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  • há 2 dias
Conteúdos:

- Globalização;
- Ordens mundiais (ordem bipolar, ordem unipolar, ordem multipolar e ordem unimultipolar);
- Guerra Fria (Estados Unidos x União Soviética ou capitalismo x socialismo);
- Meio técnico-científico-informacional (meio natural, meio técnico e meio técnico-científico-informacional; espaços luminosos e espaços opacos);
- Regionalizações do mundo (centro, semi-periferia e periferia; desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos ou em desenvolvimento; Sul Global e Norte Global; 1º mundo, 2º mundo e 3º mundo);
- Desenvolvimento e qualidade de vida (Índice de Desenvolvimento Humano - IDH e PIB per capita).
Transcrição
00:01revisão para a prova de geografia do terceiro ano.
00:04Então aqui nós temos aquele mapa mental que já foi apresentado e disponibilizado no Classroom
00:08e nós temos então uma visão geral deste mapa mental
00:12mostrando mais ou menos tudo aquilo que nós vimos neste primeiro trimestre
00:15e como que as coisas se conectam.
00:18A gente vai fazer uma apresentação do ponto de vista cronológico,
00:22então vamos começar da primeira aula do que nós vimos
00:25e aí a gente vai ver como que as coisas vão se conectando
00:28e a partir desse momento não necessariamente na ordem das aulas.
00:32Então a primeira coisa que nós vimos neste ano letivo foi o conceito de globalização.
00:36Bom, globalização, como o próprio nome sugere,
00:40ele tem as duas palavrinhas aqui que basicamente definem o que são, né?
00:43Então global e ação, ou seja, uma ação global.
00:47Em termos mais técnicos, o que isso significa?
00:50Significa que é um processo de interação, aliás, integração, interrelação
00:55e, consequentemente, interdependência do mundo.
00:59O que isso significa?
01:00Significa que na globalização, os países do mundo estão mais ou menos conectados uns aos outros,
01:06integrados e se relacionando do ponto de vista, por exemplo, comercial, de serviços, cultural e assim vai.
01:14Uma coisa importante de ressaltar nisso é que esse processo de integração comercial
01:18ele vai gerar um processo de interdependência.
01:21Qual que é a ideia da interdependência?
01:24É que assim, por exemplo, o Brasil, ele não produz tudo aquilo que ele consome.
01:28O Brasil, ele é um país relativamente industrializado,
01:32mas a maior parte das nossas exportações são de commodities,
01:35ou seja, produtos alimentícios, produtos do agro, produtos da mineração,
01:40por exemplo, ferro, soja, algodão, carne de gado e assim vai.
01:45E aí muitos produtos industrializados nós compramos de fora.
01:48Ou seja, enquanto o Brasil alimenta outros países do mundo que precisam do Brasil para isso,
01:54o Brasil precisa de vários outros países para comprar, por exemplo, produtos industrializados.
01:59Ou seja, o aumento da integração, os países se especializando em algumas cadeias produtivas,
02:05vai fazer com que passe a existir uma interdependência entre os países.
02:10Eu dependo do outro para comprar certas coisas,
02:13assim como o outro depende de mim para comprar as coisas que eu produzo.
02:16Bom, essa globalização, ela pode ser vista do ponto de vista econômico, social, político e cultural.
02:24O econômico, então, tem a ver com a troca dos produtos, troca de serviços,
02:28a produção e a exportação destes bens.
02:30Social, a gente pode pensar, por exemplo, nos movimentos sociais que são globalizados.
02:34Então, sei lá, a sigla LGBTQIA+, tem ali, então, leis lésbicas, gays, bissexuais, trans,
02:44e o que significa queer, que é uma palavra em língua inglesa.
02:48Simplesmente o fato de nós dizermos aqui no Brasil a sigla LGBTQIA+,
02:52e sendo o que uma palavra da língua inglesa,
02:55mostra como o movimento LGBT, assim como outros movimentos,
02:58estão, sim, num panorama internacionalizado.
03:02Do ponto de vista político, nós podemos ver que vários movimentos,
03:06como, por exemplo, a ascensão da extrema-direita,
03:07que nós estamos vivenciando nos últimos anos,
03:10ela tem também um quesito global, um quesito internacional,
03:13onde nós podemos achar políticos correlatos uns aos outros
03:15em diferentes países do mundo, né?
03:17E ela é também do ponto de vista cultural.
03:19Basta pensar nos produtos que vocês consomem, produtos culturais, né?
03:23Então, por exemplo, vocês ligam no Spotify e ouvem artistas americanos,
03:28artistas europeus, artistas asiáticos, e assim vai.
03:31Ou na questão do cinema, na questão das séries, na questão do esporte, e assim vai.
03:37E essa globalização, gente, é preciso destacar que ela é desigual.
03:41Sim, ela tem um quesito desigual.
03:43E aí nós temos que nos perguntar,
03:45quem ganha com ela e quem perde com ela?
03:49Dentro de um país, nós podemos ter aqueles que são vencedores e aqueles que são perdedores.
03:53Por exemplo, dentro dos Estados Unidos, né?
03:56Um dos fatores do crescimento do Trump é que alguns empregos industriais se perderam.
04:01Por exemplo, a Ford, a GM, que é a dona da Chevrolet,
04:05elas são empresas americanas da cidade de Detroit.
04:08Mas, enquanto hoje em dia a sede dessas empresas fica lá em Detroit,
04:12a fábrica não mais.
04:14Ou, pelo menos, não todas as fábricas que existem da Ford e da GM.
04:18O que acontece?
04:20Quando as empresas estão tentando lucrar cada vez mais,
04:24elas vão sempre olhar para o custo do produto.
04:25E o custo do produto pode ser reduzido se tu pagar menos mão de obra,
04:29pagar mais barato na matéria-prima,
04:31não respeitar a legislação ambiental, e assim vai.
04:33O que acontece, então?
04:36Algumas empresas vão abrir indústrias em outras partes do mundo.
04:39E aí uma indústria que antigamente estava nos Estados Unidos não está mais.
04:43Dentro dos Estados Unidos, então, nós temos, por exemplo, estes perdedores.
04:47Mas os Estados Unidos também têm as grandes empresas de tecnologia do mundo.
04:50Então, a Microsoft, a Apple, a Google, a Amazon, a Tesla,
04:54que vendem produtos para o mundo inteiro.
04:56Então, ela também é uma vencedora.
04:58Ou seja, dentro de um mesmo país, temos os ganhadores e temos os perdedores.
05:02Mas, de modo geral, nós também podemos pensar em países que ganham
05:05e que, como um todo, perdem.
05:07A China talvez seja um dos países que mais tenham vencido nessa globalização, né?
05:13A globalização, gente, ela vai ser...
05:15Ela vai ser criada, ela vai acontecer em função de dois grandes motivos, né?
05:21Então, nós temos um deles sendo a consolidação do capitalismo
05:26e outro, o avanço das tecnologias.
05:29Para a gente entender a globalização a partir da consolidação do capitalismo,
05:33nós podemos verificar, então, que a consolidação do capitalismo
05:37significa, na verdade, a vitória do capitalismo.
05:39E a vitória do capitalismo, ela aconteceu quando?
05:42Ela aconteceu quando aconteceu, então, o final da Guerra Fria.
05:45O que foi a Guerra Fria?
05:47A Guerra Fria foi um período que aconteceu entre a Segunda Guerra Mundial,
05:51ou seja, o final dela, e 1991.
05:54Por que essa data específica?
05:55Porque é 1991 que a União Soviética acaba.
05:58E a União Soviética, ela era a grande representante do socialismo, né?
06:02E a Guerra Fria foi basicamente um conflito
06:05entre dois sistemas políticos e econômicos diferentes.
06:07Os Estados Unidos representando o capitalismo,
06:09junto com várias outras nações,
06:11e a União Soviética representando o socialismo.
06:14O mundo, nessa época, se viu basicamente dividido
06:16entre duas esferas de influência dessas duas grandes superpotências.
06:20Uma parte do mundo mais alinhada aos Estados Unidos
06:22e outra parte do mundo mais aliada à União Soviética.
06:25Quando nós pensamos nisso, então, nós temos que considerar
06:28que a Guerra Fria, ela recebe esse nome de fria
06:32porque ela não teve um conflito direto entre esses dois países.
06:36Mas isso não significa que não houve um confronto indireto
06:39ou confronto por outras vias, né?
06:41Além da arma, né? Além da matança.
06:44Nós tivemos, por exemplo, a corrida em torno do armamento,
06:47que foi o que a gente chamou de corrida armamentista.
06:49Além disso, nós tivemos também a corrida por tecnologia e espionagem,
06:54que foi, mais ou menos, o que nós chamamos de corrida espacial.
06:58A corrida espacial, embora tenha tido o homem indo para a Lua,
07:02a corrida do homem à Lua,
07:03na verdade, ela era uma corrida muito maior
07:05do que simplesmente levar o homem à Lua ou ao espaço.
07:09Na verdade, ela era uma disputa por desenvolvimento de tecnologia,
07:12por exemplo, espacial, e também por espionagem, né?
07:15Basta pensar nas imagens de satélite
07:17que nos permitem ver o que está acontecendo do outro lado do mundo.
07:20E a gente pode tirar a imagem de satélite a cada minuto, a cada hora,
07:23e aí ver, paulatinamente, o que está mudando.
07:26Então, a corrida espacial foi uma corrida em torno muito da tecnologia,
07:30e a corrida armamentista, o desenvolvimento da bomba nuclear e outras armas.
07:34Mas a Guerra Fria foi, sobretudo,
07:36uma corrida por influência e preponderância econômica.
07:40Ou seja, quem tinha a maior capacidade de influenciar o mundo
07:43e quem era capaz de gerar mais riqueza
07:46e, portanto, trazer aliados para o seu lado.
07:51A Guerra Fria, ela gerou o que nós podemos chamar de ordem bipolar.
07:56O que foi a ordem bipolar?
07:58A ordem bipolar, ela está dizendo no seu próprio nome, né?
08:01Bi significa dois e polar significa polo.
08:05Essa ordem bipolar, então, ela tinha como dois grandes polos
08:08os Estados Unidos e a União Soviética.
08:10A partir dessa designação, nós temos, então, três grandes mundos, né?
08:15Já falando, então, um pouco das regionalizações que nós temos no mundo.
08:17O primeiro mundo são, então, os países capitalistas, ricos.
08:21O segundo mundo são os países socialistas.
08:24Notem que, hoje em dia, a União Soviética não existe mais.
08:27Então, essa denominação de segundo mundo,
08:30ela está mais ou menos em desuso, assim como o primeiro e terceiro mundo.
08:34Falando do terceiro mundo, o que ele significa?
08:36O terceiro mundo são os países capitalistas, pobres,
08:39ou aqueles países que não eram nem alinhados à União Soviética
08:42e nem alinhados aos Estados Unidos.
08:44O Brasil é considerado um país de, então, terceiro mundo,
08:48porque o Brasil foi um país alinhado aos Estados Unidos,
08:52um país capitalista pobre.
08:55Basta lembrar que, durante a ditadura militar,
08:58que aconteceu de 1964 a 1985,
09:00o Brasil foi, sim, mais próximo dos Estados Unidos,
09:04inclusive tendo o golpe militar como uma espécie,
09:07como uma espécie de patrocínio dos Estados Unidos
09:09para que acontecesse esse alinhamento mais direto.
09:13A ordem bipolar, então, gente, ela não durou para sempre.
09:17Ela não é a ordem que nós temos hoje.
09:18Hoje em dia, nós temos uma ordem que vai depender muito do pesquisador,
09:22vai depender muito do professor.
09:23Então, alguns pesquisadores vão dizer que é uma ordem unipolar,
09:26outros vão dizer que é uma ordem multipolar,
09:28e outros ainda vão afirmar que a ordem é unimultipolar.
09:32Ou seja, ela é unipolar e multipolar ao mesmo tempo.
09:36Por que ela é unipolar?
09:37Por que nós podemos considerar o ponto de vista militar, por exemplo?
09:41Do ponto de vista militar, nós temos, sim,
09:43uma preponderância de Estados Unidos e OTAN.
09:46Algumas outras potências, elas correm atrás,
09:48por exemplo, Rússia, China, Índia, etc.
09:52Mas Estados Unidos e OTAN, elas têm, sim, um poderio militar maior, né?
09:56Lembrando que OTAN significa Organização do Tratado do Atlântico Norte.
10:00Então, ela é uma organização alinhada aos Estados Unidos.
10:03E vai ter vários países europeus junto, né?
10:05Então, quando nós falamos de OTAN, nós falamos de Estados Unidos,
10:08mas falamos também da Europa Ocidental.
10:10E do ponto de vista econômico, ela pode ser considerada multipolar,
10:15com várias potências disputando hegemonia ou disputando relevância, preponderância.
10:20Os Estados Unidos é a maior de todas,
10:22mas nós temos, hoje em dia, a China disputando quase que pau a pau com os Estados Unidos,
10:27além da União Europeia, Japão, o crescimento da China,
10:30aliás, o crescimento da Índia, até o Brasil, uma potência regional, e assim vai.
10:34Então, do ponto de vista econômico, talvez nós pudéssemos chamar ela de ordem multipolar.
10:40Já do ponto de vista militar, ordem unipolar.
10:43Hoje em dia, então, nós temos com o Trump essa grande disputa, né?
10:46Então, os Estados Unidos tentou trazer todo mundo para o seu lado, junto com o Trump, né?
10:50No caso, o Trump tentou trazer.
10:52Mas nós vimos que, então, a gente está mudando os alinhamentos.
10:55Inclusive, a União Europeia, que sempre foi uma aliada dos Estados Unidos,
10:59está aproximando-se cada vez mais da China.
11:03Um outro fator de crescimento da globalização, que fez a globalização acontecer,
11:09foi, então, o avanço das tecnologias.
11:12Então, a gente está falando de tecnologias de comunicação,
11:15tecnologias de transporte, a internet, a informática como um todo, e assim vai.
11:20Esse avanço das tecnologias, ele produziu o quê?
11:23Ele produziu a consolidação das redes.
11:26Hoje em dia, um dos principais conceitos geográficos, né?
11:29Uma das coisas que a geografia mais trabalha, mais discute, mais conversa sobre,
11:33é, então, o conceito de rede.
11:35O que significa rede?
11:36Rede é o que está mostrando, mais ou menos, nesse desenho que eu fiz ali.
11:40Então, nós temos alguns pontos, e esses pontos, eles estão conectados entre si.
11:44Nós podemos considerar que esses pontos são, por exemplo, países.
11:47Os países estão, sim, conectados entre si.
11:50Mas nós temos países que são mais conectados aos outros, por exemplo, os Estados Unidos.
11:55Os Estados Unidos se conectam, de fato, ao mundo inteiro.
11:57O Brasil também.
11:59Mas talvez o Brasil tenha menos laços comerciais com o resto do mundo do que os Estados Unidos, ou mesmo
12:04a China.
12:05Já o Malawi, por exemplo, que é um país que vocês sequer sabem colocar no mapa,
12:09ou talvez nunca tenham ouvido falar,
12:10ele é um país que se, bom, ele se conecta com o resto do mundo,
12:13mas ele tem uma conexão muito menor do que vários outros países, né?
12:17E aí nós podemos pensar nesses nós verdes e amarelos, que são os maiores, que mais se conectam,
12:23como países desenvolvidos ou países muito integrados comercialmente ao sistema mundo,
12:28a economia mundial.
12:29E os países vermelhos, laranjas, países menos integrados,
12:33países mais subdesenvolvidos, que ainda estão em desenvolvimento,
12:37países que produzem, por exemplo, matéria-prima, né?
12:40Então, produtos do agronegócio, produtos da mineração, e assim vai.
12:44Agora, a consolidação das redes, ela trouxe uma questão muito importante,
12:48que foi, então, o que a gente pode chamar de compressão do espaço-tempo.
12:52O que significa compressão do espaço-tempo?
12:54É como se o espaço-tempo estivesse diminuindo.
12:57Como assim?
12:57Não é compressão do espaço, não é compressão do tempo.
13:00É compressão do espaço-tempo, a mistura dos dois.
13:03Por quê?
13:04Bom, vamos pensar.
13:06Antigamente, para tu ir do Brasil à China, tu levava em torno, digamos, de seis meses.
13:11Então, eram seis meses de barco, seis meses de caravelas, navios, etc.
13:15Hoje em dia, nós estamos a 18 horas da China, ou 24 horas da China.
13:20Por quê?
13:21Porque nós vamos de avião.
13:22Ou seja, parece que a distância entre os países está menor.
13:26Está menor.
13:27Por quê?
13:27Porque nós levamos menos tempo para ir de um lugar ao outro.
13:29Enquanto, antigamente, Brasil e China eram seis meses, hoje são 24 horas, um dia.
13:35Por que esse tempo diminuiu?
13:38Foi porque a distância diminuiu?
13:39Ou seja, Brasil e China estão mais pertos fisicamente um do outro?
13:43Não.
13:44Na verdade, o que nós fazemos é percorrer a distância, que é igual, mais rapidamente.
13:49Por quê?
13:50Porque avançou a tecnologia.
13:52Os meios de transporte estão cada vez mais eficientes.
13:55Então, aqui nós temos uma imagem, um esquema, que vai basicamente representar isso.
13:59É o mundo ficando menor ao longo do tempo, junto com o desenvolvimento das tecnologias acontecendo.
14:06Então, as carruagens, os barcos a vela, as locomotivas, os aviões, a propulsão e os jatos de passageiros.
14:12Mas, atualmente, fazendo com que o mundo se integre cada vez mais.
14:17Isso é um fator muito preponderante no que a gente pode chamar de globalização.
14:20A globalização não aconteceria se o mundo tivesse seis meses de distância de um país como o Brasil e China,
14:28que são dois grandes parceiros comerciais.
14:30No caso, a China é o maior parceiro comercial do Brasil.
14:36O histórico da globalização, então, vendo o passo a passo para ela ter acontecido, nós primeiros temos que pensar.
14:42Bom, globalização implica que o mundo inteiro está relacionado, está conversando, está dialogando, está comercializando, por exemplo.
14:49Bom, o mundo sempre se dialogou?
14:51Não. Na verdade, a América, durante boa parte do mundo e o resto do mundo, ou seja, Europa, Ásia e
14:59África, não se conheceram, né?
15:01Por exemplo, o resto do mundo não conhecia a América e a América não conhecia o resto do mundo.
15:06Foi nas grandes navegações, ou seja, na descoberta pelos europeus das Américas,
15:11no processo que a gente chama de chegada dos europeus ao Brasil, etc e tal, o mundo passou a se
15:16conhecer.
15:16Então, um aspecto da globalização, uma questão histórica, é que as grandes navegações deram início a esse processo.
15:24A primeira revolução industrial, por sua vez, lá no século XVIII, XVII, ou seja, anos 1700, 1750 mais ou menos,
15:34o mundo, então, teve a primeira indústria.
15:36O que uma indústria faz?
15:37Uma indústria produz muito mais rápido, muito mais coisa.
15:41Então, enquanto se demorava, sei lá, uma semana para se produzir 10 camisetas,
15:46porque uma mão que fazia, uma costureira que fazia,
15:49hoje em dia, nós produzimos 10 camisetas em menos de um segundo.
15:52Ou seja, a indústria vai fazer com que nós produzimos mais bens.
15:57E esses bens, sendo produzidos em larga escala, vão diminuir de preço.
16:00A diminuição do preço vai fazer com que as pessoas passem a comprar,
16:03não da costureira da rua, mas passem a comprar de uma indústria lá na Inglaterra.
16:08Então, isso vai ser um fator de crescimento da globalização.
16:11Outra questão é que a Terceira Revolução Industrial,
16:16que aconteceu no pós-Segunda Guerra Mundial, de 1950 a 1970,
16:20ela vai desenvolver muitas das tecnologias que nós utilizamos hoje em dia.
16:24Então, a Terceira Revolução Industrial vai ser, talvez,
16:27o principal período de expansão da globalização, de consolidação dela.
16:31E hoje em dia, também, nós vivemos o que a gente chama de Quarta Revolução Industrial,
16:34que é a Revolução da IA, dos robôs, e assim vai.
16:39Aquilo que nós estamos vendo sobre o chat GPT ou outras IAs,
16:43elas estão revolucionando o mundo.
16:44A indústria está se tornando cada vez mais automatizada.
16:48Talvez, no futuro, nós tenhamos indústrias que não têm pessoas,
16:51ou nós tenhamos robôs nos atendendo, robôs nos servindo em casa.
16:55A gente não sabe. Pode ser que aconteça, né?
16:57Então, nós vivemos um novo período da globalização,
17:00que é a Quarta Revolução Industrial, com a Indústria 4.0, e assim vai.
17:03A terceira Revolução Industrial, gente, geograficamente,
17:08o Milton Santos vai falar que é a Revolução Técnico-Científica Informacional.
17:14A Revolução Técnico-Científica Informacional,
17:16ela produz o Meio Técnico-Científico Informacional.
17:20O que é o Meio Técnico-Científico Informacional?
17:23Bom, o Meio Técnico-Científico Informacional é um termo do geógrafo Milton Santos.
17:29Milton Santos vai ser um geógrafo que vai, então, criar a terminologia Meio Técnico-Científico Informacional.
17:40Isso, na verdade, é uma periodicização do espaço.
17:43Do mesmo modo que nós fazemos uma periodicização da história,
17:46com grandes acontecimentos sociais que produziram mudanças históricas, sociais, econômicas muito grandes,
17:52nós podemos fazer uma periodicização do espaço, que é analisar o espaço ao longo do tempo
17:57e ver como que ele foi se alterando e o que que causou essa alteração.
18:03Uma dessas... desses períodos do espaço é o meio natural.
18:07A maior parte do tempo do meio, ele foi natural.
18:10Então, quando nós fazíamos a... por exemplo, a produção agrícola,
18:15usando inchadas, etc e tal,
18:17a nossa capacidade de modificar o meio era muito pequena.
18:20Então, boa parte do mundo, na verdade, ele tinha um aspecto mais natural,
18:25com os biomas pouco degradados, etc e tal.
18:27O meio técnico, ele vai surgir com a Revolução Industrial.
18:31A Revolução Industrial vai aumentar muito nosso poder de artificialização do espaço,
18:35ou seja, humanizar o espaço, transformar o espaço.
18:39As cidades vão crescer muito com a população saindo do campo e indo para a cidade
18:44para participar da indústria, né?
18:47O meio técnico, ele vai trazer a questão das locomotivas, dos trens e vai integrar os territórios.
18:53O campo vai começar a produzir de uma outra forma, com mais tecnologia.
18:57E tudo isso aumenta o nosso poder de intervenção.
19:00Hoje em dia, nós vivemos um meio que ele é chamado de técnico, científico e informacional.
19:05E o que que vem a ser isso?
19:06Bom, nós podemos tentar entender detalhadamente o que ele significa.
19:10Uma coisa importante da gente notar é de que esse meio, ele tem, então, três grandes palavrinhas, né?
19:16Técnico, científico e informacional.
19:18E o que que significa cada uma dessas palavras?
19:20Nós podemos entender o que que ele significa, observando o significado individual destas, né?
19:27Só deixa eu passar aqui para as nossas características.
19:31Então, nós temos um meio que ele é técnico. Por quê?
19:34Porque os objetos, hoje em dia, eles são dotados de técnica e de intencionalidade.
19:38Ou seja, eles são planejados antes de serem feitos.
19:41Observem que as classes na escola, elas são todas iguais.
19:46Elas têm, sei lá, três modelos diferentes, mas dentro de cada modelo, todas elas são iguais.
19:51Por quê? Porque é tudo feito a partir da indústria.
19:53Nós poderíamos fazer ela, sei lá, mais ou menos aleatoriamente, tipo assim, uma coisa meio no feeling, no sentimento.
20:00Ah, eu vou cortar a madeira, vai ficar desse tamanho, vou fazer os pés da mesa, e uma vai ficar
20:04diferente da outra.
20:05Poderíamos? Poderíamos.
20:06Poderíamos fazer de maneira artesanal.
20:08Mas, hoje em dia, os objetos, eles são feitos de maneira técnica, na indústria, com matemática.
20:12Então, tudo tem uma intencionalidade por trás.
20:15Bom, a novidade do meio técnico, científico e informacional é que ele é justamente também científico.
20:20Ou seja, gente, a produção dos objetos, a produção do espaço acontece com e a partir da ciência.
20:27O celular, por exemplo, ele é extremamente científico.
20:30Os remédios, extremamente científicos.
20:33Um arranha-céu, ele é extremamente científico.
20:35Tudo isso tem muita pesquisa científica que cria inovação, que produz inovação.
20:40As inovações, os objetos, eles partem hoje da universidade.
20:44Por isso que as universidades, elas são um excelente caminho para se ganhar mais dinheiro, por exemplo.
20:49Por isso que nós incentivamos vocês a fazerem faculdade.
20:52Ou por isso que vocês fazem feira científica, vocês estudam método científico.
20:56O pessoal do curso técnico, da LOG, faz TCC.
21:00Tudo isso tem a ver com a preponderância, com a relevância que a ciência tem no mundo de hoje.
21:04O meio, hoje, ele é científico.
21:07Além disso, ele também é informacional.
21:10Informacional vem de informação.
21:11Os objetos de hoje em dia, gente, eles são dotados de informação.
21:14Bom, dotados de conhecimento.
21:16Tendo intencionalidade por trás, ele tem informação.
21:19Mas eles têm informação no sentido de que o celular, ele produz informação, ele transmite informação.
21:25Ele é puramente informação.
21:28Um algoritmo do TikTok é pura informação.
21:31É saber o que vocês são, o que vocês gostam e o que vocês vão gostar.
21:35O meu notebook, que eu estou usando para gravar, está transmitindo informação.
21:39Essa aula aconteceu presencialmente para algumas turmas, mas agora eu estou gravando ela, publicando na internet.
21:45Ou seja, a internet também é um meio de transmissão de informação.
21:48Hoje em dia, o mundo, ele é o mundo das smart things.
21:51Vocês estão usando, talvez vendo essa videoaula, num smartphone.
21:56Hoje em dia, nós vivemos um mundo smart.
21:59Então, o meio técnico, científico e informacional significa mais ou menos isso.
22:03Mas esse meio técnico, científico e informacional, ele é justamente, assim como o restante da globalização, desigual.
22:10Nós, então, perguntamos quem ganha e quem perde.
22:13E aí, nós podemos pensar justamente um pensamento de novo do Milton Santos,
22:18o mesmo cara que cunhou um meio técnico, científico e informacional,
22:22ele cria, então, a terminologia espaços luminosos e espaços opacos.
22:26Luminoso vem, então, de luz e opaco é o contrário, aquilo que não tem luz, né?
22:31Então, um significa mais ou menos rico, desenvolvido, tecnológico, e o outro, o contrário.
22:36Então, pensando nisso, espaços luminosos são espaços, então, com muita luz.
22:41Na aula, eu apresentei esse conceito colocando vídeos, por exemplo, de Hong Kong com drone,
22:48ou Tóquio, no Japão, e a gente podia ver, então, as luzes da cidade.
22:52Bom, luminoso não vem disso, não vem do LED que está presente na cidade,
22:57embora também seja uma das características, um dos aspectos, uma das facetas de um espaço luminoso.
23:03Mas luminoso, nesse sentido, vem, então, de informação.
23:06Ou seja, a informação do espaço científico informacional é sobre isso.
23:12Espaços luminosos são espaços com muita informação.
23:15Por que ele chama de luminoso e não informacional?
23:17É porque a luz, ela traz a ideia de informação.
23:22Ou melhor, a informação, ela é representada com luz.
23:24O símbolo da inteligência artificial são três luzinhas, aquele emoji, né, das estrelinhas.
23:30Ou a própria palavra esclarecer significa trazer informação, esclarecer as coisas a entender melhor,
23:36a ter mais informação sobre uma situação, sobre uma relação, sobre um fato.
23:40Espaços luminosos são espaços, então, que eles são muito densos em técnica.
23:44Ou seja, eles são densos naquilo que faz um país ser integrado ao outro.
23:49Por exemplo, ele é denso em infraestrutura, ele é denso em tecnologia,
23:52ele é denso em informação, em produção de conhecimento, em educação, e assim vai.
23:57São espaços, de modo geral, que são desenvolvidos com tecnologia.
24:00Eles são também centros de decisão, né?
24:03É onde as decisões econômicas do mundo, ou da cidade, ou do país, são tomadas.
24:07Ou seja, eles têm uma certa intensidade de fluxos.
24:10São os grandes centros da globalização.
24:12Tóquio é toda tecnológica porque ela também é rica.
24:16E por que ela é rica?
24:17Porque ela vende para o mundo inteiro, compra do mundo inteiro.
24:20Mas o Brasil também faz isso.
24:22A questão é, o que Tóquio vende e o que Porto Alegre vende?
24:26Existe espaço luminoso em Porto Alegre?
24:28Existe.
24:29As zonas mais ricas de Porto Alegre são espaços luminosos.
24:31Aqueles prédios envidraçados, aqueles prédios grandes,
24:34onde ficam as grandes empresas, são espaços luminosos.
24:38Mas na mesma Porto Alegre, nós temos o Rubem Berta, o Mário Quintana,
24:41a Vila Cruzeiro, o Maitá,
24:43que são espaços não luminosos, mas espaços opacos.
24:47Ou seja, espaços que não são aquilo que nós vimos até agora.
24:49O Brasil talvez seja um espaço nem luminoso, nem opaco, no meio termo.
24:55Já os Estados Unidos, de modo geral, é um espaço luminoso.
24:58Mas 100% dele é?
25:00Não.
25:00Então, nós podemos pensar que os espaços opacos são espaços subdesenvolvidos.
25:05Espaços subdesenvolvidos, ou por exemplo, bairros pobres,
25:08são, no caso, países subdesenvolvidos, também chamados de países em desenvolvimento.
25:13Já os espaços luminosos, eles são o contrário de países subdesenvolvidos.
25:17Ou seja, são países desenvolvidos.
25:20E, no caso de uma cidade, são, por exemplo, os bairros ricos.
25:23Quando nós falamos de países desenvolvidos e países subdesenvolvidos,
25:26nós, então, estamos falando das regionalizações.
25:30As regionalizações são, então, divisões do mundo,
25:33classificações que nós fazemos do mundo.
25:35O que é regionalizar?
25:36Regionalizar é classificar o espaço.
25:39Por exemplo, eu posso classificar vocês a partir da religião,
25:44da cor, do gênero, do time, e assim vai.
25:48Regionalizar o espaço é classificar o espaço de acordo com algum critério.
25:52Do mesmo modo que eu escolho o critério que eu vou classificá-los,
25:55então, gênero, cor, etnia, renda, time,
25:59eu estou escolhendo esse critério.
26:01Um pesquisador que vai regionalizar o mundo também escolhe esse critério.
26:04Logo, nós temos várias regionalizações diferentes.
26:07Inclusive, vocês podem criar uma regionalização, se vocês bem entenderem.
26:12Então, quais são as grandes regionalizações que nós temos?
26:14Em sala de aula, eu trouxe, então, quatro grandes regionalizações.
26:18Uma delas, nós já vimos, que é a regionalização dos três mundos.
26:21Então, primeiro mundo, países capitalistas ricos.
26:23Segundo mundo, países socialistas.
26:25E terceiro mundo, países capitalistas pobres ou países não alinhados.
26:30Essa regionalização, aqui eu tenho um texto que eu não vou ler,
26:34mas eu vou deixar um tempo para que vocês possam pausar o vídeo e ler melhor,
26:38para compreender melhor.
26:39Essa regionalização, ela não mais existe,
26:42porque ela dependia da União Soviética existir,
26:44do mundo estar dividido entre capitalismo e socialismo.
26:47Vem uma pergunta.
26:48Sor, não existe mais país socialista?
26:50Sim, existe.
26:52Cuba e Laos são países socialistas, por exemplo, ou mesmo a Coreia do Norte?
26:56A China se diz socialista, mas ela é de fato.
27:00Bom, essa é uma discussão bem mais complexa.
27:02A gente está se perguntando, então, sobre o que é o socialismo.
27:04O socialismo é o socialismo soviético da planificação econômica?
27:09Não necessariamente.
27:10Existem várias vertentes do socialismo.
27:12No caso, a China, muitas vezes, se diz socialista com características chinesas.
27:17Ela, por exemplo, adota o livre mercado.
27:20E aí a gente se pergunta, será que a China não é capitalista?
27:23Bom, enfim, aqui é o mapa do primeiro, segundo e terceiro mundo, lá em 89.
27:2989 é, no caso, o ano em que o Muro de Berlim caiu,
27:32dois anos antes da União Soviética acabar, se dissolver.
27:35Então, nós podemos ver que nós temos os países amarelos,
27:38que são os países de primeiro mundo.
27:40Então, nós temos aqui Estados Unidos, Canadá.
27:43Nós temos aqui a Europa Ocidental, com Reino Unido, Alemanha, França, Escandinávia.
27:48E nós temos também Austrália e Nova Zelândia.
27:51Já os países de segundo mundo, que são os países socialistas,
27:55nós temos, então, a União Soviética, com a maior relevância de todos.
28:01Nós temos também a China, que não era exatamente amiga da União Soviética.
28:06Nós temos os países europeus, que não eram exatamente União Soviética.
28:11Nós temos alguns países africanos e países do continente asiático.
28:14Até Cuba, né? Cuba, aqui perto do Brasil, né?
28:18Onde a União Soviética levou mísseis e quase começou uma guerra nuclear.
28:23E nós temos também os países em verde, que são os países de terceiro mundo.
28:26Terceiro mundo, então, países capitalistas pobres ou não alinhados.
28:30E aí nós podemos ver, então, a América Latina, basicamente, inteiramente verde.
28:36Isso aconteceu, em partes, porque os Estados Unidos, entre aspas,
28:41patrocinou golpes militares na década de 60 e 70 nos países do mundo.
28:46A nossa ditadura militar aconteceu em virtude disso.
28:48Tanto que uma das razões de justificar o golpe militar, sim, foi uma ditadura militar, ponto,
28:54foi a questão da ameaça comunista, né?
28:57A ameaça comunista, que a gente não sabe se existe,
29:00mas que foi utilizada como justificativa para a implantação de um golpe militar
29:04e de uma ditadura alinhada aos Estados Unidos.
29:08Hoje em dia, os países de terceiro mundo,
29:10eles não vão necessariamente ser chamados de terceiro mundo,
29:12mas eles podem ser chamados de outras coisas.
29:15Bom, então, vendo uma outra regionalização,
29:17a gente pode ver, então, a regionalização centro e periferia.
29:20A regionalização centro e periferia,
29:22ela vai ter uma definição mais complexa.
29:25De novo, o texto eu vou deixar aqui para vocês pausarem o vídeo e lerem melhor.
29:30Mas, então, quando a gente pensa em centro,
29:31a gente tem que pensar em uma relação que é como se fosse o centro da cidade
29:35e uma favela de uma cidade.
29:36O centro de uma cidade, ele vai ser onde se concentram os serviços,
29:41o comércio, as melhores moradias.
29:42As pessoas vão pagar mais caro para morar perto do centro, né?
29:45Por isso que o centro de Stale, ele é, por exemplo, mais caro do que, sei lá,
29:49a antena, que fica muito longe.
29:51Se nós temos o centro, nós temos o que não é centro, o que está longe do centro.
29:55E o que está longe do centro?
29:56O que está longe do centro é a borda, é a margem.
29:59É a periferia, é a circunferência.
30:02Bom, então nós temos o centro e é no centro que as decisões de uma cidade são tomadas.
30:07Onde que a prefeitura de uma cidade fica?
30:09Ela fica na periferia, na borda, no final da cidade ou ela fica no centro?
30:13Pensando que é a prefeitura que toma várias decisões dentro da cidade,
30:17nós podemos pensar que o centro está ligado à tomada de decisões.
30:20E aí nós temos, então, uma regionalização que vai trazer a questão do centro,
30:25semiperiferia e periferia.
30:27Essa regionalização, no caso, ela ainda é utilizada, mas ela diz respeito à teoria da dependência,
30:32que é uma teoria muitas vezes nascida em países latino-americanos para pensar essas questões.
30:38Então nós vamos criar três distinções.
30:42Centro, semiperiferia e periferia.
30:44Centro são, de modo geral, os países que são desenvolvidos,
30:47os países que produzem artefatos tecnológicos de maior necessidade de conhecimento,
30:54informação, produtos mais caros.
30:56A periferia vai ser o oposto.
30:59Então, produtos pouco densos tecnologicamente falando.
31:03Ou seja, produtos mais simples, produtos mais básicos.
31:05Geralmente, produtos do agronegócio, então da produção agrícola e pecuária,
31:10agrícola produzindo com plantas e pecuária com animais,
31:14e produtos de mineração.
31:16Então, países que produzem muito isso e que não têm uma indústria nacional, por exemplo.
31:21E a semiperiferia está no meio termo.
31:23A semiperiferia podem ser países, por exemplo, que são ricos,
31:26mas que exportam petróleo.
31:28Então, países do Oriente Médio.
31:29Oriente Médio são países ricos, mas que exportam petróleo.
31:33Eles não são exatamente países desenvolvidos.
31:36Eles são países, nessa teoria, considerados de semiperiferia.
31:39A semiperiferia também tem o Brasil.
31:42Por que o Brasil?
31:43Mas o Brasil não exporta soja, gado, etc.
31:45Exporta.
31:46Mas o Brasil também tem uma indústria.
31:48Muitas coisas que vocês consomem, ou por exemplo,
31:50esse notebook, meu celular, foram produzidos no Brasil.
31:53Ou pelo menos montados no Brasil.
31:55Então, sim, nós temos uma indústria.
31:57Nós, inclusive, exportamos produtos industriais.
31:59Nós exportamos, sim, carros.
32:01Nós exportamos roupa.
32:03Nós exportamos sapato, calçados.
32:06Nós exportamos aviões com a Embraer.
32:09Então, sim, nós temos uma indústria que é de baixa e média tecnologia.
32:14Vários países africanos vão ser países de periferia.
32:17A semiperiferia vão ter países emergentes, como o Brasil, Argentina, México.
32:21E países de centro vão ser países desenvolvidos.
32:24Aqui, a gente pode questionar se a China é um país de semiperiferia ou centro.
32:30Antigamente, se considerava a China como semiperiferia.
32:33Hoje em dia, talvez valha a pena a gente questionar.
32:35Será que a China é semiperiferia, de fato?
32:38Porque, hoje em dia, a China é o maior mercado de carros elétricos.
32:43Ela tem a Comac, que vai ser uma grande produtora de aviões.
32:46Ela produz chips.
32:48Ela produz celulares de tanta tecnologia quanto vários outros.
32:52Então, a China produz, sim, bens de baixa tecnologia, de média tecnologia e de alta tecnologia.
32:59E ela vende para o mundo inteiro.
33:01A China é a maior parceiro comercial da maior parte do mundo.
33:04Será que ela é um centro ou será que ela é semiperiferia?
33:07Então, dentro de cada regionalização, vocês podem ver que não é simples.
33:11Porque cada regionalização vai considerar aspectos que são diferentes uns dos outros.
33:15E aí, um país que pode ser semiperiferia, na outra pode ser subdesenvolvido.
33:20Ou a China talvez seja emergente, mas seja centro.
33:24E aí, a gente cabe discutir, levar em conta essas questões fundamentais.
33:32Levar em conta essas diferenças, essas nuances, esses detalhes.
33:36Uma outra, então, regionalização é aquela regionalização mais famosa, que gira em torno de desenvolvimento.
33:42Então, aqui nós temos o texto falando sobre a regionalização do desenvolvimento.
33:47De novo, vou deixar um tempo para vocês terem tempo de parar o vídeo e lerem com mais calma.
33:52E aí, nós temos, então, três grandes classificações.
33:55Países desenvolvidos, países emergentes e países em desenvolvimento.
33:59Países desenvolvidos são países com produção econômica de alta tecnologia,
34:05países com grande renda e PIB per capita,
34:08países com grandes empresas, países com sede de multinacionais e assim vai.
34:13Países em desenvolvimento, que são os países subdesenvolvidos,
34:17são países com uma economia mais primária, ou seja, com produtos do agronegócio,
34:22então, agrícola, pecuário, etc e tal, ou uma indústria de baixa tecnologia.
34:27E países emergentes são países que estão crescendo bastante,
34:31países que estão se industrializando, melhorando aquilo que vendem para fora.
34:35Pode ser que vendam produtos do agronegócio,
34:37mas também vendam produtos de baixa, média ou alguns especificamente de alta tecnologia.
34:42São países que têm uma população grande, um território grande, recursos naturais
34:47e também uma industrialização, uma urbanização acontecendo.
34:50Então, essa tese do desenvolvimento vai trazer a divisão do mundo,
34:54a distinção do mundo entre esses três grandes grupos.
34:58E uma outra é o desenvolvimento da classificação Norte e Sul Global.
35:03A classificação Norte e Sul Global, então, vai ter essa definição,
35:06de novo no texto, para vocês pausarem o vídeo e lerem com mais calma.
35:10E essa definição vai trazer, então, somente duas classificações,
35:14Norte Global e Sul Global.
35:16Norte Global são os países, então, desenvolvidos.
35:20São os países com maior tecnologia, com produtos exportados de maior valor agregado.
35:26E o Sul Global vai ser país, então, subdesenvolvido e emergente.
35:30Qual é a diferença de um para o outro, gente?
35:32É que a classificação Norte e Sul Global, ela vai trazer aqui, então, né?
35:36Observem.
35:37Em amarelo ou laranja, são países chamados do Norte Global.
35:41Esses países, gente, eles são países, de um modo geral, mais desenvolvidos.
35:45E por que diabos que a gente usa essa classificação Norte e Sul Global?
35:48Observem, a linha do Equador, ela está passando aqui, ó.
35:52Tecnicamente, o que está acima da linha do Equador, a norte da linha do Equador, é norte.
35:57E o que está abaixo, a sul da linha do Equador, é sul.
36:01Observem, tem países que estão em amarelo, como Austrália e Nova Zelândia,
36:07que estão no Hemisfério Sul, mas são do Sul Global.
36:10Ou seja, país do Norte não é hemisfério.
36:12País do Norte é país, basicamente, desenvolvido.
36:16Agora, por que se chama do Norte e do Sul?
36:19Ora, é simples.
36:20Observem como a maior parte dos países amarelos está no Hemisfério Norte.
36:25Por isso que a gente vai olhar para o Hemisfério Norte
36:28e vê que a maior parte do desenvolvido está lá.
36:31E a gente vai chamar países do Norte como países desenvolvidos.
36:35Significa que todo o país desenvolvido está no Hemisfério Norte?
36:39Não.
36:40Por exemplo, Austrália e Nova Zelândia não estão.
36:43Agora, que nós sabemos o que são países do Norte, nós sabemos o que são países do Sul.
36:48Olhem os países em rosa.
36:49Ou melhor, olhem para o Hemisfério Sul.
36:51Boa parte do Hemisfério Sul é subdesenvolvida.
36:54É rosa.
36:55Agora, todos os países do Hemisfério Sul são subdesenvolvidos?
37:00Não.
37:01Todos os países do Sul estão no Hemisfério Sul?
37:03Não.
37:04Inclusive, a maior parte dos países subdesenvolvidos está, sim, no Hemisfério Norte.
37:10A maior parte dos países do mundo está no Hemisfério Norte.
37:14Então, países do Sul vão ser países subdesenvolvidos.
37:17O Brasil está no Hemisfério Sul e é país do Sul.
37:20A Austrália está no Hemisfério Sul e é país do Norte.
37:23A Índia é país do Hemisfério Norte, considerado país do Sul.
37:29Hoje em dia, Norte e Sul Global são terminologias muito utilizadas.
37:33Hoje em dia, existe o mundo se juntando em torno de um aspecto que eles vão chamar, então, o Sul
37:39Global.
37:40O que é o Sul Global?
37:41O Sul Global são os países subdesenvolvidos que vão tentar criar uma espécie de contra-hegemonia.
37:47Então, são países subdesenvolvidos, emergentes, que vão se unir e vão tentar criar uma nova ordem.
37:53Uma ordem mundial, uma ordem onde eles tenham mais voz, onde eles tenham maior poder de decisão.
37:57Por exemplo, dentro da ONU, tem uma maior representatividade dentro da ONU, do Conselho de Segurança.
38:02O BRICS é até um grupo que gira um pouco em torno disso.
38:07Então, a união de vários países emergentes, subdesenvolvidos, tentando ganhar mais espaço no mundo,
38:13tentando fazer com que as instituições criadas na globalização tragam maior voz aos países subdesenvolvidos.
38:22Então, inclusive, a América Invertida, que é uma pintura do Joaquim Garcia Martinho, ou Torres,
38:32acho que é Garcia Torres, desculpa.
38:34Ela vai trazer uma perspectiva decolonial da América Latina não ser simplesmente um pet dos países desenvolvidos,
38:42mas ter o seu próprio desenvolvimento, poder pensar em si, sem necessariamente recorrer à Europa, recorrer aos Estados Unidos.
38:48Então, o Sul Global está falando um pouco também disso,
38:52de ter maior relevância, autonomia, independência para pensar o seu próprio futuro,
38:57ter instituições onde eles tenham mais voz.
39:02As quatro regionalizações são basicamente essas.
39:05Mas, então, vamos tentar ver outros mapas que melhorem a nossa visão.
39:10Nós já vimos, então, dos três mundos, né?
39:14E aqui nós estamos vendo também, então, os países centrais, semiperiféricos e periféricos.
39:19Observem, os países centrais são esses países em roxo aqui, né?
39:23Então, os países desenvolvidos.
39:24Já os países periféricos são países mais pobres.
39:28Observem, boa parte do continente africano é periférico.
39:32Eles exportam muito produtos básicos, produtos do agronegócio.
39:36E nós temos, então, alguns países semiperiféricos, como, por exemplo, o Brasil, a Argentina, a Índia, a Rússia e assim
39:43vai.
39:44São países que produzem produtos do agro, produtos de baixa tecnologia, média tecnologia
39:50e alguns destes produzem de alta tecnologia.
39:53País semiperiférico vai fazer uma espécie de transição entre o central e o periférico.
39:58Vai ser, mais ou menos, o meio termo.
39:59E aqui nós podemos ver, gente, observem, como é diferente um do outro, né?
40:04É a mesma definição, mas olha só.
40:06Enquanto aqui, a Rússia, ela é considerada um país central, observem, ela está em vermelho.
40:12No outro mapa, ela é tida como um país semiperiférico, do mesmo modo que aqui ela não traz semiperiferia.
40:20E enquanto a China é tratada como semiperiférico, na outra, aliás, aqui ela é periférico, na outra ela é semiperiférico.
40:27Então, observem, é a mesma classificação, mas os autores vão colocar países diferentes, dependendo do que eles pensam.
40:35Até agora, a gente falou muito sobre desenvolvimento, regionalização, mas uma questão importante é...
40:40Tá, beleza. E como que se mede desenvolvimento de um país?
40:44Como que se mede qualidade de vida de um país?
40:47Então, a gente pode medir qualidade de vida, a gente pode comparar países utilizando múltiplas possibilidades, várias formas.
40:55Se vocês quiserem criar a sua classificação de desenvolvimento, vocês podem?
41:01Podem. Por quê?
41:02Porque vocês vão estabelecer critérios que dentro do pensamento de vocês, dentro da classificação, vão fazer sentido.
41:08Agora, eles vão ser perfeitos? Não. Longe disso.
41:11Por isso que nós temos várias formas de classificar.
41:14Ou seja, nós temos etc, etc, que são várias possibilidades, e uma delas, então, o PIB per capita.
41:20O que é o PIB per capita?
41:21PIB per capita é tu pegar o PIB e dividir pela população.
41:25Mas, senhor, o que é PIB?
41:26PIB é produto interno bruto.
41:29Produto interno bruto é quanto que um, por exemplo, país produziu ao longo de, por exemplo, um ano.
41:34Então, quanto que o Brasil produziu ao longo de um ano?
41:37Qual é o tamanho da economia brasileira?
41:39Tu vai pegar este PIB, esta economia, e vai dividir pela população.
41:43Ou seja, é um cálculo de média.
41:45Ele vai, na verdade, responder a uma pergunta.
41:47Se todos ganhassem, se todos produzissem a mesma coisa, quanto que cada um ganharia?
41:51Quanto que cada um produziria?
41:53E você tem que pensar.
41:54Bom, beleza.
41:55Se todo mundo produzisse a mesma coisa, ganhasse a mesma coisa, quanto que ganharia?
42:00Ah, interessante.
42:01Tá, mas no Brasil, as pessoas ganham a mesma coisa?
42:04Na verdade, não, né?
42:05No Brasil, nós temos salários radicalmente diferentes.
42:08Ou seja, o PIB vai mascarar desigualdades.
42:11Uma coisa interessante de pensar é que o PIB per capita do Brasil é mais ou menos 60 mil reais.
42:2060 mil reais dividido por 12 dá um salário médio de 5 mil reais por mês.
42:295 mil reais por mês daria uma qualidade de vida grande para, basicamente, todo mundo.
42:35Agora, os brasileiros ganham todos bem?
42:39O nosso cenário é esse ponto de fadas?
42:41Não.
42:42O salário que faz tu ser mais rico que metade da população brasileira e mais pobre que metade da população
42:47brasileira é, na verdade, 1.900 reais.
42:50Gente, 1.900 reais é muito menor que 5 mil reais.
42:55Ou seja, o PIB per capita, ele mascara desigualdades.
42:59Ele tem a sua serventia?
43:01É claro que tem.
43:02Quando nós vamos comparar países, é evidente que PIB per capita maior vai significar que aquele país é mais rico.
43:07Mas isso não necessariamente significa que todo mundo vive bem.
43:11Pelo contrário, tem muitos países com PIB per capita elevado, onde boa parte da população vive miseravelmente.
43:17E aí nós vamos, então, utilizar...
43:20Aliás, nós vamos se fazer uma pergunta.
43:21Como que a gente leva toda a população em conta no cálculo?
43:24Beleza.
43:25Com 5 mil reais, tu consegue pagar por tudo.
43:27Viver, por exemplo, sem o uso do governo.
43:30Beleza.
43:31Mas isso é para todos?
43:34Não.
43:35Então, a gente se fazendo essa pergunta, a gente vai estabelecer outros índices.
43:39Nós vamos considerar múltiplos fatores, múltiplas perspectivas.
43:43E aí a gente tem, então, o cálculo do IDH.
43:45Gente, o IDH poderia ter vários fatores dentro dele, mas nós levamos em conta apenas três.
43:51Quem criou o IDH, a ONU, ela pensou assim, quais são as três questões que precisam ter na vida de
43:57qualquer um?
43:58Quais são os três fatores que nós podemos considerar para medir qualidade de vida e que todo o país consiga
44:03calcular?
44:03Para a gente poder comparar.
44:04E aí eles trouxeram escolaridade, ou seja, educação.
44:07O acesso à educação, o quanto se estuda, o quão inteligentes as pessoas são, o quão bem formadas elas são.
44:13E aí, o que escolheram usar foi anos de estudo.
44:16Poderia ser uma prova internacional?
44:18Poderia, mas ela teria seus problemas.
44:20Anos de estudo foi o escolhido, é talvez mais simples de calcular, mas também traz as suas problemáticas.
44:26O IDH também vai trazer o quesito saúde.
44:29E como se calcula saúde para o IDH?
44:31Se calcula a partir da expectativa de vida.
44:34Ou seja, quanto se espera que alguém daquele país vai viver?
44:37É simples, quanto mais anos se espera que alguém viva, significa que melhor é a saúde, melhor é a alimentação,
44:43de um modo geral, melhor é a qualidade de vida de um país.
44:45Poderia se levar em conta o número de hospitais?
44:48Poderia.
44:49Mas quais são os problemas que surgiriam dessa classificação?
44:52E aí o outro critério que o IDH vai utilizar é então o que a gente chama de renda per
44:56capita.
44:56A renda per capita, gente, ela é muito parecida com o PIB per capita, mas notem que o IDH traz
45:02o PIB per capita,
45:03ou no caso, a renda per capita, mas não é ela sozinha.
45:06Então ela vai dizer assim, ó, tá, beleza, o pessoal trabalha, o pessoal vive muito, o pessoal tem acesso à
45:10escola.
45:11Mas qual é a renda que o pessoal tem?
45:13Também tem que levar em conta a renda.
45:15A renda que vai ser utilizada para ter lazer, por exemplo.
45:18Mas não dá só para considerar ela individualmente.
45:20Então o IDH vai trazer essas múltiplas perspectivas.
45:24Tem como melhorar?
45:25Tem, mas aí a gente poderia criar um novo índice e nós teríamos outros problemas.
45:31Então, de modo geral, o que nós temos na prova é mais ou menos isso, né?
45:35Então deu 45 minutos, deu basicamente um período de aula.
45:39Então vocês podem se sentir livres para repetir, para voltar, para parar, para utilizar esse mapa mental.
45:45Mas, então, é isso.
45:47Bons estudos e boa prova.
45:49Nos vemos esta semana.
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