- há 4 semanas
Evento em Linhares se consolida no Estado como o maior espaço de inovações para o campo.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:26A CIDADE NO BRASIL
00:30A CIDADE NO BRASIL
01:00DROP DRONE, DVF Consultoria, FAESA, Fertilizantes Eringe, IDAF, IFES, INCAPÉ, Secretaria de Estado do Espírito Santo da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura
01:13e Pesca,
01:14Natu Ferti Fertilizantes, Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, Cachaça Princesa Isabel, Sebrae ES, Senar, FAES, Cicobi, Sincrede, Forte
01:28Via Fó, VP Energia Solar e Linhares Medical Center.
01:33O evento acontece durante todo o dia e tem vários expositores. Feira com produtos do agronegócio capixaba, festival de cachaça,
01:40da cerveja artesanal, além da programação musical.
01:44Não deixe de circular por todo o espaço e conhecer o que tem de bom aqui no nosso estado e
01:49o Espírito Santo tem muita coisa boa.
01:51Se você postar a foto nas redes sociais, vocês que estão aqui, não deixem de marcar a hashtag TecnoagroES.
01:58E para dar início à nossa programação, aqui no auditório teremos uma palestra com o tema A Sustentabilidade na Agricultura.
02:06E agora eu convido para falar aqui com a gente o Sávio da Silva Berilli, que é professor e coordenador
02:12da pós-graduação do Instituto Federal do Espírito Santo do Campo de Alegre.
02:17Graduado em Agronomia, Sávio tem mestrado e doutorado em produção vegetal pela UFES.
02:23Bom dia, Sávio. Seja muito bem-vindo.
02:26Bom dia. Bom dia, Laila.
02:29Bom dia a todos aqui que estão assistindo presencialmente e também a todos que estão assistindo virtualmente.
02:38É um prazer muito grande estar aqui um pouquinho, poucos minutos aqui para falar com vocês sobre esse tema,
02:47que é um tema importantíssimo para a nossa manutenção da atividade agrícola.
02:53Obrigado pela presença, obrigado pela audiência.
02:55Bom, eu vou passar algumas informações aqui hoje sobre a agricultura sustentável, mas é importante deixar claro o seguinte.
03:07Aqui eu não trouxe conceitos de literatura, conceitos de outras referências, e sim eu trouxe o que na minha perspectiva
03:20considero ser importante em uma agricultura sustentável.
03:24Na verdade, quando a gente fala em sustentabilidade na agricultura, o que é sustentabilidade? O que é ser sustentável?
03:35Eu acredito que é se manter existente, se manter perpetuamente, pelo menos o máximo possível, numa atividade, em qualquer que
03:45seja.
03:46No caso, sustentabilidade na agricultura, a gente vai buscar ali mecanismos de se manter vivo naquela atividade agrícola.
03:54E isso é muito mais do que uma paixão, muito mais do que um conceito teórico, ou uma vocação de
04:04vida, ou divina, que alguns acreditam bastante nisso.
04:08Não. É bem pragmático mesmo. São ações que são necessárias para que o agronegócio continue funcionando.
04:16Porque senão se esgota em algum momento os nossos recursos, as nossas terras, e a atividade para de ser lucrativa,
04:27de ser produtiva, de ser frutífera.
04:32Bom, eu sou, como foi apresentado pela Laila, engenheiro agrônomo de formação, mestrado, doutorado em produção vegetal, pela UENF.
04:41E hoje eu sou professor da área de agrárias, dentro do IFES, do campus de Alegre.
04:48Mas, passada essa parte, vou passar aqui.
04:51Bom, olhando para o nosso Espírito Santo, falando aqui um pouquinho, então, da nossa diversidade agrícola e de regiões que
05:01nós temos no nosso estado,
05:03a gente pode perceber que é um estado pequeno, bem pequeno em relação aos outros brasileiros,
05:08mas é um estado que, incrivelmente, tem diferentes topografias, diferentes solos, diferentes climas.
05:16Então, olhando o sul e o norte, nós vemos bruscas diferenças, como, por exemplo,
05:23Muki, uma cidadezinha pequenininha lá no sul do estado, eu botei ela lá para representar, porque é a minha cidade
05:28natal.
05:29Muki é uma cidadezinha pequena, montanhosa, com clima entre o quente e o frio, muito calor no verão e frio,
05:39bem frio no inverno.
05:41E tem bastante morro, montanhas.
05:43E aí, quando você contrasta com outras regiões, norte, por exemplo, hoteliares, aqui, por exemplo,
05:50é uma topografia totalmente plana, bem mais suave, dá para se mecanizar, dá para se trabalhar com uma outra tecnologia.
06:00Então, o sul é totalmente diferente do norte, por mais que o estado seja pequeno.
06:05E isso demonstra que não adianta a gente tomar como régua as ações que são feitas lá no sul para
06:14preservar,
06:15ou conservar, ou produzir, porque muitas vezes elas diferenciam no norte.
06:20Até mesmo o regime hídrico, tudo isso aí é diferente.
06:24A quantidade de chuva que cai no sul, a quantidade de chuva que cai no norte, isso muda muito, de
06:29uma região para outra.
06:30E na região serrana, se você passar por ali em algum momento, se vocês passarem,
06:36vocês vão ver que vocês têm ali a outra topografia, também morrada, e clima bem mais frio,
06:42que aceitam outras culturas que são diferentes das culturas aceitadas pelas regiões quentes,
06:50como região sul e norte, mas leitorânea.
06:53Bom, o que nós temos para hoje?
06:56Olha, não é raro vocês abrirem uma página na internet e observarem algumas dessas notícias, por exemplo.
07:04Seca deixa 20 municípios em situação extremamente crítica.
07:08Nós passamos realidades como essa há pouco tempo atrás.
07:12Não faz muito tempo, os ciclos das chuvas, elas vão e vêm, e a gente sofre muito com essas situações.
07:19Regiões onde não sofria com um grande déficit hídrico, como, por exemplo, a região sul do estado,
07:25elas passaram a sofrer com mais frequência déficits hídricos em comparação à região norte do estado,
07:31como, por exemplo, aqui, Linhares, São Mateus, essa região que naturalmente tem uma aridez maior.
07:38E aí, por incrível que pareça, essas situações aqui, eu quando era pequeno,
07:45eu me via naquela região sul, nunca tive problema com falta de chuva,
07:51falta de água na região sul do Espírito Santo.
07:54E eu percebi que, em determinado ponto para frente, isso aí, uns 10 anos para cá,
08:01nós temos observado que, de fato, está faltando um pouco de chuva nessa região e água.
08:07E aí, técnicas que facilmente eram aplicadas nessa região norte aqui,
08:12começaram a ser aprendidas na região sul.
08:16Mas o incrível é que a gente, eu vi as prefeituras levando produtores agrícolas
08:24da região sul para a região norte, Colatina, Linhares,
08:28para aprender técnicas de conservação de água, de preservação de solo.
08:33Por quê? Porque não era comum ter esse tipo de problema na região sul,
08:37mas na região norte já era conhecido.
08:41Outros problemas, como, por exemplo, conta de luz,
08:44tem reajuste, fica mais caro no Espírito Santo.
08:47Antes fosse só um problema do Espírito Santo, é um problema nacional.
08:52Então, pagar a conta de luz hoje é um pouco puxado,
08:57principalmente para quem usa muita energia.
09:00Outro problema, disparada no preço dos insumos.
09:04Todo mundo que mexe no setor agrícola, estudantes da área de agrária,
09:08sabem que adubo hoje está uma mina de ouro.
09:12Primeiro que você não acha, difícil de achar.
09:15Depois, quando acha, eles estão absurdamente elevados, os valores.
09:20O que deixa cada vez mais a atividade difícil,
09:24a atividade agrícola comprometida.
09:27Outra notícia, apagão de mão de obra no campo provável de dificuldade no setor agrário.
09:33Isso aqui são notícias, pessoal.
09:36Coisas recentes, não é de 10 anos atrás, não é de 5 anos, nem de 5 anos atrás, foi bem
09:41mesmo.
09:42Então, são todas notícias que nós temos vivido diariamente.
09:47E aí, eu pergunto, e agora, José?
09:51Como o caso do Mondrianidade já dizia, a festa acabou, apagou a luz, tudo acabou.
10:00E agora?
10:01Mediante tanta notícia ruim, cara, olha, o que eu posso dizer é que nós não temos muitas opções, não.
10:09Nós temos que migrar um pouquinho para uma sustentabilidade maior.
10:14Então, a sustentabilidade, ela pode ajudar a gente a superar cada uma daquelas dificuldades
10:21que foram apontadas ali, naquelas reportagens.
10:25Então, no meu ponto de vista, eu trouxe alguns elementos que são importantes serem observados e atacados
10:32para que a gente consiga promover, de fato, a sustentabilidade agrícola.
10:36Então, por onde que passa essa sustentabilidade na agricultura?
10:41Sempre de olho aqui no Espírito Santo.
10:44Primeiro, conservação de água nas propriedades.
10:48É indispensável.
10:50Sem água, a vida não acontece.
10:53Vida humana, vida vegetal, vida microbiana.
10:56Então, é necessário ter água.
10:57Se a gente quer ter produção agrícola, não existe produção agrícola se não houver um suprimento de água
11:06suficiente para sustentar a atividade.
11:08Então, nós vamos falar um pouquinho sobre cada uma delas.
11:11Conservação de água nas propriedades.
11:13Outra, preservação de solos.
11:17O nosso ganha-pão, quem trabalha no setor agrícola, passa pela conservação do solo.
11:22O solo é um bem.
11:24E assim como o petróleo, se você não cuidar, o petróleo é esgotável, o solo pode ser conservado.
11:30Ele pode ser renovado.
11:32Mas se você não tomar cuidado, você vai literalmente perder ele por água abaixo.
11:37Certo?
11:40Então, preservação de solos, depois, é o uso da matéria orgânica na agricultura.
11:45Por incrível que pareça, pessoal.
11:47A matéria orgânica, vocês vão ver que tipo de matéria orgânica eu estou falando, principalmente.
11:52Mas a matéria orgânica é um elemento da agricultura que, por muito tempo, passou despercebida.
12:02Ficou deixado de lado.
12:04Foi deixado de lado.
12:05Principalmente depois da Revolução Verde, com a adoção de novas tecnologias.
12:09Principalmente o uso de adubo.
12:11A gente passou a usar muito adubo e menos matéria orgânica.
12:15A matéria orgânica, eu considero hoje como um trunfo.
12:18Que é, na verdade, um retrocesso na história para resgatar uma tecnologia que não é moderna,
12:26porém extremamente eficiente no uso para a conservação de água,
12:32conservação dos solos e, principalmente, para otimizar adubos, por exemplo,
12:39como o que a gente usa hoje.
12:42Sustentabilidade energética.
12:44Não, não raro a gente passa por aí, tropeça em empresas que estão tentando vender sistema de energia solar.
12:54Por enquanto é o solar, mas existem outras fontes.
12:57Agora o solar, ele já é, por si só, uma fonte maravilhosa de energia disponível.
13:03Que a gente tem que usar ela na agricultura mesmo, diretamente.
13:08E é um investimento, mas é uma vez só que se faz.
13:12Importante.
13:13Cada um desses pontos eu vou abordar mais especificamente.
13:17E o último ponto que eu coloco aqui, como importante para essa palestra,
13:23é a valorização da mão de obra do campo.
13:26Não adianta a gente ter toda a condição de cultivo agrícola,
13:30todo o potencial agronômico do solo, de água, energia disponível.
13:36Mas se não tiver a operação, se não tiver o ser humano que vai lá trabalhar.
13:40Porque se não for a própria família, vai ter que contratar.
13:43A agricultura ainda faz, ainda familiar, ainda se faz agricultura com a própria mão de obra familiar.
13:49Mas nem sempre é assim.
13:51Quando se sobe a escala, você precisa de mão de obra contratada.
13:55E a mão de obra contratada, ela não é fácil hoje.
13:58Nem de qualidade.
14:00Então, é necessário cuidar bem desse ponto, que é fundamental para se manter.
14:06Então, num conjunto da obra, eu considero que esses cinco fatores, eles são fundamentais.
14:13Se a gente conseguir operar esses cinco fatores com razoabilidade dentro da atividade agrícola,
14:20a gente consegue manter uma agricultura sustentável.
14:24Ela consegue ser bastante longe...
14:28A longevidade dessa atividade consegue ser grande.
14:33Beleza.
14:34Bom, primeiro ponto ali.
14:35Aquela parte de conservação de água na agricultura.
14:38Bom, não é de hoje.
14:40Não é de hoje que alguma região falta água,
14:43que algum local, alguma outra macro região ou micro região tem déficit,
14:49títrico, falta de água.
14:51Essas regiões, naturalmente, têm que ter algumas cautelas de mecanismos de preservação de água no solo,
14:57na sua propriedade.
14:59Porque, não se iluda, a água, ela nasce do chão, mas ela não começa ali.
15:06Ela começa toda a água que chega em qualquer local, chega através de onde?
15:11Lógico, se vier de uma propriedade para cima, vem do rio.
15:14Mas até chegar ali, antes ela veio da chuva.
15:19Então, a água, o ciclo hídrico, começa com a chuva.
15:22Então, quando a chuva bate em um terreno, em um território,
15:26o produtor ou o agricultor, ou o mecanismo público que ajuda no controle dessas ações,
15:34tem que pensar em formas de guardar essa água, de reter essa água.
15:39E aí, isso não é novo, isso não é novidade.
15:42Existem várias maneiras de fazer isso aí.
15:44Eu vou passar alguns aqui, como por exemplo,
15:47inúmeras formas de conservação de água no solo já são conhecidas.
15:51Quem já ouviu falar disso aqui?
15:52Aluno estudante de agronomia deve ter ouvido falar bastante.
15:55Não é isso?
15:57Produtores devem fazer isso aí aos montes na sua propriedade.
16:01Cacha seca.
16:02Cacha seca é uma forma muito útil de preservação de água no solo.
16:07Na verdade, pega a água, ela escorre e entra aqui.
16:12E ela é infiltrada.
16:14A água, ela fica estocada ali.
16:16Com o tempo, ela passa a ser infiltrada.
16:19Em vez dela correr e vai embora ali para o curso hídrico.
16:24Outra forma de preservação, essas barraginhas, não é isso?
16:27Que é moderna.
16:28Passou até uma reportagem na semana passada, se eu não me engano.
16:32Vou retrasar.
16:33No Globo Rural, sobre como fazer essas barraginhas, são mecanismos.
16:38O que é?
16:39Se você parar para...
16:40Vou passar mais algumas aqui.
16:42Essas aqui são terraços que são feitos em propriedades, no nível da propriedade,
16:48curva de nível, para que se evite a água descer e ir embora sem uma barreira na frente.
16:55Certo?
16:56Então, terraços, preservação de nascente, preservação de mata ciliar, de curso hídrico e topo de morro,
17:07que hoje já é considerado as áreas de preservação permanente no Estado e no Brasil.
17:12Então, todas essas formas aqui, se a gente parar para observar, são maneiras de evitar que a água vá embora
17:20direto.
17:21E isso não é novo.
17:22Isso aqui é mais velho que a Coca-Cola de rolha.
17:24Então, são práticas e funcionam.
17:28Funcionam muito bem.
17:30Áreas que conseguem executar, pelo menos, algumas dessas mecanismos de preservação de água,
17:38conseguem preservar, durante muito mais tempo, a água no seu território,
17:42com o volume de água considerável, aumentando o volume de água natural,
17:47em comparação a outras propriedades que não executam esse tipo de atividade.
17:53Principalmente, se não só uma propriedade fizer, mas outras propriedades fizerem,
17:58e de formar uma bacia, ali dentro de um conjunto maior de uma bacia hídrica,
18:04que ela é maior, aí você consegue aumentar em escala essa preservação de água.
18:10Aqui é uma outra forma, o próprio plantio na agricultura, feito em nível.
18:16Plantio em nível é uma tecnologia antiga também, mas muito eficaz na retenção de água.
18:23Aqui eu trouxe um exemplo de uma propriedade que plantou café.
18:26E aqui, obedecendo perfeitamente o nível do plantio da profeta.
18:32Essas linhas azuis aqui são o nível do terreno e a lavourinha de café acompanhando o nível.
18:40Isso aí já, por natureza, dificulta a passagem da água na descida do solo.
18:44Talvez aqui nessa região mais plana, na região norte, não seja tão significativa
18:51essa preocupação, mas na região sul é muito, porque lá é muito morrado.
18:58Mas mesmo aqui, qualquer inclinação é boa.
19:01Agora, uma coisa muito interessante.
19:03Veja, a preservação do solo.
19:06Nós falamos um pouquinho de preservação de água,
19:07mas a preservação dos solos, sabe o que é mais interessante?
19:11Todas as formas que você faz de preservar a água, você também preserva o solo.
19:17Você ganha esse bônus aí.
19:19É uma atividade indissociativa.
19:22Então você consegue, se você fizer o uso correto da preservação de água
19:27na sua propriedade, você automaticamente preserva o seu solo.
19:31Mas não é só isso.
19:32Ela ajuda.
19:33Existem outras formas de se fazer a preservação de um solo.
19:37E a principal forma de fazer a preservação de um solo
19:41é quando você não deixa aquele solo completamente descoberto.
19:47Por quê?
19:48A gente vai mostrar aqui uma imagem.
19:50Ah, antes de eu entrar nessa questão de por que preservar o solo,
19:55mas aqui tem algumas fotografias de um solo bem degradado.
20:04Como é que a gente se identifica quando um solo está degradado?
20:09Essa é uma pergunta fácil, rápida, mas nem todo mundo sabe responder.
20:14Quando a gente sabe, olhando para um terreno, se um terreno, aquele solo está degradado?
20:18Alguém saberia responder aí, os que estão presentes?
20:24Sabe?
20:25Não?
20:28Sabe?
20:31Bom, um solo, ele é considerado degradado quando você começa a ver ele no terreno.
20:37Você olha uma pastagem, um morro, por exemplo, que é mais fácil de ver,
20:42porque a erosão é mais agressiva.
20:44Mas se você consegue ver o terreno, o solo mesmo, sem descobertura,
20:51ele sem estar coberto por material vegetal, viva ou morta,
20:55você pode considerar que aquele solo está em processo de degradação e avançado.
21:01E daí para lá, para ele ficar assim, começar a acontecer essas erosões, essas ossorocas,
21:07isso aí é pouco, é bem rápido.
21:09E quando você começa a agradear ele, a arar, agradear ele de cima para baixo,
21:13se na sua região tem um regime de chuva muito intenso,
21:18aquela camada de solo que aqui importa para a gente,
21:21é aquela camada de 10 centímetros, 15 centímetros.
21:24Mais fundo do que isso aí, não tem tanta fertilidade, não é um solo produtivo.
21:29A nossa riqueza está nos 10 centímetros.
21:32E se você deixa essa camada desprotegida,
21:36você está favorecendo a água levar ela embora.
21:41A natureza vai cumprir o papel dela,
21:43é aceitar a força da gravidade e levar tudo embora.
21:47Sabe por quê?
21:51Porque se não houver proteção, ela vai tudo embora.
21:54Vamos falar um pouquinho aqui, então, o uso da matéria orgânica no solo.
21:57Aí eu vou voltar um pouquinho nessa parte inicial,
21:59vou falar o que eu queria falar nessa parte.
22:02Quando a água da chuva bate no solo, o que acontece com ela?
22:08Gente, a água da chuva, quando ela bate na estrutura do solo,
22:12não pense que o solo são grãozinhos individuais.
22:16Não é como um grão de areia.
22:18O solo é um aglomerado de partículas
22:22que estão conectadas por ligações que são atrativas umas às outras.
22:28muitas vezes ligadas à matéria orgânica solo ou solo-solo.
22:32O fato é que quando bate uma gota d'água no solo nu,
22:36no solo descoberto,
22:39ela bate feito uma granada naquela microposição ali.
22:44E ela explode mesmo.
22:46Ela explode tudo que tem ali.
22:48Ela vai estilhaçar aquela estrutura
22:51que estava sendo formada, que era formada naturalmente.
22:54E quando ela desmorona essa estrutura,
22:57ela simplesmente fica fácil para ela carregar a gota da chuva
23:02e aí vai embora pela enxurrada.
23:05Por isso que o solo não deve ficar descoberto.
23:08Porque a água da chuva, ela destrói ele.
23:12Qual é a solução para isso?
23:13Cobertura.
23:15Cobertura é a melhor forma de se manter
23:18o solo protegido da chuva.
23:21Olha, você vê pessoas, né?
23:23Solo protegido da chuva, mas a gente precisa de chuva?
23:26Claro que precisa.
23:27Mas a chuva, ela tem que bater ali e não destruir ele.
23:30Só penetrar.
23:31Só entrar.
23:32Ok?
23:33E aí nós temos várias formas de proteger o solo.
23:36Através de material morto ou material vivo.
23:39Na verdade só duas, né?
23:40Duas aqui.
23:41Então, ou você mantém uma cobertura morta aqui, ó.
23:46Nas entrelinhas do seu plantio, na região onde você está cultivando,
23:50ou você simplesmente cobre aonde você puder com o material morto.
23:56Você, ah, esse material morto eu vou arranjar onde?
23:58Você pode fazer até um plantio para isso.
24:01Através de quê?
24:02De algumas culturas que a gente chama de adubo verde.
24:05Não é isso?
24:06Você tem várias espécies que servem para esse propósito de fornecimento mesmo de
24:11matéria orgânica, né?
24:13Ou até mesmo um resto de cultura que ficou da lavoura anterior.
24:17A atividade muito comum para esse tipo de coisa é o plantio direto, que já é conhecido
24:22na região sul do Brasil, centro-oeste, que você planta a lavoura em cima da palhada
24:27da cultura anterior, que seja milho ou que seja a soja.
24:32Mas o solo nunca é descoberto.
24:37Por que é importante...
24:39Eu falei um pouquinho aqui agora da importância da matéria orgânica.
24:43Matéria orgânica é material vivo, morto ou vivo.
24:47Material morto ou vivo acima da superfície.
24:50Por que é importante ela ficar acima, proteger acima?
24:54E agora eu vou falar um pouquinho por que ela é importante proteger abaixo.
24:58Abaixo da superfície.
25:00Olha aqui.
25:00Como eu falei para vocês, os grãos de terra, os pedaços, torrões de terra, eles são
25:05unificados aqui entre partes da própria matéria dela.
25:10Por ligação iônica, ligação de atrações ali entre os elementos que tem na superfície
25:17de cada partícula, mas isso aqui é naturalmente.
25:21E isso é facilmente instruído.
25:24Agora, quando você adiciona matéria orgânica misturada naquele solo, aí você transforma.
25:31A vida transforma.
25:34Você faz com que aquele solo se torne mais permeável, mais aerado, mais estruturado,
25:45porque você adicionou um elemento que não existia ali, e esse elemento, que é a matéria
25:51orgânica, ele é riquíssimo.
25:53Riquíssimo em partículas e cargas.
25:55E essas cargas se conectam às partículas de solo, formando outro tipo de estrutura.
26:01É uma estrutura muito mais interessante do que essa estrutura básica aqui.
26:06Que estruturas...
26:07Eu vou falar mais um pouquinho aqui.
26:09Aí o solo, a tendência de um solo com bastante matéria orgânica é ele ficar escuro.
26:13Ele é um solo enegrecido, é um solo preto.
26:17Por que que ela é importante...
26:20Abaixo, continuando aí, então...
26:21Aí, olha só.
26:23Aqui que eu queria falar.
26:25Uma partícula de matéria orgânica.
26:27A matéria orgânica, quando ela é decomposta, aí eu já estou falando de matéria orgânica
26:30decomposta.
26:31Aqui, ela estava lá na superfície, não estava decomposta, não.
26:34Ok?
26:34Elas estão lá conservadas, vamos dizer assim, mas não foram decompostas.
26:39Essa daqui é uma matéria orgânica decomposta.
26:42Ou seja, micro-organismos já atuaram nela, quebraram ela.
26:45Elas estão em uma condição muito mais estável.
26:49Certo?
26:49A condição de estabilidade da matéria orgânica muito comum é o húmus.
26:53E aí você já deve ter ouvido falar de húmus.
26:56Húmus é uma partícula da matéria orgânica bem pequena, parecida com argila.
27:02Só que ela tem muito mais carga do que argila.
27:05E aí, quando ela apresenta esse tanto de carga aqui, ela consegue interagir com as partículas
27:11de solo, mas ela também consegue interagir, sabe com o quê?
27:16Com adubo, com corretivo de solo, com um monte de coisa que a gente coloca para otimizar
27:23a produção agrícola.
27:25Certo?
27:26Esse é o grande segredo da matéria orgânica.
27:28Ela serve como se fosse um banco de reserva, a matéria orgânica.
27:33Porque, além da própria liberação dos nutrientes contidos na sua própria matéria,
27:40na sua própria matriz, ela serve como um banco de reserva, porque ela agarra os nutrientes
27:46que estão presentes no adubo, que são liberados lá na produção, lá no solo, e fica ali guardando.
27:54Quando ela vai se decompondo lentamente, ela vai liberando lentamente para as plantas utilizarem.
28:03Aqui nós temos todos os principais elementos essenciais para as plantas.
28:08Em relação ao tipo de matéria orgânica, a gente pode usar de qualquer tipo de matéria orgânica.
28:14Certo?
28:15Algumas são muito comuns.
28:17Como é que a gente faz para ter uma matéria orgânica de qualidade?
28:20Na verdade, matéria orgânica, você pegar o resto de qualquer palhada,
28:24até a gente, se a gente morrer e ficar ali num canto, uma hora vai ser decomposto,
28:29vai se transformar em matéria orgânica em algum momento, morta ali,
28:34e vai voltar para a natureza.
28:37Agora, existem técnicas agrícolas de se produzir matéria orgânica de qualidade.
28:42Essa técnica, uma das técnicas mais comuns, é o processo de compostagem.
28:48Compostagem da matéria orgânica, e ali existem várias técnicas de compostagem,
28:52para se produzir a matéria orgânica, mas ela é uma técnica fabulosa,
28:56porque é um processo de decomposição rápida da matéria orgânica,
29:00que você consegue chegar ali, naquele processo de produção de matéria orgânica,
29:04a temperatura de até 70 graus.
29:06O que elimina uma série de patógenos que existem, ou na matéria orgânica, ou no solo,
29:11que pode eventualmente estar ali no meio.
29:15Plantas daninhas, que é uma tristeza para usar matéria orgânica,
29:20quando está muito infestada em plantas daninhas.
29:22Então, existem várias formas, e a compostagem é uma das melhores formas
29:27de se usar a matéria orgânica.
29:29Não cabe aqui, nessa palestra, falar sobre processo de compostagem.
29:33Quem quiser mais informações, é fácil de achar.
29:37Aqui, só mostrando alguns exemplos, sou pesquisador também, lá pelo IFES,
29:41e aqui a gente estuda vários tipos de compostagem, para produção de matéria orgânica,
29:47e aqui uma coisa interessante, esse foi um experimento que nós fizemos lá, no IFES,
29:52onde nós produzimos diferentes compostagens, com diferentes fontes de matéria orgânica,
30:00com esterco de galinha, com esterco de suíno, com esterco bovino, com lodo de gurtume,
30:06e com palha de café.
30:07Todos eles com palha de café.
30:09E aí, a gente pode ver que, de acordo com o tipo de material,
30:14há uma diferença de elevação de temperatura em cada um deles, está vendo?
30:19Por conta da própria natureza daquela fonte de matéria orgânica.
30:23E é lógico que, eu já vou adiantar para vocês, em termos de qualidade de matéria orgânica,
30:29nutricionalmente, condição de estabilidade dela,
30:33matéria orgânica com cama de frango é espetacular.
30:36Depois, na sequência, a matéria orgânica com esterco de suíno é espetacular também.
30:43Depois, na sequência, aí você vem esterco bovino, esterco caprino e por aí.
30:47Olha, eu, quando eu comecei meu curso de agronomia, lá embaixo, lá em 1998,
31:00eu cursei meu curso, é um curso tradicional,
31:03eu não acreditava, de fato, muito na força, no poder da matéria orgânica, não.
31:09Pela minha formação, pelo meu ceticismo mesmo, na condução desse tipo de informação,
31:17mas, ao longo da minha vida acadêmica, como já profissional,
31:21eu fui me deparando em algumas situações em que me fizeram acreditar o potencial.
31:28Isso aqui são mudas de aroeira, produzidas.
31:32Essa, essa, essa, essa, esse tratamento 3, 4, 5, 6, 7,
31:36são matéria orgânica, são diferentes fontes de matéria orgânica usadas para a produção de essa muda aí.
31:47E produziram essa aqui.
31:48Lógico que tem diferença entre essa, essa, essa e essa, essa.
31:52Isso aí é da natureza do tipo de matéria orgânica que eu estava usando.
31:56Agora, perceba qual que é a diferença dessas duas aqui.
32:02Vocês estão enxergando essas duas aqui?
32:04Pois é, essas duas ali, essa daqui é o solo só com adubo,
32:10e essa daqui é só o solo.
32:12Então, posso dizer como, melhorou um pouquinho aqui, sim.
32:17Mas, em relação a isso aqui, não tem comparação.
32:20E aí, eu comecei a acreditar, rapaz, não é que isso faz diferença mesmo?
32:23Entendeu?
32:24Mas, é na vida que a gente aprende mesmo, né?
32:28No decorrer.
32:28Opa, passei para frente aqui.
32:30Para trás.
32:30Esse aqui é a mesma coisa, aconteceu.
32:32Esse aqui já é muda de maracujá.
32:34Usando diferentes fontes de material orgânico.
32:37Aqui, os dois últimos aqui com adubo e terra só.
32:43É isso?
32:43Então, eu passei a acreditar que, realmente,
32:46aquelas propriedades que eu expliquei para vocês ali atrás,
32:49da matéria orgânica,
32:50ela faz toda a diferença.
32:53E de onde pode vir essa fonte de material orgânico?
32:56Dentro do nosso estado, né?
32:58Ó, agropecuária.
33:00Tem se falado aí bastante, nesse palco principal aí do lado aí.
33:04Como a pecuária, ela é importante dentro do estado, né?
33:07E ela também produz resíduo.
33:09E esse resíduo é uma riqueza enorme que a gente tem que aproveitar.
33:13Lógico, tem que ter alguns cuidados, né?
33:16Para o uso dessa matéria orgânica aí.
33:17Não pode ter aplicado aí o 2,4-D, o tórdo.
33:22Porque, senão, você pode matar as outras plantas que vêm depois.
33:25São algumas peculiaridades.
33:27Mas ela pode vir da pecuária, tanto da agropecuária, né?
33:31Aí a bovina, a suína, a caprina e aves.
33:36Você pega a região serrana nossa, do Espírito Santo,
33:39aquela região Santa Maria de Getibá, Santa Leopoldina, Santa Tereza,
33:44Domingos Martins.
33:45Aquela região é uma granja de fora a fora.
33:48Até Domingos Martins e Venda Nova.
33:51Ali se produz muita fonte de matéria orgânica, de rica,
33:55que são as camas de ave.
33:56O pessoal já usa muito para a horticultura, né?
33:59E a gente agora está começando a explorar um pouquinho mais
34:03para outras atividades, como fonte de nutrição para a planta.
34:08A suíno, nós temos um dos principais produtores de proteínas suíno no estado,
34:14a Corfrio, que hoje tem um problema enorme
34:17com a destinação de resíduos dos suínos.
34:22E nós poderíamos aproveitar todo esse material com essa compostagem.
34:29Como eu disse para vocês, a compostagem suína é uma das melhores que se produz,
34:34que tem.
34:35Então nós temos só que aprender a usar essa tecnologia
34:39para aproveitar essa fonte de recurso.
34:42E a caprina e a equina, o que tiver, tudo isso é possível ser usado.
34:48Mas não é só a agropecuária que produz resíduo aproveitável na agricultura.
34:54Claro que não.
34:55A indústria e as agroindústrias também produzem bastante.
34:59Vou dar um exemplo para vocês de uma empresa que é parceira dos nossos trabalhos,
35:04que começou lá em 2011.
35:07Ali em Baixo Guandu, no município de Baixo Guandu,
35:10tem uma indústria de curtume.
35:14É uma indústria de couro.
35:16Se me permite cumprimentar a Humberto e Fernando,
35:20os sócios da empresa, da Capixaba Couros.
35:22Eles produzem, quando a indústria está a todo vapor,
35:27uma quantidade de resíduos que pode chegar a 50 toneladas por dia.
35:31E aí a gente já entra em escala industrial.
36:02Obrigado.
36:04Obrigado.
36:06Obrigado.
36:06Obrigado.
36:07Obrigado.
36:11Obrigado.
36:23Obrigado.
36:25Obrigado.
36:53Obrigado.
37:06Obrigado.
37:08Obrigado.
37:21Obrigado.
37:22Obrigado.
37:35Obrigado.
37:37Obrigado.
37:50Obrigado.
37:51Obrigado.
38:04Obrigado.
38:06Obrigado.
38:34Obrigado.
38:37Obrigado.
38:37Obrigado.
38:37Obrigado.
Comentários