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Após quatro anos de confrontos, a guerra entre Rússia e Ucrânia segue marcada por desgaste contínuo e impactos globais.

No Visão Crítica, o analista de segurança e defesa Alessandro Visacro avalia que o conflito se consolidou como uma guerra de atrito prolongada e destaca que, do ponto de vista econômico, a Rússia se preparou para enfrentar sanções e manter sua capacidade de sustentação do esforço de guerra.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/QshQyXw5oe8

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Transcrição
00:00Ela se tornou uma guerra de atrito prolongada em que a estratégia predominante é uma estratégia de usura, né?
00:07Vamos ver quem é que se esgota primeiro.
00:10A gente precisa lembrar que a Rússia de Putin, a federação russa do Putin, não é a União Soviética de
00:19Stalin, por exemplo.
00:20Então a capacidade de manter esse esforço militar, ele é muito significativo.
00:27Mas como o professor Alexandre lembrou, a Rússia se preparou para as sanções econômicas.
00:33Ela se arquitetou para isso.
00:36Porque mesmo que Kiev tivesse caído rapidamente, as sanções viriam.
00:43Então economicamente a Rússia se preparou.
00:46Agora, por um erro de inteligência estratégica, porque era para ser algo entre uma ação política com uma forte alegoria
00:56militar,
00:57acabou se transformando nessa campanha prolongada, três erros de inteligência foram fundamentais.
01:03Isso não é raro.
01:04Se a gente pegar a questão da invasão do Iraque em 2003, em que as agências de inteligência norte-americanas
01:11apontaram para a existência de armas de destruição em massa,
01:16então não é nada extraordinário.
01:18Mas a inteligência russa superestimou a influência pró-Rússia dentro da Ucrânia,
01:25subestimou a capacidade, as forças nacionalistas ucranianas e subestimou também a vontade do Ocidente de manter esse suporte.
01:37O que a Rússia realmente é um impacto maior em termos de sustentação desse esforço de guerra
01:43são os recursos humanos, porque é uma guerra que está consumindo muito em vidas humanas.
01:51Isso traz um encargo significativo, um esforço significativo, principalmente diante dos artifícios que Moscou utiliza para o recrutamento
02:05e até chegar ao ponto de apelar para forças da Coreia do Norte, etc.
02:11Mas, enfim, é um conflito que a gente está na expectativa de quem vai se exaurir primeiro.
02:18Pois é, vou passar a palavra para o professor Ângelo Segrilo.
02:23Quais aspectos mais lhe chamam a atenção quando a gente olha para a estratégia definida inicialmente pela Rússia
02:30e aquela surpresa, se é que podemos chamar dessa forma, em relação à resistência ucraniana.
02:38A Rússia se preparou, mas se preparou para quatro anos, professor?
02:45Não, definitivamente não se preparou e não esperava quatro anos.
02:49E a maioria dos observadores também não esperavam quatro anos.
02:53Nós temos feito uma vez por ano um livro que é sobre esse conflito
02:58e todo ano nós imaginamos que o livro vai ficar ultrapassado, que a guerra já acabaria.
03:03O primeiro livro nós achamos no ano seguinte que já ficaria ultrapassado,
03:08porque nós esperávamos que a guerra acabasse rápido.
03:11E até hoje, como eu falei, o Putin esperava uma guerra muito rápida.
03:21Uma coisa muito interessante que eu acho que foi o Alessandro que mencionou,
03:26é a questão da influência russa dentro da Ucrânia.
03:33Só um parênteses rápido aqui, mas que eu acho importante.
03:36A Rússia e a Ucrânia são estados multinacionais.
03:41Não são estados-nação, como o Brasil e os países do Ocidente.
03:46Nos estados-nação, a nacionalidade de uma pessoa é determinada pelo chamado de USOL,
03:53direito do solo.
03:54Nasceu no Brasil, a primeira geração é brasileiro.
03:58Nesses estados multinacionais, a nacionalidade de uma pessoa não tem nada a ver com o local que ela nasce.
04:04A nacionalidade de uma pessoa é a nacionalidade do pai ou da mãe.
04:08Então isso aí eterniza essa diferença que nós chamamos de étnicas aqui,
04:12mas que lá eles chamam de diferenças nacionais.
04:15Então, dentro da Ucrânia, você tem cidadãos ucranianos de nacionalidade.
04:21Aqui a gente diria de etnia, mas isso não explica a complexidade.
04:25Cidadãos ucranianos de nacionalidade ucraniana, falam ucraniano, etc.
04:30Mas você tem muitas regiões, aquela região ali do Dombásco, que o Putin quer ficar,
04:34são regiões onde há muitos cidadãos ucranianos de nacionalidade russa, de etnia russa.
04:40Falam russo, muitos não falam ucraniano.
04:44Então, eu acho que foi o Alessandro que tocou nesse ponto importante,
04:47que ele superestimou aí o apoio que esses cidadãos ucranianos de nacionalidade e etnia russa
04:57dariam as tropas russas.
05:00Essas pessoas que são cidadãos ucranianos de nacionalidade ucraniana se dividiram.
05:05Alguns apoiaram a nação deles, que era a Rússia,
05:08e outros apoiaram o país de cidadania, que era a Ucrânia.
05:13Então, isso aí criou também uma dificuldade.
05:17Na Crimeia, isso foi bem mais rápido também,
05:20porque a Crimeia era a única região que a grande maioria
05:22eram de cidadãos ucranianos de nacionalidade russa, quase 90%.
05:27Então, isso meio que facilitou.
05:29E isso vai complicar um pouco.
05:31Se a Ucrânia retomasse esses territórios,
05:34como é que ficariam essas pessoas que colaboraram, vamos dizer,
05:39com o estrangeiro, no caso os russos?
05:43Então, todos esses fatores aí, e principalmente a ajuda do Ocidente,
05:49a Ucrânia sozinha nunca conseguiria resistir à Rússia,
05:53porque a Rússia tem quatro a seis vezes o poder da Ucrânia.
06:01Se não fosse a ajuda do Ocidente,
06:03a Ucrânia não teria conseguido resistir todo esse tempo.
06:05Mas a Ucrânia está lutando também pela sua identidade nacional,
06:10para não ser apagada essa identidade,
06:13porque o Putin já disse que ele considera russos,
06:17os ucranianos e belorussos, uma família étnica só, né?
06:20E que são os estrangeiros que estão artificialmente tentando separá-los.
06:25Então, tem esse complicador também aí, em todos os fatores,
06:30de que pode fazer com que a Ucrânia, mesmo sem muitos recursos,
06:35continue lutando.
06:36Pois é, o Alessandro vai fazer um complemento, inclusive, nessa reflexão, né?
06:40Eu acho que o que o Ângelo falou, ele destacou pontos que são fundamentais.
06:44O primeiro fato de que a Rússia sempre foi a antítese do Estado moderno,
06:51do Estado vestifaliano,
06:53porque ela sempre foi um império multinacional e multiétnico.
06:57E as políticas demográficas da Rússia Imperial,
07:01da União Soviética,
07:03elas contribuíram, sobre a maneira,
07:06para criar esses...
07:09Fazer com que as fronteiras étnicas nunca coincidissem com as fronteiras políticas.
07:14Isso é muito importante.
07:16E aí eu acho que,
07:18quando o professor Ângelo também menciona a questão do apoio do Ocidente,
07:23eu fiz menção agora há pouco
07:25que a Federação Russa do Putin
07:27não é a União Soviética do Stalin
07:29para manter o esforço de guerra, né?
07:31Não tem fôlego.
07:33Mas a gente precisa lembrar que,
07:34se não fosse o apoio do Ocidente,
07:37especificamente dos Estados Unidos e da Inglaterra,
07:39a Rússia, a União Soviética,
07:41não teria conseguido dar sustentação à Grande Guerra Patriótica.
07:45Então, a importância,
07:47no conflito,
07:48do apoio externo ocidental,
07:53especificamente no caso do conflito recente,
07:55agora,
07:55para a Ucrânia.
07:56Isso pode alterar a balança.
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