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00:26Caros condóminos e condóminas,
00:29é com a voz embargada pela comoção
00:32que eu constato
00:34que a alegria e a união
00:36voltaram no nosso condomínio.
00:38É tão bom ver-nos unidos
00:40e felizes novamente.
00:41Obrigado.
00:42Muito obrigado.
00:44Olha, olha, vêm ressuscitar.
00:46Sorriam, sorriam.
00:47André,
00:49na qualidade de mestre orinterino deste condomínio,
00:52doutas boas-vindas a esta nossa casa,
00:55que é também a tua casa.
00:57Sei bem-vindo, André.
00:58É muito.
00:59É, pá, André.
01:00Estás com o mau aspecto, tu caraças, pá.
01:03Nessa idade uma pessoa já deve ter uns certos cuidados.
01:08Muito obrigado.
01:09Muito obrigado.
01:11Eu...
01:12Eu até me convia, mas o médico por aí vê-lo?
01:15É, o médico recomendo-lhe sossego absoluto.
01:20Portanto, se não se importa.
01:21Bom, então, ânimo, é?
01:23Boa sorte e as melhoras.
01:24Foi só um susto.
01:25Por causa do susto é que ele ficou com aquela cara.
01:31Oh, oh, André, eu percebo perfeitamente,
01:33dado o teu perclitante estado de saúde,
01:35que has renunciado ao mandato de administradores.
01:37Não, não, não, não.
01:38Hum...
01:39Não, não.
01:40Eu...
01:41Eu não tardo a muito.
01:43Reintegro-me.
01:44Eu...
01:45Só preciso de um...
01:47De um repouso.
01:48Em...
01:49Em família.
01:51Oh...
01:51Oh, querido, eu acho que os teus pais já são um bocadinho idosos para isso.
01:57Isabel...
01:58Eu sei muito bem que a casa aqui é tua,
02:00mas não me vais deixar sozinho na tenda, pois não?
02:03Se há coisas com cão em birro, é parasitas a viver à custa dos outros.
02:09Ui, ui, ui, ui...
02:12Aqui, aqui, aqui não quem viva.
02:15Aqui não, aqui não.
02:16Eu não podia imaginar, no dia em que este prédio vim parar.
02:21Fugi do stress, da agitação.
02:24Era o dia a dia nesta confusão.
02:26Aqui, aqui, aqui não há quem viva.
02:28Aqui não, aqui não.
02:31Aqui, aqui, aqui não há quem viva.
02:33Aqui não, aqui não.
02:35Neste prédio é só gente maluca,
02:37que o porteiro já nem pode aturar,
02:39e os vizinhos ainda não sempre a escutar.
02:42Não aguento este lugar.
02:44É loucura sem remédio.
02:49É o fim do mundo em cada andar.
02:54Não há quem viva neste prédio.
02:58Aqui, aqui, aqui não há quem viva.
03:01Aqui não, aqui não.
03:03Aqui, aqui, aqui não há quem viva.
03:05Aqui não, aqui não.
03:08Aqui, aqui, aqui não há quem viva.
03:15Porquê que não fazes o teste, Luísa?
03:17Porquê iam ficar os dois muito mais tranquilos?
03:20Claro.
03:20Olha, Luísa, é assim.
03:21Pôs assim o teste entre as pernas, deitas uns pinguinhos
03:25e passado três minutos podemos respirar.
03:27Ou atirar-nos pela janela, conforme o resultado.
03:30Deixa-me, deixa-me, deixa-me.
03:31Eu não estou grávida.
03:32Oh, Luísa, desculpa.
03:33A cambalhota que nós demos dava direito a trigémeos.
03:39Olha, Luísa, se tu fizeres o teste, eu adianto-me
03:43e dou-te já esta corrente de hora em imitação
03:46que eu comprei e que só que eu não pude embrulhar,
03:48porque os meus gigantes nunca têm papel de embrulho.
03:50Eu depois faço o teste quando quiser, Emílio.
03:53E vá, agora circula.
03:54Está bem, mas olha, Luísa, um bocadinho, por favor.
03:57Eu já não consigo, eu não aguento, eu sufoco, Luísa, toma.
04:04Gira.
04:05Ah...
04:05Devias fazer o teste, Luísa.
04:07Os problemas não se resolvem a fugir deles.
04:09Resolvem, resolvem.
04:09Alguns resolvem-se.
04:10Olha, eu deixei de falar com os meus pais e acabaram os seus problemas.
04:13Mas qual é o teu problema?
04:14Tens medo de estar grávida, é?
04:16Eu não tenho medo, Cristina, eu tenho pânico.
04:19Como é que eu posso trazer uma criança ao mundo na minha situação,
04:22ainda mais com o Emílio como pai?
04:26Ai...
04:26Isto é um desastre.
04:27A minha vida é uma porcaria.
04:29Não tenho trabalho, não tenho namorado.
04:34Olá, menina.
04:35Ainda por cima a Sofia está feliz, é que não há nada a favor.
04:40Olá.
04:41Olá.
04:43Bom, eu vou andando.
04:46Está bem.
04:49Deus, amor.
04:51Deus.
04:53Ele é um querido, acompanha-me sempre a casa.
05:03Vemos-nos esta tarde?
05:04Sim.
05:05Tenho uma surpresa para ti.
05:08Está bem.
05:10Deus, amor.
05:13Só mais um beijo, porque eu vou ficar muito tempo sem te ver.
05:22Olá.
05:23Olá.
05:24Bom dia.
05:31Ele é um amor.
05:34Imaginem só que eu fui ao ginecologista e ele quis acompanhar-me.
05:37É normal, coitado.
05:39Deves estar cheio de medo que lhe tenhas pegado alguma doença contagiosa.
05:43É natural.
05:43Não.
05:44É porque ele se preocupa comigo.
05:47Ele é o homem mais maravilhoso que eu alguma vez conheci.
05:50Ele é perfeito.
05:52Ai, Sofia, não existem homens perfeitos.
05:54Ah, existem e existem.
05:57E eu é que o tenho.
06:01Estás a ver?
06:02Estás a ver isto?
06:03Estou, estou.
06:04Não é justo?
06:05Não é.
06:05Não é nada justo?
06:06Nada.
06:06Andamos aqui as duas desesperadas à procura de um homem para a vida toda e...
06:10Nada.
06:12Chega ela.
06:13Só precisa de um homem para passar uma noite e vai e...
06:16Bomba!
06:17Encontra-o.
06:24Oh, Cristina.
06:26Aquele rapaz vai fazê-la sofrer muito.
06:30Nós não podemos achar que isso aconteça, pois não.
06:32Ah, Luísa.
06:36Por que é que ele se foi embora tão depressa?
06:39Pensa nisso, Luísa.
06:40Porque vive com a mãe.
06:42Ou...
06:42Ou porque é casado.
06:43Ou então...
06:45É porque está a esconder uma coisa muito, mas muito mais sinistra.
06:48Muito.
06:50Depressa, Cristina.
06:51Se nos despacharmos ainda o apanhamos.
06:53Vamos.
06:53Olha, é que tem uma coisa.
06:55Se a Sofia casa antes de mim, eu juro-te que me matam.
06:59Não, não.
07:00Vamos lá.
07:05Olha, eu venho propor-te um pacto de não agressão.
07:08Assim, se deixarmos de chatear a Cristina, talvez ela se sida mais rapidamente por nós, não é?
07:12Ou isso, ou arranja outro.
07:13Vê-se a léguas, que ela anda doida, hein?
07:15O quê?
07:16Sim, sim.
07:16Então ainda agora a vir no átrio com a Luísa atrás de um tipo.
07:19O que é que a Luísa faz atrás de um gajo?
07:24Olha, Cristina, está o telemóvel.
07:26Aposto que está a falar com a mulher dele.
07:28Peça, anda.
07:29Vamos seguir embora.
07:31Onde é que as meninas vão?
07:32Vamos às compras.
07:34Já voltamos.
07:34Já logo.
07:38Olha, é óbvio que elas gostam daquele gajo.
07:40Eu digo que nós temos duas opções.
07:42Ou ficamos de braços cruzados ou tentamos perceber o que se está a passar.
07:45Se calhar foram só os saldos.
07:50Eu conto.
07:51Vamos.
07:57Olha só para ele.
07:58É a cara da minha mãe chapadinha chapadinha.
08:00Ai, não é nada.
08:02É muito mais parecido com o meu irmão.
08:03Olha, esta parte aqui dos olhinhos é igual.
08:05A boca é a minha mãe, Bia.
08:05Não acho nada.
08:06Eu até acho muito mais parecido com a Bia.
08:08Não digam disparados, por favor.
08:09Os recém-nascidos não se parecem com ninguém.
08:11São uma coisa pequena, feia, disforme, meio careca.
08:18Quer dizer, este, no entanto, parece com os dois.
08:22É verdade.
08:24Ai, querida, já é tão tarde.
08:25Vamos embora.
08:26Temos de estar bem ao bebê.
08:27Ah.
08:28Está bem.
08:29Bom, então, sendo assim, obrigado pela visita e pronto, tendo em conta que eu sou o pai dele.
08:39Bia, vem viver cá para casa.
08:40A Rosário está muito ocupada e tu também.
08:42E eu trabalho em casa e eu posso perfeitamente tomar a conta.
08:44Ai, nós temos de lhe dar um nome, não é?
08:47Gustavo, eu estou bem em casa da Rosário.
08:49E nós não cabemos todos aqui.
08:50Além disso, quando nós decidimos ter o bebê, combinámos que tu só inseminavas.
08:54Não te preocupavas com mais nada.
08:55Aliás, como faz a maior parte dos homens.
08:57Está bem, mas isso é na teoria.
08:59Isso na prática não vale.
09:00Não achas que temos os dois um bocadinho a mais nesta conversa?
09:03Não.
09:06Vá, Gustavo.
09:06Para ver o que também contas, vamos decidir juntos o nome do bebê.
09:10Ah, sim.
09:10Nós só temos o mesmo para registar, não é?
09:12E o prazo está quase a acabar.
09:13E quando acabar, o que é que fazem?
09:14Põem-lhe um código de barras, não?
09:17Ó tio Diogo, vai fazer um café.
09:18Vai.
09:19Vai.
09:21Desculpem-no, mas é que ele anda a alimentar-te a magotes e se deixa marcas.
09:25Olha, eu e a Bia tínhamos pensado em António.
09:28António?
09:30É, é muito bonito, não desfazendo.
09:32É um nome que funciona, não é?
09:33Cinco milhões de portugueses, aliás, não podem estar enganados.
09:37Aliás, e podemos tratá-lo também por Tony.
09:39Ou, se for António José, por Tojó, que é muito mais másculo.
09:42Mas não gostas de António?
09:44Ó Bia, vai à varanda e grita António.
09:45Vais ver a quantidade de pessoas que se vira para trás.
09:47E depois o nome tem que ser uma coisa pessoal.
09:49Tem que ser uma coisa bonita.
09:51Eu, por exemplo, a mim, olha, chamaram-me Gustavo.
09:53Foi uma coisa que marcou para toda a vida.
09:54Foi a minha ruína.
09:55Ó, não é assim tão feio.
09:57Quer dizer, estou lá assim um bocadinho estranho também, realmente.
10:01Olha, Rosário, pelo contrário, não, Rosário, eu gosto.
10:03Aliás, havia uns tios meus que tinham uma quinta que tinham lá uma vaca com esse nome.
10:07Apanhou o BSE.
10:08Duas vezes.
10:09Bom.
10:09Se queres apanhar também.
10:10Vamos lá ver que nome é que tu gostavas de dar ao bebê.
10:14Eu?
10:16E sequiel.
10:22Nós vamos embora.
10:24Vamos embora porque assim a quente nós só dizemos baboseiras.
10:27Eu depois telefono de Gustavo para irmos falar com o Padre Miguel por causa do batizado.
10:31Consegue fazer por quê?
10:32Sim.
10:34Deu-se.
10:37E sequiel.
10:44É.
10:44Obrigado.
10:48Vou-me embora.
10:48Até logo.
10:50Mas onde é que tu vais assim a estas horas?
10:52Isto aqui é ao homem.
10:54Pois, eyeliner e tudo, ah?
10:56Está giríssima.
10:57Deixa-a ir como ela quiser.
10:58A mãe tem razão.
11:00Não sei se venho jantar.
11:01A mãe?
11:02Oh, menina.
11:03Ai, oh, Lourdes, por amor de Deus, relaxa.
11:05Eu vou-te arranjar um chazinho de Lúcia Lima.
11:08Eu não quero chá.
11:09E não me tires a autoridade.
11:10Eu ainda sirvo para alguma coisa nesta casa.
11:12É, é.
11:13Para azucrinares a cabeça de toda a gente.
11:15O que é que tu disseste?
11:16Eu vou dizer ao meu irmão que tu andas a estragar a família toda.
11:19O teu irmão anda a ganhar coragem para te dizer para que tires embora.
11:23Família, cheguei!
11:24João, tu queres que eu me vá embora?
11:27Esquece-me o tabaco de cachimbo.
11:28João, tu nem sequer sabes pegar no cachimbo.
11:31Dá a cara como um costa.
11:33Eu dou a minha queríssima manada.
11:35Mas o problema é o seguinte, sabes?
11:36É que...
11:38Quer dizer...
11:39Tu tens o teu tempo aqui em casa que acabou.
11:41Foi uma fase.
11:43Uma fase?
11:44Uma fase?
11:45Uma fase que tu queres que passe sólida à gasosa, não é?
11:49Que queres que eu me evapore, não é?
11:50Não, não.
11:50Isso não era evaporação.
11:51Isso era sublimação.
11:53Evaporação era do líquido.
11:54Está bem.
11:54Isso agora não interessa nada.
11:56Querida mana, tu nem sequer conseguiste uma boa relação com as crianças.
11:58Isso não é verdade.
11:59Isso não é verdade.
12:00Os meninos adoram-me.
12:01Nuno, tu não adoras a tua tia.
12:04Deixem-me concentrar.
12:05Estou com pressão de ventre, caraças.
12:08Oh, Lurdinhas, sabes que eu e a Isabel temos um projeto de vida, os dois, não é?
12:13Mas esta será sempre a tua casa, como é lógico.
12:16Podes vir sempre que quiseres no casamento do Nuno.
12:18E onde há, caraças?
12:20Que grande tonelada.
12:24Vou pedir a alguém que venha buscar as minhas coisas.
12:29A testosterona acumulada segou-te, João.
12:34Um dia ainda pode ser que eu faça falta.
12:38Eu já tenho a minha vida refeita.
12:41Adeus.
12:42Adeus.
12:48Não foi tão difícil quanto isso, pois não.
12:50Ah, pois, fui eu que disse.
12:52Não, não interessa.
12:52O interessa é que removemos os obstáculos da nossa sociedade.
12:55Isso é que é importante, não é verdade?
12:57Não sei.
12:58Não dá as crianças.
13:00Não, as crianças.
13:01São crianças doces.
13:02Tens que as conquistar, mais nada.
13:04É só isso.
13:04Traga-me um papel.
13:06Traga-me um papel, caraças.
13:08Folha trifla.
13:14Sr. Costa, são estes de certeza.
13:16Não me deixes pagar, pelo amor de Deus.
13:18Isto não tem categoria para este condomínio.
13:19Sr. Costa, mas estão a pôr as coisas aqui à porta do prédio, quer dizer?
13:23Olá.
13:24Ouça lá, meu amigo.
13:24Isto aqui é um condomínio fechado.
13:26A igreja que dá sopa de graça é mais lá abaixo.
13:28Sim, que lindo caramelo.
13:31Que lindo caramelo ainda.
13:33Espera, espera.
13:33Eu vou resolver isto.
13:34Tenham calma que eu resolvo.
13:35O Sr. Desculpa.
13:37Eu, meu nome é João Costa.
13:38Sou atomechador de um condomínio.
13:39São os nossos proprietários do imóvel.
13:41Não.
13:42Estamos a pagar renda.
13:43Sr. Costa, isto não mexer, hein?
13:45Espera aí que ainda há mal.
13:47Olhe, os animais trazem cão.
13:50Que sal ganhada, que sal ganhada, meu Deus.
13:56Eu já disse que não vou com a pinta deles.
13:58Pois também que eu vos digo, é?
13:59Por favor de Deus, não se podem julgar as pessoas para as aparências.
14:02Olhem, por exemplo, o Quasimodo.
14:04O Corcunda de Notre-Dame, aquele homem terrível,
14:07uma leijão assim e um espírito esprenderoso que encantava as pessoas.
14:11Não podemos julgar as pessoas pelas aparências.
14:13A verdade...
14:14O bom é que se vê que são pessoas calmas.
14:16Sim, calma, calma.
14:17Porque quando eu falar com eles assim, olhos nos olhos,
14:19e disser as regras do condomínio, vai ficar tudo calmo, sem problemas.
14:22Vocês vão ver.
14:22Eu sei como falo com as pessoas.
14:24Eu sei que...
14:26Eu não...
14:32Olá.
14:33Meu nome é João Costa.
14:34Sou o administrador interino do condomínio.
14:37Vim a dar-vos as boas-vindas e dizer-vos algumas das regras de hoje deste condomínio.
14:41Uma delas é o silêncio e a calma.
14:44Como se...
14:45Silêncio calma.
14:48Isto é o cor de Santa Mara, ok?
14:49Calem-se pelo...
14:50E eu estou disposto a apelar às autoridades,
14:52se não houver essa silêncio e essa calma que eu estou a falar.
14:55Sim.
14:55O senhor Costa, se ele não o ouvir com a porta aberta,
14:57acha que vai ouvir de porta fechada?
14:58Ah, não.
14:59Ele não me encaroa.
14:59Não me olhou nos olhos, não.
15:00Ele percebeu que em mim não me pode dar bairro, tá?
15:02Mas, afinal, a quem é que tu vendeste a casa?
15:05Sei lá.
15:05Era suposto ser uma empresa.
15:07Qual?
15:08Às Farrapados S.A.
15:10Vem.
15:11Vem.
15:11Vem, como resulta, eles percebem com o que é que estão a falar.
15:14Perceberam que eram um tipo de pessoa com quem não se pode brincar.
15:18Afinal, estavam só a mudar o CD.
15:20Ai, mas esta é a melhor.
15:22Teve mais ritmo.
15:26Dourados, giríssimos.
15:27Gostaria.
15:27A sério, era lindíssima.
15:29Mas pronto, agora já conseguimos o mais difícil, que é batizá-lo.
15:31Só nos falta decidir entre António e Sequeiro.
15:34Então, olha, vamos fazer uma sondagem entre os familiares e amigos
15:37e vamos ver qual é o nome que vai ganhar.
15:39Como queiras.
15:39Vais ver a surpresa que vais ter.
15:46Ó, Abra, você é o responsável por isto.
15:47Não, senhor, senhor Costa.
15:49São esses refias novos que trouxeram o cão para o cão fazer na rua.
15:52Coitado, não aguentou.
15:53Vês aí, vês por caminho.
15:54E não lhes disse nada?
15:55Senhor Costa, eu ando no culturismo, mas eu ainda não controlo bem a minha força.
15:58Não quero aleijar ninguém.
16:00Senhor Costa, isto não sabe onde está a chover lixo por todo o lado.
16:03É que é sem saco, sem nada.
16:04Eu tenho de ir buscar ali um capacete à petaria que é para ir limpar aquilo.
16:06Ei, calma, calma.
16:07Limpiste que houve um canido que defecou aqui e o seu pai naturalizamente pisou.
16:11Está bem, mas diz...
16:12Ó, dizem que isto está a sorte.
16:14Acho que esta semana vou comprar um bilhete de lutaria.
16:16Sim, mas não vais para a petaria, pai.
16:18Um bilhete de lutaria.
16:20Senhor Costa, isto é uma gente porca, não é?
16:22Isto não têm sentido pelas coisas.
16:24São de outro extrato social.
16:25Eles não têm classe.
16:26Até em coisas pelo sacoão.
16:27Vou chamar a polícia, vão fazer.
16:29Agora é outro que me pisa isto.
16:31Ó, Senhor Costa.
16:31Agora, por favor, não vá pelas escadas.
16:33Não vá pelas escadas.
16:35Ai, mas estes aqui estão-se a meter com o porteiro errado, estão?
16:38Estão-me a meter-se com o porteiro errado que eu sou pior que os do Kremlin.
16:41Vão ver.
16:42Não vá para-te fazer ...
16:46Eu não vou aguentar 5 dias com isto aqui no pescoço.
16:50O que é que te aconteceu, caneco?
16:52Nada.
16:53Então, porquê-te fizeram isso? Para não te coçares?
16:55Ah, foi uma batida parva que demos com o carro, Emílio.
16:59Eu não posso andar com oそして assim, costina.
17:01E vocês, os dois, paraquê é que nos andam a seguir?
17:04Sim?
17:05E vocês, a seguir o penteadinho, que é que foi?
17:08Gosto de um dele, não é?
17:10Isso, cala-te.
17:11Ele é o namorado da Sofia e nós andamos à procura dos defeitos dele.
17:15É por isso que o andam a seguir?
17:17É que há pessoas que não têm os defeitos tão à vista como vocês.
17:21Luísa, mais fácil é impossível.
17:23Tu dás-me uma amostra da tua urina e eu faço o teste da gravidez sozinho.
17:27Ele a dar-lhe?
17:28Ai, Melo, eu não quero isso!
17:30Luísa, tu já reparaste que podes ter causado danos cerebrais irreparáveis ao nosso bebê com o acidente?
17:34Sim, depois o nosso bebê vai sair assim como o pai.
17:42Bom, e vocês não nos sigam mais, ouviram?
17:50Bem, olha, falsa Lara. É o namorado da Sofia.
17:54Também podemos acreditar que a Cristina não vai roubar um namorado a uma amiga, não é?
17:58Mas tu és parvo!
18:00Quando há um homem é o barulho, as mulheres não têm amigas.
18:03É o instinto reprodutor.
18:05É, eu vi isto num documentário sobre animais.
18:08Tens razão.
18:10Temos de ter cuidado, tipo, é perigoso, não é?
18:12Então e se eu colocar o teste de gravidez na casa de banho?
18:16Tipo assim, no desodorizante da sanita?
18:19Pois, pois.
18:21E quando puxar o autocolismo?
18:22É verdade.
18:24Tenho de refinar melhor o plano.
18:26Se bem que são as refinórias é que puxam o autocolismo e cada vez vão à casa de banho.
18:38Então, quantos é que tiveram?
18:40Fizemos uma advertência para se comportarem civilizadamente, que é a única coisa que podemos fazer.
18:44Nossa costa, isto não se resolve com a polícia.
18:46Ou estes javardolas saltam daqui e eu vou lá abaixo buscar a minha soqueira.
18:49Uma soqueira?
18:50Ah, pois, que eu costumava sair na docas checas, na venda nova.
18:53Oh homem, deixe-te disso.
18:54Este andar foi comprado por uma agência imobiliária que é ficado com o prédio inteiro.
18:58Então meteram cá uma gentalha com exceções próprias para amargarem a vida dos vizinhos
19:03para comprarem os andares por dois testões.
19:05Vão ver que qualquer dia passa por aqui alguém para lhes fazer uma oferta.
19:09Eles são profissionais, metade deles já os conhecemos.
19:11Por que é que não os prenderam?
19:13Sim, por que é que nós pagamos os impostos?
19:15Seleaste, não te gaves que tu não pagas nada, é?
19:17Ah, não pago.
19:18Então o Ivan é recível, o que é?
19:20Nós podemos levar este cinco para a esquadra, mas em três ou quatro horas voltam.
19:24Se não vierem eles, vêm outros cinco para o substituir.
19:26Mas enquanto o prédio não ficar vazio, eles não param.
19:28Isso é horrível, isso é um abuso para com o contribuinte.
19:31E a gasolina, não é?
19:32E o preço das casas, não é?
19:33E o arredondamento do euro, não é?
19:34É.
19:35Quero que eu continue.
19:36Não.
19:36Se querem um conselho, vendam quanto antes.
19:38Boa tarde.
19:39Boa tarde.
19:39Deus, boa tarde.
19:46Queres-te dizer, vão-nos estragar tudo e o Costa não mexe uma palha.
19:50Vá-se embora, senhor.
19:51Desculpe lá, desculpe lá.
19:52Eu estou farto de tentar contactar a Copinsa, que é a empresa proprietária do imóvel,
19:56e depois de ter ouvido quatorze vezes a versão em órgão do Larry B, sabem como é?
20:01Larry B, Larry B, Larry B, Larry B, Larry B, Larry B.
20:11Acabou, já acabou, acabou.
20:14Até não é um senhor muito mal disposto, com o arco não tinha nada a ver com o assunto,
20:17nem estava interessado.
20:19Como é que ele disse que se chamava a empresa?
20:21Copinsa.
20:22Porquê a conheces?
20:23Não, não, não conheço, não.
20:26Eu tenho de me ir embora, porque tenho uma consulta no médico, é que tenho um...
20:30Bom, eu se tiver de votar em alguma coisa, voto sim, ou voto não, ou...
20:35Eu voto no que o Gustavo votar.
20:38Com licença, desculpem.
20:40Ai, esta raparinha dá sempre tão gira.
20:42Dado o nosso estado de total vulnerabilidade, temos que tomar decisões.
20:46Eu li que essas pessoas marginais muitas vezes são assim por falta de carinho.
20:54Bom, já que a lei não nos protege, nós somos a lei.
20:57Quem é que vota a favor do início das hostilidades?
21:06Pai, foste tu que compraste o segundo esquerdo.
21:09Por essa é que tu não esperavas, é?
21:12Mas tu sabes a confusão que estás a arranjar aqui.
21:15Porquê que não me avisaste?
21:19Porquê que achas que eu vim cá?
21:21Já que não consigo tirar-te daqui, tiro os vizinhos.
21:24Fazemos obras e vendemos tudo, a gente de categoria como tu e eu.
21:27Coitadinhos, mas tu estás doido?
21:29Oh, filha, estás-te sempre a queixar deles.
21:31Eu, pela tua felicidade, faço tudo.
21:34Claro que vou fazer um dinheirão, mas isso é secundário.
21:36Olha, eu não quero saber nada disso, hã?
21:38Se eles descobrem que tu estás metido nisso, me comem-me viva.
21:42Olha, mas vão saber como.
21:44Filha, vais ficar com o prédio todo.
21:47Vou-me embora, vou jantar com o Presidente da Câmara,
21:50porque eu tenho de me requalificar umas zonas verdes.
21:52Até logo.
22:02Gustavo, já temos o resultado da sondagem familiar.
22:05António, 27, Ezequiel, 1.
22:08E este voto foi da minha avó, que é muito religiosa.
22:10Depois tens de me apresentar que deve ser boa pessoa.
22:13Oh, Gustavo, vamos lá acabar com isto.
22:16O bebê tem que se chamar António e pronto.
22:18Não.
22:18Se eu conto mesmo como pai, o mais justo é fazer-se um sorteio.
22:21Faz-se assim.
22:22Escreve-se um papelinho com o nome António
22:25e outro papelinho com o nome Ezequiel.
22:27O que sair saiu e pronto, não se pensa mais nisto.
22:28Mas para quê?
22:30Se o único que lhe quer chamar Ezequiel é estou.
22:32Não, eu e a avó dela.
22:33E é sabido que as pessoas mais velhas são muito mais sábias.
22:35Vai, vai, não discutam.
22:37Acabou, vamos lá fazer a porcaria do sorteio, vá.
22:39É óbvio.
22:40Vá, eu vou buscar uma tigela.
22:45Olha, Gustavo, eu tirei as quadernizas do congelador
22:47mas isto assim, sem cabeça, faz-me um bocado de impressão.
22:49Não achas melhor fazer umas omeletes?
22:51O que estás a fazer?
22:54Ai, estás a fazer batutíssimo.
22:57Pshuuu.
22:58Não dá a fazer batutíssimo.
22:59Só aumentar um bocadinho as minhas possibilidades.
23:00Ou um bocadinho as tuas possibilidades.
23:02Um bocadinho ao 100%.
23:03Estás a escrever só Ezequiel.
23:04Ai, Tioco, fica na tua ar.
23:08Vá, mamoncinha inocente.
23:10Pode ser a da Rosário, por exemplo.
23:12Sim, vai, tira-te o que querida.
23:14É uma grande responsabilidade, Bia.
23:16Vá lá, mas me mexe.
23:17Mexe um bocadinho para depois não dizerem.
23:19Vá.
23:20António.
23:21António, António, António, António, António.
23:26António, António, António.
23:32Ezequiel, muito bem.
23:33Isto é mesmo assim, sabem?
23:34Num jogo, umas vezes perdes, outras vezes ganha-se.
23:36Bom, eu agora vou deitar isto fora que já não é preciso.
23:39Ai, bolas, que azar.
23:42Desculpa.
23:43Eu sabia, eu estive quase a tirar o outro papo, mas que nervos.
23:47Se a Bia sabe, mata-te.
23:49Ai, Tioco, cala-te.
23:50Ai, mata-te.
23:55Ai, meninas, não esteja com essa cara, por amor de Deus.
23:58Isto o importante é participar.
24:03Ezequiel, apressou mesmo mal.
24:04Bom, a que horas é que marcamos para ir registar o Ezequilinho?
24:12Olha para isto.
24:13Dois da manhã e não tem dois telefones, nem uma nem outra.
24:16Mas o que é que elas te disseram?
24:17Outra vez?
24:18Que iam às compras?
24:20Larga esse bobrinho e fala comigo.
24:21Estás a jogar há imenso tempo.
24:22Oh, pai, espera.
24:23A polícia apanhou-me.
24:24E eu tenho que queimar os campos de Marijuana com o Lança-Chamas.
24:28Mas, mamu, larga lá isso.
24:30Vai teitar, faz favor.
24:31Espera, deixa-me gravar o jogo.
24:32Ai, que coisa.
24:39Está para fazer xixi.
24:41Nas últimas horas já fiz para aí umas duas ou três vezes.
24:43Pode saber para onde é que andaste?
24:45Estive num barzinho com a Paula e com os amigos.
24:49A Tizana se apanhou cá uma besana.
24:51O que tu bebeste?
24:52Eu normalmente não bebo.
24:55Vou comprar aí só umas quatro tequilas.
24:57Dois gintónicos e uns shots naqueles que me estás correndo.
25:01Ai, mas eu estou bem.
25:03Eu estou bem.
25:04Eu estou bem.
25:04Mas vocês não iam às compras?
25:08Os sacos.
25:10Era lá saber.
25:11E deixaste a Paula sozinha?
25:12Não.
25:13Ficou com um namorado que é a DJ.
25:18Uma ganda malha.
25:20Olha lá o que é que isso quer dizer.
25:23Essa menina vai ver o que é que vai acontecer.
25:24Vou ficar aqui à espera dela e não me torno a sair de casa.
25:26Ai, eu acho melhor isto deitar, porque eu dei-lhe a autorização para ficar até à chefe.
25:30Isabel, temos que unificar as formas de educação nesta casa.
25:33Vamos, pode ver uma coisa e outra.
25:35Esta conta é curtida.
25:42Nuno, acorda.
25:43Nuno, acorda lá.
25:44Vá lá.
25:45Já está a arder.
25:45Tem de sair.
25:46Tem de sair.
25:47Está cá.
25:47É essa porcaria.
25:48Já percebi que tiveste toda a noite de jogar isto, não foi?
25:50O que proibido de o fazer.
25:51Isto vai já para a arrecadação.
25:53Não posso ir para o quarto.
25:54A Paula pôs-me fora de lá.
25:56Ora, essa porquê?
25:59Bom dia.
26:04O que é isto?
26:06Durmiu na tua cama?
26:07Acho que não foi na minha.
26:09Ai, isto deve ser aquele mal-estar geral de que falam os anúncios.
26:15Ah, uma coisa.
26:17O que é que tu sabes de um jovem que está na cozinha a preparar o pequeno almoço em cuecas?
26:21É o Márcio, o namorado da tua filha.
26:24O não?
26:25O não?
26:26Então, Isa...
26:27Bom dia.
26:28Bom dia.
26:31Eu para lá vou lá, agarro-te para os cabelos e ponho-me na rua.
26:33Não, não, não.
26:35Não, fui eu que o convidei a dormir cá.
26:37Alinho aos chacras.
26:39E é ótimo para a ressaca.
26:43Avante, Grupo Extintor.
26:44Cumpramos o nosso dever.
26:46O Pedro vai à frente.
26:47E cuidado com a pontaria.
26:48As recargas são caras.
26:52Telefonaram da conservatória.
26:54Vocês sabem que é o proprietário da compinça?
26:56É a compunça.
26:57Que, por sua vez, é proprietária da finconça.
27:00Que é uma holding, não é?
27:01Mas o dono disto tudo é o Rafael Alvarens, o pai da Cristina.
27:05Ah, não me digam que a Betinha nos quer para fora do prédio.
27:08Mudança de estratégia, a retirada imediata.
27:10Vamos falar com a Betinha.
27:13Então, já não lixamos os olhos em ninguém?
27:19Sim, é verdade, é coisa do meu pai.
27:22Mas eu não tenho nada a ver com isso.
27:23Para que é que eu ia querer o prédio todo?
27:25Então pode querer fazer um palacete.
27:27Deixas-me sem negócio, Cristina.
27:29Como é que os meus filhos vão comer, hã?
27:31Quando eu estiver.
27:32Oh, Cristina, eu sei, eu aceito que no passado,
27:36conjunturalmente, tivemos alguns problemas, algumas divergências.
27:38Mas não podemos chegar a isto.
27:40O que você está a fazer é uma perfeita ignomínia.
27:42O que eu não percebo é porque é que eu ainda vos dou explicações
27:44depois de tudo o que vocês já me fizeram.
27:46Por favor, falem com o meu pai e deixem-me em paz.
27:51Ela está a par de tudo.
27:53Eu noto essas coisas.
27:56Eu tenho uma ideia.
27:57De que é que os ricos têm mais medo?
28:00Dos filhos.
28:01Não, para não.
28:02Das finanças.
28:05Imaginem que alguém tem um cunhado que é inspetor
28:08e que vai ao escritório do pai da Cristina
28:10e que lhe diz assim
28:11ou você nos deixa em paz
28:13ou eu arranjo-lhe um 31.
28:16Está bem, mas...
28:17quem é que vai fazer passar por inspetor?
28:19O meu pai é quem tem mais cara deprimida.
28:21Eu acho que ele dá para o papel.
28:26Roupa branca.
28:30Roupa de cor.
28:32Cinzenta.
28:33Onde é que eu ponho a cinze...
28:36Então fizeram o registro?
28:39Fizemos, fizemos.
28:40O Gustavo foi comprar champanhe para comemorar.
28:42Izequiel Vilar de Fidalgo.
28:45Ai, ai, o meu filho tem um mês
28:46e já tem nome do velho do tempo da monarquia.
28:48Não tem nada.
28:49É muito bonito.
28:51Oh, mulher, anima-te.
28:53Uma pessoa habitua-se a tudo.
28:54Olha, por exemplo,
28:55o Eládio Clímaco
28:57não aparecia sempre tão serridente.
28:59Até ele se habituou.
29:00É.
29:01Nós temos é que lhe arranjar um diminutivo
29:03antes que lhe ponham uma alcunha na escola.
29:05Para mim é óbvio.
29:08Zequinha.
29:11Desculpa.
29:13O que é que estás aí a fazer?
29:15Olha, estou a preparar a roupa para lavar.
29:17Quero que o Gustavo veja que eu colabore na casa.
29:19Ai, essas lavas a frio.
29:20Que ele tem um amor a essas calças.
29:24O que é isto?
29:25Ah, Caeta.
29:27Não é nada.
29:29É, é, é, foi...
29:30Escrevi um recado.
29:31Não.
29:31Isto é um papelinho do susteio de ontem.
29:34Mas olha lá,
29:35o Gustavo não tinha deitado os papelinhos todos para o lixo.
29:37O que é que isto está a fazer no bolso das calças dele?
29:38Queres ver alguma coisa?
29:39Prepar-te um capidei fresquinho.
29:42Ok, até logo.
29:52Arrasto, peça, peça, peça, que ele vai fugir.
29:54Ai, o Cristina, porquê que não deixaste o carro à porta?
29:57Tens razão, continuam atrás dele, está-se a ver?
29:59Vai, dá cá isso.
30:00Dá cá isso, que tens muito pleno.
30:01Só.
30:10Sra. Rafael, tem uma visita.
30:13Uma visita?
30:14Não marquei com ninguém.
30:16É um inspetor das finanças.
30:19Ele que entre.
30:22Com licença,
30:24Alberto Laranjão, inspetor das finanças.
30:26Lógicamente, veio fazer uma inspeção ao Pedro.
30:28Os arquivos.
30:29Outra vez.
30:31Pensei que já estava tudo tratado com o Adolfo.
30:33Porque se encarregou da inspeção anterior.
30:35Pois, mas acontece que o senhor Adolfo foi suspenso, processado
30:38e eu fui encarregue da limpeza do Ministério.
30:41E devo avisá-lo, para já, que a sua empresa está na minha lista negra.
30:45Quero ver a contabilidade, tudo.
30:46Recipes, faturas, talões da lavanderia,
30:49recibos do pequeno almoço, da ponte sobre teto, tudo, tudo.
30:52Olha, e para já.
30:54Este portátil vai assim, tal, tal, como está.
30:57Rasta!
30:58Aqui há pornografia com a tê-lo.
31:00Para quem é que a ver este fechero, senhor Alberto?
31:02Carolina, 11 anos.
31:03E as suas fotografias dos anos da minha sobrinha, por favor?
31:07Ouçam lá, isto é completamente irregular.
31:10Olha, senhor Alvarens, eu vou ser muito claro,
31:13o senhor está lixado, tem má perna.
31:17Você desculpe-me, mas não entendo a troco de que é essa animosidade.
31:22O que é que é isso?
31:24Não entendo porque é essa repentina perseguição à minha pessoa.
31:27Ah, pois então ouça.
31:30Eu sou cunhado do senhor João Costa, ponto.
31:34O senhor quer pô-los fora do prédio, ponto.
31:37Eu dou cabo da sua empresa, ponto final.
31:39Isto funciona assim.
31:41Ah, bom.
31:43Mas esse imóvel também não me interessa assim tanto.
31:45Estou certo que se falar com o senhor João Costa podemos resolver esse assunto.
31:49Ah, pois claro.
31:50Claro, se falar com ele e se me der uma compensação económica a mim e ali ao meu subordinado.
31:57Ah, e pensam em algum valor?
31:59Oh, mas seja criativo.
32:01Pedro, vamos embora.
32:05Ah, tem seis horas para retirar as suas tropas do dito prédio.
32:26Fátima, preciso de saber quem é este Alberto de Laranjeira.
32:31Sim, já sei que você não faz essas coisas.
32:34Contrata um detetive.
32:40Amanhã mandou-me embora.
32:43Não se preocupe, eu arrumo as minhas coisas e vou-me logo embora.
32:50Por acaso não comeram uma cabeça de pescada que estava no frigorífico e que fui eu que comprei, não?
32:54Não.
32:56E tu, como é que estás?
32:57Como é que eu hei de estar?
32:59Humilhada, vexada, magoada.
33:01Nós também estamos bem.
33:02Vamos.
33:07O que é que este homem está aqui a fazer?
33:09Não, não te preocupe, são os novos vizinhos aqui do lado.
33:12Os gentalhas, eles estão um bocado problemáticos.
33:15Mas eu já dei a volta ao assunto.
33:17Marquei uma reunião com o proprietário e resolvemos tudo.
33:20Eles sabem quem que os mete na ordem.
33:22Ah, não que não sabem.
33:28Oh, não, desliga já isso.
33:30Qual que é a vergonha é esta?
33:31Quem foi?
33:32Estou a ver um filme.
33:33Onde é que tu foste buscar isso?
33:34Som do pai.
33:35Foi uma coisa que eu gravei inadvertidamente.
33:37Não tem nada a mexer nisto.
33:39Olha, a mãe diz que eu sei que sei importante e que não há problema em saber disto.
33:42Mas o que é isto?
33:44Não, não é nada.
33:45Olá, filho.
33:45Olá.
33:46Então, tudo bem?
33:46Vamos para o quarto.
33:49O que é isto?
33:50É o DJ Ácido.
33:52É o namorado dela.
33:53Oh, Paulo, onde é que tu vais com esse rapaz, o Ácido, lá para dentro?
33:56Isso é uma falta de respeito.
33:58Desculpa lá, mas a mãe deu uma autorização para eu trazer cá a casa quem eu quisesse.
34:02Mas esta casa em 24 horas transformou-se numa comunidade hippie.
34:06Só falta sacares a viola e os cigarrinhos da droga.
34:08Calma, calma.
34:09Sabes o quê?
34:10A Isabel tem os seus métodos muito próprios de educar as crianças.
34:13Isso causa problemas domésticos também.
34:16Problemas domésticos?
34:17As crianças estão sem eira nem beira.
34:19Olá.
34:20Olá.
34:21Olá.
34:21Boa tarde.
34:22Oh, Isabel, sabe exatamente?
34:23Eu queria comentar, calcula-te que vem encontrar este menino a ver um filme erótico.
34:28Erótico?
34:29Porno.
34:30Pornografia.
34:31E onde é que ele o terá ido buscar?
34:33Era mesmo, isto agora não interessa para nada.
34:35O importante é que, Isabel, eu percebo-te que está quieto com isso.
34:38Não fui eu.
34:40Devem estar a ouvir música.
34:42Que vergonha.
34:43Esta casa é um bordel.
34:44Mas vamos lá ver se a gente se entende de uma vez por todas.
34:48Oh, João, foste tu que me pediste para eu me aproximar dos teus filhos.
34:52Eu tenho as minhas formas de educar as crianças.
34:55E eu acho que são perfeitamente válidas.
34:58E eu também.
34:59E com a tua família foi um êxito, não é?
35:01Ah, ao menos tive uma.
35:03Não sou uma parasita.
35:05Oh, João, ela está a insultar-me as tuas barbas.
35:08Filha, calma, calma.
35:09Oh, Isabel, nós estamos transtornados.
35:11É melhor, talvez...
35:13Não, não, não.
35:13O melhor, sabes o quê?
35:14É eu ir fazer a minha malinha e voltar para a minha casa.
35:17Ai, não pode ser porque eu vendi a casa.
35:19Mas seja lá para onde for.
35:21Pronto, eu depois penso nisso.
35:22Oh, meu Deus, porque me dais tanta dor?
35:24Porque padece eu assim?
35:25Porque a líbido segou-te.
35:28A falta que eu faço nesta casa.
35:32Não, Luísa.
35:33Não, eu não vou conseguir viver com isto.
35:35Atropelamos o namorado da nossa amiga Zofia e fugimos.
35:38Cristina, Cristina, agora já está feita.
35:40Acabou, pronto.
35:41O mais importante neste momento é manter a naturalidade.
35:44Ares com naturalidade.
35:45Naturalidade.
35:46Naturalidade.
35:46E depois teu mãe foi muito devagarinho.
35:48Ai, Jesus.
35:49Ai, tenho que me demorar a correr para o hospital.
35:51Atropelar o Ricardo.
35:53Não.
35:54Mas ele está bem, não está?
35:55Ele vai ficar bom.
35:56Ai, não sei.
35:57Não me quiseram dizer nada pelo telefone.
35:59E imaginem só que atropelaram-no e fugiram.
36:02Bem.
36:03Ah, gente muito má.
36:06Podemos ir vê-lo?
36:07Não sei.
36:09Depois eu ligo-vos.
36:10Ainda por cima vou perder o casting da nova novela.
36:15Ai, também.
36:16Esta porcaria deste elevador.
36:19Se calhar entreteve-se a fazer qualquer coisa.
36:22Oh, Bia, se quiseres vá-te embora que eu depois digo-lhe para te ligar.
36:25O que é que vai?
36:25Obrigada, Diogo.
36:26Mas eu prefiro esperar aqui por ele.
36:28Mas é que não é nada bom para uma mãe estar tanto tempo separada do seu filho.
36:31E ele vai demorar bastante tempo.
36:35Afinal, não.
36:36Olá.
36:37Ai, as coisas que eles inventam agora para os miúdos.
36:41Olhem.
36:41Olhem as letras que eu encontrei para pôr isso-quial na porta do quarto dele.
36:44Depois de comprar o K, porque não havia U e U sem o quê não faz sentido, não é?
36:47Mas eu acho que o K fica mais moderno, mais usado.
36:51O que é isso?
36:51Parece-me bastante claro.
36:53O que eu pergunto é o que é que isto estava a fazer no bolso das suas calças.
36:57E o que eu pergunto é porquê é que isto não continua no bolso das minhas calças.
37:03Eu vou dar um jeitinho na casa também.
37:05Gustavo, tu por acaso fizeste batota no susteio?
37:08Eu, Bia, por favor.
37:09Você até foi a Rosário que tirou o nome a dizer isso que é ela.
37:12Pois foi, pois foi.
37:13Mas havia algum papelinho a dizer António na tigela?
37:16Havia.
37:16Era esse?
37:17Ai, não, Gustavo.
37:18Este não, porque este estava no bolso das tuas calças.
37:21Ah, pois estava.
37:23Estava.
37:23Ai, que a minha cabeça.
37:24É claro que estava.
37:25Sabes porquê que estava?
37:26Porque eu queria pôr no álbum do bebê para depois daqui a uns anos dizer ao menino.
37:29Olha, menino, a tua mãe teve quase a cometer o erro de chamar António.
37:32Eu quero ver o bicho.
37:33Ah, eu deitei-o fora.
37:35O caminhão já deve ter levado.
37:36Não, o caminhão só passa à noite.
37:38Eu vou lá abaixo e já volto.
37:39Oh, Bia, tu estás-me a ofender.
37:40Tu estás-me a querer dizer que depois de tantos medos de confio e feio...
37:42Eu mato-te.
37:51Bia, eu não sei porquê que tu estás a mexer nesse lixo.
37:54Esse saco não é meu.
37:55Como não é teu, Gustavo?
37:56Essa única pessoa aqui no prédio compra sacos de lixo formados.
38:00Tu estás a invadir a minha intimidade, hein?
38:02O lixo é uma coisa muito pessoal.
38:03Eu posso saber o que é que vocês estão a fazer?
38:05Vocês sujam o meu átrio todo.
38:07Ai, Emílio, é só um bocadinho.
38:08Eu não demoro nada.
38:09Mas eu estou à procura de comida para o bebê.
38:10Se quiser, eu tenho ali comida.
38:16Bia, acalma-te, Bia.
38:17Ouve-me.
38:17Ouve o que eu tenho para te dizer, Bia.
38:19Esquiel, mas quem é este?
38:21É o meu filho.
38:22E é que nome mais feio.
38:24O miúdo vai levar cada caloço na escola com um caneco.
38:27Estás a ver?
38:27Arranjaste-te a bonita, Gustavo.
38:29Bia, tu não te chateies.
38:30Isto é como as eleições da Ucrânia.
38:31Pronto, se há dúvidas, repete o sorteio.
38:33Não há por...
38:34Mas nós já registámos o bebê.
38:36Por isso é que eu acho que é uma perfeição.
38:37Estás-te a zangar agora.
38:38Gustavo, tu pediste uma hipótese como pai.
38:41À primeira oportunidade, enganas-me.
38:43Por agora podes esquecer o Esquiel.
38:44Ou melhor, o António.
38:47Está bem, desculpa.
38:48Foi só uma mentirinha.
38:49É que tanto amor de pai se come.
38:50Olha que vocês chamaram isso que é o bebê.
38:53Emílio, mete-me na tua vida e apanha isso.
38:56Apanha, apanha.
38:57Digo, mas é que foram os refês.
38:58De certeza que pega.
39:05Olá, está fisquinho?
39:22O Rafael já chegou.
39:24Está a subir.
39:25Ótimo, ótimo.
39:26Supostamente vem negociar.
39:27Portanto, não podemos cometer erros.
39:29É muito fácil.
39:30Eu volto a comprar-lhe o apartamento imediatamente.
39:33Ou estás consciente que ele é meu cunhado,
39:35logo tu és a mulher dele.
39:37E fica já a saber que eu faço isto por amor de irmã.
39:40Porque este senhor aqui continua a me provocar
39:42uma enorme aversão.
39:44Eu também não acredito no amor à primeira vista.
39:46De tempo ao tempo.
39:47Isso trata-me...
39:48Olha, vai buscar a bandeja, as coisas, vi toalhas, tudo.
39:53Como está o meu caro amigo?
39:55Sr. Doutor, como está?
39:56Bem-vindo a esta sua casa.
39:57Muito obrigado.
39:58Está tudo bem?
39:58Tudo bem, muito obrigado.
39:59Muito bem, Sr. Doutor.
40:00Que grande, mal entendido.
40:02Enormíssimo mal entendido.
40:03Mas felizmente está sanado tudo.
40:05Deixo-me apresentar-lhe a minha querida família.
40:07Ora, o meu cunhado, o inspetor.
40:08A mulher do meu cunhado, portanto a minha irmã.
40:11E a Isabel é...
40:13O que é que tu és, Isabel?
40:14Nós ainda não sabemos muito bem o que é que somos.
40:16Pronto.
40:17Foi tudo um grande desesperado.
40:18Então, faz-vos-te sentar.
40:19Sente-se.
40:20Eu comprei o segundo esquerdo como investimento
40:23e aluguei os sobrinhos meus, estudantes.
40:26Mas se eles estão a criar problemas,
40:28eu meto-os a todos imediatamente num colégio.
40:30Como é óbvio.
40:30E mais, o que eu pretendo fazer é vender o andar já amanhã
40:34e ficamos todos contentes.
40:36E eu compro-lhe.
40:37E eu faço-lhe um bom preço.
40:39Bom, eu até tomei a liberdade de preparar aqui um contrato de promessa.
40:41Mas antes disso, o Alberto tinha que garantir-me a tranquilidade fiscal para a minha empresa.
40:46Claro, doutor, ficamos todos felizes de se resolver bem.
40:51O que não achas, querida?
40:53Eu acho tudo.
40:55Não é o momento.
40:56Não é o momento.
40:57Casados há 20 anos e têm um comportamento como se fosse o primeiro dia.
41:01Ah, espumbinhos a arrolhar.
41:03Está aqui o contrato.
41:05Faz favor de ler.
41:05E se não vir inconveniente a assinar,
41:07ora, faz favor.
41:09Não, senão.
41:11Desculpe.
41:12Com licença.
41:19Sim?
41:21Certeza?
41:24Está bem.
41:29Desculpe.
41:30Há algum problema?
41:32O detetive privado acabou de me dizer
41:34que não há nenhum Alberto Laranjeira a trabalhar no Ministério das Finanças.
41:39Eu explico o que é que...
41:40Os nossos nomes não constam da lista, não é?
41:44Somos, assim, uma espécie de black man e man das finanças.
41:48Aqueles que estão a ver todos os vestidos de preto.
41:50Até nos tiram as impressões digitais com álcea e de sulfúrica.
41:56Fica...
41:57Não tem pressão de gestão.
41:59E isto o que é?
42:00É, é, é, é, é, crescem, é como as unhas.
42:04Aliás, eu estou-lhe a dar informação confidencial.
42:07E se lhe digo mais alguma coisa, não é?
42:10Eu sou obrigado a matá-lo.
42:13Vocês devem pensar que eu consegui ter uma empresa avaliada em 50 milhões de euros a
42:18espar no dedo, não é?
42:19Não, não, não, o senhor, de maneira nenhuma, a verdade, a verdade é só o Mie, é o seguinte,
42:24ele não é nem inspetor das finanças, nem meu cunhado, nem nada.
42:27Quer dizer que já, já lhe posso dar um enorme estalo, não é?
42:30Não, não, não, você estava a gostar que eu, eu vi nos seus olhos...
42:33Você é cego!
42:34Eu explico uma coisa, é, fomos avisados para a polícia que havia aí algumas pessoas
42:38de má fé que usavam um estratagema que é introduzir nos condomínios indesejáveis
42:43para criar um mau ambiente e depois as pessoas vendem os andares por qualquer preço.
42:47Pois alertaram-vos bem e é precisamente isso que eu pretendo fazer.
42:51Convoco uma reunião extraordinária para esta noite que eu vou fazer-vos uma oferta pelos
42:54vossos andares, que espero que não rejeitem.
43:03Olá, ases do volante.
43:07Hã? O quê?
43:09O quê?
43:11Vocês atropelaram o namorado da Sofia.
43:14A sério?
43:15Ai, meu Deus, Cristina, tu queres ver que aquilo que nós sentimos não era uma lomba?
43:21Vocês chegaram-nos outra vez?
43:24Cristina, Cristina, tu não podes levar uma vida assim?
43:28Quando uma rapariga se está a borrifar para mim, eu não a atropelo!
43:32Se não, o coitado andava a atropelar midas todos os dias.
43:35Ok, ok, pronto. Assistiram a tudo. Parabéns. Mas agora, pelo amor de Deus...
43:42Vamos ter de contar.
43:44Não, não, não, não, não.
43:45É uma questão de princípio.
43:47Vocês não eram capazes?
43:49Não.
43:50Não, não, não.
44:00Olha lá. O que é que este sol de horizonte a casa de banho está a fazer com um teste
44:04de gravidez colado?
44:05Aquele homem é muito parvo. Vou dar cá isso.
44:08Sofia!
44:10Nós temos uma coisa para te contar.
44:11Temos.
44:12É?
44:13Não, não temos, hã?
44:14Temos, temos, temos. O Rui vai lhe contar de qualquer maneira. É melhor sermos nós a contar.
44:18Achas?
44:19Acho.
44:19É, se calhar é melhor.
44:21É melhor.
44:22Bem, a Sofia vai nos matar.
44:26Mas é melhor ser eu a contar à minha maneira, está bem?
44:29Está bem.
44:30Olha, Sofia!
44:32Vamos fazer um teste super fixe. Espera aí.
44:35Não, espera lá. Vamos passar aqui.
44:36Espera aí.
44:37Espera aí.
44:38Olha aqui.
44:39Olha aqui.
44:40Deixa eu ver.
44:41Está aqui.
44:45Nas minhas relações pessoais, o mais importante é...
44:49A.
44:50A minha família.
44:51B.
44:52O meu companheiro.
44:53C.
44:54As minhas melhores amigas, porque são para sempre.
44:58B. O meu companheiro.
45:00Começamos bem.
45:01Ok, ok. Pergunta número 2.
45:05As minhas melhores amigas atropelaram o meu namorado, partiram-lhe uma perna e fugiram?
45:12A.
45:14Mato-as e desfaço-me dos corpos.
45:18B.
45:19Fico chateada com elas e deixo-lhes falar.
45:23C.
45:23E?
45:24Perdão-lhes, porque afinal de contas elas são as minhas melhores amigas e um acidente acontece
45:29a qualquer um.
45:30É.
45:30E além disso o Ricardo atravessou sem olhar.
45:32C.
45:33Mas pera aí.
45:33Mas se calhar, se calhar é melhor deixarmos este teste para mais tarde.
45:36Pois é, é, é.
45:38Oh, Sofia, é que nós ficámos chiumentas da tua relação com o Ricardo
45:43e queríamos lhe arranjar um defeito, que aliás, ele não tem.
45:47O Ricardo é um homem perfeito, hã?
45:49E então pensaram, vamos pôr o coxo, hã?
45:54Não.
45:55Eu posso-me com vocês, eu posso!
46:00Ricardo!
46:05Eu não percebo o que é que a Lourdes está aqui a fazer nesta reunião.
46:09Ela já não mora aqui?
46:10Eu estou aqui a apoiar o meu irmão e tu cala-te.
46:12Ah, vá lá um bocadinho, por favor, que este senhor tão simpático vai-nos explicar as condições dele.
46:18Eu vou ser breve.
46:19É muito simples.
46:21Eu ofereço-vos 110 mil euros por cada uma das vossas casas.
46:25O senhor notário fez o favor de vir cá para podermos assinar tudo agora.
46:29Ah, que coisa!
46:30Que coisa!
46:31Tomas, isso não são 22?
46:34Ah, quer dizer, o prédio está com carucho, não?
46:37Pois está lá, por favor, quer dizer, os andares valem pelo menos o dobro.
46:41Claro!
46:41Ou mais, o negócio está aí.
46:44Mas pensem bem, os meus sobrinhos são profissionais e vão continuar a pintar a manta.
46:49Olha este!
46:50Nós não temos de os vender assim.
46:52Há de haver aí muito boa gente que nos oferece mais de mim é pelas nossas casas.
46:57Mas antes têm de vir vê-las.
46:59Eu vou-me encarregar de que conheçam os meus sobrinhos.
47:01Eu acho que vai ser uma venda difícil.
47:03Também eu!
47:04Ah, eu vendo-se.
47:05Ainda assim eu vendo-se.
47:07Não, calma, calma, calma, calma.
47:08Pelo amor de Deus, reflita.
47:10Aliás, todos vocês devem refletir antes de tomar uma decisão.
47:13Isto é uma coisa do furo íntimo.
47:14Um outro detalhe.
47:16Por cada dia que demorarem a decidir, a minha oferta baixa 3 mil euros.
47:21Oh!
47:21Então, há acordo ou não há?
47:24Não há acordo, pai.
47:27Aqui o único que vai vender és tu.
47:29Oh, querida.
47:30Mas isto não tem nada a ver contigo.
47:32E já estamos a acabar.
47:33Não!
47:34Eu estou farta que tu faças sempre tudo o que te apetece com toda a gente.
47:37E não vou deixar que te aproveites destas pessoas só para ganhares mais uns milhões.
47:40Ainda por cima dizes que o fazes por mim.
47:42Eu o faço por ti.
47:44Estás todo o dia a caixar-te os teus vizinhos.
47:46Mas isso é problema meu.
47:48Problema meu.
47:49Vais tirar aquelas pessoas do segundo esquerdo e vais devolver o andar à dona.
47:52Imediatamente.
47:53Cristina, tu és minha filha.
47:55E eu gosto muito de ti.
47:56Mas está aqui muito dinheiro em jogo.
47:57Olha, tu é que sabes.
47:58Eu trabalhei muito tempo contigo.
48:00Eu conheço os podres todos da tua empresa.
48:02Portanto, este negócio não vai ser nada rentável para ti se eu quiser.
48:05Estás-me a chantagear?
48:07E esta aí?
48:10É muito fácil.
48:11Mas está esperta.
48:12Com a segurança que te dou, eu tenho de lembrar que desde que deixaste de trabalhar,
48:15sou eu que te sustento há uns meses.
48:18Aquela tua aventura empresarial do restaurante não te fez propriamente milionária.
48:22É verdade.
48:23Não me correu nada bem.
48:24Mas olha, a partir de agora não precisas nos sustentar mais.
48:27Estão aqui os cartões todos.
48:30Acabou-se.
48:31Que pena.
48:32Um cartão quase dourado.
48:33Amanhã de manhã quero aquela gentalha fora do segundo esquerdo e quero andar em nome
48:36da Isabela.
48:37Ouviste?
48:37Como queiras.
48:38Agora vais te dar conta de como a vida é dura.
48:43Isto é uma coisa...
48:43O que é que você está a esperar?
48:45Quero um café, um bagaço.
48:46O que é que quer?
48:46Você mora bem.
48:46Olha, então...
48:48Vem!
48:49Vem, vestirinha!
48:50Vem, vestirinha!
48:51Vem!
48:52Vem, vestirinha!
48:53Vem, vestirinha!
48:54Vem, vestirinha!
48:54Vez, o rosamento é dinheiro!
48:56Vem, vestirinha!
48:57Vem, vestirinha!
48:58Vem, vestirinha!
48:59Vem, vestirinha!
49:00Vem, vestirinha!
49:00Sabe tão bem quando fazemos aquilo que temos de fazer, não é?
49:02É!
49:03E dá cá um medo!
49:07Fantástica!
49:08Vem, vestirinha!
49:12Vem, vestirinha!
49:13Vem, vestirinha!
49:13Xô!
49:13Anda daqui para fora!
49:14Vou chatear para outro lado!
49:16Andare!
49:17Vem lá embora!
49:18Simpática era ele, imagina!
49:20Ai, que bom que é perceber que este prende vai voltar à normalidade!
49:23Vamos ser aquele barco em que todos remamos velas içadas comigo ao leme entre...
49:29Olá!
49:30Olá, João!
49:31Então, fizeste a escritura, hã?
49:33Estou com ar de quem fez a escritura!
49:35Pareceu lá alguém que deu mais dinheiro e o Rafael vendeu!
49:37Oh, que salganhada, meu Deus!
49:39E o que é que vão ser os nossos inclinos agora?
49:41Há bocado chegaram umas caixas de mudanças.
49:43Eu até pensava que eram da Tizanas.
49:44O que é dizer da senhora vice-administradora?
49:46Vamos lá acima que é se estão a despejar alguma coisa!
49:56Não acredito!
49:58O que é que tu estás aqui a fazer?
49:59Ai, a caneca confusão que vai haver!
50:02Eu vou lá abaixo ver se o Pedro me paga uma bejeca!
50:06É melhor, é melhor deixá-lo sozinho!
50:07É melhor, é melhor deixá-lo sozinho!
50:11É melhor deixá-lo sozinho!
50:30Ele se dergando!
50:31A caneca acima!
50:34A caneca acima!
50:35A caneca acima!
50:38A caneca acima!
50:38A caneca acima!
50:40Ok, viva, não!
51:01Aqui, aqui, aqui, ok, viva!
51:04Aqui, não! Aqui, não!
51:10Tchau, tchau!
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