- há 15 minutos
- #jovempan
- #temporeal
Com a morte de Ali Khamenei confirmada em meio aos bombardeios da Operação Fúria Épica, o Irã ativou um conselho de transição liderado pelo aiatolá Alireza Arafi, figura de extrema confiança do antigo regime. Entenda as possibilidades para o futuro do regime e os aliados do Irã que podem integrar o conflito no Oriente Médio.
Confira o Tempo Real na íntegra em: https://youtube.com/live/piV0WekoJ3c
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no X:
https://x.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#TempoReal
Confira o Tempo Real na íntegra em: https://youtube.com/live/piV0WekoJ3c
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no X:
https://x.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#TempoReal
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Agora, vamos falar do assassinato do líder supremo do Irã, o Ali Khamenei, que colocou a República Islâmica num momento
00:06mais precário, mais difícil desde 1979.
00:11Ao vivo, o Luca Bassani vai explicar pra gente quais são essas possibilidades futuras de liderança lá no Irã.
00:17Luca, a gente tem alguns nomes já aí, né, noticiados. Como é que você vê que vai acontecer essa sucessão?
00:24Ela deve demorar e pode ter uma interferência dos Estados Unidos, né?
00:29Exatamente, Márcia. O presidente Donald Trump, ele quer que um nome recomendado por você, por ele mesmo, né, seja aquele
00:37que comande o Irã durante os próximos anos.
00:40Mas o fato é que apesar da morte de Ali Khamenei, o Ayatollah do Irã, o líder supremo do Irã
00:46de 1989 até hoje, ser muito simbólica, ela não faz com que o regime caia.
00:51Afinal, o Irã não tem um regime personalista, ele tem um regime teocrático, no qual o Ayatollah supremo, durante aquele
00:58período, representa essa personificação.
01:01Mas há uma série de dispositivos constitucionais que já preveem a morte ou até mesmo a renúncia.
01:07Lembrando que foram só dois Ayatollahs, Roula Komeini, de 1979 até 1989, ele que morreu por causas naturais.
01:14E Ayatollah Ali Khamenei, de 1989 até 2026, assassinado pela Operação Norte-Americana Israelense no último sábado.
01:24Durante estes próximos dias, o que acontece?
01:28Uma espécie de assembleia de peritos, de especialistas no direito constitucional islâmico, na Sharia Shiita,
01:35vão se reunir, são cerca de 88 clérigos que são eleitos a cada oito anos por eleições indiretas,
01:41para decidir quem será o próximo líder supremo.
01:44Não necessariamente precisa ser um Ayatollah, ele basta ser um chamado de faquir, que é algum jurista no direito islâmico,
01:52mas, de certa forma, como é um cargo que depende muito de contatos, de bom trânsito com a classe religiosa,
01:59a classe clerical e a classe militar, geralmente é um nome já conhecido.
02:04Aqueles que são mencionados agora como possíveis sucessores de Ali Khamenei, incluem o seu próprio filho,
02:10Moitaba Khamenei, o seu segundo filho de 56 anos, que significaria praticamente dar prosseguimento a essa linha dura,
02:17anti-ocidental, anti-americana do governo, reforçando ainda mais o exército.
02:23Outros falam que Alireza Araf, que assumiu interinamente, por ser um nome mais institucional,
02:29mais de consenso, poderia ajudar nesse momento de transição.
02:33O fato é que qualquer um pode ser escolhido e essas dificuldades militares, a guerra acontecendo ao mesmo tempo,
02:41isso afeta o processo político e religioso como um todo.
02:45Muitos dizem que, para a decisão final, quem terá a palavra para decidir serão os altos generais da Guarda Revolucionária,
02:53que é um desses braços do exército iraniano, é um dos exércitos, para ser mais preciso,
02:58que não comanda só as questões militares, mas comanda setores estratégicos da economia, como portos, como fronteiras,
03:06como também empresas e bancos, que têm grande influência em toda a sociedade iraniana.
03:12Então, para todos os efeitos, muitos acreditam que tem que ser um nome aprovado pela Guarda Revolucionária
03:16para dar continuidade a esse regime.
03:18Mas a pergunta é, a guerra exaurindo as capacidades econômicas e militares do Irã,
03:23será que o regime vai resistir por mais muito tempo?
03:27Será que os Estados Unidos, fazendo uma guerra tão longe do seu território,
03:30também têm um poder de fogo para uma guerra prolongada, sem uma invasão terrestre?
03:35São muitas as questões.
03:37A gente está apenas no terceiro dia de cobertura desse conflito.
03:40Aquilo que foi prometido pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Arati,
03:45que o líder supremo será escolhido de forma breve, entre um e dois dias,
03:50para que não forme um vácuo ao poder.
03:51E isso deu uma resposta pronta à população,
03:55que também quer saber quem será o seu próximo líder supremo,
03:59com esse vácuo de Ali Khamenei, que ficou 37 anos governando o Irã.
04:04Luca, ontem você comentava que a maior parte da população apoia a queda desse regime.
04:10Mas a gente começou a perceber também umas manifestações contrárias,
04:14principalmente após a morte de Ali Khamenei.
04:17Como é que essa situação está agora por lá?
04:19Existem protestos?
04:20Ou o povo ainda está com medo, indo para abrigos?
04:24A gente tem poucas informações, porque a imprensa vive uma ditadura.
04:28Realmente é complexo receber informação baseada em fatos reais de lá.
04:34E além disso, Márcia, que você listou muito bem,
04:38há esse apagão digital, a internet bloqueada no país,
04:41isso de forma corriqueira.
04:43Aquilo que nós temos de pesquisas de ONGs,
04:45de várias organizações que monitoram o Irã,
04:48é que facilmente entre 70% e 80% da população quer a queda do regime.
04:53O que explica isso também é a questão geracional.
04:56Cerca de 70% da população iraniana tem de 30 anos para baixo,
05:01ou seja, nasceram muito depois da Revolução Iraniana,
05:04compartilham desses mesmos valores e sofrem com o caos econômico e também político
05:10instaurado pela própria República Islâmica.
05:12Então essa mudança de regime é algo que anseiam grande parte dos persas,
05:19grande parte dos iranianos.
05:20O grande porém é que muitos deles querem uma mudança de regime,
05:23mas não querem um regime fantoche dos Estados Unidos ou de Israel.
05:27A grande pergunta é, eles não têm ferramentas suficientes
05:32para lutar contra o seu próprio regime sozinhos,
05:34visto aquilo que aconteceu durante os últimos meses.
05:37As manifestações do final do ano passado, começo desse ano,
05:40em que mais de 30 mil pessoas foram mortas manifestando-se pacificamente,
05:45mais de 50 mil presos.
05:46Essa repressão, essa violência sistemática,
05:50ela faz com que as pessoas também temam voltar às ruas em um momento de instabilidade,
05:55apesar da grande vontade de ver esse regime caindo e um novo regime,
05:59talvez secular, talvez um pouco mais aberto aos investimentos estrangeiros,
06:03a uma visão mais amigável à Liga das Nações, pudesse substituí-lo.
06:08Como eu disse, são muitas incógnitas.
06:10O próprio presidente Donald Trump falou, e hoje o secretário da guerra também,
06:14que essa é uma oportunidade para o povo iraniano tomar o poder.
06:17Como isso seria feito?
06:19Essa é a grande pergunta.
06:20E tem um terceiro ponto, que é a religião, né?
06:22Que está tudo entrelaçado, Luca.
06:24E aí fica mais difícil ainda.
06:26A gente vai continuar acompanhando.
06:28Obrigada pelas atualizações.
06:30Agora, os ataques de Estados Unidos e Irã,
06:33na verdade, Israel ao Irã,
06:35são mais ali um movimento num tabuleiro geopolítico dentro do Oriente Médio.
06:40O Fabrício Naitz, que vai trazer alguns detalhes para a gente,
06:43sobre os aliados ali, os que sobraram na região do Irã.
06:48Porque, Fabrício, boa tarde, bem-vindo.
06:50O que a gente percebe é que o Irã está mais isolado do que nunca, né?
06:55Exatamente, Márcia.
06:56Boa tarde para você.
06:57Boa tarde a todos que acompanham o Tempo Real.
06:59Sobraram é a palavra-chave nessa história toda.
07:02Porque, já há algum tempo, o Irã vem um processo de isolamento internacional
07:08com a perda de muitos aliados ali na região.
07:11O principal movimento, que origina, inclusive,
07:14esse flanco de oportunidade que os Estados Unidos e Israel tiveram
07:18para atacar o Irã, não apenas agora, mas no ano passado também,
07:22começa na virada de 2024 para 2025,
07:26com a queda de Bashar al-Assad no governo da Síria.
07:30O regime de Bashar al-Assad começa ainda muitos anos antes
07:33com o pai dele lá na Síria e se estende ali,
07:38principalmente durante o período de guerra civil no país,
07:42com a entrada, com a presença de grupos terroristas, por exemplo,
07:46como o Estado Islâmico, que foram combatidos pelas tropas sírias
07:49e também por uma coalizão internacional.
07:51Mas quando Bashar al-Assad sai do poder,
07:56durante manifestações, durante protestos,
07:58um levante que aconteceu no Irã em dezembro,
08:01na Síria, perdão, em dezembro de 2024,
08:04o Irã perde o seu principal aliado regional,
08:07que era por onde o Irã escoava armas e dinheiro
08:12para grupos terroristas, grupos militantes ali da região.
08:17Quais grupos?
08:17O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na faixa de Gaza.
08:21Hoje, no Oriente Médio, os aliados do Irã estão resumidos a isso,
08:27a grupos paramilitares em alguns países.
08:30O Hezbollah, o Hamas, a jihad islâmica,
08:33que também fica na faixa de Gaza, e os hutis no Iêmen.
08:37Mas a perda de controle de Bashar al-Assad na Síria,
08:41a entrada de Ahmed al-Shara,
08:43que era ele próprio um líder terrorista,
08:46mas que hoje é um aliado dos Estados Unidos,
08:49entra com o tapete vermelho na Casa Branca,
08:52fez com que essa conexão do Irã com esses grupos paramilitares
08:56acabasse sendo não totalmente perdida,
08:59mas muito dificultada a partir daquele momento,
09:02a partir da virada de 2024 para 2025.
09:06No cenário internacional, o Irã tem dois parceiros estratégicos,
09:11a China e a Rússia,
09:13dois países com quem ela mantém fortes negociações.
09:16Acontece que a China não tem interesse
09:19em entrar militarmente em qualquer conflito ao redor do mundo.
09:23Essa é uma tradição chinesa,
09:26faz parte do pragmatismo do governo de Xi Jinping,
09:29do pragmatismo da leitura que o Partido Comunista Chinês tem do mundo,
09:34que é justamente esse.
09:35Não vamos entrar num conflito porque isso custa dinheiro,
09:38isso atrapalha a nossa reputação,
09:40e só atrapalha o nosso plano de desenvolvimento.
09:43A China mantém essa estratégia há muito tempo.
09:45E a Rússia tem uma outra questão que é muito mais urgente para eles,
09:48a guerra com a Ucrânia.
09:49Não dá para deslocar tropas, por exemplo, para o Irã,
09:52para auxiliar o Irã em qualquer situação militar que seja.
09:56Obrigada, viu Fabrício.
09:58Continua com a gente também aqui em tempo real,
10:00mas eu vou chamar os nossos analistas para essa conversa agora,
10:03o Acácio Miranda e o Mano Ferreira.
10:05Mano, como é que o mundo agora vai se movimentar diante desse conflito?
10:10Muita gente repudiou as ações de Trump e de Netanyahu,
10:15mas também repudia o regime iraniano.
10:18O próprio Brasil fez uma nota,
10:21uma das notas mais brandas de todas que eu vi no mundo,
10:24sem citar a parte do terrorismo do Irã.
10:29Enfim, como é que você enxerga que vai ser esses posicionamentos
10:32mais estratégicos a partir de agora dos líderes mundiais,
10:36principalmente também da União Europeia,
10:37que está se afastando cada vez mais dos Estados Unidos, né?
10:40Pois é, Márcia.
10:41Provavelmente vai ser uma tentativa de colocar panos quentes
10:45e fazer com que o conflito não ganhe ainda mais escala.
10:50A gente sabe que os ataques que começaram contra o Irã
10:54já tiveram repercussões, sobretudo contra Israel.
11:00Há um temor grande de que o conflito acabe, de alguma forma,
11:04ganhando a região do Oriente Médio.
11:07Portanto, há todo um esforço da comunidade internacional
11:11para tentar fazer com que esse conflito não escale,
11:15não ganhe maiores proporções.
11:18Afinal de contas, sempre que temos um conflito como esse,
11:22a gente sabe como começa, mas não sabe como termina.
11:26Na guerra, ela é sempre algo extremamente perigoso e instável.
11:32E não é fácil dizer quanto tempo o conflito vai durar,
11:38porque, afinal de contas, não se modifica um regime político
11:43simplesmente com base em algumas bombas.
11:46A gente precisa sempre lembrar que, infelizmente,
11:50a sustentação do regime no Irã ainda é bastante sólida,
11:56no sentido de que a Guarda Revolucionária se mantém como uma coluna
12:00que consegue manter o controle não apenas territorial,
12:04mas também social dentro do Irã, com base em muita repressão.
12:09E isso não é fácil de vislumbrar uma mudança.
12:13Então, o mais provável é que a gente veja o restante do mundo
12:17tentando fazer com que o conflito não escale,
12:21porque um aumento das tensões seria prejudicial para toda a humanidade.
12:28Com certeza, Mano.
12:30Até porque, potencialmente, atos terroristas podem acontecer
12:33dentro dos Estados Unidos.
12:34É um ano de Copa do Mundo.
12:36A seleção iraniana não vai, óbvio.
12:39Então, a gente tem ali um aumento da segurança,
12:42da tensão dentro dos Estados Unidos e de outros países,
12:45principalmente no Oriente Médio.
12:46Países que nunca tinham a Cássio, por exemplo, Dubai ali atacada,
12:52hotéis atacados.
12:53Então, o próprio turismo vai ser afetado.
12:56Milhões de reais ali perdidos, de dólares perdidos.
12:59E aí, como é que você vê que vai ser esse cenário
13:02para a economia mundial também se adaptar?
13:05Sem falar que os organismos internacionais não têm o que fazer.
13:09A ONU já se reuniu.
13:11O próprio Congresso americano está articulando formas
13:14de limitar o poder de Trump.
13:16Mas você acredita que isso pode acontecer mesmo, Acácio?
13:20Marcia, a ONU e os outros organismos internacionais
13:24já há alguns anos sofrem um processo de perda de legitimidade.
13:30Os Estados Unidos, o conflito Israel-Ramas,
13:34o conflito Rússia-Ucrânia,
13:36a ONU não teve mecanismos, ficou de pinico na mão
13:41nessas situações como um todo e não conseguiu impor as suas regras.
13:46Então, o primeiro ponto é nós reanalisarmos a legitimidade
13:51destes organismos.
13:53Em segundo lugar, o Congresso norte-americano já vem,
13:57inclusive republicanos, já vem fazendo uma análise
14:02da legitimidade dos atos praticados por Donald Trump.
14:07Porque Trump, para além destas guerras,
14:11para além destes ataques,
14:13vem sofrendo críticas em relação à política interna.
14:17É importante nós lembrarmos que nós teremos daqui a alguns dias
14:21as eleições de middle term,
14:24as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
14:27E os republicanos já colocam como concreta a possibilidade
14:33de perderem uma parcela das suas cadeiras,
14:37o que fragilizaria ainda mais Donald Trump.
14:40Em terceiro lugar, há essa nova ordem mundial
14:44a partir desses conflitos.
14:47Porque todas as vezes em que há instabilidade em um país,
14:51todos os seus aspectos econômicos, culturais,
14:54mas principalmente a economia, acaba balançando
14:58e esta balança, este mercado,
15:02acaba fluindo para outro lugar.
15:05Então, a economia do Irã acaba fluindo para outro lugar,
15:11fortalecendo novos países
15:13e as guerras também, a rigor,
15:16impõem certas dificuldades econômicas.
15:20E neste contexto nós temos Irã,
15:22nós já acompanhamos na Rússia e na Ucrânia
15:25há alguns anos isso acontecendo,
15:28então há o reposicionamento
15:31de diversos aspectos no mundo
15:34como nós o conhecemos.
15:36E isso fará com que surjam novas forças
15:40e que as forças que nós conhecemos atualmente
15:43acabem descendo um pouco.
15:46Eu acho que quem vê tudo isso com bons olhos
15:49neste momento é a China,
15:50porque acompanha os norte-americanos
15:53envolvidos em diversos conflitos
15:55e, consequentemente,
15:57os Estados Unidos restabelecem as suas prioridades,
16:01principalmente a prioridade econômica.
Comentários