00:00De duas horas e doze minutos, seguimos ao vivo com o noticiário internacional.
00:04Os Estados Unidos, Rússia e a Ucrânia vão realizar hoje uma reunião para negociar o fim da guerra,
00:10que já dura quase quatro anos.
00:12O Luca Bassani é quem chega ao vivo em tempo real.
00:15Luca, o que será colocado nesta reunião?
00:18Qual é a discussão esperada nesta sexta-feira, Luca?
00:22Ótima tarde a você.
00:24Ótima tarde também a você, querido Bruno Pinheiro, a Márcia,
00:26a todos que nos acompanham aqui nesta sexta-feira em tempo real.
00:29Como havíamos antecipado ontem, Estados Unidos, Rússia e Ucrânia realizam pela primeira vez
00:35uma reunião trilateral para discutir o final da guerra no leste europeu,
00:39que logo mais completará quatro anos.
00:42Na cidade de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos,
00:45essas delegações já se encontraram hoje, tiveram as suas primeiras conversas,
00:50que se finalizarão apenas amanhã.
00:52Por enquanto, nós não temos de fato nenhuma documentação,
00:56nenhum tipo de relatório que foi divulgado à imprensa de maneira completa.
01:00Isso provavelmente deva ser feito só a partir do final das últimas conversas no sábado.
01:06Mas a gente tem uma ideia, uma noção mínima daquilo que será discutido.
01:10Afinal, em Davos, o presidente Zelensky disse à imprensa
01:13que as garantias de segurança buscadas pela Ucrânia
01:17foram atendidas pelos Estados Unidos e concordadas pela Rússia.
01:20Inicialmente, essa foi a mensagem compartilhada.
01:24Além disso, também se encontrou um consenso na reconstrução da Ucrânia
01:29e a reestruturação da sua economia, uma vez que a guerra seja finalizada.
01:34O grande ponto nevrálgico, o ponto de grande divergência,
01:37é a questão territorial, a concessão do Dombás para a Rússia
01:41ou até mesmo o congelamento das linhas de batalha em outras partes,
01:45como em Terson ou até mesmo em Zaporizhia.
01:48Isso está sendo discutido em Abu Dhabi, não é um tema fácil
01:52porque envolve trocas de população ucranianas e russas,
01:56emissão de passaportes, utilização de novos dinheiros,
01:59redesenho de mapas e muitas vezes toca em questões constitucionais,
02:03já que a própria Ucrânia, que tem o seu território visto como indivisível,
02:07não pode simplesmente ceder territórios a uma potência invasora
02:11sem passar por um devido processo legal,
02:14por mais que isso seja apenas uma formalidade.
02:16Então, a expectativa é que pelo menos alguma luz nas questões territoriais
02:21nós possamos já ter com a finalização dessa reunião,
02:24que tem a participação principalmente dos enviados especiais de Donald Trump,
02:28Steve Whitcoff e o seu gênero Jared Kushner,
02:31e asseguram que essa guerra vai terminar o quanto antes,
02:33porque esta é uma prioridade da administração Donald Trump.
02:37Vamos observar se isso de fato acontece,
02:39afinal foram várias outras possibilidades que a guerra teve
02:42para encontrar pelo menos um cessar-fogo,
02:44e isso nunca aconteceu, quem sabe desta vez.
02:49Ô Luca, rapidamente, já tem o horário que acontece?
02:53A gente vai conseguir ter uma resposta aqui ainda durante o nosso jornal?
02:56Olha, os Emirados Árabes Unidos, eles estão seis horas à frente do Brasil,
03:03então agora já é no início da noite,
03:05é costumeiro que essas reuniões também se estendam até as primeiras horas da madrugada,
03:10se os temas forem complexos, como são neste caso,
03:13então provavelmente a gente não vai ter uma exatidão de quando isso se finaliza.
03:19Aquilo que sabemos é que a reunião de hoje já está acontecendo,
03:21e que por enquanto nenhuma informação foi vazada ou nada foi divulgada à imprensa em caráter oficial.
03:28Portanto, como nós aqui prezamos pelo jornalismo de qualidade,
03:31vamos esperar as informações concretas de pelo menos um desses três participantes
03:36antes de trazer para a nossa audiência, mas ficaremos de olho.
03:40Ficaremos em contato.
03:42Luca Bassani volta já já, duas horas e dezoito minutos.
03:45Quero ouvir as análises de Mônica Rosenberg sobre essa reunião,
03:49um encontro importante, na verdade um conflito que agora em fevereiro completam quatro anos.
03:55Há expectativa de um cessar-fogo definitivo,
03:59mas para isso acontecer alguém tem que se autodeclarar derrotado, né?
04:04Será que isso vai acontecer ou não, Mônica?
04:07Acho difícil que alguém se autodeclare derrotado,
04:10mas tem uma questão muito importante aqui,
04:11que é pela primeira vez os dois lados estão participando da reunião, né?
04:15Nós estamos chamando de reunião trilateral,
04:18mas ela é efetivamente uma reunião entre as duas partes envolvidas nessa guerra.
04:23O Trump está se colocando ali como um dos lados na guerra,
04:26mas ele é apenas um mediador.
04:27E pela primeira vez estão discutindo condições efetivas para um cessar-fogo.
04:34Já a fadiga dessa guerra já está muito clara dos dois lados.
04:38Os dois lados já perderam em termos de vidas muito mais do que poderiam.
04:42E existem questões, a questão constitucional na Ucrânia,
04:46o Zelensky não pode entregar esses territórios simplesmente em troca da paz.
04:50O Putin, que tem toda a sua construção de que aqueles territórios eram da Rússia.
04:54Eles vão ter que achar uma narrativa.
04:57E hoje a coisa que nós mais fazemos bem é a construção de narrativas.
05:01Cada um terá uma narrativa para o seu próprio lado,
05:03de que conseguiu exatamente o que eles queriam.
05:06E, finalmente, caminhar para a paz,
05:09porque não tem outro caminho, não tem mais como.
05:11Ali já chegou no limite de saturação,
05:14tanto da quantidade de mortos, da violência e do impasse diplomático.
05:19Então, o único caminho agora, eu sou muito otimista,
05:22é que caminhe para a paz.
05:24Mas, Mônica Rosenberg, caso essa paz venha nos próximos meses,
05:29a Trump vai ficar muito mais garboso,
05:33mais alter ego do que ele já é,
05:36e vai querer o próximo prêmio Nobel,
05:38mesmo que a Corina já tenha dado para ele a plaquinha.
05:42Ele vai dizer, claro, fui eu que consegui.
05:44Você tem uma dúvida disso?
05:46Eu não tenho nenhuma, Mônica.
05:47Não há nenhuma dúvida mesmo.
05:49E, olha, ele quer tanto,
05:51entrega essa porcaria desse prêmio para ele,
05:52porque, quem sabe, ele volta a falar de paz
05:55e para de estar tão ofendidinho de não ter o prêmio,
05:57que ele não vai mais agredir e ameaçar outros países
06:01como a Dinamarca com a sua Groenlândia.
06:04Luizé, aproveitando que você tocou em Groenlândia,
06:07você acredita que pode alavancar a tensão
06:11e que realmente, por exemplo, países da Europa
06:13reforçando militarmente a Groenlândia e o Ártico ali
06:17com o medo de um possível embate territorial dos Estados Unidos,
06:24a situação entre Estados Unidos e União Europeia
06:27fica cada vez pior,
06:29há relações diplomáticas cada vez mais distantes, Mônica?
06:33Não acredito nisso, mas eu já falei que eu sou muito otimista.
06:35Então, eu toda vez acredito que o Trump vem com bravatas.
06:38É o modus operandi dele.
06:40Ele ameaça com tarifas, ameaça com força
06:42e não chega às vias de fato.
06:44Mesmo na Venezuela, que nós tínhamos medo,
06:46o Brasil falando em mandar forças,
06:48o Suriname juntando seus exércitos.
06:50E ele fez uma operação cirúrgica, foi lá contra a lei internacional,
06:53retirou o ditador e não houve escalada de violência.
06:58Ele não pode, ele internamente já está com uma violência
07:00muito difícil de controlar.
07:02Então, para ele, o que ele precisa é falar alto
07:04e torcer que todo mundo recue.
07:06E quando não recuam, o apelido dele é Tackle,
07:08não é à toa, o Trump sempre recua.
07:11Ele vai com força para tentar conseguir um resultado.
07:13Quando não consegue, ele acaba recuando,
07:15que é, inclusive, o que ele já fez na Groenlândia.
07:19E está recuando também de algumas taxas,
07:21agora, inclusive, da Europa.
07:22Obrigada, Mônica Rosenberg, pelas suas análises.
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