00:00Perfeito, gente. Vamos voltar a falar um pouquinho mais de eleições, porque a pesquisa da Atlas, do Estadão,
00:04divulgada hoje, mostra que Flávio Bolsonaro volta a superar Lula no levantamento só com eleitores do Estado de São Paulo.
00:12A gente vai mostrar pra vocês como é que ficaram esses dados.
00:14Olha só, a pesquisa estimulada Flávio Bolsonaro do PL ficou com 38%, Lula do PT 37%, praticamente aqui um empate
00:22técnico num primeiro turno,
00:24Renan Santos, do Missão, 7%, Romeu Zema, 5%, Ronaldo Caiado, anunciado no começo da semana como pré-candidato do PSD,
00:325%, nenhum, branco ou nulo, apenas 1%.
00:36E a gente tem também uma pesquisa em relação ao segundo turno do enfrentamento entre Lula e Flávio Bolsonaro.
00:43E aqui, gente, o presidente Lula acaba perdendo com 44% contra 39% de Flávio Bolsonaro.
00:50E aqui também um dado interessante, o Lula acaba perdendo, segundo tudo, em todos os cenários, contra todos os seus
00:55adversários que são mais ligados à direita.
00:58Aqui o Romeu Zema, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível, e o Ronaldo Caiado, do PSD, mas querendo
01:03ou não, que tem esse viés, esse lado um pouco mais da direita do que mais de centro.
01:09Então, é importante deixar claro que essa pesquisa foi feita apenas com eleitores aqui do Estado de São Paulo.
01:1550% dos eleitores foram entrevistados na capital e também na região metropolitana, e outros 50% em diversas cidades
01:23do interior paulista.
01:24O Alan Gani, eu quero analisar com você, e é claro, essa divisão envolvendo o Estado de São Paulo é
01:29muito clara e histórica, tradicional.
01:31A capital e região metropolitana, perdão, ela tem uma tendência um pouco mais de centro, centro-esquerda.
01:38Já todo o interior, tradicionalmente, é um eleitor um pouco mais conservador, que caminha mais com a direita.
01:44Isso ficou muito claro nesses números.
01:46O próprio Flávio Bolsonaro com o Lula no primeiro turno, um empate técnico, uma diferença de 1%,
01:51mas quando a gente chega aqui em qualquer adversário mais ligado à direita, tem uma vantagem em relação ao presidente
01:58Lula.
01:58Ou seja, o interior do Estado de São Paulo pode ser decisivo nessa eleição também?
02:02Pode, pode sim, razão pela qual também o PT nunca ganhou, né? O Estado de São Paulo é o sonho
02:09do PT,
02:11mas a verdade é que há uma identificação muito grande do Estado de São Paulo com a direita,
02:18dado a defesa de valores conservadores e também a pujança econômica que é o Estado de São Paulo, né?
02:27Defendendo aí capitalismo, livre mercado, a que pegou para valer isso.
02:31Então, evidentemente que não votam em candidatos do PT, quer dizer, majoritariamente votam em candidatos identificados com a direita.
02:41E aí o Flávio Bolsonaro, claro que leva vantagem aqui no Estado de São Paulo e vive um bom momento.
02:48Apesar daqui da crítica que eu fiz em relação ao escorregão que ele deu no CEPAC,
02:53ele faz uma campanha muito boa, tem batido na hora certa no presidente, no governo,
03:00e a conjuntura também está favorável para ele.
03:03Porque, veja, Cássio, a inflação devido à guerra do Oriente Médio,
03:09ela é, mesmo que o Brasil não tenha culpa, ela é acreditada ao governo federal.
03:14Vai vir inflação, é culpa do governo.
03:16Os escândalos de corrupção, tanto do Master quanto do INSS,
03:20como estouraram agora também, justo ou injustamente, vão para a conta do governo.
03:24É, crise de segurança pública, aí o governo tem responsabilidade.
03:28Então, crise de segurança pública, essa percepção de que piorou muito a criminalidade,
03:33vai para a conta do governo federal.
03:34Então, vive um ótimo momento o Flávio Bolsonaro,
03:38seja circunstancial e pela campanha bem feita que ele tem fazendo,
03:42mais pela composição, mais pela articulação, mais moderada em relação ao pai dele.
03:47Ô, Zé Maria Trindade, você acredita que esses números apresentados pela pesquisa da Atlas Estadão
03:52mostra, ou revela até mesmo, aquela preocupação que o presidente Lula,
03:56que o governo federal tinha de montar um palanque forte,
04:00com um nome que pudesse, de certa forma, aí trazer uma ameaça ao governo do Tarcísio de Freitas?
04:07Porque, se a gente traz para essa realidade o próprio interior do Estado,
04:11todos os candidatos que marcavam ali 4%, 5%, 6% acabam ganhando o segundo turno.
04:18O presidente Lula tem com essa pesquisa um norte de onde ele deve atuar
04:22e de que forma ele deve trazer, pelo menos aí, os seus desafios
04:26para conseguir retirar um pouco desse eleitor e ter mais força no interior paulista?
04:32É, e é o maior colégio eleitoral do país.
04:35Isso é muito claro, né?
04:38Já está justificado e exatamente por isso que a estratégia do presidente Lula
04:43é tentar tirar essa diferença no norte e nordeste, mais nordeste, né?
04:47Um pouco sudeste e nordeste.
04:50Essa é a estratégia.
04:51Se conseguir isso, tudo bem.
04:52Mas é meio complicado.
04:54Então, vai perder e a tentativa é de perder de pouco.
04:58Isso é muito claro.
04:59Por isso que eu desconfio e desconfio muito como essa verdade que aparece aí nesse quadro, né?
05:05Não se reflete na escolha do Senado.
05:07Quer dizer, não pode o Estado de São Paulo ter se transformado em centro-esquerda
05:12de uma hora para a outra.
05:13Eu sempre conversava aqui, Cássio, com deputados de São Paulo
05:18sobre a situação política do Estado.
05:20Isso sempre, há décadas atrás, a gente já vem conversando sobre isso.
05:24Como um Estado como São Paulo, que é a locomotiva do Brasil, o Estado do Produtor,
05:30o Parque Industrial Brasileiro, né?
05:32Não tinha uma direita, nunca teve uma direita forte, líderes de direita, né?
05:37Eu via por aqui o PFL, o DEM, os partidos de direita da época,
05:42e aí eu me perguntava, mas por que o DEM não é forte em São Paulo?
05:47Por que o PSDB domina na época, domina São Paulo?
05:50E a resposta era a seguinte, São Paulo foi dominada por Paulo Maluf,
05:56que era a direita, né?
05:58A direita de São Paulo era malufista.
06:00Então ficou meio esquisito, quer dizer, aquilo não era exatamente a direita,
06:05não era o mercado livre, não era exatamente o discurso de direita,
06:08mas a figura do Maluf.
06:10E ali, para substituir essa direita, veio o PSDB,
06:13que todo mundo entendeu como direita.
06:15Mas esta é uma característica do Estado de São Paulo.
06:18E agora isso aí fica muito claro, sempre foi assim.
06:21Só que era meio mascarado ali no PSDB, essa direita contra o PT.
06:27Mas, por outro lado, demonstra uma força do PT, sim.
06:31Veja bem que em qualquer cenário, o presidente Lula está forte, né?
06:36Só diminui um pouco ali para o Ronaldo Caiado,
06:39mas que também é uma coisa incompreensível,
06:41porque ele é forte na direita também.
06:43Mas, de qualquer maneira, esse é o quadro político de São Paulo,
06:47eu não tenho dúvida disso.
06:49Pipero, você acredita que a atuação de Fernando Haddad,
06:52de um vice que seja mais de centro, até mesmo ligado ao agro,
06:55também nas figuras de Simone Tebbitt e Geraldo Alckmin,
06:58isso pode diminuir a resistência do eleitor do interior paulista?
07:02Essas pesquisas divulgadas nessa semana, né?
07:06Feitas no Estado de São Paulo,
07:09elas são surpreendentemente boas para o PT.
07:14Esse levantamento em que dá o Flávio Bolsonaro
07:16cinco pontos à frente do presidente Lula no segundo turno,
07:21significa que, se a eleição fosse agora e esse resultado fosse reproduzido,
07:26o presidente Lula teria, em relação a Flávio,
07:29uma desvantagem menor do que ele teve
07:31em relação ao presidente Bolsonaro em 2022.
07:35Esse cálculo já foi feito.
07:36Veja, esse resultado aí de 49, 44,
07:39isso não são os votos válidos,
07:42são os votos totais.
07:44Então, nos votos totais em 2022,
07:47deu 47 e pouquinho a...
07:49Deu, desculpa, 49 e pouquinho a 42.
07:53Foram sete e pouco diferenças.
07:55Agora a diferença é menor.
07:57Então, na verdade, não é um resultado ruim,
08:01é um resultado desesperado.
08:01Quer dizer, sabe-se que o presidente Lula vai perder em São Paulo.
08:05Agora, ninguém sabe, ninguém consegue adivinhar
08:08de qual vai ser o tamanho dessa derrota.
08:11Se for uma derrota até o nível que foi em 2022,
08:16segue o jogo para ele.
08:17Se for uma derrota pior,
08:19mais acachapante, aí é preocupante.
08:22Agora, se ele encurtar a diferença,
08:23a vantagem é dele.
08:25E aí, o Zé chama atenção para a questão do Senado.
08:28É que no Senado, Zé,
08:30há um outro componente aqui em São Paulo.
08:34Nesse ano, pelo menos nessas simulações,
08:37o número de postulantes da direita
08:41que pontuam é maior,
08:44o que significa também mais divisão de votos.
08:49O eleitorado da esquerda,
08:51ou de centro para a esquerda,
08:53por enquanto, ele tem como opções
08:55apenas a Simone Tebbit e a Marina Silva.
08:58Então, não divide.
08:59É possível chegar lá e votar nas duas,
09:01porque esse ano a eleição vai ser para eleger dois.
09:04Agora, no campo da direita, por exemplo,
09:06aí tem o Derritte, Coronel Melo, o Salles.
09:11Então, é muita gente.
09:12Tem mais algum que eu acabei esquecendo aí.
09:14Então, é por isso até que,
09:19curiosamente, não seja um resultado
09:24que bata conforme é o resultado,
09:26por exemplo, da eleição para o governo.
09:28Não, vai entrar mais um, né?
09:29Porque ainda não está definido
09:30se vai ser aí o Melo Araújo,
09:32ou até mesmo pode ser um outro nome
09:34que a própria direita vai apoiar para o Senado.
09:36Então, lá o campo está bem aberto
09:38e o Piper não falou muito bem esse detalhe.
09:41E, é claro, essa discussão,
09:42essa briga, tanto da esquerda para a direita,
09:44para conseguir o maior número de cadeiras no Senado,
09:47que será fundamental no próximo governo.
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