00:02emissoras do rádio. Economia no
00:06contexto certo.
00:12Boa noite Brasil, ouvintes da
00:13Jovem Pan. Bem-vindos a mais um
00:15sextouro, resumo da semana
00:17econômica no contexto certo.
00:19Foi uma semana de muitos
00:20recordes pra nossa bolsa, touro
00:22de ouro atrás de touro de ouro.
00:24Além do fluxo estrangeiro que
00:26tá entrando na B3, o salto de
00:28Flávio Bolsonaro nas pesquisas
00:29numa das pesquisas que é muito
00:30importante pro mercado, a Atlas
00:32Intel foi o motor impulsionador
00:34dessa alta. O recuo de Trump ao
00:37impor a tarifa global de dez
00:38por cento e não quinze, como ele
00:39tinha ameaçado, também ajudou
00:40nossa bolsa. Sem contar que saíram
00:43estudos mostrando que Brasil e
00:45China estão entre os maiores
00:47beneficiados do cancelamento das
00:49taxações que o Trump tava
00:51colocando o mundo afora. Foi a
00:52justiça americana que cancelou.
00:54Aqui a bolsa foi bem, mas lá
00:56fora a semana começou feia com o
00:58estudo da Citrine Research que
01:00ateou pânico entre os investidores
01:02mais uma vez ao indicar que o
01:04sucesso da inteligência artificial
01:05poderia levar ao desemprego em
01:07massa nos Estados Unidos, a queda
01:08do consumo e o encolhimento do
01:10PIB. A NVIDIA teve um resultado
01:12recorde, mas também não convenceu,
01:14não animou o suficiente. O mercado
01:16está frágil, com medo, por não
01:17saber quanto as empresas que estão
01:19investindo trilhões de dólares em
01:21inteligência artificial vão valer
01:23daqui a dois, três anos. As ameaças
01:25de Trump contra o Irã também
01:27pesaram nos mercados lá fora. Vamos
01:29para os pontos que eu separei para o
01:30sextouro de hoje. Primeiro ponto,
01:32taxade, o homem imposto ataca de
01:35novo. O ministro da Fazenda,
01:37Fernando Haddad, anunciou mais
01:39aumento de imposto e não foi pouco
01:41não. Agora, ele elevou o custo de
01:43importação de cerca de mil itens de
01:45uma vez só. Bens de capital,
01:48informática, telecomunicações,
01:49eletrônicos, telefones, freezers,
01:51painel de LED. Parece piada, mas o
01:53taxade garante que não vai afetar os
01:56preços, que a medida só atinge as
01:58empresas estrangeiras que não
02:00produzem aqui e que é para proteger
02:02a indústria nacional, que é mentira
02:05dizer que vai encarecer as coisas.
02:07Falando difícil, ele disse que não é
02:09arrecadatório, é regulatório, ou seja,
02:12ele quer convencer a gente que vai
02:13gerar catorze bilhões de reais de
02:16receita, mas não é para arrecadar.
02:18Vamos combinar uma coisa básica de
02:20economia. Se você aumenta o imposto
02:22de importação, você aumenta o custo
02:23de entrada do produto no país. Se
02:25aumenta o custo, alguém paga, ou o
02:27consumidor paga mais caro, ou a
02:29empresa reduz margem, o que quase
02:30nunca acontece. Outro ponto de vista,
02:33presta atenção. Se aumenta o custo do
02:35produto importado, o produto nacional
02:36pode subir o preço, porque não tem mais
02:38a concorrência a preços baixos. Isso a
02:40gente se aprende na primeira ou o ano
02:42de economia. Mas se você não domina os
02:44fundamentos básicos da economia, isso
02:46você vai entender. Não existe almoço
02:48grátis, muito menos um imposto mágico
02:51que arrecada quatorze bilhões de reais
02:53e ninguém sente. Segundo ponto, SUS do
02:56transporte. O presidente Lula quer
02:58colocar no plano de governo a criação
03:00de um sistema único de transporte
03:03público, pra garantir tarifa zero no
03:05Brasil inteiro. A ideia é começar a
03:08tramitar imediatamente e levar o tema
03:11direto pro palanque. O custo estimado
03:14é de sessenta e cinco bilhões de reais
03:17por ano. O Ministério da Fazenda, de
03:19Fernando Haddad, estuda como será a
03:21engenharia desse negócio. Uma das
03:24propostas prevê que empresas paguem
03:27entre cem e duzentos reais por
03:28funcionário pra criar um fundo
03:30bilionário. Traduzindo, mais uma conta
03:33pro setor produtivo. Em ano eleitoral,
03:36promessa, é música pros ouvir. Mas no
03:40fim do mês, alguém vai pagar conta. E a
03:42pergunta que não quer calar é simples
03:44e explosiva. O SUS do transporte é
03:47política pública ou a campanha vai ser
03:50mais uma fatura altíssima pras
03:52empresas? Terceiro ponto, plano de
03:54saúde salgado. Quase sessenta por
03:58cento dos brasileiros já deixaram de
03:59usar plano de saúde por causa do
04:01custo, do preço. É isso aí. Num país
04:04onde a saúde pública empurra o
04:06cidadão pro plano privado, quem pode
04:08paga um seguro de saúde próprio. Segundo
04:11o relatório global sobre saúde
04:12corporativa em dois mil e vinte e
04:14seis da Holden, cinquenta e nove
04:16vírgula dois por cento dos
04:17brasileiros afirmam que já deixaram
04:19de procurar atendimento médico por
04:21causa do preço. E veja que tristeza, o
04:24sistema público, o sistema único de
04:26saúde, o SUS, muitas vezes é lento e
04:28sobrecarregado. Por isso, milhões de
04:31pessoas recorrem ao plano de saúde
04:33privado como alternativa. Mas agora, o
04:36plano também tá ficando caro demais. Ou
04:38seja, o brasileiro que fugia da fila do
04:40SUS, agora começa a fugir do boleto do
04:42plano e volta pra fila do SUS. Quarto
04:45ponto, desemprego maquiado. Alerta no
04:49radar da economia brasileira. O
04:51desemprego está na mínima histórica,
04:53cinco vírgula três por cento. A massa
04:55salarial cresceu seis vírgula quatro
04:57por cento ao ano. Pode até parecer que o
04:59Brasil tá indo bem, mas não na opinião
05:02do Citigroup. Ele disse pros investidores
05:05tomarem cuidado, porque isso pode ser uma
05:07ilusão. E você? Você acha que o Brasil
05:10tá bombando? Enquanto alguns comemoram o
05:13menor desemprego da série, o PIB perde
05:16força trimestre depois de trimestre.
05:19Cresceu um e meio no começo de dois mil
05:21e vinte e cinco, depois zero três, depois
05:22zero um. E os indicadores recentes
05:25mostram que estaria praticamente
05:27estagnado. Aliás, o IBCBR, que é uma
05:30espécie de prévia mensal do PIB, recuou,
05:32encolheu zero dois por cento em dezembro.
05:35O que tá acontecendo é que parte da
05:37queda do desemprego não veio de mais
05:39vagas criadas, e sim de menos gente
05:42procurando trabalho. Houve queda do índice
05:45que se chama participação, participação
05:48da população. Se a participação tivesse
05:51ficado estável, o desemprego seria cinco
05:53vírgula nove, não cinco vírgula três.
05:55Outro sinal amarelo. A massa salarial
05:58subiu e o consumo desacelerou. Isso
06:01mostra que o crescimento da massa
06:03salarial tá vindo de aumento de salário
06:06de que de quem já tá empregado, e não
06:09e menos da criação de novos postos de
06:13trabalho. E sem geração forte de vagas, o
06:15consumo perde tração. A leitura do
06:17CIT é direta. A economia já está
06:20desacelerando e o mercado de trabalho
06:22pode ser o próximo a sentir. O número
06:24cheio pode até parecer bonito, mas por
06:27baixo do capô, o motor tá perdendo
06:28potência. Quinto ponto, Flávio vira o
06:31jogo nas pesquisas. A temperatura
06:33política subiu e muito nessa semana.
06:36Duas pesquisas importantes colocaram
06:38Flávio Bolsonaro numericamente à
06:41frente de Lula num eventual segundo
06:42torno. Segundo levantamento da Atlas
06:44Intel em parceria com a Bloomberg, o
06:46Flávio aparece com quarenta e seis
06:47vírgula três contra quarenta e seis
06:49vírgula dois do Lula. Já a Paraná
06:51pesquisa abriu mais. Mostra Flávio
06:53com quarenta e quatro vírgula quatro
06:54por cento e o Lula com quarenta e
06:56três vírgula oito. É empate técnico,
06:59tudo bem, mas o dado político é claro.
07:01Houve uma inversão de tendência
07:03brusca. Em dezembro, o Lula tinha
07:06doze pontos de vantagem frente a
07:08Bolsonaro. Em menos de setenta dias, o
07:11cenário virou o que antes era vantagem
07:13confortável, virou disputa voto a
07:15voto. Ao mesmo tempo, a aprovação do
07:17governo não para de recuar. O Flávio
07:20cresce, se consolida com o eleitorado
07:22bolsonarista e tenta conquistar os
07:25eleitores de centro com um discurso
07:27mais moderado e acenos estratégicos. E o
07:30mercado financeiro gostou, porque
07:32enxerga um eventual governo mais
07:35alinhado à agenda liberal, como mais
07:39responsabilidade fiscal, reformas
07:41estruturais e ambiente pró-negócios.
07:44Sexto ponto, luz mais cara,
07:47prepara o bolso. A conta de luz pode
07:50subir até o dobro da inflação em
07:51dois mil e vinte e seis. A projeção é
07:54de alta de cinco e meio por cento até
07:56oito por cento, enquanto o Banco
07:58Central tá prevendo, estimando que a
08:00inflação vai ficar em três vírgula
08:01nove por cento esse ano. Ano passado, a
08:05energia já tinha subido doze por
08:07cento. Foi a maior vilã do IPCA, que é a
08:09inflação oficial do Brasil. E por que
08:11continua subindo a energia? Primeiro, o
08:14nível dos reservatórios tá muito
08:16baixo. Menos água significa mais
08:18termoelétrica ligada, e termoelétrica
08:19é energia cara movida a gás. Custo
08:22alto vai direto pra sua fatura. Mas,
08:25tem um segundo ponto, e é aqui que
08:27começa a polêmica. A conta de luz
08:29carrega quase cinquenta bilhões de
08:30reais em subsídios, incentivos pra
08:34fontes renováveis, descontos pra setores
08:37específicos e políticas públicas
08:39diversas. Muitas dessas políticas são
08:41importantes, claro, mas deveriam estar no
08:44orçamento da União, dentro do arcabouço
08:46fiscal, transparentes, discutidas no
08:49Congresso. Mas é claro que não, elas
08:51estão embutidas na sua conta de luz, na
08:55nossa conta de luz. Ou seja, em vez do
08:57Tesouro bancar essa conta, quem paga é
09:01você no boleto de energia. É um imposto
09:04invisível. Não aparece como imposto, mas
09:07pesa como imposto. Energia mais cara
09:10significa mais custo pra indústria. Comércio
09:12mais caro, serviço mais caro, no fim da
09:15cadeia, tudo pressiona os preços. E você,
09:18consumidor, paga duas vezes, na conta
09:21de luz e na inflação. Se nada mudar, em
09:24dois mil e vinte e seis já começa com um
09:25choque silencioso no bolso dos
09:28brasileiros. Sétimo ponto, inadimplência
09:31bate recorde. Atenção, a conta do juro
09:36alto começou a chegar. Segundo o Banco
09:39Central, a Inai de influência no crédito
09:41livre subiu pra cinco e meio por cento. É
09:43o maior nível desde dois mil e
09:44dezessete. Record da série histórica
09:47que começou em dois mil e onze. Com a
09:49Selic em quinze por cento, não tem
09:50milagre. Os juros, né? Os juros
09:53ficaram altos por muito tempo e agora
09:56as famílias e as empresas estão
09:58sentindo. O crédito caiu quase dezenove
10:00por cento em janeiro. A média dos juros no
10:02crédito livre tá em quarenta e sete
10:05vírgula oito por cento ao ano. Quase
10:07cinquenta por cento. O spread bancário
10:10subiu, aumentou, ou seja, menos dinheiro
10:12disponível, mais caro e mais difícil de
10:16pagar. E quando o uso do rotativo do
10:18cartão e do cheque especial começa a
10:20crescer, é sinal de aperto forte no
10:23orçamento das famílias. O Banco
10:24Central já sinaliza possível corte de
10:27juros agora em dezoito de março, deve
10:29cortar meio por cento, tá precificado.
10:31Mas a política monetária tem defasagem,
10:33demora pra fazer efeito na economia. O
10:36aperto de ontem, o aperto monetário de
10:38ontem, os juros altos de ontem viraram
10:41inadimplência hoje. A pergunta que não
10:43quer calar é, estamos vendo o pico
10:46antes da melhora ou o começo de um
10:48problema muito maior que pode virar um
10:50pesadelo? Por quê? Quando a
10:52inadimplência sobe dessa maneira, não é
10:54só estatística, é o consumo travado, é
10:57empresa sufocada, economia perdendo
10:59força. E pra semana que vem, vai ter
11:02PIB no Brasil, vai ter payroll nos
11:05Estados Unidos, o pai de todos os
11:07indicadores econômicos do mundo, os
11:09dados do emprego do cidadão urbano
11:10americano. Vai ter a reunião do OPEP
11:12sobre a produção de petróleo, será que
11:14eles vão cortar a produção ou vão
11:15aumentar? Além de balanços que vão
11:18sair na temporada de balanços. Eu sou
11:21Pabllo, boa noite e um lindo fim de
11:23semana em família. O Aitorinho!
11:34Economia no contexto zero.
11:36Zé!
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