00:00Estava, entre aspas, precificado, até pela movimentação de porta-aviões dos Estados Unidos ali na região.
00:08E o não avançar das negociações para o fim do programa nuclear iraniano,
00:13até porque tem também o programa de mísseis, que o Irã diz não abrir mão.
00:16É mais ou menos esse o cenário que a gente está acompanhando, Fabrício. Bom dia pra você.
00:20É mais ou menos por aí. Nonato, bom dia pra você, bom dia pra Márcia, todos que acompanham o Jornal
00:25da Manhã.
00:25A gente já vem acompanhando de perto esse acirramento das tensões entre Estados Unidos e Irã há alguns meses,
00:34desde o início das manifestações no Irã, em dezembro do ano passado, no finalzinho de dezembro.
00:39Ao longo de todo o mês de janeiro, ameaças foram feitas pelo presidente Donald Trump
00:44de possíveis ataques contra o Irã caso a repressão violenta, a repressão mortal do governo contra os manifestantes não acabasse.
00:53Isso a princípio acabou, execuções foram suspensas, as prisões foram relaxadas no Irã,
01:01embora as manifestações também, é verdade, tenham perdido um pouco de força.
01:05Mas nas últimas semanas, a pressão norte-americana se intensificou conforme as negociações para um acordo nuclear não avançavam.
01:13O sinal foi dado ainda ontem, quando o governo dos Estados Unidos emitiu um comunicado para os seus diplomatas,
01:20autorizando, recomendando que eles deixassem Israel o quanto antes, pelo temor de que um ataque pudesse acontecer nas próximas horas.
01:30O embaixador norte-americano em Jerusalém disse,
01:34não é motivo de preocupação, mas quem quiser sair, que saia hoje, ou seja, na última sexta-feira.
01:41A gente comentava isso, Nonato, algumas horas atrás ainda no jornal Jovem Punk,
01:46e esse é sempre um sinal de que um ataque é iminente.
01:49A mobilização norte-americana foi muito grande nas últimas semanas para que não houvesse nenhum tipo de ataque.
01:56Agora, o que chama a atenção aqui é o seguinte,
01:59As fontes ligadas à Casa Branca, ao Pentágono, falavam na possibilidade de um ataque pontual contra o Irã
02:08para forçar o Irã a aceitar as negociações, os termos americanos nas negociações.
02:15E o que a gente vê pelo pronunciamento do presidente Donald Trump,
02:19na verdade, é de uma guerra, uma operação militar que pode durar muito tempo,
02:25que não será simplesmente pontual.
02:27Não à toa, a gente já tem a resposta iraniana com a Guarda Revolucionária confirmando agora há pouco
02:33o envio do primeiro lançamento de mísseis contra o território israelense.
02:39Agora, Fabrício, onde que você enxerga que está o X da questão?
02:42Por que que essas negociações não estavam avançando?
02:45Os Estados Unidos querem o fim do enriquecimento do urânio, né?
02:49E já o Irã, em contrapartida, pede também o relaxamento de algumas sanções.
02:53Por que que eles não estavam entrando em acordo e onde que é o ponto crítico de tudo isso?
02:58O Irã diz que mantém o enriquecimento de urânio apenas com uma finalidade,
03:04o da produção de energia nuclear.
03:06Acontece que, para você enriquecer urânio para fins energéticos,
03:12você precisa enriquecê-lo a, no máximo, no máximo, 10%.
03:16Passou disso, já fica muito suspeito o que você vai fazer com esse material,
03:22que se enriquecido ali a partir dos 60%, 70%, pode dar início à criação de algum tipo de arma,
03:30algum tipo de míssel, algum tipo de armamento nuclear.
03:35Isso é muito perigoso.
03:36Os Estados Unidos dizem o seguinte, Márcia,
03:39o Irã não pode ter urânio nenhum, nem mesmo para fins energéticos.
03:45E aí é muito difícil você encontrar um meio termo,
03:48já que as relações entre os países estão deterioradas há muito tempo.
03:51E o Irã, por exemplo, dificultou a entrada de agentes, de membros fiscalizadores
03:58da Agência Internacional de Energia Atômica nas suas instalações nucleares
04:02para conferir se, de fato, eles estão enriquecendo urânio apenas com a finalidade energética
04:07ou se eles têm muito mais urânio enriquecido para buscar algum tipo de armamento.
04:12Então, aí você tem a grande diferença entre eles.
04:16O que a gente ouviu essa semana?
04:18O mediador dessa questão é o Oman.
04:21E o ministro das Relações Exteriores, Omani, afirmou o seguinte,
04:25que os países haviam apresentado uma vontade quase que inédita
04:29de encontrar uma solução criativa para resolver esse problema,
04:33já que o Irã quer manter, pelo menos, a sua base energética.
04:36E aí, qual que seria essa solução, possivelmente?
04:40O de enriquecimento de urânio em outro lugar, em outro país, um país terceiro.
04:44A Turquia já havia se oferecido para fazer esse tipo de trabalho para o Irã.
04:50Enriquece o urânio no seu país com toda a fiscalização,
04:53com todo o respaldo da comunidade internacional,
04:56e envia isso depois para o Irã utilizá-lo em suas usinas nucleares, por exemplo,
05:00e abastecer a população.
05:02Acontece que as negociações não caminharam na velocidade que Donald Trump queria.
05:07E aí, os Estados Unidos acabam, então, tomando essa atitude nesse momento
05:11que já havia sido prevista anteriormente, com o Trump dando diversas indicações
05:17que poderia, de fato, forçar um ataque para tentar colocar o Irã contra o muro.
05:22O que parece, porém, é que a Casa Branca estava mal informada
05:27em relação às condições do Irã de negociar.
05:30Uma expectativa, talvez, de que o Irã se sentisse numa negociação muito assimétrica
05:36depois dos ataques do ano passado.
05:38Os Estados Unidos fizeram ataques muito precisos
05:41nas instalações nucleares do Irã em junho,
05:45para encerrar aquele conflito de 12 dias.
05:47E aí a gente tem, então, essa grande diferença nesse momento.
05:51O Irã não recuou tanto quanto os Estados Unidos esperavam.
05:55O acordo, que deveria ter uma minuta entregue nessa última semana, não teve.
06:00E as negociações acabaram sendo adiadas para a semana que vem, em Viena, na Áustria.
06:05A gente vai ter que ver agora como que nós vamos chegar nessa data prevista
06:10para negociação na Áustria, se é que isso vai acontecer a partir de agora.
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