00:00Enquanto o presidente Lula escancarou o projeto de reeleição, o campo da centro-direita
00:05ainda está dividido, mesmo com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro.
00:10E o nosso entrevistado agora no Jornal Jovem Pan é o cientista político Rubens Figueiredo.
00:16Rubens, uma honra mais uma vez te receber aqui na Jovem Pan.
00:19Fazia tempo que a gente não conversava. Boa noite pra você.
00:21Bem-vindo e obrigado por aceitar o nosso convite.
00:25Boa noite, Tiago. A honra é minha.
00:26Bom, Rubens, puxando pela sua memória, em algum momento a campanha eleitoral foi tão antecipada
00:35da forma como nós acompanhamos, num ano ainda véspera de eleição, ano anterior da própria eleição,
00:43de que forma a gente vive esse momento, como sempre com a política dividida, polarização
00:50e cada vez mais exacerbada? Rubens.
00:53Olha, Tiago, no começo do ano teve a primeira reunião ministerial, né?
01:02E aí o presidente Lula falou assim, ó, a eleição já começou.
01:05Então, em janeiro de 2005, o governo já sinalizava que a eleição já estava acontecendo
01:13sendo que tudo que o governo fizesse seria com vistas à eleição.
01:20E nós tivemos um ano extremamente dinâmico, né?
01:25O que é totalmente atípico, porque nós tivemos uma sequência de acontecimentos.
01:32Olha só, teve a taxação do Trump, que é uma coisa que nunca aconteceu.
01:39Tivemos julgamento do Bolsonaro, nós tivemos a condenação do Bolsonaro, tivemos aquela
01:45CPI das Betes, tivemos a questão do INSS, tivemos uma votação da redução dos impostos.
01:55Então, foi um ano muito cheio de mega acontecimentos e com reações muito fortes do governo.
02:02E agora, recentemente, na semana passada, aconteceu a última reunião ministerial do ano.
02:11E a toada é a mesma, o governo falando que foi um ano bom, que o Brasil está bem,
02:18que defendendo pautas populares, né?
02:21Vai, certamente, vai abrir o saco de bondades aí, para que chegue mais forte o governo na eleição de novembro.
02:33Vou chamar o Cristiano Vilela para participar aqui da nossa conversa com o Rubens Figueiredo.
02:37Vilela.
02:40Rubens Figueiredo, boa noite.
02:42Satisfação falar com você aqui na Jovem Pan.
02:44Nesse contexto, que o Thiago colocou bem, falando sobre as eleições de dois mil e vinte e seis,
02:49nós temos ali o nome da reis no campo de oposição, que é o do senador Flávio Bolsonaro.
02:57Na sua avaliação, é um nome que veio para ficar?
03:00E, nesse sentido, é o nome que o presidente Lula está pedindo para o Papai Noel
03:05como o nome para que seja o seu adversário no ano de dois mil e vinte e seis?
03:10Boa noite, boa noite, Cristiano.
03:15Olha, a eleição vai ser uma eleição da rejeição, né?
03:21Então, você tem aí o Lula, ele tem uma rejeição de cerca de quarenta e cinco por cento.
03:30E a gente tem que entender que o Lula está nos meios de comunicação todos os dias,
03:35fazendo bondade, reagindo, falando em nome do Brasil.
03:40Então, é um candidato que tem uma exposição altíssima.
03:44E, do outro lado, você tem uma série de pré-candidaturas.
03:50Agora, o Flávio Bolsonaro saiu como o possível candidato.
03:56E esse conjunto de pré-candidatos tem aí entre trinta e oito, quarenta e dois por cento,
04:06que representa um eleitorado que é contra o Lula.
04:12Você perguntou se é o candidato dos sonhos do Lula, é o Flávio Bolsonaro.
04:17Eu acredito que quanto mais bolsonarista for o candidato da oposição ao Lula, melhor para o Lula.
04:25Porque o Bolsonaro também, o bolsonarismo também tem uma rejeição muito alta.
04:31E se você tiver um quadro, Lula, um candidato que represente a família Bolsonaro.
04:39E um outro candidato aí que represente, vamos dizer, uma direita mais...
04:45Que come com talheres, né?
04:46Uma direita mais racional, uma direita mais educada, menos radical.
04:53Esse terceiro nome não iria para o segundo turno.
04:57Porque hoje as pesquisas mostram com toda a clareza que o segundo turno será
05:03entre Lula e um candidato que esteja ligado ao Bolsonaro.
05:08Se você não tiver uma chapa que contemple algum novo da direita,
05:13mais a da família Bolsonaro, quem vai para o segundo turno,
05:17certamente é um candidato da família Bolsonaro.
05:22Então é um quadro que interessa para o Lula, como você apontou.
05:25Rubens, dentro dessa discussão, tem um ponto, é saber se existe força dentro da direita
05:33sem um candidato da família Bolsonaro.
05:36E eu já te pergunto sobre o governador Tarcísio de Freitas.
05:39Você acha que a situação dele nesse momento é muito complicada?
05:43Porque por mais que ele tente nacionalizar o discurso
05:47e sendo leal ao próprio Jair Bolsonaro,
05:51ele não tem muito o que fazer porque ele tem o período da descompatibilização
05:56que é fim de março, começo de abril.
05:59Se até lá o senador Flávio Bolsonaro estiver mantendo a pré-candidatura,
06:04ele não vai ter como sair porque vai acontecer o que você falou.
06:07Vão os dois para um primeiro turno e divide esse campo, não é?
06:12É, você não tem a dúvida.
06:16Qualquer um, vamos supor, qualquer um de nós três aqui
06:20que fôssemos para o segundo turno com o Lula
06:24seríamos candidatos fortes por representar a oposição ao Lula.
06:32Tudo indica que o governador Tarcísio tenha uma reeleição.
06:38Não existe eleição fácil, né?
06:41Mas que tenha uma reeleição aí com alguma consolidação de chance
06:47e que se ele sair para bater chapa com um candidato da família Bolsonaro,
06:53ele provavelmente, as pesquisas mostram isso também com muita clareza,
06:59não iria para o segundo turno.
07:00E uma coisa que eu falo, Tiago e Cristiano,
07:05o bolsonarismo, ele não está apoiado no vácuo, né?
07:10Ele não se sustenta no ar.
07:13Ele representa o conjunto de valores, de atitudes e de comportamentos
07:18de uma parcela expressiva da sociedade brasileira.
07:25Então, você tem esse campo bastante consolidado.
07:31Nós estamos vivendo uma época que até sandália havaiana
07:34vira uma questão ideológica, né?
07:37Então, é um tipo de polarização muito forte
07:42que nada indica que irá arrefecer daqui para frente
07:47e que certamente serão aí os dois grandes eixos da campanha.
07:52Nesse contexto, ou o Tarciso faz um acordo
07:55para ter um vice da família Bolsonaro,
07:58ou dificilmente ele teria a chance de ir para o segundo turno
08:03caso tenha uma candidatura aí solo.
08:06Vilela, mais uma pergunta?
08:09Pô, bem, Zé, aproveitando o contexto,
08:12analisando o posicionamento de Tarciso de Freitas, né?
08:16Eventualmente candidato à reeleição,
08:18eventualmente candidato ao presidente,
08:20no contexto dele ir para a reeleição,
08:23dele ser um candidato à reeleição,
08:24naturalmente é um nome mais forte, né?
08:27Larga na frente, larga com uma boa expectativa de vitórias.
08:31E, por outro lado, o grupo alinhado ao governador,
08:34ao presidente Lula, perdão,
08:36não tem um nome efetivo para essa disputa aqui em São Paulo.
08:40Se fala, talvez, em Fernando Haddad,
08:43mas o próprio ministro Fernando Haddad já se mostrou contrário,
08:47não interessado em sair candidato aqui no Estado.
08:50Na sua avaliação, seria o momento do presidente Lula,
08:54talvez, mexer um pouco no balaio,
08:56tentar, talvez, trazer, talvez, um nome novo,
08:59uma Érica Hilton, uma Tabata Amaral,
09:01enfim, algum nome que, de alguma forma,
09:03pudesse mudar um pouco o paradigma da disputa política,
09:08ou, efetivamente, vale a pena trabalhar com o Fernando Haddad
09:12para que, pelo menos, uma eventual derrota da esquerda
09:16não seja uma derrota tão grande
09:18e que isso acabe não gerando dificuldades
09:22no cúmputo total de votos
09:23que vão ser analisados do ponto de vista
09:26da eleição de presidente em âmbito nacional.
09:30Olha, a impressão que eu tenho,
09:33e acho que vocês, como ótimos observadores,
09:36analistas da cena política devem estar percebendo,
09:41é que o PT está dando uma guinada à esquerda, né?
09:45Você tem aí, como dois grandes porta-voz do partido,
09:53você tem o Zé Disseu e o João Paulo Cunha.
09:56Se você for analisar a parte política do governo,
10:01você tem o Lindenberg Faria,
10:03que não é exatamente uma figura de articulação,
10:08é alguém mais de combate,
10:10você tem a Gleisi Hoffmann,
10:12e você tem agora o Guilherme Boulos como ministro.
10:18Então, o PT está preparando uma tropa de choque,
10:22eu acho que vai ser uma campanha muito agressiva do PT
10:29e a julgar pelo discurso aí que o Lula fez
10:32nessa última reunião ministerial,
10:37eu acho que vai ser mais PT do que sempre foi.
10:43Eu tenho essa nítida sensação
10:46analisando aí os movimentos recentes do partido.
10:50Ô, Rubens, deixa eu,
10:52pra gente encerrar nossa conversa,
10:54fazer uma pergunta, claro,
10:55sobre o Congresso Nacional,
10:56que também esteve aí no centro das atenções,
10:57todas as pesquisas indicando
11:01que a população rejeita,
11:03a maioria rejeita o Congresso,
11:05dizendo que os parlamentares
11:07só legislam em causa própria,
11:10e o presidente da Câmara,
11:12o Gumoto, entrou aí na Berlinda
11:13nessas últimas semanas
11:15com os casos dos parlamentares
11:18que tomaram o próprio parlamento,
11:22fizeram greve de fome,
11:23e, inclusive, recentemente,
11:27a gente teve cassação de parlamentares também,
11:29cassação não,
11:30eles perderam mandatos
11:31por causa da situação
11:33como o Eduardo Bolsonaro
11:34e Alexandre Ramagem.
11:36A visão do Congresso Nacional,
11:38será que teremos uma renovação
11:39pro ano que vem
11:40ou é muito difícil saber ainda?
11:41Olha, por incrível que pareça,
11:46o Congresso Nacional tem uma renovação,
11:49eleição pós-eleição,
11:51bastante razoável.
11:56O que eu entendo é que
11:58o Congresso Nacional,
12:01a possibilidade de renovação,
12:04não é o julgamento
12:05do conjunto da obra do Congresso Nacional.
12:09Ela é um julgamento
12:11da atividade parlamentar
12:15de cada um dos deputados
12:17e senadores.
12:20Nesse sentido,
12:22os deputados e senadores
12:24com as emendas
12:25nunca tiveram tão fortes, né?
12:28Você tem uma quantidade,
12:30cerca de 24%
12:33dos recursos discricionários
12:37do orçamento nacional,
12:40eles são destinados
12:43pelos parlamentares.
12:45Isso dá uma força monumental
12:47para esse conjunto de candidatos
12:50que, além de terem
12:53essa possibilidade
12:56de direcionarem recursos
12:57do orçamento,
12:58também vão ter um quinhão
13:01bastante expressivo
13:03do orçamento partidário,
13:08do orçamento eleitoral.
13:10Então, eu acho que são
13:11candidatos muito fortes
13:13e, na minha opinião,
13:15o Congresso deve ter
13:17uma reeleição
13:20ponderável
13:22e também vai ter
13:24um grau de oposicionismo,
13:27caso o presidente Lula Selenja,
13:29maior do que a gente tem hoje,
13:33principalmente no Senado, né?
13:35Você vai ter
13:36um time expressivo
13:39do bolsonarista
13:40disputando o Senado
13:42nas eleições do ano que vem.
13:44Cientista político
13:45Rubem Sigueiredo,
13:47olha, muito obrigado
13:47como sempre
13:48pela sua atenção
13:49com os nossos espectadores
13:51aqui da Jovem Pan.
13:52Um bom Natal para você,
13:53um excelente ano
13:54e volto sempre,
13:55está sempre convidado.
13:56Um abraço.
13:57Obrigado.
13:58Obrigado.
13:59Obrigado.
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