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Por que o brasileiro trocou o hipermercado pelo "atacarejo"? Belmiro Gomes, CEO do Assaí, revela os números impressionantes do setor: em 10 anos, a participação de mercado saltou de 20% para mais de 50%. Ele explica como o e-commerce impactou os grandes hipermercados e como a busca por preços 15% menores moldou o novo varejo alimentar no Brasil.

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Transcrição
00:00Olá, boa noite, está no ar o Show Business, o mais tradicional talk show de negócios da TV brasileira.
00:08E no programa de hoje vamos receber Belmiro Gomes, CEO do Açaí Atacadista,
00:14uma das maiores varejistas do Brasil, com mais de 300 lojas e uma receita bruta de 80 bilhões e 500 milhões de reais.
00:25Vamos receber ainda Priscila Larrant, presidente da Microsoft no Brasil.
00:32É a sua primeira entrevista na TV, ela revela as prioridades da operação brasileira da companhia cofundada por Bill Gates
00:41e como tem sido usado o investimento de 14 bilhões e 600 milhões de reais anunciado pela empresa no país.
00:50Eu sou Bruno Meier e seja muito bem-vindo ao Show Business que começa em instantes.
01:08Ele acaba de completar 40 anos de uma carreira inspiradora.
01:14Foi sorveteiro, estoquista, vendedor, até virar CEO de um segmento do varejo que caiu nas graças do mercado e, sobretudo, do público.
01:28O atacarejo, tendo o Açaí Atacadista, uma companhia com mais de 80 mil funcionários, como uma das gigantes do setor.
01:39Nós vamos conversar nesta edição do Show Business com Belmiro Gomes, CEO do Açaí Atacadista.
01:48Belmiro, obrigado pela presença em nosso estúdio.
01:52Vamos começar falando desse segmento do atacarejo, a junção aí do atacado com varejo que tem ganhado força em tempos recentes no Brasil.
02:04E o grupo Açaí é um dos grandes exemplos, né?
02:09Por que a família brasileira passou a ver o atacarejo como destino das compras do mês?
02:18Obrigado, obrigado pela pergunta.
02:21Antes disso, eu queria agradecer o convite, parabenizar o trabalho, o seu Bruno Meyer, o trabalho feito pelo Show Business.
02:27Para quem estiver nos assistindo hoje, esperamos transmitir algumas informações importantes e falar de um segmento que eu estou há 37 anos,
02:36que é o setor atacadista ou o setor alimentar.
02:38O atacarejo, como hoje é chamado, ou o atacado de autosserviço ou cash and care,
02:43Como você bem disse, ele junta duas propostas.
02:47Atender consumidores finais, ou seja, predominantemente famílias, sejam em compras abastecedoras e repositoras,
02:55mas também uma grande gama de empreendedores.
02:58O Brasil, como nós sabemos, é um país muito do empreendedorismo.
03:02Então nós atendemos desde bares, restaurantes, lanchonetes, padarias, escolas, uma infinidade de segmentos,
03:09que com isso, atendendo esses dois público-alvo, nós reduzimos custo operacional e nos concentramos na principal proposta desse modelo de negócio,
03:18que é o que? Preço baixo.
03:20Vender alimento, limpeza, perfumaria, com preços reduzidos em relações ao que nós temos em outros canais que operam no setor.
03:28O atacarejo é a resposta para o Brasil de hoje?
03:32Ele foi uma consequência de uma série de características do Brasil.
03:37O país nosso, nós somos um país de dimensões continentais, com uma malha logística extremamente custosa,
03:46uma complexidade tributária também e produtos de baixo valor agregado, principalmente o alimentar,
03:51o que faz com que seja difícil o transporte e, principalmente, a entrega ponta a ponta.
03:56Nas grandes metrópoles brasileiras, nós temos metrópoles muito adensadas, com dificuldade logística.
04:02Então, esse modelo surge para atender esses dois públicos e numa pressão também de economia,
04:09dado que também, infelizmente, nós somos um país de grandes desigualdades sociais,
04:13onde você sempre teve, por mais que, independentemente, no momento agora nós temos juros elevados,
04:19uma inflação alimentar, mas sempre teve a necessidade brasileira de economizar.
04:23Então, o modelo, ele nasce para suprir isso, começando na periferia das grandes cidades brasileiras,
04:29mas hoje o modelo, durante décadas de transformação, ele é um modelo que penetra em todas as classes sociais,
04:37desde a classe AB até a classe CDE e praticamente todas as gamas de comércio.
04:42Para que você tenha uma ideia, Bruno, o setor responde hoje, todos os players juntos,
04:46por mais de 50% do mercado alimentar brasileiro.
04:49Isso, se a gente comparar com 5, 10 anos atrás, é quanto?
04:54É uma crescente...
04:5510 anos atrás era quanto, mais ou menos?
04:57Setor representava em torno de 20%.
04:5920%?
05:00Setor passou...
05:01É muito relevante, né?
05:02Exatamente.
05:03Agora, você está falando de um motivo definidor, que é preço baixo.
05:10A ascensão do atacarejo no Brasil nos últimos anos é porque vende mais barato e as pessoas estão atrás de produtos mais baratos.
05:19Quanto, em média, vocês vendem mais barato do que os concorrentes de supermercados?
05:26Há uma diferença, que ela depende da categoria, mas quando o atacarejo começa, o formato dominante era o hipermercado no Brasil,
05:36que tem uma queda, dado que quando o e-commerce principalmente entra, muita gente até acha que foi o atacarejo que disruptou o hipermercado.
05:44E não foi, foi o comércio.
05:46Há 20 anos atrás, se você precisasse de um forno de micro-ondas, você ia onde?
05:50No hiper.
05:51Uma foradeira?
05:52No hiper.
05:52Celular?
05:53No hiper.
05:53Na medida que o e-commerce entra no produto de alto valor agregado, não perecível, o e-commerce é uma grande solução,
06:00você compra e recebe em casa e recebe na porta.
06:03Isso aumentou os custos dos hipermercados, fazendo com que ele tivesse mais dificuldade de competir contra o atacarejo.
06:10A diferença de preço de um atacarejo em relação ao hipermercado era em torno de 15%.
06:1515%, normalmente os estudos mostram que para você criar um novo formato de hardscount,
06:21na maioria dos países, quando você tem uma proposta de preço, que o preço é menor em torno de 10% na categoria alimentar,
06:28esse modelo tende a ter sucesso, que é o que aconteceu.
06:31Então hoje você tem uma diferença a depender do operador, que vai de 12% a 15% em relação aos hipermercados ou em relação aos supermercados.
06:40Então, 12% a 15% mais barato.
06:44E aí fica a pergunta, como é que vocês ganham dinheiro?
06:48Primeiro, o nosso negócio é um negócio de margem baixa.
06:52Então o que a gente busca ganhar é principalmente na escala.
06:56Principalmente porque, da medida que você atende o público comerciante, o comerciante para ele o preço de compra é custo.
07:04Então, para ele, para esse comerciante, para quem tem uma mercearia pequena, mesmo para quem tem um restaurante,
07:09para quem está operando, o custo de compra é algo muito importante para ele.
07:13Então, por isso que o nosso setor, ele normalmente, você opera buscando ganhar em volume e uma margem, né?
07:21Tanto que a margem líquida do setor, ela trabalha, quando muito, não é nem o cenário atual, em 2% de lucro líquido.
07:28No máximo isso, o ano passado, dado que os juros estão elevados, para que você tenha uma ideia,
07:32se a gente olha para 2024 e soma as quatro companhias de capital aberto,
07:37do setor alimentar, o lucro líquido foi inferior a 1%.
07:40Obviamente que parte disso está explicado pelo ciclo de juros altos que o Brasil vem passando,
07:45mas é um setor que, ou seja, ele visa, nós visamos volume, escala e repasse de produto a preço baixo,
07:52fazendo para as indústrias, na nossa visão, um papel importante, que é o de distribuidor complementar.
07:56Se nós olharmos para pouco tempo do passado, você veria caminhões das indústrias fazendo entrega porta a porta.
08:03Se você vai, por exemplo, pegar um exemplo, uma grande metrópole como Nova York,
08:07se você for na 4ª avenida, 5ª avenida, até as 10 horas da manhã,
08:10você vai ver caminhões de 3 eixos, 4 eixos fazendo entrega.
08:13Isso é impossível em São Paulo.
08:15Imagina aqui na Alameda Santos, no próprio Rio de Janeiro.
08:18Você ter os caminhões, né?
08:19Os caminhões fazendo entrega porta a porta.
08:21Então, o nosso modelo acaba que nós somos um distribuidor complementar também da indústria,
08:26para esse pequeno comerciante.
08:27E para o pequeno comerciante, para ele é uma vantagem, por quê?
08:30É como se nós fôssemos o centro de distribuição dele.
08:33Onde quem tem, por exemplo, um comércio de food service, ele vai muitas vezes diariamente na loja,
08:38ele vê o produto que ele precisa e faz uma reposição muito rápida.
08:42Agora, deixa eu girar um pouco o assunto, porque o setor, ele está no meio de uma discussão,
08:47da qual, evidentemente, você faz parte, porque o setor tem discutido publicamente
08:53sobre a venda de medicamentos isentos de prescrição no varejo alimentar.
09:00E a gente está falando de supermercados, a gente está falando dos atacarejos.
09:06Qual é a sua visão nesse assunto?
09:08Perfeito, excelente pergunta, Bruno.
09:11Esse é um pleito que a Abras tem encabeçado.
09:14Se a gente olha para a maioria dos outros mercados...
09:16É a associação de supermercados.
09:18Isso, a Abras é a Associação Brasileira de Supermercados.
09:21Nós apoiamos a Abras nesse pleito.
09:24Se você olha a maioria dos países de primeiro mundo, ou vários outros países,
09:27você compra medicamento também no supermercado.
09:29Então, havia uma demanda inicial feita pela Abras da venda de medicação,
09:34de medicamentos isentos de prescrição.
09:37Esse pleito, a Abras alterou agora, e o pleito que está sendo feito é a venda de medicamentos,
09:42tanto isento de prescrições, mas também o prescritos com a presença do farmacêutico em loja,
09:50no conceito store-in-store, que é o quê?
09:52Você poder ter uma farmácia dentro do supermercado com as mesmas regras,
09:57do ponto de vista sanitário, de Anvisa, de regulação, que tem para as farmácias,
10:02trazendo o Brasil para algo que, na minha visão, nós estamos quase que 20, 25 anos atrasados.
10:07Esse conceito é um conceito existente na Inglaterra, na Alemanha, na França, nos Estados Unidos,
10:12e diversos outros mercados, aonde você, quem tiver mesmo nos ouvintes,
10:16que já foi nos Estados Unidos, visitou uma loja do Walmart, visitou uma loja do Cusco,
10:20você encontrou uma farmácia lá dentro.
10:22Replicando, é o que a Abras hoje pleiteia, e é um movimento que nós, como Atacarejo, também apoiamos.
10:28Estou falando agora como presidente do Açaí, mas também como presidente do Conselho da Abas,
10:32que é a Associação Brasileira dos Atacados de Alto Serviço, que reúne todos os operadores do nosso setor.
10:38Mas qual que é o momento? Isso está parado em Brasília? Em que momento está?
10:42Está no momento, nesse momento, há uma discussão muito forte, vários projetos foram apresentados,
10:47tem uma série de audiências públicas acontecendo, com a participação de representantes
10:52de diversas entidades envolvidas nessa discussão, e temos muito confiante que nós podemos criar um avanço,
10:59porque, no fim, isso beneficia sempre, a maior nível de concorrência, ele beneficia,
11:05só tem um beneficiado nisso, que é o consumidor final, que é o brasileiro.
11:10O fato de você ter mais competição em qualquer um do setor, da mesma forma que o Atacarejo,
11:15nós somos capazes de reduzir preço de alimento, tão importante quanto reduzir preço de alimento,
11:19é também reduzir preço de medicamento.
11:22Então, há discussões acaloradas, como seria de esperar, dentro de uma discussão como essa,
11:28mais o que a gente vê que, se for aprovado, o consumidor final vai ter mais uma opção.
11:34Com mais opção, sempre, o brasileiro vai ser o beneficiado.
11:38Deixa eu voltar para o grande negócio de vocês, porque vocês tiveram, recentemente,
11:44investimentos altos em novos serviços.
11:48Empólio, açougue, padaria, isso dentro dos Atacarejos.
11:54Qual que foi o resultado disso?
11:56Essa aposta valeu a pena?
11:58E o peso disso no negócio de vocês?
12:01Foi, as mudanças que foram feitas, elas foram, na minha visão, uma evolução natural do modelo.
12:07O modelo de Atacarejo, ele nasce, principalmente, para atender o público da periferia e para atender os comerciantes.
12:15Mas, vamos lembrando, infelizmente, o Brasil é um país de muita desigualdade social.
12:20E, na medida que nós precisávamos também penetrar dentro das classes sociais, A, B, em lojas, em localização,
12:27maior você encontra um outro público com um outro nível de demanda.
12:32Então, muito da evolução do Atacarejo, ela foi feita da seguinte forma.
12:36Aliando, sempre preço baixo, mas uma melhoria na experiência de compra.
12:41Tanto que, um pouco antes de gravar o programa, você viu que eu fiz uma enquete, praticamente, com todo mundo aqui da Jovem Pan,
12:47que a gente encontrou, se o quê? Se comprava no açaí, em que loja comprava?
12:50Em que loja, exatamente.
12:51Em que loja.
12:51Porque não era só falar que comprava, você perguntava da unidade, inclusive.
12:56Exatamente. Primeiro para saber e para ver se tinha alguma reclamação.
12:59Mas, praticamente, qualquer um deles.
13:01Se você olhar, você vai ver que a experiência de compra, ela evoluiu muito.
13:05Então, houve uma busca por redução de custo, que também ela foi investida na experiência do cliente.
13:09Quando você olha para uma loja de Atacarejo, hoje, contra o que era 20 anos atrás,
13:15teve uma série de evoluções na iluminação da loja, na inclusão do ar-condicionado,
13:19na qualidade do perecível do produto que está lá dentro,
13:23na quantidade de treinamento de funcionário e na qualidade do sortimento.
13:27Então, essas evoluções, elas fizeram com que nós conseguíssemos adentrar em outras classes sociais
13:32e também, agora, penetrar em outras categorias de produto, como foi a que você perguntou,
13:37o caso do açougue, o caso do fatiamento, o caso, por exemplo, do empório de frios que nós temos nesse momento
13:42e outras categorias.
13:44Há exemplo também do que acontece em outros países do mundo.
13:47Então, era uma evolução natural, tanto que hoje, quando a gente olha para o açaí,
13:50nossa participação, nós estamos presentes, até aproveitando para fazer uma propaganda também,
13:56no açaí, ele atende 40 milhões de pessoas por mês, nas suas 302 lojas.
14:01Nós estamos presentes em um de cada três domicílios no Brasil.
14:05Em algumas regiões, nós chegamos a estar presentes praticamente em um de cada dois domicílios no Brasil,
14:10com 88 mil colaboradores.
14:11E temos uma penetração em todas as classes sociais, conforme o poder de compra que essa parcela tem também
14:19de poder de compra da população.
14:21Então, enquanto a classe AB, ela atende o poder de compra dentro do PIB, é a nossa participação.
14:27Então, ou seja, é um modelo que é muito democrático, que ele visa atender.
14:30Por quê? Preço baixo? Bem, na verdade, é uma demanda, independentemente de que classe social você está.
14:36Agora, o peso desses novos serviços, você tem um número exato para o negócio do açaí?
14:43Ele hoje tem uma representatividade crescente, por ser companhia de capital aberto.
14:48A gente não pode divulgar alguns níveis de detalhe nesse período, mas, assim, para que tenham uma ideia,
14:53nós fizemos os primeiros projetos e implantamos praticamente em todas as lojas.
14:57O açaí é conhecido por ser, talvez, uma das referências de fonte de inovação do setor.
15:02Então, nós fizemos a implantação dos serviços, alguns concorrentes seguiram.
15:05Recentemente, agora, nós fizemos uma implantação massiva de self-checkout.
15:10Por quê? Você tem uma parte, hoje, da população que busca a compra abastecedora,
15:15que é onde nós somos especialistas, mas você tem uma parte também que busca a compra repositora.
15:20Dado que, nesse momento, no Brasil, a gente tem uma migração do modelo de contratação.
15:25Nós tivemos um aumento grande da mão de obra que ganha por dia e não que ganha por mês.
15:31Então, ou seja, se você tem um trabalhador numa faixa de renda que ele recebe, por exemplo, R$ 3.000 mensal,
15:38ele tem uma probabilidade maior de comprar nota careja, nós detectamos.
15:41Se ele ganha os mesmos R$ 3.000, mas em R$ 100 por dia, trabalhando como Uber, como iFood,
15:47ou seja, fazendo entrega, ele tinha uma tendência maior de comprar nota careja.
15:51Então, muito da mudança, de tornar o perecível, localização de loja,
15:55é para que você pegue essa parcela da mão de obra ocupada, quase 38 milhões de trabalhadores,
16:00e consiga também ter uma proposta de falar, ok, eu sou uma boa alternativa para você de preço baixo,
16:05não somente numa compra de grande volume, mas se você vai comprar muito ou vai comprar pouco,
16:10nós continuamos mantendo o preço baixo.
16:12Obrigado.
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