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  • há 20 horas

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Transcrição
00:00Olha, presidente, eu vou utilizar, eu vou manter o rito de Brasília, tá?
00:04Eu vou lhe referenciar como presidente sempre como o cargo mais alto, tá?
00:08Então eu vou utilizar esse termo e você, amigo da audiência, não estranhe.
00:15Mas, presidente Aécio, eu quero justamente pegar esse gancho
00:20que o senhor colocou agora há pouco sobre a Lava Jato.
00:24O senhor coloca-se como pré-candidato à presidência da República
00:29há, de forma muito clara, duas bolhas ideológicas,
00:34dois aspectos políticos muito densos, que é o petismo e o bolsonarismo.
00:40Nós sabemos que qualquer candidato, e aí do campo da direita,
00:46para ele conseguir chegar a um segundo turno, ele precisa furar essa bolha do bolsonarismo.
00:53E no seu caso, presidente, ainda há esse passivo todo da Lava Jato.
00:57O senhor explicou para a gente que, enfim, que o senhor foi inocentado,
01:02que o tempo cura tudo.
01:04Mas a pergunta que eu lhe faço é a seguinte.
01:07Como o senhor vai conseguir convencer esse eleitor, principalmente aquele eleitor de 2014,
01:13que votou no senhor, que teve a esperança de um Brasil melhor,
01:18que imaginou Aécio o presidente, que imaginou que o Aécio poderia furar o PT naquele período,
01:25esse eleitor quis que, com o tempo, ele se sentia um pouco traído pelas revelações da Lava Jato,
01:32por tudo aquilo que o senhor, inclusive, narrou para a gente.
01:35Como é que o senhor vai conseguir convencer esse eleitor de que, de fato, o senhor é inocente?
01:43Que tudo não passou de uma armação?
01:46E, principalmente, como furar essa bolha do bolsonarismo, presidente?
01:52Oi, eu só agradeço a sua pergunta.
01:54E não sei se eu serei candidato e se eu conseguirei furar essa bolha.
01:59Mas quem disse que eu sou inocente não sou eu, é a justiça.
02:03E eu estou dando aqui os fatos.
02:05Quem construiu isso, e isso, do ponto de vista, na época da mídia, foi algo avassalador,
02:11foi aquele que é hoje recompensado pelo governo.
02:15Repito, é o grande sócio do governo.
02:18Essa é a realidade.
02:20Eu construí, Wilson, naquele momento, com as figuras mais qualificadas do país,
02:24um projeto de transformação.
02:26Eu queria fazer o governo mais transformador da história do Brasil.
02:30A minha área econômica ia ser conduzida pelos pais do Plano Real.
02:34Talvez algo que eu não tenha ainda revelado com detalhes,
02:37numa determinada reunião, Armínio, que seria o nosso ministro da Economia,
02:41com todos os outros, André Lara Rezende, Edmar Baixa, Pedro Balan e tantos outros,
02:46eles se dispuseram a sair das suas empresas e virem para o governo
02:50para, em quatro anos, fazermos todos os ajustes necessários
02:54para o Brasil dar um salto de qualidade.
02:56A minha gestão não seria de um partido político, seria dos melhores.
03:01No domingo, em que eu perco a eleição, eu ia anunciar, se venço, claro, as eleições,
03:06quem seria o chanceler do Brasil, que tinha, depois de relutar um pouco
03:10por objeções da família, aceito o meu convite.
03:13Ele se chama Fernando Henrique Cardoso.
03:15Nós íamos ter Fernando Henrique como nosso chanceler,
03:18Armínio como nosso ministro da Economia.
03:20E o Brasil trocou isso pelo Guido Mantega, essa nova matriz econômica,
03:25dono da nova matriz econômica, esse mesmo, que anda aí de braço dado,
03:29ganhando um milhão de reais do senhor Vorcaro,
03:31para levá-lo ao presidente Lula, dentro de outras coisas.
03:36E o dano foi tão grande, tudo que eu alertava em 2014,
03:40de que o Brasil ia quebrar, nós íamos ter um déficit de mais de 3,5% do PIB,
03:44eram 13 milhões de desempregados, o Brasil não podia continuar naquela rota,
03:49o dano foi tão grave que a presidente sequer consegue ficar no cargo.
03:53E eu volto, tentando responder a sua pergunta,
03:56não para convencer alguém a votar em mim, porque provavelmente nem candidato eu serei,
04:00mas eu tenho o dever de alertar que o Lula 3 terminará exatamente igual ao de 1 a 1.
04:08Nós estamos caminhando para um déficit do PIB...
04:11Ao de 1 a 1 ou ao de 1 a 2, presidente?
04:14De 1 a 1, de 1 a 1, naquele momento era o de 1 a 1, era o final...
04:17É, de 1 a 1 foi esse que quebrou o Brasil,
04:20depois ela tem o metade do de 1 a 2, porque não teve o de 1 a 2 completo.
04:24O final, quando eu discutei a eleição...
04:26É, porque assim, a minha teoria é que se o presidente Lula for reeleito,
04:30vamos acabar com o Lula 4, vai ser o de 1 a 2.
04:35É, então exatamente, então nós estamos comparando, exatamente,
04:38você está concordando comigo, né?
04:39Esse Lula 3 com o Dilma 1, porque hoje a nossa dívida bruta já chega em 84% do PIB,
04:47era 62%.
04:48E o déficit é esse...
04:51Olha, eu vi um documento da Federação das Indústrias de Minas hoje pela manhã,
04:55ou isso, né?
04:56É muito bem feito, que já estima em mais de 200 bilhões o custo dessas benesses eleitoreiras do governo Lula.
05:04Isso pode significar lá na frente o impacto de pelo menos 0,5% na inflação.
05:09Qual a consequência disso?
05:10Banco Central mantendo a taxa de juros elevada, né?
05:14O Lula questiona a taxa de juros alta,
05:17mas com essa política fiscal expansionista, irresponsável, gastadora,
05:21ele é que atua para mantê-la nesses níveis.
05:24O Brasil rompe com isso e coloca no lugar um governo que planeje,
05:30que tenha coragem de tomar as medidas duras,
05:34muitas delas de controle do déficit, de controle de gastos,
05:37ou infelizmente, meu amigo, qualquer um dos dois que hoje se projetam como prováveis vencedores,
05:46vão levar o Brasil a um caos, acredito eu,
05:49parecido com aquele que nós vivemos aí sim no início do Dilma 2.
05:52Esse é o meu sentimento hoje.
05:54Deputado, vamos voltar então a esse momento em que está acontecendo a Lava Jato
06:01e todos os políticos importantes conhecidos daquela época começam a cair.
06:09O Lula vai preso, um monte de coisa acontece.
06:13Acontece que depois de ser preso, o Lula se reelege presidente da República
06:18e o PT, apesar de estar no centro da Lava Jato, em diversos sentidos,
06:24é um partido que está vivo.
06:27O PSDB, no entanto, ao se ver envolvido naquele escândalo,
06:34começa a desmontar e vai desmontando, desmontando, desmontando,
06:39a ponto de ser hoje uma sombra pálida do que foi 20 anos atrás.
06:47Por que o PT conseguiu dar a volta por cima e o PSDB se desmilinguiu?
06:57Olha, você está sendo muito duro, mas eu aceito a tua crítica.
07:02Realmente, nós perdemos muita força, mas não perdemos as nossas virtudes.
07:07Nós somos o único governo que não se submeteu esse tempo todo.
07:11Nem o bolsonarismo, desculpe, nós somos o único partido que não se submeteu.
07:14Nem o bolsonarismo, nem o lunipetismo.
07:16Isso também nos custou muito caro.
07:19Nós fomos impedidos, em 1922, de ter uma candidatura à presidência da República.
07:23Ali, sim, eu acho que foi o momento do maior equívoco do PSDB,
07:27porque um projeto regional, no caso, um projeto de São Paulo,
07:31se sobrepôs ao projeto nacional do PSDB.
07:34Portanto, o partido foi abandonado no restante do Brasil.
07:37Os recursos e atenção foram focadas em São Paulo.
07:42Houve ali até uma vinculação das principais figuras, à época do partido,
07:46ao bolsonarismo e nós sequer chegamos ao segundo turno das eleições.
07:51Eu não sei te dizer por que o PT conseguiu,
07:55mas o PT realmente enfrentou aquelas questões da forma deles e está aí vivo.
08:00Eu continuo sendo a mesma pessoa de antes de 2014 e de depois de 2014,
08:06acreditando que o Brasil merece algo diferente.
08:09E aconteceu, Trebe, algo muito curioso nessas últimas semanas.
08:12Eu vou ter a ser procurado por aquelas pessoas que nos ajudaram na construção daquele projeto de país.
08:18E nós estamos desenhando, sim, um projeto novo de gestão.
08:22O Brasil precisa de, na verdade, um novo plano real,
08:24de um grande pacto, de uma decisão firme,
08:28do ponto de vista da política fiscal,
08:30para invertermos essa curva perversa que nós estamos vivendo hoje.
08:34Vamos ter êxito?
08:35Eu não sei.
08:36É provável até que não.
08:38Mas eu não pecarei pela omissão.
08:42Tenho, sim, conversado, inclusive fora do PSDB,
08:45com gente da sociedade, com empresários,
08:47com outros partidos políticos,
08:49recebi manifestações do Solidariedade do Paulinho da Força,
08:53do Cidadania do Alex Manente e Roberto Freire,
08:56do meu próprio partido,
08:57com as lideranças que eu aqui me referi,
08:59em especial do Ciro Gomes, do Tasso,
09:02que querem construir um projeto alternativo.
09:04Se alguém surge nesse caminho, com esse projeto,
09:07poderá ter o nosso apoio.
09:09Eu não brigo por uma candidatura.
09:11Eu já vivi, já dei a minha contribuição ao país.
09:14Eu não tenho dúvidas que, se em 2014,
09:17a decisão do eleitorado fosse outra,
09:20o Brasil era outro.
09:21Não tenho a menor dúvida em relação a isso.
09:24Mas eu continuo acreditando que o caminho no centro,
09:28meus caros Wilson, Graeb e Duda,
09:31e aqueles que nos acompanham,
09:32é o que tem chance de derrotar o lulopetismo.
09:35Porque se nós viermos novamente,
09:38colocando no segundo turno,
09:40uma candidatura da extrema-direita,
09:43essa parte, vamos dizer assim,
09:45móvel do eleitorado,
09:47que hoje vota muito mais
09:48pela rejeição a um candidato e vota no outro,
09:52do que pela aprovação a esse que merece o seu voto.
09:56Eu temo que ela faça o movimento novamente,
09:59como fez nas últimas eleições,
10:00para o PT e daí a consequência nós sabemos qual é
10:06de termos mais quatro anos aí do lulopetismo.
10:08Ao contrário, um candidato que construa uma alternativa ao centro,
10:13ele naturalmente terá lá na frente o apoio da direita
10:16e poderá, negociando com ela,
10:18construir um projeto transformador de país.
10:20É o que eu penso.
10:30É o que eu penso.
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