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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez o discurso de Estado da União mais longo em mais de 200 anos, com 1h48 de duração, no Capitólio. Ele destacou indicadores econômicos, voltou a ameaçar o Irã e defendeu um papel dominante dos EUA no Ocidente.

No Fast Money, o professor doutor Carlos Gustavo Poggio, do Berea College, analisou a recepção do discurso na sociedade americana, a polarização entre republicanos e democratas e as promessas econômicas feitas por Trump, como a ampliação do 401(k) e restrições à compra de imóveis por investidores institucionais.

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Transcrição
00:00Vamos voltar a falar sobre o discurso do Donald Trump, chamado discurso de Estado da União,
00:07aconteceu na terça-feira do Capitólio, o prédio do Congresso americano.
00:11A fala do presidente dos Estados Unidos durou 1 hora e 48 minutos.
00:16Na história dos tais discursos do Estado da União, foi o mais longo pronunciamento até agora.
00:24Isso numa conta que tem 200 anos.
00:26No pronunciamento, o Trump destacou os indicadores econômicos do país, voltou a ameaçar o Irã
00:33e defendeu o domínio dos Estados Unidos, uma espécie de cúpula do Ocidente.
00:40Para comentar mais sobre os detalhes, os destaques do discurso de Donald Trump,
00:44a gente honrosamente recebe aqui no Fast Money o professor doutor Carlos Gustavo Pódio,
00:50leciona relações internacionais, é um especialista em política dos Estados Unidos
00:56e nos dá uma enorme vantagem de estar nos Estados Unidos.
01:01Pódio, é sempre um prazer conversar contigo, principalmente numa situação como essa,
01:06em que a gente precisa de uma análise minuciosa de quem vê a situação de dentro para fora.
01:13Eu passei as últimas 12 horas estudando o tema de fora para dentro.
01:16Então, eu vou inverter a ordem.
01:19Aproveitando o privilégio que você está aí no Kentucky,
01:22o professor Pódio é professor do Berea College, no Kentucky,
01:26Pódio, uma impressão pessoal e ainda ancorada pela sua capacidade analítica,
01:33como você percebeu a recepção do americano ao discurso?
01:38O que dá para entender de fora é que temos uma sociedade bastante fragmentada,
01:45dicotomizada, dividida, bem em dois espécritos, em dois polos de um mesmo eixo.
01:51O reflexo aí na sociedade americana do discurso polarizou ainda mais republicanos e democratas?
02:00Boa tarde, seja bem-vindo à nossa programação mais uma vez.
02:03Boa tarde, Favali, seria um prazer conversar com você, com quem nos assiste.
02:08Eu acho que não foi um discurso que teve muitas surpresas.
02:12A gente acabou vendo aí as duas faces do Donald Trump.
02:15Até a primeira metade do discurso é o Donald Trump vendedor.
02:19Aquele que mesmo que os números não condizem com aquilo que ele tem dito,
02:24ele tenta vender como se os Estados Unidos estivessem com uma economia pujante,
02:29pujante fosse o país com a economia mais robusta do mundo, etc.
02:33E alguns números de inflação, de crescimento, de pessoas que precisam de auxílio do governo,
02:40uma série de números que são citados por ele, preço de gasolina,
02:44uma série de dados que ele citou que são, no mínimo, questionáveis.
02:48Então, mas teve pelo menos essa tentativa de vender o país,
02:52que é uma coisa que o Donald Trump, como vendedor, ele é muito bom em vender a si própria.
02:57Então, a ideia foi vender que, desde que eu virei presidente, tudo mudou nesse país.
03:03Estava uma desgraça e agora está tudo ótimo.
03:05Então, teve essa primeira metade.
03:06Na segunda metade, nós conhecemos, ouvimos, uma face que já conhecemos bastante do Donald Trump,
03:12que é essa face um pouco mais sombria, em que ele adota uma postura combativa,
03:17uma postura em que ele trata os seus adversários como inimigos.
03:21Há um momento muito triste, eu diria até, deste discurso em que ele chama os democratas de malucos,
03:30e que é normal do Donald Trump, mas o que é triste é que foi aplaudido pelos republicanos.
03:36Ou seja, não é um governo, não apenas um partido como um todo, o Partido Republicano,
03:43que enxerga esses representantes que estão aí no Congresso como representantes do povo,
03:47mas enxerga dentro da chave amigo e inimigo.
03:51Democratas são inimigos, não apenas adversários ou competidores,
03:55e os republicanos são aqueles que, principalmente o Donald Trump,
03:58representaria a verdadeira América, que defenderia os cidadãos americanos, etc.
04:04E acabou usando um discurso que ele já tem usado já há algum tempo,
04:10de muito, enfim, bastante duro com relação a imigrantes que não são imigrantes brancos europeus,
04:16notadamente imigrantes que vêm da Somália, por exemplo,
04:19que ele disse que corroem a cultura do país.
04:22Então, reforçou muito, Favali, coisas que a gente já conhecia do Donald Trump.
04:27Não me parece que trouxe muita novidade, não me parece que muda muita coisa,
04:31até porque esses discursos do Estado da União, eles eram muito importantes antigamente,
04:35quando a gente não falava do presidente um tempo inteiro,
04:37era o momento que o presidente tinha um grande palco para poder aparecer o Donald Trump,
04:41a gente fala dele o tempo inteiro.
04:42Então, acaba que o discurso do Estado da União é mais um momento que se fala do Donald Trump.
04:46Então, se você me pergunta qual foi a percepção aqui,
04:49foi uma percepção de continuidade de vida normal.
04:52Não houve absolutamente nenhum elemento nesse discurso
04:56que deve criar algum tipo de impacto político muito mais alto.
05:00Pode, agora eu vou abusar aí da sua capacidade de leitura,
05:03inclusive da política americana, da história dos presidentes.
05:07Convenhamos, fazer promessa é fácil.
05:09O senhor precisa de uma caneta, um papel em branco,
05:12o discurso, você escreve o que você fala, o que você quiser.
05:14Eu pincei alguns detalhes, foram quase duas horas de discurso,
05:17mas eu peguei aqui uns destaques que me chamaram a atenção,
05:20inclusive com esse ponto de interrogação.
05:22Como é que ele vai cumprir essa promessa?
05:24Aqui, trouxe uma expressão, há 401 mil para todos.
05:30Isso é uma expressão que está previsto em uma regra federal dos Estados Unidos,
05:35que é um apoio para os aposentados,
05:37que é um complemento do empregador, principalmente quando você é um servidor público.
05:43Isso aqui é para aposentados e pensionistas.
05:45E aí o Donald Trump fala que ele vai ter este 401, essa regra, para todos.
05:52Eu fui atrás de uma conta para saber qual é o tamanho disso.
05:55É mais ou menos algo como mil dólares complementares à aposentadoria,
06:02então, de quem deixa o trabalho por tempo de serviço.
06:0842% dos trabalhadores americanos, o que aqui nós chamaríamos de CLT,
06:13não os servidores públicos, mas os contratados por empresas privadas,
06:18não tem a contribuição do empregador nas suas aposentadorias.
06:2642% da força de trabalho nos Estados Unidos de empresas privadas,
06:31eu cheguei a essa conta aqui, são 40 milhões de pessoas.
06:35O governo, o presidente Donald Trump, está prometendo dar mil dólares para cada um.
06:39numa conta muito rasa, simples, é pelo menos 40 bilhões de dólares por ano.
06:46A questão é que o discurso do Trump para por aí.
06:49Ele não disse de onde que ele vai tirar esse dinheiro,
06:55sendo que a dívida dos Estados Unidos é crescente,
06:57o déficit primário dos Estados Unidos tem aumentado consideravelmente.
07:02Vamos trazer de novo essa questão econômica para a política,
07:05se você não tem eleições mid-turn, renovação do Congresso.
07:09Isso aqui, em algum momento, pode ser um tiro no pé do Donald Trump,
07:13ele não conseguir cumprir essas promessas,
07:15ou ele já conseguiu criar uma áurea em que o eleitor americano
07:20absorve isso como uma promessa e esquece de cobrá-lo lá na frente?
07:25Vale, esse foi um exemplo de algo que a gente viu ele fazer diversas vezes nesse discurso.
07:32O que acontece em discurso de Estado da União,
07:35que é simplesmente o presidente norte-americano é convidado pelo Congresso
07:38para prestar contas do Estado da União.
07:41Então, é uma reunião entre executivo e legislativo.
07:44O que acontece é que, muitas vezes nesse discurso,
07:47presidentes passados, eles aproveitavam para pedir ao legislativo
07:51que apoiassem legislações que o presidente, o partido presidente, estavam propondo.
07:55E muitas vezes propunha, vamos trabalhar juntos
07:57para a gente poder aprovar a legislação, etc.
07:59Donald Trump não se preocupa, ele praticamente não mencionou
08:02em aprovar legislação nenhuma.
08:04Pelo contrário, há um momento que ele fala da questão das tarifas,
08:06que tarifas que normalmente é uma atribuição do Congresso norte-americano,
08:10não do presidente.
08:11Donald Trump inverteu isso e recentemente foi negado pela Suprema Corte,
08:16o principal dispositivo que ele utilizava para isso,
08:18que a Suprema Corte diz que ele não podia usar da forma que ele estava utilizando.
08:21E o que ele falou nesse discurso foi,
08:23nós vamos achar outras formas e não se preocupe que não vai precisar do Congresso.
08:27Ou seja, ele não gosta de trabalhar com o Congresso.
08:29Donald Trump tem esse espírito de um poder unitário,
08:33ou seja, que ele tem todo o poder nas mãos dele,
08:36que o executivo teria todos os poderes.
08:38E isso não é verdade, dado que a Constituição americana
08:41limita muito o poder do executivo.
08:43E a forma que a Constituição mais limita o poder do executivo
08:46é justamente o poder chamado poder da carteira,
08:49o poder do dinheiro.
08:50Quem tem poder de criar despesas não é o executivo.
08:55O executivo executa aquilo que o legislativo determina.
08:58Quem cria despesa e quem vai dizer
09:00de onde vai sair o dinheiro para esse ou para aquele programa,
09:02isto é uma tarefa do legislativo.
09:04Donald Trump, então, faz as promessas todas
09:07para dar a impressão que ele, como presidente,
09:09pode controlar essas coisas.
09:10E não pode.
09:11Isso é o que não vai acontecer,
09:13a não ser que ele trabalhe com o poder legislativo.
09:17Se ele já tem dificuldades de trabalhar com o legislativo,
09:19tendo maioria republicana no Congresso,
09:22imagine você, Favale, o que deve acontecer
09:24a partir das eleições de meio de mandato,
09:26quando todas as pesquisas e a tendência histórica
09:31indica que os republicanos devem perder maioria no Congresso.
09:34Vai ser um Congresso que vai, vai ser um presidente
09:36que vai trabalhar menos ainda com o Congresso
09:38do que já está trabalhando.
09:39Pódio excelente, porque essa sua resposta
09:42está exatamente em linha com outro cálculo
09:45que eu fui fazer.
09:46Olha como o Donald Trump vai precisar do Congresso,
09:50embora ele diga o contrário,
09:52passa anpassã por essa relação
09:54entre Casa Branca e o Capitólio,
09:56que é o seguinte,
09:57outro destaque econômico do discurso do Estado da União,
10:01proibição a compra de residências
10:03por investidores institucionais.
10:07Coincidentemente, saiu hoje mais cedo,
10:08o mortgage americano,
10:10que é o que aqui a gente chamaria
10:11de financiamento imobiliário,
10:15é o menor em quatro anos.
10:17Isso mostra que o americano médio,
10:18principalmente da classe média baixa,
10:20está comprando menos casa.
10:22Isso é um indicador econômico muito importante
10:24nos Estados Unidos.
10:25Ontem, no discurso, ele falou o seguinte,
10:28citando um movimento que tem acontecido
10:31nos Estados Unidos, principalmente depois
10:33daquela crise imobiliária de 2008,
10:35em que grandes corporações e instituições
10:37foram comprar imóveis que foram a leilão,
10:41compraram uma taxa e num valor muito favorável ao negócio.
10:45Então, olha os números que eu encontrei.
10:48Entre janeiro e junho, primeiro semestre de 2024,
10:5115% dos imóveis disponíveis,
10:54principalmente apartamentos pequenos,
10:56que são para pessoas de uma renda menor,
10:58foram comprados por grupos imobiliários.
11:04A MetLife Investment fez uma projeção
11:09que esse número vai subir até 2030 em 40%.
11:14Corporações terão, então,
11:17o controle de 40% dos aluguéis nos Estados Unidos
11:21vão estar na mão de grandes corporações.
11:24Aí você cria um conglomerado, um cartel,
11:26e essa situação, então, surge após a crise de 2008,
11:30como eu falei, por causa dos leilões,
11:32muitos imóveis ofertados a pouco preço.
11:35Só que essa proibição que ele sugeriu
11:39precisa do Congresso.
11:41Vamos fazer um exercício de futurologia,
11:43pode-o, para 2027,
11:46passadas as eleições.
11:48Historicamente, o presidente do poder,
11:51o partido a qual ele pertence,
11:53tende a perder força no Congresso
11:57por aquela relação de checks and balances,
11:59de freios e contrapesos.
12:03Diante destas premissas,
12:05ele tendo um suposto Congresso menos republicano,
12:09como é que vai ser essa situação dele
12:11a partir do ano que vem?
12:12Vai se tornar insustentável qualquer tipo de promessa?
12:15E como é que ficam essas relações econômicas,
12:18dessas promessas que ele faz,
12:19e que vão, supostamente,
12:21ser mais difíceis de serem cumpridas?
12:24É, Favali,
12:25esse exemplo específico que você cita
12:27da questão imobiliária,
12:28de limitar a compra por investidores institucionais,
12:31esse seria um perfeito exemplo de um projeto
12:33que ele teria totais condições,
12:35fosse um presidente normal,
12:37de negociar com os democratas.
12:39É uma pauta que interessa muitos democratas,
12:42e se você tem capacidade
12:44de fazer uma articulação no Congresso,
12:45que não dependa apenas dessa visão amigo-inimigo,
12:49ou você está comigo, ou você está contra mim,
12:51ou você é 100% leal a mim,
12:52ou você é o meu inimigo.
12:54Eu vejo que ele falou sobre os juízes da Suprema Corte,
12:56que ele mesmo indicou,
12:57e que votaram contra a questão das tarifas.
13:00Ele imediatamente vira a chave e fala
13:01que eles deveriam estar envergonhados,
13:02as famílias envergonhadas, etc.
13:04Então, esse tipo de abordagem pessoal da política
13:08impede que o Donald Trump consiga trabalhar
13:11com democratas que, em alguns temas,
13:14e esse é um tema muito interessante que você citou,
13:16que esse é um tema que poderia haver uma congruência
13:18com os democratas.
13:20Isso poderia, portanto, ser importante a partir do momento
13:22em que os republicanos estão sendo projetados
13:25e perder a maioria no Congresso,
13:27ele poderia trabalhar com os democratas nesse sentido.
13:29Mas ele cria um tal clima.
13:32Ele chama os democratas de malucos.
13:34Ele fala que tudo de ruim do país é culpa dos democratas,
13:36que tem muita dificuldade em fazer qualquer tipo
13:39de iniciativa mais robusta, legislativa,
13:42junto com os democratas.
13:43E o problema disso, Favalli, é que se você faz tudo
13:46como o Donald Trump faz, com a chamada ordem executiva,
13:49ou seja, são ordens que não dependem de aprovação do Congresso,
13:52é assim que o Donald Trump governa,
13:54o problema é que se você não aprova nenhuma legislação
13:56no Congresso, essas ordens executivas,
13:58assim como elas são facilmente criadas,
14:00elas são facilmente revertidas.
14:02Qualquer presidente que vem depois do Donald Trump
14:03pode anular todas as ordens executivas dele,
14:05ou seja, ele não deixa um legado.
14:07Ele trabalha muito nessa questão do curto prazo,
14:09e, portanto, a gente não vê mudanças mais estruturais no país
14:13que seriam mudanças que passariam através de legislação
14:16no Congresso Nacional.
14:17Queria agradecer a conversa que eu tive com o professor
14:20doutor Carlos Gustavo Pódio,
14:23internacionalista, especialista em política dos Estados Unidos,
14:26leciona no Berea College do estado americano do Kentucky.
14:30Pódio, a gente ainda vai se encontrar muitas vezes ao longo de 2026
14:33por causa do Donald Trump, mid-turn elections,
14:36economia dos Estados Unidos.
14:37É sempre um prazer tê-lo aqui
14:38por causa dos seus conhecimentos precisos.
14:41Até uma próxima.
14:43Obrigado, é um prazer conversar com você.
14:44Um abraço a todos.
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