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Depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram versões diferentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília. Os relatos vieram a público após o ministro do STF Dias Toffoli derrubar o sigilo do caso.

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Transcrição
00:00direto para Brasília, porque Daniel
00:01Vorcar, o dono do Banco Master e o
00:04ex-presidente do BRB, o Paulo Henrique
00:05Costa, apresentaram versões
00:07diferentes sobre as carteiras
00:09vendidas ao Banco de Brasília.
00:12Os depoimentos foram divulgados após
00:14o ministro Dias Toffoli do STF
00:16derrubar o sigilo desse caso.
00:18A Janaína Camelo está ao vivo conosco
00:20diretamente de Brasília e vai trazer
00:21todos os detalhes e é claro também
00:23nas janelas repercussões
00:25desses depoimentos.
00:27Seja bem-vinda, uma boa tarde pra você,
00:29uma excelente sexta-feira.
00:34Muito boa tarde pra você
00:36também, Cassius, pra todo mundo aqui
00:37do 3 em 1. Ótima
00:40sexta-feira pra todo mundo.
00:41Pois é, depoimentos que estão sim repercutindo
00:44bastante, né, depois dessa decisão
00:45do ministro Dias Toffoli de retirar
00:48o sigilo. Depoimentos que aconteceram
00:50só pra explicar no final do ano passado
00:51a Polícia Federal, depoimentos de
00:54Daniel Vorcar, o dono do Banco Master,
00:55Paulo Henrique Costa, ex-presidente
00:57do BRB, os dois são investigados
00:59no caso do Banco Master e também
01:01depoimento de Ailton Jaquino, diretor de fiscalização
01:03do Banco Central. Ele não é investigado,
01:06mas foi exigido pelo ministro Dias Toffoli
01:09que ele prestasse depoimento.
01:11Então, tudo isso aconteceu no final do ano passado
01:13e agora a gente teve acesso.
01:15E aí, Cassius, essas divergências aí foram
01:17apontadas sobre a origem dessas carteiras
01:20de crédito, né? Carteiras de crédito que foram
01:22vendidas pelo Banco Master ao BRB, não confiáveis,
01:26sem lastro, foram vendidas, foram pagas pelo Banco Master
01:31a Tirreno Consultoria. Então, era uma empresa
01:34de terceira, né, a origem dessas carteiras
01:37de crédito. Então, o conflito ali na versão dos dois é
01:42em que momento que o BRB soube que essas carteiras
01:44de crédito não eram confiáveis, né? O Banco Master
01:48vendeu a doze bilhões, o custo ali que o BRB
01:50teve com essas carteiras de crédito foi de doze
01:53bilhões de reais. Então, considerado uma operação
01:55ali fraudulenta. E aí, Paulo Riquens Costa,
01:59desse depoimento, disse o seguinte, que até o momento
02:02não há nenhuma evidência, o BRB não viu nenhuma
02:05evidência de que essas carteiras de crédito tinham
02:07problemas, que não há ainda nenhuma clareza
02:10de uma possível fraude. Já Daniel Vorcaro
02:14falou o oposto, disse que desde o início
02:16tratou ali nessas negociações, afirmando
02:20que eram carteiras de crédito de terceiros
02:24que tinham sido compradas dessa empresa,
02:27da Tirreno Consultoria. Foram depoimentos
02:29que aconteceram em separado e também
02:32uma careação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique
02:35Costa. A gente separou um trecho, Cassius,
02:38do depoimento de Daniel Vorcaro, a delegada
02:41da Polícia Federal, que ouviu essa oitiva ali
02:44naquela ocasião, a Janaína Palazzo. Tem ali
02:47também na audiência, participa ali um
02:49representante do Ministério Público Federal.
02:51E ali está então Daniel Vorcaro com seus
02:53advogados. A gente vai ouvir agora.
02:55A gente vinha planejando uma mudança de
02:59rota ali no final de dois mil e vinte e quatro
03:01em razão de diversas questões que estavam
03:02acontecendo, mercadológicas de mudança de
03:05regulação que aconteceram, que pressionaram
03:07os canais do banco de distribuição. Então,
03:10naquele momento ali, no final do ano de
03:13dois mil e vinte e quatro, início do ano
03:15de dois mil e vinte e cinco, a gente estava
03:16num planejamento novo, que já seria um
03:19negócio que a gente estava engendrando com
03:21o banco BRB. Então, nesse momento, na decisão
03:25de expandir a nossa originação e de trazer um
03:29portfólio maior do que a gente tinha e que a gente
03:32vinha trabalhando nos últimos meses, foi trazido
03:35esse negócio. Na época, não sabia nem o nome
03:38Tirreno, na verdade, eram as pessoas, que eram
03:41pessoas que tinham experiência de mercado, que
03:43já tinham trabalhado com banco, que já
03:44trabalhavam com banco e queriam trazer um
03:47volume para a gente poder aumentar o volume
03:49nessa nova fase que a gente teria com o BRB.
03:55E aí, Cássio, para tentar ressarcir o BRB,
03:58Daniel Vorcaro disse que repassou vários
04:00ativos do banco, o Banco de Brasília, mas
04:04ativos com uma liquidez muito baixa, que não é
04:06possível ali transformar em dinheiro
04:08imediatamente, né? Só também para destacar o
04:11depoimento de Ailton de Aquino, ele disse nesse
04:14depoimento à Polícia Federal que viu falhas na
04:17política de governança do BRB, que não
04:20identificou o risco dessas carteiras de
04:22crédito. Cássio.
04:24Ô, Genena, continua conosco porque eu quero te
04:27ouvir sobre o Daniel Vorcaro. Ficou muito
04:28claro neste depoimento que ele deu, né, para a
04:31Polícia Federal, inclusive, né, nas dependências do
04:34Supremo Tribunal Federal, essa conexão, pelo
04:37menos, ele acabou minimizando essa conexão com a
04:39classe política e acabou citando apenas o nome do
04:43governador do Distrito Federal, Ibanez Rocha,
04:45sobre a compra do Banco Master pelo BRB.
04:48Traz mais detalhes, bem, sobre essas citações e
04:51essas conexões que ele fez com autoridades
04:53políticas.
04:53Pois é, ele foi questionado pela delegada sobre essas
05:00relações políticas dele. Ela perguntou se ele tratou
05:03sobre a venda do Banco Master pelo BRB com o
05:05governador do Distrito Federal, Ibanez Rocha.
05:07Daniel Vorcaro respondeu que sim, que em mais de uma
05:09vez, na residência do governador, também na casa
05:12dele, na mansão dele aqui em Brasília. E aí, sobre as
05:15relações políticas, ele diz que conhece políticos dos
05:19três poderes, de todos os poderes, mas que nunca pediu
05:22ali algum favor pra facilitar essa operação do BRB e do
05:26Banco Master e diz que tratou com Ibanez Rocha sobre a
05:29compra apenas assuntos técnicos. A gente vai ouvir esse
05:33trecho também.
05:34Se eu tenho tantas relações políticas, como estão
05:38dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses
05:42políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada e
05:45não estaria aqui de tornozeleiro, não teria sido preso e
05:47estava com a minha família sofrendo o que a gente está
05:49sofrendo. Então, acho que, primeiro, vale a pena
05:51considerar isso. Segundo, o negócio com o BRB, ele foi
05:55construído tecnicamente dentro do Banco Central, como eu
05:58disse anteriormente. E aí fica a frustração minha, porque
06:02não era pra gente estar aqui nessa sala e com essa
06:04exposição toda por um país, porque o prejuízo no final não
06:07foi só meu, foi do sistema financeiro. Até o dia 17 de
06:10novembro, todos os investidores do Banco Master estavam
06:12recebendo em dia. Não teve facilitação política. Eu tive com
06:16governador, sim, algumas vezes, porque ele era um controlador
06:19indireto, mas não teve nenhum tipo de questão tratada nesse
06:25caso do BRB que não fosse técnica. Talvez no Brasil, se não fosse
06:30assim, eu não estava aqui e teria dado certo. Acho que a conclusão
06:33desse negócio é a maior prova disso.
06:35Pois é, Cássio, só lembrando que Manês Rocha é alvo de alguns
06:43pedidos ali de impeachment da oposição a ele aqui no
06:46Distrito Federal, foram apresentados na Câmara
06:48Legislativa aqui do Distrito Federal, também um pedido da
06:51oposição a Manês Rocha foi protocolado de uma ação contra
06:54ele, foi protocolado no STJ, tá? No Superior Tribunal de
06:57Justiça também, ali a oposição dizendo que o governador tem
07:02conduzido o BRB pra realizar caprichos dele, caprichos
07:05próprios, não ali justificando a missão institucional do
07:09banco. Cássio. Perfeito, Janeira, muito obrigado pelas
07:13informações. Gente, inclusive esse caso envolvendo o Banco
07:16Master, há muitas pontas soltas, há perguntas que não foram
07:19respondidas. Neste próprio depoimento, né, essa
07:22cariação feita entre Daniel Vorcário e também o
07:25presidente, esse agora presidente, né, afastado do BRB, o
07:28Paulo Henrique Costa, há muitas divergências, por isso eu
07:31queria falar agora com o Zé Maria Trindade, Zé, porque
07:34querendo ou não, a gente sabe que esse conteúdo era muito
07:36importante pra gente ter acesso, tentar entender o que
07:39tava acontecendo nos bastidores lá dentro do Supremo Tribunal
07:42Federal, mas do outro lado, a quebra desse sigilo e a
07:46divulgação desse material traz na sua visão um certo alívio
07:49pra dentro da Suprema Corte?
07:52E, eh, está com um grande problema e um problema sério de
07:56credibilidade, né? O Supremo Tribunal Federal se
07:59transformou numa grande vitrine e o presidente do Supremo, o
08:03ministro Edson Fachin, está entendendo muito bem esse
08:06problemão. Olha, esse caso do Banco, eh, do Banco Master é uma,
08:13é, é, é, é o problema da vez, né? É o escândalo da vez. E ele,
08:19aqui no, no Distrito Federal, Comunidade Federativa, ele é muito
08:23mais grave, porque ele atinge o BRB, o Banco Regional de
08:27Brasília, que é um avisar, uma dessas coisas estranhas ainda, que
08:31é um banco estadual. No Proé, feito por Fernando Henrique, os
08:35estados com problema lá, com bancos e tal, acabaram privatizando os
08:40bancos. Eram usados como extensão do orçamento do
08:44estado. Então, o estado de São Paulo tinha o seu banco, Minas
08:46Gerais tinha três bancos, cada estado tinha o seu banco e isso
08:50acabou. Hoje, eu acho que tem três bancos estaduais, né? Acho
08:55que tem o Rio Grande do Sul, tem um, Brasília tem o BRB, não
08:58precisa, não precisa mais. O BRB já alavancou o crescimento daqui
09:04do Distrito Federal, mas veio sendo usado como extensão do
09:08orçamento até para corrupção. A gente viu claramente vários
09:12problemas do BRB, mas sem dúvida nenhuma, o mais alto problema é
09:17esse. O BRB entubou ali 16 bilhões de reais, recebeu alguns ativos e
09:23tal, fala-se hoje em 5 bilhões de reais. Isso é muito dinheiro, mesmo
09:29para o orçamento daqui do Distrito Federal. Então, é um problemão
09:33político e econômico do Distrito Federal, que envolve o governador, o
09:38governador Ibanez Rocha, que pode nem ser candidato ao Senado diante
09:43disso aí e prejudicar, inclusive, a candidatura da vice-governadora
09:47Celina Leão. Nacionalmente, se transformou num problemão diante
09:51disso aí. Agora aí, todo mundo, ah, não vi, ah, colocaram isso aí, quem foi
09:56que colocou isso aqui. A gente vê esses depoimentos, parecem santos, vítimas, mas
10:02não sabem ou deveriam saber. O presidente de um banco do tamanho do BRB, que
10:09financia clubes de futebol, financia corridas de automóvel, não poderia ser
10:15um inocente ao ponto de não conhecer um banco que todo mundo conhecia. O mercado
10:20inteiro sabia que ele estava alavancado, os sinais eram claros. Então, esses
10:24depoimentos aí, são, na verdade, defesa e dos desentendidos. É a fase que eles
10:30ficam surpresos com tudo. Ah, mas era assim?
10:35Com certeza, viu, Zé Maria Trindade. Inclusive, Fábio Piperno, durante este
10:39depoimento de Daniel Vorcar, ele citou apenas o nome do governador do Distrito
10:44Federal, o Ibanez Rocha, acabou minimizando esses contatos, inclusive ele acabou
10:48dizendo mesmo, se ele tivesse aproximação política, não estaria naquele momento
10:52prestando depoimento, não estaria usando tonozeleira eletrônica, nem mesmo
10:56estaria preso. Mas o grande desafio, na sua visão dos investigadores, é
11:00estabelecer essas conexões de Daniel Vorcar com a classe política, porque ele
11:04tem relações pluripartidárias.
11:07Cássio, então vamos lá. Este depoimento, ele foi concedido já há mais de um mês,
11:11né? Foi concedido em dezembro. De lá pra cá, muita coisa mudou, muitos focos de
11:17investigação surgiram e novos nomes apareceram aí com destaque no noticiário. Ele é um sujeito
11:27hábil com os argumentos e com as palavras. Ou fosse assim, não teria erguido esse império
11:33que agora constata-se, tinha pés de de areia, de barro, né? Veja, quando ele fala o seguinte,
11:39ah, se eu tivesse todas essas conexões eu não estaria aqui e tal, não sei o que, ele
11:46de alguma forma, ele usa uma ferramenta de marketing, uma estratégia de marketing mais
11:53ou menos parecida com aquela que ele usava exatamente pra promover os seus ativos, dizendo
11:59não, o meu banco é sólido. E tem mais uma coisa, se por acaso o meu banco quebrar, o
12:05FGC garante. Então, você não tem risco nenhum. Quer dizer, ou seja, o marketing dele, a estratégia
12:12de marketing dele passava pela utilização de recursos que não eram do sistema. Quando
12:19ele faz aí, em defesa própria, essa comparação de que, ah, se eu tivesse todas essas conexões
12:25e tal, de novo, ele tá dizendo o seguinte, o sistema do Brasil é podre. Mas, se eu fizesse
12:33parte desse sistema predominantemente podre, eu não estaria aqui, porque a podridão teria
12:39me salvado. É mais ou menos isso que ele tá dizendo de uma forma bastante hábil, usando
12:44uma outra construção. Ou seja, é óbvio que é um discurso de alguém que tem as digitais
12:51sim, totalmente implicadas nisso, e que, se naquele momento soltou o nome do Ibanez,
12:58de algum tempo pra cá, a gente tem visto que, a conta gotas, vão surgindo novos personagens.
13:05Eu duvido que ele não tenha participação nesses vazamentos.
13:08O Alangani, como é que você analisa também este cenário? Você concorda com o Piperno
13:12de que, em doses homeopáticas, e até mesmo de forma estratégica, Daniel Vorcaro vai trazendo
13:17novos elementos e novos personagens pra essa trama?
13:20Claro, né? Ele vai fatiando o charuto, né?
13:23Você fatia o charuto?
13:25Essa daí é...
13:26Pouso poucos, né?
13:26Pouso poucos.
13:27Mas, vamos lá. Por falar em charuto, a pergunta a ser feita para o Daniel Vorcaro é
13:37por que que ele pagou 130 milhões para a esposa de um dos ministros da Suprema Corte, né?
13:46Ele pagou lá 130 milhões, que é acima de qualquer banca de advogado badalada aqui em São Paulo.
13:52Então, essa é uma pergunta que ele precisa responder.
13:54Uma outra pergunta é que o ex-ministro Lewandowski recebeu 5 milhões, de acordo com o que foi noticiado
14:04tudo noticiado aí pela imprensa, recebeu 5 milhões de reais enquanto ele era ministro.
14:10Qual era o objetivo dele, né? Será que ele buscava uma certa blindagem?
14:15Enfim, qual que é o objetivo?
14:16Essa pergunta que Daniel Vorcaro, ele tem que responder de uma forma muito objetiva, né?
14:22Esses valores que foram pagos, qual que era a intenção dele.
14:26E não só isso, né? Todas as conexões.
14:29Porque, de novo, né? A gente tem que separar aqui até que ponto que vai o conflito de interesse,
14:35até que ponto que vai a atividade de lobby ou outras questões.
14:38Lucas Merreiro, a gente viu nesses depoimentos e nessa careção muitas perguntas sem respostas.
14:44O silêncio diz muito também?
14:45O silêncio diz muito, Cássios. É claro que assim, eu vou falar no bom português aqui, tá?
14:51O Daniel Vorcaro, ele é um malandro.
14:54E ele vai ser malandro ao longo dos golpes que ele aplicava e vai ser malandro ao longo da investigação.
15:02Acabei de pegar, acho que eu tô olhando pra câmera errada, acho que é aquela ali.
15:04Foi isso.
15:06Então ele vai se comportar dessa forma, tá?
15:08Agora, essas respostas às perguntas que vêm ao longo da investigação, elas muitas vezes são insatisfatórias.
15:15Afinal, o BRB, ele tá realmente alegando que não havia como saber que aqueles fundos, aquelas ofertas eram extremamente suspeitas.
15:24Entendi. Então a justificativa do diretor do BRB, ah não, não é que eu sou criminoso, é que eu sou altamente incompetente.
15:31Logo, a conclusão que nos leva, independentemente de cada caso, se é intenção criminosa, se é por incompetência,
15:38fato é que há dinheiro público sendo utilizado e sendo despejado em um banco que não deveria sequer estar de pé.
15:45Tudo que o BRB representa nessa investigação é uma verdadeira vergonha.
15:50Ô Zé Maria, eu quero te ouvir também, porque ontem a gente usou diversos termos aqui, né, sobre ramificações, network,
15:57a questão também de lobismo, né, do próprio Daniel Vorcaro, dentro ou pelo menos em frente a várias instituições e também poderes,
16:05mas tá mais pra uma teia do que ramificação, porque tem muita gente que tá nessa teia e não tá conseguindo escapar.
16:11Pois é, é engraçado que essa palavra lobby se diz, é a invenção nos Estados Unidos, porque tinha ao lado da Casa Branca um hotel
16:23em que o presidente atravessava a rua e ia tomar um uísque no lobby do hotel, e aí começaram a frequentar o lobby do hotel
16:32pra ter acesso ao poder, ou seja, para ter acesso ali à proximidade ao presidente.
16:37Então, inventaram esse nome, lobby. Só que nos Estados Unidos as coisas funcionam de uma forma transparente.
16:43O lobista é identificado como tal, o lobby é considerado uma coisa positiva.
16:49Houve aqui no Brasil várias tentativas de regulamentar, inclusive o Marco Maciel, ex-vice-presidente da República,
16:57um pernambucano notável, né, ele tentou de todas as formas regulamentar.
17:02Qual é a diferença? É porque o lobby regulamentado, ele é lícito e útil, porque o governante, ele não é especialista em tudo.
17:13Quando ele vai elaborar uma lei sobre medicamentos, ele tem que receber das empresas, das indústrias químicas, informações para ele decidir.
17:25Não é que as indústrias venham interferir, mas levar informações.
17:31Ultimamente, o lobby aqui, ninguém fala nisso, só eu que estou falando assim, o lobby, ele é feito através das frentes parlamentares.
17:39É um exemplo de lobby positivo.
17:42As frentes parlamentares montam aqui estruturas com técnicos, consultores, e influenciam, sim, o deputado dos senadores, através do convencimento.
17:51Trazem as empresas filiadas a essas frentes parlamentares, problemas de cada setor.
17:58E não é aquele lobby que a gente arrepia quando fala que é o lobby da mala preta, como se diz aqui.
18:03Que é trazer dinheiro para o deputado, para o senador, para o ministro, para o presidente da república, já houve casos, né.
18:10Então, é assim.
18:12Vou te falar, na CPI do orçamento, Antônio Hermílio de Moraes, era o maior empresário do país, prestou depoimento.
18:20Por quê? Porque ele procurou o PC Farias no governo Collor.
18:24Jarbas Passarinho, presidente da CPI, perguntou, mas como?
18:27O senhor é o maior empresário do país, porque não procura o presidente da república?
18:32Foi procurar o PC Farias.
18:34Aí ele disse, se você chega no palácio para resolver algum problema e encontra no elevador um assessorista que resolve o seu problema,
18:42da próxima vez você não procura o presidente, você procura o assessorista.
18:46Ou seja, o lobby funciona como o rio correndo para o mar, procurando o caminho mais fácil.
18:51E o caminho mais fácil é o do dinheiro, é o da corrupção.
18:56O lobby do convencimento, ele é mais trabalhoso, mas é muito melhor.
19:01Então, o problemão que eu vejo nisso é a regulamentação do lobby.
19:05E nunca vai regulamentar. Sabe por quê?
19:07O lobbyista é o deputado, o senador, o ex-deputado e o ex-senador.
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