00:00E houve agora então o relato do secretário da segurança pública justamente aqui do estado de São Paulo, Oswaldo Nico
00:07Gonçalves, ele confirmou que encaminhou agora um pedido para que o tenente coronel Geraldo Leite Rosa Neto perca sua patente
00:16e deixe de ser oficial da polícia militar.
00:18O tenente está preso sob acusação do assassinato da soldada Gisele Santana. Então tem esse posicionamento agora do secretário, delegado
00:28Palumbo, e fica agora então a gente imaginar que possa haver uma mudança nesse cenário diante de tanta repercussão evidentemente.
00:38O secretário está certo, é o mínimo que se espera aí de um gestor que está vendo barbaridades acontecer. Ele
00:43é o responsável pela segurança pública e ele também tem que analisar e investigar como é que foi tão rápido
00:50essa aposentadoria, porque ele sabe muito bem, é um delegado de polícia experiente, de que para um investigador, um escrivão,
00:56um soldado se aposentar, é um Deus os acuda.
00:59Eu só queria fazer um adendo também, com todo respeito ao procurador de justiça militar, eu não concordo com o
01:05posicionamento dele. Não foi um crime militar, foi uma relação entre um homem casado com uma mulher e ambos são
01:13militares.
01:14Não é o fato dele ser militar ou dela ser militar que ocasionou essa morte, não foi um crime militar,
01:21foi um feminicídio e deve ser julgado pela justiça comum, pelo tribunal de justiça, sete pessoas do povo escolhida no
01:29conselho do júri que vão julgar se ele é culpado ou inocente e em caso de culpa o juiz vai
01:36fazer a dosimetria que é a pena.
01:38Não tem nada a ver com o crime militar. Fosse assim, então, qualquer militar que comete um desvio de conduta
01:44na rua ou mesmo se fosse para o mundo do crime, seria julgado pela justiça militar?
01:51Não. A gente tem que saber separar. Não foi um crime que aconteceu dentro das dependências de um prédio militar
01:58e também não tem nada a ver com a patente, com o cargo ou com o militarismo.
02:02Ele era casado com essa soldado, com essa policial e matou ela por uma relação entre homem e mulher. Foi
02:09um feminicídio. Então, na minha opinião, sou também formado em direito, fui advogado.
02:14Esse caso deve ser julgado, na minha opinião, pela justiça comum. Não tem nada a ver com justiça militar. Eles
02:20querem levar para lá, mas deve ser julgado pela justiça comum.
02:24Se fosse um soldado, isso aí nem seria discutido. Mas como é o tenente coronel, né? Estão fazendo de tudo
02:30para levar para lá e para passar um pano. A verdade é essa.
02:33E se fosse delegado, repito, falaria a mesma coisa, porque é um absurdo desde quando eu fiz, vi e comentei
02:41a primeira vez que eu vi esse coronel com uma arma na cabeça,
02:44apontando para a própria cabeça, mandando o vídeo, eu falei, este homem matou essa mulher. As atitudes não condizem e
02:51não tem nada a ver com o militarismo.
02:53Agora, eu também torço muito para que ele perca aí a sua patente, que ele consiga aí, que ele seja
03:00condenado e que ele não receba um tostão do Estado.
03:03Ele tem que ser exonerado a bem do serviço público, perder a aposentadoria e não receber um tostão do Estado,
03:11porque pode ter certeza que essa menina, essa jovem, essa vítima,
03:16a família dela não está recebendo mais salário, não. Já deve ter brecado. Enquanto isso, tem uma criança de sete
03:22anos que está clamando por uma pensão e não consegue essa pensão.
03:26Aí, a gente vê a discrepância entre um praça, que é formado por soldado, cabo e sargento, e o oficialato,
03:33entre o investigador, o escrivão e o agente, entre os delegados de polícia.
03:37Não deveria ter essa distinção. Somos todos iguais, somos pó e vamos voltar para lá. A lei vale para todos.
03:45E tem tanta discrepância que agora eu recebi uma notícia, eu preciso confirmar que colocaram lá no Palácio da Polícia
03:50um elevador exclusivo para delegado.
03:53É, ou seja, é um absurdo atrás de absurdo. Nós não somos melhores do que ninguém.
03:58Aliás, se não fosse o investigador, se não fosse o escrivão, se não fosse o agente, a polícia civil parava.
04:03E se não fosse o soldado, o cabo, o sargento, a polícia militar parava também, porque são eles que levam
04:08as forças de segurança nas costas.
04:10Então, a gente tem que parar de ter essa casta de pessoas que se acham acima do bem e do
04:14mal e se acham melhores do que aqueles que estão carregando o piano e enfrentando a segurança na linha de
04:20frente.
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