
15:55encontrou um grupo de amigas e aí elas fazem tudo juntos e minha mãe virou outra.
15:59Então, eu tenho esse exemplo dentro de casa, assim, é muito legal.
16:02A socialização é fundamental para quem está envelhecendo, né?
16:06E um dos maiores problemas das cidades grandes é o isolamento, né?
16:09O idoso sozinho.
16:11As pessoas estão ficando muito solitárias, né?
16:13Estão ficando solitárias, né?
16:13E aí o seu problema, ele fica gigantesco.
16:16Quando você interage, você tem um senso de pertencimento,
16:20você vê que o outro também tem um problema.
16:21E às vezes o problema do outro é maior, né?
16:24Então, a gente vê como isso é importante, né?
16:26E puxando o que a gente estava falando, o que o Maia estava falando,
16:29a importância de a gente tomar responsabilidade pelo nosso cuidado.
16:33E a gente acredita muito nisso, né?
16:35É apoiar a pessoa a ser responsável pela sua saúde.
16:40Ninguém pode terceirizar a gente promover saúde para a gente mesmo.
16:46Só a gente pode fazer isso.
16:47Só a gente.
16:48Nós somos o responsável para cuidar do nosso corpo, mente, espírito, né?
16:53E vocês acham que a gente tem feito, assim, jogando até para a galera mais jovem,
17:00né?
17:00Que ainda não entrou na melhor idade, mas assim, é...
17:04Acho que você falou muito de auto...
17:06Desculpa, mas eu acho que você está falando muito de auto-percepção, né?
17:09Acho que você começa a entender a necessidade de se cuidar
17:13quando você percebe que isso é uma necessidade para você.
17:17Seja para o presente ou seja para o futuro, né?
17:21E o que a gente mais trabalha, né, Rony, dentro das linhas de cuidado que a gente tenta
17:24implementar, é a auto-percepção, né?
17:27Porque se a pessoa não percebe o quanto que é importante para ela, não adianta você
17:31fazer nada.
17:32Você pode colocar 30 médicos em volta dela, ligar para ela todo dia, dar remédio de
17:37graça, oferecer uma academia inteira de graça.
17:40Foi o que o Dr. Rony falou, né?
17:41A pessoa tem que fazer por ela mesmo.
17:43Exato.
17:43Tem que existir auto-percepção.
17:45E como é que a gente consegue incentivar essa auto-percepção?
17:48Tem uma forma de fazer isso?
17:50Vamos lá.
17:50Bons exemplos e cultura.
17:52É cultural.
17:54Notem que essas blusones não se formam à toa.
17:57Existe uma cultura nessas comunidades que vão direcionando para que as pessoas,
18:01naturalmente, elas já tenham essa auto-percepção nata.
18:04É aquela política do exemplo, né?
18:06É.
18:06O bom exemplo vai se replicando.
18:09Exato.
18:10Então, a gente tem que disseminar bons exemplos.
18:13Eu acho que nós vamos ter um daqui a pouco.
18:15Que vão mostrando essa necessidade de você ter auto-percepção para o seu cuidado.
18:22Porque isso você vai com certeza contagiar outro, que vai contagiar outro, como sua mãe
18:26foi lá e contou as outras loucas que estavam fazendo exercícios, né?
18:30E vão se contaminando.
18:31Aí você começa a criar essa comunidade.
18:33Que aí virou uma rede de apoio, né, Rony?
18:35Exatamente.
18:35Mas é auto-percepção.
18:37Pelo menos na minha interpretação, quando você vê aquela pessoa que entendeu o que
18:42tem, ela pode estar já doente ou pode estar querendo se prevenir.
18:45Mas quando ela entendeu, é muito fácil.
18:48O resto se torna muito fácil.
18:50Agora, o contrário também é verdadeiro.
18:52Se não tem auto-percepção, é onde a gente gasta, inclusive em saúde pública aqui
18:56no Brasil, né, Rony?
18:58Rios e rios de dinheiro para tentar criar prevenção.
19:01Mas se você vai tentar forçar prevenção, o seu sucesso cai drasticamente.
19:07Isso é muito interessante, porque se você pensar nos Blue Zones, ninguém vive daquela
19:12forma pensando que vai chegar aos 100 anos.
19:15É natural, né?
19:16É natural.
19:17Eles têm aquele estilo de vida, né?
19:19Então, como a gente ainda não vive no universo da Blue Zones, a gente, como foi falado no
19:24início, a gente tem que criar a nossa Blue Zones, né?
19:26E, aos pouquinhos, os grupos, a cultura, o modo de pensar, ele vai ficando universal.
19:36Óbvio, com políticas também, se a gente tiver políticas governamentais que favoreçam
19:41inclusão dos idosos, né?
19:44Grupos, segurança, lazer, academia popular, a pessoa poder andar de bicicleta e se sentir
19:51segura, isso também é importante.
19:52Mas a gente acredita que isso é uma transformação.
19:55Vamos começar com a gente, né?
19:56Aham.
19:57E é bom a gente quebrar esse paradigma de que, assim, não precisa ser um atleta, um
20:00super atleta para chegar aos 100, 100 e poucos anos, né?
20:04Por isso que...
20:04Basta fazer o simples, o básico, às vezes, né?
20:07E não é o extremo, né?
20:09Nem é o extremo exagerado, nem momentâneo.
20:13É você fazer o que está ao seu alcance, mas de uma maneira contínua.
20:16É o bom ato perpetuado.
20:18Esse é o grande ponto, né?
20:20Nada que é extremo a mais ou a menos é bom.
20:23Acho que é para qualquer coisa na vida, né?
20:25E quando a gente está falando de rotina de vida, né?
20:28Seja mental, espiritual, físico, alimentar, tem que ser algo que seja perpetuado.
20:35Porque você não vai chegar aos 120 anos porque durante um mês você fez isso bem.
20:38Você vai chegar aos 120 anos bem porque durante a sua vida você foi construindo essa massa
20:43de coisas boas, positivas, que se exerceiam uma comunidade que favoreçam isso.
20:48Acho que esse é o grande ponto.
20:51Perpetuidade, assiduidade e tentar se conectar com pessoas que respiram desse mesmo propósito.
20:57Para que você sempre esteja motivado e buscando.
20:59Porque não é fácil, né?
21:00Se fosse fácil todo mundo ir atrás.
21:02Agora, a auto-percepção e a reciprocidade dos bons exemplos, isso daí é fundamental.
21:09As companhias fazem a diferença, né?
21:11Com certeza.
21:12E por falar em companhia, daqui a pouco, no próximo bloco, teremos uma companhia maravilhosa
21:17que é um exemplo de longevidade, ativa, saudável.
21:21Vamos aproveitar para pegar umas dicas aí.
21:23Então a gente faz esse intervalinho aí, daqui a pouco a gente volta.
21:31Estamos de volta aí, ó, conforme prometido, com o nosso convidado,
21:35Delmar Bittencourt Pereira Júnior, de 80 anos, beneficiário da Médicênior.
21:41E, gente, vocês vão acreditar que esse aqui, só hoje, já, pedalou 20 quilômetros,
21:46fez musculação, ajudou a lavar a varanda, não é isso?
21:50Sempre foi ativo assim, Delmar?
21:51Eu sempre fui um cara, assim, meio julgado para a parte de ginástica, de exercício físico.
21:58Eu, no colégio, eu corria 400 metros, 100 metros, 110 metros com barreira,
22:04pulava só de altura, 1,62 metros, cheguei a pular.
22:08Naquele tempo, você vinha correndo e se julgava.
22:10Não tinha essa forma de julgar hoje, que você vinha de costa, fazer aqueles malabarismos, né?
22:16E eu participei sempre ativamente dessas atividades físicas.
22:23Aprendi judô, aprendi jiu-jitsu, fiz naquela época, era chamado autonofilismo,
22:29hoje é musculação.
22:30Fazia corrida, eu saía de Jacaraípe a Nova Almeida e voltava.
22:34Correndo?
22:35Correndo.
22:36Então, eu era um cara, sempre me dediquei a esse tipo de exercício.
22:40E agora, com 80 anos, se eu olhar para trás, o que eu corrija, dá para dar a volta no
22:45mundo.
22:47E se tu é, por exemplo, se eu ando 20 quilômetros por dia, que é a minha rotina,
22:52em dois meses e meio, eu andei mil quilômetros.
22:55Aí, se você for considerar isso.
22:56É coisa pra caramba, hein?
22:57É verdade.
22:57Os anos todinho que eu tenho feito isso, já passei pelo Himalaya.
23:01Com certeza.
23:02Agora, não é só atividade física que está na sua rotina.
23:06Você também se mantém muito ativo, assim, mentalmente, escrevendo, lendo, né?
23:10Conta um pouquinho disso pra gente.
23:12O detalhe é o seguinte, hoje em dia existe um telefone celular, né?
23:16Aí, tem alguns joguinhos ali que o pessoal fica o dia, eu não me adaptei a esse negócio.
23:21Então, eu gosto muito de ler.
23:23Eu leio, em média, por cada uma semana e meia, duas semanas, um livro.
23:29Eu já estou agora num outro livro, já estou quase acabando, estou pensando com o que vem pela frente.
23:33É um ótimo exemplo do que a gente estava falando no primeiro bloco, né?
23:36De manter o corpo ativo e a mente ativa, né?
23:39O que é interessante, principalmente nessa questão do exercício físico, a gente sempre fala, você tem que gostar do exercício
23:47físico.
23:48Porque, às vezes, a gente quer forçar a pessoa e isso é algo natural pro senhor, né?
23:54O senhor sai e gosta, curte, né?
23:56Eu acordo de manhã, você não lava a cara, e deu-se e já...
24:03Exatamente.
24:04Quando eu chego no passeio, que eu considero a bicicleta, a gente comeu todo dia, uma rotina, eu já vou
24:12pra minha vitamina.
24:13Mamão, uva, maçã e banana.
24:17Por incrível que pareça, vocês falam, né?
24:19A uva, eu sempre corto 10 ou 12, uma banana e uma maçã.
24:23Vamos anotar o segredo aqui, né?
24:26Aqui, ó.
24:26Tô com a caneta aqui, se quiser ir pra eles não.
24:28Uma puré de sopa de leite pó, tem aqueles que hoje em dia, eles vêm daqueles whey protein.
24:36Whey protein.
24:37Eu boto uma mulher daquela cheia, boto um leite, bato aquilo lá e tomo.
24:42700 ml todo dia, de manhã.
24:44É o meu café.
24:45Aí eu vou até o almoço sem comer nada.
24:47Às vezes, quando tem visita lá em casa, ou meu irmão veio do Rio, ou minha filha que veio lá
24:52de Santa Teresa,
24:53a gente tem um pãozinho, eu como, mas eu não costumo comer nada de manhã.
24:57Só a minha vitamina.
24:58Na hora do almoço, minha mulher é regrada nessas coisas, então, é aquele negocinho.
25:04Verdura, legume, frutos depois, aquele negócio.
25:07E aí a gente entra na carne, coisa que você deu a entender, que lá eles diminuem a carne vermelha
25:13e coisa tal.
25:13Mas eu adoro um filé bion, não aquela picanha gordurosa.
25:18É o equilíbrio.
25:19Eu tiro a gordura, jogo fora a parte de casa.
25:21O segredo é o equilíbrio, né?
25:22É.
25:23Agora, eu tive, no ano passado, um problema muito sério de saúde.
25:30Em fevereiro, operando um morro que tinha do lado direito, na região inguinal, foi descoberto que eu estava com câncer.
25:39A neocarcinoma.
25:41Quando eu recebi aqui no estado, eu falei, morri.
25:43Abracei minha esposa, chorei, falei, ó, deu positivo.
25:47Aí começou aquela sequência.
25:49Eu disse, e agora, nós tínhamos marcado uma viagem para a Itália.
25:52E aí eu falei, vamos fazer o seguinte, eu devo estar com isso há muitos anos.
25:56Então, é nisso o mundo, vamos viajar.
25:59Quando a gente voltar daqui a 30 dias, eu vejo o que a gente vai fazer.
26:03O sim ou não, a vida continua.
26:05Aí, partimos para a Itália.
26:07Quando nós chegamos lá, saiu o resultado, não do que eu já tinha feito, a histologia, mas o histograma.
26:15Aí veio lá, aquela sequência toda, mas não era a democarsinoma, era a linfoma onoráutica.
26:21E a médica falou, ó, não tem urgência, mas tem necessidade de você voltar para começar o tratamento.
26:28Nós estávamos só 10 dias no Leibonho, na casa da minha filha.
26:31Aí voltamos, largamos a Itália para lá, que já estava toda a discussão pronta.
26:35Voltamos para a Vitória e eu comecei, cheguei aqui, fui atendido a uma medicina pela doutora Paola Sussão.
26:42Uma médica novinha, estava tratando o avô, que ela me abraçou, me beijou, falou, não, só vai ficar curado.
26:49E eu sou um cara que eu não corro dos problemas.
26:52Falei, não, tudo bem, vamos, o que tem que fazer eu faço.
26:55Aí fomos para químio, a primeira químio, que eu, quando fui para lá, meu germe me levou e ia me
27:02buscar.
27:02Eu apavorado, não, soro, seis soros, soro diferente, seis horas lá naquele negócio.
27:10E eu esperando o resultado, que todo mundo que fala em químio, terapia, você sai com náusea, vômito, diarreia, dores.
27:20E o senhor nada?
27:21Eu não tive absolutamente nada.
27:25E o senhor acha que essa sua reação a químio, que foi uma reação considerada positiva em relação, né, comparada
27:32a outros,
27:33tem a ver com a forma como o senhor levava a vida?
27:36Possivelmente.
27:36Os hábitos?
27:38Eu tendo esse hábito normal de fazer exercício durante toda a minha vida, o organismo ajudou.
27:43Mas a cabeça também tem que ajudar.
27:45Ajuda, doutor?
27:46Aquelas pessoas que comem.
27:49O senhor Delmar mostra, assim, a vida, assim, o envelhecimento, a gente vai construindo uma reserva.
27:55Então, tem a reserva física, que ele construiu com exercício, boa alimentação.
28:00Então, o corpo dele reagiu de forma mais positiva do que uma pessoa que estivesse com as condições piores, né?
28:07E existe a nossa reserva mental, que é a nossa resiliência, que é esse comportamento que ele tem de como
28:12ver o mundo,
28:13de que, assim, eu não temo, eu enfrento as coisas, né, de peito aberto, positivo, né?
28:20Então, esse modelo de comportamento, com certeza, otimista, ele está associado a melhores resultados, né?
28:29Porque ele tratou, ele acreditou no tratamento e, né?
28:34E hoje, um ano depois, o senhor já está curado.
28:37Mas, graças a Deus, um detalhe é o seguinte, a medicina nesse tratamento, pra mim, foi fundamental.
28:44Por quê?
28:45Porque nós chegávamos lá, nós tínhamos uma salinha própria, tínhamos uma televisão, a refrigerada, a cadeira do papai.
28:52O cara, as meninas, as técnicas excelentes não erraram nenhuma vez a ver, pra você ter ideia.
28:58Mãe, eu fiz seis quimio, só no braço, não tive que utilizar nenhum outro sistema.
29:03Então, foi uma coisa maravilhosa pra mim.
29:05E, no último dia da quimio, que ela falou seis, foi no dia dois de outubro,
29:12estava perto do dia do idoso.
29:14E cheguei lá, eu estava tocando violino, com o cara lá, porque era no dia do idoso.
29:20Aí, eu falei assim, mãe, eu acho que é por causa da gente, porque é a nossa última.
29:25Aí, depois, ficamos sabendo que é, mas, rapaz, daqui a pouco, chega o rapaz lá na nossa saleta,
29:30e fala, vocês querem alguma música?
29:32Minha esposa escolheu uma, daquele filme, Perfume de Mulher, que aquele cara dança com aquela moça.
29:38Aí, ele começou a tocar, e eu estava cheio de cano, não sei se tinha tirado, eu levantei e danci
29:45com ela.
29:46Olha, que bonito.
29:46Careca, sem cabelo, cheguei naquela situação ali, ó.
29:50Ninguém gravou essa cena?
29:51Gravaram.
29:52Ah, eu vou querer ver.
29:54Claro que eu vou querer ver.
29:55E a lágrima corria, mas participamos disso, a última quimio nosso foi desse jeito.
30:01O senhor se emociona falando disso também?
30:02Sim, eu fui falar outro dia sobre isso, eu chorei.
30:06Voltou aquela sensação todinha do passado.
30:09Então, nós fizemos, e depois, então, veio uma tomografia normal,
30:14veio tudo limpo, não tinha nenhum tumor, não tinha nada de evolução,
30:19e agora vamos fazer a manutenção.
30:22E, se Deus quiser, está tudo resolvido.
30:25Eu estou me sentindo maravilhosamente bem.
30:27Não sinto nada, continuo correndo, fazendo bicicleta.
30:31É incrível.
30:32A única coisa que eu fiquei chateado durante, com essa quimio todinha,
30:37é que ela cortou o açúcar.
30:39Eu tinha que parar.
30:40E eu adoro.
30:42Não é pudim, cocada, pé de moleque, tudo isso.
30:45Eu fazia isso.
30:46Aí eu não tive que parar com tudo.
30:49Mas, com isso, eu perdi 12 quilos.
30:52Eu tinha 82 quilos, passei para 70.
30:55Aí, agora só tem o músculo.
30:57Acabou?
30:58É até bom ele falar isso, porque a gente falou tanto da alimentação saudável,
31:02e aí ele falou do doce.
31:04Mas, o equilíbrio também é essencial, né?
31:06A pessoa, se restringir muito uma dieta, por exemplo,
31:09também, às vezes, não é a melhor saída, né?
31:11O equilíbrio é a chave do sucesso.
31:14De tudo, né?
31:14Porque, se a gente for muito restrito,
31:17e não tiver prazer e felicidade,
31:20também não vale a pena, né?
31:22Então, se a gente incorporar pequenos hábitos,
31:25mesmo que comer um doce, não tem problema.
31:29Aí, agora ele já está comendo um docinho?
31:30É.
31:32E não é só o doce, porque eu entendi.
31:35O senhor Delmar faz o doce.
31:37É uma terapia também, né?
31:39É o propósito.
31:40Ele está ali, ele cozinha, ele prepara o doce,
31:42possivelmente come com a família.
31:43Então, olha como o ganho, né?
31:47Mesmo que tem o malefício do açúcar,
31:48tem um ganho muito maior, né?
31:50E, ó, eu vi que o senhor gosta muito de viajar.
31:52A gente viaja bastante.
31:53Nessas andanças aí, a gente falou, né?
31:56Do primeiro bloco sobre as Blue Zones.
31:57Nessas andanças que o senhor fez por aí,
31:59também conseguiu pescar ali algum hábito,
32:02alguma coisa que o senhor tenha visto
32:03em algum lugar aí do mundo
32:05e que quis incorporar na sua vida?
32:07Teve uma palavra aí que eu fiz.
32:10Pescar.
32:12É verdade, ele pesca.
32:14O senhor falou, mas, por exemplo,
32:16todos esses países que nós passeamos,
32:19eu sempre achava um rio e falava pescari.
32:23E escrevi histórias de pescarias, mas verdadeiras.
32:28É impressionante como o senhor Delmar é envolvido com a vida, né?
32:31É, como ele tem um bom, né?
32:33Para levar.
32:34Eu ia até perguntar sobre isso.
32:36A gente, vendo a forma como ele trata a vida e leva as coisas,
32:40a gente consegue fazer algum paralelo,
32:41alguma comparação com as gerações mais jovens, atuais?
32:46Dá para a gente comparar isso e pegar um ensinamento aqui?
32:52Duas preocupações, talvez, que ficam muito na tangente
32:55é, primeiro, a digitalização de tudo, né?
32:58Você perceba que todos esses hábitos que nós comentamos
33:01são hábitos de socialização, né?
33:03São hábitos que exigem que você saia de casa,
33:05que você interaja.
33:08Então, a digitalização é um problema.
33:09Não que seja um problema estarmos nos digitalizando,
33:12mas é aquilo que o Rony comentou, é o excesso, né?
33:15Então, essa digitalização de tudo, a todo momento,
33:19é algo que vai um pouco de encontro a essa necessidade nossa
33:22de ter as comunidades.
33:23E o segundo ponto que eu sempre percebo
33:26é essa angústia do imediatismo, né?
33:29Não dá para esperar algo acontecer,
33:31ou não dá para entender que as coisas ruins também,
33:34ou boas, vão acontecer, você vai absorvendo,
33:36vai passando e daqui a pouco vai vir outra, né?
33:38Então, o imediatismo, às vezes, cria essa ansiedade contínua.
33:42Isso também vai causando, nessa angústia do espírito, né?
33:46Um adoecimento interno.
33:48Então, se nós conseguimos vencer essas mazelas, né?
33:53Das coisas novas, né?
33:54Da nova era,
33:56entendendo o que é equilíbrio.
33:58Nós vamos nos modernizando,
34:00mas nós não vamos esquecendo boas práticas enrarizadas.
34:03Nós vamos tentar fazer com que as coisas aconteçam,
34:06mas nós não precisamos acelerar a qualquer custo.
34:08Então, a população jovem,
34:12ela tende muito a aprender
34:14com os hábitos da população mais,
34:16da nossa geração mais.
34:17Porque a população mais já está bem envelhecendo.
34:20Mas será que a jovem vai?
34:22É um tópico que a gente tem visto muito em voga, né, Rony?
34:25Assim, nós temos uma capacidade
34:28de que a nossa população idosa hoje
34:31tem muito mais auto-percepção,
34:34tem, de fato, essa consciência
34:36de buscar esse equilíbrio.
34:38Coisas que os jovens não estão trazendo.
34:41Isso precisa acontecer,
34:43porque esses jovens, agora com seus 10, 20 anos,
34:46vão querer também chegar no seu 120.
34:48E não vai ser tomando remédio.
34:49Sim.
34:50Isso.
34:50É muito interessante,
34:52porque a gente está num vazio de valores.
34:55Os jovens estão sem referências.
34:57E eu vejo que uma das soluções
34:59é aproximar o jovem dos mais velhos.
35:03Tem muitos projetos sobre isso,
35:05que seriam os encontros intergeracionais,
35:07que acontecem naturalmente entre avô e neto, né?
35:11Então, por exemplo, tenho certeza que o seu Delmar
35:13passou muito da sabedoria dele,
35:16porque aqui não é conhecimento,
35:17é sabedoria, né?
35:18Para os alunos dele, né?
35:20Então, aqui, eu acho que essa é uma solução
35:23para o nosso país que está envelhecendo.
35:26Trazer pertencimento aos nossos idosos também,
35:28que eles são importantes.
35:30Eles construíram o nosso país.
35:32E os jovens, eles precisam de boas referências.
35:36O Brasil carece de boas referências.
35:38E eu tenho certeza que a participação do seu Delmar aqui
35:41foi muito inspiradora para muitos jovens.
35:44O que eu posso falar também, olha bem,
35:47a família faz muito, é muito importante desse detalhe.
35:52Por exemplo, eu e minha esposa,
35:54eu fiquei viúvo com 28 anos, com dois filhos.
35:58Casei com 29 e pouco, com a minha esposa atual.
36:02Cinco meses de idade, nós nos conhecemos e casamos.
36:05Ela tinha 18 anos e eu tinha dois filhos.
36:07Nós estamos casados há 50 anos.
36:10Nunca brilhamos, nunca discutimos.
36:12E vivemos uma relação espetacular.
36:15É uma graça dos dois.
36:16Nossos filhos estão com a gente e não abrem.
36:19Eles estão tudo em outro lugar.
36:20A gente viaja junto.
36:22Os netos nossos adoram a avó.
36:26Entendeu?
36:26O avô nem tanto que eu...
36:28Os avó dizem adora.
36:30E nós vivemos em uma comunidade muito boa.
36:33Eu, por exemplo, me aposentei totalmente com 78 anos.
36:37Eu tinha um laboratório.
36:39E quando cheguei, 78 anos,
36:40eu estou conversando com os filhos.
36:41Todos os meus filhos são farmacêuticos bioquímicos a mim.
36:45E eu tenho um neto farmacêutico bioquímico também.
36:47Entendeu?
36:48Aí nós conversamos, entramos em um acordo e torramos.
36:52Por modo de dizer, o laboratório.
36:54Entendemos para outra entidade aí
36:56que também mexe com análise clínica.
36:58E quer dizer, aí nós ficamos livres daquele trabalho.
37:02Eu agora pertenço exclusivamente à família.
37:05O que é que nós fazemos?
37:05Então, que delícia.
37:06Com esse problema que eu tive,
37:08foi um homem quase que perdido.
37:10Mas agora nós estamos criando outra área.
37:12A gente faz o churrasquinho da família,
37:14se junta, o pessoal está sempre em casa.
37:17O meu neto, ele trabalha lá comigo.
37:19Ele continua trabalhando na área,
37:22entendeu?
37:22Mas ele fica lá em casa o tempo todo.
37:24Os meus cachorros estão pequenos.
37:27Cada um mais doido que o outro.
37:29Nós pegamos eles de cachorro abandonado na rua.
37:33O grandão, o foque, o black, foi na praia de Jacaraípe.
37:37Andava lá, nós carregamos para casa.
37:39Cachorro maravilhoso.
37:41Eu nunca vi um cachorro olhar para você,
37:43entender o que você está pensando.
37:45E o outro pequenininho, que é uma fera,
37:48adora a gente.
37:49Só vê o nosso colônia, a gente senta e vem correndo,
37:51pula e fica quieta.
37:51Está aí a comunidade que a gente falou, né?
37:54Relacionamento, carinho, afeto.
37:56Esse afeto, esse relacionamento geral,
37:59não só de animais, mas também de gentes,
38:02com a gente, a gente vai vivendo tranquilo.
38:04É essencial.
38:05E outra coisa, não pariu.
38:07Se você se aposenta e acaba com as amizades,
38:10acabou.
38:11Você pode ficar ali, enfiado naquela clausura
38:15e vai acabar ficando psicodérico,
38:17psicodérico, sei lá.
38:19O que é psicodérico mesmo?
38:21Então, o resultado é o seguinte,
38:25me aposentei, continuei a batalha
38:28e faço parte do Irmandade,
38:30que a gente trabalha em prol de outras pessoas.
38:34Entendeu?
38:34Muito bom.
38:34Então, a gente, o que nós já fizemos de coisa aí,
38:38só de cesta, essas cestas.
38:40O voluntariado aí.
38:42Fomos em Pedra Azul, fizemos uma casa
38:44para um cara lá que morava no lixão,
38:47fizemos o que nós já fizemos no Tarugipi.
38:50Ó, gente, se deixar, esse papo vai, vai, vai.
38:53Mas, infelizmente, temos um tempo limitado.
38:56Então, quero agradecer muito.
38:57A conversa foi maravilhosa.
38:59Adorei saber das suas experiências.
39:00Quero ler suas histórias de pescador.
39:02Histórias verdadeiras.
39:04Vamos nos encontrar ainda nos próximos episódios, né?
39:07Mas, muito obrigada por esse segundo episódio tão proveitoso,
39:10essa conversa tão boa.
39:11Bom, e para saber mais, é só acessar
39:13medicenior.com.br
39:15barra bem envelhecer
39:17ou apontar a câmera do seu celular
39:19para esse QR Code que está aparecendo aí no cantinho da tela.
39:22E, ó, os nossos próximos encontros
39:24são nas primeiras e segundas-feiras de cada mês.
39:27Então, próxima primeira e segunda-feira do mês,
39:29a gente está aqui de novo
39:30falando sobre um outro assunto super interessante também, viu?
39:33Até lá!
39:43Legenda Adriana Zanotto
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