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O pós-doutor em ciência política, José Niemeyer, analisa o pronunciamento de Donald Trump sobre os Estados Unidos estarem "perto de cumprir" seus objetivos no Irã.

Segundo o especialista, tudo leva a crer que o conflito seguirá o modelo de uma continuidade da guerra aérea.

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Transcrição
00:00em todo o mundo e a gente relembra que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
00:06afirmou que está perto de alcançar seus objetivos no Irã e que deve continuar atacando com dureza
00:12as instalações iranianas. A reação do mercado foi imediata, o preço do petróleo disparou,
00:17como a gente comentou, e as bolsas mundiais caíram. As forças armadas iranianas responderam
00:23e afirmaram que continuarão se defendendo até a rendição dos Estados Unidos.
00:29Sobre isso, como prometido no início dessa edição do Jornal Jovem Pan, a gente tem um convidado especial,
00:35o doutor em ciência política e professor do MEMEC do Rio de Janeiro, José Niemeyer.
00:40Professor, chega aqui agora para conversar com a gente. Boa noite, professor.
00:43Obrigada pela presença aqui nessa edição do Jornal Jovem Pan.
00:47Quero pegar essa frase que eu falei agora no final, que vão continuar até que os Estados Unidos
00:52parem ou se rendam. Existe uma possibilidade dessa? Dá para vislumbrar isso?
00:57Para mim parece remoto.
01:01Boa noite, muito obrigado pelo convite. É um prazer estar na Jovem Pan mais uma vez,
01:05com você e com o assinante, também com as comentaristas, a Dória e a Denise.
01:09Um abraço para elas. Olha, a situação da guerra do Irã é uma situação...
01:14Agora a Dê e a Dória pode mencionar, né?
01:17Limitada. É uma guerra limitada no sentido que não ocorreu o que nós podemos chamar
01:22de uma invasão terrestre do Irã. Continua uma guerra aérea entre vetores aéreos das partes,
01:31tanto Estados Unidos e Israel, contra o Irã.
01:34Se acontecesse uma invasão terrestre, que eu não acredito, a situação seria muito mais grave.
01:40Ela não aconteceu e me parece difícil que aconteça.
01:43Então, o que a gente pode prever é a continuidade da guerra aérea.
01:49O Irã parece que tem um estoque de armamentos suficiente.
01:53Muitos achavam que os estoques de mísseis terra a terra do Irã estavam diminuindo,
02:00mas eles continuam usando mísseis terra a terra contra alvos no Oriente Médio,
02:04alvos norte-americanos israelenses e também em bases norte-americanas.
02:11Israel tem respondido com o mesmo tipo de armamento.
02:14O Irã também tem uma quantidade importante de drones.
02:18Eles se utilizam muito de drones na guerra.
02:21Eles são produtores de drones.
02:23E tudo leva a crer que nós vamos continuar por alguns dias com essa guerra de perfil aéreo,
02:29de dinâmica aérea.
02:31Não acredito numa invasão terrestre.
02:33Os preços do petróleo vão continuar a subir,
02:35mas também penso que, como não vamos partir para uma dinâmica terrestre,
02:41de invasão terrestre do Irã,
02:43em alguns dias me parece que o presidente Trump,
02:46que é mais fácil ele fazer isso do que Netanyahu.
02:49Netanyahu se aproveita mais da guerra do ponto de vista político do que Trump.
02:53Aliás, Trump perde, do ponto de vista político,
02:55a cada dia há uma posição maior à guerra no eleitorado norte-americano.
03:00Mas imagina que, nos próximos dias, Trump vai dizer que alcançou os objetivos militares dos Estados Unidos,
03:07que era destruir parte da infraestrutura nuclear do Irã,
03:12parte da marinha iraniana,
03:14também atingiu a infraestrutura aérea do Irã,
03:18não conseguiu o objetivo político, que era mudar o regime.
03:22E o Irã vai dizer que o regime político do Zé Atolás continua,
03:25inclusive com o apoio da população.
03:28Parte da população é contra o regime,
03:30mas você tem uma grande parte da população no Irã,
03:33mais tradicionalista, que apoia o regime.
03:36E ambas as partes, tanto Estados Unidos como Irã,
03:39vão dizer que venceram a guerra.
03:42Isso é comum nas dinâmicas de guerra.
03:45E Israel, na minha visão, gostaria que essa guerra permanecesse,
03:50porque Netanyahu tem conseguido mais apoio político
03:53junto ao eleitorado de Israel.
03:56Professor, eu vou chamar a Denise Campos de Toledo,
03:59que já está aqui com a gente, para participar da conversa,
04:01fazer uma pergunta também para o senhor.
04:03Professor, boa noite.
04:05Eu ia tocar exatamente nesse ponto que o senhor destacou
04:08em relação ao Israel,
04:09que parece ser o grande vencedor, por enquanto,
04:11de todo esse conflito, não é?
04:13Porque ele teve meio que o aval para atacar também o Hezbollah no Líbano,
04:19uma ofensiva muito pesada contra o Líbano,
04:21que deixa resultados, reflexos também para a população.
04:26O Hezbollah atacou também Israel,
04:29mas a força com que ele invadiu mostra que Israel tem um objetivo muito claro.
04:34Ele quer enfraquecer o Irã, que era um grande opositor,
04:38tem um ataque ao Líbano para atacar exatamente o Hezbollah,
04:41que também era inimigo.
04:43E durante esse processo todo, Gaza ficou meio esquecido,
04:45aquele processo de pacificação.
04:47E, enquanto isso, os Estados Unidos têm de explicar para o mundo
04:50o porquê dessa guerra toda.
04:52Trump, no pronunciamento de ontem à noite,
04:56tentou passar a impressão que os Estados Unidos
04:57podem sair vitoriosos de uma situação,
05:00não só da ameaça nuclear,
05:02mas ele defendeu muita posição em relação ao petróleo,
05:05falou que os preços vão cair,
05:07que os Estados Unidos vão vender muito petróleo,
05:09ampliação das reservas.
05:11Ele quis exaltar essas possíveis vitórias
05:14que, na prática, a população não está sentindo.
05:16Daí a queda de popularidade.
05:18Eu queria aproveitar para incluir a OTAN,
05:21os países europeus, nesse processo.
05:22Isso não pode levar a um distanciamento
05:25e também por aí os Estados Unidos saírem perdendo?
05:28Denise, como sempre, você é muito competente na análise.
05:31O ganho político de Israel é muito maior
05:34do que o ganho político da Casa Branca.
05:36A Casa Branca está perdendo apoio político
05:38junto aos independentes e junto à parte do eleitorado republicano.
05:43Nas eleições de novembro que vão ocorrer nos Estados Unidos
05:46para renovar a parte do Congresso,
05:48há uma grande possibilidade dos democratas terem maioria.
05:52Então, Trump terá que governar os dois últimos anos
05:55sem maioria, principalmente na Câmara Federal.
05:57Bem, com relação a Israel, não.
06:00Israel, há um aumento da popularidade
06:02porque Israel está lutando uma guerra
06:06que é uma guerra praticamente de fronteira,
06:08uma guerra de proximidade estratégica militar.
06:11E isso impacta muito no eleitorado.
06:14E o eleitorado israelense, que era muito crítico a Netanyahu,
06:18você tem toda a razão,
06:19se aproximou mais do governo nessa situação de guerra.
06:23Até porque o Irã,
06:24e é importante também deixar isso claro
06:26para o assinante da Jovem Pan,
06:28O Irã tem conseguido, em alguns momentos,
06:32ultrapassar a defesa do domo de ferro
06:34e atingir objetivos, bairros,
06:36inclusive bairros com população civil,
06:40também em Israel.
06:41Isso é muito grave para a cultura de defesa israelense,
06:46ainda mais depois dos últimos atentados do Hamas.
06:49Então, isso é muito grave.
06:51Então, Netanyahu conseguiu, com essa guerra,
06:54unir apoio em torno do nome dele.
06:56E também haverão eleições em Israel.
06:59Netanyahu tinha uma grande possibilidade
07:01de perder as eleições,
07:02mas vamos aguardar.
07:03As eleições são em outubro, se não estou enganado.
07:06Com relação à União Europeia, Denise,
07:09na minha opinião,
07:10esse é o grande movimento,
07:12é o evento mais grave
07:14das relações internacionais neste século XXI.
07:18Talvez tão grave quanto foi os atentados
07:21de 11 de setembro de 2001,
07:23ou a guerra à Rússia-Ucrânia,
07:26ou a tentativa de anexação da Geórgia em 2008,
07:29ou a crise de 2008,
07:31a crise econômica e financeira.
07:32Por que que consideram muito grave?
07:34Porque os Estados Unidos e União Europeia,
07:37ou europeus,
07:38tinham uma aliança atlântica
07:39desde a Segunda Guerra.
07:41Se houver um distanciamento
07:44de Estados Unidos e países europeus,
07:47quem ganha muita autonomia estratégica com isso
07:50é a Rússia.
07:51Até porque a Rússia é próxima da Europa,
07:55nós sempre temos que lembrar
07:57que o continente euroasiático
07:59é uma mesma massa territorial.
08:01Então, a Rússia ganha mais autonomia
08:04com esta crise entre Estados Unidos
08:07e países europeus,
08:08principalmente as lideranças França e Alemanha,
08:11e a China, que nem preciso dizer,
08:13que também faz parte
08:15da mesma massa territorial.
08:17A China faz parte
08:18do continente euroasiático.
08:20Se você sair a pé de Pequim,
08:22você chega em Paris.
08:23Vai demorar, mas você chega.
08:25É a mesma massa territorial.
08:27Por isso que esse distanciamento
08:29entre Estados Unidos e europeus
08:31é um dos eventos mais graves
08:34das relações internacionais
08:36deste primeiro quarto do século XXI.
08:40Nós estamos conversando
08:41com o professor do IBMEC do Rio de Janeiro
08:43e doutor em Ciência e Política,
08:45José Niemeyer.
08:47Professor, agora a Dora Kramer
08:48também vai te fazer uma pergunta.
08:51Boa noite, professor.
08:52Com todas essas consequências
08:53que o senhor desenha,
08:55dá para dizer que,
08:57do ponto de vista político,
08:59que o Donald Trump já perdeu
09:01ou vai perder essa guerra?
09:04No ponto de vista político, sim.
09:06Obrigado, Dora.
09:07Também é uma excelente pergunta.
09:08É um prazer conversar com você.
09:10Por que ele perde apoio político interno
09:13e ele faz com que o regime dos Yatolás
09:16ganhe apoio político
09:18porque o Irã está sendo atacado
09:20e isso também une a população?
09:22Da mesma maneira que a população
09:24se uniu em torno de Netanyahu,
09:27em Israel,
09:27a população do Irã,
09:29talvez a classe média,
09:30os jovens da classe média menos,
09:32mas a grande maioria da população,
09:34que tem uma cultura de política
09:37próxima da religião muito grande,
09:39essa população se vê invadida pelo inimigo
09:43e é claro que vão apoiar
09:45o governo de Kameleim Filho.
09:46Kameleim Filho não está aparecendo ainda, Dora.
09:50Eu não tenho informação fidedigna,
09:53mas deve estar aguardando.
09:55Não sei se ele sofreu naquele atentado
09:58que a família de Kameleim sofreu,
10:02se talvez ele tenha ficado muito ferido,
10:05mas ele é o líder hoje do regime dos Yatolás
10:08e ele acabou ganhando força.
10:10E quando ele ganha força,
10:11ganha força a guarda revolucionária,
10:14as instituições que formam
10:16o que a gente chama de República Islâmica
10:17desde 1979 no Irã.
10:20Então, me parece que do ponto de vista político,
10:23esta guerra foi muito ruim para o presidente Trump.
10:25E aproveitando também uma menção, Dora,
10:28que a Denise fez,
10:29que os Estados Unidos talvez possam estar
10:31querendo vender petróleo, né?
10:33Ela reproduziu o que Trump disse, Denise.
10:36Não faz o menor sentido.
10:37Os Estados Unidos precisam de mais petróleo.
10:39São grandes produtores,
10:40mas precisam muito de petróleo.
10:42A máquina econômica norte-americana
10:44não vive sem petróleo.
10:44Então, pode ser que os Estados Unidos
10:47vendam um pouco de petróleo neste momento,
10:50um processo específico,
10:52mas esse cenário de venda de petróleo norte-americano
10:54se aproveitando da guerra
10:56não faz o menor sentido.
10:57A Denise tem razão.
10:59Professor do IBMEC do Rio de Janeiro
11:01e doutor em Ciência Política,
11:03José Niemeyer,
11:04muito obrigada pelo tempo
11:05para conversar com a gente aqui na Jovem Pan.
11:07Eu que te agradeço.
11:09Agradeço também a participação das comentaristas
11:11de tanto respeito.
11:13Um abraço a você
11:13e o assinante da Jovem Pan.
11:16Volte logo, professor.
11:18Obrigada.
11:19Aqui no Brasil,
11:20o processo de transferência de presídio
11:22do ex-deputado estadual...
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