- há 4 semanas
Segundo episódio da websérie documental de A Gazeta traz detalhes sobre o dia 24 de março de 2003, quando o magistrado foi morto, em Vila Velha, e as investigações que levaram aos assassinos e os demais envolvidos; assista
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NotíciasTranscrição
00:00A rua foi fechada. Polícia Federal, Militar e Civil trabalhando em parceria.
00:06Delegados literalmente correndo em busca de pistas.
00:10A polícia já vai para a rua em busca de suspeitos?
00:11Todo mundo na rua trabalhando.
00:13Vocês já estão em busca de suspeitos? Já tem alguma pista?
00:15A equipe está trabalhando.
00:27Pela maneira como foram efetuados os disparos no exame físico,
00:32a gente acredita que tenha sido um tiro a queima-roupa.
00:46O juiz Alexandre Martins Filho tinha acabado de estacionar o carro na rua Natal, em Itapuã, às 8 horas.
01:07Mas nem chegou a entrar na academia. Foi atingido aqui mesmo na rua.
01:11Segundo a polícia, três tiros acertaram a cabeça, o ombro e o peito.
01:16E até que houve o desfecho da morte do Alexandre, que ocorreu dia 24 de março de 2003.
01:23A informação que nós temos é que foi um crime de mando.
01:25A morte do nosso juiz Alexandre foi encomendada.
01:30Quem mandou matar?
01:32Todos os indícios apontam para o coronel Ferreira no Acre.
01:35O coronel Ferreira também já foi acusado de participar de ações de crimes de pistolagem e de mando.
01:40Prestou depoimento à CPI Nacional do Narcotráfico em 2000.
01:44E no ano passado, foi preso e transferido para o presídio da Papudinha, no Acre.
01:49O doutor Alexandre saiu sem escolta para ir para a academia.
01:53E eu tinha saído também, sem policiais, nada, para fazer uma corrida, uma caminhada, uma corrida na praia.
02:02O juiz Alexandre Martins tinha dispensado a segurança da Polícia Federal no dia 2 de janeiro.
02:09A gente estava, no dia anterior ao crime, a gente estava com uma escolta muito precária.
02:13Era um policial fazendo a nossa escolta de cada um, um policial para cada um, 24 horas por dia.
02:18Eu estava em casa, era mais ou menos 10 para as 8 da manhã, quando eu fui acionado em casa,
02:25né,
02:25e dizendo que Alexandre havia sido baleado em Vila Velha, ao lado da academia.
02:31A tropa de choque da PM, dezenas de homens das Polícias Civil e Federal e 20 delegados vieram até o
02:39local.
02:39A rua foi interditada.
02:41Os policiais começaram a ouvir depoimentos de moradores e funcionários da academia.
02:47Foi uma coisa, assim, bem estranha, porque eu ia para a academia também, mas me atrasei.
02:52E eu estava dando, aplicando prova na antiga Universidade de Amarfilho e me foram lá, na sala de aula,
03:02e, olha, tem um telefonema.
03:04Eu larguei a turma e já fui de táxi para o aeroporto.
03:11E o Moisés falou, o senhor vai para onde?
03:12Eu vou para a vitória.
03:13E acabou de dar uma notícia aqui na vitória que mataram um juiz lá.
03:20Eu falei, e esse é o nome desse juiz?
03:23Isso é Alexandre qualquer coisa.
03:26Então, foi ali que eu soube que ele tinha sido assassinado, né?
03:31E quando eu cheguei, Alexandre, infelizmente, já estava morto lá dentro do Hospital Santa Mônica.
03:37Aí foi realmente um baque muito grande, eu pedi licença à turma.
03:41O juiz foi enterrado hoje no Rio de Janeiro.
03:44No cemitério, foi montado um forte esquema de segurança.
03:48Muito emocionado, o pai de Alexandre Martins fez um desabafo.
03:53Este aqui é uma vítima, com 32 anos, que merecia viver e que tinha o direito de viver.
04:03A tensão é grande entre delegados, juízes e policiais militares do Espírito Santo.
04:08No começo da noite, circulou a notícia de que o subsecretário de segurança tinha sofrido um atentado.
04:16Um boato, segundo o governo.
04:18A ameaça a gente recebia desde muito antes, continuou recebendo.
04:23Não dávamos muita importância, porque se você prestasse atenção nisso, você não trabalhava.
04:29O que mais me preocupou não foram as ameaças, foram, na verdade, cartas e fax que nós recebemos na época,
04:37todos foram juntados ao processo, de pessoas nos informando que seríamos mortos.
04:43Eu alertei a ele várias vezes, e ele falou comigo, olha, eu estou sendo ameaçado.
04:49Artung conversou com o ministro sobre vários assuntos.
04:52Entre eles, a proteção aos juízes da vara de execuções penais ameaçados de morte.
04:57O ministro garantiu a segurança dos dois juízes.
05:00Houve realmente a morte do juiz corredor, na época da justiça paulista,
05:09assassinado, segundo eu me lembro também, por ordem de uma facção criminosa.
05:15Mas isso não alterou o nosso dia a dia.
05:18Logicamente que todo o Brasil ligou um sinal de alerta.
05:22A tentativa é de intimidação, e eu receio que essa intimidação possa ocorrer.
05:29Estou pedindo providências, e a definição das providências, ela corre em si a conta de cada governador,
05:38de cada executivo local.
05:40Foi com pesar que eu recebi a notícia do juiz Alexandre Martim de Castro, filho.
05:47Não é à toa que uma semana antes da morte do juiz Alexandre,
05:51eu que nunca andei armado, recebi a primeira arma da minha vida, e a última.
05:56Depois eu doei essa arma.
05:58Mas no fundo, no fundo, nós não acreditávamos que eles teriam coragem.
06:03A gente acreditava muito mais do que eles.
06:05Estão tentando nos intimidar, estão tentando fazer com que a gente freie,
06:09mas porque a gente fez muitas prisões no Estado na época,
06:14mas a gente não acreditava.
06:15O barulho foi grande, assustou os diretores da OAB do Espírito Santo.
06:21Uma bomba explodiu no banheiro e partiu o vaso sanitário.
06:25Ninguém saiu ferido.
06:26O presidente da Ordem, a Gesandro da Costa, e os conselheiros
06:30vinham recebendo ameaças de morte nos últimos dias.
06:34Uma ligação anônima foi feita na quarta-feira passada ao prédio da Ordem.
06:39Era o anúncio de que um atentado podia acontecer.
06:43Houve uma ameaça concreta nesse sentido.
06:45E acabou que a gente talvez tenha dado pouca importância e isso custou a vida do doutor Alexandre.
06:52Mas o Alexandre Martins, ele era tão querido que todo mundo se disponibilizou para trabalhar.
06:58Eu recebi policiais militares de folga, policiais civis de folga,
07:03policiais federais de folga.
07:04Todos eles se apresentaram na divisão de homicídios,
07:07se colocando à disposição para auxiliar nas investigações.
07:10E, obviamente, nós tivemos na época uma grande ajuda também da SESP,
07:15da Secretaria de Segurança Pública.
07:16Quem estava na Secretaria era o doutor Rodney Miranda
07:19e também o Francisco Franceschini, que nos ajudou também no trabalho de inteligência.
07:25Na época, eu anunciei uma recompensa de 10 mil reais
07:30para quem desse informações sobre esses assassinos.
07:35Eu, na época, até lembro, 10 mil reais era bastante dinheiro, 20 anos atrás.
07:42Então, você vê, o Alexandre foi morto pela manhã,
07:46mas já no mesmo dia, por volta de 15, 15, alguma coisa,
07:50eu já estava autuando duas pessoas por haverem participado, pelo menos, de uma facilitação.
07:58Então, eu já autuei duas pessoas no mesmo dia
08:00e daí se iniciaram as prisões até que nós prendemos todas as pessoas envolvidas.
08:04Um dia após o crime, dois homens que participaram da execução já estavam presos.
08:09Confessaram e afirmaram que foi uma tentativa de assalto,
08:12versão que não convenceu a polícia e começou a caçar aos criminosos.
08:1740 pessoas foram presas, entre elas policiais militares e civis,
08:21mas faltava o assassino.
08:22Os executores e os intermediários foram presos imediatamente após,
08:27salvo engano, no mesmo dia ou no dia seguinte.
08:30Tanto Giliard, que foi um dos que atirou no Alexandre,
08:33o Yoshito e o Pardal, um que prestou a moto, um que prestou a arma.
08:38O único que conseguiu fugir foi o Lombrigão, que demorou mais de meses para ser capturado.
08:43No último domingo, foi preso Odessi Martins da Silva Júnior, o Lombrigão.
08:47Foi eu mesmo. Foi eu mesmo.
08:49De dois sargentos, que depois foram acusados e até condenados pela intermediação do crime.
08:55Às 7h30 da noite saiu a sentença.
08:58Dos sete jurados, seis entenderam que o sargento Ranilson Alves da Silva
09:02também é culpado pelo assassinato do juiz.
09:05Eber Valencio foi condenado a 20 anos e 3 meses de prisão
09:08por formação de quadrilha e por intermediar a morte do juiz Alexandre Martins.
09:13Além da prisão, ele foi condenado a perder o cargo de policial militar.
09:17A morte do Alexandre só foi elucidada com a prisão imediata desses três participantes.
09:23Se não, talvez tivesse sido mais um crime impune no Estado.
09:27Então a polícia teve um grande mérito de conseguir efetuar, praticamente no mesmo dia,
09:33achar a moto que foi usada, achar a arma, achar os executores.
09:38E ali as investigações realmente andaram.
09:40A investigação, ela, desde o início, já se viu uma suposta, uma suposta causa
09:49como sendo, obviamente, um crime de mando.
09:53Em cima da experiência que eles têm, investigando as pessoas,
09:57e logo depois em cima da prisão do Lombrigão.
10:00Porque o Lombrigão, o Odessi, quando ele foi preso,
10:03ele declarou que foi mando e diz quanto recebeu.
10:07Isso foi gravado dentro da Secretaria de Segurança, e eu estava presente.
10:13Então você já não tinha dúvidas.
10:15O Lombrigão, ele foi ouvido várias vezes.
10:18Mas no momento da prisão dele, ele disse que foi um crime de mando
10:22e falou até um valor, salvo engano, 15 mil reais.
10:25Ele falou, não, tem um serviço aí, tá me entendendo?
10:27Certo, aí ele falou que ia me dar 15 pontos.
10:29Aí ele falou, o senhor falei, aí ele falou, não quis falar pra quem que é.
10:32Eu falei, não, mas quem tá falando?
10:33Só falou assim, é um cara aí, importante, e tal.
10:36Eu fui, só que aí ele falou, ó, eu vou te dar tudo.
10:39Vou falar, não, é bem, sair o turno, e você só vai lá.
10:42As hipóteses foram caindo, e durante o processo ficou bem claro isso,
10:45porque todos que foram condenados pelo homicídio,
10:48isso já foi um recurso até o STF, e foram todas as sentenças confirmadas.
10:53O que já deixa bem claro que foi o homicídio.
10:54Mas realmente as teses de latrocínio eram, por um lado, compreensíveis,
10:59porque se era latrocínio por parte dos executores, não tinha mandante.
11:03Latrocínio, ele matou pra roubar, então não tinha mandante.
11:07Então só interessava aos mandantes.
11:09Era interessante quando você vê até os executores defendendo a tese de latrocínio
11:12que a pena do latrocínio poderia ser maior.
11:15Então não fazia lógica ser uma tese de defesa dos executores pelo latrocínio,
11:19que a pena é maior que a do homicídio.
11:20Então são coisas que levavam, deixavam bem claro.
11:24Além da confissão, o assassino também contou à polícia
11:27que foi contratado para matar o juiz.
11:29O principal suspeito de ser o mandante ou intermediário
11:32é o coronel Walter Gomes Ferreira, que foi transferido para o Acre.
11:36O juiz assassinado teve participação efetiva nessa transferência.
11:40Eu me lembro que teve uma testemunha especificamente,
11:43um eletricista que estava trabalhando no prédio ao lado da academia.
11:48Estava ele e um amigo, e essa pessoa foi ouvida durante o processo.
11:51E ele foi textual e muito firme em dizer, ele falou assim,
11:55ele viu a caminhonete do Alexandre parando em frente à academia,
12:00ele viu os dois caras passando na moto, olhando para ele,
12:03e viu que os caras voltaram.
12:04Quando ele viu que os caras estavam voltando, ele falou para o colega,
12:07e vão assaltar o cara.
12:09E ele relata isso, que o Giliard desceu da garupa, que estava na garupa,
12:15e falou, doutor Alexandre, ele relata isso, chamou pelo nome.
12:20E o Alexandre virou e tomou um tiro no peito.
12:23O lombrigão estava pilotando a moto.
12:25O Alexandre, ele veio pela praia.
12:27Ele veio pela praia, ali tem uma rotatória.
12:29Ele pegou a rua de trás e ele virou, quando ele chegou em frente,
12:34praticamente em frente à academia, foi quando ele foi rendido ali.
12:38O Alexandre estava com uma pistola dentro da pochete.
12:41O Alexandre, ele tentou, quando ele viu o sujeito apontando a arma para ele,
12:46ele tentou sacar a pistola e tomou um tiro no peito.
12:49Ele tomou um tiro no peito e foi cambaleando para o meio da rua,
12:52tentando sacar a arma dele.
12:55Ele sacou a arma já caindo.
12:57Tanto é que ele caiu e a arma disparou,
12:59foi achado um tiro da arma dele, um único tiro, no oitavo andar do prédio.
13:03A bala passou de raspão pela janela do banheiro e deixou a marca no azulejo.
13:07E logo depois, o lombrigão que estava pilotando a moto,
13:10quando viu o Alexandre caminhando e tentando sacar, ele largou a moto.
13:13E depois ele chegou perto do corpo e deu um tiro, um último tiro a queimar roupa.
13:16Depois nós fomos prendendo das demais pessoas,
13:19até que, na parte das investigações que estava a cargo da Polícia Civil,
13:26vislumbrou-se uma suposta participação de um magistrado.
13:30Então, quando ocorre isso, o inquérito, obviamente, tem que subir,
13:35porque a polícia não pode mais trabalhar nesse inquérito.
13:38E no Tribunal de Justiça, quem foi sorteado para trabalhar nesse inquérito
13:42foi o embarrador Pedro Valcio Rosa.
13:44A única linha de investigação que se mostrou consistente para sustentar uma acusação
13:51foi do envolvimento do juiz Antônio Leopoldo,
13:54que foi apresentado para a Justiça e já reconhecido como tal.
13:58Um deles, que era suposto, foi absolvido.
14:01Eu não quero tocar nesse aspecto.
14:06Mas um, que é o Ferreira, foi condenado a estar preso até hoje.
14:10É o único que está preso.
14:14E falta o julgamento do Antônio Leopoldo.
14:19Aquilo, obviamente, criou uma comoção pública nacional.
14:24Isso tornou impossível não levar o trabalho até o final.
14:30Criou um ambiente político onde as autoridades públicas federais, principalmente,
14:37não poderiam jamais esmorecer.
14:41E também, mesmo aqui dentro do Estado, aumentou muito o apoio a esse trabalho,
14:47porque, afinal de contas, ele acabou virando um mártir.
14:49E hoje se transforma, a meu ver, até num verdadeiro herói.
14:52Alexandre era profissional, era mais do que um amigo, era brincalhão.
14:56Vai ficar no nosso coração para sempre.
14:58Aquela pessoa sempre correta, que sempre mostrou para a gente o que deveria ser feito.
15:01A vida desse professor, desse homem que batalhou tanto pela melhoria do nosso Estado,
15:08de forma destemida, que isso não fique em vão.
15:11As ofensas, assim como nós, perdoamos a quem nos tem ofendido.
15:29Justiça, justiça, justiça, justiça, justiça, justiça, justiça, justiça, justiça, justiça.
15:43Os assassinos, confessos do juiz, insistem que o que aconteceu foi latrocínio.
15:50O juiz Antônio Leopoldo chegou escoltado pelos policiais do batalhão de missões especiais.
15:54Sou um cidadão de bem, sou inocente.
15:58Eu perdi e falta ainda o doutor Leopoldo ser julgado.
16:03Deus dá a vida e só ele tem o direito de tirar a vida.
16:06Na gravação ele assumiu.
16:07Se eu entrar nesse pé para salvar esse culão de tal, eu vou me enrolar com esse partido.
16:13Eu só poderia ter sido mais rigoroso se eu tivesse dado um tiro na pera dele.
16:18Hoje quem tem defesa mais ou menos dificilmente vai para a cadeia.
16:24Não acabou ainda o processo.
16:27Se você puder voltar à vida, volte a ser como você era.
16:40E não é um tiro na pera dele.
17:06Tudoака disso
17:07Segunda
17:34Legenda Adriana Zanotto
18:04Legenda Adriana Zanotto
18:34Legenda Adriana Zanotto
18:39Legenda Adriana Zanotto
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