00:00Com o Cristiano Beraldo, sempre quando a gente fala de endividamento das famílias brasileiras,
00:04mas agora já estão usando super endividamento das famílias brasileiras.
00:08Ok, vão falar de taxa de juros? Com certeza.
00:11Falta de planejamento, falta de educação financeira, também provavelmente vão tratar disso.
00:17Mas colocam também nessa lista o incentivo, muitas vezes, do próprio governo para que a população compre.
00:24Quem lembra da redução do IPI, dos impostos sobre alguns produtos?
00:29Porque daí a população acabava comprando muitas coisas.
00:32Isso dava uma aquecida na economia e parecia, inclusive, dava aquela turbinada nos números da economia.
00:39E aí é preciso considerar, como é que uma pessoa que ganha 3 mil reais por mês,
00:44compra um telefone celular que custa 6 mil?
00:47A conta não fecha, né? A pessoa tira foto no espelho, só que a parede não está rebocada.
00:51E aí? Não dá certo assim, né, Cristiano Beraldo?
00:54Mas daí, talvez, virá a solução.
00:57O Desenrola 2.0, Beraldo.
00:59Olha, Caniato, eu inclusive estou escrevendo um livro sobre essa questão do endividamento no Brasil.
01:06O que é dever no Brasil? A saga do devedor no Brasil. Por quê?
01:11Porque nos países minimamente desenvolvidos, ou podemos dizer nos países civilizados, coisa que o Brasil já não é,
01:19o endividamento, o crédito, ele é um instrumento de fortalecimento da economia.
01:25A partir do crédito, com juros razoáveis, em patamares que o tomador do crédito consegue pagar,
01:34você consegue ter mais coisas, as coisas se tornam mais fáceis, mais factíveis.
01:40A economia se fortalece, o dinheiro gira e o governo fatura.
01:45Por quê?
01:46Quando você tem uma economia aquecida, mais impostos são pagos.
01:50Só que no Brasil, que não é mais um país civilizado e também não é um país que consegue se
01:58desenvolver
01:59minimamente para alcançar o resto do mundo,
02:04o crédito, ele funciona não para fortalecer o pobre, aquelas pessoas que estão num processo de ascensão.
02:14O crédito funciona justamente para fazer o oposto.
02:18para tirar dinheiro daquelas pessoas que precisam recorrer ao crédito, ou seja, elas estão numa situação financeira difícil
02:27e transferir esse dinheiro para os donos da grana, os grandes bancos, as instituições financeiras.
02:35E por que isso?
02:36Porque não é razoável, não é civilizado você ter um país que cobra 400% de juros no cartão de
02:45crédito.
02:45Um país que cobra 400% de juros ao ano no cheque especial.
02:52É impossível que alguém se recupere.
02:57É impossível que alguém durma bem.
03:00Para lembrar aí as falas da nossa querida repórter Júlia Firmino.
03:05Não dá, a pessoa entra no estado mental.
03:08Se ela tiver o mínimo de vergonha na cara, é claro, porque tem gente que deve, não está nem aí,
03:12quer vir arrumar um CPF de outra pessoa que é para fazer mais dívida e dorme tranquilo.
03:20Agora, se a pessoa tem o mínimo de vergonha na cara, ela entra num estado que consome a saúde,
03:28consome a energia, porque você está todos os dias lidando com este desespero de não conseguir pagar as suas contas.
03:35Você trabalha, trabalha, trabalha, pega todo o seu dinheiro e entrega para o banco.
03:40E entrega para o governo a parte dele em forma de impostos.
03:44Isso não é uma relação justa, isso não é uma relação saudável,
03:47isso não é uma relação que faz bem para nenhum brasileiro que deve.
03:51E só para terminar, Caneta, eu destaco aqui.
03:53A nossa reportagem trouxe 130 milhões de brasileiros estão com este grau elevado de endividamento.
04:00Se a gente adicionar a esse número 40 milhões de jovens e crianças até 14 anos,
04:08nós temos 170 milhões de brasileiros que estão, ao contrário, nós temos de 170 milhões para 215 milhões de brasileiros
04:21no total,
04:21nós temos 45 milhões de brasileiros que estão numa situação mínima de tranquilidade.
04:27Agora, a gente precisa considerar também que parte desses 45 milhões são pessoas que vivem dentro de casas,
04:33de famílias que estão endividadas, apesar dela própria não estar.
04:36Então, isto é um assombro que pega quase toda a sociedade.
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