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  • há 4 meses
O episódio final da websérie documental de A Gazeta detalha a situação de todos os réus do caso, traz depoimentos do pai da juiz assassinado e do único acusado do crime que ainda não foi a julgamento, 20 anos depois

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Transcrição
00:20O inquérito que investiga quem matou o juiz Alexandre Martins tem mais de mil páginas,
00:26com despachos, depoimentos, gravações.
00:30Os assassinos confessam do juiz, insistem que o que aconteceu foi latrocínio.
00:36Juízes e promotores hoje andam com proteção pessoal.
00:39O juiz Antônio Leopoldo chegou escoltado pelos policiais do batalhão de missões especiais.
00:44O coronel Ferreira deixou o quartel da polícia militar em Vitória acompanhado do filho.
00:49Ele disse que é inocente de todas as acusações.
00:52Sou um cidadão de bem, sou inocente.
00:55Mas há o consenso de que o crime foi encomendado.
01:14A Secretaria de Segurança afirma que os indícios são fortes.
01:18E aponta o juiz Antônio Leopoldo Teixeira como suspeito de encomendar a morte do colega.
01:24O juiz Alexandre Martins, em março de 2003.
01:28Os investigadores da polícia e os representantes do Ministério Público que estão acompanhando as investigações
01:37apontam com clareza indícios do envolvimento do juiz na morte, no assassinato do juiz Alexandre.
01:43Tráfico de influência, em venda de sentenças, em retirada irregular de presos,
01:49concessão de progressão de regimes para pistoleiros, de regime fechado para semiaberto,
01:56tudo irregular de técnicos da vara para que dessem parecer favoráveis aos pleitos deles.
02:03O que acontece agora com o suspeito, secretário?
02:06Isso só o Poder Judiciário que pode esclarecer.
02:09Todos os desembargadores participaram da reunião e decidiram, por unanimidade,
02:14afastar o juiz Antônio Leopoldo Teixeira da vara dos órfãos e sucessões.
02:19E decidiu, a unanimidade, afastar o juiz de suas funções até que seja apurado o fato.
02:28Ele pode ser preso?
02:29Depende do Ministério Público formular ou não esse pedido.
02:33As provas eram bastante robustas para a condenação dos intermediários e dos executores.
02:40Não foi robusto o suficiente pelos jurados para condenar um dos denunciados que foi o Calu,
02:45que foi absolvido, isso tem que ser dito, ele foi absolvido.
02:48Calu deixou o local do júri em Vila Velha, acompanhado da família e dos advogados,
02:53e disse que não concorda com a condenação de Coronel Ferreira.
02:56Não estou feliz por completo, porque a justiça não foi feita por completo.
03:00Esse crime nós não cometemos, ninguém cometeu.
03:04O Coronel Ferreira foi condenado também como mandante.
03:07Por quatro votos a três, o Coronel Walter Ferreira foi condenado.
03:11Eu perdi, mas eu continuo saindo de cabeça erguida, porque eu não mandei matar o juiz Alexandre.
03:17E falta ainda o doutor Leopoldo ser julgado.
03:20Um juiz suspeito, indiciado pelo assassinato do colega Alexandre Martins.
03:25Antônio Leopoldo foi responsabilizado como mandante do crime,
03:29juntamente com o Coronel da Reserva da PM, Walter Gomes Ferreira.
03:34Seriam amigos e teriam ligações com o crime organizado.
03:38É inadmissível que não se julgue esse processo,
03:43até porque na ponta da vítima tinha um juiz que eu definiria com uma palavra brilhante.
03:52E agora ainda se tornou mais complexo, por quê?
03:59Na época em que a apuração começou em relação a Antônio Leopoldo,
04:05quem dirigiu isso foi um desembarcador.
04:10E esse desembarcador estava sendo assessorado por um delegado,
04:14que tinha apurado o fato, o delegado Danilo Baiense.
04:17Eu acho que no Espírito Santo já não há mais clima emocional
04:21para que esse processo tramite com normalidade.
04:23A justiça do Espírito Santo agiu com celeridade, isenção, agiu com rigor.
04:29Posso dizer com tranquilidade quanto a mim.
04:32Eu agi com o máximo rigor possível relativamente ao juiz Antônio Leopoldo.
04:37Eu só poderia ter sido mais rigoroso se eu tivesse dado um tiro na cara dele.
04:41Com relação ao caso do doutor Antônio Leopoldo, eu não posso entrar em detalhes.
04:49Porque, olha só, ele não foi a júri ainda.
04:53Foi marcado um júri agora não tem muito tempo.
04:56Eu não fui intimado para esse júri.
04:59E eu até fiquei surpreso por não ter sido intimado,
05:03porque eu tinha uma prova robusta para ser juntado aos autos.
05:07E na hora do depoimento, o Leopoldo não quis assumir, mas na gravação ele assumiu.
05:13O juiz Leopoldo prometeu revelar uma notícia bombástica sobre o crime.
05:18Mas na hora da entrevista, voltou atrás.
05:21Esse fato eu vou revelar no momento oportuno, dentro do processo,
05:26para os desembargadores que serão os meus investigadores.
05:30E, por certo, eles depois darão publicidade para vocês.
05:33São fatos interessantes, que interessantes e que o Estado ainda não conhece.
05:39Eu prefiro não falar.
05:40É um negócio realmente bombástico, mas eu prefiro não falar.
05:45Eu ser acusado por pessoas que queriam se autopromover,
05:51querendo transformar mentiras em verdades,
05:56e julgando sobre mim uma acusação de algo que eu não participei
06:02e jamais participaria e jamais cogitei a fazer qualquer ato dessa natureza.
06:11Eu sempre defendi a vida e vou continuar defendendo,
06:15porque só Deus dá a vida e só Ele tem o direito de tirar a vida.
06:21Quando eu não fui intimado, eu procurei o Ministério Público
06:23e apresentei um laudo que eu tinha, uma degravação de uma escuta ambiental.
06:31Eu apresentei para o Ministério Público.
06:32O Ministério Público, obviamente, analisou aquele material,
06:37me pediu o áudio, a mídia, que eu tinha também a mídia.
06:40Eu encaminhei também para o Ministério Público.
06:42Se eu entrar nesse pé para salvar esse pulando e tal,
06:46eu vou me enrolar com esse bandido.
06:48Vou ficar na mão dele.
06:49Foi feito um interrogatório sem a presença do advogado, do doutor Leopoldo,
06:54e isso ele sabia o que era o advogado.
06:57Em que ele foi induzido ao erro, permaneceu em silêncio, boa parte das vezes,
07:02e numa conversa com o delegado de polícia e as pessoas que estavam à frente da investigação,
07:09eles tentavam induzir ele ao erro com perguntas dúbias que gerariam uma resposta incriminadora.
07:16O juiz Antônio Leopoldo também afirmou que conhece Joaquim Barbosa, conhecido como Soquinho.
07:24Soquinho, segundo o juiz, é conhecido como Coronel de Pancas.
07:28Soquinho comanda toda a política e tudo o que acontece na região de Pancas.
07:37Tudo o que acontece em Pancas.
07:40E Pancas é tido como Coronel.
07:43E sua casa é como o quartel-general da pistolagem.
07:54Eu não sei exatamente porquê, mas o Danilo Baiense resolveu mostrar essa prova.
08:03Entregou ao Ministério Público, que botou nos autos, e o juiz mandou retirar.
08:10O Ministério Público recorreu, e o tribunal agora manteve aquela prova nos autos.
08:17Eu iria entregar essa prova no dia do júri.
08:20Eu iria entregar no dia do júri. Por quê?
08:22Eu não era presidente do feito.
08:25Então quem determinava o que teria que ser juntado ou não era o presidente do feito,
08:30que era um desembargador, não eu.
08:31Ele tinha a prova tanto quanto eu.
08:34Ele tinha esse laudo tanto quanto eu.
08:37Mas quem determinava o que era juntado ou não os autos, era ele, não eu.
08:41Poderia até ser questionada, mas eu iria juntar no júri.
08:44Decisão minha de juntar no júri.
08:46A partir do momento que eles não conseguem essa resposta,
08:49e eles fizeram uma gravação ambiental ilícita,
08:54essas provas foram escondidas,
08:57e quando a acusação tinha certeza que o doutor Leopoldo iria a júri,
09:03eles fazem essa juntada de inúmeras provas,
09:08milhares de páginas,
09:10para causar evidente prejuízo, não à defesa,
09:15mas ao doutor Leopoldo, ao acusado,
09:18porque seria impossível fazer análise de todas aquelas provas.
09:23Essa prova o tribunal também tinha,
09:26mas eu também tinha a prova.
09:29E eu fiz a degravação,
09:30eu mandei fazer a degravação na Polícia Civil.
09:33Então levaram muito tempo,
09:35levaram mais de anos fazer essa degravação.
09:37Não acabou ainda o processo.
09:39Em mais de 20 anos, o processo não acaba.
09:42E é o que é interessante,
09:44as pessoas falam,
09:45bem, o judiciário tinha interesse em julgar rápido isso,
09:49e poderia condenar todo mundo,
09:51a prova disso é que não houve interferência de nada,
09:53porque o processo não acabou ainda.
09:54Eu acho que a sociedade capixaba quer ver esse processo terminar.
10:00Porque eu já ouvi isso de pessoas,
10:02falam, doutor,
10:03se não conseguem terminar um processo que matou um juiz,
10:06imagina se for um pobre coitado qualquer.
10:09Hoje quem tem defesa, mais ou menos,
10:13dificilmente vai para a cadeia.
10:15Pode a polícia ser a mais competente do mundo,
10:18esforço do Ministério Público e tal.
10:20E quando vai, fica pouco tempo.
10:23E quando é condenado, fica menos tempo ainda.
10:26A gente vê que quando alguns réus têm dinheiro para gastar
10:29com bons advogados e fazerem recursos protelatórios,
10:33eles arrastam esse processo buscando justamente a prescrição.
10:37Isso, infelizmente, com tristeza, o vejo de forma genérica.
10:40E este processo é somente mais um caso onde isso pode acontecer.
10:44Eu não fui julgado ainda,
10:46porque eu fui o primeiro brasileiro, talvez,
10:49a enjeitar o foro privilegiado.
10:54Quando me aposentaram, compulsoriamente,
10:58depois me desaposentaram,
11:01aqui no próprio tribunal,
11:03eu recorri para que eu fosse aposentado.
11:07Os desembargadores reconheceram por unanimidade
11:10que o juiz Antônio Leopoldo concedeu liberdade condicional,
11:14transferiu presos e autorizou benefícios irregulares
11:17quando era titular da vara de execuções penais.
11:20Foi um relatório dos juízes Carlos Eduardo Lemos
11:22e Alexandre Martins Filho, de 2001,
11:25que deu origem a esse processo administrativo.
11:28Eles apontaram oito irregularidades nos atos do juiz Antônio Leopoldo Teixeira.
11:32A Lomã só prevê para esses casos de procedimento administrativo
11:36a aposentadoria compulsória.
11:39Até a confirmação da aposentadoria compulsória,
11:42Antônio Leopoldo recebia remuneração normal de um juiz da ativa,
11:4695% dos R$ 22 mil pagos a um desembargador.
11:50Eu sempre acreditei no tribunal do júri.
11:53Participei de mais de 600 julgamentos como advogado,
11:58como promotor de justiça e como juiz presidindo o julgamento do tribunal do júri.
12:03Eu sempre acreditei na justiça de uma forma geral.
12:08E o tribunal do júri sabe julgar.
12:12Não tenho medo de julgamento.
12:16Agora, quero ser julgado com a verdade real.
12:22O princípio da verdade real.
12:24Não quero ser julgado por acordos.
12:27Não quero ser julgado por vamos lá, está tudo bem.
12:32Mas a prescrição diz que esse indivíduo é inocente.
12:35Ele nunca vai poder dizer que é inocente.
12:37Como se isso, para ele, fosse um excelente negócio.
12:41Não é.
12:41Quanto à prescrição, a defesa nunca aventou essa possibilidade.
12:46Nós nunca trabalhamos com essa possibilidade.
12:47Para a gente refletir bem sobre isso.
12:49Sobre isso.
12:50O país ainda é o país da impunidade.
12:54Mesmo 20 anos depois dessa tragédia, as ruas viradelas.
12:59Eu fiz, dentro das minhas limitações, tudo o que eu podia.
13:02Antes, durante e depois.
13:06O meu sentimento hoje é a questão da impunidade.
13:10Eu gostaria que todos aqueles que cometeram participar desse crime,
13:16direto ou indiretamente,
13:17tivessem passado um tempo suficiente na cadeia
13:22para pagar por esse mal que eles fizeram.
13:25Não só ao doutor Alexandre, ao pai dele e aos familiares dele,
13:30aos amigos dele, às pessoas que gostavam dele.
13:33Eles fizeram a sociedade capixável brasileira.
13:36Se eu lhe disser hoje com sinceridade que eu me arrependi
13:38de ter atuado nesse processo, eu não estarei mentindo.
13:41Me arrependi, sim.
13:42Não vale a pena lutar com certo tipo de crime que acontece aqui no Estado.
13:46A partir do momento em que palavra de réu passa a ter o mesmo valor
13:50que palavra de juiz, há algo de errado com a sociedade,
13:55com os setores da sociedade.
13:57Há algo de errado, sim.
13:58A partir deste momento, deixa de existir condições
14:01para que uma justiça serena,
14:03para que uma justiça realmente operosa possa atuar.
14:06E uma vez eu comentei com um pastor
14:09e o pastor perguntou se eu falaria aquilo na igreja.
14:13Eu falei isso, falaria.
14:15E fui à igreja e disse, eu não tenho ódio de ninguém.
14:18Nem do Leopoldo, nem do Leopoldo.
14:20Encontrei com o professor Alexandre, ele olhou nos meus olhos,
14:25nós conversamos e dali nasceu a ideia dele de dar um testemunho na igreja.
14:32O pastor me traiu.
14:33Ele levou o Leopoldo sem eu saber que o Leopoldo ia.
14:38Bom, eu não guardo ódio, não guardo ancor.
14:43A defesa do Leopoldo, à época,
14:48e o próprio Leopoldo disse que, ó,
14:50o pai do juiz me perdoou.
14:53Eu não perdoei ninguém.
14:54Eu nunca dei respostas às entrevistas do professor Alexandre Martins
15:00em respeito à sua dor,
15:04em respeito ao carinho
15:06e à devoção que eu sempre dediquei a ele
15:10pela competência, pela forma com que ele me tratou
15:14como aluno dele,
15:15como professor,
15:17que ele foi meu naquela pós-graduação,
15:21alguns anos atrás.
15:22E para ele me pedir perdão,
15:25ele teria que dizer, olha,
15:26você pode me perdoar por ter mandado matar o seu filho?
15:29Aí eu teria outro tipo de atitude.
15:31Mas ele nunca me pediu perdão.
15:34Ainda bem, não me pediu para não ter ódio dele.
15:36Eu disse, eu não tenho ódio de ninguém.
15:39A minha vida é uma vida muito leve,
15:41mas não quero conversar com ele.
15:44A última lembrança que eu tenho dele,
15:47pessoal,
15:49foi na quinta-feira,
15:51foi essa semana,
15:53numa segunda-feira.
15:54Na quinta-feira anterior,
15:56ele proferiu uma aula magna
15:59numa faculdade de que eu era coordenador de direito.
16:05ele fez a palestra,
16:07foi brilhante,
16:07como sempre foi.
16:09E no final,
16:11ele me levou até o carro dele
16:15e mostrou para mim
16:17uma pistola
16:19que o governador da época
16:21tinha mandado deixar com ele
16:24para ele poder se defender
16:25de qualquer coisa e tal.
16:26Eu acho que toda a sociedade capixaba
16:28espera que acabe o julgamento,
16:30seja para condenar ou absorver.
16:32O processo tem que acabar.
16:35Enquanto tem alguém
16:36não sendo julgado
16:37por mais de 20 anos
16:38e se arrastando,
16:39a sensação de insegurança jurídica
16:41é terrível para a sociedade capixaba.
16:43Em datas, assim,
16:44muito festivas,
16:46datas familiares,
16:47Natal,
16:48Ano Novo,
16:50Páscoa,
16:52Dia dos Pais,
16:54Eu procuro até
16:55me afastar daqui,
16:57eu vou para um outro lugar,
16:59geralmente para o exterior,
17:01para não ficar
17:03pensando naquilo,
17:05porque é uma situação
17:06que me causa muito transtorno.
17:08A única coisa
17:09que me aborrece é isso.
17:11Eu não torço
17:12por condenação de ninguém.
17:14Eu quero que seja julgado,
17:15seja para condenar ou absorver
17:18e por um ponto final
17:19na história desse processo.
17:21Eu ainda falei,
17:22olha,
17:23vamos aproveitar,
17:24vamos jantar.
17:24Ele falou,
17:24eu estou um pouco cansado,
17:26eu sou ela,
17:26dez e meia,
17:27vou para casa
17:29e vou dormir
17:30porque amanhã
17:30tenho coisa para fazer.
17:32Primeiro,
17:33acho que foi
17:33a Polícia Federal,
17:34depois a Polícia Civil,
17:36até que chegamos
17:36à escolta
17:37da Polícia Militar,
17:38com a qual estou
17:40até hoje,
17:41há mais de 20 anos
17:42com a Polícia Militar
17:43fazendo a escolta.
17:44Se eu pudesse
17:46encontrar
17:47o Alexandre hoje,
17:49eu diria para ele,
17:52parabéns pelo que você fez,
17:55parabéns pelo bom homem
17:56que você foi
17:58e se você puder
18:00voltar à vida,
18:02volte a ser
18:03como você era.
18:05Não mude nada
18:07porque
18:10a sociedade reconheceu
18:12o seu trabalho
18:13e eu como pai
18:14estou orgulhoso de você.
18:16Isso eu falaria
18:17para ele.
18:28It's not time
18:31to make a change
18:32just relax
18:34take it easy
18:36You're still young
18:38That's your fault
18:40There's so much
18:42you have to know
18:43Find a girl
18:45Settle down
18:47If you want
18:49You can marry
18:51Look at me
18:52I am old
18:54But unhappy
18:58I was once
19:00like you are now
19:01And I know
19:03And I know
19:04That it's not easy
19:05To be calm
19:07When you found
19:09Something going on
19:11But take your time
19:14Think a lot
19:16Why think of everything
19:18You've got
19:19For you
19:20You will still
19:21Be here
19:22Tomorrow
19:23But your dreams
19:25May not
19:31How can I try
19:33To explain
19:35When I do
19:36He turns away
19:38Again
19:38It's always
19:40Been the same
19:42Same old story
19:45From the moment
19:47I could talk
19:49I was ordered
19:51To listen
19:52Now there's a way
19:54And I know
19:56That I have to go
19:59Away
20:00All the times
20:02That I've cried
20:04Keeping all the things
20:06I knew inside
20:08It's hard
20:09But it's harder
20:11To ignore it
20:13If they were right
20:16I'd agree
20:17But it's them
20:19They know
20:20Not me
20:21Now there's a way
20:23And I know
20:24That I have to go
20:27Away
20:27I know
20:29I have to go

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