- há 4 semanas
Evento em Linhares se consolida no Estado como o maior espaço de inovações para o campo
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NotíciasTranscrição
00:07...descarbonização e ESG no agronegócio.
00:10Oportunidades e desafios.
00:12Gostaria de convidar o fiscal estadual agropecuário do Instituto de Defesa Agropecuário Florestal
00:18do Espírito Santo e DAF, Michel Teste.
00:21Michel é engenheiro agrônomo, pós-graduado em gestão empresarial,
00:25já atuou como subsecretário de Estado da Agricultura, como consultor técnico do SEBRAE do Espírito Santo,
00:32instrutor do CERNAI-ES e secretário municipal de Agricultura.
00:36Seja muito bem-vindo, Michel.
00:42Obrigado, bom dia.
00:45Não vou apresentar o bom dia, não, hein, gente?
00:53É Michel, não é mais.
00:55Eu acho que vocês estão confundindo com a Laila, hein?
00:58Ela já desceu.
01:00Joia, obrigado, gente.
01:01Bom dia, bom dia a todos, bom dia a quem está aqui com a gente,
01:04bom dia a quem está nos assistindo.
01:09Uma missãozinha básica aqui, falar de três temas bastante amplos.
01:13Eu gostaria de, de início, agradecer à Rede Gazeta pela oportunidade,
01:17ao IDAF, que é a minha instituição, que me oportunizou a estar aqui conversando com vocês sobre esse tema.
01:23Assim, não é pretensão minha de esgotar o tema, muito pelo contrário.
01:27É trazer uma discussão, algumas reflexões daquilo que a gente vê de visão, de tendência para o setor como um
01:33todo.
01:34Então, vamos começar lá com algumas perguntas, né?
01:38A gente falou ali de tendência de consumo, descarbonização e ESG.
01:43Qual que é a correlação entre esses temas?
01:46Vem mais uma conta para os produtores?
01:48Como que o agro pode se beneficiar?
01:50E ao longo da nossa conversa aqui, eu pretendo que surjam mais perguntas mesmo,
01:56tem muita coisa para a gente discutir sobre o tema.
01:58Então, de início, vamos falar um pouquinho de Brasil, falando de agro como um todo.
02:05Esse daqui é um mapa do MapBiomas, que fala, traz uma mensagem muito importante sobre o Brasil, né?
02:13O país, o nosso país.
02:15Tem muita coisa sendo falada, muita coisa sendo dita a respeito do agronegócio.
02:19Mas a gente precisa entender que do Brasil, 66,3% do nosso território é preservado.
02:26Do Brasil inteiro.
02:28Quando a gente fala de produção agropecuária, nós estamos falando de 30% da área do país.
02:34Então, assim, a gente preserva muita área.
02:37A gente tem uma redução de área de floresta que de 85 até 2020...
02:43O apontador... Isso.
02:45De 85 até 2020, em torno de 12% a 13%.
02:49É uma redução expressiva.
02:51Porém, a gente tem, vamos dizer assim, uma área de estoque que dificilmente outro país no mundo vai ter.
02:57Então, primeiro, assim, nós temos que nos credenciar a isso e saber que nós somos um país que preserva e
03:02que produz.
03:05E o agronegócio, assim, do ponto de vista econômico, a gente tem que ter um destaque especial.
03:11Especialmente na pandemia, o agronegócio segurou as pontas do país.
03:14O agronegócio continuou produzindo, continuou gerando receita, renda, emprego e uma série de serviços.
03:21Então, o PIB agro de 2021 cresceu 8,36%.
03:25Foi responsável por 27,4% do PIB do Brasil.
03:30É o maior percentual desde 2004.
03:33Então, a gente tem uma participação cada vez mais expressiva.
03:37E ontem saiu publicado a estimativa do valor bruto da produção agropecuária.
03:42Que é basicamente o faturamento da produção agropecuária de um modo geral.
03:47A estimativa para 2022 é de 1,243 trilhão de reais.
03:52Então, é muita coisa que movimenta, é muito dinheiro, é muita gente recebendo recurso em função da produção agropecuária.
04:02Sem contar o potencial que a gente tem de alimentar o mundo.
04:06Então, o VBPA de 2022 tem uma estimativa de crescer 6,5% em relação a 2021.
04:14Aqui está um estudo do Ministério da Agricultura falando no horizonte de 2030,
04:18para algumas cadeias produtivas, as principais cadeias produtivas do Brasil.
04:23E a gente vê um crescimento ordenado em todas elas.
04:26Vou destacar aqui a produção de carne.
04:29Nós estamos aqui num município onde a pecuária é importante.
04:34Então, nós temos aqui uma estimativa de aumento na produção de carne até 2030, de 17% no Brasil.
04:41Lembrando que nós temos, salvo engano, o segundo maior rebanho do mundo.
04:46Perdemos para a Índia.
04:47E vai crescer mais ainda.
04:49Aumentos nas exportações da ordem de 30% até 2030.
04:54Nós temos potencial de crescer.
04:56E falando de café, café conilon, café arábica, somando os dois,
05:01no geral, uma estimativa de aumento de produção de 40% e 30% de exportação,
05:07além dos 22% no consumo.
05:10Nós somos o segundo maior consumidor mundial, além de sermos o maior produtor mundial.
05:14Então, o cenário é de crescimento para o agronegócio.
05:18Mas a gente vai discutir um pouquinho mais à frente como que é esse cenário que está desenhado.
05:23Como é que a gente vai fazer para crescer e continuar com...
05:27Ontem tive uma palestra importante, falando ali do Márcio, que é do Centro Comércio Café,
05:32falando de a gente manter o nosso market share e ampliar isso no comércio internacional.
05:38Mas a gente precisa falar de outros dados também.
05:41A gente sabe que o agro sofre com essa imagem lá fora.
05:45A gente já ouviu várias vezes.
05:47A gente vê reportagens, vê posicionamentos.
05:50Esse aqui é o relatório anual do desmatamento,
05:52feito pelo MapBiomas, com extremo critério, com análise,
05:56com uso de censureamento remoto, de tecnologia.
05:58Em 2020, nós tivemos 74 mil alertas de desmatamento.
06:04Esses alertas são analisados, são interpretados.
06:0899% dos alertas foram desmatamentos sem autorização.
06:15É o que a gente chama de desmatamento ilegal.
06:18É aquilo que a gente precisa combater e é aquilo que nós somos cobrados
06:23e que mancha a reputação do agronegócio.
06:2636% deles em propriedades com áreas embargadas.
06:31Então, são reincidentes.
06:32Isso é sinal que a gente não conseguiu chegar até lá,
06:37fazer cumprir o poder de polícia, embargar, autuar, fazer o que precisa,
06:41porque essa é uma ação criminosa.
06:44Nós estamos tratando de criminosos.
06:46E aí vocês vão ver como que isso mancha perante um universo que é muito maior.
06:51Para vocês terem uma ideia, a área média desses desmatamentos é de 18 hectares,
06:56coisa que para nós aqui é quase que impensado um desmatamento de 18 hectares no Espírito Santo.
07:02Eu sou servidor do IDAF, tem uns colegas que atuam no controle.
07:05Raramente você vê algo dessa magnitude.
07:08Mas também tem desmatamentos com uma maior desmatada quase 6 mil hectares em um desmatamento único.
07:15Então é uma coisa absurda.
07:17Mas por que isso daqui mancha e por que isso daqui é pequeno?
07:20Entre aspas.
07:22Pequeno porque das 5 milhões, quase 6 milhões de propriedades cadastradas no CAR,
07:28as propriedades que têm alerta de desmatamento representam 0,9%.
07:34Então quando a gente fala de desmatamento ilegal,
07:37nós não estamos falando do agronegócio como um todo.
07:40Nós estamos falando de menos de 1% das propriedades que estão inseridas na cadeia do agronegócio.
07:46Então dá para gerenciar, dá para atuar em cima e a gente precisa atuar nesse sentido para proteger a reputação
07:53do nosso agro.
07:54E aqui uma fala do Marcelo Brito, que é ex-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio.
07:59Em uma entrevista dele para o programa Roda Viva, ele disse o seguinte,
08:03ninguém fica ao redor de uma mesa pensando como vai destruir o Brasil,
08:07mas se a gente dá o chicote, eles vão aproveitar esse chicote para nos bater.
08:11O chicote está ali no slide anterior.
08:14Então a gente precisa convencer o mundo que a gente tem competência, capacidade e ferramentas
08:18para controlar aquele desmatamento ilegal.
08:20E nós temos, nós temos, nós temos gente, nós temos conhecimento, nós temos ciência para isso.
08:26Falta mais alguma coisa.
08:30Passando agora para uma outra agenda, que é a agenda do carbono,
08:32que é uma agenda que vem crescendo ano a ano e está muito sendo discutida,
08:38mas eu tentei trazer um pouco de base conceitual, um pouco de origem disso,
08:43porque a gente fala de carbono.
08:45Em 88, foi criado o IPCC, que é o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.
08:52Esse painel é um órgão acessório da Organização das Nações Unidas
08:56para produzir conhecimento, produzir informação para tomada de decisão em relação ao clima.
09:01Depois, em 97, teve o Protocolo de Quioto, onde vários países assinaram
09:06e por meio deles foi estabelecido meta para os países desenvolvidos de redução de emissões.
09:12Os países em desenvolvimento poderiam contribuir com projetos de redução
09:17que seriam negociados aos países desenvolvidos, mas não tinham metas para eles, no caso Brasil.
09:24Já em 2015, o Arcudo de Paris substitui o Protocolo de Quioto,
09:28e aí todos os países passam a ter metas.
09:31Os países trabalham com NDCs, que são contribuições nacionalmente determinadas.
09:36O país estabelece como ele vai contribuir para um objetivo geral,
09:40que é até 2050, limitar o aquecimento do planeta até 2 graus Celsius.
09:46E agora, mais recente, teve um avanço na COP de Glasgow, no último ano,
09:52que foi a regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris,
09:56que é uma coisa que estava pendente,
09:58que é o primeiro passo para começar a estabelecer esse mercado internacional,
10:03entre países, dessas emissões de carbono.
10:07Então é algo que vai evoluir, o Brasil precisa caminhar a passos largos nesse sentido.
10:13E aí, desde o início se convencionou de falar de carbono ou de CO2 equivalente, por quê?
10:19Aqui a gente consegue ver o histórico de emissões desde 1990 até 2019.
10:23A faixinha azul aqui é CO2 emitido de combustíveis fósseis, basicamente, em indústria.
10:31A faixinha amarela é CO2 do que eles chamam de AFOLU,
10:37agricultura, floresta e uso da terra, mudança de uso da terra.
10:41Então o CO2 responde ali, eu não estou conseguindo ver direitinho,
10:44mas é coisa de 75% das emissões.
10:49Embora a gente tenha outros gases, como o óxido nitroso, o metano,
10:54que tem um potencial de aquecimento maior que o CO2,
10:58mas no conjunto, em termos de volume, o CO2 é o prevalente.
11:02Então por isso se adotou o carbono equivalente,
11:05que é o que a gente ouve nos vários documentos.
11:08E aí, assim, eu já vi discussão de gente falando que isso é uma conspiração
11:13dos países desenvolvidos para conter o avanço dos países em desenvolvimento.
11:19As pessoas são livres para acreditarem no que quiserem,
11:21mas aqui o mundo trabalha num conceito chamado Science Based,
11:26que é aí o IPCC, para esse relatório que saiu em setembro do ano passado,
11:31do Grupo de Trabalho 1, foi a primeira vez que o IPCC afirmou
11:35que a ciência consegue comprovar que os modelos matemáticos,
11:40os modelos climatológicos, a evolução da capacidade compostacional,
11:44conseguiu comprovar que o ser humano tem efeito no aquecimento.
11:48Então eles afirmaram isso, com base em uma análise
11:52de 14 mil publicações científicas, sendo analisadas por 234 autores
11:59que produziram esse relatório, de 65 países.
12:03E agora, em abril passado, um outro grupo de trabalho do IPCC,
12:09que é o Grupo de Trabalho 3, lançou o relatório sobre mitigação de mudanças climáticas.
12:14Esse relatório analisou 18 mil publicações científicas,
12:18teve 278 autores, também de 65 países, em ambos casos com o Brasil.
12:23Então, assim, é muito difícil você achar que isso é uma simples conspiração
12:28de países desenvolvidos. É ciência envolvida nesse cenário.
12:32Então a gente discute com base em ciência.
12:35Trazendo um pouco para cá, para a gente ter noção do tamanho do Brasil nesse processo,
12:41aqui são dados de 2018, o principal emissor, China,
12:46o segundo maior, Estados Unidos, e o Brasil responde aqui por menos de 3%
12:50das emissões globais de gás de efeito estufa.
12:53Então, assim, a César, o que é de César?
12:58Eles têm a responsabilidade deles, nós temos a nossa, e a nossa, gente.
13:03Basicamente, a maior parte é fruto do desmatamento ilegal.
13:07Então, se a gente conseguir gerenciar isso, a nossa posição aqui melhora e melhora muito,
13:12e a gente passa a assumir a liderança que a gente tem potencial de assumir
13:16na agenda climática global.
13:19Aí, um outro slide para exemplificar por que o agronegócio toma pancada.
13:24Se a gente pegar aqui, o Brasil está em...
13:271, 2, 3, 4, 5, 6, 7.
13:31Dados de 2018 também com uma outra base.
13:34Dos sete primeiros aqui, dos seis primeiros,
13:37a primeira fonte de emissão deles vem da energia.
13:42Da matriz energética.
13:44No Brasil, a primeira fonte vem da agricultura.
13:48Agricultura por quê?
13:49No conceito de agricultura, engloba tudo aquilo que eu falei.
13:51Mudança de uso da terra, inclusive.
13:53Então, por isso que o agronegócio chama muita atenção.
13:56Porque é o nosso primeiro fator de emissão.
13:58E fruto de uma competência nossa, que nós temos uma matriz energética
14:02muito mais limpa do que os países desenvolvidos.
14:07Aqui um pouco mais de detalhamento sobre as emissões do Brasil.
14:11Mudança de uso da terra, como eu falei.
14:15E a agropecuária.
14:17Sempre as barrinhas verdes e amarelas são a principal participação no volume de emissões.
14:23Então, está claro o que a gente precisa fazer de dever de casa
14:26e como a gente precisa endereçar.
14:28Falando em mercado de carbono, como eu falei, não é a intenção esgotar o assunto.
14:32A gente não tem tempo para isso e talvez eu nem seja a melhor pessoa para isso.
14:36Mas, assim, de olhar um panorama geral, a gente precisa entender alguns conceitos.
14:41Há um mercado regulado, está entre parênteses, uma obrigação.
14:46Isso aí são os países que regulam, como o nome diz.
14:49E aí podem estabelecer taxações, impostos.
14:54Impostos para você ter a sua produção e emitir seu carbono.
14:58Aí é taxa mesmo, imposto.
14:59Ou mecanismo que eles chamam de cap and trade, que é um mecanismo de comércio.
15:04O país estabelece limite de emissão.
15:07A minha atividade tem um limite, eu tenho o meu limite, a minha permissão é emitir tanto.
15:11Se eu emitir abaixo, eu posso negociar isso com o meu vizinho,
15:15o empresário que emitiu além da cota dele.
15:18Isso cria um mercado regulado.
15:20O preço do carbono aqui pode ser dado por imposição do governo
15:27ou por uma lei de oferta e procura.
15:29Esse é um mercado regulado e é onde também essa base vai contribuir lá na NDC do Brasil.
15:38É onde vai entrar no arcordo de Paris.
15:40São os mercados regulados.
15:42A gente tem um mercado voluntário que cresce muito.
15:45A gente vai falar um pouquinho dos dados dele também.
15:47Aí é um mercado onde as empresas, onde as organizações,
15:51onde as pessoas que quiserem neutralizar a sua pegada de carbono
15:55podem comprar crédito de carbono de alguma iniciativa que tenha algum projeto, alguma situação.
16:02Aqui nós temos muito potencial.
16:04Aqui nós temos muito potencial.
16:06E o agronegócio pode ocupar um espaço estratégico nesse processo.
16:10E aí são empresas, sem ter obrigação nenhuma,
16:14que estão decidindo...
16:16Opa, eu preciso neutralizar minha cadeia de produção.
16:19A Nespresso já fez isso, salvo engano, a Nespresso neutraliza carbono na cadeia toda até o ano que vem.
16:27Por iniciativa dela, só por ela, não vocês vão ver que a gente tem informação
16:32por que eles já estão enxergando isso.
16:35Conceito de adicionalidade.
16:37O crédito de carbono é gerado em função da adicionalidade.
16:41Então eu tenho um manejo tradicional, que eu mudo para uma outra,
16:46eu insiro uma boa prática, fazendo um exemplo bem básico aqui.
16:49Eu tenho uma lavoura de café com a entrelinha capinada, o solo exposto.
16:53Eu deixo aquele solo regenerar, entro com uma braquiária, uma planta de cobertura,
16:59ou ao invés da capina, eu entro com uma roçada, enfim.
17:02Então são tecnologias que a gente vai usar, que já estão disponíveis,
17:06que vão melhorar, aumentar o sequestro de carbono ou reduzir as emissões.
17:10Então essa adicionalidade é que gera o crédito.
17:14Não é simplesmente tudo aquilo que a gente faz.
17:16Então tem um padrão de comparação.
17:19Esses créditos precisam ser MRV.
17:22Mensurável, reportável e verificável.
17:25Então não é uma coisa simples.
17:27Tem que ser passível de mensuração.
17:30A gente precisa poder reportar isso em mecanismos adequados.
17:34E alguém precisa auditar, precisa ser verificado,
17:38porque é uma questão de confiança que está envolvida ali.
17:41E é uma confiança que não vale mais o fio do bigode.
17:44Aí precisa ter gente capacitada, metodologias aprovadas,
17:48para gerar esse crédito de carbono.
17:50E aí entra o papel das certificadoras.
17:53Aqui deu um, quando mudou, deu um corte,
17:56mas um crédito equivale a uma tonelada de CO2 equivalente.
18:00Então o exemplo aqui de certificação,
18:03são duas aqui, a VERRA e a GOLD STANDARD,
18:06são duas das principais no mundo hoje,
18:09certificando crédito de carbono.
18:11O que também é um problema,
18:12são poucas pessoas, poucas entidades fazendo algo que muita gente precisa.
18:17Para ter uma noção de dimensão,
18:19que é um relatório recente, de 2022, do Banco Mundial,
18:23no mercado regulado,
18:25a gente chegou em 2021 com 84 bilhões de dólares.
18:31E foi a primeira vez,
18:32e aqui o azulzinho,
18:33são aquele formato que eu falei de taxação,
18:36os setores são taxados,
18:38e pagam para poderem produzir e emitir.
18:41E o rosa, ou o vermelho aqui,
18:44são os mecanismos de comércio entre permissões de emissão.
18:48Então, pela primeira vez,
18:50as permissões de emissão tiveram um volume maior do que a taxação.
18:54É um sinal que os mercados estão evoluindo,
18:57os regulados estão evoluindo para esse sentido também,
19:00e com um potencial de crescimento bastante expressivo.
19:07em volume negociado,
19:102021 para 2020,
19:12teve um aumento de 48% no mercado regulado,
19:15de toneladas de carbono,
19:17de crédito de carbono negociado.
19:19A gente olha aqui também a tendência,
19:21a gente vê uma tendência quase que exponencial,
19:24de crescimento aqui.
19:25E aí, quando eu falei de duas certificadoras,
19:27aqui você tem a VERRA e a GOLD STANDARD,
19:30respondendo por mais de 70% da certificação de carbono.
19:34Isso impacta no custo do processo.
19:37Falando de mercado voluntário,
19:392021, recorde 1 bi.
19:43No regulado, 84 bi.
19:46Aqui no voluntário, 1 bi.
19:48Isso aqui está crescendo.
19:50Mas aqui, como não tem uma obrigação,
19:53os preços são diferentes,
19:55os projetos são diferentes,
19:56há uma variabilidade,
19:57mas a gente tem muito potencial de crescer aqui.
20:01Então, pela primeira vez,
20:03bateu o valor no mundo de 1 bi.
20:05E aí, recomendo,
20:06se a quem quiser aprofundar um pouquinho mais
20:08de mercado voluntário,
20:09isso aqui é uma publicação recente agora
20:11do Observatório da Bioeconomia da FGV,
20:14que trata muito bem desse processo,
20:16dá uma base geral,
20:17inclusive de custos
20:19para um projeto de geração de crédito de carbono.
20:22Claro que sim,
20:23uma estimativa geral,
20:24porque esses valores também
20:25são muito variáveis e não são tão abertos.
20:28Aqui uma matéria do dia 30 de maio,
20:31um valor econômico,
20:32um estudo da McKinsey.
20:33Foi divulgado no valor econômico.
20:36O Brasil tem potencial de responder
20:39por 15% do mercado voluntário de carbono no mundo.
20:43E aí, movimentar valores da ordem
20:46de 7,5 a 15 bilhões de dólares.
20:49E esse mesmo estudo estima que a demanda no Brasil
20:52por crédito de carbono para o mercado voluntário
20:55até 2030 chega a 1,4 a 2,3 bi de dólares.
21:00Então, até 2030,
21:02nós podemos no Brasil ter duas vezes,
21:052,3 vezes o que 2021 teve no mundo
21:09só de demanda no Brasil.
21:11tem potencial.
21:12E aí o sócio da McKinsey,
21:15que fala na entrevista,
21:16ele fala o seguinte,
21:17sem o Brasil, o mundo não se descarboniza.
21:20E aí, eu não sei se isso vai ficar disponível depois,
21:23mas no QR Code dá acesso à matéria.
21:28Dei uma invertida aqui,
21:29que era um círculo em volta.
21:32Mas tudo bem,
21:32nós vamos falar um pouquinho de ESG.
21:34Carbono,
21:36a gente fala de ESG,
21:37e depois vamos tentar ver as correlações entre isso.
21:42Tem um fato importante,
21:44que é, lá em 2000,
21:46o Kofi Annan fez uma proposta do Pacto Global.
21:51Isso vem desdobrando de lá, então.
21:56Ele, nessa frase dele,
21:59fala,
21:59proponho que vocês, os líderes empresariais,
22:01e nós, as Nações Unidas,
22:03iniciamos um Pacto Global de Valores e Princípios Compartilhados,
22:07que darão um rosto humano ao mercado global.
22:10Era um indicativo de que o ESG precisa ser trabalhado.
22:15Depois, em 2004, com essa publicação,
22:17aí foi uma mensagem clara da ONU,
22:19junto com o Banco Mundial,
22:20para o setor financeiro, especialmente,
22:23trazendo já os conceitos de ESG,
22:26ambiental, social e de governança,
22:28para, especialmente, para o setor financeiro,
22:30e, agora, mais recente,
22:32trazendo também os objetivos do desenvolvimento sustentável,
22:35que faz parte do Pacto Global.
22:38São um direcionamento para onde a gente tem que caminhar
22:41em 17 eixos específicos,
22:44e o agro está bem inserido em boa parte deles.
22:49O ESG, na prática,
22:51ele trabalha com esses três pilares,
22:54como eu falei, não é a intenção esgotar o assunto,
22:57mas, basicamente, pensando no nosso lado,
22:59do agronegócio,
23:00nós temos o eixo ambiental,
23:02que aí nós estamos falando de emissões,
23:04redução, sequestro de emissões,
23:07resíduos.
23:08O Brasil é um exemplo para o mundo
23:10numa retrocoleta, vamos dizer assim,
23:14de embalagens de agrotóxicos.
23:16A gente tem metodologia já que funciona,
23:18e funciona muito bem.
23:20Uso eficiente de insumos,
23:21proteção aos recursos naturais,
23:23água, solo, biodiversidade,
23:25isso está no eixo ambiental.
23:26Mas ele traz o social um pouco mais amplo,
23:29até, do que o conceito inicial de sustentabilidade.
23:33Direitos humanos, diversidade, inclusão,
23:36aí nós estamos falando de mulheres,
23:37de jovens,
23:39da população LGBTQIA+.
23:42Isso precisa ser olhado.
23:44E no agro a gente precisa olhar isso também,
23:47porque a gente vai acabar sendo cobrado por isso.
23:50remuneração adequada,
23:52condições saudáveis de trabalho,
23:54qualidade de vida,
23:55olhar para a comunidade local,
23:57onde a gente está inserido,
23:59enquanto produtores,
24:01ter essa integração,
24:02essa visão integrada é fundamental,
24:04e cuidar também dos trabalhadores.
24:07Governança,
24:08que é o terceiro pilar,
24:11nós estamos falando de ética,
24:12ética nas relações comerciais,
24:15ética nas relações pessoais,
24:17ética nas relações contratuais,
24:20compliance,
24:21que é uma palavra que a gente passa a ouvir cada vez mais,
24:25que, grosso modo,
24:27uma adequação às leis,
24:29às normas,
24:30às regras de negócio,
24:31às regras da empresa,
24:33isso tem que estar estritamente sendo cumprido.
24:36Transparência,
24:38rastreabilidade,
24:39combate à corrupção.
24:41Então, esses são valores que o ESG traz,
24:44pilares que o ESG traz,
24:45que a gente pode refletir,
24:47que a gente tem que analisar,
24:48também no agronegócio.
24:51E eu fiz questão de colocar isso daqui,
24:54aí é uma percepção minha,
24:56que eu acho que está muito intrínseca
24:58a toda essa agenda,
25:00que é a comunicação.
25:02E aí nós temos um exemplo,
25:03o agro sofre com a imagem do desmatamento.
25:06Mas o que a gente está comunicando?
25:08Como a gente está comunicando em relação a isso?
25:11A gente precisa comunicar,
25:13a gente precisa levar a informação.
25:15Quem vai receber essa informação,
25:17ele vai ter uma percepção.
25:18É como eu recebo aquela informação,
25:20é como vocês estão recebendo o que eu estou falando,
25:22obviamente,
25:23aquilo vai ser internalizado
25:24e vocês vão formarem um conceito,
25:27uma concepção a respeito,
25:28que vai influenciar diretamente na reputação.
25:32Seja na reputação de carreira pessoal,
25:34seja na reputação da empresa,
25:36seja na reputação de um país ou de um setor,
25:38e a gente precisa rever isso para o agro.
25:40O professor Tejom,
25:43que é um dos grandes comunicadores do agro,
25:45inclusive falou, semana passada,
25:46em uma live,
25:47da necessidade de a gente estabelecer
25:49um plano de comunicação para o agronegócio.
25:52A gente precisa disso, muito claramente.
25:54E a gente, tratando de ESG,
25:57a reputação é fundamental.
26:00As ações são feitas para construir reputação,
26:03para ganhar confiança,
26:04para ganhar credibilidade
26:06e chegar na confiança do consumidor,
26:09na confiança de quem eu me relaciono.
26:12E não adianta tentar tapear.
26:16A gente vai ouvir falar também bastante de greenwashing,
26:20que é...
26:22Parece bonito na foto,
26:24mas quando vai investigar a fundo
26:25é mais a casca do que de fato
26:28o interior daquela ação.
26:30E tem, inclusive, parado na justiça algumas ações.
26:33Tem empresa brasileira que foi processada nos Estados Unidos
26:37por conta de greenwashing.
26:40E tem ação feita na Alemanha
26:43contra países da União Europeia
26:46por greenwashing.
26:47Isso vai chegar.
26:48Já está chegando.
26:49Então, é uma questão de confiança mesmo.
26:51É construir uma reputação que seja confiável.
26:55E aí, a gente tem duas bases,
26:58o carbono, o ESG,
27:00que estão se ligando, se conectando.
27:03Mas o que faz as empresas também se movimentarem?
27:08Quando a gente fala de mercado voluntário,
27:10não tem uma obrigação da empresa,
27:13mas tem cenário, tem tendência.
27:15E essa turma está antenada.
27:17A gente tem empresas especializadas no mundo
27:20em identificar tendências.
27:23Então, aqui tem...
27:24Eu conheci esse estudo em função de um artigo
27:26do professor e ex-ministro da Agricultura,
27:29Roberto Rodrigues.
27:30É um estudo da Euromonitor.
27:32As 10 tendências globais de consumo em 2022.
27:36Agora é recente.
27:38Eu separei das 10,
27:39quais três que eu acho que estão bem alinhadas?
27:44Consumidores sempre com o plano B.
27:47Então, se eu tenho um produto,
27:48eu tenho o meu market share,
27:50por algum motivo eu vacilei,
27:54o consumidor vai ter uma alternativa.
27:56Alguém vai pegar aquele meu market share.
27:58E aí, para retomar, é mais complicado.
28:02Então, assim, seja confiável.
28:05Origem local, venda direta.
28:07Então, ontem, no painel dos colegas do Incapé,
28:09falando de cafés especiais,
28:10isso está acontecendo aqui.
28:11Tem muita gente indo até as propriedades
28:13comprar um café especial
28:15do seu Joselino Meneguete, de Brejetuba,
28:18que viu o café dele.
28:19Isso está acontecendo.
28:21E aí, essa pessoa passa a comprar diferente.
28:24Uma origem diferente.
28:25Então, vai mudar.
28:27Agentes do clima.
28:28Consumidores agentes do clima.
28:30Não tem volta.
28:31Baixo carbono.
28:32Cobrança por posicionamento da marca.
28:35Transparência, rastrabilidade, confiança.
28:39Essas palavras aparecem nas tendências,
28:41aparecem no comportamento que eles projetam para os consumidores.
28:45E aí, quanto mais alinhamento desses valores com a empresa,
28:50mais repercussão dos produtos e marcas.
28:53Melhor reputação.
28:54Mais negócio.
28:56Para vocês terem uma ideia,
28:5767% dos consumidores tentaram causar impacto positivo
29:02com as suas ações cotidianas, do dia a dia, em 2021.
29:07Então, tem mudança em curso.
29:10Grande renovação da vida, que foi como eles chamaram,
29:14é uma mudança de visão da empresa.
29:16As empresas sendo parceiras dos consumidores,
29:18ajudando os consumidores a oferecer políticas,
29:21produtos que agreguem valor,
29:24que auxiliem as pessoas a terem um modelo de vida melhor.
29:30Aí, a PwC tem um outro levantamento,
29:33que publica anualmente, o de dezembro de 2021.
29:37Traz aqui uma pergunta, né?
29:39Antes de considerar fazer uma compra em um varejista,
29:43com que frequência você, consumidor,
29:48conscientemente analisa os seguintes fatores?
29:52Essa marca, esse produto, aquilo que está por trás ali,
29:56tem valores sólidos e está comprometido com fazer o que é certo,
30:01o que é ético?
30:03Global, 53% dos consumidores, Brasil, 68%.
30:07Desculpa aí, gente, é porque a apresentação era 16 por 9,
30:10aí é que ela dá uma achatadinha.
30:16Está ajudando a você fazer escolhas para um estilo de vida melhor e mais saudável.
30:20Global, 55%, Brasil, 61%.
30:25Produz itens com origem transparente e rastreável.
30:28Global, 51%, Brasil, 60%.
30:30Então, no mundo, mais da metade dos consumidores já está antenado com isso.
30:35E no Brasil, mais ainda, acima de 60%.
30:39E aí, um último estudo aqui da IBM, sustentabilidade em um momento decisivo,
30:43é um estudo de maio de 2021, com 14 mil adultos de nove países, incluindo o Brasil.
30:5193% dos respondentes disseram que a pandemia da Covid-19 influenciou a opinião que eles tinham sobre sustentabilidade.
31:0284% considera sustentabilidade importante ao escolher uma marca para consumir.
31:09E 62% estão dispostos a mudar hábitos de consumo para reduzir o impacto negativo do meio ambiente.
31:17Então, o consumidor está ali.
31:19Aí, a dúvida que fica para a gente é quem vai atender esse consumidor?
31:23A reação é essa aqui.
31:25O consumidor vai pressionar.
31:27Vai derrubar o dominó.
31:29Vai no varejista.
31:30Eu quero isso, isso, isso e isso.
31:31O varejista falou que precisa atender esse consumidor.
31:34Fornecedor, preciso disso, disso e disso.
31:36O fornecedor vai, no fornecedor dele, vai chegar até a gente dentro da porteira.
31:41Isso é fato.
31:42O que a gente precisa agora é antecipar alguns movimentos.
31:47Aí tem uma frase da ministra Tereza Cristina, lá na COP26.
31:51Quando ela encerra um painel dela, ela encerra com essa frase.
31:54A agropecuária realizada de maneira sustentável é parte da solução para um duplo desafio.
32:00Mudança do clima e segurança alimentar.
32:02Então, assim, ela passou a mensagem, a confiança que a gente tem, e a gente tem caminho nesse sentido.
32:09Mas nós temos desafios a serem vencidos.
32:13E a ideia da nossa conversa aqui, dessa palestra, era com esse monte de conceito, esse monte de informação,
32:19a gente vê os desafios que a gente tem, mas que a gente tem condições de superar.
32:24Primeiro deles, para mim, sem dúvida nenhuma, falando de agronegócio, assistência técnica e gerencial.
32:31Se a gente lembrar, quando a gente falou lá de carbono, mercado de carbono, de MRV mensurável, reportável e verificável,
32:39não tem como fazer isso sem uma boa base gerencial.
32:43Não tem como fazer isso sem registros, sem análise.
32:47E aí tem um outro ponto que é uma frase bastante comum no meio, quando se discute esses temas como
32:53um todo,
32:53é dificilmente quem está no vermelho consegue fazer alguma coisa verde.
33:00Se a pessoa, se o produtor não estiver ganhando dinheiro, não adianta falar em fazer um monte de coisa,
33:08porque ele primeiro precisa ganhar dinheiro.
33:09Não é ganhar dinheiro a qualquer custo, o que eu quero dizer é analisar a atividade.
33:14Não adianta falar que uma lavoura de 30 sacas de café com nilon vai ser sustentável,
33:19sendo que você tem potencial de chegar a 90, 100 de média, triplicar na mesma área.
33:25O deputado Evair acabou de falar aqui agora que teve acesso a um proprietário lá que conseguiu 278 sacas por
33:33hectare.
33:35Tem que ter eficiência econômica também, não adianta.
33:39E a gente precisa disso.
33:41E aí qual que é o desafio?
33:42Censo 2017.
33:4470% dos estabelecimentos agropecuários no Brasil têm entre 1 e 50 hectares.
33:49São pequenos.
33:51De todos os estabelecimentos no Brasil, só 20% receberam assistência técnica.
33:56Então, como fazer chegar?
34:00Eu me considero um privilegiado.
34:02Meu pai é agricultor, que estudou até a quarta série.
34:05Mas fez questão e me deu a oportunidade de estudar em uma universidade, me formar,
34:10e que me trouxe até aqui hoje.
34:13E que vai me levar até onde quer que eu chegue.
34:17Então, eu acho que a gente tem uma obrigação.
34:20A obrigação de dar informação de qualidade, a obrigação de estudar, a obrigação de tentar entender,
34:25a obrigação de tentar compartilhar da melhor forma possível.
34:27Cada um faz o que acha que deve, mas eu acho que a gente tem um pouco de obrigação de
34:31devolver isso
34:32para uma geração que atravessou como ele, ver o surgimento do rádio
34:37para hoje a gente ter um mundo dentro da tela do celular, inclusive o rádio.
34:45Escalabilidade e custos.
34:47Como eu falei, projetos de carbono são caros.
34:52A gente precisa ganhar escala nisso, precisa entrar mais gente nesse mercado,
34:57mais certificação, mais metodologias adequadas,
35:00não só o conceito de emissão e remoção exclusivamente,
35:05mas o conceito de balanço de algumas atividades.
35:08Isso precisa evoluir.
35:10Então, a gente precisa ter metodologias bastante adequadas à realidade brasileira.
35:15Inclusão na agricultura familiar, como eu falei, não tem como.
35:19Precisa chegar a informação.
35:21Se só 20% tem acesso à assistência técnica, como que vai chegar essa informação?
35:26Cada vez mais estão usando o WhatsApp,
35:28mesmo que a conectividade no interior não é das melhores,
35:32mas cada vez mais a gente usa o WhatsApp, a gente percebe isso sendo usado.
35:37A gente sabe dos problemas que isso existe também,
35:40mas a gente tem que ter um compromisso,
35:42e aí o governo, especialmente, tem uma responsabilidade
35:45de produzir informação de conteúdo nesse tipo de formato
35:48para acessar pessoas que acessam esse tipo de ferramenta de rede social.
35:56para a difusão do conhecimento.
35:58Sem conhecimento...
36:0115 minutos?
36:03Mais uns 35 e termina. Pode ficar tranquilo.
36:07A gente precisa difundir conhecimento.
36:10Sem conhecimento não dá.
36:12Isso daqui não dá para fazer, como a gente fala no interior,
36:15não dá para fazer de orelhada.
36:17Tem conhecimento, tem ciência, tem capacidade disponível,
36:21mas isso precisa chegar a quem precisa aplicar.
36:24E se a gente não fizer esse movimento agora,
36:28o que hoje...
36:29Isso é uma frase do Juliano Tarabal,
36:31que é um executivo que cuida da IG dos Cafés do Cerrado de Minas Gerais,
36:36que é um exemplo de IG, indicação geográfica.
36:40Ele falou,
36:41Michel, nós temos que trabalhar com isso daqui,
36:43nós temos que ter cuidado com isso,
36:44porque o que hoje é um diferencial,
36:47amanhã é pré-requisito.
36:48O que hoje você entra, bonitão, se posiciona lá,
36:52amanhã a porta fecha na sua cara se você não tiver.
36:56Então esse é o caminho.
36:58E aí o Roberto Rodrigues,
37:01numa live falando sobre sustentabilidade no agronegócio
37:04e dos desafios que tem,
37:06ele fala que qualquer produtor de qualquer atividade,
37:11qualquer tamanho,
37:12sabe que sem tecnologia ele não vai poder avançar
37:14e provavelmente vai fracassar.
37:16Todo mundo sabe que a tecnologia é essencial.
37:19Nem todo mundo tem acesso a ela
37:21ou pode ter acesso a ela.
37:23Pode no sentido de sim, de consegue acessar.
37:26Como é que a agricultura familiar acessa a tecnologia?
37:29E nós não estamos falando aqui,
37:30quando ele fala de tecnologia,
37:32não é de computador de última geração
37:34com imagem de satélite.
37:36É variedade melhorada,
37:38é boa prática agrícola,
37:40é acesso à tecnologia de conhecimento disponível.
37:45E as oportunidades que essas tendências de consumo,
37:49carbono, ESG, isso aí tudo misturado,
37:52o que representa de oportunidade?
37:54O Brasil lidera a produtividade agrícola no mundo.
38:00Isso aqui é um estudo divulgado pelo IPED,
38:03de 2000 a 2019,
38:04nenhum outro país no mundo
38:06cresceu em produtividade da agropecuária como o Brasil.
38:10Então nós temos conhecimento,
38:13nós temos capacidade,
38:13o que nós precisamos é fazer que essa produtividade cresça
38:18de uma maneira mais rápida e mais abrangente.
38:21Nós, como eu falei,
38:23o Espírito Santo hoje
38:24poderia quase triplicar a produção de café com nilon
38:29sem ampliar um palmo de área.
38:31se a gente colocasse todo mundo no patamar acima de produtividade do café.
38:37Mas a gente continua tendo lavoura de 10, 12, 15, 20, 30 sacas.
38:42Então é o desafio, mas é uma grande oportunidade.
38:46Aqui alguns exemplos.
38:48A Embrapa é uma referência.
38:50Ela desenvolveu já há bastante tempo um protocolo de carne carbono neutro.
38:55E aqui uma grande empresa lançou, inclusive, uma marca carbono neutro,
38:59utilizando essa marca que é protegida da Embrapa,
39:02com integração lavoura-pecuária-floresta.
39:04No Espírito Santo,
39:05conversava ali fora com a Maria Helena,
39:09nós temos 400 mil hectares de pastagem degradadas.
39:14Isso representa baixa produtividade,
39:17baixa capacidade de suporte,
39:19baixa rentabilidade.
39:21Então a gente precisa entrar e tem tecnologia.
39:24Aqui em Linhares tem um exemplo,
39:26se vocês quiserem ouvir o caso da Fazenda Três Marias,
39:30eu estava ouvindo um podcast com a Letícia Lindenberg,
39:33que assumiu a fazenda.
39:36O podcast produzido chama O Gestor.
39:39Dá para vocês buscarem aí.
39:41E ela falando, olha, quando eu fui analisar os dados da pecuária,
39:45precisamos melhorar a rentabilidade.
39:46O caminho para ela foi integração lavoura-pecuária-floresta.
39:49Está implantando.
39:50O INCAPER tem aqui, na Fazenda de Linhares,
39:53uma unidade demonstrativa.
39:54O que falta para isso chegar?
39:57É claro que é muito mais simples não fazer nada
40:00e deixar o boizinho lá no pasto.
40:03Mas isso com o tempo vai ser cobrado.
40:05Esse tipo de ação.
40:07C-Café, Conselho Exportador de Café do Brasil,
40:10representa praticamente 98% dos cafés exportados pelo Brasil.
40:15Fez um estudo, contratou, pagou junto com órgãos,
40:20se eu não me engano, a Enforest Alliance está junto,
40:24para analisar o cenário de café em Minas Gerais.
40:27Café arábica, aí foram segmentando.
40:30Café arábica, a variedade Catuaí, em Minas Gerais.
40:33Para começar a ter base científica para discutir sobre emissões de carbono na cafeicultura.
40:41Principal fonte de emissão.
40:43Adubos, nitrogenado e calcário.
40:45Coisa que a gente tem tecnologia.
40:48Análise de solo.
40:51Análise de solo faz com que a gente aplique aquilo que a planta precisa de fato.
40:55A gente otimiza.
40:57Redução do uso de insumos.
40:59Otimização do uso de insumos.
41:02Substituição.
41:03E mais à frente eu falo mais um pouquinho disso.
41:05Então, assim, tem estudo científico.
41:06Por que o C-Café fez isso?
41:08Publicou esse estudo agora recente.
41:11Semana passada, o executivo, o Marcos Matos,
41:14estava lá na Espanha,
41:16participando de um painel,
41:18apresentando os dados da cafeicultura,
41:20reforçando a reputação da sustentabilidade da cafeicultura brasileira.
41:26As propriedades tinham uma média de 34 sacas por hectare.
41:32No manejo tradicional, já tem carbono negativo.
41:38No manejo com boas práticas,
41:41vai para um sequestro de 10,5 toneladas de carbono por hectare por ano.
41:46Aqui tem adicionalidade.
41:48Aqui gera crédito.
41:49Mas precisa ser projeto, certificado,
41:51e todo aquele processo como um todo.
41:53Mas e o Conilon?
41:55A gente precisa avançar no Conilon.
41:57O Espírito Santo é o maior produtor de Conilon do Brasil.
42:00Então nós temos obrigação de liderar essa agenda.
42:03Aqui um exemplo de Minas,
42:05a cooperativa Montser.
42:07Venderam já café carbono neutro
42:09por R$ 100 a mais a saca.
42:11Ah, Michel, então beleza, vou fazer aqui amanhã.
42:13Não.
42:14Isso aqui foi um piloto,
42:16onde tudo deu certinho, eles investiram,
42:18pagaram, certificaram, tudo direitinho.
42:21Fizeram estudo, encontraram um comprador
42:24que encontrou um japonês que queria comprar um café.
42:27Então foi assim, foi um conjunto de fatores.
42:28Mas isso já é verdade.
42:31Para eles já é verdade.
42:33Amanhã, é o que eu falei,
42:34isso daqui ainda é diferencial,
42:36amanhã pode ser pré-requisito.
42:37Então nós temos que estar antenado nisso.
42:40E aí, em termos de oportunidade,
42:43eu gosto sempre de falar assim,
42:45é um ecossistema que a gente tem de ciência e inovação.
42:49A gente tem isso muito claro no agronegócio brasileiro.
42:53Governo, empresas e academia.
42:55É o que chama de tripla hélice.
42:57É uma integração excepcional aqui
43:01para evolução tecnológica,
43:03para desenvolvimento de pesquisa,
43:05pesquisa aplicada.
43:07Então a gente já tem isso instalado.
43:10A gente tem aqui no Espírito Santo,
43:12e a gente tem que bater no peito nisso,
43:15o café com nilon no mundo
43:17é respeitado pelo trabalho do Incapé.
43:21O Incapé é uma excelência.
43:24Dr. Romário Gava Ferrão,
43:26autor do livro lá, Café Conilon,
43:27junto com um monte de gente do Incapé,
43:30dá palestra no mundo inteiro
43:31falando da competência de desenvolvimento aqui.
43:34Variedades, produtividade, evolução, manejo.
43:37E aí falando de manejo,
43:39só fazendo um adendozinho do café arábica,
43:41o estudo lá era 34 sacos por hectare de média,
43:44o estudo do C-café.
43:46Aqui o coordenador de cafeicultura do Incapé
43:48estava me falando que com manejo de poda,
43:50tem lavoura dando 60, 80 sacas de média,
43:54no arábica.
43:55Isso é produtividade que a gente não esperava
43:58até pouco tempo atrás.
43:59Então a gente tem ciência.
44:00Quando fala de redução e remoção,
44:04o agronegócio é o único setor
44:06que consegue reduzir e remover carbono.
44:10Energia não consegue remover,
44:12energia consegue reduzir.
44:15Energia renovável, biocombustível,
44:18agronegócio, etanol, remove.
44:21Reduz e remove.
44:22Então, olha a oportunidade que nós temos
44:25de comunicar a um setor que, além de reduzir,
44:28remove carbono dos demais setores.
44:30Isso é oportunidade.
44:33Bioinsumos e biocombustíveis.
44:36Lembra que o estudo lá do Secafé,
44:38o nitrogênio, adubos nitrogenados,
44:40eram os principais fatores de emissão?
44:42Tem bioinsumos, tem compostos sendo
44:45trabalhados para serem utilizados
44:47de uma forma que melhore a eficiência,
44:50com fixação de nitrogênio.
44:51Na soja isso já é uma realidade há muitos anos.
44:54Fixação biológica de nitrogênio,
44:56reduzindo a entrada de adubo químico.
44:59Isso é oportunidade.
45:00de biocombustíveis.
45:02O presidente da Volkswagen,
45:05coisa de um mês, dois atrás,
45:07anunciou que a Volkswagen
45:08pretende lançar carros híbridos flex,
45:12em função de ele ter conhecido
45:14o programa de etanol do Brasil.
45:17Etanol é um combustível renovável?
45:20Cana?
45:21Então, tem oportunidade.
45:23Car.
45:24Eu sou servidor do IDARF,
45:25não podia deixar de falar.
45:26O Cadastro Ambiental Rural,
45:29e aí o próprio Marcelo Brito da BAG
45:31fala isso na entrevista dele,
45:34o Cadastro Ambiental Rural
45:37é um instrumento de compliance
45:41para os produtores rurais,
45:43fenomenal.
45:45No Cadastro Ambiental Rural
45:46tem a propriedade mapeada,
45:48tem a área de preservação permanente,
45:50o que é reserva legal,
45:51o que é área protegida,
45:52o que é área construída,
45:54aonde eu posso plantar,
45:55tem tudo definido,
45:57e o Espírito Santo,
45:59fruto de uma decisão lá atrás
46:01e de muito trabalho,
46:03de muitos servidores,
46:05o Espírito Santo lidera hoje
46:07o Brasil em validação
46:08do Cadastro Ambiental Rural.
46:10O que é discussão em plenárias,
46:13com 10 anos de código florestal,
46:15aqui no Espírito Santo
46:16a gente está liderando.
46:17Nós temos 60% dos imóveis,
46:21não é isso, Lívia?
46:22da área rural já com o CAR validado.
46:26Então, assim, a gente tem potencial.
46:30Tecnologias.
46:31Aí o mundo é o limite,
46:34inteligência artificial,
46:35machine learning,
46:36o custo de censureamento remoto,
46:38tem empresa já,
46:39startup,
46:39ontem mesmo teve um painel aqui
46:40da Agroven,
46:41uma empresa que utilizaria
46:43desses sistemas
46:44para mensurar estoque de carbono
46:46e aí negociar crédito de carbono.
46:49Então, isso existe,
46:50isso vai crescer.
46:52O negócio é como fazer.
46:54Longe de mim
46:55querer apresentar a receita
46:57de como fazer.
46:58Não tem essa pretensão.
46:59Como eu falei,
47:00é trazer a discussão
47:01e mais um monte de dúvidas.
47:03Mas eu particularmente acredito
47:05que a gente precisa de ter um plano.
47:07A gente tem uma ferramenta aqui,
47:08que é o Plano Setorial
47:09para a Adaptação e Mudança do Clima
47:11e Baixa Emissão de Carbono
47:12na Agricultura,
47:13que é o ABC+.
47:14O Brasil foi o primeiro país no mundo
47:17a ter um plano robusto
47:18de agricultura de baixo carbono
47:19em 2010.
47:21Agora foi revisto,
47:23em função da COP26,
47:26e vai desdobrar
47:27em um programa
47:28de cadeias descarbonizantes
47:30que o Ministério da Agricultura
47:31deve lançar nos próximos dias.
47:33Então, a gente tem um rumo.
47:35Quando a gente fala
47:36de plano estratégico,
47:37o que eu vou fazer
47:38dentro da minha propriedade?
47:39É para onde a gente está indo.
47:40A visão de médio e longo prazo,
47:42o que a gente precisa fazer.
47:44Ciência.
47:44Não preciso dizer.
47:45A gente tem ciência.
47:48no agro, então,
47:49excepcional.
47:50A gente tem conhecimento.
47:52A gente tem profissionais qualificados.
47:55Jovens.
47:56Aí aqui eu acho
47:57que é um ponto-chave
47:58quando eu falo
47:59de mudança geracional.
48:00Eu tive oportunidades
48:02que o meu pai não teve.
48:05Quando eu falo
48:06de ESG do social,
48:08de inclusão,
48:09de diversidade,
48:10o sonho da minha mãe
48:11era ser médica.
48:12Mas o meu avô
48:13não deixou
48:14e falou que ela tinha
48:15que ser professora.
48:18isso não acontece mais.
48:19Ainda acontece,
48:20mas, assim,
48:21a gente precisa lutar
48:22muito contra isso,
48:23mas, assim,
48:24as pessoas já estão
48:24mais esclarecidas.
48:26Sabe?
48:27Então, assim,
48:28a gente está numa geração,
48:30eu diria que até a geração
48:31depois de mim,
48:32que eu já estou bem
48:34encaminhado.
48:35Mas a gente tem uma geração
48:36com muito acesso
48:37à tecnologia,
48:38com muita integração,
48:39com muita informação,
48:40com muita relação
48:41e que pode ser
48:42fator fundamental
48:44nessa mudança.
48:45Integração e união,
48:47setores,
48:47governos,
48:48empresas e tal,
48:49e pensar num projeto
48:50de país,
48:51num projeto
48:51de setor agropecuário.
48:53Não adianta falar
48:54que Rondônia,
48:55que está ali
48:56produzindo Conilon,
48:57vai competir
48:58com o Espírito Santo.
48:59Gente,
48:59é o Brasil.
49:01É o Brasil.
49:02Rondônia é o Brasil.
49:04Estava lá essa semana
49:05um encontro nacional
49:06de degustadores de café
49:07em Rondônia,
49:07ano que vem,
49:08e está aqui no Espírito Santo.
49:10É isso,
49:10é a união,
49:11é a integração.
49:13Aí,
49:13para finalizar,
49:15eu quero agradecer,
49:16isso aqui é importante.
49:18Eu usei um monte de foto
49:19aí que vocês viram,
49:19enfim,
49:20o Flickr do CNA,
49:22do Senar,
49:22o Cláudio,
49:23que é um colega lá,
49:24a CA,
49:25em Capeli,
49:25porque o agro
49:27tem muita coisa bonita,
49:29tem muita foto bonita,
49:30tem muita imagem bonita,
49:32nós precisamos comunicar
49:33isso muito bem.
49:35Nós temos exemplos
49:36de sucesso,
49:36desde o menorzinho
49:38até grandes empresas,
49:40grandes negócios,
49:40assumindo compromisso,
49:42contratando serviços,
49:44trazendo desenvolvimento,
49:46sustentando a economia,
49:47empregando gente,
49:48gerando renda,
49:49gerando oportunidade.
49:51Tem uma safra de jovens
49:53que está voltando
49:54a enxergar o agro,
49:55o meio rural,
49:57como oportunidade de carreira,
49:59de vida,
49:59de negócio,
50:00de gestão,
50:00de empresa rural.
50:02Então,
50:02assim,
50:03eu enxergo um mar
50:04de oportunidades,
50:05mas, assim,
50:05a gente precisa aglutinar
50:07algumas coisas
50:07e dar um direcionamento.
50:09Então,
50:09a ideia da discussão toda
50:11era essa.
50:12Na minha ótica,
50:14carbono,
50:14ESG,
50:15tendência de consumo,
50:16isso está tudo interligado.
50:17A gente precisa
50:18fazer as informações circularem,
50:20fazer com que isso
50:21chegue a quem precisa,
50:22de fato,
50:23mudar aquilo
50:25que precisa ser mudado.
50:26E aí,
50:27eu agradeço
50:28a todos.
50:43Michel,
50:43muito obrigada.
50:45E você comentou antes,
50:46a palestra está sendo transmitida
50:49em a Gazeta,
50:49gazeta.com.br
50:51barra agro,
50:52pelo Facebook de a Gazeta também.
50:54E ontem,
50:55aqui no Auditório Tecnologia,
50:56teve uma palestra
50:57com Luiz Cláudio Alemande,
50:58sobre crédito de carbono.
51:00Então,
51:01também tem a ver
51:01com o assunto
51:02que você estava palestrando
51:03para a gente.
51:04Se vocês tiverem interesse,
51:05é só acessar
51:06a Gazeta
51:07que você vai acompanhar.
51:08E eu gostaria de agradecer
51:10a presença de todos
51:11que estão aqui conosco
51:12e também de quem acompanha
51:13pelo site da Gazeta.
51:14Vamos fazer uma pausa
51:15para o almoço
51:16e às 14 horas
51:18nós vamos retornar
51:18à nossa programação
51:19neste auditório.
51:20O evento retorna às 14,
51:22mas neste auditório
51:23será às 16.
51:25Lembrando que o evento
51:26acontece durante todo o dia,
51:27tem vários expositores,
51:28com produtos
51:29do agronegócio Capixaba,
51:31Festival da Cachaça
51:32e da Cerveja Artesanal,
51:33além de programação musical,
51:35não deixe de circular
51:35por todo o espaço
51:36e conhecer o que tem
51:37de bom no nosso estado.
51:39E se postar foto,
51:40a hashtag é
51:41TecnoagroES.
51:42Espero vocês
51:43até mais tarde.
51:58Tchau.
52:55Legenda Adriana Zanotto
53:25Legenda Adriana Zanotto
53:55Legenda Adriana Zanotto
54:25Legenda Adriana Zanotto
54:55Legenda Adriana Zanotto
55:25Legenda Adriana Zanotto
55:55Legenda Adriana Zanotto
56:18Legenda Adriana Zanotto
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