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O diretor da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes, Rodrigo Zingales, analisou os impactos da crise internacional do petróleo no mercado brasileiro. Segundo ele, o país ainda depende da importação de parte do diesel, o que pode pressionar preços e gerar risco de abastecimento dependendo do cenário externo.

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Transcrição
00:00E ainda sobre a situação dos combustíveis no Brasil, nós vamos conversar agora com
00:03Rodrigo Zingalês, diretor executivo da Abrilivre,
00:08Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes.
00:12Rodrigo, bem-vindo, boa noite, é um prazer te receber.
00:14Eu quero que você analise essa matéria que a gente acabou de ver,
00:17a situação da política de preços da Petrobras,
00:20como é que o consumidor, a nossa audiência, pode projetar os próximos dias,
00:24as próximas semanas, diante de tanta instabilidade no mercado do petróleo global
00:29com a crise que a gente vê acontecendo lá no Estreito Jormuz.
00:33Bem-vindo e boa noite.
00:35Boa noite, Kubayashi.
00:37Boa noite a todos os telespectadores e ouvintes da Jovem Pan.
00:41Primeiro, eu acho que é muito importante a gente falar um pouco da matéria anterior,
00:45que é a decisão da Petrobras de realizar investimentos para tentar tornar o Brasil autossuficiente
00:52na produção de diesel e gasolina, é uma excelente notícia para todos os brasileiros.
00:59e esperamos que realmente se efetive essa proposta.
01:05Especificamente em relação aos preços, o que nós temos hoje é que a Petrobras hoje,
01:12ela representa cerca de 70% da oferta total de diesel brasileira
01:18e que 30% da oferta precisa ser atendida via importações.
01:26Isso significa que os preços no Brasil têm 30% do combustível atrelados aos preços internacionais.
01:36Se a Petrobras decide ela importar esses 30%, considerando a eficiência produtiva dela,
01:46ou seja, custos mais baixos, seja a exploração de petróleo, seja de refino do petróleo para a produção de gasolina
01:54e diesel,
01:55é possível sim que a Petrobras consiga manter preços mais baixos do que aquele internacional
02:01e consequentemente segurar internamente eventuais aumentos de preços que no mundo ou no mercado externo isso esteja acontecendo.
02:14Agora, se entender se a Petrobras não apenas tem esse projeto de expansão da sua produção de refino,
02:22mas também um projeto de aumentar a sua importação de diesel e com isso ela, a Petrobras,
02:31passar a ser a única fornecedora de diesel e gasolina no Brasil,
02:35enquanto houver essa crise aí, ou enquanto permanecer a guerra do Irã.
02:44Rodrigo, nessa relação agora entre o governo, as práticas do governo para tentar manter o preço dos combustíveis de alguma
02:53maneira,
02:53como ter zerado o piso e cofim sobre os combustíveis, a relação com as distribuidoras,
02:58a gente está vendo algumas acusações aí de práticas abusivas sendo praticadas por distribuidoras, por postos de combustíveis
03:07e a gente tem visto até uma intensificação da fiscalização nesse sentido.
03:11Como é que você vê esta ação governamental em relação ao mercado do combustível no Brasil?
03:19Eu acho que é importante a gente esclarecer, Cobra, o que está acontecendo no mercado,
03:24até para os telespectadores e ouvintes poderem ter uma noção melhor da dinâmica desse mercado.
03:32Então, o que acontece?
03:33A Petrobras, antigamente, ela tinha a sua cota mensal, ou seja, a distribuidora tinha um volume
03:41que ela poderia solicitar ou comprar da Petrobras e esse volume ela poderia retirar da Petrobras
03:50num dia específico do mês integral ou ir segmentando essa retirada ao longo do mês.
03:58Em depois da crise, a Petrobras mudou essa dinâmica da política de cota dela para uma cota diária.
04:05Quer dizer o seguinte, que cada distribuidora tem um limite diário para retirar combustível da Petrobras.
04:12Isso significa que com a guerra, o início da guerra, houve uma corrida nos postos para pagar combustível mais barato
04:23em razão já de uma visualização de um aumento de preços no curto prazo.
04:31E aí o que acontece?
04:32Com essa corrida no posto, o posto passou a demandar mais da distribuidora e a distribuidora passou a demandar mais
04:39da Petrobras.
04:40Como a Petrobras mudou a sua cota, a Petrobras acabou restringindo a oferta de combustível para a distribuidora.
04:48Então houve sim uma certa escassez de oferta de gasolina e diesel para distribuidores
04:55e consequentemente para os postos de combustível, o que pressionou o aumento do preço por parte das distribuidoras inicialmente.
05:03E as distribuidoras aumentando o seu preço, os postos acabaram tendo que repassar seus preços para os consumidores.
05:10A Petrobras anunciou um aumento dos seus preços, mas o governo também anunciou uma redução da PIS e da COFINS.
05:20Ou seja, o aumento dos preços acabou sendo compensado com a redução do custo da PIS e da COFINS,
05:26o que ajudou a segurar um aumento que poderia ser muito maior, mas esse aumento houve.
05:32Ocorre que as distribuidoras precisam também comprar combustível de fora, ou seja, importar e consequentemente elas estão pagando mais caro
05:41por esse combustível.
05:43Então, somado o preço da Petrobras junto ao preço do diesel importado, as distribuidoras acabaram aumentando seus preços.
05:53E consequentemente repassando esse aumento de preços, às vezes até maior para os postos, que por sua vez simplesmente repassaram
06:02integralmente,
06:03ou às vezes até em valores menores para os consumidores.
06:08E por que em valores menores?
06:10Porque algumas distribuidoras fazem discriminação de preços.
06:13O que quer dizer isso? Vender para um posto a um preço X e para outro posto a um preço
06:19de X menos 10 centavos.
06:21E aí aquele posto que paga X, como ele tem um concorrente que está pagando X menos 10,
06:27ele acaba sendo obrigado a vender para os consumidores a um preço menor.
06:32Então este é um problema que a gente vê.
06:34E aí um ponto muito importante que eu queria só deixar para os consumidores, como eu acho, é o seguinte.
06:41Na maioria dos grandes municípios eu tenho um posto a cada esquina.
06:45Se eu verifico um posto que esteja cobrando acima, bem acima dos outros,
06:51deixe de comprar nesse posto e vá para um outro posto.
06:55Por quê?
06:57Na semana seguinte esse posto que está vendendo mais caro, ele vai ser obrigado a diminuir o seu preço
07:03porque ele vai deixar de vender.
07:05Esse é um ponto que eu acho muito importante para a gente olhar.
07:09Nas distribuidoras isso não é verdade.
07:11Por quê?
07:12Porque tem distribuidoras que têm contratos de exclusividade.
07:15E essas distribuidoras o posto é obrigado a só comprar dessa distribuidora.
07:19Então se essa distribuidora aumenta consideravelmente o seu preço de forma abusiva,
07:23o posto acaba sendo obrigado a pagar esse preço abusivo da distribuidora.
07:28Aí uma outra prática abusiva que é constante em postos de combustíveis Brasil afora
07:34é também a do cartel, né?
07:35Que daí não tem um cobrando mais e o outro menos.
07:37Está todo mundo cobrando lá em cima.
07:39Por isso que também há uma crítica.
07:41Aí no caso, na ponta da linha, nos postos de combustível.
07:45Em específico, aí os órgãos de defesa do consumidor é aqui que atuam.
07:49Mas uma pergunta importante que gera preocupação em todos nós, ô Rodrigo,
07:54é se há risco de desabastecimento de combustíveis.
08:00Então, como eu acho que é, em abril, a ANP já anunciou que o risco é zero, tá?
08:07Em maio, só que a ANP está acompanhando diariamente, semanalmente, esse abastecimento.
08:14E em maio, precisamos esperar e aguardar um pouco como vai estar a guerra em maio.
08:22E, especialmente, quais são os movimentos de preços internacionais e qual é o movimento da Petrobras em relação à importação.
08:29Se a Petrobras começar ela ou incrementar a importação de diesel, certamente a gente não vai ter problema de abastecimento.
08:37Agora, se a Petrobras deixar para os agentes privados essa importação e ela, a Petrobras, mantiver os preços nos patamares
08:47de hoje,
08:47a gente sim corre o risco de problema de abastecimento.
08:54Exatamente porque 30% do mercado precisa ser abastecido com combustível de fora.
09:00E nenhum privado vai pagar mais caro pelo combustível e ter prejuízo ao vendê-lo no mercado interno,
09:06porque a Petrobras está com preço mais baixo.
09:09Sim. Rodrigo, uma última e rápida pergunta.
09:12Primeiro, em relação a isso, maio é mês que vem, né?
09:14Quer dizer, é risco zero de imediato, né?
09:17Para agora.
09:18No médio e longo prazo, vai depender de muitas outras variantes.
09:21Então, ainda fica o alerta em relação a isso, principalmente diante da nossa não autossuficiência de diesel,
09:28como a gente tem conversado aqui.
09:30Agora, uma última e rápida pergunta, Rodrigo.
09:32O que poderia fazer o governo mais para ajudar o setor nesse momento?
09:38Para além da isenção do PIS e do COFINS, que já foi anunciado.
09:41Haveria alguma outra medida que ajudaria o setor, o mercado dos combustíveis e, portanto, os consumidores?
09:49Eu acho que a única medida hoje é o governo usar o poder de controle que ele tem sobre a
09:54Petrobras
09:55para que a Petrobras passe a importar mais diesel diretamente
09:59e, consequentemente, fazer um balanceamento entre o custo de EFino que hoje ela tem,
10:07que é relativamente barato, com o preço internacional para poder manter o abastecimento intacto
10:15e a um preço razoável no mercado.
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