00:00Ó, o governo da Argentina anunciou um aumento de tributos pra conter a alta dos combustíveis.
00:05Vamos então entender essa medida com o nosso Alan Gani.
00:08Como é que funciona, hein, Gani?
00:10Não, aqui na verdade tá, assim, por um lado represa o preço ali na refinaria, né,
00:16e por outro lado aumenta o imposto.
00:19Agora, o aumento de imposto, principalmente, é para sanar as contas públicas, né?
00:25Então visa o aumento da arrecadação.
00:28Agora, é claro que o aumento de imposto traz, na verdade, um aumento de preço dos combustíveis.
00:34Esse aumento só não é maior por conta que a estatal lá na Argentina tem segurado os preços,
00:42mais ou menos o que ocorre aqui com a Petrobras.
00:46Agora, de qualquer maneira, é uma situação também bastante complicada pra Argentina,
00:51porque, Evandro, a inflação na Argentina, se a gente pegar o acumulado de 12 meses,
00:57ela gira em torno de 30%, 33% ao ano.
01:03Então, com este choque do petróleo, que acaba também atingindo duramente a Argentina,
01:10mais efeito inflacionário, né, com a população já sofrendo bastante com essa perda do poder de compra.
01:16E aí, Evandro, ó, novas taxas entram em vigor em maio, esse novo imposto, né?
01:20A medida deve elevar o preço nos postos, porque, é claro, uma oneração, né,
01:28um tributo que é repassado no combustível, e alta do petróleo pressiona o mercado global.
01:35Poderia ser ainda maior se não fosse o represamento de preços lá da estatal.
01:41Agora, Gani, você fala que essa medida é tomada pra aumentar a arrecadação.
01:46Por outro lado, quando há aumento de preços, você represa o consumo e, naturalmente,
01:51também represa a necessidade de produção maior de combustível por conta de uma possível escassez.
01:57Isso não faria uma coisa se equilibrar com a outra?
02:00Como é que você vai ter mais arrecadação se isso poderia diminuir o consumo?
02:03Olha, uma boa pergunta, né, uma boa colocação que você fez.
02:06É que, nesse caso, o combustível, ele acaba tendo uma demanda que a gente chama de inelástica.
02:12Você é menos sensível a preço.
02:14Então, o consumidor, quando sobe o preço do combustível, ele não tem muita alternativa.
02:18Então, ele continua consumindo o combustível, não tem como, né?
02:23Só que com um preço maior por conta do imposto.
02:28Então, o consumidor consegue absorver todo o aumento de preço.
02:33Esse raciocínio seu está absolutamente correto.
02:35e, principalmente, para bens cuja demanda é mais sensível, mais elástica, né?
02:42Ou seja, as pessoas poderiam abrir mão daquilo.
02:44Exatamente.
02:44Então, sei lá, um bem supérfluo.
02:47Então, houve um aumento da tributação, houve um repasse no preço.
02:51Fala, bom, não, não vou consumir porque está mais caro.
02:53Eu consigo substituir por um outro bem.
02:56Não é o caso do combustível.
02:57É que nem países que aumentam a tributação sobre bebidas e cigarro, por exemplo,
03:00para incentivar as pessoas a beberem menos e a fumar menos também.
03:03Isso, exatamente.
03:04Então, por exemplo, se eu pego um aumento de preço, né?
03:07Aumento de tributo em cima de uma bebida, né?
03:10Isso você consegue substituir.
03:11É um bem supérfluo.
03:12A não ser que você seja ali um alcoólatra, enfim.
03:15Mas a maioria das pessoas fala, bom, se a cerveja se tornou muito mais cara,
03:19eu vou deixar de consumir ou eu vou trocar por alguma outra bebida.
03:23Não é o caso do combustível.
03:26Por quê?
03:27Porque ele é um bem essencial, Evandro.
03:30Então, não tem muito para onde você correr.
03:32Então, essa ideia de aumentar o imposto, de você conseguir arrecadar mais,
03:38porque não vai ocorrer uma perda na atividade econômica.
03:42Beleza, Gani.
03:43Obrigado.
03:43Até.
03:43Até já.
03:44Tchau.
03:44Tchau.
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