00:00A cultura de solidariedade no Brasil é amplamente reconhecida em todo o mundo.
00:05O país é um dos mais engajados em ações voluntárias e doações na América Latina.
00:12Essa característica é frequentemente atribuída à diversidade cultural
00:17e ao forte senso de comunidade que permeia as nossas diferentes regiões.
00:23As organizações da sociedade civil são as principais catalisadoras de recursos
00:28para o nosso ecossistema filantrópico.
00:32Em 2024, as doações de pessoas físicas totalizaram R$ 24,3 bilhões
00:39e se transformaram em ações na saúde, educação e assistência social.
00:45Acompanhe no documento Jovem Pan de hoje como a solidariedade
00:49é uma ferramenta poderosa de transformação no nosso país.
00:53A primeira coisa que a gente tem que lembrar é que o doador, ele é...
01:01A gente tem que pensar, sabe assim, quando a pessoa fizer uma analogia,
01:04igual, você conhece alguém hoje, hoje você está se conhecendo,
01:08então você olhou, pensou em doar, talvez.
01:11Então você pensou em se relacionar, nossa, aquela pessoa interessante,
01:14o outro pensa.
01:16Aí você sai uma vez, você fez sua primeira doação.
01:19Você até colocou ela na recorrência.
01:21Agora, para esse relacionamento ficar firme e duradouro,
01:26virar um casamento, aí completar, né?
01:29Bondas de prata, bondas de ouro, etc.
01:32Eu brinco aqui, no meu trabalho, a gente fala,
01:34quando a gente vai pedir uma doação, a gente fala que a gente quer
01:36que a pessoa doe até 98 anos de idade.
01:39Então, porque essa é a ideia, né?
01:41Do longo prazo.
01:42Mas para que isso aconteça, certo?
01:45Você tem que...
01:46Você não vai ter que cuidar desse relacionamento.
01:49Você não vai ter que olhar para essa pessoa, né?
01:52E fazer essa troca, né?
01:55Você vai ter que entregar valor para ela.
01:57Porque se você, a partir do momento que ela se desencanta com você,
02:01o que acontece?
02:03Arruma outro e vai embora, né?
02:05Então, com um doador é a mesma coisa.
02:08A gente tem que pensar,
02:09o que fez esse doador fazer essa primeira doação?
02:13O que encantou ele?
02:14Como é que eu mantenho essa pessoa encantada?
02:16O que esse doador espera, né?
02:19Da minha organização, da minha causa?
02:21Como é que eu me conecto com ele?
02:24Então, como é que essa conversa vai acontecer?
02:27O que é que eu tenho que entregar para ele?
02:29Então, não é tão simples assim.
02:32Você convidou o doador para doar, ele começou a doar mensalmente,
02:35você deixa ele ali e fala muito obrigado e está tudo bem.
02:38Entendeu?
02:38Você tem que desenvolver esse relacionamento.
02:41Você tem que pensar no doador quando você vai fazer essa comunicação.
02:46Você tem que saber, você tem que buscar quais são as histórias que se conectam com esse doador ou com essa doadora.
02:54Ele é um trabalho intenso de dia a dia e que você nunca vai parar.
02:58E ele tem que ser muito bem feito para que a pessoa continue.
03:02O ideal não é só que ela continue.
03:05É que ela continue e convide as amigas e os amigos para se juntarem a ela.
03:09Então, que elas virem embaixadores da sua causa, da sua organização.
03:15Então, ele é um processo.
03:17Eu falo assim, eu não conheço ninguém que acordou hoje e falou, hoje eu vou doar.
03:27Você conhece alguém?
03:28Eu não conheço ninguém.
03:31Acordei hoje e falei, hoje eu vou doar.
03:32Só tem um momento onde a pessoa acorda e pensa isso.
03:38É quando acontece uma emergência.
03:40Porque você está sendo impactado em tantos lugares.
03:42Então, mesmo que você não receba um pedido de doação, você está vendo a tragédia em vários lugares.
03:51A gente pode falar das enchentes no Rio Grande do Sul.
03:54A gente pode ter terremoto, tsunami.
03:57É aquilo que você vê a tragédia.
03:59Você sente e você olha e fala assim, eu não queria passar por isso.
04:02Tem pessoas passando por isso e você se relaciona dessa forma.
04:06E aí você ativamente busca algum lugar para você doar.
04:10Então, você pode ser impactado e responder ou você mesmo busca.
04:14É a única hora que você, de verdade, você tem um grande número de pessoas que vão atrás para poder ajudar.
04:22E na pesquisa do IITS mostra que mais de 60% das pessoas que doaram na emergência,
04:30elas tinham interesse em continuar doando para a organização.
04:33Agora, para que isso aconteça, a organização tem que estar preparada para fazer essa oferta de continuidade.
04:42De mostrar como é que o recurso foi utilizado.
04:46Porque se a gente for analisar, as pessoas doam pela emoção.
04:51Então, você se conecta emocionalmente.
04:54E você vai precisar continuar conectada emocionalmente.
04:57Mas a garantia da continuidade real, você tem que olhar o impacto, o resultado, o que é que está acontecendo.
05:06A transparência, ver que o seu dinheiro está sendo um recurso que você doou.
05:12Está sendo bem investido, que tem resultado.
05:14Então, você tem que juntar todos esses fatores para que a pessoa continue engajada com a causa,
05:22que ela continue doando e que ela continue tendo orgulho de fazer parte daquele movimento.
05:32O cenário da doação no Brasil está em plena transformação.
05:36Embora o brasileiro seja reconhecidamente solidário e movido pela empatia imediata,
05:44um amadurecimento no comportamento de quem doa pode ser observado.
05:48É o que aponta a CEO do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Paula Fabiani.
05:57O brasileiro, ele é solidário, mas ele ainda é mais emotivo na sua doação.
06:04Então, ele doa numa emergência, ele doa para aliviar um sofrimento.
06:09Mas a gente já vê avanços no comportamento do brasileiro, no sentido de ser um pouco mais estratégico
06:16e procurar melhor escolher as suas causas e escolher informações sobre as organizações antes de doar.
06:24Então, nessas quatro pesquisas que a gente tem, a gente vê uma evolução,
06:27com a maioria dos doadores afirmando escolher com cuidado as causas e as organizações.
06:33Mas aí, acima de 80% desses doadores preocupados, tá?
06:38Um outro dado que preocupa é que 49 já deixaram de doar após notícias negativas.
06:45Então, mostra aí o papel da mídia e o papel, né, quer dizer, dos meios de comunicação,
06:52com impacto muitas vezes até negativos em relação à prática de doar.
06:57Mas a gente vê também, né, que tem, ainda temos um espaço para aumentar o engajamento do brasileiro
07:07na doação recorrente, porque as organizações, elas precisam de dinheiro todo mês, né,
07:11elas precisam de dinheiro recorrente, principalmente aquelas que atuam de forma, né, contínua.
07:18Não estou falando tanto das emergências.
07:20Mas a gente tem menos de metade da população, 49, que tem o hábito de doar para as mesmas instituições todos os anos, né?
07:28E esse número caiu, em 2015 era 69%.
07:32E aí a gente espera até com o PIX recorrente, que agora é possível, né,
07:36de você poder cadastrar o PIX de forma recorrente, e em 2024 isso não era possível,
07:42que a gente possa também aumentar essa fidelização do brasileiro com algumas organizações, né?
07:48Que acho que essa recorrência da doação, ela é muito importante para a manutenção das organizações
07:53e também para você ter uma cultura de doação realmente efetiva.
07:57O World Giving Report de 2025, que é um estudo publicado pela Charity State Foundation,
08:15esqueci de falar que o ITS representa, né, a CAF, a Charity State Foundation,
08:19por isso que a gente divulga esse relatório,
08:21ele mostrou como o Brasil, ele está ali entre, né, uma posição mediana em relação ao mundo na prática da doação.
08:31Porém, o que ele mostra também é que, vamos dizer, em termos de percentual da renda,
08:37a gente, se a gente olhar para países europeus, o Brasil está melhor.
08:41Mas aí, em relação a países africanos, a gente está pior, né?
08:46E estamos ali pertinho em relação à renda, em relação aos Estados Unidos.
08:50Mas, quando a gente olha para o perfil dos milionários, o Brasil tem, é o número 25 no ranking de milionários,
08:57ou seja, é o 25º país com o maior milionário no mundo.
09:01E quanto que esses milionários estão doando?
09:03É aí que a gente vê uma diferença, né?
09:05Quanto nos Estados Unidos, a prática da filantropia, a prática da doação,
09:09é algo muito comum entre os mais privilegiados, esses com muitos recursos,
09:14aqui no Brasil, a gente não tem essa cultura tão desenvolvida nas famílias de alto patrimônio.
09:20Eu acho que aí tem um espaço para a gente trabalhar.
09:22E tem aí questões culturais, né?
09:25Com países de anglo-sacção, eles têm essa visão muito positiva da filantropia e é cobrado, né?
09:32Quem ganha muito, quem tem muito, ele tem que devolver para a sociedade.
09:35A Associação Médicos do Mundo, fundada há mais de uma década,
09:43é uma iniciativa filantrópica privada com o objetivo de promover o atendimento de saúde
09:50às pessoas e aos animais em situação de vulnerabilidade social,
09:56conforme relata o veterinário e voluntário da Médicos do Mundo, André de Geroni.
10:02Nós fazemos, uma vez por mês, é o nosso principal trabalho.
10:09A gente vai até o centro de São Paulo e monta como se fossem hospitais e escolas,
10:15tanto um hospital humano quanto um hospital veterinário, né?
10:18E fazemos o atendimento dos vulneráveis.
10:22Com isso, a gente...
10:26A pessoa passa por um atendimento, passa por uma triagem, né?
10:30Com os alunos da enfermagem, que são tutorados pelos profissionais já formados.
10:37Com isso, eles são encaminhados para várias áreas que a gente tem também nessa ação, né?
10:41Pode ser para o médico, para fazer curativo, para fazer testes.
10:47A gente trabalha com testes rápidos de hepatite, covid, beta-HCG, né?
10:53Para ver se a pessoa está grávida, entre diversos.
10:57Temos também atendimento com fisioterapeutas, biomédicos.
11:02Então, assim, toda a área que, quando a gente consegue ir para a ação,
11:05a gente procura levar para esse atendimento.
11:08Quando são procedimentos que não são possíveis de serem feitos na rua,
11:17nós encaminhamos para o sistema público, né?
11:21Já vai... Já pré-triado, né?
11:23Com esse primeiro atendimento.
11:26E, dependendo da nossa filial, né?
11:28A gente está em sete cidades aqui no Brasil.
11:31A gente tem parcerias com a própria prefeitura e ele já entra direto nesse atendimento.
11:38Se disser de alguma coisa mais específica, uma cirurgia,
11:41uma medicação que nós não tenhamos na hora.
11:45Então, assim, tem muitos que a gente faz o atendimento,
11:47às vezes até controle aí de doenças.
11:51Acompanhamos até a gente tem ginecologista, pediatra.
11:55Então, a gente até acompanhou já a gestação de algumas mulheres.
11:58Então, elas já... O pessoal já sabe, já conhece como é que funciona a ação.
12:04Às vezes, a gente chega lá e já tem até a fila feita.
12:17A gente recebe, principalmente, são pessoas físicas que fazem doação.
12:23Às vezes, a gente consegue alguma doação de alguma empresa
12:26da área de saúde, farmacêuticas, mas são bem pontuais.
12:31Então, a gente está sempre precisando correr atrás dessa ajuda, né?
12:37Ela é bem flutuante.
12:39Por isso que, assim, nas nossas ações,
12:40eu não consigo sempre dar uma certeza do que a gente vai ter nela.
12:44A gente costuma ter a maior parte,
12:46mas ela não é 100% constante.
12:50Hoje, a gente tem, assim, a subpreventura em São Paulo consegue liberar a gente
13:01para fazer essas ações, mas, assim, é uma estrutura de uma empresa mesmo.
13:07A gente está sempre correndo atrás de pessoas para fazer toda a parte fiscal.
13:11A gente precisa ter gente para os trabalhos, os voluntários também.
13:15A gente, quanto mais a gente tiver, melhor a gente consegue fazer esse trabalho, né?
13:21Tanto profissionais quanto os estudantes.
13:24A ajuda financeira também, que a gente precisa...
13:28Algumas...
13:29A gente precisa ter uma ambulância presente,
13:32a gente precisa ter ajuda para a segurança.
13:36Então, às vezes, a gente tem alguns serviços que são pagos.
13:40E a quantidade de pessoas aí, animais em situação de rua, né?
13:44Eles mesmos...
13:46É um volume muito grande, né?
13:48A gente brinca que o ideal seria a gente não ser necessário.
13:51Porque daí a gente não teria o problema.
13:53Esse que é o principal ponto da...
13:58É acabar com o problema.
13:59Porque a gente sabe que não vai, mas a gente tenta atenuar ao máximo.
14:02E o que ajudando um indivíduo já faz parte do que a gente corre atrás.
14:10Em época de pandemia, o nosso atendimento, no domingo,
14:22das mais ou menos 10 horas da manhã até as 14 horas da tarde,
14:26a gente chegou a fazer 400.
14:29Hoje, a gente gira em torno ali de 60 a 80 atendimentos por ação.
14:36Na Cracolândia, que a gente faz também alguns sábados aí uma vez por mês também,
14:43é também por volta disso.
14:45Por volta de 60, 70 atendimentos, dependendo do mês.
14:51Como o atendimento é feito na rua,
14:53então a gente depende muito, inclusive, até do tempo.
14:56Então, dá uma variada boa.
14:59E aí
15:05E aí
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