O Conselho de Segurança da ONU adiou a votação sobre o uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo. Paralelamente, o presidente Donald Trump afirmou que pode atacar alvos estratégicos como pontes e usinas do Irã. Reportagem: Luca Bassani.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente já começa esta nossa edição do 3 em 1 com notícias internacionais.
00:04Chega conosco ao vivo, diretamente da Europa, o nosso correspondente internacional,
00:08Luca Bassani, já conosco aqui no nosso telão, vai trazer informações a respeito justamente deste adiamento
00:14de votação lá no Conselho de Segurança.
00:16O que é que está sendo proposto para esses países importantes, Luca?
00:21Tem a ver com o Estreito de Hormuz e, claro, os impactos econômicos que têm atingido o mundo todo, né?
00:27Fala aí, Luca, traz as novidades pra gente. Bem-vindo.
00:30É isso mesmo, Cuba. Boa tarde a você, bom feriado a todos que nos acompanham aqui no 3 em 1.
00:35Uma proposta que foi apresentada pelo Bahrein, um país no Golfo, para o Conselho de Segurança,
00:41teve a sua votação adiada para um prazo indeterminado.
00:45Inicialmente, era pra isso ser votado hoje pela tarde, mas pelo feriado da Sexta-feira Santa,
00:51esse pelo menos foi a desculpa que os países deram para não realizar a deliberação.
00:56O que propõe o Bahrein?
00:58Que a ONU e que os países, a coalizão de países envolvidos, poderia utilizar a força para reabrir o Estreito
01:06de Hormuz
01:07e fazer com que a navegação por esse gargalo tão importante volte a acontecer de forma segura.
01:13Desde o começo da guerra, o Ida fechou o Estreito de Hormuz, por onde passa entre 20% e 25
01:18% do petróleo global,
01:20causando grandes problemas econômicos não só para os Estados Unidos, mas para a grande parte do mundo,
01:25principalmente para os países produtores, que incluem o Bahrein,
01:29que não só tem a sua estrutura energética bombardeada durante as últimas semanas,
01:33mas também tem os problemas econômicos advindos deste bloqueio,
01:37já que a sua produção não consegue fazer o caminho até o seu destino.
01:42Inicialmente, a expectativa é que, mesmo que a proposta seja convincente para a maior parte dos países do mundo,
01:48três países que são permanentes no Conselho de Segurança e têm direito ao veto não aprovariam.
01:54A exemplo da Rússia e da China, duas nações amigas e aliadas do Irã e a própria França,
02:00que, através do presidente Emmanuel Macron, durante os últimos dias, em uma viagem oficial pela Ásia,
02:06disse que não aprova a reabertura forçada do Estreito de Hormuz,
02:11porque ele acredita que isso apenas prolongaria o problema
02:14ou até mesmo poderia fazer com que um fechamento acontecesse a posteriori.
02:18Ele acredita que o término da guerra ou negociações diplomáticas
02:22possam trazer uma reabertura definitiva deste estreito,
02:26uma visão compartilhada também pela Rússia e pela China,
02:29que, além desses fatos, também são aliados do Irã
02:33e não querem que seu aliado tenha o uso da força por mais países,
02:37além do próprio Estado de Israel e dos Estados Unidos.
02:40Tudo indica que, por mais que essa proposta seja simbólica,
02:45apresentada ao Conselho de Segurança,
02:47que pouco mudará, já que o Irã viu, no fechamento do Estreito de Hormuz,
02:50a grande jogada estratégica para resistir aos ataques israelenses e norte-americanos.
02:57Apesar do seu exército e das suas forças armadas como um todo ser muito inferior
03:02em aspectos tecnológicos e numéricos aos Estados Unidos,
03:06o fechamento de um ponto geoestratégico tão importante
03:09tem feito o presidente Donald Trump repensar a duração deste conflito
03:13e quais as próximas medidas,
03:15já que não só os seus principais aliados têm sofrido com esse fechamento,
03:19mas também os Estados Unidos, já que o preço do petróleo
03:22sendo tabelado mundialmente pelo mercado se aumenta,
03:26também aumenta para os norte-americanos,
03:28assim como já tem acontecido ao longo das últimas duas semanas.
03:31A gente, como sempre, vai ficar aqui observando essas mudanças,
03:35essas declarações e como essa guerra vai se desenrolar
03:39ao longo deste final de semana,
03:41agora que já temos cerca de cinco semanas de conflito
03:44e sem uma perspectiva de término.
03:47Perfeito. Luca, fica com a gente, você já volta com outras informações
03:50que a gente tem notícias que vêm também do Irã,
03:52algumas ameaças, você vai detalhar para a gente já já.
03:55Por enquanto, eu já quero inaugurar aqui a nossa rodada de comentários
03:58com eles que sabem tudo,
04:00inclusive sobre esta treta internacional diplomática.
04:03Quero começar essa rodada com o Fábio Piperno.
04:05Como é que você vê essa posição de adiar a votação
04:10lá no Conselho de Segurança, Piperno?
04:11Porque já não há expectativa para uma solução.
04:16do Conselho de Segurança.
04:17E ainda quando tem a votação, nem é a votação, acontece a dia.
04:20E aí, Piperninho?
04:21Porque há uma situação de evidente impasse.
04:23As pessoas têm que entender que a solução para esse conflito
04:27não passa apenas pela questão militar.
04:29Até porque, se houver, por exemplo, um esforço concentrado aí,
04:34por exemplo, de Estados Unidos e Israel,
04:37e mais os seus aliados europeus,
04:40poderia até haver, então, uma possibilidade de se reabrir
04:43essa importante rota de navegação.
04:46A questão é que, se isso for feito à força,
04:52daqui a pouco o Irã vai conseguir ameaçar de novo.
04:55Então, se isso for agora reaberto à força,
05:00não significa que vá ser reaberto com base em algum acordo de paz.
05:07Então, continuaria havendo riscos e os riscos encarecem a navegação.
05:14Então, essa é só uma das questões.
05:17Agora, segundo, hoje, por exemplo,
05:19eu já li notícias de que serviços americanos aí de análise,
05:25tal de informações, estimam que o Irã ainda tenha metade da sua capacidade
05:32de disparar mísseis intacta.
05:35Isso é muita coisa.
05:36Hoje mesmo, o Irã derrubou mais uma aeronave americana,
05:40mais um F-15.
05:42Agora, há pouco, estava lendo aqui que um piloto foi resgatado,
05:45o outro desapareceu.
05:46Então, veja, quem imagina um Irã absolutamente entregue
05:51e em rota de capitulação está arredondamente enganado.
05:56Até porque o Irã descobriu alternativas estratégicas
06:01de prolongar esse conflito, de envolver outros países
06:06que estão morrendo de medo de sofrer algum tipo de retaliação.
06:10Ou, por exemplo, Kuwait, Emirados Árabes e tal,
06:12não temem o prolongamento disso aí.
06:14É evidente que sim.
06:15Daqui a pouco, o Luca Bassetti vai trazer justamente
06:17qual foi a ameaça feita agora pelo Irã
06:20em relação a qualquer situação que possa ali
06:23atrapalhar os seus interesses.
06:25E, inclusive, com a reação iraniana anunciada, prometida,
06:28isso poderia escalar ainda mais o conflito.
06:31Quero também a opinião do Alan Ghani
06:33sobre uma proposta que possa solucionar
06:35principalmente o problema do Estreito Jormuz,
06:38que é o que tem gerado os impactos econômicos, né, Ghani?
06:40A sua área e o mundo todo está olhando ali para o conflito,
06:44claro, em razão do conflito, da violência, da guerra,
06:47que pode se agravar cada vez mais,
06:50mas principalmente pelos efeitos que assolam
06:52a população do mundo todo na economia, Ghani.
06:54Olha só, Koba, evidentemente que o Conselho de Segurança da ONU
06:58não vai resolver porque você tem dois atores ali
07:01que são pró-Irã.
07:03Você tem a China e a Rússia e já sinalizaram
07:06que acham correto e acham do direito do Irã
07:11manter fechado o Estreito de Jormuz.
07:13E eles têm poder de veto.
07:15Então a solução não vai passar por aí.
07:17A solução também não é militar,
07:20porque isso teria que envolver uma movimentação de tropas
07:25que não ocorre da noite para o dia.
07:28Isso envolve também uma retaliação por parte do Irã.
07:31Não é uma questão tão simples.
07:33O Irã seria uma espécie de Vietnã do Oriente Médio.
07:37Então a solução passa pela política, pela negociação.
07:42Agora, tem que ser uma negociação séria.
07:44Você tem que colocar algum país fiador dessa negociação,
07:49um interlocutor neutro que tenha boas relações com o Irã
07:53e boas relações com os Estados Unidos
07:55e que garanta esta negociação,
08:00que não vai ter nenhum tipo de traição nem do Irã
08:03nem dos Estados Unidos.
08:04Agora, é claro que, nesta negociação,
08:08o Irã simplesmente não vai querer a reabertura do Estreito de Jormuz
08:14com o fim da guerra.
08:15Bom, para de me bombardear e está reaberto o Estreito de Jormuz.
08:19Eu duvido que seja por aí.
08:21Infelizmente, eu acredito que o Irã
08:24coloca um preço muito mais elevado.
08:27Cova, qual que é esse preço?
08:28Alívio das sanções econômicas
08:30e reativação do seu programa nuclear.
08:33Claro que tudo isso dentro de uma solução diplomática, né?
08:36Que poderia ser alcançada.
08:38Mas eu quero chamar agora o Luca Bassani de volta,
08:40aqui no nosso telão,
08:41porque ele tem informações a respeito da promessa
08:43que foi feita pelo Irã
08:44e que pode escalar ainda mais o conflito.
08:47Aí não teria acordo, né, Luca?
08:50Conta pra gente aí as novidades vindas do Irã.
08:54Exatamente.
08:55O Irã, ele diz que não está pensando em capitulação,
08:59não está pensando em terminar essa guerra
09:01nos termos dos norte-americanos e dos israelenses.
09:04Aquilo que é emitido através do governo,
09:07pelo menos os canais oficiais,
09:09como o próprio presidente Massoud Pazeshkian,
09:11uma das poucas lideranças que não foram mortas
09:14desde que a guerra começou,
09:16é que o país pretende atacar
09:19diversas outras estruturas
09:20que têm a ver com questões energéticas
09:26e de saúde pública,
09:27até mesmo de água, né,
09:29para os países daquela região.
09:32É um cenário bastante complexo
09:34durante os últimos dias.
09:36Muitas refinarias de petróleo no Kuwait,
09:39no Bahrein,
09:39nos Emirados Árabes Unidos
09:41também foram atacados.
09:42Então, eles percebem que através
09:44da pressão econômica
09:46que os seus objetivos podem ser alcançados,
09:48que é a sobrevivência do regime.
09:50Além de poder, talvez,
09:52reativar o seu programa nuclear
09:54ou ser um país reinserido
09:56ao mercado global, né,
09:58sem as sanções econômicas,
09:59o principal objetivo é manter
10:01a República Islâmica viva,
10:03que vê neste conflito
10:04uma ameaça existencial direta
10:06à estrutura estabelecida em 1979.
10:09Por enquanto,
10:10eles têm sido bem-sucedidos,
10:11a pressão está muito maior
10:13sobre o lado norte-americano,
10:15do que até mesmo
10:16para o lado israelense,
10:17onde o apoio à guerra,
10:18ela é maior entre os cidadãos
10:20do que é dentro dos Estados Unidos.
10:21E não podemos esquecer
10:22que o presidente Donald Trump
10:24foi eleito com uma plataforma
10:26antiguerra, pelo menos assim
10:28dita por ele em 2024,
10:29que não invadiria outros países,
10:31não realizaria intervenções militares
10:34longe das suas fronteiras,
10:35o que se prova
10:36completamente o contrário.
10:37Então, não é só uma crítica
10:38dos seus opositores,
10:40mas também uma crítica
10:41da sua fiel base eleitoral,
10:43que o elegeu
10:44através de outras plataformas
10:46para a política externa,
10:47daquelas que são mostradas atualmente.
10:49Óbvio que o Irã
10:51tem, como o Piperno disse ainda,
10:53capacidade de resposta
10:55e aquilo que é observado
10:56é que não há
10:57nenhuma chance de trégua,
10:58pelo menos nos termos
10:59apresentados até agora
11:01pelo Paquistão,
11:02que tem sido o principal mediador.
11:03São dois os países
11:05naquela região,
11:06até falando em relação
11:07àquilo que trouxe o Alan Ghani
11:08agora há pouco,
11:09que podem ser mediadores,
11:11que têm uma posição
11:12privilegiada tanto com os iranianos
11:14como com os norte-americanos.
11:16Um deles é Oman,
11:17chamado da antiga avó
11:19do Oriente Médio,
11:19que é um país
11:20que tem boas relações
11:22com o Ocidente,
11:22mas também tem uma boa relação
11:24com o antigo bloco oriental.
11:26E o outro seria
11:26o próprio Paquistão,
11:28que é um aliado
11:28dos Estados Unidos,
11:29mas como faz fronteira
11:31com o Irã,
11:31tem questões culturais
11:33muito semelhantes,
11:34pelo menos na região
11:35do Balutistão,
11:36no sul do país,
11:37também poderia ser
11:38esse interlocutor.
11:39Vamos ver se alguns deles
11:40serão,
11:41algum deles será acionado
11:42para as próximas fases
11:44dessa guerra,
11:44já que está sendo
11:45bastante desgastante
11:47também para os norte-americanos,
11:49pelo menos
11:49do aspecto político.
11:51Muito obrigado, viu?
11:52Luca Bassani falando ao vivo
11:53da Europa,
11:54hoje em Portugal.
11:55Luca sempre trazendo
11:56todas as notícias
11:58internacionais.
11:58E aí a gente fica agora
11:59nesse jogo de empurra-empurra, né?
12:01Uma ameaça retaliar,
12:02outra ameaça retaliar,
12:03a retaliação,
12:04e isso vira um ciclo
12:06tormentoso
12:07que não tem fim,
12:07porque,
12:08apesar ou por consequência
12:11da manifestação do Irã,
12:12o presidente americano,
12:13Donald Trump,
12:14disse que pode atacar
12:15pontes e usinas do Irã.
12:17Já chegando aqui
12:18nos nossos estúdios,
12:19o Fabrício Nights,
12:20que é o nosso editor
12:21de Internacional,
12:21que tem mais informações
12:22a respeito disso,
12:23está acompanhando de perto,
12:24são as notícias que mantêm
12:25quente o nosso feriadão
12:26aqui no Brasil, né,
12:27o Fabrício?
12:28Fala aí agora também
12:29o posicionamento
12:30do Donald Trump
12:30nisso tudo.
12:31Pois é,
12:32Cuba,
12:32boa tarde para você,
12:33boa tarde a todos
12:33que acompanham o 3 em 1.
12:35Ontem o presidente
12:36Donald Trump
12:36já havia se manifestado
12:37falando que pontes
12:39podem ser alvos
12:40de ataques
12:40dos Estados Unidos,
12:41isso depois de um caso
12:42muito específico
12:43que aconteceu
12:43a norte de Teherã.
12:45Uma ponte foi atingida,
12:46acabou sendo quebrada
12:47no meio
12:48e esse caso deixou
12:49pelo menos oito mortos
12:50lá no país.
12:52Não se pode atacar
12:53infraestrutura civil
12:54durante uma guerra,
12:55isso é crime de guerra,
12:56não pode, né,
12:57mas ainda assim
12:58aconteceu.
12:59E a promessa
13:00de novos ataques
13:01contra usinas de energia,
13:02que não é exatamente
13:03uma novidade,
13:04é algo que já tem acontecido
13:05em algumas ocasiões,
13:07porque é uma forma
13:08muito fácil
13:09de você desestabilizar
13:10um país se você ataca
13:11a matriz energética dele,
13:13a capacidade do país
13:14de produzir energia,
13:16além, claro,
13:16de provocar uma revolta
13:18da população
13:18e há um temor
13:19muito grande,
13:21inclusive dos Estados Unidos,
13:23como aqui é o seguinte,
13:25havia entre dezembro
13:26e janeiro desse ano
13:27uma grande manifestação
13:29popular acontecendo
13:29contra o regime
13:30dos Ayatollahs
13:32lá no Irã.
13:32A gente acompanhou isso,
13:34muita gente nas ruas.
13:35mas uma guerra,
13:36principalmente da forma
13:38que tem acontecido,
13:40tende muitas vezes
13:41a provocar
13:41o efeito contrário,
13:42o efeito de união
13:44da população
13:44muito mais
13:45do que o de
13:47descontentamento
13:48contra o governo,
13:49porque entendem
13:49que o seu país
13:50está sendo atacado
13:52por um grupo estrangeiro
13:53e aí você precisa
13:54se defender
13:54diante dessas circunstâncias.
13:56Então,
13:56quando você tem ataques
13:57à infraestrutura de energia,
13:59você vai estar
14:00afetando a população
14:01de uma forma indireta,
14:03mas com impacto
14:04muito grande
14:05e isso pode provocar
14:06algum tipo
14:07de reação popular.
14:09Bom,
14:09o Piperna havia trazido
14:10aqui a informação
14:11agora há pouco
14:11de que um caça
14:13norte-americano,
14:14um F-15,
14:14foi atingido,
14:15foi derrubado
14:16pela defesa aérea
14:17do Irã
14:18e isso tem
14:20uma curiosidade
14:21muito específica também.
14:23Semana passada,
14:24ainda,
14:24Donald Trump
14:25havia afirmado
14:26que caças
14:27norte-americanos
14:28sobrevoavam
14:28a capital Teirã
14:29e sobrevoavam
14:30todo o território
14:31iraniano
14:32sem que o Irã
14:33pudesse fazer
14:34nada sobre isso
14:35porque,
14:35segundo Trump,
14:36as capacidades
14:37de defesa
14:37do Irã
14:38estavam acabadas,
14:40estavam extintas
14:42praticamente.
14:43Não é isso
14:43que está acontecendo,
14:44pelo menos
14:45as notícias
14:46dizem o contrário.
14:48Há uma recomendação,
14:49inclusive,
14:49do governo do Irã
14:50que a população civil
14:52vá procurar
14:53esse outro tripulante
14:54desse F-15
14:55que está desaparecido
14:57e, se possível,
14:58até mesmo
14:58matar
14:59este soldado
15:00que estava lá
15:01no Irã.
15:02seguiremos acompanhando
15:03o Fabrício Nath
15:03que volta
15:04a qualquer momento
15:04na nossa programação
15:05com novidades.
15:07Esperamos que boas novidades.
15:09Fabrício,
15:09muito obrigado.
15:10Até daqui a pouco.
15:11Até daqui a pouquinho.
15:12Por aqui,
15:12deixa eu ouvir novamente
15:13o Fabio Piperno
15:13a respeito do que falamos
15:14aqui,
15:15o Piperninho.
15:16Essa sequência agora
15:17de ameaças,
15:18né?
15:18Ameaça do Irã
15:19de retaliação,
15:19ameaça da retaliação
15:20da retaliação,
15:21agora esse caça aí
15:22que gerou
15:23esse morto
15:24e esse outro
15:25desaparecido
15:25das forças americanas.
15:28Como é que você projeta aí?
15:29Como serão as nossas próximas semanas
15:30diante desse cenário?
15:32Claro,
15:32diante de tanta imprevisibilidade
15:33também, né?
15:34Então,
15:34exatamente,
15:36imprevisibilidade
15:36eu acho que é a palavra
15:37que explica todo esse cenário,
15:38porque imagina o seguinte,
15:39né?
15:40Esse conflito,
15:41entre outras consequências
15:42políticas,
15:43e aí isso pode ser,
15:44inclusive,
15:45colocado na conta
15:46aí dos êxitos
15:47que o Irã alcançou,
15:49êxitos políticos,
15:50já gerou,
15:51por exemplo,
15:52um racha
15:53na OTAN,
15:54um distanciamento
15:55muito grande
15:55entre o presidente Trump
15:56e os líderes europeus.
15:58Pode sair,
15:58inclusive.
15:59Pode sair,
16:00porque os líderes europeus
16:01não querem ser arrastados
16:03para dentro desse conflito.
16:05Imagina,
16:06por exemplo,
16:06o país na Europa
16:08oferecendo base militar
16:10para que as tropas americanas
16:13façam aí
16:13todo o seu esforço logístico,
16:17toda a sua operação logística,
16:18e fazendo com que
16:19esse país automaticamente
16:21se torne também
16:22alvos do Irã,
16:23lembrando que agora
16:24descobre-se também
16:25que o Irã tem mísseis
16:26que já conseguem
16:28alcançar
16:29há uns 4 mil quilômetros,
16:30portanto,
16:31poderiam chegar
16:32até a Europa.
16:33Então,
16:34esses xadrez,
16:35esses movimentos,
16:36eles são
16:37cada vez
16:38mais surpreendentes.
16:40Então,
16:40repito,
16:41não é só uma questão
16:42de vitória militar,
16:44há consequências políticas
16:46e sobretudo econômicas,
16:47porque
16:48no campo da economia
16:49é óbvio que
16:51o contribuinte americano
16:52vai ficando
16:53cada vez mais
16:54incomodado
16:55com a conta
16:55que está chegando
16:56para ele,
16:57não apenas
16:58via inflação,
16:59mas também
17:00quando ele recebe
17:01informações sobre,
17:02por exemplo,
17:03gastos militares.
17:05Essa conta
17:06já deve estar batendo
17:07perto de 100 bilhões
17:08de dólares.
17:09O que o cidadão,
17:10por exemplo,
17:11que mora no interior
17:12do Nebraska,
17:13tem a ver
17:14com a guerra do Irã?
17:15e esse é o cálculo
17:17que ele faz.
17:17Pô,
17:18essa guerra não é minha.
17:19Por que
17:19que o meu país
17:20está agora
17:21gastando dinheiro,
17:22matando gente
17:23e também
17:25ceifando vidas
17:26de jovens americanos
17:28que estão lá morrendo?
17:29Então,
17:29é claro
17:30que tudo isso
17:31entra no cálculo político,
17:33lembrando que
17:33os Estados Unidos
17:34terão eleição
17:35esse ano.
17:36Imagina o candidato
17:37republicano
17:38lá na Carolina do Norte.
17:39Fala,
17:40pô,
17:40mas
17:41o que que eu vou dizer
17:42para o meu eleitor
17:43agora
17:43se o meu líder
17:44está aprontando isso?
17:45É uma situação em conta.
17:47Mas é uma prova interessante,
17:48uma prova de fogo ali
17:49para saber
17:50o que tem pensado
17:51o cidadão americano
17:52em relação a tudo isso
17:53justamente nessas eleições
17:54e que tem preocupado
17:55o Donald Trump.
17:56Agora eu quero te perguntar,
17:57Gani,
17:57como essa falta de consenso,
17:59seja pela paz,
18:00seja pelo conflito,
18:01tem movimentado
18:03o xadrez
18:04geopolítico global?
18:05Porque
18:05a gente tem falado
18:07um conselho de segurança
18:08da ONU
18:08não serve para nada,
18:09porque eles nunca vão ter
18:10um consenso
18:10sobre uma resolução de paz,
18:12resolução de cessar fogo,
18:13resolução...
18:13porque sempre vai ter
18:14alguém interessado
18:15de um lado ou de outro
18:16ali para vetar
18:17dentre os cinco membros
18:19permanentes do concílio.
18:20Aí a gente pega a OTAN,
18:21que daí já é um bloco
18:23militar, né?
18:24De aliados militares,
18:25teoricamente seria
18:26para um ajudar o outro
18:26quando tivesse ali
18:28conflito de um deles.
18:29Aí a OTAN
18:30não entrou
18:32na onda
18:32do Zelensky,
18:33quando o Zelensky
18:34estava se aproximando
18:35da OTAN
18:35no conflito
18:36com a Rússia.
18:37O OTAN falou,
18:38não,
18:38é problema seu,
18:39se vira aí.
18:40Nós não temos nada
18:40com isso.
18:41Agora o Trump chama
18:42a turma para ajudar ele
18:43lá no Estreito de Jormuz.
18:45O OTAN,
18:46pé atrás,
18:46fala,
18:47não,
18:47problema seu,
18:48se vira aí
18:49relações estremecidas.
18:50Ou seja,
18:51essa falta de consenso
18:53global,
18:54não só pela paz,
18:55mas também
18:56e contra o conflito
18:58de alguma maneira
18:59com essas situações
19:00que a gente coloca,
19:01demonstra um desarranjo,
19:03um desarranjo
19:04nas relações diplomáticas
19:06nessa geopolítica, né?
19:07Onde isso pode parar,
19:09Ogani?
19:09Olha,
19:10pode parar
19:11numa situação
19:11de mais incerteza,
19:13mais escalada
19:15e em conflitos
19:16com potenciais
19:17de destruição
19:18muito maiores.
19:19Veja,
19:20pós Segunda Guerra Mundial
19:22houve uma série
19:23de acordos internacionais,
19:25houve a criação
19:26da ONU,
19:27houve protocolos
19:28do que seria
19:29crimes de guerra,
19:30não porque as pessoas
19:31achavam isto bonito,
19:33porque a Primeira
19:34e a Segunda Guerra Mundial
19:36foram muito custosas
19:38para a humanidade
19:40em termos de vidas,
19:42em termos econômicos.
19:43Então,
19:44o mundo entendeu
19:45que a partir
19:46da Segunda Guerra Mundial
19:47não valeria mais a pena
19:49a lei
19:50do mais forte,
19:51que era preciso
19:52criar ali
19:54protocolos,
19:54caso contrário,
19:56a situação
19:56descambaria, né?
19:58Caso contrário,
19:59a gente teria
20:00novamente
20:01o que aconteceu
20:01na Segunda Guerra Mundial,
20:03o que ninguém quer.
20:05Infelizmente,
20:06de um tempo
20:06para cá,
20:07a gente
20:07percebe
20:08um arrefecimento
20:10destes protocolos
20:12de guerra,
20:13o mundo
20:14se tornou
20:15muito mais
20:16tenso
20:17do ponto de vista
20:18geopolítico.
20:19Uma forma
20:21de você
20:21evitar guerras
20:23é justamente
20:23pela cooperação
20:25econômica,
20:26pela globalização.
20:28O Keynes
20:29escreveu isso
20:30na década
20:31de 20,
20:32de 30,
20:32que eram as consequências
20:34econômicas
20:36da paz.
20:37Agora,
20:37no sentido contrário,
20:38quando...
20:40Sabia que você ia
20:41falar isso.
20:41Ué,
20:42mas tem coisa dele
20:43que eu aproveito,
20:43que eu reconheço.
20:45Agora,
20:46eu sou crítico
20:46em muitas coisas,
20:47mas nesse ponto aí
20:49Piper,
20:49Keynes,
20:50não,
20:51muitas coisas...
20:51É o pai do desenvolvimentismo
20:53econômico,
20:54é isso?
20:54Que é uma das bandeiras,
20:56por exemplo,
20:57foi do governo da Dilma,
20:58não é isso?
20:59Isso aí,
21:00o pessoal da esquerda...
21:00Você está elogiando,
21:01né?
21:02Não, não,
21:02o que eu estou querendo dizer
21:02é que ele tem uma obra
21:04que é as consequências
21:06econômicas da paz,
21:07que, de fato,
21:08quando você tem
21:09uma cooperação
21:11econômica,
21:11você leva
21:12a mais paz
21:13e quando,
21:14no sentido contrário,
21:15você tem retaliações
21:16econômicas,
21:17foi o caso da Alemanha
21:18na Primeira Guerra Mundial,
21:20retaliações muito fortes,
21:21isso aquilo
21:22contribuiu
21:23para
21:24todo um revanchismo
21:26por parte da Alemanha
21:27na Segunda Guerra Mundial.
21:28Então,
21:28a gente vive
21:29num mundo hoje
21:30que é uma desaceleração
21:31da globalização,
21:33um enfraquecimento
21:34desses protocolos
21:35e acordos
21:36de guerra,
21:37de protocolos
21:38de guerra
21:39e é claro
21:39que a situação
21:40está aí,
21:40Coba,
21:40é isso que você descreveu,
21:42as organizações
21:43multilaterais
21:44não conseguem
21:45resolver os conflitos
21:46e agora pipocando
21:48conflitos
21:48no mundo inteiro,
21:50evidentemente
21:50que isso é uma situação
21:51tensa
21:51só que ninguém
21:52que ninguém
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