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O Comitê de Política Monetária, o Copom, decidiu cortar a taxa Selic, em 0,25 pontos percentuais. Esse é o primeiro corte na taxa básica de juros do Brasil desde maio de 2024. Para entender melhor os impactos dessa decisão e o combate à inflação, a Jovem Pan News entrevista o ex-diretor executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista Jr..



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00:00O Comitê de Política Monetária, o COPOM, decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 pontos percentuais.
00:08Esse é o primeiro corte na taxa básica de juros do Brasil desde maio de 2024.
00:14Pra gente entender melhor os impactos dessa decisão e o combate à inflação,
00:19convidamos agora aqui no Jornal da Manhã o ex-diretor executivo do FMI, o Paulo Nogueira Batista Júnior.
00:26Seja muito bem-vindo, bom dia.
00:29Bom dia, obrigado pelo convite.
00:31Pra gente começar avaliando esse corte, a gente está falando de um percentual que não é tão expressivo,
00:38mas uma tendência de queda, ela traz aqui um cenário positivo para a economia ou ainda é momento de cautela?
00:45É sempre um momento de cautela, mas eu diria a você que o Banco Central demorou demais a começar a
00:52redução da taxa de juros.
00:53Ela está altíssima ainda em termos nominais, em termos reais, e isso prejudica a economia de várias maneiras.
01:02Prejudica as finanças públicas, porque onera a dívida pública via custo dos papéis do governo,
01:09concentra a renda, porque quem recebe os juros altos é uma minoria de gente rica, né?
01:14E prejudica o nível de atividade de emprego, atinge as famílias endividadas.
01:19Isso é uma política de juros meio suicida essa que o Brasil vem praticando.
01:24E a redução de juros poderia, no meu entender, ter sido iniciada no ano passado.
01:30Meados do ano passado, talvez, ou no último trimestre.
01:34Agora, antes tarde do que nunca, mas o fato é que nós estamos correndo atrás do prejuízo em termos de
01:41juros.
01:42Paulo, bom dia. Seja bem-vindo aqui à Jovem Pan.
01:46Paulo, a questão que envolve justamente a inflação, que é a base para fazer a decisão do Banco Central, evidentemente,
01:55o Copom,
01:55você acredita, de fato, que essa inflação é muito otimista para o tamanho da economia, para as nossas características?
02:02Mas é claro que mudar agora essa margem, isso poderia implicar no mercado.
02:08Mas, num eventual novo governo, é preciso se discutir também o tamanho da nossa inflação?
02:13Quer dizer, é muito baixa para a nossa realidade?
02:16Olha, esse problema que você aponta remonta ao governo Temer.
02:20Nós acabamos de ouvir aí o presidente Temer.
02:22Na época, havia um Elon Goldfein, era o presidente do Banco Central, e, tolamente, sem nenhuma reflexão maior,
02:30fixaram essa meta de inflação muito ambiciosa, 3% com intervalo de 1,5% para cima e para baixo.
02:36Essa meta, no meu entender, é irrealista.
02:39O governo Lula poderia ter modificado essa meta quando começou, em 2023.
02:46Muitos economistas, eu inclusive, alertaram para o risco de manter essa meta de inflação alta.
02:52O governo Lula não teve ousadia para fazer isso, e agora se vê as voltas com uma meta que, para
02:58alcançar, exige juros muito altos.
03:02Mesmo assim, mesmo com essa meta irrealista e tola que foi fixada no governo Temer,
03:08você poderia praticar juros mais baixos desde que o Banco Central aceitasse que a inflação esperada e corrente
03:14ficasse mais próxima do teto da meta.
03:17O Banco Central tem mirado o centro da meta, que é os 3%.
03:21Mas por que não uma inflação um pouco mais alta para permitir uma redução dos juros de imediato?
03:28Paulo Nogueira, agora, para a gente entender esse corte de 0,25, na prática, muda alguma coisa para o brasileiro?
03:38Muito pouco, Marcelo, Beatriz, porque você tem uma taxa de juros ainda altíssima.
03:45O efeito sobre quem está endividado, famílias, pequenas empresas, etc., é marginal.
03:52Não muda nada.
03:55É uma perfumaria para uma situação que nós estamos enfrentando hoje no Brasil.
04:01Paulo, inclusive, nessa semana, eu acompanhei aqui uma agenda do presidente Lula.
04:05Ele até falou que imaginava 0,5, né?
04:08Mas tudo indica que nós tivemos esse efeito aí da questão dos combustíveis, né?
04:12No choque de petróleo, no conflito Irã e também Estados Unidos.
04:16De fato, esse conflito em si, ele pode, inclusive, ser mais persistente?
04:21Ou você avalia que vai haver aí um certo consenso e possa haver uma redução dessa escalada?
04:28Mas, de qualquer forma, foi essa a justificativa do BC?
04:33Sem dúvida.
04:34Mas o que eu estava tentando dizer antes é que há muita gordura na taxa de juros brasileira.
04:40Que ela pode ser reduzida mais significativamente.
04:44Agora, é verdade que você tem um choque de preços.
04:47Esse choque de preços e o petróleo nos ajuda em termos de balança comercial.
04:52Porque o Brasil é um exportador líquido de petróleo.
04:54Mas pressiona a inflação.
04:55Isso que está preocupado o governo.
04:57E o governo está tomando medidas positivas no sentido de evitar que essa alta internacional do petróleo
05:05seja repassada integralmente aos preços domésticos.
05:08Com medidas desse tipo, restante de tributos, fiscalização, nós poderemos minimizar o choque.
05:17Agora, você me faz uma pergunta que ninguém pode responder, que é quanto tempo vai durar essa guerra.
05:23Quanto mais longa ela for, mais persistente será o choque de preços que já começou, claro.
05:29Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-diretor executivo do FMI.
05:33Muito obrigada pela atenção com a audiência da Jovem Pan.
05:36Seja sempre bem-vindo, Paulo.
05:38É um prazer. Obrigado a vocês.
05:39Obrigado a vocês.
05:39Obrigado a vocês.
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