- há 10 horas
Neste episódio do Ladoa!, Madeleine Lacsko recebe o jornalista, humorista e escritor Edson Aran. Com uma trajetória que se confunde com a história das grandes revistas brasileiras, Aran abre o jogo sobre os bastidores da VIP, Sexy e Playboy. Você vai saber sobre a entrevista que ele fez com Jair Bolsonaro para a Playboy e suas percepções sobre o império de Hugh Hefner.
A conversa também mergulha na era de ouro da Contigo!, relembrando o sucesso do quadro 'Fotofofoca', e passa por episódios memoráveis da política e celebridades, como o caso Renan Calheiros e Mônica Veloso.
Para fechar, Edson apresenta seu novo trabalho literário, "Quincas Borbas e Nosferatus", unindo o clássico de Machado de Assis ao universo dos vampiros com seu humor ácido característico.
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Edson Aran, Madeleine Lacsko, Ladoa!, Entrevista Edson Aran, Playboy Brasil, Jair Bolsonaro Playboy, Revista VIP, Revista Sexy, Revista Contigo
A conversa também mergulha na era de ouro da Contigo!, relembrando o sucesso do quadro 'Fotofofoca', e passa por episódios memoráveis da política e celebridades, como o caso Renan Calheiros e Mônica Veloso.
Para fechar, Edson apresenta seu novo trabalho literário, "Quincas Borbas e Nosferatus", unindo o clássico de Machado de Assis ao universo dos vampiros com seu humor ácido característico.
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Categoria
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DiversãoTranscrição
00:00:00Bem-vindo a mais um episódio do Lado A.
00:00:04Hoje você vai conhecer Edson Aran, o mestre das palavras que vai do cartoon à crônica com maestria.
00:00:12Escritor de dez livros, incluindo o romance Quincas, Borba e Nosperato, e o infantil Aninha e o Unicórnio,
00:00:19ele ainda teve sua obra, Histórias Jamais Contadas, da literatura brasileira, indicada ao Jabuti em 2023.
00:00:27Como jornalista, comandou as redações das revistas masculinas Mais Calientes, Sexy, Vip e Playboy,
00:00:37onde foi diretor por sete anos, e ele sabe como contar histórias que prendem a atenção.
00:00:44Roteirista e cartunista, Aran transforma ideias em bestsellers e risadas em páginas viradas.
00:00:52Estamos aqui nos estúdios com Edson Aran. Muito boa noite pra você.
00:00:59Boa noite. Um prazer estar aqui. Um prazer falar com você.
00:01:02Um prazer enorme. Aran, vamos começar pela sua produção literária.
00:01:09Vamos.
00:01:10Eu fui ao lançamento do seu livro, eu gostei, meu filho gostou demais.
00:01:18Não é livro infantil, é livro pra adulto ler, mas é linguagem de jornalista,
00:01:25então o adolescente que lê bem também consegue, né?
00:01:28É, consegue. E assim, né, é esse aqui, é o Quincas Borba e Nosferato.
00:01:33Ele tem uma brincadeira, que se sabe, né, que é essa mistura do universo do Machado de Assis com o
00:01:38Bram Stoker.
00:01:40Então, assim, na verdade eu coloco a novela gótica dentro do Machado de Assis.
00:01:47Porque a história é que o Quincas Borba, que é filósofo e tal, ele fica rico, vai pra Paris,
00:01:53isso é o comecinho do livro, vai pra Paris, aprende a arte da detecção com Augusto Dupin, né,
00:01:59os crimes da rua Morgue ali e tal, volta pro Rio de Janeiro,
00:02:03abre um escritório de investigações filosóficas na Rua do Ouvidor.
00:02:07O Brascubas vê um anúncio no Jornal do Comércio e fala,
00:02:09cara, será que é o mesmo Quincas Borba que eu conheci na igreja de São Francisco, né, como medigo e
00:02:16tal?
00:02:16Vai até lá, quando eles estão lá conversando, chega o primeiro cliente, que é o Bento Santiago,
00:02:22o marido da Capitú, falando, olha, eu preciso ter uma suspeita e tal, ele tá muito tímido,
00:02:28mas minha mulher sai todo dia, final de tarde, e vem pro centro da cidade com uma amiga dele,
00:02:34dela, eu queria saber onde ela vai.
00:02:37E o Brascubas é imediatamente encarregado pelo Quincas Borba de seguir a Capitú.
00:02:42O que ele acha divertido, porque ele não tem nada pra fazer, né, então, ah, vou seguir uma mulher casada
00:02:46pelo Rio de Janeiro.
00:02:47E aí descobre que ela vai no Paço Imperial, onde tá hospedado um conde da Transilvânia,
00:02:54que tá, assim, visitando as cortes amigas pra buscar apoio pra que a Transilvânia fique independente novamente,
00:03:01que era um principado independente.
00:03:03A história se passa em 1869, quando a Transilvânia foi incorporada pelo Império Austrunga.
00:03:10e esse cara é o Drácula.
00:03:12Então, esse é o comecinho da história, e aí vai misturando, como o Drácula tem carta, tem diário e tal,
00:03:19só que tem um narrador machadiano, né, que não sabe exatamente o que ele tá vendo,
00:03:24que não entende exatamente o que ele tá vendo.
00:03:26E tem, é, essa coisa da Capitú é o grande mistério que ainda paira, né, sobre a obra do Machado
00:03:36de Assis.
00:03:36Tem tese de doutorado, não sei o quê.
00:03:39No seu livro, você resolve se ela traiu ou não traiu?
00:03:43Eu, eu resolvo, eu acho.
00:03:45Não precisa dizer se é o sim ou não, mas você resolve, ele tem uma hipótese, uma tese pra isso?
00:03:50Tem uma tese, assim, a minha tese particular é que a Capitú deu muito.
00:03:55Muito, muito, não foi pouco não, Andar.
00:03:59Como assim?
00:04:00Claro, porque tá lá, porque tá lá, porque não é só, não é só a desconfiança do Bentinho,
00:04:05mas é tudo que ele coloca no livro, no Dom Casmovo, né?
00:04:09É uma tia dele que se afasta do casal, os amigos que...
00:04:14Então, assim, tem toda uma história ali que deixa evidente que a Capitú era meio levada.
00:04:22E eu acho essa discussão moralista, você não acha?
00:04:26Mas também não pode ser que o Bentinho é meio surtado e imagina aquelas coisas todas?
00:04:38Então, pode, porque o Bentinho, assim, vamos lembrar, o Bentinho é um seminarista.
00:04:43É.
00:04:43Ele foi criado pra virar padre, ele casou com a primeira namorada dele, namorado de infância.
00:04:50Então, assim, ele é inseguro.
00:04:53Ele é muito inseguro, né?
00:04:55E ele tem uma insegurança com a Capitú, porque a Capitú é muito bonita, né?
00:05:00No livro todo fala-se como a Capitú é bonita e tal.
00:05:04Então, ele é inseguro.
00:05:05E acho que ele tem um tesão enrustido pelo Escobar também.
00:05:08Eu acho muito!
00:05:11Muito!
00:05:11Por isso que eu acho que esse povo todo que se afastou, na minha cabeça, o povo todo
00:05:16se afastou por quê?
00:05:18Falou, nossa, casou com essa mulher bonita e tá aí com esse rapaz.
00:05:21Era muito homofóbica a sociedade na época.
00:05:24É, era.
00:05:25Era muito.
00:05:26Então, mas o meu livro não entra nessas questões.
00:05:28É uma coisa...
00:05:30Quer dizer, eu acho que tá ali, tá tudo ali.
00:05:32Toda desconfiança tá ali e tal, mas num outro contexto.
00:05:35E aí você vai juntando o universo, você vai botando o Nosferatu, tudo ali no meio.
00:05:42No universo do Machado, né?
00:05:44Porque o livro se passa em 1869, tá acontecendo a Guerra do Paraguai.
00:05:50Então, assim, são 30 anos antes de tudo que a gente vai ler no Drácula do Bram Stoker.
00:05:56Então, assim, ninguém sabe o que é aquela criatura, ninguém sabe.
00:05:59O Brascubas, ele enxerga umas pistas, mas ele mesmo não acredita.
00:06:04Sabe, uns boatos que ele não leva a sério.
00:06:07Assim, porque no fundo, a única função dele é ver o que a Capitú faz.
00:06:11A Capitú vai numa palestra, só isso que ela faz.
00:06:15E ele tá lá...
00:06:17Mas é um vampiro, né?
00:06:19Então, assim, e eu tenho o Brascubas, é um dos narradores.
00:06:24E outro narrador é o Bento Santiago.
00:06:26Então, eu tenho dois narradores machadianos, além do Diário da Sancha, de Notícias de Jornal e tal.
00:06:32E ele tem essas várias linguagens, né?
00:06:35Porque ele vai...
00:06:36Ele tem o texto mesmo e ele tem outros textos esses que você traz, como as notícias, o diário.
00:06:44Você vai flexibilizando o estilo ao longo do livro todo, né?
00:06:47É, vou montando.
00:06:49Igual o Drácula, porque o Drácula também é meio um dossiê, né?
00:06:52É verdade, é.
00:06:52O Drácula tem diários, tem o Diário da Lúcia, tem o Diário da Mina,
00:06:56tem as cartas do marido da Mina, primeiro noivo, que escreve pra ela do Castelo do Drácula.
00:07:03Então, o meu livro também tem isso.
00:07:06Tem diário, tem notícia de jornal.
00:07:09E é uma investigação, porque eles têm que descobrir quem é essa criatura, né?
00:07:15Agora, você tem...
00:07:16Esse livro é o último, mas você tem trocentos livros, né, Ana?
00:07:21Quantos livros você já publicou?
00:07:22Então, esse aqui, eu estava contando outro dia, porque me fizeram essa pergunta.
00:07:26Esse aqui é o décimo primeiro.
00:07:29Bastante, né?
00:07:30E são todos de ficção?
00:07:32Não, tem ficção, tem não-ficção.
00:07:34Eu escrevi um livro de teorias conspiratórias, por exemplo, dois, aliás.
00:07:37Um que chama Conspirações, Tudo que não querem que você saiba.
00:07:41E o outro que chama o Livro das Conspirações, que são teorias conspiratórias.
00:07:46Escrevi livro com texto de humor, livro de aforismo.
00:07:50Romance, eu escrevi três, esse é o terceiro romance.
00:07:52Como que é aquele que você escreve, da literatura, histórias não...
00:07:57Gente, aqui, você sabe o que aconteceu comigo, né?
00:08:00Eu sei, eu sei que você me contou.
00:08:02Ele me...
00:08:03Como chama o livro?
00:08:04Só o pessoal procurar aí.
00:08:05Histórias Jamais Contadas da Literatura Brasileira.
00:08:08Produção, Júlia, Magal, põe aí a capa do livro.
00:08:12Ele me manda, ele me manda o Histórias Jamais Contadas da Literatura Brasileira.
00:08:17Era pandemia, lembra?
00:08:19Era pandemia.
00:08:20Era pandemia, isso foi na pandemia.
00:08:23No que chegou, eu fui ler, porque pandemia, a gente ficava...
00:08:26Eu começo a ler...
00:08:29Eu começo a ler achando que era sério.
00:08:33Mas é sério.
00:08:35Aí, quando eu tô...
00:08:37Eu não sei onde que eu li...
00:08:40Um puto absurdo, eu falo, gente, será que o Aran enlouqueceu com a...
00:08:48Ele enlouqueceu com a pandemia, tá delirando.
00:08:51O que ele tá colocando aqui?
00:08:53Aí eu perguntei pra você, Leila.
00:08:55Eu lembro, eu lembro.
00:08:56Aí você falou assim, não.
00:08:58É ficção.
00:09:00É tipo teoria conspiratória.
00:09:02É ficção.
00:09:03Então, esse livro foi legal, porque ele foi...
00:09:06Mas eu li um bom pedaço.
00:09:08Achando que era verdade.
00:09:09Falando assim, nossa, nunca tinha ficado sabendo disso.
00:09:13Que coisa interessante, até que parece um puto absurdo.
00:09:17Então, esse livro foi indicado por Jabuti na categoria de crônicas.
00:09:23Porque a ideia era contar a história da literatura brasileira, mas é uma história inventada.
00:09:30É uma história que não existe.
00:09:32Começa no Peru Vaz de Caminha e todos os escritores vão tendo aventuras e tal, mas é tudo inventado.
00:09:39É tudo texto de humor.
00:09:41Sim.
00:09:42Não é de verdade.
00:09:44Não.
00:09:45Porque começa no Peru Vaz de Caminha, eu falo, era uma gente muito louca, vai.
00:09:50Era uma gente muito louca.
00:09:51A primeira crônica é isso, é o Peru Vaz de Caminha.
00:09:53O Peru Vaz de Caminha.
00:09:54Catalogando os monstros que ele vai encontrando de Portugal até chegar no Brasil.
00:09:58Que poderia muito bem ser, porque é o trecho da carta.
00:10:02Como é que é?
00:10:03E elas tinham umas vergonhas tão limpas e tão saradinhas, que nós, de muito as bem olharmos,
00:10:10não tínhamos vergonha nenhuma.
00:10:12É.
00:10:12É o trecho da carta.
00:10:14Então, assim, uma pessoa que escreve isso, podia muito bem ter bebido, delirado e visto
00:10:18um monte de monstro de lá estar aqui.
00:10:20Claro, claro.
00:10:21Não tem como, não.
00:10:23Aí eu fui, mas depois o negócio foi, começou e falei, não é possível.
00:10:29É, vai.
00:10:29Mas é muito engraçado, é muito divertido.
00:10:32É divertido, é divertido.
00:10:34De uma certa forma, esse livro aqui é meio parente daquele outro.
00:10:37É, então.
00:10:37Eu achei uma certa...
00:10:39Tem uma certa, tem uma certa semelhança.
00:10:41Só que aquele outro, esse livro é um livro de terror.
00:10:44Ele tem humor, mas era um livro de terror.
00:10:46Aquele é um livro de humor mesmo.
00:10:48É um livro...
00:10:48O objetivo dele é fazer a pessoa rir.
00:10:51Quer dizer, claro, também vai conhecer a literatura brasileira ali, porque, de qualquer forma, eu
00:10:55conto uma história.
00:10:56Eu conto a história da literatura brasileira.
00:10:59E você criou essa paixão por fazer esses livros, por escrever dessa forma?
00:11:05Como?
00:11:06Você sempre quis, desde o começo do jornalismo e não tinha tempo?
00:11:12Ou não?
00:11:13Foi uma coisa que você desenvolveu?
00:11:14Não, eu acho que foi desde o começo, Madá.
00:11:17Assim, na verdade, eu não sei quando esse programa vai entrar no ar, mas o Jaguar morreu ontem,
00:11:24né?
00:11:24E eu estava lembrando que o meu Arã de Arantes é por causa do Jaguar.
00:11:29Porque o meu sobrenome é Arantes, né?
00:11:31Eu encurtei para Arã porque eu queria ser cartunista e eu falei, puta, eu preciso ter
00:11:35um nome mais curto, mais legalzinho e eu virei Arã por causa do Jaguar.
00:11:39Como assim?
00:11:40Por causa dele?
00:11:41Porque meu sobrenome é Arantes.
00:11:42O sobrenome do Jaguar é Jaguarib.
00:11:45Ah, você encurtou.
00:11:46Mas você encurtou igual.
00:11:48Porque você teve uma passagem pelo Pasquim, não teve?
00:11:50Tive, eu cheguei a colaborar no Pasquim.
00:11:53Porque assim, eu comecei, quando eu comecei a ler o Pasquim, eu era um moleque.
00:11:56Mas eu tinha achado que de repente o Jaguar, no Pasquim, falou, corta isso aí.
00:12:00Não, não foi, não foi.
00:12:02Foi coisa minha.
00:12:03Porque assim, eu virei jornalista porque eu queria trabalhar no Pasquim.
00:12:07A questão é que quando eu ainda estava na faculdade, eu fiz o camp.
00:12:12Quando eu estava na PUC, eu já estava publicando no Pasquim.
00:12:15Mandando cartão e publicando.
00:12:17Eu falei, cara, o que eu faço com o resto da minha vida agora?
00:12:20Porque você já tinha conseguido.
00:12:22Já tinha conseguido.
00:12:23O que eu faço com o resto da minha vida?
00:12:25Mas eu sempre quis trabalhar com humor.
00:12:28O que hoje está impraticável trabalhar com humor.
00:12:33O humor, a característica do humor é ser irreverente.
00:12:35Como é que você faz o humor tendo que ser reverente a certas figuras e certas ideias?
00:12:41É a morte do humor.
00:12:42Não é à toa que o humor hoje dá tanto problema.
00:12:45Porque assim, se você está cobrando reverência e a função do humorista é ser irreverente,
00:12:49como é que isso casa?
00:12:50Não casa.
00:12:51Não tem como.
00:12:53E no Pasquim, eu tenho aquele livro que são todas edições.
00:13:00Sim, antologia.
00:13:01E assim, era ditadura militar que eles começam, mas eles estão lá batendo, batendo, batendo.
00:13:10Mas ao mesmo tempo, eu acho que com o grau de refinamento e de inteligência,
00:13:17que é diferente do que a gente vê de humor na internet, por exemplo.
00:13:20É diferente.
00:13:22E eu acho assim, eles eram...
00:13:24Era aquela esquerda festiva, mas era uma esquerda festiva muito sacana.
00:13:29Não era que nem hoje, que todo mundo, não só a esquerda, a esquerda e a direita,
00:13:36que virou avatar do moralismo e nós queremos que você se comporte como a gente acha que deve se comportar.
00:13:42Todo mundo patrulhando todo mundo.
00:13:44A patrulha que existia era uma patrulha ideológica.
00:13:47Ela não era uma patrulha de comportamento.
00:13:49Sim.
00:13:50E era uma patrulha que vinha muito mais por parte do Estado, da ditadura, contra indivíduos, do que entre indivíduos.
00:13:58Não, até tinha uma patrulha da esquerda, mas a patrulha da esquerda era uma patrulha que, olha,
00:14:05você apoia a ditadura, a gente vai te detonar.
00:14:08O que durante uma ditadura, durante o regime de exceção, é até normal.
00:14:12Mas essa patrulha de comportamento não existia.
00:14:16Era uma coisa que eu acho que era mais do conservador, isso.
00:14:19De medir saia de moça.
00:14:22De biquíni, não sei o quê.
00:14:25Mas a esquerda hoje é isso.
00:14:28A cabeça deles é bem isso.
00:14:31Então, virou uma coisa assim.
00:14:33Eu ainda acho que esquerda e direita são parâmetros, né?
00:14:38Sim.
00:14:39Mas a esquerda ficou de direita, né?
00:14:43Então agora a gente tem uma direita e a gente tem uma esquerda que é a de direita.
00:14:47A esquerda que é a liga das senhoras católicas.
00:14:50É sensacional.
00:14:51Mas pra que a gente precisa de duas direitas, né?
00:14:54Eu achava mais legal quando existia uma esquerda.
00:14:58Tinha coisa diferente.
00:15:00Tinha coisa diferente.
00:15:01Agora a gente tem uma esquerda que é de direita e uma direita que sempre foi de direita.
00:15:05E aí a gente fica nessa coisa da interdição do humor, porque assim, essas figuras, na política,
00:15:14o que eu acho, a única morte, no Brasil, por exemplo, pode fazer qualquer coisa.
00:15:18A única coisa que é só morte política é o ridículo.
00:15:23É.
00:15:24Só o ridículo.
00:15:25E expostas ao ridículo, figuras políticas fortes não caem, porque aquilo é do jogo
00:15:32e é um detalhe da personalidade.
00:15:34Você via imitação do Sarney todo dia, imitação do Collor, do Fernando Henrique.
00:15:43Nos primeiros mandatos do Lula tinha, já foram podando.
00:15:46Mas hoje, eles são tão frágeis que se expostos ao ridículo, o ridículo engole a figura, né?
00:15:54É.
00:15:56Eu acho que eles continuam sendo ridículos.
00:15:58Eu acho que, na verdade, a chave começou a virar no governo Dilma.
00:16:03É verdade.
00:16:04Porque, por exemplo, eu lembro que o Cacete do Planeta estava no ar ainda, e fazer piada
00:16:08com a Dilma já era uma coisa que pegava mal.
00:16:10Assim, eles faziam.
00:16:11E o Zorra também, que estava no ar, também fazia, o Zorra Total, né?
00:16:15Que era o Sherman que estava tocando naquela época.
00:16:17Fazia, mas já pegava mal.
00:16:19Já tinha um discurso assim, puxa, mas isso é machismo, mas isso é chauvinismo, mas não
00:16:23sei o que.
00:16:24Mas sim, mas ela é uma presidente.
00:16:26E nós estamos zoando.
00:16:28É uma autoridade.
00:16:30Mas eu acho que ali começou a virar a chave.
00:16:33E aí, quando foi se intensificando e tal, enfim.
00:16:36E rede social também acho que favorece muito, porque um vai copiando o outro.
00:16:40Mas você começa com o humor no Pasquim, e você fazia um negócio que eu adorava.
00:16:46Eu preciso, produção, pegar depois foto disso para pôr aqui.
00:16:51Como é que chamava o negócio para fazer na revista contigo?
00:16:54Foto fofoca.
00:16:55Foto fofoca.
00:16:57Pois é.
00:16:57Quem aqui na produção viu foto fofoca?
00:17:00Pode levantar a mão forçado.
00:17:03Você que não vira também.
00:17:04Porque se ficar...
00:17:05Ah, ele viu.
00:17:05Ele viu, ele viu.
00:17:06O Magal viu foto fofoca.
00:17:08Eu achei que ninguém lembrava disso.
00:17:10Como que ninguém lembrava?
00:17:11Era maravilhoso isso.
00:17:12Então, pois é.
00:17:13Quando eu entrei, eu entrei na...
00:17:15Eu comecei como jornalista na Editora Abril.
00:17:18Atenderam o leitor.
00:17:19Aquele monte que respondia...
00:17:21Ainda era carta, tá?
00:17:22Não existia internet.
00:17:22Era carta.
00:17:24E a revista dava matéria do Menudo,
00:17:26que era um...
00:17:27Enfim, era um K-pop da época.
00:17:28Era um K-pop porto-riquenho da época.
00:17:32Era um K-pop sexy.
00:17:34Era um K-pop sexy.
00:17:36Enfim.
00:17:36Mas era uma tonelada de carta.
00:17:38Era um inferno.
00:17:38Eu ficava respondendo e mandando carta,
00:17:40e respondendo leitura,
00:17:41porque eu fazia atendimento a leitura.
00:17:43Mas, obviamente, eu estava ali querendo virar jornalista.
00:17:46Eu já estava publicando coisa no Pasquinha.
00:17:47Eu precisava...
00:17:48Eu quero ser jornalista.
00:17:50Não quero ficar fazendo isso.
00:17:52E aí tinha essa sessão na Contigo que o pessoal fazia.
00:17:55Aí eu, na minha cara de pau, fui lá conversar com o diretor.
00:17:57E falei, olha...
00:17:58Eu só fico respondendo carta.
00:18:00Eu quero entrar nesse troço.
00:18:02E comecei a fazer.
00:18:04Comecei a fazer.
00:18:05E acabei mudando um pouco a sessão,
00:18:07porque eles usavam muita foto que era produzida naquela semana.
00:18:11Então, foto de celebridade e tal.
00:18:13Eu falei, pô, mas dá para a gente pegar foto de filme, por exemplo.
00:18:16É, que era os que eu mais gostava.
00:18:18E era mais legal.
00:18:19Falei, pô, a gente tem...
00:18:21A Abril tinha o The Doc,
00:18:23que era o Departamento de Documentação,
00:18:25que era gigantesco.
00:18:26Que existe ainda, tá?
00:18:28Tá lá.
00:18:29E tinha muita foto.
00:18:30Pô, tem muita imagem.
00:18:31Vamos pesquisar as imagens para criar uma coisa mais legal.
00:18:33E aí comecei a entrar.
00:18:35Eu fazia...
00:18:36Trabalhava feito maluco, Madar.
00:18:38Porque...
00:18:39Jura?
00:18:39Trabalhava, porque assim, eu entrava...
00:18:41Como que era criado isso?
00:18:44Ah, a gente pegava um monte de coisa lá
00:18:46e pegava as fotos e fazia.
00:18:49E fazia um monte.
00:18:50E aí o diretor de redação escolhia.
00:18:53Né?
00:18:54Mas eu fazia um monte de coisa.
00:18:55Eu atendia leitor.
00:18:56Eu tinha uma sessão na abertura da revista
00:18:59chamava Flagra.
00:19:00Que era uma sessão de notinhas, de fofocas e tal.
00:19:03E eu era repórter dessa sessão.
00:19:05Então, eu trabalhava, sei lá, até sete da noite.
00:19:09Ia para casa, tomava um banho e saía de novo com o fotógrafo.
00:19:11E trabalhava até duas da manhã.
00:19:14E aí fazia...
00:19:16Ainda fazia essa foto fofoca no meio do trabalho.
00:19:19E como que era essa coisa de cobertura de celebridade?
00:19:23Porque hoje virou meio que uma indústria
00:19:25que tem os contra, tem os a favor.
00:19:30Todos eles têm uma assessoria.
00:19:32Tem essas empresas grandes
00:19:34que aglutinam várias assessorias.
00:19:36E são donas de perfis de fofoca muito grandes.
00:19:40Então, a comunicação das celebridades
00:19:42virou uma indústria.
00:19:44Mas o que era?
00:19:45Como é que era cobrir?
00:19:46Então, era diferente porque, assim,
00:19:49por exemplo, não existia Instagram,
00:19:51obviamente.
00:19:51Não existia rede social e nem internet.
00:19:53Então, para você ficar sabendo
00:19:54com quem a moça ou o moço estava namorando,
00:19:58você tinha que comprar contigo.
00:20:00Era o único lugar que tinha.
00:20:02E essa sessão,
00:20:04eu lembro que tinha um fotógrafo,
00:20:06muito amigo meu,
00:20:07que era o Luizinho Coruja.
00:20:08Ele saía à noite para cobrir,
00:20:10para pegar esses flagrantes e tal.
00:20:12Gente se esgueirando pelo motel,
00:20:14se esgueirando na boate.
00:20:16Mas ele estava ali para fazer foto.
00:20:18Então, às vezes, a foto chegava
00:20:19e não tinha informação.
00:20:20Quem é essa pessoa?
00:20:22Aí o diretor de redação falou,
00:20:23não, você vai andar com ele
00:20:24e você vai perguntar
00:20:26quem são as pessoas.
00:20:28Então, eu fazia o trabalho sujo,
00:20:29Mandar.
00:20:30Era chegar e falar,
00:20:31você está dando para ele?
00:20:32Como é que você chama?
00:20:34Mentira!
00:20:35Como é que você chama?
00:20:36Como é que você chama?
00:20:37Era isso que eu fazia.
00:20:42Enfim,
00:20:43hoje a gente dá risada.
00:20:45Mas era um trabalho...
00:20:47Mas era legal.
00:20:48Era legal porque eu...
00:20:49Enfim, eu era um moleque,
00:20:50eu era um foca.
00:20:52E como é que ele ficava sabendo?
00:20:54Como é que vocês ficavam sabendo das coisas?
00:20:56Ah, assim,
00:20:56eu me lembro que, assim,
00:20:57a gente fazia uma ronda naquela época.
00:20:59A gente está falando
00:21:02fim dos anos 80,
00:21:03começo dos anos 90.
00:21:05Então, assim,
00:21:05na época tinha o Gallery,
00:21:07tinha o 150 Night Club.
00:21:09Tinha alguns lugares,
00:21:11o Satã, um pouco...
00:21:13O Madame Satã.
00:21:14O Madame Satã,
00:21:15o Rose Bombom.
00:21:15Tinha alguns lugares
00:21:16que a gente tinha que passar.
00:21:18Era para, assim,
00:21:18olha, vamos passar,
00:21:19vamos ver quem está lá,
00:21:20vamos conversar com os colegas
00:21:21que estão ali.
00:21:22E aí, a gente ia se informando.
00:21:24Ah, fulano esteve aqui,
00:21:26foi para um tal lugar e tal.
00:21:27Era meio assim.
00:21:29Era que nem a gente fazer
00:21:30jornalismo policial.
00:21:31Era ronda das delegacias.
00:21:33É.
00:21:33Era a mesma coisa.
00:21:34Você ia lá,
00:21:35vai falar,
00:21:35ó, a PM pegou um cara aí
00:21:38que matou a sogra.
00:21:40Eu peguei esse cara.
00:21:41Coisa leve, né?
00:21:43Matou a sogra,
00:21:44ele está vindo aí.
00:21:46O outro matou,
00:21:47vinha,
00:21:48vinha.
00:21:48Aí você ia,
00:21:50ficava na delegacia,
00:21:50ficava esperando para entrevistar.
00:21:52E vocês,
00:21:53na celebridade,
00:21:54era o mesmo mecanismo.
00:21:55Era o mesmo mecanismo.
00:21:56Você saía rodando, né?
00:21:58Trabalho de paparazzi, né?
00:22:00O Luizinho era o paparazzi,
00:22:02eu era o repórter do paparazzi, né?
00:22:05Mas era isso que a gente fazia.
00:22:06Você ia nos lugares,
00:22:07porque era a única maneira
00:22:08de você ter essa informação.
00:22:10Ah, fulano está saindo com ciclana
00:22:12e está por aí.
00:22:14Então era isso,
00:22:15era fazer essa ronda noturna
00:22:16que a gente fazia toda noite.
00:22:18E alguém chegou a ficar bravo?
00:22:20Não, é muita gente.
00:22:21Ai, conta.
00:22:22Não, não tem,
00:22:23eu não lembro, assim,
00:22:24não lembro.
00:22:25Eu não lembro.
00:22:26Mas ficava?
00:22:26O povo tratava mal?
00:22:29Não, tratava mal não,
00:22:30mas ficava,
00:22:31depois de publicado, né?
00:22:32Ah, depois de publicado.
00:22:33Não, estou falando na hora,
00:22:34assim, no tete-a-tete.
00:22:37Não, na hora não me lembro,
00:22:38assim,
00:22:39de ninguém estressando com a gente, não.
00:22:41A gente era simpático.
00:22:43Não lembro de ninguém
00:22:44ficando muito puto,
00:22:45porque a gente flagrou alguma coisa.
00:22:47Mas depois que saía,
00:22:48dava problema?
00:22:50Dava problema,
00:22:51dava problema.
00:22:52Eu me lembro,
00:22:53eu me lembro,
00:22:54uma vez que eu estava na redação,
00:22:55eu não vou falar o nome das pessoas,
00:22:57tá?
00:22:57Porque não tem a ver.
00:22:59Mas, assim,
00:23:00foi quando eu percebi
00:23:02que o meu trabalho
00:23:03era de verdade,
00:23:04que eu dava,
00:23:05que eu criava problema na sociedade.
00:23:06Eu não sabia.
00:23:07Eu era um foca, né?
00:23:09E eu dei,
00:23:10a gente deu uma notícia lá
00:23:11de que um casal,
00:23:13ela, uma atriz,
00:23:15ele, um ator,
00:23:16estavam se separando
00:23:17e ele tinha sido visto
00:23:19como uma morena misteriosa.
00:23:20Morena misteriosa
00:23:21era a chave para ser.
00:23:22A gente não sabe o nome dela,
00:23:24então era morena misteriosa.
00:23:25O loira,
00:23:26não sabe o nome,
00:23:27inventa isso.
00:23:28E aí me liga
00:23:29o filho adolescente do casal
00:23:30e fala,
00:23:31puxa vida,
00:23:32eles estão tentando se reconciliar,
00:23:34vocês dão uma notícia dessa.
00:23:36Minha mãe está puta da vida,
00:23:37o casamento dele vai acabar.
00:23:38E o menino quase chorando.
00:23:40E eu,
00:23:40que pariu,
00:23:41o que que eu faço?
00:23:42Eu falei,
00:23:43cara,
00:23:43assim,
00:23:44eu posso dar uma correção
00:23:46na semana seguinte.
00:23:47Agora,
00:23:48o seguinte,
00:23:48cara,
00:23:48a revista morre em uma semana.
00:23:50Se eu der uma correção,
00:23:51a revista vai sobreviver.
00:23:53O assunto continua sendo comentado.
00:23:57Então,
00:23:57assim,
00:23:57você decide.
00:23:59Eu posso dizer que,
00:24:00corrigir a nota
00:24:01e dizer que não é nada disso.
00:24:02Agora,
00:24:03a gente está mantendo
00:24:04essa notícia
00:24:05em evidência.
00:24:06Tem certeza
00:24:07que você quer isso?
00:24:09No fim,
00:24:10não dei,
00:24:10mas foi a primeira vez
00:24:11que eu tive noção,
00:24:15ainda muito jovem,
00:24:16foca,
00:24:16cara,
00:24:18a gente tem que tomar cuidado
00:24:19com o que a gente faz.
00:24:21Mas também,
00:24:22ao mesmo tempo,
00:24:23o cara estava
00:24:23com a tal da Morena Misteriosa.
00:24:25Estava com a tal da Morena Misteriosa,
00:24:27mas você fica naquela,
00:24:28né,
00:24:28Madá?
00:24:29Se fosse um político,
00:24:31já que a gente está aqui
00:24:32no Antagonia,
00:24:32se for um político,
00:24:33eu quero que se lasque.
00:24:35Entendeu?
00:24:36Mas uma pessoa
00:24:37que não é política
00:24:38e que não tem uma vida pública,
00:24:40aí eu realmente
00:24:41fico pensando
00:24:42se faz sentido.
00:24:43E, aliás,
00:24:44você sabe que tem uma coisa
00:24:45que eu sempre pensei?
00:24:47Os nossos políticos
00:24:49é da cultura do brasileiro
00:24:52preservar
00:24:53a vida privada
00:24:55dos políticos.
00:24:57É.
00:24:58Tivemos presidentes
00:24:59que tinham amantes
00:25:01que se fechava
00:25:03a avenida em Brasília
00:25:05para passar
00:25:05a comitiva presidencial,
00:25:07ele ver amante
00:25:07e voltar.
00:25:08O jornalismo inteiro
00:25:10sabendo.
00:25:12Gente poderosa
00:25:14com amantes
00:25:14dentro das principais
00:25:16redações do Brasil.
00:25:18Sim.
00:25:19E ninguém nunca...
00:25:20Eu nunca vi
00:25:21sair um ar...
00:25:21Eu estou te falando
00:25:22porque eu comparo,
00:25:23por exemplo,
00:25:24com o Bill Clinton,
00:25:26o que foi feito
00:25:27da vida dele,
00:25:28com o que acontece
00:25:29com o mais mínimo
00:25:30deslize de um político
00:25:32na Inglaterra,
00:25:33que tem uma cultura
00:25:34forte de tabloide.
00:25:35Na Inglaterra tem uma cultura...
00:25:36Aqui nós temos
00:25:37uma situação
00:25:38que dos políticos
00:25:39todo mundo sabe...
00:25:41E ninguém fala.
00:25:42E ninguém fala.
00:25:42Eu não sei.
00:25:43Eu me lembro
00:25:43que o Roberto Tivita,
00:25:46com quem eu tive o privilégio
00:25:49de trabalhar lá na Abril,
00:25:50ele costumava falar assim,
00:25:53a vida das pessoas
00:25:55da cintura para baixo
00:25:56não nos interessa.
00:25:59Não nos interessa.
00:26:01Finito.
00:26:02A gente fala de outra coisa.
00:26:05Eu acho que era ele
00:26:07se protegendo entre eles.
00:26:10Talvez, não, André?
00:26:11Talvez.
00:26:12Eu acho.
00:26:13Talvez.
00:26:13Eu acho,
00:26:14porque assim...
00:26:15Talvez.
00:26:16Você vê o Trump
00:26:18nos Estados Unidos
00:26:19com a história lá
00:26:20da atriz pornô.
00:26:21O Trump tem várias, né?
00:26:23Não, o Trump tem várias,
00:26:24mas assim...
00:26:24Porno tem...
00:26:25Isso se expõe,
00:26:27isso está sempre exposto.
00:26:28Aqui no Brasil,
00:26:31coisas...
00:26:31Acho que só o Renan Calheiros.
00:26:35Saiu na Playboy.
00:26:36Eu fiz essa capa.
00:26:37Vamos contar aqui a história.
00:26:38O Renan Calheiros,
00:26:41durante uma CPI,
00:26:43teve lá vazada a história
00:26:45de que ele tinha um caso
00:26:47extra-conjugal,
00:26:47tinha até filho fora do casamento, né?
00:26:50Sim, mas vazou
00:26:51por causa de...
00:26:53Eu não me lembro de...
00:26:53Tá, só para...
00:26:56Para...
00:26:56Para a história andar,
00:26:58contextualizar a história.
00:26:59Isso aconteceu bem depois
00:27:01das histórias que eu estou contando
00:27:02contigo.
00:27:03Tempo passou,
00:27:04muitos e muitos anos.
00:27:05eu virei diretor de redação
00:27:06da revista Playboy, né?
00:27:08Saí, voltei de abril várias vezes,
00:27:10voltei como diretor de redação
00:27:11da revista Playboy.
00:27:14Numa das aquelas investigações
00:27:15de falcatruas,
00:27:16que de vez em quando tem no Brasil, né?
00:27:18De vez em quando tem, né?
00:27:19Nunca dá em nada,
00:27:20mas de vez em quando tem.
00:27:22Aparece que o Renan Calheiros...
00:27:25Eu não me lembro o que que era,
00:27:26mas era uma empresa privada
00:27:28que pagava uma mensalidade
00:27:31para a Mônica Veloso,
00:27:32que era uma jornalista
00:27:33e amante dele, né?
00:27:35Era essa notícia.
00:27:35Que tinha uma produtora.
00:27:37Que tinha uma produtora.
00:27:37Aí primeiro se falou
00:27:38que era da produtora e...
00:27:40É.
00:27:41Tinha uma história assim.
00:27:43Na Playboy,
00:27:43a gente tinha umas capas
00:27:45que a gente chamava...
00:27:46Porque o modelo de negócio
00:27:48da Playboy brasileira,
00:27:50não da Playboy americana,
00:27:52era ter sempre uma celebridade
00:27:53na capa, né?
00:27:54Playboy americano
00:27:55era uma outra coisa.
00:27:56Qual que era a diferença?
00:27:58A diferença é que a Playboy americana
00:27:59sempre apostou na Girl Next Door,
00:28:01desde o começo.
00:28:02Era garota comum,
00:28:04era uma outra revista, né?
00:28:05Porque a distribuição era diferente.
00:28:08Basicamente,
00:28:09as revistas americanas
00:28:10são vendidas por assinatura.
00:28:13Então você não tem
00:28:14esse sistema de banca
00:28:15que a gente tem aqui.
00:28:15Você não tem...
00:28:16É raro você ver quiosque
00:28:18vendendo revista nos Estados Unidos.
00:28:20Aqui não.
00:28:20Aqui a nossa distribuição
00:28:21era baseada em banca.
00:28:23O grosso que vendia...
00:28:24O grosso era banca.
00:28:25A assinatura era menor.
00:28:27Então você precisava ter
00:28:28uma grande celebridade
00:28:29para atrair venda,
00:28:30coisa que a americana não precisava.
00:28:32Entendi.
00:28:33Por isso os cachês vultosos,
00:28:35porque senão era até
00:28:35um modelo econômico
00:28:36mais confortável
00:28:38você ter cachês lineares
00:28:40do que cada um
00:28:41você ter que negociar o cachê.
00:28:43Muito mais.
00:28:43A Playboy,
00:28:44eu brincava quando eu estava lá,
00:28:45assim,
00:28:45a única revista do mundo
00:28:46onde a gente vai
00:28:47para a banca devendo.
00:28:49Você ia para a banca devendo.
00:28:50Nenhuma revista funcionava assim.
00:28:52No mundo.
00:28:52Só a Playboy brasileira
00:28:53funcionava assim.
00:28:55No mundo.
00:28:56Assim,
00:28:56a gente paga uma grana
00:28:57e a gente torce para vender.
00:28:59Fazia o mínimo sentido.
00:29:00Quer dizer,
00:29:00fez muito sentido.
00:29:01Durante muito tempo.
00:29:03Durante muito tempo,
00:29:04por mais louco que fosse,
00:29:06deu certo.
00:29:06Fazia muito sentido.
00:29:07Porque vendia muito,
00:29:08então era legal.
00:29:11Abriu-te um monopólio
00:29:12das bancas,
00:29:13dominava as bancas.
00:29:14Então vendia muito
00:29:15e dava muito certo.
00:29:16Começou a entrar em colapso
00:29:18com a internet,
00:29:18com a mudança de mídia.
00:29:21Sim.
00:29:21Aí começou a mudar.
00:29:23Mas nessa época
00:29:24da Mônica Veloso,
00:29:26a gente procurava
00:29:27umas capas
00:29:27que fossem dar escândalo.
00:29:29Porque assim,
00:29:30a gente já sabia, né?
00:29:31A internet estava comendo
00:29:32as vendas.
00:29:33Eu lá,
00:29:33sentado na cadeira
00:29:35do diretor,
00:29:36sabia o seguinte.
00:29:37Toda edição minha
00:29:38tem que causar.
00:29:39Eu tenho que ir
00:29:39para a banca
00:29:40e causar.
00:29:41Não adianta
00:29:42colocar uma revista lá
00:29:43e torcer
00:29:43para que alguém encontre.
00:29:44Eu tenho que fazer
00:29:45um agito com ela.
00:29:47E aí falei,
00:29:48puta,
00:29:48Mônica Veloso,
00:29:49vamos nessa.
00:29:50Amante do Renan.
00:29:51Amante do Renan.
00:29:52Vamos nessa.
00:29:53E ela queria falar, né?
00:29:55Queria aparecer.
00:29:56Ela queria aparecer.
00:29:57Porque se falou
00:29:58muito dela também.
00:29:59Ficou uma situação
00:30:00assim,
00:30:00que quando descobriram
00:30:01a amante,
00:30:03se falava mais da amante
00:30:04do que do homem casado
00:30:05que traiu, né?
00:30:07E eu me lembro que,
00:30:09eu lembro que na época,
00:30:10alguém da Mônica Berger
00:30:12me ligou e falou,
00:30:12vai ser.
00:30:13Eu falei,
00:30:13olha, eu não sei
00:30:13porque a gente não sabe
00:30:14qual vai ser o escândalo
00:30:15da semana que vem.
00:30:16A gente não sabe
00:30:17se esse escândalo
00:30:17vai segurar até lá
00:30:19porque a gente está
00:30:19em negociação, né?
00:30:21Mas aí saiu.
00:30:22Eu lembro que na época,
00:30:24a gente,
00:30:25eu lembro que essa capa
00:30:26é muito divertida.
00:30:27Porque, assim,
00:30:29a gente fez uma capa
00:30:30que tinha um ensaio de moda,
00:30:31que era moda xadrez.
00:30:33Então, o título,
00:30:33a chamada de capa
00:30:34era Japo xadrez.
00:30:36Era Mônica Veloso,
00:30:37a Mônica Veloso.
00:30:38Aí tinha uma entrevista
00:30:39do Diogo Mainardi, né?
00:30:41O fundador aqui
00:30:42do Antagonista,
00:30:43que a chamada era
00:30:44Diogo Mainardi,
00:30:45política é tudo vagabundo.
00:30:48Então era uma capa
00:30:49toda montada
00:30:50para empacotar
00:30:52para empacotar
00:30:52a Mônica Veloso.
00:30:54E sem falar
00:30:55do Renan explicitamente.
00:30:56Sem falar do, né?
00:30:58E foi legal,
00:31:00vendeu bem.
00:31:01Mas, assim,
00:31:01eu me lembro, por exemplo,
00:31:02eu me lembro que
00:31:03a revista saiu...
00:31:03Mas quanto que ela aceitou?
00:31:04Porque ela tinha
00:31:05uma produtora.
00:31:08Como que era...
00:31:09Qual que era o nível
00:31:10desse cachê
00:31:10fosse num dia de hoje,
00:31:12assim?
00:31:12Não, não vou falar
00:31:13de grana,
00:31:14mas a gente trabalhava...
00:31:15Não, mas era um nível assim,
00:31:17era um nível
00:31:17de mudar a vida
00:31:19da pessoa?
00:31:20É, depende, depende.
00:31:21Variava muito.
00:31:22Tá.
00:31:22Variava muito.
00:31:23Mas, no geral,
00:31:24a Playboy trabalhava
00:31:25com cachê fixo
00:31:26e com variável
00:31:27que dependia de venda.
00:31:30Então, se...
00:31:31Em alguns contratos, tá?
00:31:32Os contratos
00:31:33não eram todos iguais.
00:31:34Tá.
00:31:35Mas, por exemplo,
00:31:37se fosse uma celebridade
00:31:39que tivesse uma boa venda,
00:31:40então tinha uma variável
00:31:41de vendagem.
00:31:43Então, cada contrato
00:31:44era um contrato,
00:31:45na verdade.
00:31:46Quanto tempo
00:31:46que demorava
00:31:47pra negociar
00:31:48tipo com uma Mônica Veloso
00:31:49que não era da área,
00:31:51que é diferente
00:31:51de uma atriz
00:31:52que já aparece
00:31:53em cenas sensuais
00:31:54ou que na profissão dela
00:31:57é mais normal
00:31:58ela sair pelada
00:31:59em algum lugar.
00:32:01É, era.
00:32:02A pessoa que trabalha
00:32:03com uma produtora de...
00:32:04Tem uma produtora
00:32:05de vídeo
00:32:06não é normal,
00:32:07não é do seu métier,
00:32:09você não vai encontrar
00:32:09outras pessoas
00:32:10fizeram isso.
00:32:11A sociedade
00:32:12era menos moralista, né?
00:32:14Ah, é verdade.
00:32:15É, é verdade.
00:32:16Não era tão moralista.
00:32:17Agora a gente tem
00:32:17um moralismo de esquerda
00:32:18e de direita
00:32:19vigiando a vida
00:32:20das pessoas.
00:32:21Isso não era assim.
00:32:22A Playboy
00:32:23era importante
00:32:24na carreira
00:32:26de uma atriz,
00:32:27de uma modelo,
00:32:28ela dava
00:32:28uma visibilidade
00:32:29muito grande.
00:32:30Mas dependia
00:32:31do contrato.
00:32:32Eu lembro que,
00:32:32por exemplo,
00:32:32eu enlouquecia
00:32:33com o Big Brother
00:32:34porque o Big Brother...
00:32:35A gente fazia
00:32:36muita capa
00:32:37com o Big Brother.
00:32:38E o Big Brother
00:32:39tinha que negociar
00:32:40muito rápido
00:32:41porque, assim,
00:32:42você tinha que pegar
00:32:45a moça
00:32:46que tinha saído
00:32:46do Big Brother
00:32:46naquele mês.
00:32:48No mês seguinte
00:32:48já tinha saído outra
00:32:50e a capa
00:32:51já não funcionava.
00:32:52Então era uma negociação
00:32:53muito nervosa,
00:32:54muito nervosa.
00:32:55Assim,
00:32:55de ficar negociando
00:32:56em cima.
00:32:57Outras eram
00:32:58negociações mais longas, né?
00:33:00Então, por exemplo,
00:33:00se eu estava negociando
00:33:01com uma atriz
00:33:04global,
00:33:04na época ainda tinha
00:33:05essa divisão
00:33:06entre globais
00:33:07e o resto dos mortais.
00:33:09Se eu estava
00:33:10negociando com uma atriz
00:33:10global,
00:33:11era uma negociação
00:33:12mais longa.
00:33:14Porque também
00:33:15a gente negociava
00:33:15com mais prazo.
00:33:16Mas variava muito.
00:33:17Eu não me lembro
00:33:18como é que foi
00:33:19a negociação
00:33:19da Mônica Veloso, não.
00:33:22Foi relativamente rápido.
00:33:23Eu lembro
00:33:24porque eu cobria
00:33:25política.
00:33:27Na época,
00:33:28eu estava cobrindo
00:33:28esse caso
00:33:29que surgiu
00:33:29numa CPI.
00:33:31Aí teve...
00:33:32Nossa,
00:33:33política é tudo igual, né?
00:33:34Aí teve uma sessão
00:33:35do Senado
00:33:36que foi lá
00:33:37a mulher
00:33:38do Renan Calheiros
00:33:39dar apoio a ele.
00:33:42Que lindo, né?
00:33:43É emocionante.
00:33:44É emocionante.
00:33:45É emocionante.
00:33:45Mas eu lembro
00:33:46que foi muito rápido
00:33:47até ela sair
00:33:47e eles circulavam
00:33:49no Congresso
00:33:51com a revista
00:33:52e falavam
00:33:53para o Renan
00:33:53que valeu a pena.
00:33:57Eles falavam
00:33:58não,
00:33:58agora nós estamos
00:33:59entendendo tudo.
00:34:01Então,
00:34:01isso era uma coisa.
00:34:02Eu lembro
00:34:02quando a Mônica Veloso
00:34:03saiu,
00:34:04eu não me lembro
00:34:05se foi na primeira página
00:34:06do Estadão
00:34:07ou da Folha de São Paulo.
00:34:09Não me lembro
00:34:09qual dos jornais foi.
00:34:10Mas tinha uma foto
00:34:11de três ou quatro colunas
00:34:14com um deputado
00:34:16ou uma deputada,
00:34:17não me lembro,
00:34:17olhando o ensaio
00:34:18na internet.
00:34:21E todo mundo falou
00:34:22nossa,
00:34:22que sucesso.
00:34:23Foi sucesso.
00:34:24O cara está vendo
00:34:25a foto sem pagar.
00:34:26Isso não é sucesso.
00:34:28Isso é pirataria.
00:34:30A gente está vendo
00:34:30uma autoridade do país
00:34:31consumindo produto
00:34:33pirata.
00:34:33O que é isso?
00:34:35Isso está tirando
00:34:36venda da revista.
00:34:37Mas como que,
00:34:38qual que foi a sua capa
00:34:40que você acha
00:34:40que foi o maior barulho?
00:34:44Eu acho que a Mônica Veloso
00:34:45fez muito barulho.
00:34:46Fez.
00:34:46A Mônica Veloso
00:34:47foi uma rasa quarteirão.
00:34:48Eu acho que barulho mesmo,
00:34:49eu acho que a bandeirinha,
00:34:51a Ana Paula,
00:34:52quando a gente colocou,
00:34:53ela fez muito barulho
00:34:54também na época.
00:34:55Foi uma sequência.
00:34:56A Mônica Veloso,
00:34:57se eu não me engano,
00:34:58um mês de distância
00:34:59foi um bom ano.
00:35:01Da bandeirinha.
00:35:02Da bandeirinha.
00:35:03Foi uma...
00:35:05Agora,
00:35:06a capa
00:35:07que mais vendeu
00:35:08foi a Cleopires.
00:35:09Isso em 2000 e...
00:35:11Quando?
00:35:12Sei lá.
00:35:132012,
00:35:142011,
00:35:15um milhão.
00:35:16Mas essa já era
00:35:17aquelas negociações
00:35:18que duravam
00:35:19um milhão de anos.
00:35:20Sim, não.
00:35:20A Cleo
00:35:21foi uma negociação longa
00:35:23e tal.
00:35:23Mas que para fazer barulho,
00:35:25eu acho que foi a Mônica
00:35:26e foi a Ana Paula,
00:35:27a bandeirinha.
00:35:28Que foram as suas mais...
00:35:29Foram as mais barulhentas.
00:35:31Eu lembro que a gente
00:35:31deu uma capa também
00:35:32que foi muito legal
00:35:33quando a Varig quebrou.
00:35:35A gente fez
00:35:36os aviões da Varig.
00:35:38Que fotografamos
00:35:39três aeromoças
00:35:40que eram muito bonitas
00:35:41da Varig.
00:35:42Fizemos um ensaio com elas.
00:35:44E aviões...
00:35:45Porque você ia preso,
00:35:46óbvio.
00:35:46Pois é.
00:35:47E foi tão legal
00:35:48porque a gente tinha...
00:35:49Na época existia...
00:35:51Quantas playboys no mundo?
00:35:5233 playboys.
00:35:54No mundo todo.
00:35:55E esse ensaio
00:35:56viajou bem.
00:35:56Todo mundo republicou
00:35:59esse ensaio.
00:36:00Porque a gente tinha
00:36:00esses acordos, né?
00:36:01Ah, podia sair no exterior.
00:36:03Dependendo da capa.
00:36:05Dependendo da capa.
00:36:06A gente tinha umas trocas.
00:36:07E esse foi um ensaio
00:36:08que foi muito bem fora.
00:36:10Fora do Brasil.
00:36:11Quando que você entrou
00:36:12nesse universo
00:36:12de mulher pelada?
00:36:13Você foi editor-chefe
00:36:14de todas as revistas
00:36:15de mulher pelada do Brasil, né?
00:36:17Fui, né?
00:36:18Tinha uma revista
00:36:19de mulher pelada
00:36:20e estava o senhor no meio.
00:36:23Então, foi meio...
00:36:25Onde que você...
00:36:25Você não foi na Playboy
00:36:26que você começou?
00:36:27A Playboy foi a última
00:36:28que você foi.
00:36:28Não, eu comecei assim.
00:36:29Na verdade,
00:36:30começa com a história
00:36:31do humor.
00:36:31Porque as revistas masculinas
00:36:34sempre tiveram muito humor.
00:36:35E eu queria trabalhar com humor.
00:36:37Ou pelo menos com texto
00:36:37bem-humorado.
00:36:38Era esse o meu objetivo.
00:36:40Eu quero ser escritor,
00:36:41eu quero escrever texto
00:36:42bem-humorado,
00:36:43eu quero fazer cartoon.
00:36:44E tinha uma embocadura.
00:36:46Ali.
00:36:47Aí eu lembro,
00:36:48eu passei pela sexy
00:36:52no comecinho,
00:36:53quando a sexy
00:36:53estava se montando,
00:36:55que era uma divisão
00:36:57da interview.
00:36:58Você lembra disso?
00:36:59Eu lembro.
00:37:00E eu lembro que assim,
00:37:01gente,
00:37:01as capas da sexy
00:37:03na época,
00:37:03a produção...
00:37:04Quem da produção
00:37:05lembra das capas da sexy?
00:37:08Para quem estava acostumado
00:37:10com a capa...
00:37:10A capa da Playboy
00:37:11era uma coisa velada.
00:37:13Não, mas...
00:37:13A da sexy...
00:37:15Não, era outra coisa.
00:37:16Era outro?
00:37:16Mas a sexy no começo,
00:37:18ela nasceu dentro
00:37:19da interview,
00:37:20que era uma revista chique.
00:37:21De homem.
00:37:22Era tipo uma de kill
00:37:24de hoje.
00:37:25Era mais...
00:37:26Era mais uma...
00:37:29Não, a de kill
00:37:29tem muito comportamento, né?
00:37:31Muito comportamento.
00:37:32Era apesar de ser
00:37:33a interview,
00:37:34quer dizer,
00:37:35eles tinham licenciamento
00:37:36da interview americana,
00:37:37aqui no Brasil
00:37:38ela aparecia com a Vanity Fair.
00:37:40Era uma revista
00:37:40que falava de country club,
00:37:42golf e tal.
00:37:43E aí a sexy
00:37:45começou ali dentro.
00:37:46Começaram a colocar
00:37:47umas entrevistas picantes
00:37:48dentro da interview.
00:37:51Deu muito certo.
00:37:53E aí a sexy
00:37:54virou uma revista.
00:37:55Mas era uma revista
00:37:56de entrevistas.
00:37:57A sexy não tinha nudez,
00:37:58não tinha ensaios de nudez.
00:38:01Eu estava ali...
00:38:01Era de entrevistas picantes.
00:38:04Entrevistas picantes.
00:38:04E humor.
00:38:05Um pouco de humor.
00:38:07Tinha o Zé Simão
00:38:07escrevendo e tal.
00:38:09Eu estava nesse comecinho.
00:38:11Eu estava ali.
00:38:12Eu era editor e tal.
00:38:14Eu estava ali.
00:38:15Aí depois disso
00:38:16eu fui para a VIP.
00:38:18Que também era a mesma...
00:38:20Era a mesma mentalidade,
00:38:22eu acho.
00:38:23A VIP era assim.
00:38:24A VIP começou
00:38:25como um suplemento da exame.
00:38:27Era um encarte da exame.
00:38:28Uma revista masculina
00:38:29dentro da exame.
00:38:31E em determinado momento
00:38:32começaram a surgir
00:38:33umas revistas inglesas
00:38:34masculinas
00:38:35que eram muito legais
00:38:36e diferentes.
00:38:37Que era Maxine,
00:38:39SHM,
00:38:40a Loaded,
00:38:41que era a minha favorita.
00:38:42Que eram revistas
00:38:43muito irreverentes,
00:38:44com muito humor
00:38:46e que não falavam
00:38:47igual a Playboy.
00:38:48Eu sempre brincava
00:38:50quando eu estava lá
00:38:51que assim,
00:38:52sei lá,
00:38:53o leitor da Playboy
00:38:56queria dirigir uma Ferrari
00:38:57e o leitor da Maxine
00:38:59queria dirigir um Mini.
00:39:01E olha lá.
00:39:02Entendeu?
00:39:02Era diferente.
00:39:03Assim,
00:39:04a Playboy falava de cima.
00:39:05Desde o começo
00:39:06ela era uma revista
00:39:06que falava de cima.
00:39:07O leitor da Playboy
00:39:08sabe tudo.
00:39:10é a revista dele.
00:39:11Ele sabe tudo.
00:39:12Ele é o Playboy.
00:39:13O leitor dessas revistas
00:39:15era um cara
00:39:15que não sabia nada.
00:39:17Então,
00:39:18era uma revista
00:39:18mais didática
00:39:19e a VIP virou isso.
00:39:21E eu estava lá
00:39:22nessa mudança.
00:39:23Quando essa mudança
00:39:24aconteceu,
00:39:24eu participei
00:39:25desde o começo.
00:39:26E deu muito certo.
00:39:27A VIP era uma revista
00:39:27que começou a vender
00:39:29cada vez mais.
00:39:30Ela ficou muito linda.
00:39:32E o segredo
00:39:32era o humor.
00:39:35Tratar relacionamento
00:39:36e tal
00:39:37com muita irreverência.
00:39:38com o inside
00:39:39sempre no days.
00:39:40A VIP nunca teve no days
00:39:41e nunca pagou cachê.
00:39:42Ah, não pagava?
00:39:43Não, não pagava.
00:39:44Como que funcionava?
00:39:45Só a Playboy pagava cachê.
00:39:46Depois põe um pedaço aí
00:39:47da...
00:39:47Põe aí a VIP
00:39:48para o pessoal ver
00:39:49porque assim,
00:39:50a VIP não tinha gente
00:39:52pelada, pelada mesmo.
00:39:53Não, não teve.
00:39:53Não, a própria Playboy,
00:39:55a Playboy brasileira
00:39:57vai ter no days
00:39:58nos anos 80.
00:39:59A Playboy americana
00:40:00vai ter no days,
00:40:02sei lá,
00:40:02em 75, talvez.
00:40:04Ela é de 53.
00:40:05A Playboy americana
00:40:06é de 53.
00:40:07ela vai ter no days
00:40:08depois que
00:40:10que o Bob Guccione
00:40:12fundou a Penthouse.
00:40:14Ah, que aí começa...
00:40:15E a Penthouse
00:40:16começa a ser mais agressiva
00:40:17e a Playboy
00:40:18tem que correr atrás
00:40:20e teve muita resistência
00:40:21do Hefner.
00:40:22O Hefner não queria,
00:40:24ele não queria
00:40:24ter no days frontal
00:40:25na Playboy.
00:40:26Mas aí vai.
00:40:28E a brasileira,
00:40:30puta,
00:40:30vai ter no days frontal
00:40:3280 e tantos,
00:40:33não tinha.
00:40:34no fim da ditadura militar,
00:40:36né?
00:40:37No fim da ditadura militar.
00:40:38Já era o quê?
00:40:39Quando cai a censura prévia,
00:40:41né?
00:40:42Porque a revista
00:40:43no começo
00:40:44não podia nem
00:40:44assumir o nome
00:40:45de Playboy, né?
00:40:47Ah, é?
00:40:47Ela começa
00:40:48como a revista
00:40:48do homem,
00:40:49em 78.
00:40:51Ah, então a revista...
00:40:52Eu nunca liguei
00:40:53uma coisa ou outra.
00:40:53A revista do homem
00:40:54é a Playboy.
00:40:55A revista do homem
00:40:56é a Playboy.
00:40:57Você não podia
00:40:58sequer importar
00:40:59a Playboy,
00:41:00porque a ditadura
00:41:01tinha um aspecto
00:41:02moralista também.
00:41:03Tinha.
00:41:04Então você não tinha,
00:41:05não existia essas revistas.
00:41:06Você não achava.
00:41:08E a Playboy
00:41:08não podia ter
00:41:09o nome da Playboy.
00:41:10Então, assim,
00:41:11a revista do homem
00:41:12tinha os direitos
00:41:13de publicação
00:41:14de material da Playboy,
00:41:15mas não podia
00:41:15usar o nome.
00:41:17Isso só vai acontecer
00:41:18mais pra frente.
00:41:19Né?
00:41:20Isso já é mais,
00:41:21sabe?
00:41:21Isso já é 80,
00:41:22acho eu,
00:41:23não sei.
00:41:24Pode estar errado.
00:41:25Porque ela assume
00:41:26o nome Playboy,
00:41:27mas sem nudez.
00:41:28A nudez vem muito depois.
00:41:30Agora,
00:41:30nesse período
00:41:32que é o período
00:41:33pré-internet
00:41:35ou do comecinho
00:41:36da internet,
00:41:38começam a surgir
00:41:39também
00:41:40tipo uma imensidão
00:41:42de títulos
00:41:43no segmento B
00:41:44das revistas, né?
00:41:45Sim, claro.
00:41:46Quando libera,
00:41:47tem, claro.
00:41:49Não, e muitas.
00:41:50E muita revista.
00:41:51Muita revista.
00:41:52Eu lembro que um estagiário
00:41:54meu dessa época
00:41:55do Congresso
00:41:56que me ajudava
00:41:57a montar
00:41:57a cobertura
00:41:58do Congresso,
00:42:00ele me confri-la
00:42:02de responder
00:42:05cartas ao leitor
00:42:06da revista
00:42:07Gostosa É.
00:42:09Gostosa É.
00:42:10Muito bom, né?
00:42:11Muito bom.
00:42:12Você avalia
00:42:13as cartas
00:42:14que chegavam.
00:42:16Eu sou capaz
00:42:16de imaginar.
00:42:18E uma vez
00:42:19eu achei
00:42:20que era mentira.
00:42:21Eu falei pra ele,
00:42:22estão te enganando.
00:42:24São os caras
00:42:24da redação
00:42:25que escrevem
00:42:25e estão dando
00:42:27isso pra você responder.
00:42:28Não tem carta
00:42:28nenhuma.
00:42:30Aí ele foi lá
00:42:30e achou
00:42:31que tava sendo feito
00:42:33de trouxa.
00:42:34Foi lá
00:42:35e conversou
00:42:35e os caras
00:42:36mostraram
00:42:37a carta.
00:42:37A carta existe, né?
00:42:39Chegava a carta
00:42:40também
00:42:40nas revistas?
00:42:42Chegava,
00:42:42mas na época
00:42:43que eu entrei
00:42:43na Playboy,
00:42:44carta já tava
00:42:45saindo de moda.
00:42:46É verdade.
00:42:47Já é.
00:42:48Na VIP tinha
00:42:49uma sessão de carta,
00:42:50mas era interessante,
00:42:51não era baixadinha.
00:42:52Tinha, na VIP tinha.
00:42:53Não, tinha.
00:42:53Todas as revistas tinham, né?
00:42:55Tinha uma sessão de cartas.
00:42:57Mas a Playboy
00:42:58tinha um...
00:43:00Como é que chamava?
00:43:02Playboy Responde,
00:43:03que era uma sessão
00:43:05de dúvidas.
00:43:06E também dúvidas sexuais,
00:43:07não só,
00:43:08mas também.
00:43:09Que era quase
00:43:09uma sessão
00:43:10de ajuda ali
00:43:13pro leitor.
00:43:13E tinha coisa
00:43:15da entrevista
00:43:16da Playboy
00:43:17que era até
00:43:18uma piada, né?
00:43:19Que os caras
00:43:19compravam a Playboy
00:43:20e falavam,
00:43:21não, não comprei.
00:43:21Pra ler entrevista.
00:43:22Comprei pra ler
00:43:23entrevista.
00:43:24muito boa.
00:43:25E eu conheci vários
00:43:26que falavam isso
00:43:27assim,
00:43:27a sério.
00:43:29Mas a gente adorava,
00:43:30eu adorava isso.
00:43:31Assim,
00:43:31porque, de fato,
00:43:33isso é uma coisa
00:43:33que vem da Playboy americana, né?
00:43:35Assim,
00:43:35quando o Heffner...
00:43:36Porque, assim,
00:43:37vamos de novo
00:43:38dar um contexto, né?
00:43:39A Playboy americana,
00:43:40ela nasce em 53.
00:43:42O que que tinha acontecido
00:43:43em 53?
00:43:44Os Estados Unidos
00:43:44estavam crescendo, né?
00:43:46Por causa da guerra.
00:43:48Mas aconteceu uma coisa
00:43:48importante.
00:43:49Durante a guerra,
00:43:50as mulheres foram
00:43:51para o mercado de trabalho.
00:43:52Porque os homens
00:43:53estavam lutando na guerra.
00:43:54Então,
00:43:54mulheres jovens
00:43:55foram para o mercado de trabalho.
00:43:56Quando a guerra acaba,
00:43:58as mulheres não queriam
00:43:59voltar para casa
00:44:00e falar,
00:44:00tá bom,
00:44:00agora eu vou voltar lá
00:44:01esquentar sua janta.
00:44:03Não.
00:44:03Você tinha um país
00:44:06crescendo economicamente,
00:44:07com homens e mulheres
00:44:09solteiros,
00:44:10com dinheiro no bolso,
00:44:11vivendo sozinhos,
00:44:12sem os pais.
00:44:13O que que gente
00:44:14jovem com dinheiro no bolso
00:44:15pensa,
00:44:16quando está morando sozinho?
00:44:17em transar.
00:44:18É a única coisa que pensa,
00:44:20né?
00:44:20O hormônio a mil.
00:44:21Hoje dizem que eles
00:44:23pensam em game.
00:44:25É, não,
00:44:25hoje pensam em game.
00:44:26Naquela época
00:44:27não tinha game.
00:44:28Naquela época
00:44:29o game era o outro.
00:44:31Não que eu tenha
00:44:32entrado nisso,
00:44:33porque eu sempre fui
00:44:34da igreja.
00:44:35Tá certo.
00:44:36Sempre.
00:44:37Nunca entrei nisso.
00:44:39Nunca traí ninguém.
00:44:42Então,
00:44:43só pontuando nisso.
00:44:45Tá certo.
00:44:45Mas, assim,
00:44:47não tinha streaming,
00:44:48não tinha internet,
00:44:50não tinha TV a cabo,
00:44:51inclusive.
00:44:51Não.
00:44:52Tinha meia dúzia
00:44:53de canais ali.
00:44:54O que que a pessoa
00:44:55faz pra se divertir?
00:44:56Transa, né?
00:44:57Então,
00:44:58a Playboy começa
00:44:59nessa época
00:45:00e ela tem muito a ver
00:45:01com esse contexto.
00:45:03Entendi.
00:45:04Porque ela é meio
00:45:06cronista
00:45:06e ativista
00:45:08da revolução sexual.
00:45:09Porque era claro
00:45:10que ia acontecer
00:45:10uma revolução sexual.
00:45:12Então,
00:45:12todo mundo com hormônio
00:45:13a mil
00:45:13num país que crescia.
00:45:15Então, assim,
00:45:16é nisso que ela surge.
00:45:18Nesse momento
00:45:19que ela surge.
00:45:20E tinha uma coisa
00:45:22que, assim,
00:45:23que ela era
00:45:24muito a favor
00:45:25dessas coisas
00:45:26que a gente discute
00:45:26no Brasil hoje, né?
00:45:27A favor da liberdade
00:45:28de expressão,
00:45:29a favor da liberdade
00:45:30sexual.
00:45:30Ela era isso.
00:45:32O Heffner
00:45:33compra uma briga
00:45:34com a Suprema Corte
00:45:35americana de cara.
00:45:36Porque ele dependia
00:45:37da assinatura
00:45:38e os Correios
00:45:39não queriam distribuir.
00:45:40a revista.
00:45:42Ah,
00:45:42essa história
00:45:43é interessantíssima mesmo
00:45:44porque isso é um case
00:45:45gigante lá.
00:45:46É um case gigante.
00:45:46Ele compra uma briga
00:45:47dizendo,
00:45:48olha,
00:45:49vocês não podem
00:45:49definir
00:45:50o que o leitor
00:45:52pode consumir.
00:45:54Assim,
00:45:54existe um leitor,
00:45:55existe um público
00:45:55pra ver a revista.
00:45:56Não cabe a quem
00:45:57distribui
00:45:58definir o que vai
00:45:59distribuir ou não.
00:46:00E ele conseguiu ganhar.
00:46:02E aí a Playboy
00:46:03começa a crescer.
00:46:04E ele virou
00:46:06uma lenda viva, né?
00:46:07Virou uma lenda viva.
00:46:08Coloquem aí
00:46:09quem foi
00:46:10Hugh Hefner.
00:46:11É uma história
00:46:13que Jesus, hein?
00:46:15Eu acho que ele é
00:46:16um dos maiores editores
00:46:17de revista
00:46:18do século XX,
00:46:19sem dúvida.
00:46:20Eu acho que não tem dúvida
00:46:21pelo que ele fez,
00:46:23pelo que ele construiu.
00:46:25E é curioso, né?
00:46:26Eu conheci ele.
00:46:28Mentira!
00:46:28Você conheceu ele?
00:46:29Conheci, encontrei ele
00:46:30duas vezes.
00:46:32Uma vez,
00:46:33porque tinha,
00:46:34todo ano tinha
00:46:35uma convenção
00:46:35dos editores da Playboy.
00:46:37cada ano
00:46:38num lugar diferente
00:46:39do mundo.
00:46:40Teve um ano
00:46:41que foi em Barcelona.
00:46:42Era sempre
00:46:42os americanos inventavam
00:46:44os lugares, né?
00:46:45Lugar que estava quente
00:46:46para eles saírem de Chicago,
00:46:47que é frio para cacete,
00:46:48e ir para um lugar quente.
00:46:50Então foi em Barcelona.
00:46:52E na época
00:46:52ele fazia aquele programa
00:46:53com as três namoradas,
00:46:55aquele negócio.
00:46:56E daí ele foi
00:46:56para essa convenção.
00:46:57E ele ia com as namoradas
00:46:59junto ou não?
00:47:00Ele foi,
00:47:00mas na verdade
00:47:01ele foi lá
00:47:01porque tinha
00:47:03alguma coisa de marketing
00:47:04com o programa.
00:47:05Acho que o lançamento
00:47:06do programa na Europa.
00:47:07Ele não ia
00:47:08nas convenções.
00:47:09Nessa ele estava.
00:47:11Então ele estava lá.
00:47:12E como que ele era?
00:47:14Ele atuava?
00:47:16Ele já estava com idade, né?
00:47:18Já estava com idade.
00:47:19Já estava com idade.
00:47:22Eu encontrei com ele
00:47:23nessa ocasião
00:47:24e encontrei de novo
00:47:25na mansão.
00:47:26No meu último ano
00:47:27de Playboy,
00:47:29a Playboy já tinha
00:47:30se trocado de dono.
00:47:32Já não era mais
00:47:32do Refn.
00:47:33O Refn tinha um acordo,
00:47:34ela já estava na mão
00:47:35de um grupo
00:47:36de investidores,
00:47:37mas ele tinha um acordo
00:47:38que ele ia viver
00:47:38na mansão
00:47:39enquanto ele fosse vivo.
00:47:41Ele queria morrer
00:47:42na mansão da Playboy.
00:47:43Ele ia ficar na mansão.
00:47:44Mas a mansão
00:47:46era um lugar
00:47:46para evento de marketing.
00:47:48Tinha um monte
00:47:49de lançamento de filme
00:47:50e tal.
00:47:51E aí fizeram a festa
00:47:52da convenção
00:47:53na mansão.
00:47:55E aí a gente fez
00:47:56uma foto com ele e tal.
00:47:58É legal
00:47:58porque ele era pouco
00:47:59mais alto que eu,
00:47:59eu sou baixinho.
00:48:01Ele era pouco
00:48:01mais alto que eu.
00:48:02Então na foto
00:48:03eu estou do lado dele
00:48:04porque eles colocaram
00:48:04os baixinhos
00:48:05do lado dele
00:48:06para ele parecer
00:48:07mais alto.
00:48:08Para ele parecer
00:48:08mais alto.
00:48:09Estou do lado dele.
00:48:10Mas assim,
00:48:12a gente entrou,
00:48:13a gente não entrou
00:48:14na mansão,
00:48:14a gente entrou
00:48:14num saguão da mansão.
00:48:16A mansão era dele.
00:48:17A gente ficou
00:48:17no jardim.
00:48:19Entramos nesse saguão,
00:48:21colocaram
00:48:23todo mundo
00:48:24num lugar certo.
00:48:26Ele desce
00:48:27de roupão
00:48:28da escada,
00:48:28vai lá,
00:48:29faz a foto,
00:48:30sobe,
00:48:30fala obrigado
00:48:31pelo trabalho
00:48:31de vocês
00:48:32e tchau.
00:48:32Foi isso.
00:48:33Esse foi o grande
00:48:34contato com o Heffner.
00:48:36Mas e aí,
00:48:37nessa coisa
00:48:39dos encontros
00:48:41do pessoal
00:48:41do mundo,
00:48:42o que que tinha
00:48:44de mais interessante
00:48:45de experiência
00:48:45diferente?
00:48:47A gente trocava
00:48:48muita coisa,
00:48:48você tinha muitas edições,
00:48:49edições muito diferentes.
00:48:51Então,
00:48:52todo mundo,
00:48:53a gente bebia muito,
00:48:54fumava muito
00:48:55e reclamava muito
00:48:56da internet.
00:48:57Isso eu me lembro.
00:48:58A internet
00:48:59está acabando
00:48:59com as nossas vendas,
00:49:01a gente não tem
00:49:01mais o que fazer
00:49:02e tal,
00:49:02era isso.
00:49:03E mostrava
00:49:04alguns cases
00:49:05de sucesso
00:49:06que pudessem ser
00:49:07replicados
00:49:07em outras edições
00:49:09e tal.
00:49:09Era divertido.
00:49:11Mas o universo,
00:49:14o universo
00:49:15mulher pelada
00:49:17com a internet
00:49:18não tem,
00:49:18porque a internet
00:49:19é pornô direto.
00:49:21Então,
00:49:21não tem,
00:49:22porque assim,
00:49:23antigamente,
00:49:24eu me lembro,
00:49:24eu não trabalhava
00:49:25na Playboy ainda,
00:49:27eu me lembro
00:49:28que quando a tiazinha
00:49:29saiu,
00:49:30eu estava passeando
00:49:31ali pela Praça da República
00:49:32aqui em São Paulo,
00:49:33tinha uma banca,
00:49:34tem uma banca
00:49:35que está lá até hoje,
00:49:35no começo da Praça da República,
00:49:36perto da entrada
00:49:37do metrô,
00:49:38e tinha uma fila
00:49:39de moleque
00:49:40em frente à banca.
00:49:42Eu falei,
00:49:42cara,
00:49:42o que está acontecendo?
00:49:44Fui lá perguntar,
00:49:44o cara da banca,
00:49:45os moleques
00:49:46estavam pagando,
00:49:47sei lá,
00:49:4710 centavos
00:49:48para folhear
00:49:48a revista da tiazinha,
00:49:50porque eles não tinham
00:49:50dinheiro para comprar.
00:49:51Então,
00:49:52era uma fila
00:49:52de moleque
00:49:54pagando,
00:49:54ele abriu uma revista
00:49:55e o moleque pagando
00:49:56para folhear.
00:49:57Isso acabou.
00:49:59porque o acesso
00:50:00hoje é na internet,
00:50:02entendeu?
00:50:02Mesmo que
00:50:04você tenha um ensaio
00:50:06que seja muito elaborado,
00:50:07feito por uma revista,
00:50:08ele vai ser piroteado
00:50:09imediatamente.
00:50:11Mudou.
00:50:12Sim,
00:50:12mudou.
00:50:13E com o Iá,
00:50:14você acha que essas coisas
00:50:15de Iá,
00:50:16de gente pelada,
00:50:17pega?
00:50:18Eu não sei,
00:50:18eu já vi,
00:50:19pelado mesmo eu não vi,
00:50:20eu já vi umas fotos
00:50:21de umas atrizes,
00:50:22assim,
00:50:23que isso claramente
00:50:24é falsa.
00:50:26Eu não sei.
00:50:27por enquanto,
00:50:28eu acho que ainda tem
00:50:29aquele vale das mesas,
00:50:31você percebe que não é de verdade.
00:50:33Mas eu não sei
00:50:34se algum dia
00:50:35a inteligência artificial
00:50:37vai dar esse salto,
00:50:38se a gente não vai perceber.
00:50:40Atualmente,
00:50:41a gente percebe,
00:50:42né?
00:50:43Sim.
00:50:44A gente percebe.
00:50:45Agora,
00:50:45nós estamos falando aqui
00:50:46do universo playboy,
00:50:47VIP,
00:50:48sexy.
00:50:49O que é curioso,
00:50:51hoje em dia,
00:50:52quem trabalha
00:50:53ou na área
00:50:55de produção
00:50:56de alguma coisa
00:50:57de mídia erótica
00:50:59ou pornô
00:50:59é o baixo nível intelectual.
00:51:04Essas experiências
00:51:05eram o oposto.
00:51:08É.
00:51:09Você tinha pessoas
00:51:10com muito bom nível
00:51:11intelectual.
00:51:13que que era
00:51:14esse universo
00:51:15de vocês,
00:51:16afinal?
00:51:17Eu, assim,
00:51:18a playboy sempre foi
00:51:20muito bem editada.
00:51:22Sim.
00:51:22Pela editora Abril, né?
00:51:23Ela sempre se cercou
00:51:25de colaboradores
00:51:25muito bons e tal.
00:51:27Então,
00:51:28ela tinha isso.
00:51:28Isso vem muito
00:51:29do Refner,
00:51:30muito da revista
00:51:32original.
00:51:33Por quê?
00:51:34Porque, assim,
00:51:34pô,
00:51:34eu estou fazendo
00:51:35uma revista masculina
00:51:36que não tinha
00:51:37nem nudez,
00:51:37mas que vai ter
00:51:39um apelo
00:51:41erótico.
00:51:41Então,
00:51:41eu preciso ter
00:51:43entrevistas muito boas
00:51:44onde entra
00:51:45a entrevistão.
00:51:46Eu preciso ter
00:51:46artigos muito bons
00:51:47para que eu crie
00:51:48uma desculpa de leitura.
00:51:50Que era essa história.
00:51:51Eu compro
00:51:51porque a entrevista
00:51:52é muito boa.
00:51:52A entrevista era boa mesmo.
00:51:54Quais entrevistas
00:51:55que você achou
00:51:56da sua era
00:51:57que foram as mais
00:51:58marcantes?
00:51:59Agora o pessoal
00:52:00está revivendo
00:52:01a entrevista do Lula.
00:52:03Essa é antiga,
00:52:04não é do meu tempo.
00:52:05É muito antiga.
00:52:06Não,
00:52:06é que essa entrevista
00:52:06do Lula,
00:52:07aliás,
00:52:08tinha umas fotos
00:52:09ótimas.
00:52:10Se o pessoal
00:52:10ir na produção
00:52:10pegar,
00:52:11você não lembra
00:52:12que eles fizeram
00:52:13o Lula mostrar
00:52:14o umbigo?
00:52:15É,
00:52:15eu lembro que
00:52:15tinha umas coisas.
00:52:16Tinha umas coisas,
00:52:17eles conseguiam.
00:52:19E o Lula
00:52:19era um grande
00:52:20líder sindical,
00:52:21era um personagem
00:52:22conhecido.
00:52:22Eles conseguiam
00:52:23fazer personagens
00:52:24conhecidos
00:52:27falarem...
00:52:27Sim.
00:52:28Eram entrevistas
00:52:29que foram marcantes
00:52:30a história do país.
00:52:32Na minha época
00:52:33eu fiz
00:52:33o Fernando Henrique,
00:52:34eu fiz o Skaff,
00:52:36fiz um monte de gente,
00:52:38era uma por mês,
00:52:38não lembro direito,
00:52:39mas muita gente.
00:52:41O Milor estava vivo,
00:52:42fiz uma entrevista com ele.
00:52:44Fiz o Bolsonaro
00:52:46relutante,
00:52:46relutante.
00:52:47Você fez
00:52:48uma entrevista
00:52:49do Bolsonaro
00:52:49na Playboy?
00:52:50Mas muito relutante.
00:52:51Muito relutante.
00:52:52A redação me convenceu.
00:52:54Eu não estava convencido.
00:52:55Que ano que foi isso?
00:52:56Ah, isso, sei lá,
00:53:012010, 2009,
00:53:02por aí.
00:53:03Eu estava relutante.
00:53:05Porque eu sempre achei
00:53:06o seguinte,
00:53:07o jornalismo não pode
00:53:08bater palma
00:53:09para o maluco dançar.
00:53:10Não é essa a função.
00:53:11Você não pode bater palma
00:53:12para o maluco dançar.
00:53:13Dá plataforma para o maluco,
00:53:14você está dando um tiro no pé.
00:53:16E assim,
00:53:17nós conhecemos
00:53:17o que ele é agora,
00:53:18mas aquela,
00:53:19eu conheci ele desde 98.
00:53:20Mas ele já era,
00:53:21ele já era.
00:53:21Não, era mais,
00:53:22eu acho que era mais
00:53:23várzea antes.
00:53:25Do que agora?
00:53:26Eu acho que passou
00:53:27a medir bem o que ele fala.
00:53:28Porque era muita...
00:53:30É, eu acho que ele nunca
00:53:30deixou de ser várzea.
00:53:31Não, mas era um nível
00:53:33de doideira,
00:53:35porque como as pessoas
00:53:37ouviam ele na época,
00:53:39eu lembro em 99,
00:53:40você lembra quando ele começou
00:53:41a pregar o fuzilamento
00:53:43do Fernando Henrique?
00:53:45Pois é.
00:53:45Aí queriam caçar ele.
00:53:48Ele já pregava
00:53:49o fechamento do Congresso Nacional,
00:53:50o fuzilamento do Fernando Henrique.
00:53:51Aí queriam caçar ele,
00:53:52o PT não deixou,
00:53:54defendendo a liberdade de expressão.
00:53:56Aí ele passou a defender
00:53:57o fuzilamento do Fernando Henrique
00:53:59e do ministro,
00:54:01acho que do Geraldo Bulhões,
00:54:02não me lembro se era,
00:54:04e defender dar bala
00:54:05para o pessoal ir atrás.
00:54:07Era uma coisa num nível
00:54:10que, assim,
00:54:12grande parte da sociedade
00:54:13não levava a sério.
00:54:14não levava.
00:54:16Ele ia no programa
00:54:17da Luciana Gimenez
00:54:18para fazer participação
00:54:20junto com o Henrique Cristo.
00:54:22É.
00:54:23Isso anos depois.
00:54:25Toninho do Diabo.
00:54:26E aí, como é que foi?
00:54:27Era nesse nível
00:54:28que ele estava, né?
00:54:29Era ali que ele estava.
00:54:31Você podia pegar
00:54:32Henrique Cristo,
00:54:33Toninho do Diabo,
00:54:35ou Bolsonaro.
00:54:36Se o Henrique Cristo
00:54:37tivesse sido presidente,
00:54:38eu acho que a gente estaria
00:54:38em melhores condições.
00:54:39Ou Toninho do Diabo.
00:54:41Não sei.
00:54:42Você sabe?
00:54:43Não sei, não sei, não sei.
00:54:45O que você acha que não seria?
00:54:46Porque eu acho que é o mesmo nível.
00:54:49Eu não sei.
00:54:50Eu acho que é a mesma coisa.
00:54:52O mesmo nível é o seguinte,
00:54:53de quem não é do coração do poder
00:54:55e não tem uma equipe estruturada.
00:54:58Por exemplo,
00:54:58o Trump chega lá.
00:55:00Ele não tinha equipe
00:55:01quando ele ganhou a primeira vez.
00:55:02só que lá você tem os think tanks.
00:55:04Então foi lá a Heritage Foundation
00:55:06que tem técnicos da máquina pública,
00:55:09não sei o quê,
00:55:09e põe lá e vai.
00:55:11Só que são poucos cargos
00:55:13que você indica.
00:55:14Aqui no Brasil,
00:55:15você tem que indicar
00:55:15uns 50 mil cargos.
00:55:17Para quem nunca teve equipe,
00:55:19só vai entrar maluco.
00:55:21É.
00:55:22Tem isso.
00:55:22Só vai entrar...
00:55:23Não tem como dar certo.
00:55:25É.
00:55:25Ou o cara deixa alguém
00:55:27que já é da máquina sumir,
00:55:30ou ele vai...
00:55:31ele vai viver
00:55:32de falar maluquice
00:55:34e ter gente
00:55:34tomando decisão
00:55:35atabalhoada.
00:55:37Mas é gozado isso.
00:55:38Outro dia eu estava pensando isso,
00:55:40Madar.
00:55:40Você sabe disso melhor do que eu,
00:55:42porque você cobra essa área.
00:55:44Mas a gente não vive...
00:55:45A gente vive
00:55:45numa espécie de burocracia.
00:55:47Burocracia no sentido
00:55:48de um sistema
00:55:49comandado pelos burocratas.
00:55:51Sim.
00:55:51Não é exatamente
00:55:52uma democracia,
00:55:53é uma burocracia.
00:55:55Não,
00:55:55e eu vejo
00:55:56as pessoas brigando
00:55:57por...
00:55:57Eu vejo as pessoas brigando
00:55:59sem vontade de se entrar
00:56:00para dar risada.
00:56:01Porque você sabe
00:56:01que eu já trabalhei lá.
00:56:02Então, assim,
00:56:03os técnicos hoje
00:56:04do governo do PT,
00:56:05que andam com a estrelinha
00:56:06do PT no carro,
00:56:07que não sei o quê,
00:56:08que pá, pá, pá,
00:56:09eram os mesmos
00:56:10que trabalharam
00:56:10para o Bolsonaro.
00:56:12Pois é.
00:56:12E que eram os mesmos
00:56:13que trabalhavam para o Temer,
00:56:14e que eram os mesmos
00:56:15que trabalhavam para a Dilma.
00:56:17E eu vejo gente
00:56:19anunciando estádio
00:56:20em Brasília,
00:56:21aplaudindo um ministro
00:56:22do STF,
00:56:23ou gritando sem anistia,
00:56:25ou aplaudindo não sei o quê.
00:56:27Gente,
00:56:27a hora que mudar,
00:56:28eles vão aplaudir o outro.
00:56:29A cidade não tem isso.
00:56:31Tanto que, assim,
00:56:32quando eu cheguei lá
00:56:33vinda de São Paulo,
00:56:35assim,
00:56:35mudou do governo
00:56:37do PSDB para o PT,
00:56:39o cara tirava o adesivo
00:56:41do Tucano do carro,
00:56:42punha a estrela
00:56:43e dane-se.
00:56:44Vamos, né?
00:56:45E começar...
00:56:46Então, assim,
00:56:47eu acho que as pessoas
00:56:48não têm ideia
00:56:48que quem constitui
00:56:49o governo mesmo,
00:56:50o grosso,
00:56:51é gente que está
00:56:52em todos os governos.
00:56:54E que eu acho
00:56:55que os cargos de confiança
00:56:58tinham que ser menos.
00:56:59É muito cargo de confiança.
00:57:01É.
00:57:02Porque o cara
00:57:02é funcionário público
00:57:04concursado.
00:57:05Aí ele ganha
00:57:05um cargo de confiança,
00:57:06ele ganha um salário a mais,
00:57:09que às vezes dá
00:57:10o valor do salário dele
00:57:11de concursado.
00:57:12Então, assim,
00:57:13quem entra,
00:57:14eles estão lá.
00:57:15Claro.
00:57:17Não, e aí começa
00:57:17a trabalhar para ele mesmo,
00:57:18em benefício próprio.
00:57:20Sim.
00:57:20Porque, assim,
00:57:21eu quero ficar aqui
00:57:21para sempre.
00:57:22Quem não gosta de mordomia?
00:57:23Eu também gosto.
00:57:24Tá, tá com tudo garantido.
00:57:26Então.
00:57:26Mas eu acho que as pessoas
00:57:27não têm ideia
00:57:27dessa burocracia,
00:57:29como ela se estabelece,
00:57:31enfim.
00:57:31Aí você tem um cara
00:57:35que dominava
00:57:36malemalha a burocracia
00:57:37lá do gabinete dele,
00:57:39que era o Bolsonaro,
00:57:40que tinha um gabinete
00:57:41de deputado há muitos anos,
00:57:42mas é uma estrutura
00:57:43muito diferente.
00:57:44O gabinete de deputado
00:57:45da presidência da república.
00:57:47E aí,
00:57:47te manda entrevistar
00:57:48o deputado.
00:57:49Como é que foi
00:57:50a experiência?
00:57:51Então, foi isso.
00:57:52Por exemplo,
00:57:52eu era contra,
00:57:53eu falei,
00:57:54eu não quero dar esse...
00:57:54Fui convencido
00:57:55pela redação.
00:57:56O que que eles falaram?
00:57:57Porque, olha,
00:57:58a gente...
00:57:59Porque a gente
00:57:59tinha entrevistado
00:58:00o Zé Dirceu,
00:58:01uma entrevista polêmica
00:58:02com o Zé Dirceu na época,
00:58:03não é porque ele já
00:58:04estava implicado no...
00:58:06Já estava no Mensalão?
00:58:08Já estava no Mensalão.
00:58:09Já.
00:58:09E foi uma entrevista...
00:58:11Então, o argumento
00:58:12era o seguinte,
00:58:12olha, a gente tem que ser
00:58:13uma plataforma para todo mundo,
00:58:14a gente tem que dar voz
00:58:15para todo mundo.
00:58:16Mas ele não tinha
00:58:17o mesmo peso na época?
00:58:19Era o meu argumento.
00:58:20Eu falei,
00:58:20gente, eu acho que a gente
00:58:21está batendo pau
00:58:22para o maluco dançar.
00:58:23Mas como eu era...
00:58:25Eu era um editor democrata,
00:58:27o que é um erro,
00:58:28é um erro
00:58:28ser um editor muito democrático.
00:58:31Mas como eu era
00:58:31um editor democrático...
00:58:32Eu sou uma editora
00:58:33super democrática.
00:58:34Todo mundo vota,
00:58:35todo mundo vota
00:58:36e eu decido
00:58:36fazer o que eu quero.
00:58:38É que nem na minha casa.
00:58:39Todo mundo vota,
00:58:40votou, pronto,
00:58:41decido, eu faço o que eu quero.
00:58:42Toda vez que eu tomei
00:58:44uma decisão,
00:58:45que eu conversei
00:58:46com os colegas,
00:58:47o pessoal que trabalhava comigo,
00:58:49e acatei a decisão deles,
00:58:51eu me dei...
00:58:52Eu também!
00:58:54Não faça isso!
00:58:55Eu também!
00:58:56Toda vez que eu já tinha
00:58:58pensado sobre isso,
00:58:59comecei a conversar muito
00:59:01e mudei,
00:59:02tomei na cabeça.
00:59:03É, não, não vale a pena.
00:59:04Você pode tomar na cabeça,
00:59:05é melhor você ir
00:59:06da inicial.
00:59:06É melhor você fazer
00:59:07o que você acredita.
00:59:08Você acreditava mesmo
00:59:09e pronto.
00:59:10Mas aí te convenceram.
00:59:12Aí me convenceram,
00:59:12a gente publicou
00:59:13a entrevista.
00:59:14Mas não é,
00:59:15não é uma entrevista
00:59:16que não deu,
00:59:17não deu problema, né?
00:59:20Mas é um monte de...
00:59:22Mas tinha alguma coisa assim,
00:59:24deu também barulho
00:59:25ou não?
00:59:27Eu lembro que a chamada...
00:59:28Ele era meio folclórico
00:59:29na época.
00:59:32Ele era meio folclórico.
00:59:37Era esse nível.
00:59:39Era esse nível.
00:59:39Era.
00:59:40Ou o ir e Cristo.
00:59:41vamos começar o ir e Cristo.
00:59:43Era isso.
00:59:43Assim,
00:59:43para as pessoas entenderem,
00:59:44eram outros tempos.
00:59:45A gente está falando
00:59:46da imagem pública
00:59:47que a pessoa tinha.
00:59:47Era mais ou menos aí.
00:59:48Era mais ou menos isso.
00:59:49Ele era o cara
00:59:50que ia ao programa
00:59:51da Luciana Gimenez
00:59:52e era um dos palhaços
00:59:54que iam lá
00:59:55fazer essas coisas.
00:59:56Se bem que eu acho
00:59:57que o programa era legal,
00:59:57porque eu me lembro de um...
00:59:59Não sei se você vai
00:59:59se lembrar disso.
01:00:01Era um torneio de sinuca
01:00:02entre o Rui Chapéu,
01:00:04o ir e Cristo
01:00:04e o Toninho do Diabo.
01:00:05era um juiz.
01:00:06Eu falei,
01:00:06cara,
01:00:07isso é genial.
01:00:08Isso é genial.
01:00:11Mas o Bolsonaro
01:00:12estava nesse rolo.
01:00:13Ele era esse tipo de cara.
01:00:15Era, era.
01:00:15Por isso que eu falo
01:00:16que se o ir e Cristo
01:00:17tivesse sido presidente,
01:00:18o Brasil estaria melhor.
01:00:20Eu não sei.
01:00:22Porque a gente só vai...
01:00:24A gente só conhece a índole
01:00:25quando dá o poder na mão.
01:00:27Pode ser.
01:00:28Pode ser.
01:00:29Então, assim,
01:00:29eu não sei.
01:00:30A pessoa sem poder na mão
01:00:32ela é uma.
01:00:32Você dá o poder
01:00:33ela é outra.
01:00:34Mas tem uma diferença.
01:00:34Uma coisa eu quero chamar
01:00:36Messias.
01:00:36O outro é o cara
01:00:37ser o Messias.
01:00:38O Henrique Cristo
01:00:39é o próprio.
01:00:40Ele é o Messias?
01:00:41Ele é o Messias.
01:00:42Ele diz que é.
01:00:43Eu acho que o Brasil
01:00:44estaria melhor.
01:00:45Você já viu os clipes
01:00:46do pessoal do Henrique Cristo?
01:00:48Dançando e tal.
01:00:49Dançando e tal.
01:00:51Mas aí você entrevistou.
01:00:52Como é que foi o...
01:00:54Não, tem diferença.
01:00:54Você mesmo que fazia?
01:00:56Não, não, não.
01:00:56Tinha uma equipe e tal.
01:00:57Eu fazia...
01:00:58Raramente eu fui
01:00:59para a entrevista
01:01:01nessa época.
01:01:01Porque eu era
01:01:02diretor de redação, né?
01:01:03Não tem nem tempo.
01:01:04Não tinha tempo.
01:01:06O que eu entrevistei
01:01:06pessoalmente
01:01:07na minha fase
01:01:08foi o Milor,
01:01:09porque...
01:01:09Ah, porque...
01:01:10Claro, tendo oportunidade...
01:01:12Foi o meu ídolo
01:01:13e eu adorava o Milor.
01:01:14E o Fernando Henrique,
01:01:16que foi um dos primeiros
01:01:17entrevistas que a gente fez
01:01:18logo que eu cheguei
01:01:19na Playboy.
01:01:21Agora,
01:01:22você está falando
01:01:22disso nas entrevistas?
01:01:24Eu estou lembrando
01:01:25das entrevistas do Pasquim,
01:01:27que eu li todas.
01:01:28porque era uma escola, né?
01:01:29A gente tinha que ler
01:01:29as entrevistas dos outros.
01:01:31E da Playboy.
01:01:33Era uma época
01:01:34em que as pessoas
01:01:34faziam perguntas difíceis
01:01:36para pessoas poderosas, né?
01:01:38Pois é.
01:01:39A pergunta difícil
01:01:40era o negócio.
01:01:41É, era isso.
01:01:43Você tinha que fazer.
01:01:45Né?
01:01:45Você tem...
01:01:45Porque, assim,
01:01:46se você é um bom entrevistador
01:01:49ou uma boa entrevistadora,
01:01:51você pode entrevistar
01:01:51quem você quiser.
01:01:52Até o Henrique Cristo
01:01:54ou o Bolsonaro.
01:01:55Mas você tem que ter
01:01:56uma pergunta incisiva, né?
01:01:58A pergunta que vai
01:01:59colocar o entrevistado em xeque.
01:02:01É a regra desde sempre.
01:02:03Principalmente
01:02:04quando você pega a gente...
01:02:05Eu acho que quando pega
01:02:05a gente ou poderosa
01:02:07ou polêmica...
01:02:09É, claro.
01:02:10No universo entrevista
01:02:12existia isso.
01:02:13Agora, eu acho que...
01:02:15Aqui, por exemplo,
01:02:15é um videocast,
01:02:16não é uma entrevista.
01:02:18Mas a entrevista clássica
01:02:21se tornou cada vez
01:02:23mais semelhante
01:02:24a podcast
01:02:27e a...
01:02:28a órgãos partidários
01:02:30que recebem pra pagar.
01:02:31A entrevista clássica
01:02:32ela perdeu a força, eu acho.
01:02:33Eu acho que ela perdeu
01:02:35e acho assim...
01:02:36Eu detesto esse termo
01:02:37polarização
01:02:38que eu acho que
01:02:39não explica nada.
01:02:40Não aguento mais
01:02:41falar em polarização.
01:02:43Mas, de fato,
01:02:45eu acho que
01:02:46a mídia, de uma maneira geral,
01:02:48pega leve com o poder.
01:02:49Muito leve.
01:02:50O antagonista não pega, tá?
01:02:51É um dos que não pega.
01:02:53Mas, no geral,
01:02:53pega leve.
01:02:54Eu acho que pega leve.
01:02:55Pega leve com todo mundo.
01:02:57Pega leve com todo mundo.
01:02:58E eu já fui assessora
01:02:59de vários.
01:03:01Eu tinha sido repórter,
01:03:03passei um tempo
01:03:03em empresa privada,
01:03:05fui trabalhar
01:03:06lá em Angola,
01:03:07no Unicef,
01:03:09voltei pra cá,
01:03:10fui fazer o launch
01:03:11daquela change.org,
01:03:12então eu fiquei muito longe
01:03:13da imprensa, tipo...
01:03:15Um gap aí
01:03:16de uns oito anos.
01:03:17Aí volto
01:03:18pra ser assessora.
01:03:20Eu preparando
01:03:21o meu assessorado
01:03:22pra perguntas
01:03:23dificílimas.
01:03:24De repente,
01:03:25eu vi que essas perguntas
01:03:26não eram mais feitas.
01:03:27É.
01:03:30Não eram mais feitas.
01:03:32Não fazia mais.
01:03:34É,
01:03:34eu acho que tem isso.
01:03:35E tem muita gente
01:03:36que quer ver.
01:03:38Ou vinha num confronto,
01:03:40porque, assim,
01:03:41a difícil mesmo
01:03:42não fazia.
01:03:42Uma que eu comecei a ver
01:03:44era o seguinte.
01:03:45mas esse projeto dele
01:03:47vai fazer tal coisa
01:03:49assim, assim,
01:03:49que vai destruir tal coisa.
01:03:50Que era o argumento
01:03:51do partido oposto.
01:03:53O que ele tem a dizer
01:03:54sobre isso?
01:03:54Eu falava,
01:03:55você leia o projeto
01:03:57e veja o que está
01:03:58no projeto.
01:03:59Não, mas é que estão
01:04:00dizendo que o projeto
01:04:00é isso.
01:04:01Eu falei,
01:04:01pois é,
01:04:01você tem o projeto
01:04:02na sua mão.
01:04:03Você pode ler o projeto.
01:04:05Que é aquela coisa,
01:04:07um tá falando
01:04:08que chove,
01:04:08o outro tá falando
01:04:09que não chove.
01:04:10Junta os dois
01:04:11e faz uma matéria
01:04:12e não vai olhar
01:04:12se tá chovendo.
01:04:14É.
01:04:15Eu sinto
01:04:16que tem muita gente
01:04:17hoje,
01:04:18e você sabe disso
01:04:19melhor do que eu,
01:04:20que reproduz narrativas.
01:04:22Seja a narrativa
01:04:24de quem está no poder
01:04:25ou a narrativa
01:04:26de quem está
01:04:26na oposição.
01:04:27Mas você não questiona
01:04:29a narrativa.
01:04:30Eu consumo
01:04:32muita política,
01:04:33notícia de política.
01:04:34Embora
01:04:36nunca tenha
01:04:36trabalhado com política.
01:04:37Mas eu consumo
01:04:38muita coisa.
01:04:39Eu fico olhando
01:04:39e falo,
01:04:40cara, mas
01:04:41essa nota aqui
01:04:42tá parecendo
01:04:43assessoria de imprensa.
01:04:44assim,
01:04:45essa nota não é imprensa.
01:04:46Mas sabe que
01:04:47muitas vezes é, né?
01:04:48É, às vezes é.
01:04:49Eu já escrevi
01:04:49artigos inteiros
01:04:51de revistas grandes
01:04:53da época
01:04:53que estavam fortes
01:04:54ainda.
01:04:55Lá pra
01:04:56dois mil e
01:04:58doze,
01:04:58treze,
01:04:59quatorze.
01:05:00inclusive ligava
01:05:01para o oponente
01:05:03do meu deputado
01:05:04rival
01:05:05e falava,
01:05:06ó,
01:05:07peguei um artigo
01:05:07na revista tal,
01:05:08posso tacar
01:05:09uma aspa sua.
01:05:11Pode
01:05:11pôr tal,
01:05:12tal e tal?
01:05:13O meu tinha que
01:05:14sair ganhando,
01:05:14claro,
01:05:15e o outro já sabia.
01:05:16Mas eu fazia inteira,
01:05:18mandava pro repórter
01:05:19e tinha repórter
01:05:20que assinava.
01:05:23não mudavam
01:05:24uma vírgula.
01:05:25Eu tinha feito
01:05:25matéria.
01:05:27Quando você olha,
01:05:28às vezes,
01:05:28e tem impressão
01:05:29que é assessoria,
01:05:29não é impressão,
01:05:30é que é mesmo.
01:05:32Porque tem isso,
01:05:33eu acho que
01:05:35quantos textos
01:05:36alguns veículos
01:05:36publicam por dia?
01:05:38Não tem como
01:05:39mudar aquele volume.
01:05:40Tem repórter que me falou
01:05:41que hoje em dia
01:05:41pedem dez textos por dia.
01:05:43É, não.
01:05:44E a figura do editor
01:05:45também está cada vez
01:05:46mais fragilizada.
01:05:47Não tem,
01:05:48não dá tempo
01:05:49de ter editor.
01:05:50fez a matéria,
01:05:52estou falando
01:05:52de uma mídia
01:05:53mais institucional.
01:05:54Faz a matéria,
01:05:55sobe a matéria.
01:05:56Sobe.
01:05:56Não, você vai ver,
01:05:57tem lugar,
01:05:57tem dois mil,
01:05:58três mil textos por dia.
01:05:59Não tem como
01:06:00alguém ter editado aquilo.
01:06:01Não tem como sobe.
01:06:01E se tiver algum problema,
01:06:03com a internet tem isso.
01:06:04Se tem algum problema,
01:06:05você corrige.
01:06:06Mas aí,
01:06:07isso deixa
01:06:09o repórter
01:06:10mais preguiçoso.
01:06:11Porque ele sabe
01:06:12que ele pode corrigir.
01:06:13A coisa não vai ser impressa.
01:06:14A coisa não está ali.
01:06:15Então, assim,
01:06:16eu posso corrigir.
01:06:17Se tiver uma informação errada,
01:06:17eu corrijo depois.
01:06:19acho o problema.
01:06:21Mas, por outro lado,
01:06:22também,
01:06:23acho que não tem volta.
01:06:24Não.
01:06:25Acabou.
01:06:25Foi essa.
01:06:26Agora,
01:06:26e o negócio dos livros,
01:06:27aí você foi para os livros.
01:06:28Então,
01:06:29aí eu fui para os livros.
01:06:30Porque esse universo,
01:06:32a mulher pelada,
01:06:34revista acabou.
01:06:34Acabou.
01:06:35E revista acabou.
01:06:37Revista acabou.
01:06:38Não,
01:06:38revista acabou.
01:06:39Infelizmente,
01:06:40porque abril tinha um monopólio.
01:06:41Quando abril,
01:06:42saiu do jogo.
01:06:43Ou diminuiu muito,
01:06:44porque abril existe,
01:06:44mas é muito menor do que era.
01:06:47O ambiente acabou.
01:06:51O meio ambiente de revista acabou.
01:06:53Quando eu estava na Playboy,
01:06:55já era esse o problema.
01:06:57Eu lembro que eu estava lá
01:06:58e, assim,
01:06:59cara,
01:07:00todo mês o ensaio
01:07:02era pirateado.
01:07:05Naquela época...
01:07:06Eu recebia as fotos
01:07:07da Mônica Veloso,
01:07:08eu recebia antes de sair a revista.
01:07:09Exatamente.
01:07:10Eu lembro.
01:07:11E eu cobria política.
01:07:12Então,
01:07:13e derrubava a venda.
01:07:15Na época,
01:07:16eu achava que foi o seguinte,
01:07:17olha,
01:07:17eu achava o que o Alexandre de Moraes acha.
01:07:19Assim,
01:07:20os provedores de internet
01:07:22têm que ser responsabilizados
01:07:23pelo conteúdo.
01:07:24Ah,
01:07:25na época você achava
01:07:26que tinha que ser responsabilizado
01:07:27por ter...
01:07:28É,
01:07:28porque eu acho que é o caminho
01:07:29de raciocínio lógico
01:07:31mais fácil.
01:07:31Eles estão nojando com o conteúdo
01:07:32que eles não produziram.
01:07:34Eu mudei a minha opinião
01:07:35porque eu acho que a mídia hoje
01:07:37ela é isso aqui.
01:07:38A mídia tradicional
01:07:40ela é minoritária hoje.
01:07:42Então,
01:07:42hoje,
01:07:42se você fala em regular
01:07:45a mídia digital,
01:07:46você está falando em regular
01:07:46a mídia.
01:07:48A mídia hoje é digital.
01:07:50Sim.
01:07:50As coisas acontecem no digital.
01:07:53Sim.
01:07:53Então,
01:07:54não dá mais para falar assim,
01:07:55olha,
01:07:56por exemplo,
01:07:56o termo liberdade de imprensa
01:07:58não funciona mais.
01:07:58É liberdade de expressão mesmo,
01:07:59porque a liberdade de imprensa
01:08:01está muito pequenininha,
01:08:03infelizmente.
01:08:04Não,
01:08:05é...
01:08:05Eu acho que também,
01:08:06assim,
01:08:07liberdade de imprensa
01:08:08perdeu um pouco o sentido
01:08:09porque tem a vontade
01:08:09de imprensa também.
01:08:11Você só precisa da liberdade
01:08:13quando tem vontade.
01:08:15Pois é.
01:08:15E hoje é mais fácil você,
01:08:19em vez de produzir novos conteúdos
01:08:21ou se posicionar,
01:08:22você reproduzir simplesmente coisas,
01:08:24né?
01:08:24Pois é.
01:08:25Não,
01:08:25eu acho hoje que
01:08:26o debate,
01:08:28o debate público
01:08:29está na internet.
01:08:30Está.
01:08:31Isso sem dúvida.
01:08:31Está na internet.
01:08:32Sem dúvida.
01:08:33Então, tem que olhar
01:08:33com muito cuidado
01:08:34porque,
01:08:35por exemplo,
01:08:37é...
01:08:38Por exemplo,
01:08:38vou pensar no próprio antagonista.
01:08:41O antagonista é um...
01:08:43uma mídia alternativa
01:08:44ao mesmo tempo.
01:08:44Ela está vendo o YouTube
01:08:45que é um gigante de mídia.
01:08:47Como é que você lida
01:08:49com os dois fatores
01:08:50ao mesmo tempo?
01:08:51E você sabe
01:08:52que eu me especializei nisso, né?
01:08:53Depois que eu fui trabalhar
01:08:54em plataforma internacional,
01:08:56eu coloquei
01:08:57a Jovem Pan no YouTube,
01:08:59o antagonista no YouTube
01:09:00e a Gazeta do Povo no YouTube.
01:09:02Eu,
01:09:03do Velho Testamento,
01:09:05coloquei o antagonista no YouTube.
01:09:07Está certo.
01:09:08E que é uma coisa,
01:09:10assim,
01:09:10que...
01:09:10E eu coloquei...
01:09:11Ah!
01:09:12Eu coloquei o STF
01:09:14em todas as...
01:09:15O despacho
01:09:17que coloca o STF
01:09:19nas redes sociais
01:09:20é meu.
01:09:22Foi a primeira
01:09:23Suprema Corte do mundo
01:09:24a ir para o YouTube.
01:09:26Até o canal do YouTube.
01:09:28Aí, depois,
01:09:29até a Rainha Elizabeth
01:09:29fez o canal.
01:09:31Legal.
01:09:31A gente colocou em 2008
01:09:33no YouTube.
01:09:35Então, assim,
01:09:36no fim,
01:09:38essas empresas
01:09:38viraram o espaço público
01:09:40que a gente ainda está
01:09:41a gente ainda está tateando,
01:09:43porque eu acho que isso é uma coisa
01:09:44que vai mudando todo dia.
01:09:45Agora,
01:09:46e o universo do livro?
01:09:47Então,
01:09:48aí agora eu sou escritor.
01:09:49Agora eu sou escritor,
01:09:50né?
01:09:51Assim,
01:09:51eu sou escritor e roteirista,
01:09:54mas sou escritor.
01:09:55Meu trabalho hoje
01:09:56é escrever.
01:09:57E como que é esse universo?
01:09:58Porque as pessoas falam
01:09:59o livro morreu.
01:10:01Se você acha isso
01:10:03que o jovem não lê,
01:10:04tem mesmo,
01:10:04muitos jovens que não lê,
01:10:05mas sempre teve.
01:10:06Agora,
01:10:07tem um monte de canal
01:10:09só de literatura
01:10:10para jovem,
01:10:11de jovem que lê.
01:10:12Tem.
01:10:12Um monte.
01:10:13É incrível isso.
01:10:14E, por exemplo,
01:10:14eu gosto muito de Kindle,
01:10:16porque eu acho prático,
01:10:17eu levo para qualquer lugar,
01:10:19eu tenho no tablet,
01:10:20tenho no telefone.
01:10:21O meu filho não gosta.
01:10:23Ah, que legal.
01:10:24Ele gosta de livro físico.
01:10:25Ele gosta de físico.
01:10:26Ele até lê no Kindle
01:10:28quando,
01:10:29por alguma circunstância,
01:10:31a gente não acha o físico.
01:10:33mas ele não gosta.
01:10:35E ele lida melhor
01:10:36com o computador,
01:10:37obviamente,
01:10:38do que eu,
01:10:38porque ele é nativo digital,
01:10:39eu não.
01:10:40Mas não é só ele.
01:10:42Os amigos também gostam
01:10:43do livro físico.
01:10:44Pois é,
01:10:45eu acho que tem
01:10:46uma volta do livro físico,
01:10:47tem uma volta da mídia física.
01:10:49Sim.
01:10:50Porque isso está acontecendo.
01:10:51Então, você tem,
01:10:52assim,
01:10:53outro dia eu fui na galeria do rock
01:10:55que tem lojas e lojas
01:10:56de vinis,
01:10:57uma atrás da outra.
01:10:58A gente colecionou vinil.
01:10:59Eu tenho vinil.
01:11:00Estão vendendo vitrola
01:11:02agora.
01:11:03Outro dia eu fui
01:11:04em loja de eletrodoméstico
01:11:05de outra coisa,
01:11:06já tem vitrola.
01:11:07Já tem vitrola.
01:11:08O vinil voltou.
01:11:09O livro nunca saiu,
01:11:10mas eu acho que agora
01:11:11você tem um público
01:11:12que quer o livro impresso.
01:11:14Ele quer o livro.
01:11:14Ele quer mesmo.
01:11:15Tem muita editora pequena,
01:11:16muita editora pequena,
01:11:17ágil,
01:11:18que financia livro,
01:11:19faz com financiamento coletivo
01:11:21e daí consegue colocar
01:11:23no mercado uns livros
01:11:25que uma editora grande
01:11:25não colocaria,
01:11:26porque o público é pequeno,
01:11:27é restrito.
01:11:29Então, assim,
01:11:29é um ambiente em mudança.
01:11:31eu cada vez mais
01:11:32estou nessa.
01:11:34Escritor mesmo.
01:11:36Ou editor,
01:11:37porque eu também estou
01:11:37querendo começar a editar também.
01:11:39Ah, é?
01:11:40Ah, estou, estou, estou.
01:11:41Pensando, pensando.
01:11:42É, a gente terminar
01:11:44com o pensamento aqui,
01:11:46que é o seguinte,
01:11:47eu acho que a gente
01:11:48teve esse boom da internet,
01:11:51que as pessoas pensaram
01:11:52que ia ser uma democratização,
01:11:54eu pensei,
01:11:56e meio que não foi,
01:11:57porque foi meio que
01:11:58assustando todo mundo,
01:11:59um caos informacional,
01:12:00as pessoas muito nervosas,
01:12:03muito cheias de certeza.
01:12:04E o que falta agora
01:12:05é curadoria, sabia?
01:12:08Pois é, né,
01:12:09uma dá.
01:12:10Eu acho que falta.
01:12:12Eu acho que falta.
01:12:13Não é que falta,
01:12:13é que se abre uma oportunidade,
01:12:16eu acho que o próximo estágio
01:12:18é a curadoria.
01:12:19É.
01:12:19Eu tenho a impressão
01:12:21que existe um lance aí
01:12:24com a mídia física,
01:12:25com a volta da mídia física.
01:12:27Eu conheço gente
01:12:27que está colecionando
01:12:30VHS.
01:12:30de novo, assim,
01:12:32o preço de VHS está subindo.
01:12:34Do livro bacana, bonito,
01:12:37físico, elaborado,
01:12:39acho que tem uma mudança.
01:12:41Não é que tem uma mudança,
01:12:42não vai mudar,
01:12:43mas está se criando um nicho
01:12:44de novo para a mídia física,
01:12:46que vai ser muito menor
01:12:47do que já foi,
01:12:48nunca vai ser igual,
01:12:50mas ele está crescendo.
01:12:52E acho que mais premium também.
01:12:54Acho que sim.
01:12:55Eu faço parte de grupos
01:12:56que a gente compra,
01:12:59vai lá, um pacote
01:13:00que você recebe
01:13:01a cada mês
01:13:01ou a cada três meses
01:13:02um conjunto de livros,
01:13:04mas é capa dura,
01:13:06é encadernação especial,
01:13:08é o lado dourado,
01:13:09é o negócio de marcar,
01:13:11enfim, é o premium.
01:13:13Às vezes de livros
01:13:14que eu já tinha,
01:13:15eu mando o meu antigo
01:13:16embora para ficar com o premium.
01:13:17É, eu acho que está.
01:13:19Tem uma tendência, sim.
01:13:21Então, vamos ver.
01:13:22Estamos aí em mudanças.
01:13:24Aram,
01:13:25só para terminar,
01:13:27fala,
01:13:28confessa para o Brasil,
01:13:29para o mundo.
01:13:30Você é fã mesmo
01:13:32do Narrativas Antagonista?
01:13:34Eu vejo todo dia.
01:13:36Eu vejo muito o Antagonista.
01:13:37Eu vejo muita coisa no YouTube.
01:13:39Muita coisa.
01:13:40O Antagonista é uma delas.
01:13:42E o Narrativas também.
01:13:43Eu vejo.
01:13:44Vejo todo dia.
01:13:45Quase todo dia.
01:13:45Não vou dizer que eu vejo todo dia,
01:13:47mas vejo quase todo dia.
01:13:48Eu acho que você vê mais que eu.
01:13:51É capaz.
01:13:52É capaz.
01:13:54Bom, Edson Aram,
01:13:55muito obrigada por ter vindo.
01:13:57Que prazer enorme ter você aqui.
01:14:00Bom, vocês conheceram o Edson Aram.
01:14:02O Aram é um cara que, assim,
01:14:05para quem é jornalista da minha geração,
01:14:08ele era o cara da revista VIP,
01:14:10o cara dos textos mais legais,
01:14:12o que fazia a curadoria mais bem elaborada.
01:14:14Aqui vocês conheceram o universo
01:14:16das revistas,
01:14:18das mulheres nuas,
01:14:20que não existe mais.
01:14:22Enfim, eu tenho certeza
01:14:24de que vocês gostaram muito dessa entrevista
01:14:26e nós temos um encontro marcado.
01:14:28Próxima quarta-feira,
01:14:298 horas da noite,
01:14:30aqui no Lado A,
01:14:32eu trago alguém interessante
01:14:34para você conhecer.
01:14:36Fora da política.
01:14:38E de segunda a sexta-feira,
01:14:40às 5 horas da tarde,
01:14:41você me vê no Narrativas Antagonistas.
01:14:44Hoje eu vou ficando por aqui.
01:14:45beijo e até mais.
01:14:48Semana que vem,
01:14:49você vai participar de uma conversa
01:14:50com William Borghetti,
01:14:52um apaixonado por neurociência.
01:14:55É às 8 da noite,
01:14:56de quarta-feira,
01:14:58como sempre.
01:15:27Transcrição e Legendas por Quintena Cuadra
01:15:28Obrigado.
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