00:00Seguimos aqui no Jornal da Manhã e o debate sobre o fim da escala seis por um deve agitar o
00:05Congresso Nacional logo após o Carnaval.
00:08Acompanhe com o Matheus Dias.
00:10Com o Carnaval, a discussão do fim da escala seis por um deve esfriar um pouco.
00:15Mas a promessa é de avançar com o debate na CCJ da Câmara, já na retomada dos trabalhos do Congresso.
00:21O relator na comissão ainda não foi definido.
00:24Os defensores esperam que um parlamentar de centro assuma a função para tentar reduzir a resistência à mudança, que preocupa
00:32grande parte do setor empresarial.
00:34São dois textos que serão analisados de forma conjunta.
00:37A proposta da deputada do PSOL prevê trinta e seis horas semanais, numa escala de quatro dias trabalhados para três
00:44de descanso.
00:45O projeto de Reginaldo Lopes, do PT, também determina trinta e seis horas semanais, mas impõe que as regras sejam
00:52aplicadas ao longo de dez anos.
00:54Uma ideia que vem agradando e pode facilitar a aprovação.
00:58O Partido Liberal ainda não decidiu se vai votar a favor ou contra o projeto.
01:03Entretanto, alguns nomes do partido já se posicionaram.
01:07O deputado federal Coronel Tadeu, do PL de São Paulo, não concorda com a pauta.
01:12Na prática, é mais um projeto que não cria riqueza pior que isso.
01:18Distribui prejuízo para tudo quanto é lado.
01:20Vamos falar de uma forma bem simples aqui, do jeito que o povo não entende.
01:25Quem paga a conta no Brasil não é o governo.
01:27Quem paga a conta aqui é o empresário, é o comerciante, é o empreendedor pequeno,
01:33é aquele que abre a porta às seis da manhã e fecha às oito da noite, e o consumidor.
01:39Somos nós que pagamos impostos nesse país, gente.
01:43Governo nenhum paga imposto, coisíssimo nenhuma.
01:45Descanso sem emprego não é dignidade, é desemprego.
01:49Ao lado da base governista, a opinião é quase unânime, a favor do Planalto.
01:53A deputada federal Érica Cocay, do PT do Distrito Federal, defende que a fadiga impede a produtividade.
02:01Acabar com a jornada seis por um é a defesa da vida.
02:06O nosso tempo é nosso tempo e é fundamental que nós possamos, todos os dias, lembrar que é a vida
02:13além do trabalho.
02:15E digo isso porque as lutas históricas da classe trabalhadora,
02:19tanto a luta das mulheres que deu origem ao oito de março,
02:22quanto a luta dos operários de Chicago que deu origem ao primeiro de maio,
02:28foram lutas para a diminuição da jornada de trabalho.
02:32A deputada federal Benedita Silva, do PT do Rio de Janeiro,
02:36disse que a luta é não só pela escala cinco por dois,
02:40mas também para tentar reduzir a carga horária semanal,
02:43de quarenta e quatro horas para quarenta horas.
02:46E é contra a jornada seis por um que sobrecarrega, adoece e retira direitos.
02:53Além disso, a nossa luta visa também reduzir a carga horária das atuais quarenta e quatro horas semanais,
03:02para quarenta horas semanais, o que vai representar mais descanso, estudo, cuidado com a família e com a saúde.
03:12Trabalhar não pode significar exaustão.
03:16Se, assim como outras pautas recentes, a polarização imperar no Congresso,
03:21quem realmente vai definir a votação e se a pauta vai ou não para frente,
03:26acabam sendo os deputados que não estejam necessariamente alinhados com o PT ou o PL.
03:32No caso do União Brasil, o deputado Kim Kataguiri é contra o projeto atual, da forma em que está desenhado.
03:40Não existe solução fácil, não existe solução mágica.
03:43A gente já teve uma experiência com o mesmo discurso populista, com o mesmo discurso demagógico,
03:48na época da PEC das Domésticas, que dizia que ia garantir uma jornada de trabalho mais suave e salários maiores.
03:55E, na prática, o que aconteceu é que a maior parte delas foi para a informalidade, recebendo menos e trabalhando
04:00mais.
04:01Então, não existe PEC, não existe lei que vá fazer com que a jornada de trabalho, na prática, vá diminuir.
04:08Mesmo porque ela pode continuar existindo na informalidade.
04:10O deputado Kim Kataguiri ainda diz acreditar que esse cenário deve se estender até outubro,
04:16ser aprovado às vésperas da eleição, mas ser barrado posteriormente no Senado,
04:22como pauta tendo servido apenas, segundo o deputado, para palanque eleitoral,
04:27tanto no governo de São Paulo quanto no cenário nacional.
04:30Segundo Hugo Mota, presidente da casa, o projeto deve ser votado em maio desse ano.
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